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UNICEF Portugal alerta: mais de 350 mil crianças em risco nas cheias de Moçambique

© UNICEF Moçambique/2025/Ricardo Franco

A UNICEF Portugal lançou um apelo urgente à solidariedade para apoiar crianças e famílias afetadas pelas cheias em Moçambique, uma emergência humanitária que se agrava diariamente na sequência de chuvas excecionalmente intensas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

Coincidindo com o início da época chuvosa e ciclónica, as cheias já afetaram mais de 690 mil pessoas, das quais mais de metade são crianças. Este número aumenta todos os dias nas zonas afetadas, sendo a Província de Gaza a mais atingida, para além de parte da Província de Maputo e algumas zonas centrais do país.

Segundo dados do início desta semana do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres de Moçambique (INGD), centenas de milhares de pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas, mais de 104 mil estão abrigadas em 109 centros de acolhimento, muitos deles sobrelotados, e cerca de 310 mil encontram-se em comunidades de acolhimento.

Até à data, registaram-se:

  • 154.797 casas inundadas, 771 destruídas e 3.447 parcialmente destruídas;
  • 229 unidades de saúde danificadas ou destruídas;
  • 366 escolas e 707 salas de aula afetadas, prejudicando 226 mil alunos e 6 mil professores;
  • 1.336 km de estradas danificadas, além de pontes, aquedutos e sistemas de abastecimento de água.

A contaminação das fontes de água aumenta o risco de doenças como a cólera, enquanto a interrupção dos serviços essenciais agrava a subnutrição, o abandono escolar e a falta de proteção das crianças.

Catarina da Ponte, responsável de Comunicação da UNICEF Portugal, alerta que “Moçambique tem uma população muito jovem, com mais de 17 milhões de crianças. Quando uma crise desta dimensão acontece, são elas que sofrem primeiro e de forma mais duradoura. A resposta que chega agora é crucial para garantir a proteção, a recuperação das crianças e a estabilidade do país.”

No terreno, e em coordenação com o Governo moçambicano e parceiros, a UNICEF está a responder com ajuda humanitária imediata para salvar vidas:

  • Na província de Sofala, estão em curso operações de fornecimento de água, saneamento e higiene (WASH) nos quatro distritos mais afetados, incluindo tratamento de água contaminada ao nível comunitário e doméstico, beneficiando mais de 13 mil agregados familiares;
  • Em Nampula, a UNICEF apoia a preparação e resposta à cólera, incluindo serviços WASH em centros de tratamento;
  • Na província de Gaza, a presença da organização foi reforçada com equipas de emergência. Com apoio da ECHO, o Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia, está prevista a distribuição de 88 toneladas de ajuda humanitária, incluindo artigos de saúde, nutrição, água, saneamento, educação e proteção infantil.

A UNICEF estima que, nas próximas semanas, o número de pessoas afetadas possa chegar a 800 mil, das quais cerca de 400 mil são crianças. Para responder à emergência, são necessários cerca de 5 milhões de dólares (aproximadamente 4,2 milhões de euros).

Catarina da Ponte reforça, por isso, o sentido de urgência: “Neste momento, mais de 306 mil crianças estão em risco imediato. Cada donativo é fundamental para a UNICEF conseguir manter e ampliar a resposta humanitária à escala necessária, assegurando o fornecimento de água potável, e cuidados de saúde, bem como serviços de nutrição, educação e proteção às crianças e famílias vítimas desta catástrofe”.

A UNICEF Portugal apela à solidariedade de todos para fazer chegar ajuda urgente. Os donativos podem ser realizados em https://donativos.unicef.pt/campanha/criancas-mocambique/.