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“Sistema de saúde do Afeganistão está à beira do colapso”, declara chefe da OMS

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Martin Griffiths, está liberando US$ 45 milhões para o setor de saúde do Afeganistão. O anúncio foi feito esta quarta-feira.

Segundo Griffiths, a verba será utilizada para a compra de medicamentos, equipamentos médicos e para combustível, que está em falta no país. Ele lamentou ainda o fato de muitos trabalhadores do setor estarem sem receber salários.

Catástrofe iminente 

Diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus.

ONU/Evan Schneider

Diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus.

Também esta quarta-feira, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, fez declarações ao fim de uma visita à capital do Afeganistão. Em Cabul, Tedros Ghebreyesus revelou que teve encontros com líderes do Talibã, trabalhadores de saúde, pacientes e funcionários da OMS.

Segundo Tedros, o sistema de saúde afegão “está à beira do colapso” e sem ação urgente, o “país enfrenta uma iminente catástrofe humanitária”. 

O chefe da OMS explicou que a visita ao Afeganistão serviu para ver de perto quais as principais necessidades da população e definir maneiras de aumentar, com urgência, a resposta ao sistema de saúde. 

Vacinas de Covid-19 

Uma criança caminha por um campo temporário montado em Cabul depois que sua família foi deslocada devido à insegurança em todo o Afeganistão

© Unicef Afeganistão

Uma criança caminha por um campo temporário montado em Cabul depois que sua família foi deslocada devido à insegurança em todo o Afeganistão

Tedros afirmou que “com base nos princípios da ONU de neutralidade e indepedência”, foi possível ter um “diálogo construtivo sobre diferenças e para encontrar soluções para que a agência possa continuar ajudando milhões de afegãos inocentes, afetados por décadas de conflito”. 

O maior projeto de saúde do país, Sehetmandi, está funcionando com apenas 17% da capacidade. Tedros Ghebreyesus afirmou que já há impactos negativos nos esforços para combater a pólio, tratar de pacientes em situação de emergência ou com Covid-19. 

A situação é tão grave que o chefe da OMS afirmou que muitos profissionais de saúde do Afeganistão acabam tendo que tomar a difícil decisão sobre salvar pacientes ou deixar morrer. 

As taxas de vacinação contra a Covid-19 também estão em declínio e existem 1,8 milhão de doses no país que continuam sem ser usadas. Além disso, o Afeganistão é uma das duas nações do mundo onde a pólio continua endêmica e por isso é importante continuar o trabalho para se erradicar a doença. 

A OMS e parceiros já estão prontos para uma campanha de vacinação porta-a-porta contra a pólio e também contra o sarampo e a Covid-19. 


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