Em destaque Secretário-geral da ONU define prioridades para 2026

Secretário-geral da ONU define prioridades para 2026

UN Photo/Manuel Elías | O secretário-geral Guterres discursa perante a Assembleia Geral sobre as suas prioridades para 2026.

Num discurso perante a Assembleia Geral, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apresentou as suas prioridades para 2026, naquele que foi o seu último pronunciamento anual deste tipo. 

Perante a um contexto global que descreveu como de “caos”, alertou para os riscos crescentes que ameaçam o multilateralismo e defendeu uma ação internacional assente em três princípios fundamentais: respeito pleno pela Carta da ONU, paz com justiça e construção de unidade num mundo cada vez mais dividido.

Um mundo sob pressão

Guterres traçou um retrato duro da conjuntura internacional, marcada por conflitos prolongados, desigualdades profundas, violações do direito internacional e cortes significativos na ajuda humanitária e ao desenvolvimento. Segundo o secretário-geral, estas dinâmicas estão a abalar os alicerces da cooperação global precisamente num momento em que ela é mais necessária.

Apesar deste cenário adverso, sublinhou que a ONU tem conseguido afirmar-se em áreas-chave, como a governação da inteligência artificial, a defesa de um financiamento mais justo para o desenvolvimento, a ação climática e os esforços diplomáticos e humanitários em conflitos como os de Gaza, Ucrânia e Sudão.

Reformar para responder aos desafios de hoje

Uma parte central do discurso foi dedicada à necessidade de reformar o sistema das Nações Unidas para que este reflita as realidades do século XXI. Guterres destacou a iniciativa UN80, que visa tornar a organização mais eficaz e coerente num contexto de recursos financeiros limitados e necessidades crescentes.

Alertou ainda para a situação financeira “insustentável” da ONU, apelando aos Estados-membros para que cumpram integralmente as suas obrigações financeiras ou, em alternativa, reformem as regras orçamentais para evitar uma crise estrutural.

Para além da questão financeira, defendeu reformas profundas nas instituições internacionais, incluindo o Conselho de Segurança e o sistema financeiro e comercial global, de forma a refletir o peso crescente das economias emergentes. “Soluções de 1945 não resolvem os problemas de 2026”, afirmou.

Um apelo à ação coletiva

No final do discurso, o secretário-geral apelou à rejeição da complacência e da indiferença face à injustiça. Sublinhou que a Carta da ONU continua a ser o “compasso” da ação internacional e que a humanidade partilhada impõe a responsabilidade de agir.

Num mundo em rápida transformação, concluiu, a ONU permanece uma promessa viva de que os países podem ultrapassar as suas diferenças e resolver problemas em conjunto. “Os riscos nunca foram tão elevados e o tempo nunca foi tão curto”, afirmou, deixando um apelo claro à renovação do multilateralismo e da solidariedade global.