Em destaque Presidente da UNGA: “Vale a pena lutar pela ONU”

Presidente da UNGA: “Vale a pena lutar pela ONU”

UN News | Annalena Baerbock, President of the 80th Session of the UN General Assembly highlights her priorities for 2026.

Com o sistema multilateral sob pressão e ataque, os Estados-membros devem lutar pelas Nações Unidas, afirmou na quarta-feira a presidente da Assembleia Geral da ONU, ao apresentar as suas prioridades para 2026.

Annalena Baerbock observou que o novo ano começou com crises na Venezuela e no Irão, colocando a comunidade internacional “num momento decisivo ainda mais urgente” do que quando a sessão histórica teve início, em setembro.

Insistiu que “o mundo precisa das Nações Unidas” e destacou o vasto leque de trabalho da Organização, que inclui o fornecimento de ajuda vital em Gaza, a defesa da educação das raparigas no Afeganistão, a proteção de civis no Sudão e o reforço dos esforços para pôr fim à guerra na Ucrânia.

“De forma alguma o mundo estaria melhor sem as nossas Nações Unidas. Vale a pena lutar por elas”, afirmou.

Defender a Carta 

A Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo da ONU, reunindo os 193 Estados-membros, cada um com direito a um voto igual. Reúne-se em sessões regulares de setembro a dezembro e, posteriormente, sempre que necessário.

Ao contrário de anos anteriores, a presidente evitou apresentar uma lista exaustiva das reuniões mandatadas previstas para a sessão retomada.

“A minha principal prioridade hoje e nos próximos 237 dias como presidente da Assembleia Geral é defender convosco esta instituição, a sua Carta e os princípios nela consagrados”, afirmou Baerbock.

“Porque é cada vez mais evidente que nem todos estamos a cantar pela mesma partitura; nem todos estão igualmente comprometidos com a Carta e com o direito internacional.”

Renovação do compromisso

A presidente apelou aos Estados-membros de todas as regiões para que se unam na construção de uma aliança inter-regional destinada a proteger e promover os princípios da Carta das Nações Unidas, “para defender uma ordem global assente no direito internacional e nos direitos humanos”.

“Isto significa agir todos os dias. Significa levantar a voz. Significa renovar o compromisso”, afirmou.

“Significa também procurar sempre ultrapassar divisões e encontrar compromissos, desde que o compromisso não se transforme em apaziguamento.”

Baerbock abordou ainda os esforços em curso para reformar as Nações Unidas, sublinhando que “nenhuma reforma pode resolver uma crise financeira se os Estados-membros não cumprirem as suas obrigações financeiras”.

Destacou a necessidade de os países pagarem as suas contribuições na totalidade e atempadamente, “caso contrário, esta instituição não pode funcionar e a reforma não terá qualquer significado”.

 

Nova liderança 

Outra prioridade central prende-se com a escolha do próximo secretário-geral da ONU, numa altura em que António Guterres se prepara para deixar o cargo em dezembro.

O secretário-geral é nomeado pela Assembleia Geral sob recomendação do Conselho de Segurança.

O processo de seleção já está em curso e Baerbock anunciou que foram agendados diálogos interativos com os candidatos para a semana de 20 de abril, durante os quais estes apresentarão as suas declarações de visão.

Candidaturas de mulheres incentivadas

A presidente convidou os Estados-membros a apresentar candidaturas qualificadas o mais cedo possível, de modo a garantir a participação nos diálogos, e encorajou fortemente os países a considerarem a nomeação de mulheres.

“Num momento de fortes ventos contrários para esta instituição, o processo de escolha do próximo secretário-geral é a nossa oportunidade de enviar uma mensagem clara sobre quem somos e aquilo que defendemos”, afirmou.

“O próximo secretário-geral não será apenas o rosto e a voz desta instituição; a nossa escolha dirá também se esta Organização está verdadeiramente ao serviço de toda a humanidade, metade da qual são mulheres e raparigas.”

A escolha de quem liderará a ONU “determinará a forma como enfrentamos desafios globais urgentes, desde conflitos e alterações climáticas até à desigualdade”, acrescentou.

“Precisamos de alguém à altura da tarefa; alguém capaz de traçar um caminho para o futuro, defendendo com convicção os princípios da nossa Carta.”

*Artigo de autoria da ONU News