O caminho para a COP30, em Belém do Pará, ganhou novo fôlego. Quase 100 países, incluindo cerca de 40 chefes de Estado e de governo, anunciaram ou reafirmaram compromissos para apresentar novas metas climáticas ainda este ano. Os anúncios foram feitos durante a Cimeira do Clima, organizada pelas Nações Unidas e pelo Brasil à margem da Assembleia Geral da ONU.
“A ciência exige ação. A lei impõe-na. A economia justifica-a. E as pessoas pedem-na.” Com estas palavras fortes, António Guterres, secretário-geral da ONU, abriu a reunião que marcou um dos maiores momentos diplomáticos antes da conferência em Belém, em novembro.
Grandes emissores entram em cena
Entre os compromissos anunciados, destaca-se a entrada de grandes economias como a China, o maior emissor de gases com efeito de estufa, e a Nigéria, que apresentaram, pela primeira vez, metas de redução de emissões para todos os setores e gases poluentes. Outros países revelaram planos para expandir as energias renováveis, reduzir emissões de metano, proteger florestas e eliminar gradualmente os combustíveis fósseis.
Os líderes sublinharam que acelerar a transição energética pode gerar novos empregos, crescimento económico e maior segurança energética. Já os países em desenvolvimento lembraram a necessidade de incluir medidas de adaptação, resiliência e compensação por perdas e danos nos seus planos, destacando a urgência de mais financiamento internacional.
O desafio de Belém
Apesar dos avanços, Guterres alertou que ainda há um longo caminho a percorrer para manter o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C. Os Diálogos de Soluções, realizados ao longo da semana pelas Nações Unidas e pelo Brasil, destacaram que as tecnologias e ferramentas necessárias para descarbonizar a energia, o transporte e a indústria, proteger as florestas e reforçar a resiliência já estão disponíveis. O desafio agora é acelerar a sua implementação em escala.
“A COP30 no Brasil deve concluir com um plano de resposta global credível para nos colocar na trajetória certa”, afirmou o secretário-geral.
A vice-secretária-geral, Amina Mohammed, reforçou a mensagem de esperança: “Líderes de todo o mundo uniram-se para mostrar que, mesmo num momento de divisão e incerteza, a determinação para enfrentar a crise climática continua viva e firme.”
Diálogos de Soluções: rumo à ação
Antes da Cimeira, a ONU e o Brasil reuniram governos, empresas, sociedade civil e líderes financeiros nos Diálogos de Soluções Climáticas, que abordaram temas como:
- adaptação;
- infraestruturas públicas digitais;
- sistemas de alerta precoce e calor extremo;
- transição energética;
- financiamento;
- descarbonização industrial;
- integridade da informação;
- metano;
- atores não estatais;
- proteção das florestas tropicais.