ONU-Habitat quer que cidades liderem caminho para futuro mais verde após pandemia

O relatório “Cidades e pandemias: por um futuro mais justo, verde e saudável”, lançado, nesta terça-feira, descreve como as áreas urbanas têm inovado na crise Covid-19. O documento foi divulgado pelo Programa da ONU para Assentamentos Urbanos, ONU-Habitat.
 
A diretora-executiva do ONU-Habitat, Maimunah Mohd Sharif, disse que 95% de todos os casos foram registrados nas cidades nos primeiros meses da pandemia e que, ao longo da crise global, tem cabido aos governos locais e às comunidades agir de forma rápida e decisiva para impedir a propagação do vírus e garantir uma resposta eficaz.

UN/Kibae Park

As desigualdades foram ainda mais acentuadas devido a fatores como falta de acesso a serviços básicos.

Pressões 

Apesar dessas pressões, muitos governos locais e líderes comunitários agiram de forma rápida e eficaz para mitigar os efeitos da crise.
 
O relatório recomendou ações para uma recuperação sustentável com base em evidências de mais de 1,7 mil cidades.
 
Segundo o estudo,  os padrões de desigualdades devido à falta de acesso a serviços básicos, pobreza e condições de vida superlotadas, têm sido os principais fatores desestabilizadores no aumento da escala e do impacto da Covid-19.
 
O chefe de Conhecimento e Inovação da ONU-Habitat, Eduardo Moreno, informou que, por conta da pandemia, mais 120 milhões de pessoas no mundo serão lançadas para a pobreza e os padrões de vida serão reduzidos em 23%.

Unicef/Panjwani

Governos devem concentrar-se em políticas para proteger os cidadãos e garatir seus direitos básicos.

Comunidades

 
De acordo com o documento, líderes e planejadores urbanos devem repensar a forma como as pessoas circulam nas cidades, a partir das lições aprendidas no último ano. Isso inclui um maior enfoque no nível local no planejamento de bairros e comunidades multifuncionais e inclusivas.
 
O relatório descreve como um “novo normal” pode emergir nas cidades onde saúde, habitação e segurança são priorizadas para os mais vulneráveis, não apenas por necessidade social, mas também por um profundo compromisso com os direitos humanos para todos.
 
Isso exige que os governos concentrem-se em políticas para proteger os direitos sobre a terra, melhorar o acesso à água, saneamento, transporte público, eletricidade, saúde e instalações de educação e garantir conectividade digital inclusiva.

Unicef/Prinsloo

A meta deve ser uma nova economia urbana que respeite a natureza e reduza os riscos de desastres naturais.

Baixo carbono

 
O relatório recomenda fortalecer o acesso ao financiamento municipal para permitir que os líderes das cidades construam uma nova economia urbana que reduza o risco de desastres, bem como abordar as mudanças climáticas, desenvolvendo soluções baseadas na natureza e investindo em infraestrutura sustentável para permitir o transporte de baixo carbono.
 
O documento deixa claro que a maneira como os ambientes urbanos se recuperam da pandemia terá um grande impacto no esforço global para alcançar um futuro sustentável para todos em linha com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.


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