O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, aproveitou a sua intervenção na 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas para defender uma resposta internacional mais determinada às crises que afetam o mundo. Perante líderes de quase duas centenas de países, o chefe do Governo português sublinhou a importância do multilateralismo e afirmou que a ONU continua a ser uma das maiores conquistas da humanidade na promoção do diálogo e da cooperação entre nações.
No centro do discurso esteve a crescente instabilidade internacional, marcada por guerras, tensões geopolíticas e desafios económicos. Montenegro alertou para o impacto global destes conflitos, destacando que nenhuma região do mundo está imune às suas consequências. Segundo o primeiro-ministro, os efeitos económicos e sociais da atual conjuntura são sentidos em todos os continentes, exigindo uma ação coordenada da comunidade internacional.
Uma parte da sua intervenção centrou-se na atual crise energética. O líder português considerou que a escalada dos preços dos combustíveis, alimentada por conflitos internacionais e pela volatilidade dos mercados, está a prejudicar populações e economias em todo o mundo. Montenegro descreveu a situação como uma “crise insensata” e apelou ao fim do que classificou como uma espécie de “masoquismo coletivo”, defendendo medidas que reduzam a dependência da especulação nos mercados petrolíferos.
Relativamente aos conflitos armados, o primeiro-ministro pediu um reforço do diálogo e da diplomacia como caminhos prioritários para alcançar a paz. No Médio Oriente, defendeu o fim da tragédia humanitária e reiterou o apoio à solução de dois Estados, permitindo a coexistência pacífica de Israel e Palestina. Também condenou ações agressivas atribuídas ao Irão e apelou à garantia da liberdade de navegação em rotas marítimas estratégicas.
Sobre a guerra na Ucrânia, Montenegro insistiu na necessidade de alcançar uma paz justa e duradoura, baseada no respeito pelo direito internacional. O governante português referiu ainda outras crises humanitárias, como a do Sudão, defendendo que a comunidade internacional não pode ignorar o sofrimento de milhões de pessoas afetadas por conflitos prolongados.
As alterações climáticas foram outro dos temas centrais do discurso. Montenegro lembrou que Portugal sente diretamente os efeitos do aquecimento global através do aumento dos incêndios florestais, da erosão costeira e de fenómenos meteorológicos extremos. Neste contexto, reafirmou o compromisso português com a transição energética, o investimento em energias renováveis e a promoção das economias verde e azul.
Ao concluir, o primeiro-ministro destacou o regresso de Portugal ao Conselho de Segurança da ONU como membro não permanente e garantiu que o país assumirá essa responsabilidade com espírito construtivo. A mensagem final foi de confiança no papel das Nações Unidas e na capacidade da cooperação internacional para enfrentar os desafios globais, defendendo uma atuação baseada em três princípios: prevenir conflitos, cooperar entre Estados e proteger as populações.
Assista ao discurso na íntegra: