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Guterres apela a mais e melhor multilateralismo para vencer pandemia e crise climática

“O mundo tem de acordar numa altura em que vivemos à beira do abismo.” Foi com estas palavras que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, iniciou o seu discurso que marcou a abertura da semana de Alto Nível da 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU.

Guterres insistiu na ideia de que nunca o mundo esteve tão ameaçado ou dividido, num período em que vive agora múltiplas crises como a pandemia da covid-19, as alterações climáticas, bem como a dramática situação de países como o Afeganistão, a Etiópia e o Iémen.

O líder da ONU lembrou também que “uma onda de desconfiança e de desinformação está a polarizar as pessoas e a paralisar as sociedades” e que os direitos humanos e a ciência estão sob ataque.

COVID-19

O secretário-geral lamentou a falta de solidariedade em pleno período de pandemia, evocando as imagens de vacinas no lixo que acabaram por não serem utilizadas – “por um lado, vemos as vacinas desenvolvidas em tempo recorde – uma vitória da ciência (…) por outro lado, vemos esse triunfo desfeito pela tragédia da falta de vontade política, do egoísmo e da desconfiança.” Guterres alertou que enquanto maioria dos países ricos já foi vacinada, “mais de 90 por cento dos africanos ainda esperam pela primeira dose”, uma situação que o secretário-geral apelida de “obscena”.

CLIMA

Outro tópico que mereceu grande atenção durante a intervenção do líder da ONU foi a crise climática. Guterres enfatizou o código vermelho que o recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas evidenciou com “sinais de alerta em todos os continentes e regiões. Temperaturas escaldantes. Perda de biodiversidade chocante. Ar, água e espaços naturais poluídos.”

António Guterres discursa na 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU. Foto ONU/ Cia Park

No entanto, Guterres lembrou que os cientistas do clima garantem que “não é tarde demais para manter viva a meta de 1,5 grau do Acordo de Paris sobre o clima”, mas enfatizou que é necessário atuar rapidamente.

Para tal, é necessário “um corte de 45% nas emissões até 2030” mas, um relatório recente da ONU deixou claro que, com os atuais compromissos climáticos nacionais, as emissões aumentarão 16% até 2030.” Com este cenário, o aumento da temperatura global será de “pelo menos 2,7 graus acima dos níveis pré-industriais” alertou o secretário-geral, por isso, “a poucas semanas da COP estamos aparentemente a anos-luz de alcançar as nossas metas”, enfatizou.

MULTILATERALISMO

O diplomata português continuou a sua intervenção abordando os desafios que o sistema multilateral enfrenta para resolver as grandes questões que afetam a humanidade. Guterres lembrou que “a humanidade é capaz de grandes feitos quando trabalha em conjunto” mas enfatizou ainda que “o sistema multilateral de hoje é muito limitado nos instrumentos e capacidades em relação ao que é necessário para uma governação eficaz da gestão de bens públicos globais.”

Com o objetivo de “garantir uma ONU adequada para uma nova era”, o secretário-geral apresentou a “Nossa Agenda Comum”, um documento que oferece uma análise de 360 ​​graus do estado do mundo, com 90 recomendações específicas que enfrentam os desafios de hoje e fortalecem o multilateralismo de amanhã. Para tal, Guterres elencou as 6 áreas de atuação que identificou como prioritárias.

PRIORIDADES

Para muitas pessoas ao redor do mundo, a paz e a estabi

lidade continuam a ser um sonho distante e Guterres lembrou a situação que vive atualmente o Afeganistão, onde “devemos aumentar a assistência humanitária e defender os direitos humanos, especialmente de mulheres e meninas”.

O líder da ONU mencionou ainda a necessidade de na Etiópia “apelar a todas as partes para que cessem imediatamente as hostilidades” e que no Mianmar a ONU “reafirma o seu apoio inabalável ao povo” na sua busca pela democracia, paz, direitos humanos e Estado de Direito.

Em muitos outros lugares, como o Iémen, a Líbia, a Síria, Israel, Palestina é necessário “superar impasses e lutar pela paz.”

António Guterres insistiu na ideia de reforçar a confiança entre o norte e o sul para combater as alterações climáticas “fazendo tudo o que podemos agora para criar as condições para o sucesso em Glasgow”, para que haja “mais ambição de todos os países em três áreas principais – mitigação, financiamento e adaptação.”

Guterres explicou ainda como é necessário reduzir as desigualdades económicas, sociais, de género, de acesso ao mundo digital, mas também entre gerações. O secretário-geral sublinhou que “os jovens herdarão as consequências de nossas decisões – boas e más – (…) e que, por isso, “precisam de um lugar à mesa.” Para que a juventude tenha um papel mais importante, Guterres lembrou que vai “nomear um Enviado Especial para as Gerações Futuras e criar o Escritório da Juventude das Nações Unidas.”


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