Longe das manchetes Venezuela: uma em cada quatro pessoas abandonou o país

Venezuela: uma em cada quatro pessoas abandonou o país

Venezuelanos na fronteira com o Equador e Colômbia. Foto: UNICEF/Santiago Arcos

De que se trata esta crise?

Devido a uma prolongada crise económica, política e humanitária, aproximadamente 7.9 milhões de Venezuelanos fugiram do país desde 2015. A Venezuela tornou-se no país com a maior crise de deslocamentos na história moderna da América Latina. Dentro do país, entre 7 a 7.9 milhões de pessoas, cerca de um em cada quatro venezuelanos, precisam de assistência humanitária para suprir com necessidades básicas como alimentação, serviços de saúde, água e educação.

Qual é o contexto da crise?

A crise aprofundou-se após a contestada reeleição do presidente Nicolás Maduro, em julho de 2018. A oposição rejeitou o ato eleitoral por considerar não ter sido nem livre nem justo. Em janeiro de 2019, a Assembleia Nacional, liderada pela oposição, reconheceu o seu porta-voz, Juan Guaidó, como presidente interino, o que resultou num prolongado impasse constitucional e político.

Desde então, a Venezuela experienciou:

  • A erosão de instituições democráticas;
  • Uma severa contração económica (o PIB diminui cerca de 75% entre 2013 e 2021);
  • Sanções internacionais, impostas principalmente pelos Estados Unidos e outros parceiros, que contribuíram para o isolamento económico do país (embora ainda existam exceções para ajuda humanitária).

A instabilidade política intensificou-se novamente após as eleições presidenciais de julho de 2024, onde as Nações Unidas documentaram uma nova vaga de repressão e de detenções em massa.

A 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos lançaram uma operação militar no interior da Venezuela e detiveram o presidente Nicolás Maduro e a sua esposa, Cilia Flores. Os dois detidos foram posteriormente transferidos para os Estados Unidos, onde enfrentam acusações federais de narcoterrorismo e tráfico de drogas, apresentadas aos tribunais norte-americanos, em 2020.

A Missão Internacional Independente de Determinação de Factos da ONU relatou que a operação violou o Direito Internacional, mesmo apesar de reiterar existirem motivos razoáveis que indicam que Maduro foi responsável por cometer crimes contra a Humanidade;

  • A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tomou posse como presidente em funções, pouco tempo depois;
  • As estruturas centrais institucionais e de segurança ligadas à repressão permanecem intactas, de acordo com os investigadores da ONU.
Photo UNOCHA

Impacto nas pessoas e no ambiente

Sob o efeito da hiperinflação, pobreza, colapso dos serviços públicos, insegurança e repressão política, mais de 23% da população Venezuelana fugiu do país.

Dos 7.9 milhões de Venezuelanos deslocados ao redor do mundo:

  • Entre 6.7 a 6.9 milhões estabeleceram-se na América Latina e nas Caraíbas;
  • Mais de 370 mil pessoas foram formalmente reconhecidas como refugiadas;
  • Mais de 1.4 milhões são requerentes de asilo em todo o mundo.

Os países de acolhimento, especialmente a Colômbia, o Brasil, o Perú, o Equador e o Chile enfrentam uma pressão crescente nos sistemas de saúde, de educação e de proteção social.

Dentro da Venezuela

  • A insegurança alimentar afeta mais de 5 milhões de pessoas;
  • Os sistemas de saúde, água e eletricidade estão severamente degradados;
  • Os choques climáticos, como secas e inundações, agravam cada vez mais a condição de vulnerabilidade da população;

A resposta da ONU à crise

O secretário-geral da ONU, António Guterres, continua a apelar para um “diálogo político inclusivo, liderado pelos Venezuelanos” e ao pleno respeito pelos Direitos Humanos e pelo Direito Internacional.

A Missão Internacional Independente de Determinação dos Factos sobre a Venezuela, estabelecida em 2019 e prorrogada até outubro de 2026, conclui que as autoridades venezuelanas são responsáveis por uma repressão sistemática e alargada, o que constitui um crime contra a Humanidade (ohchr.org).

Os últimos relatórios de 2024/2025 documentam:

  • Detenções arbitrárias;
  • Tortura e violência sexual;
  • Perseguição de oponentes políticos, jornalistas e sociedade civil.

 

As agências da ONU envolvidas e a sua função:

 

  • CERF: Em agosto de 2023, o Fundo Central de Resposta a Emergências da ONU, alocou 8.2 milhões de dólares para apoiar programas de assistência vital subfinanciados na Venezuela.

  • ACNUR – Alto Comissariado da ONU para os Refugiados:
      • Lidera as resposta de proteção e de abrigo;
      • Apoia refugiados, retornados, deslocados internos e pessoas em risco de apatridia;
      • Enfrenta um grave défice de financiamento (cerca de 60%) para a operação na Venezuela;
  • PMA – Programa Mundial de Alimentos
      • Prestou assistência a mais de 750 mil pessoas em 2025;
      • Gere um programa de refeições escolares em grande escala que beneficia mais de 330 mil crianças;
      • Necessita de financiamento urgente para evitar reduções nos programas de assistência;
  • UNICEF – Fundo da ONU para a Infância 
  • Presta assistência vital a centenas de milhares de crianças todos os anos;
    • Os esforços focam-se na saúde, nutrição, educação, proteção infantil, água, saneamento e higiene;
    • O apelo ao financiamento em 2025, permanece subfinanciado em 80%;

Os ODS e a Crise

A crise na Venezuela envolve a maioria dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), entre eles: 

  • #1 Erradicar a Pobreza;
  • #2 Erradicar a Fome;
  • #16 Paz, Justiça e Instituições Eficazes;

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