Longe das manchetes RDC: A Crise de Refugiados mais Negligenciada do Mundo

RDC: A Crise de Refugiados mais Negligenciada do Mundo

Torneio de Futebol no campo de Bulengo para pessoas deslocadas em Quivu do Norte, com o apoio do PMA. Foto: PMA/Michael Castofas

O Conselho Norueguês para os Refugiados declarou, pela segunda vez nesta década, que a situação na República Democrática do Congo (RDC) é a crise de refugiados mais negligenciada do mundo.

De que se trata a crise?

Os responsáveis humanitários das Nações Unidas manifestaram profundas preocupações com o agravamento da crise humanitária na República Democrática do Congo, particularmente em Quivu do Norte.

Mais de 700 mil pessoas foram deslocadas entre janeiro e fevereiro de 2025, durante grandes ofensivas do M23 em Goma, Bukavu, Masisi, Sake e Minova, de acordo com peritos em Direitos Humanos das Nações Unidas e agências humanitárias.

Em dezembro de 2025, um novo avanço do M23, em Quivu do Sul, forçou à deslocação de mais de meio milhão de pessoas, em apenas uma semana, de acordo com a OCHA e a ONU News.

Qual é o contexto do conflito?

A República Democrática do Congo é o segundo maior país da África e o 11º maior do mundo. Com uma área de 2.34 milhões de km2, é tão grande como a Gronelândia e a Islândia combinadas. 

A região leste, rica em minerais, tem sido fustigada pelo conflito de, pelo menos, 122 grupos rebeldes e, em alguns casos, por exércitos invasores, há mais de 25 anos.

Desde 1996 que o conflito na zona leste da R.D.C. levou a aproximadamente 6 milhões de mortes.

As crianças regressam à escola depois de um conflito armado na sua aldeia, no território de Shabunda, em Quivu do Sul, ter forçado toda a população a fugir e encontrar refúgio na floresta durante várias semanas.
Foto: OCHA/Naomi Frerotte.

Qual é o impacto da crise?

A República Democrática do Congo tem o maior número de pessoas deslocadas internamente (PDI) no continente africano, com cerca de 7 milhões de pessoas. A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) projeta que, se o conflito continuar aos níveis atuais, o total de deslocados internos na R.D.C. poderá aumentar para cerca de 9 milhões, até ao final de 2026.

Um em cada quatro congoleses, cerca de 26.6 milhões de pessoas, não consegue satisfazer as necessidades alimentares básicas, e cerca de 6.4 milhões destes são afetados por desnutrição aguda, um número que não diminui há duas décadas.

Quatro mulheres morrem a cada hora que passa durante o parto ou devido a complicações relacionadas com a gravidez. O país também tem uma das maiores taxas de mortalidade infantil do mundo.

Nos últimos anos, as inundações no país destruíram ou danificaram 100 mil casas, 1.325 escolas, 267 infraestruturas de saúde e grandes extensões de terrenos agrícolas, o que deixou cerca de 2 milhões de pessoas – quase 60% das quais crianças – a necessitar de assistência humanitária.

Este desastre ocorreu numa altura em que o país estava a atravessar um dos piores surtos de cólera em anos. A cólera é uma das epidemias mais graves e, no entanto, mais fáceis de prevenir, que cobra um elevado custo em vidas humanas todos os anos, devido à fragilidades das infraestruturas, às restrições no acesso à saúde e à baixa cobertura de vacinação.

 

A Resposta das Nações Unidas

A presença da ONU na República Democrática do Congo consiste numa missão de manutenção da paz e em 22 programas, fundos e agências especializadas que trabalham juntos para o desenvolvimento e a estabilização da R.D.C., enquanto prestam assistência humanitária aos mais necessitados.

A MONUSCO, a Missão de Manutenção da Paz na R.D.C., foi criada em 1999. É a maior missão de Manutenção de Paz das Nações Unidas.

Em dezembro de 2025, o Conselho de Segurança da ONU renovou o mandato da MONUSCO até 20 de dezembro de 2026.

Nos termos da Resolução 2808, a MONUSCO está autorizada a contar com 13.800 efetivos, incluindo 11.500 militares.

Estima-se que sejam necessários 1.4 mil milhões de dólares americanos para a assistência humanitária na República Democrática do Congo, em 2026. Este é o valor solicitado pelo Governo da República Democrática do Congo e pela comunidade humanitária da ONU para responder às necessidades mais urgentes deste ano. Estima-se também que 14.9 milhões de pessoas estejam a precisar de assistência, mas apenas 7.3 estão a receber ajuda, devido aos limites de financiamento. Esta redução reflete apenas o subfinanciamento, e não uma redução de necessidades.

O que podes fazer?

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