O Sudão enfrenta uma das piores crises humanitárias do nosso tempo. Quase dois anos de conflito devastaram o país, resultando na deslocação de 12 milhões de pessoas e no colapso de serviços essenciais.
Face à gravidade da situação, a ONU e os seus parceiros lançaram um apelo global de 6 mil milhões de dólares para apoiar 26 milhões de pessoas dentro e fora do Sudão. Destes, 4.2 mil milhões são necessários para garantir assistência humanitária a 21 milhões de sudaneses em situação de extrema vulnerabilidade. Outros 1.8 mil milhões são essenciais para apoiar refugiados sudaneses em países como o Chade, o Egito e o Sudão do Sul, onde os sistemas de saúde e abastecimento de alimentos estão perto do colapso.
Durante a reunião da União Africana, na Etiópia, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou à comunidade internacional que ajude o Sudão e os sudaneses:
Ajuda humanitária urgente
A fome alastra-se, enquanto a violência continua a destruir vidas e infraestruturas. Perto de dois terços da população necessitam de ajuda humanitária urgente, tornando esta uma emergência de proporções alarmantes.
O impacto da falta de financiamento pode ser devastador: dois terços das crianças refugiadas poderão ficar sem acesso a educação, e pelo menos 1.8 milhão de pessoas poderão ficar sem qualquer assistência alimentar. “O Sudão é uma emergência humanitária de proporções chocantes. A fome está a instalar-se. Uma epidemia de violência sexual alastra. Crianças estão a ser mortas e feridas”, alertou o secretário-geral-adjunto para Assuntos Humanitários e coordenador de Socorro de Urgência das Nações Unidas, Tom Fletcher.
A crise no Sudão teve início em abril de 2023, quando o conflito entre as Forças Armadas do país e as Forças de Apoio Rápido mergulhou o país numa espiral de violência. Desde então, ataques a civis, a destruição de hospitais e mercados e relatos de violações sistemáticas de direitos humanos agravaram ainda mais a situação. O impacto vai além das fronteiras do Sudão, com cerca de 3.5 milhões de refugiados a procurar segurança em países vizinhos cujos recursos já estavam sob pressão.