Portugal na vanguarda das turbinas eólicas flutuantes

Portugal é, juntamente com a Escócia, pioneiro na instalação de parques de turbinas eólicas flutuantes, que vêm permitir a globalização da energia eólica marítima. Este tipo de energia é adequado para países com grandes áreas costeiras e tem um papel relevante na descarbonização e transição para o fornecimento de energia limpa.  

Em julho de 2020, a plataforma eólica marítima flutuante de 25 MW –  WindFloat Atlantic – instalada nos arredores de Viana do Castelo, começou a fornecer eletricidade. O parque possui três turbinas Vestas e foi desenhado para gerar energia para cerca de 60.000 utilizadores, evitando a emissão de 1,1 milhões de toneladas de CO2 para a atmosfera. No primeiro ano de funcionamento, a WindFloat Atlantic atingiu 75 GWh, um valor suficiente para abastecer 60.000 habitantes. 

Em fevereiro de 2022, na conferência “Gerar Energia para o Mundo e Preservar o Planeta”, em Lisboa, os especialistas consideraram esta alternativa como uma solução para gerar energia limpa em Portugal. Tiago Pitta e Cunha, da Fundação Oceano Azul, defendeu que “a energia eólica marítima é especialmente relevante para Portugal, que neste momento está dependente de combustíveis fósseis, sem ter fontes alternativas de energia renovável”. 

Energia limpa na Escócia 

O primeiro parque eólico flutuante foi instalado em 2017 em Peterhead, na Escócia, e tem tecnologia norueguesa. O parque é constituído por cinco turbinas com uma capacidade total de 30 MW, e atingiu um fator de capacidade média de 57,1% em 2021. O parque Hywind tem sido o parque eólico marítimo com melhor desempenho no Reino Unido consecutivamente durante três anos. 

Também na Escócia, o parque eólico flutuante de Kincardine, em Aberdeen, é considerado o maior do mundo. Tem seis turbinas, que totalizam 50 MW. Estima-se que este projeto alimenta mais de 50.000 casas e que poderia ajudar outros países a atingir objetivos energéticos sustentáveis.  

Vantagens da energia eólica marítima 

Estes parques podem ser considerados exemplos de sucesso de um mercado emergente. A energia eólica flutuante pode atrair mais países a criarem as suas próprias plataformas. Esta iniciativa vai ajudar não só na transição verde, mas também nas economias e no bem-estar de países africanos, por exemplo, que têm largas áreas costeiras. 

Esta energia acaba por gerar mais eletricidade do que as eólicas colocadas em terra, devido à maior velocidade do vento nos mares. Há também a questão do espaço e da poluição visual. Neste caso, não é necessário ocupar terras que possam perturbar as populações. 

As eólicas marítimas têm uma estrutura fixa que tem vindo a limitar as turbinas de serem colocadas em locais de profundidade baixa. No entanto, não estando as turbinas ancoradas no fundo do mar, abre-se a possibilidade de mais países poderem usá-las, criando um mercado sem barreiras. 

Importância da energia 

Os combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão, têm sido, nos últimos anos, a principal fonte de energia. Esta atividade humana tem impacto na natureza e no meio ambiente.  

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), a energia é o fator que mais contribui para as alterações climáticas, sendo responsável por cerca de 60% do total das emissões globais de gases com efeito de estufa. Em paralelo, 3 mil milhões de pessoas dependem da madeira, carvão, carvão vegetal ou resíduos animais para cozinhar e aquecer as suas casas.  

Com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 (ODS7), Energias Renováveis e Acessíveis, pretende-se aumentar a utilização da energia renovável no contextomundial. O meio ambiente, que proporciona várias opções de energia renovável, traz-nos, através do vento, por exemplo, uma fonte que pode ser usada em terra e no mar. As turbinas eólicas flutuantes são parte de um futuro mais verde.  

 

 

 

 

 


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