A 17 de março de 2025, realizou-se em Bruxelas a nona Conferência Internacional de Doadores em Apoio à Síria, organizada pela União Europeia. Este encontro reuniu líderes internacionais, organizações humanitárias e representantes da sociedade civil para mobilizar apoio à transição pacífica e inclusiva na Síria, após a queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024.
Tom Fletcher, subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários e Coordenador de Emergências, alertou que a resposta humanitária para a Síria continua gravemente subfinanciada. No ano passado, apenas 35% dos 4 mil milhões de dólares necessários foram recebidos, e este ano o apelo global da ONU cifra-se em 2 mil milhões para apoiar cerca de 8 milhões de pessoas. Apesar das dificuldades, Fletcher destacou avanços, como o aumento da assistência alimentar e de saúde e a melhoria da mobilidade humanitária em certas áreas anteriormente inacessíveis.
Um dos temas centrais da conferência foi o impacto do conflito na vida das mulheres e crianças sírias. Organizações da ONU têm alertado para a destruição do sistema de saúde, que deixou muitas grávidas sem acesso a cuidados básicos, e para a normalização da violência de género. A falta de financiamento ameaça a manutenção de espaços seguros para mulheres, colocando-as em maior risco. Paralelamente, o trauma psicológico gerado pelo conflito tem efeitos intergeracionais, reforçando a necessidade de um apoio contínuo em saúde mental.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, participou na conferência através de uma mensagem em vídeo, sublinhando a necessidade de solidariedade internacional e cooperação para apoiar a Síria neste período crítico. Guterres enfatizou que, após 14 anos de guerra, a economia síria perdeu cerca de 800 mil milhões de dólares em PIB, ressaltando a urgência de investimentos para a reconstrução do país.
A ONU também reforçou a importância da participação ativa de mulheres e jovens na resposta humanitária e no processo de transição política do país. Foi ainda defendida a necessidade de aliviar sanções económicas, apoiar países que acolhem refugiados sírios e facilitar o regresso seguro daqueles que optam por voltar às suas comunidades.
A Conferência de Bruxelas foi um apelo à ação concreta para garantir que a Síria não caia no esquecimento. Os responsáveis da ONU sublinharam que, sem um aumento do apoio internacional, o progresso alcançado nos últimos anos estará em risco, deixando milhões de sírios sem o auxílio de que necessitam para reconstruir as suas vidas.