Uma semana após as cheias repentinas que devastaram a bacia dos rios Bhotekoshi-Trishuli, no Nepal, o sistema das Nações Unidas continua a apoiar os esforços de resposta liderados pelo Governo, numa operação que combina assistência humanitária imediata, apoio à saúde pública, avaliação de danos e planeamento da recuperação. As agências da ONU e os seus parceiros estão a preparar o lançamento de um Apelo Relâmpago (Flash Appeal) para reforçar e ampliar a assistência às comunidades afetadas.
A UNICEF está na linha da frente da resposta humanitária às necessidades das crianças e das famílias deslocadas. A agência estima que pelo menos 22 mil crianças necessitam urgentemente de acesso a água potável, saneamento e apoio em higiene, depois de as cheias terem destruído ou danificado sistemas de abastecimento de água e instalações sanitárias. Para responder à emergência, a UNICEF distribuiu kits de higiene, recipientes para armazenamento e transporte de água, produtos para tratamento de água e lonas de abrigo, além de promover campanhas de prevenção de doenças e de higiene em colaboração com as autoridades e parceiros locais.
As Nações Unidas e os seus parceiros humanitários estão também a fornecer alimentos, água limpa, kits de higiene e medicamentos às populações afetadas. Paralelamente, a UNICEF mobilizou especialistas em nutrição e alimentos terapêuticos para apoiar crianças e famílias em situação de maior vulnerabilidade, procurando evitar o agravamento dos riscos sanitários e nutricionais numa fase crítica da emergência.
No setor da saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha os impactos das cheias sobre os serviços médicos. Segundo a agência, sete unidades de saúde sofreram danos, das quais quatro foram completamente destruídas. Além disso, dois hospitais continuam de difícil acesso, o que representa um desafio adicional para a prestação de cuidados médicos às comunidades isoladas pelas cheias e pelos deslizamentos de terra.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) concentra-se na avaliação dos danos e no apoio à recuperação. Utilizando imagens de satélite e análises técnicas, o PNUD estima que as cheias deixaram cerca de 2,2 milhões de toneladas de detritos nas áreas afetadas. A organização está a fornecer às autoridades dados e análises para apoiar o planeamento da recuperação, incluindo a limpeza de escombros, a reconstrução de infraestruturas e o restabelecimento de serviços essenciais. O PNUD alerta ainda que muitas das comunidades afetadas já se encontravam entre as mais vulneráveis do país, dependendo fortemente da agricultura para a sua subsistência.
Outras agências das Nações Unidas estão igualmente envolvidas na resposta. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) prestou cuidados veterinários a 300 animais feridos e está a avaliar as perdas agrícolas provocadas pelo desastre. Por sua vez, o Gabinete das Nações Unidas para Serviços de Projetos (UNOPS) está a realizar avaliações rápidas das infraestruturas, identificando comunidades isoladas, mapeando dificuldades logísticas e partilhando dados em tempo real com as equipas de coordenação. Em conjunto, estas ações ilustram uma resposta abrangente do sistema das Nações Unidas, que procura não apenas responder às necessidades imediatas das populações afetadas, mas também apoiar uma recuperação mais resiliente e sustentável.