Artigos Filme português entre os 60 finalistas do Mobile Film Festival

Filme português entre os 60 finalistas do Mobile Film Festival

“From Maria”, realizado por Ana Moreira, conquistou um lugar entre os 60 filmes escolhidos para a Seleção Oficial do Mobile Film Festival (MFF).

Criado  em 2005, o Mobile Film Festival é um festival internacional de curtas-metragens, que conta com o apoio do Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC), e que tem um conceito único: 1 telemóvel, 1 minuto, 1 filme. O objetivo é descobrir, apoiar e acompanhar talentos de todo o mundo para que estes se tornem os realizadores do futuro.

A temática desta edição foi o Empoderamento das Mulheres  e a adesão do público bateu recordes. 1.130 filmes chegaram de 101 países do mundo, 57% foram realizados por mulheres. O corpo feminino, a igualdade, a liberdade de identidade e a violência sobre  as mulheres foram alguns dos assuntos abordados pelos participantes. Das 1.130 submissões,  foram selecionados 60 filmes para integrar a Seleção Oficial do Festival.

Falámos com Ana Moreira, a jovem de 25 anos natural de Paredes, que representa Portugal nesta seleção, com o filme “From Maria” sobre a igualdade de género, numa perspetiva intergeracional.

Ana Moreira, 25, natural de Paredes, vive no Porto desde os 14 anos.

ONU: Como tiveste conhecimento do Mobile Film Festival? É a primeira vez que participas?

Ana Moreira (AM):  Tive conhecimento do Mobile Film Festival através de uma newsletter com promoção de alguns festivais. A temática “Women’s Empowerment” despertou-me o interesse e a particularidade de ser gravado com o telemóvel e com apenas 1 minuto de duração fez com que eu avançasse com a proposta para este projeto. Faço parte da produtora audiovisual responsável pela produção deste filme, Golpe Filmes (sediada no Porto) onde apresentei o festival e a vontade de participar com a equipa. Foi a primeira vez que participei num festival deste tipo.

ONU: O filme que realizaste retrata algumas das desigualdades das quais as mulheres são constantemente vítimas. Quais são as razões que te levaram a criar este filme? 

AM: Eu queria fazer um filme que falasse de forma abrangente e direta dos problemas socioeconómico e políticos existentes associados ao género feminino, que eles tocassem naqueles que são os princípios da matéria do empoderamento das mulheres e que mostrasse simultaneamente que ainda há um longo caminho a percorrer, que o trabalho não está feito e que podemos todos ser um peão positivo nesta luta ainda sem fim à vista. Há claro ainda o fator de ser mulher e ter uma proximidade e conhecimento de causa dos problemas levantados no filme.

As atrizes do “From Maria”, durante as gravações. Foto: António Morais

ONU: Nesta competição foram submetidos 1130 filmes, de 101 países. Como te sentes por fazer parte dos 60 finalistas?

AM: É com grande felicidade que recebo esta seleção juntamente com a minha equipa na Golpe Filmes, ainda mais sendo os únicos representantes de Portugal. Num país onde já existem algumas vozes ativistas e educativas na matéria, fazer parte deste movimento é não só motivo de orgulho, mas sobretudo fundamental.

ONU: Sendo uma mulher e jovem, que passos é que, na tua opinião, são ainda necessários dar para que haja uma igualdade de género efetiva?

AM: Acho que o pilar crucial da igualdade de género assenta em questões socio-políticas. É necessário o reforço de leis de paridade que promovam a igualdade de género no espaço laboral e permitam a mais mulheres atingir postos de chefia; é necessário o apoio à educação completa das mulheres independentemente da sua origem, cultura e capital; é necessário o aumento da proteção e consecutiva ação judicial nas mulheres vítimas de assédio, violação, violência doméstica e outras formas de violência; mas sobretudo é necessária a reformulação da educação de todos, sobretudo crianças e jovens, para que se quebrem padrões sexistas intrinsecamente afetos à sociedade com vista a que um dia, e esperamos que esse dia seja breve, possamos todos disfrutar de uma sociedade livre e com os mesmos direitos.

Nos últimos quatro anos, o MFF realizou 5 edições internacionais, ao longo das quais recebeu 4.000 filmes de um total 132 países, registou 78 milhões de visualizações e entregou 229.000 euros em prémios!

Para conhecer os restantes finalistas, carregue aqui. https://bit.ly/2UsuP2Q