Em destaque Poluição por plástico: tudo o que precisa de saber em 10 perguntas

Poluição por plástico: tudo o que precisa de saber em 10 perguntas

Foto Unsplash

O mundo gerou cerca de 400 milhões de toneladas de resíduos plásticos no último ano. Este fluxo contínuo de garrafas de água e champô, recipientes dispensadores, camisolas de poliéster, tubos de PVC e outros produtos de plástico faz parte de uma crise de poluição por plástico que, segundo especialistas, está a devastar os ecossistemas, a expor as pessoas a poluentes potencialmente nocivos e a agravar as alterações climáticas.

«A poluição por plástico é uma das ameaças ambientais mais graves que o planeta enfrenta, mas é um problema que podemos resolver», afirma a chefe da Unidade de Recursos e Mercados do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP), Elisa Tonda. «Fazê-lo poderá não só melhorar o bem-estar das pessoas e do planeta, como também desbloquear inúmeras oportunidades económicas.»

Atualmente, os países estão a negociar um acordo internacional juridicamente vinculativo para pôr fim à poluição por plástico. Neste contexto, o Dia Mundial do Ambiente deste ano será dedicado à prevenção da fuga de resíduos plásticos para o ambiente, nomeadamente através da limitação da poluição causada por plásticos de uso único e da conceção de produtos de plástico mais duradouros.

Antecipando o Dia Mundial do Ambiente, damos aqui um olhar mais atento ao que é a poluição por plástico, porque é tão problemática e o que pode ser feito para a combater.

  1. Qual é a quantidade de plástico existente?

Muita. Atualmente, o plástico é uma parte essencial do mundo moderno, presente em tudo, desde peças de automóveis a dispositivos médicos. Desde os anos 50, estima-se que a humanidade tenha produzido 9,2 mil milhões de toneladas deste material, das quais cerca de 7 mil milhões se tornaram resíduos.

  1. Que tipos de plástico são os mais problemáticos?

Uma das principais fontes de poluição por plástico são os produtos de plástico de uso único, que não circulam na economia, sobrecarregam os sistemas de gestão de resíduos e acabam por chegar ao ambiente. Alguns dos produtos mais comuns são garrafas de água, recipientes dispensadores, sacos de takeaway, talheres descartáveis, sacos de congelação e esferovite de embalagem.

Estes produtos tornaram-se parte integrante do quotidiano:

  • Polietileno tereftalato (PET): garrafas de água, recipientes dispensadores, tabuleiros para bolachas
  • Polietileno de alta densidade (HDPE): garrafas de champô, garrafas de leite, sacos de congelação, embalagens de gelado
  • Polietileno de baixa densidade (LDPE): sacos, tabuleiros, recipientes, filmes para embalamento de alimentos
  • Polipropileno (PP): embalagens de batatas fritas, pratos de micro-ondas, recipientes de gelado, tampas de garrafas, máscaras descartáveis
  • Poliestireno (PS): talheres, pratos, copos
  • Poliestireno expandido (EPS): embalagens de proteção, copos de bebidas quentes

 

  1. Onde encontramos poluição por plástico?

Praticamente em todo o lado. Nos lagos, rios e oceanos. Nas ruas das cidades e nos campos agrícolas. A sair a rebentar dos aterros. A acumular-se em desertos e até em blocos de gelo marinho. Investigadores encontraram resíduos de plástico no Monte Evereste e na Fossa das Marianas, o ponto mais profundo da Terra.

 

  1. Porque é que a poluição por plástico é um problema tão grave?

Por três razões principais:

  • Em primeiro lugar, pode causar estragos nos ecossistemas. Um estudo demonstrou que partículas de plástico podem abrandar o crescimento do fitoplâncton marinho, a base de muitas cadeias alimentares aquáticas. Além disso, muitos peixes ingerem plásticos por engano, enchendo os seus estômagos com fragmentos não digeríveis e acabando por morrer de fome.
  • Em segundo lugar, o plástico fragmenta-se em pedaços minúsculos – conhecidos como microplásticos e nanoplásticos – que se podem acumular no corpo humano. Já foram encontrados microplásticos no fígado, testículos e até no leite materno. Um estudo revelou que, em média, um litro de água engarrafada pode conter cerca de 240 mil microplásticos.
  • Em terceiro lugar, o ciclo de vida do plástico também contribui para as alterações climáticas. A produção de plástico, um processo com elevada exigência energética, foi responsável por mais de 3% das emissões globais de gases com efeito de estufa em 2020, segundo estimativas.

