ONU News Unaids alerta sobre aumento de contaminação com HIV entre meninas na África

Unaids alerta sobre aumento de contaminação com HIV entre meninas na África

Cinco agências das Nações Unidas unem esforços para garantir acesso igual das meninas e rapazes à educação secundária gratuita até 2025, mitigando os impactos do HIV sobretudo em mulheres.

O alerta é do Unaids, Programa Conjunto sobre HIV/Aids, ONU Mulheres, Unicef, Unfpa e a Organização para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.

Redução dos riscos

O roteiro de alto nível foi lançado no Fórum Geração Igualdade, que terminou em 2 de julho, em Paris, para acelerar a ação e o investimento, alargando o acesso à educação secundária a todos os jovens e promovendo a saúde e os direitos das adolescentes e jovens mulheres na África Subsaariana.

Chefe da Unaids, Winnie Byanyima defende liderança política para que crianças possam concluir educação secundária

ONU/Loey Felipe

Chefe da Unaids, Winnie Byanyima defende liderança política para que crianças possam concluir educação secundária

O foco é garantir a participação significativa e liderança das mulheres, em toda sua diversidade, para incluir as excluídas e vulneráveis e envolver homens enquanto aliados e agentes de mudança. A ideia é eliminar as normas de gênero prejudiciais e masculinidades.

O advento da Covid-19 tornou a educação uma preocupação urgente e o seu impacto socioeconômicos aumentou a exposição das meninas e jovens mulheres à violência no gênero, casamento infantil e gravidez indesejada. Os riscos da mortalidade materna elevaram também as vulnerabilidades de contrair o HIV.

A Diretora Executiva do Unaids espera que a manutenção das meninas na escola secundária reduza o risco de infeção em até um terço ou mais, em locais onde o vírus é comum, o casamento infantil, gravidez precoce e violência sexual e do gênero, conferindo-as habilidades e competências para o seu empoderamento econômico.

Perspectivas de gênero

Para Winnie Byanyima, a liderança política ousada e consistente é necessária para garantir que todas as crianças possam concluir uma rodada completa da educação secundária.

Uma parteira prepara remédios para um bebê HIV-positivo de duas semanas em Uganda.

Unicef/Jimmy Adriko

Uma parteira prepara remédios para um bebê HIV-positivo de duas semanas em Uganda.

A Iniciativa defende reformas com perspectiva de gênero nas políticas, leis e práticas para garantir a educação, saúde e outros direitos socioeconômicos dos adolescentes e jovens, incluindo mudanças nos requisitos de consentimento dos pais e eliminação de taxas de acesso aos serviços básicos de HIV e da saúde sexual e reprodutiva.

Os protagonistas convocam os países a fazerem dos sistemas de educação ponto de entrada para fornecer um pacote mais holístico de elementos essenciais que o grupo alvo precisa à medida que vai se tornando adulto. As necessidades incluem uma educação sexual abrangente e o direito e saúde sexual reprodutiva.

Pilar de uma nação

A jovem ativista do Benim, Anita Myriam Kouassi quer dos líderes ações concretas, lembrando que o combate às desigualdades e ao analfabetismo permitiriam as meninas assumirem cedo o comando de suas vidas e o controlo das escolhas em torno de seus corpos e saúde.

Unaids diz ser alto o número de meninas adolescentes e jovens mulheres que contraem e morrem de doenças ligadas ao HIV/Aids

Foto Unicef/ Frank Dejongh

Unaids diz ser alto o número de meninas adolescentes e jovens mulheres que contraem e morrem de doenças ligadas ao HIV/Aids

Ela disse “somos vulneráveis sem saber como nos defender ou fazer as nossas vozes serem ouvidas. Esta é a razão por que não podemos viver sem educação das meninas, a rocha e o pilar de uma nação forte com a para as meninas”.

Cinco países africanos já aderiram a iniciativa que compreende uma ampla gama de compromissos para lidar com o elevado número de meninas adolescentes e jovens mulheres que contraem e morrem de doenças ligadas à Aids, entre outras ameaças a sua sobrevivência, bem-estar, direitos humanos e liberdades.

Educação sexual

Os subscritores prometem intensificar, nos próximos três anos, a consciência da educação sexual através de treinamento e desenvolvimento de materiais pedagógicos dedicados, apoiando meninas gravidas e jovens mães em gravidez precoce, fornecendo instalações sanitárias de qualidade e promovendo acesso fácil a pensos higiênicos nas escolas.

Antes de a Covid-19 atacar, cerca de 34 milhões de meninas em idade do ensino secundário seriam privadas de uma educação integral, e estima-se que 24% de meninas adolescentes e mulheres de 15-24 anos na região africana estivessem fora da educação, formação ou emprego. Nos rapazes, a cifra era de 14,6%.

Segundo os dados, um em cada quatro jovens da mesma idade são analfabetos e o Unicef estima que em 2020 o encerramento de escolas por conta da pandemia tenha afetado cerca de 250 milhões de estudantes e o temor é que milhões deles nunca mais possam voltar a sala de aula.

De Bissau, Amatijane Candé para a ONU News.

Mulher recebe medicamento para HIV para seu recém-nascido

Unicef/Frank Dejongh

Mulher recebe medicamento para HIV para seu recém-nascido