A Terceira Conferência de Berlim sobre o Sudão reuniu líderes mundiais para discutir uma das piores catástrofes humanitárias atuais. O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários e Coordenador de Assistência de Emergência das Nações Unidas, Tom Fletcher, alertou para o cenário de violência extrema que o país enfrenta.
A Alemanha acolheu a cimeira internacional dedicada à situação no Sudão, que reúne representantes da União Europeia, Reino Unido, Estados Unidos e da União Africana. O objetivo central deste encontro é coordenar a resposta humanitária e delinear um futuro político para o país, que entrou em guerra há três anos.
O conflito, que eclodiu entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF) em 2023, transformou o país num cenário de devastação. Segundo Tom Fletcher, o Sudão é hoje um “laboratório de atrocidades”.
Tom Fletcher indicou que, neste contexto de guerra, a violência sexual é utilizada como arma de guerra. Cidades como El Fasher, em Darfur, enfrentam cercos que resultam na negação de alimentos e cuidados médicos à população e escolas e hospitais tornaram-se alvos de ataques.
Os números do conflito
Só este ano, os ataques de drones já mataram 700 pessoas e, nos últimos três anos, mataram 130 trabalhadores humanitários. 34 milhões de pessoas – o equivalente a dois terços da população do Sudão – precisam de ajuda humanitária e 19 milhões de pessoas estão numa situação de insegurança alimentar. Além disso, cerca de 14 milhões de pessoas são refugiadas e 10 milhões de crianças não frequentam a escola.
Em resposta, o plano “Humanitarian Reset” das Nações Unidas para o Sudão definiu como prioridade imediata o apoio a 14 milhões de pessoas. Este plano tem como objetivo alcançar 20 milhões de sudaneses. No entanto, o financiamento continua a ser o maior obstáculo, com um fosso de financiamento de 2,2 mil milhões de dólares.
Num apelo final à comunidade internacional, Tom Fletcher reforçou a necessidade urgente de embargo de armas em Darfur e do cessar de transferências de armamento que alimentam o conflito.