 

  1. O que fazem os microplásticos ao corpo humano?

Ainda não se sabe ao certo. Mas a comunidade científica está empenhada em descobrir, dada a quantidade alarmante de microplásticos que estamos a ingerir.

 

  1. A reciclagem, por si só, pode acabar com a crise da poluição por plástico?

Não. Apenas cerca de 9% dos plásticos são efetivamente reciclados, segundo um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Existem várias razões para isso: muitos produtos não são concebidos para serem reutilizados ou reciclados, alguns são demasiado frágeis, outros só podem ser reciclados uma ou duas vezes. Em muitos países, não existe a infraestrutura necessária para recolher e processar estes resíduos. Mas talvez o maior obstáculo seja que os sistemas de reciclagem não conseguem acompanhar o ritmo da produção global, que duplicou entre 2000 e 2019.

 

  1. Como pode o mundo combater a poluição por plástico?

É necessário pensar em grande. Ir além da reciclagem e encontrar formas de limitar os impactos ambientais e de saúde causados por esta poluição. Isto implica analisar todas as fases da vida dos produtos – produção, conceção, consumo e eliminação – através de uma abordagem de ciclo de vida. Na prática, significa reduzir a dependência de plásticos de uso único, redesenhar produtos para que sejam mais duradouros, seguros, reutilizáveis e recicláveis, procurar alternativas aos plásticos e evitar que estes escapem para o ambiente.

 

  1. Tudo isto não será caro e difícil?

Nem por isso. Governos, empresas, organizações da sociedade civil e cidadãos já estão a implementar soluções inovadoras para acabar com a poluição por plástico. E estudos indicam que a abordagem de ciclo de vida pode poupar ao mundo cerca de 4,5 biliões de dólares em custos sociais e ambientais até 2040.

«Temos de deixar de encarar as soluções para a poluição por plástico como um custo», sublinha Tonda. «São investimentos em sociedades saudáveis e num planeta saudável – investimentos que trarão benefícios durante gerações.»

 

  1. O que está a ser feito a nível global?

Muitos países estão a adotar medidas legislativas para reduzir o uso de plásticos de uso único e responsabilizar os produtores ao longo de todo o ciclo de vida dos produtos. Contudo, sendo a poluição por plástico um problema transfronteiriço, a cooperação internacional é essencial. Por isso, os Estados-membros estão a negociar um tratado global para acabar com a poluição por plástico. O Comité Intergovernamental de Negociação – encarregado de elaborar o acordo – reúne-se para a segunda parte da sua quinta sessão de 5 a 14 de agosto de 2025, em Genebra, Suíça. Estas negociações são vistas como um sinal claro do reconhecimento, por parte dos líderes mundiais, da gravidade da crise e da necessidade urgente de um acordo vinculativo.

 

  1. Porque há tanta urgência em combater a poluição por plástico?

Sem uma ação decidida, o problema tende a agravar-se. A OCDE prevê que, até 2060, os resíduos plásticos quase tripliquem, atingindo mil milhões de toneladas por ano. Se as tendências atuais continuarem, grande parte desse plástico será depositado em aterros, incinerado ou perdido no ambiente.

O trabalho do UNEP é possível graças ao apoio dos Estados-membros que contribuem para o Fundo para o Ambiente, o fundo central que financia a atuação global do Programa. Saiba como apoiar o UNEP no investimento nas pessoas e no planeta.

 

Dia Mundial do Ambiente

O Dia Mundial do Ambiente, celebrado a 5 de junho, é a maior jornada internacional dedicada à proteção do ambiente. Liderada pelo UNEP e assinalada anualmente desde 1973, tornou-se na maior plataforma global de sensibilização ambiental, envolvendo milhões de pessoas em todo o mundo. Este ano, junta-se à campanha #CombaterAPoluiçãoPorPlástico, promovida pelo UNEP, para acabar com a poluição por plástico.

 

Sobre a campanha Combater a Poluição por Plástico

Desde 2018, a campanha #CombaterAPoluiçãoPorPlástico, liderada pelo UNEP, tem vindo a promover uma transição justa, coletiva e global para um mundo livre da poluição por plástico.