Reconstruindo o Haiti: o caminho para a recuperação pós-terremoto

A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, está na capital do Haiti, Porto Príncipe, para participar, nesta quarta-feira, do Evento Internacional para o Financiamento da Reconstrução da Península Sul do país. 

A conferência busca angariar fundos seis meses depois de um terremoto ter atingido a área, em agosto passado. Amina Mohammed terá encontros com autoridades do governo da ilha caribenha, funcionários da ONU e outros parceiros. 

Eleições 

Segundo as Nações Unidas, este é um momento crítico para o Haiti, que além de se recuperar do terremoto, segue em busca de um caminho para eleições, estabilidade e desenvolvimento sustentável.  

Amina Mohammed também aproveitará a passagem pela ilha para fazer reuniões sobre os progressos de combate ao cólera. Ela ficará no Haiti até quinta-feira. 

O governo haitiano calcula que US$ 2 bilhões são necessários para reconstruir todas as áreas atingidas pelo terremoto. Deste total, US$ 1,5 bilhão será direcionado a serviços sociais, incluindo habitação, saúde, educação e programas de segurança alimentar.  

Entenda, a seguir, todos os detalhes sobre a situação:  

A ONU calcula que 800 mil pessoas foram afetadas pelo terremoto.

Foto: WFP/Alexis Masciarelli

A ONU calcula que 800 mil pessoas foram afetadas pelo terremoto.

 

O que aconteceu? 

Um terremoto de magnitude 7.2 atingiu o sudoeste da ilha caribenha em 14 de agosto de 2021, causando muita destruição, principalmente em áreas rurais. Além dos mortos e feridos, milhares de casas ficaram danificadas ou destruídas. Escolas, hospitais, estradas e pontes também foram atingidos, interrompendo serviços essenciais como transportes, agricultura e comércio. A ONU calcula que 800 mil pessoas foram impactadas de alguma maneira, incluindo 300 mil crianças cujas escolas foram danificadas.  

PMA ampliou distribuição de alimentos no Haiti.

© PMA/Alexis Masciarelli

PMA ampliou distribuição de alimentos no Haiti.

Qual foi a resposta ao terremoto? 

Logo após o sismo, o governo, as Nações Unidas e outros parceiros começaram a fornecer assistência humanitária de emergência. O Escritório da ONU para Assuntos Humanitários, Ocha, teve um papel central na coordenação da resposta. A Organização Internacional para Migrações, OIM, entregou abrigos temporários para pessoas que ficaram sem casa, além de comida e outros itens.  

Já o Programa Mundial de Alimentos, PMA, distribuiu refeições para as crianças em idade escolar, uma maneira de incentivá-las a continuarem frequentando as aulas nos estabelecimentos de ensino que não foram danificados. Cerca de 60 centros de saúde também foram destruídos, então o Unicef, e o Fundo de População da ONU, Unfpa, criaram enfermarias de emergência. Grávidas receberam cuidados e muitas vezes, deram à luz em tendas.  

Seis meses depois do terremoto, o Haiti já ultrapassou a fase emergencial e está focado na recuperação a longo prazo. Em novembro, o governo publicou um levantamento sobre a quantia necessária para reconstruir a região afetada – cerca de US$ 2 bilhões. Deste total, US$ 1,5 bilhão será direcionado para serviços sociais, incluindo habitação, saúde, educação e programas de segurança alimentar. O restante será gasto para melhorar agricultura, comércio e indústria e também para reparar serviços de infraestrutura essenciais. Programas ambientais também serão contemplados.  

O terremoto de 2010 já havia causado destruição na capital haitiana, Porto Príncipe.

Foto: MINUSTAH

O terremoto de 2010 já havia causado destruição na capital haitiana, Porto Príncipe.

Quais são as lições tiradas dos desastres naturais? 

O Haiti já tem experiência com desastres naturais incluindo o terrível terremoto de 12 de janeiro de 2010, que matou 220 mil pessoas incluindo o vice-chefe da Missão, o brasileiro Luiz Carlos da Costa. A maioria das mortes ocorreu na capital Porto Príncipe e áreas adjacentes. A maior lição tirada com aquela catástrofe foi a de que liderança nacional é crucial.  

Em 2010, o governo haitiano foi diretamente impactado pelo desastre e estava mal equipado e despreparado para coordenar uma resposta de emergência em larga escala. O Haiti também precisa melhorar no sentido de introduzir medidas mais robustas para a redução de riscos de desastres.  

No Haiti, milhares de pessoas ficaram deslojadas após o terremoto.

Foto: IOM/Monica Chiriac

No Haiti, milhares de pessoas ficaram deslojadas após o terremoto.

Quais outras crises o Haiti enfrenta?  

O terremoto de 2021 aconteceu em um momento em que o país enfrentava múltiplas crises, de naturezas econômica, política, de segurança, humanitária e de desenvolvimento. O Haiti tem um alto índice de pobreza e ocupa a posição 170 no ranking de 189 nações do mundo apresentadas no Relatório de Desenvolvimento Humano 2020, do Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud. A economia está em apuros, sendo que recentemente bandidos armados bloquearam entregas de petróleo, uma situação que quase paralisou o país. Insegurança, sequestros e gangues controlando vários bairros da capital Porto Príncipe são realidade. Em julho de 2021, o presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi assassinado dentro de casa e o inquérito continua ocorrendo. 

Além de tudo isso, a ilha caribenha também enfrenta a ameaça de Covid-19.  

Crianças nas zonas rurais do Haiti ajudam nos trabalhos agrícolas.

Foto: © UNICEF

Crianças nas zonas rurais do Haiti ajudam nos trabalhos agrícolas.

Como o Haiti pode se recuperar desta última adversidade? 

Na quarta-feira, 16 de fevereiro, o governo promoverá uma conferência internacional em Porto Príncipe com a meta de angariar pelo menos US$ 1,6 bilhão dos US$ 2 bilhões necessários para colocar o país novamente nos trilhos depois do terremoto.  

Muitos países doadores no mundo todo estão enfrentando um impacto financeiro causado pela pandemia de Covid-19.  

Além disso, o Haiti está competindo com o financiamento de outras crises da atualidade, como Afeganistão e a região de Tigray, na Etiópia. A enorme diáspora haitiana, especialmente nos Estados Unidos, pode ser um trunfo para o Haiti, com a expectativa de que essas comunidades ajudem no financiamento. Entidades filantrópicas sediadas nos Estados Unidos também são alvo.  

A comunidade internacional no Haiti já foi alertada de que se o país não conseguir o apoio necessário, sua recuperação, seu desenvolvimento e sua habilidade de enfrentar futuros desastres naturais serão afetados de forma negativa.  

  


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