*Artigo da autoria de Felipe de Carvalho, via ONU News.
O jovem médico, António Pedro Pinho, contou à ONU News como a campanha pretende influenciar a escolha do próximo secretário ou secretária-geral das Nações Unidas. Mais de 2 mil jovens trabalham para criar o “Edital do Cargo” que será usado na interação direta com os candidatos. A campanha é coordenada pela Fundação das Nações Unidas.
A incidência dos jovens na escolha da próxima liderança da ONU “está a avançar” a todo vapor. O médico português, António Pedro Pinho, de 24 anos, participa ativamente nestes esforços e enfatiza que as gerações futuras serão as mais impactadas pelo rumo que as Nações Unidas tomarem a partir de 2027, ano em que a organização terá uma nova liderança.
Jovens criam “Edital do Cargo”
Na semana passada, o jovem António Pedro Pinho esteve presente na sede da ONU para o Fórum da Juventude, realizado em Nova Iorque.
Segundo o participante, os jovens devem interagir com os candidatos ao cargo de secretário-geral da ONU numa sessão programada para 23 de abril, um dia após o encerramento dos diálogos com os Estados-membros com os quatro candidatos ao posto.
“Nós estamos a tentar realizar uma campanha relativa à escolha do próximo secretário-geral das Nações Unidas. Queremos projetar os desejos da juventude na escolha da próxima personalidade, até porque o processo de escolha, muitas vezes, exclui os mais jovens.” António Pedro Pinho acrescenta: “Estamos, por isso, a realizar um inquérito global e um conjunto de diálogos para recolher a opinião dos jovens sobre aquilo que queremos, bem como a personalidade e a visão que a pessoa traz para o cargo”, afirmou.
No marco da campanha, que é coordenada pela Fundação das Nações Unidas, foi realizada uma pesquisa que já ouviu mais de 2 mil jovens ao redor do mundo. Cerca de 60% dos entrevistados são mulheres. Com base nas respostas, foi criado um documento de “descrição do cargo ou edital”, que será usado pelos jovens nas interações com os candidatos a secretário-geral.
António Pedro Pinho explicou que a população jovem reconhece a importância da ONU, mas que vê necessidade de uma liderança com ampla capacidade de transformar discursos em ações práticas.
Expectativa e pragmatismo
“Nós queremos alguém que consiga trazer de volta a confiança às Nações Unidas. Daquilo que nós conseguimos recolher do nosso estudo, é que a confiança no multilateralismo ainda existe. As pessoas e os jovens ainda acreditam que existe a necessidade de diálogo. Mas falta implementação”, constatou António Pedro Pinho.
Para colmatar, o jovem apontou ainda que “queremos um secretário-geral que seja prático na concretização do tão necessário ‘sentar-se à mesa’. Que esta vontade se traduza em ações concretas que sejam sentidas pelas pessoas. E essa ideia de pragmatismo está presente na ‘job description’ que temos”, ressaltou.
O jovem português acrescentou que a juventude quer alguém que consiga resolver os problemas do presente, mas que consulte as gerações futuras para moldar respostas com uma visão de longo prazo.
Para além disso, defendeu também um maior envolvimento dos jovens em discussões sobre a agenda pós-2030, o prazo definido para o cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. A maior parte dessas metas globais ainda está longe de ser alcançada.
Atuação em saúde pública
Com base na experiência em saúde pública em Portugal, António Pedro Pinho afirmou que os espaços multilaterais não devem ser “encapsulados em si mesmos” e devem garantir uma conexão entre questões locais e o âmbito internacional.
“Enquanto médico, sempre valorizei a proximidade com as comunidades. No entanto, ao observar doentes, é possível evidenciar que os determinantes sociais desempenham um papel crucial. É frustrante tratar uma doença e sentir que não podemos fazer nada quando o doente regressa a um ambiente que lhe é desfavorável à saúde. Ao estar na ONU, sinto que consigo atuar numa escala mais ampla e influenciar as causas estruturais”, disse.
Durante o Fórum da Juventude do Conselho Económico e Social da ONU, ECOSOC, António Pedro Pinho ajudou também a organizar e foi orador no evento paralelo “Diálogo da Juventude com Estados-membros sobre o Próximo secretário-geral”, realizado na Missão Permanente de Portugal na ONU, liderada pelo embaixador Rui Vinhas.
Ele também intermediou a sessão “Por que a Saúde Mental da Juventude Importa”, na Zona de Média dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.