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“Sem a ajuda da natureza, não iremos prosperar ou mesmo sobreviver”

Divulgado esta quinta-feira pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA), o relatório “Fazer as pazes com a natureza” apela a mudanças dramáticas em nome do futuro da Humanidade. A poluição, as alterações climáticas e a perda de biodiversidade estão a tornar a Terra num “planeta cada vez mais inabitável” e só a cooperação e o compromisso poderão prevenir a catástrofe. O relatório surge na semana em que os EUA regressam oficialmente ao Acordo de Paris.

Sem mudanças concretas ao nível da sociedade, da economia e da vida quotidiana, será impossível pensar num futuro viável – é uma das principais conclusões do relatório do PNUMA. A análise interligada da crise ambiental aponta indicações concretas aos líderes mundiais e à sociedade civil sobre que medidas tomar nas áreas da energia, dos transportes, alimentação ou da produção industrial. A par da Agenda 2030, o objetivo de alcançar a neutralidade carbónica ganha especial destaque com o regresso dos EUA ao compromisso mundial de reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2).

“Sem a ajuda da natureza, não iremos prosperar ou mesmo sobreviver” – secretário-geral da ONU, António Guterres, na apresentação do relatório, com a diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen

A reentrada dos EUA no Acordo de Paris é, para o secretário-geral da ONU António Guterres, “uma boa notícia para os Estado Unidos e para o mundo”. O líder das Nações Unidas juntou-se ao enviado presidencial dos EUA para o clima, John F. Kerry, na abertura do 2021 Global Engagement Summit da UNA-EUA, para assinalar a data. O evento foi moderado pela Embaixadora Elizabeth Cousens, presidente da Fundação das Nações Unidas, e tem lugar enquanto os países se preparam para assumir o compromisso de elevar a ação climática antes da COP26 – Conferência do Clima de Glasgow, agendada para novembro.

“Nos últimos quatro anos, a ausência de um ator-chave criou uma lacuna no Acordo de Paris. Um elo perdido que enfraquecia o todo”

Para a diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen, a pandemia de covid-19 “revelou a necessidade de uma mudança radical na forma como se vê e valoriza a natureza”, evidenciando a relação entre a saúde e o meio ambiente. Essa reflexão pode “trazer uma mudança rápida e duradoura em direção à sustentabilidade para as pessoas e o meio ambiente”. Os governos têm falhado nas metas ambientais, mas as “escolhas das pessoas” são igualmente importantes: dois terços das emissões globais de dióxido de carbono (CO2) estão direta ou indiretamente relacionadas com o dia-a-dia das famílias.

“Fazer as pazes com a natureza” obrigará a uma ação ambiciosa e coordenada entre governos, empresas e pessoas de todo o mundo, para transformar um sistema económico global insustentável. O relatório alerta: a este ritmo, arriscamo-nos a que o planeta aqueça mais de 3°C acima dos níveis pré-industriais até 2100 – falhando no Acordo de Paris (que visa limitar o aquecimento nos 1,5ºC). As consequências seriam devastadoras e irreversíveis. Na conversa com o enviado especial John F. Kerry, António Guterres clamou o Acordo de Paris enquanto um “pacto com os nossos descendentes e com toda a família humana” e a ação climática enquanto “a corrida das nossas vidas”. Para o PNUMA, transformar os sistemas sociais e económicos passará, antes de mais, por transformar a nossa relação com a natureza.


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