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Relatores da ONU pedem ação urgente para combater o antissemitismo

Um grupo de nove relatores de direitos humanos emitiu um comunicado para marcar o aniversário de 75 anos da libertação do campo de concentração Auschwitz-Birkenau, na próxima segunda-feira.

O relator especial sobre liberdade de religião e credo, Ahmed Shaheed, expressou preocupação com o que chamou de “aumento dramático da retórica antissemita”, na internet e fora dela. Foto: ONU/Manuel Elias

Os especialistas disseram que a data é lembrada por eles com horror, tristeza e alarme. O motivo é a falha de vários países em conter a violência antissemita, discriminação e agressões, além de não assegurarem que seus cidadãos recebam informação apropriada sobre o Holocausto.

Retórica

O grupo, que inclui o relator especial sobre liberdade de religião e credo, c, expressou preocupação com o que chamou de “aumento dramático da retórica antissemita”, na internet e fora dela, além da violência ao redor do mundo. Para os especialistas, esta retórica inflamada, na maioria dos casos, segue livre de controle.

O comunicado sugere que os relatores reconhecem a necessidade de se repudiar o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos, que ocorreram durante o Holocausto.

Logo no início de sua criação, os países e povos proclamaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, e desde então os Estados-membros da organização têm se comprometido em garantir que todos os cidadãos possam desfrutar de seus direitos incluindo da proteção de minorias contra crimes de ódio e discriminação.

Campanha

Os ditames dos direitos humanos são um legado-chave das vítimas do Holocausto incluindo os 6 milhões de judeus, que ao lado de outros grupos alvejados, foram assassinados de forma brutal, sistemática e numa campanha de perseguição e desumanização sancionada por um Estado.

Os relatores especiais lembraram algumas das cidades onde os judeus foram assassinados nos últimos anos como Toulouse, Pittsburg, Bruxelas, Poway e Jersey City.

Em relatórios apresentados à Assembleia Geral da ONU, no ano passado, os especialistas em liberdade de religião e credo e em formas contemporâneas de racismo mostraram o aumento acentuado de incidentes contra judeus, ocorridos em muitos países e também na internet.

ONU/Elizabeth Scaffidi

Outro aspecto de choque para os relatores são notícias documentando, de forma extensa, casos de negação do Holocausto assim como pesquisas que indicam que uma grande parte da população não sabe fatos-chave

Boatos

Para o grupo, todos os líderes devem ler os documentos e implementar as recomendações.

Um outro aspecto de choque para os relatores são notícias documentando, de forma extensa, casos de negação do Holocausto assim como pesquisas que indicam que uma grande parte da população não sabe fatos-chave sobre o Holocausto, e há até mesmo pessoas que nunca ouviram falar do tema.

O comunicado manifesta preocupação profunda com o mau uso da mídia social para espalhar mitos e boatos perpetuando estereótipos e preconceito antissemitas.

“Ao redor do mundo, episódios de violência, discriminação e expressões hostis motivadas por antissemitismo criaram um clima de medo numa parcela considerável da comunidade judaica. Isso fez como que eles não possam desfrutar, inteiramente, de seus direitos à liberdade e à segurança, à igualdade e a não serem discriminados, assim como a liberdade de religião.”

ONU/ Evan Schneider

O campo de concentração de Auschwitz tornou-se símbolo do terror , genocídio e Holocausto.

Tendências

Os relatores pediram ao todos os Estados que responsam a essas tendências com ações urgentes para fazer valer as obrigações de direitos humanos incluindo o monitoramento mais eficaz de incidentes antissemitas garantindo a prestação de contas pelos autores da violência.

No comunicado, o grupo também pede proteção para indivíduos de origem judaica, comunidades e sítios. Para os relatores,  é necessário promover a educação eficiente, treinamento e aumento da consciência da importância de se combater o antissemitismo em todos os setores da sociedade.

Programas educativos para estudantes, professores, funcionários públicos, agentes da lei e outros devem identificar todas as manifestações antissemitas. Estes programas também devem incluir informações corretas sobre o Holocausto.

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, e o Escritório de Direitos Humanos e Instituições Democráticas da Ocde oferecem diretrizes para treinamento de docentes sobre como lidar com o tema nas escolas.

ONU/Mark Garten

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, abre uma exposição na sede da ONU em comemoração aos 75 anos da libertação de Auschwitz.

Ameaça inaceitável

Os relatores especiais finalizam dizendo que o antissemitismo, incitado por líderes políticos e sem punição, não ameaça somente os judeus mas outras minorias e comunidades frágeis e no fundo as bases das sociedades democráticas.

Os especialistas em direitos humanos afirmam que ao lembrar das vítimas do Holocausto, eles também pedem aos países que redobrem seus compromissos em lutar contra esta ameaça que inaceitavelmente passa a existir.

*Os relatores especiais de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.

Assinaram este comunicado os seguintes especialistas:

Ahmed Shaheed, David Kaye, E. Tendayi Achiume, Clement. Clement Nyaletsossi Voule,  Fionnuala Ní Aoláin, Agnes Callamard e Karima Benoumme.


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