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Uma década de guerra no Iémen: o que mudou e o que está em jogo?

A woman and girl interact in rural in Yemen
© UNDP | Uma mulher e uma rapariga a interagir no Iémen rural

Há uma década, em março de 2015, o Iémen mergulhou num conflito devastador que persiste até hoje, resultando numa das piores crises humanitárias do mundo. O conflito teve início quando os rebeldes Houthi, também conhecidos como Ansar Allah, tomaram a capital, Sana’a, em setembro de 2014, forçando o governo reconhecido internacionalmente a exilar-se. Em resposta, uma coligação liderada pela Arábia Saudita iniciou uma campanha militar em março de 2015 para restaurar o governo deposto.

Os Houthi são um grupo xiita zaidita originário do norte do Iémen. Historicamente, sentiram-se marginalizados pelo governo central e, desde o início dos anos 2000, envolveram-se em várias rebeliões contra as autoridades iemenitas. A sua ideologia combina elementos religiosos e políticos, e têm sido acusados de receber apoio do Irão, embora tanto Teerão como os Houthi neguem tais alegações.

A guerra já resultou em mais de 150.000 mortes e numa crise humanitária sem precedentes. Atualmente, 4,5 milhões de pessoas estão deslocadas e 21,6 milhões necessitam de ajuda urgente. Apesar de um frágil cessar-fogo alcançado em 2022, a situação permanece complexa devido a intervenções externas e conflitos regionais.

Em janeiro de 2024, o Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou a Resolução 2722, exigindo que os Houthi cessassem imediatamente os ataques a navios mercantes no Mar Vermelho e libertassem o navio Galaxy Leader e a sua tripulação. A resolução foi aprovada com 11 votos a favor e 4 abstenções.

Em março de 2025, as áreas costeiras ocidentais, como Hodeidah, enfrentam uma crise de desnutrição alarmante, com taxas a atingir 33%, consideradas críticas. A UNICEF alerta para milhares de mortes iminentes devido a cortes na ajuda humanitária e distribuição inadequada de alimentos em 2024. Atualmente, metade das crianças com menos de cinco anos e 1,4 milhões de mulheres grávidas e a amamentar estão desnutridas.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou recentemente profunda preocupação com os desenvolvimentos no Iémen. Numa nota aos correspondentes datada de 17 de março de 2025, Guterres apelou a todas as partes envolvidas no conflito para que cessem as hostilidades e retomem as negociações de paz, enfatizando a necessidade urgente de aliviar o sofrimento do povo iemenita.

É imperativo que a comunidade internacional redobre os esforços para encontrar uma solução política para o conflito no Iémen e forneça o apoio humanitário necessário para mitigar o sofrimento da sua população.