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António Guterres: “Guerra da Humanidade contra a Natureza é suicida”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, considera que a guerra que a humanidade tem lançado contra a natureza é uma “guerra suicida”, porque a natureza “responde muitas vezes, como temos visto através dos furacões, através dos incêndios, através da seca dramática em várias regiões do mundo.”

O líder das Nações Unidas esteve em Lisboa, onde participou na cerimónia de abertura de Lisboa Capital Verde Europeia, e enfatizou que ”é errado pensar que estamos a destruir o Planeta”.

Para Guterres, por mais “asneiras que façamos, o planeta continuará por milhões de anos a girar à volta do Sol, o que está a acontecer é que a humanidade está a destruir-se a si própria e a possibilidade de poder viver no Planeta.”

António Guterres discursa em Lisboa. Créditos: Luís Catarino
António Guterres discursa no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa. Foto: Luís Catarino / CML

Ano de viragem

António Guterres explicou que 2020 pode ser um ano de mudança no combate às alterações climáticas e que haverá três oportunidades para começar a interromper o “ciclo de conflito, de guerra, que estamos a mover contra a Natureza.”

A primeira é a conferência dos Estados-partes da Convenção da Biodiversidade, a segunda é a Conferência dos Oceanos, que terá lugar em Lisboa em junho próximo, e a terceira é a realização da COP26, que dará aos países a possibilidade de se comprometerem com um conjunto de medidas concretas para poderem combater as alterações climáticas.

António Guterres em Lisboa. Foto: Luís Catarino
Fernando Medina, António Guterres, António Costa e Frans Timmermans no Parque das Nações, em Lisboa. Foto: Luís Catarino / CML

Guterres destacou que estes três momentos acontecem no ano em que Lisboa será a Capital Verde da Europa, coincidindo com “três batalhas que estamos a perder”: a batalha da biodiversidade, numa altura em que um milhão de espécies estão em risco de desaparecer, a batalha da degradação dos oceanos, com o aumento da poluição, em particular dos plásticos, e a batalha de transformar o Acordo de Paris em algo real para combater as alterações climáticas.

O diplomata português lembrou ainda que, ao contrário de Portugal em que as emissões estão a diminuir, as emissões à escala mundial continuam a aumentar, alertando ainda para a escalada da temperatura atmosférica que está a provocar “a multiplicação de incidentes em todo o mundo com consequência gravíssimas ao nível dos desastres naturais, ao nível dos glaciares que desaparecem, ao nível do corais que vão branqueando“.

Esperança

O secretário-geral da ONU está otimista porque a comunidade internacional sabe exatamente o que tem de fazer: “não podemos deixar que as temperaturas subam mais do que 1,5ºC no final do século e, para isso, é preciso que haja neutralidade carbónica em 2050 e com uma drástica redução de emissões já na década de ’30.”

António Guterres em Lisboa. Foto: Luís Catarino
António Guterres, António Costa, Marcelo Rebelo de Sousa e Fernando Medina na inauguração de Lisboa como Capital Verde Europeia, no Parque Eduardo VII. Foto: Luís Catarino / CML

O facto das tecnologias que o permitem fazer já existirem e de serem competitivas faz com que, na opinião de Guterres, não haja “nenhuma razão para continuar a insistir nos combustíveis fósseis.”

Guterres referiu ainda que outro fator de esperança é a crescente mobilização da juventude que exige “vontade política para conduzir estas transformações.”

ONU News

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