Este ano, a invasão russa em grande escala da Ucrânia atinge um marco sombrio, entrando no seu quinto ano. Desde 24 de fevereiro de 2022, os ataques contínuos contra infraestruturas energéticas continuam a dificultar as condições de vida para milhões de pessoas e, no total, estima‑se que 10,8 milhões de pessoas em toda a Ucrânia necessitarão de assistência humanitária este ano. Em 2025, as Nações Unidas verificaram 14.656 vítimas civis, incluindo 2.514 mortos e 12.142 feridos — um aumento de 31 por cento em comparação com 2024. Destas vítimas, 744 eram crianças: 92 crianças morreram e 652 ficaram feridas. O número de vítimas infantis aumentou 11 por cento em 2025 em comparação com 2024.
Agências da ONU como o OCHA (Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários), o ACNUR (Agência da ONU para os Refugiados), a OMS (Organização Mundial da Saúde), a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e o PAM (Programa Alimentar Mundial), entre muitas outras, coordenam e prestam ajuda à Ucrânia.
Ataques contra casas, escolas e hospitais
Segundo novos dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), cerca de 325.000 ucranianos que regressaram ao país poderão voltar a ser deslocados nos próximos meses, sendo que mais de um terço pondera voltar a sair do país. Em janeiro de 2026, a Ucrânia acolhia 3,7 milhões de deslocados internos. Desde a escalada da guerra, mais de 4,4 milhões de pessoas regressaram do deslocamento, incluindo mais de um milhão vindas do estrangeiro. Contudo, nem todas as pessoas que voltaram à Ucrânia conseguiram regressar às suas casas, estando 372.000 ainda deslocadas dentro do país.
Por todo o território, a população enfrentou uma acentuada intensificação da intensidade e da abrangência geográfica dos ataques em 2025. Os bombardeamentos atingiram cada vez mais casas, hospitais, escolas, instalações energéticas e redes de transporte. Quase 90 por cento dos ataques e mais de metade das vítimas civis ocorreram a menos de 20 km da linha da frente, onde comunidades inteiras foram devastadas.
Plano de resposta ao inverno para apoiar mais de 1,7 milhões de pessoas
Em 2026, 4,12 milhões de pessoas são alvo de assistência humanitária, das quais 3,58 milhões são prioritárias. Esta ligeira redução face a 2025 não reflete uma melhoria da situação, mas sim uma resposta mais focada e rigorosamente priorizada. O Plano de Resposta ao Inverno 2025–2026 visa fornecer assistência humanitária multissetorial essencial a mais de 1,7 milhões de pessoas — incluindo mais de 356.000 deslocados e cerca de 1,3 milhões de pessoas afetadas pelo conflito mas não deslocadas — durante o período de inverno, de outubro de 2025 a março de 2026.
A resposta requer 277,7 milhões de dólares em financiamento. Cerca de 31.000 pessoas alojadas em centros coletivos receberão apoio através de reparações essenciais dos sistemas de aquecimento, manutenção de pequena escala e fornecimento de combustível, com abordagens ajustadas a cada área e forte coordenação com autoridades locais e ONG nacionais.
Exemplos do trabalho da ONU no terreno na Ucrânia:
O Programa Alimentar Mundial (PAM) compra aproximadamente 82 por cento dos alimentos dentro da Ucrânia e trabalha com padarias locais para fornecer pão. A agência alimentar da ONU também distribui produtos alimentares a instituições como hospitais, centros de acolhimento, centros para deslocados e orfanatos, para apoiar a disponibilização de refeições quentes.
O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) está na Ucrãnia com a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos desde 2014, quando o conflito começou, e ao longo da invasão em grande escala lançada pela Rússia em 2022. O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos documentou mais de 50.000 civis mortos e feridos, incluindo mais de 3.000 crianças, desde o início da invasão em grande escala.
Em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apoiou 1,9 milhões de pessoas em toda a Ucrânia através de prestação de serviços, fornecimento de material médico, encaminhamentos e capacitação, com forte foco nas zonas da linha da frente e de difícil acesso.
A taxa de pobreza aumentou nos agregados familiares com crianças, alerta a UNICEF, que tem prestado apoio a escolas, unidades de saúde e projetos de melhoria dos sistemas de aquecimento municipal.
Entre janeiro e setembro, a ONU e os seus parceiros chegaram a mais de 4,2 milhões de pessoas — mais de dois terços da meta para 2025.