Em destaque Relatório ONU: ODSs melhoraram milhões de vidas mas progresso continua insuficiente

Relatório ONU: ODSs melhoraram milhões de vidas mas progresso continua insuficiente

UN Photo/Mark Garten | O secretário-geral António Guterres discursa no Momento ODS 2022.

Uma década após a adoção da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, as Nações Unidas divulgaram esta segunda-feira a 10.ª edição do seu relatório anual de progresso, Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2025. O relatório apresenta uma avaliação rigorosa e um forte apelo à ação.

Embora milhões de vidas tenham melhorado, com avanços na saúde, educação, energia e conectividade digital, o ritmo de mudança continua insuficiente para alcançar os Objetivos até 2030. Os dados mais recentes mostram que apenas 35% das metas estão no caminho certo ou a fazer progressos moderados, enquanto quase metade avança demasiado lentamente e 18% regrediram.

“Estamos perante uma emergência de desenvolvimento”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres. “Mas este relatório é mais do que uma fotografia do presente. É também uma bússola que aponta o caminho para o progresso. Este relatório mostra que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ainda são alcançáveis. Mas só se agirmos – com urgência, unidade e determinação inabalável.”

ODS Poster 2018
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, uma agenda global adotada por todos os Estados-membros das Nações Unidas em 2015, com o objetivo de erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir paz e prosperidade para todos até 2030.

Progressos na adversidade

Apesar dos desafios globais em cascata, o relatório documenta conquistas notáveis:

  • As novas infeções por VIH diminuíram quase 40% desde 2010.
  • A prevenção da malária evitou 2,2 mil milhões de casos e salvou 12,7 milhões de vidas desde 2000.
  • A proteção social abrange agora mais de metade da população mundial, um aumento significativo face à década anterior.
  • Desde 2015, mais 110 milhões de crianças e jovens entraram na escola.
  • O casamento infantil está em declínio, com mais raparigas a permanecerem na escola e mais mulheres a ganharem espaço nos parlamentos.
  • Em 2023, 92% da população mundial tinha acesso à eletricidade.
  • O uso da internet aumentou de 40% em 2015 para 68% em 2024, desbloqueando o acesso à educação, emprego e participação cívica.
  • Os esforços de conservação duplicaram a proteção de ecossistemas-chave, contribuindo para a resiliência da biodiversidade global.

 

Duras realidades e riscos sistémicos

O relatório também destaca desafios persistentes que travam o progresso:

  • Mais de 800 milhões de pessoas ainda vivem em pobreza extrema.
  • Milhares de milhões continuam sem acesso a água potável, saneamento e higiene.
  • As alterações climáticas fizeram de 2024 o ano mais quente já registado, com temperaturas 1,55°C acima dos níveis pré-industriais.
  • Os conflitos causaram quase 50.000 mortes em 2024. No final do ano, mais de 120 milhões de pessoas estavam deslocadas à força.
  • Os países de baixo e médio rendimento enfrentaram custos recorde de serviço da dívida, no valor de 1,4 biliões de dólares em 2023.

Um guião para acelerar o progresso

O relatório apela à ação em seis áreas prioritárias onde o esforço intensificado pode gerar impacto transformador: sistemas alimentares, acesso a energias, transformação digital, educação, emprego e proteção social, e ação climática e pela biodiversidade.

Também insta os governos e parceiros a implementarem o Quadro de Ação de Medellín, adotado no Fórum Mundial de Dados da ONU de 2024, para reforçar os sistemas de dados essenciais à formulação de políticas eficazes.

 

Histórias de sucesso mostram que os Objetivos são alcançáveis

As médias globais podem ocultar avanços significativos em muitos países que fizeram progressos substanciais. Por exemplo, 45 países alcançaram acesso universal à eletricidade na última década e 54 eliminaram pelo menos uma doença tropical negligenciada até ao final de 2024. Estes sucessos nacionais e locais, impulsionados por políticas sólidas, instituições fortes e parcerias inclusivas, provam que o progresso acelerado não só é possível, como já está a acontecer.

 

Os últimos cinco anos até 2030 representam uma oportunidade para cumprir as promessas dos ODS. A Agenda 2030 não é aspiracional; é inegociável.

“Este não é um momento para o desespero, mas para a ação determinada”, afirmou Li Junhua, secretário-geral adjunto da ONU para os Assuntos Económicos e Sociais. “Temos o conhecimento, as ferramentas e as parcerias para impulsionar a transformação. O que precisamos agora é de multilateralismo urgente – um novo compromisso com a responsabilidade partilhada e o investimento sustentado.”

 

Factos e números adicionais

Progressos:

  • Entre 2012 e 2024, a prevalência de atraso de crescimento em crianças com menos de 5 anos caiu de 26,4% para 23,2%.
  • A esperança de vida saudável aumentou mais de cinco anos entre 2000 e 2019. No entanto, a COVID-19 reverteu parte desses ganhos, reduzindo a esperança de vida em 1,8 anos.
  • A taxa global de mortalidade materna caiu de 228 mortes por 100.000 nascimentos em 2015 para 197 em 2023. A mortalidade infantil até aos 5 anos caiu para 37 por 1.000 nascimentos em 2023, uma redução de 16% face a 2015.
  • Até ao final de 2024, 54 países eliminaram pelo menos uma doença tropical negligenciada.
  • Entre 2019 e 2024, foram implementadas 99 reformas legais positivas para eliminar leis discriminatórias e estabelecer quadros de igualdade de género.
  • Em 1 de janeiro de 2025, as mulheres ocupavam 27,2% dos assentos nos parlamentos nacionais, um aumento de 4,9 pontos percentuais desde 2015.
  • As energias renováveis são atualmente as fontes de energias com crescimento mais rápido e deverão ultrapassar o carvão como principal fonte de eletricidade em 2025.
  • A banda larga móvel 5G cobre agora 51% da população mundial.

 

Retrocessos:

  • Sem uma aceleração significativa dos esforços, 8,9% da população mundial continuará a viver em pobreza extrema até 2030.
  • Quase 1 em cada 11 pessoas no mundo enfrentou fome em 2023.
  • Em 2023, 272 milhões de crianças e jovens estavam fora da escola.
  • As mulheres realizam 2,5 vezes mais trabalho doméstico e de cuidados não remunerado do que os homens.
  • Em 2024, 2,2 mil milhões de pessoas não tinham acesso a água potável gerida com segurança, 3,4 mil milhões não tinham saneamento seguro e 1,7 mil milhões não dispunham de serviços básicos de higiene em casa.
  • A população global de refugiados aumentou para 37,8 milhões até meados de 2024.
  • Em todo o mundo, 1,12 mil milhões de pessoas vivem em bairros de lata ou assentamentos informais sem serviços básicos.
  • A ajuda pública ao desenvolvimento caiu 7,1% em 2024 após cinco anos de crescimento, com novos cortes previstos para 2025.

 

Para mais informações, visite: https://unstats.un.org/sdgs/report/2025