Atualidade Relatório da ONU afirma que 90 por cento dos desastres têm...

Relatório da ONU afirma que 90 por cento dos desastres têm causas meteorológicas

18 11 2011extremeweather

Um novo relatório lançado pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução de Riscos de Catástrofe (UNISDR) demonstra que nos últimos 20 anos, 90 por cento dos maiores desastres foram causados pelas 6457 cheias, tempestades, ondas de calor, secas e outros eventos meteorológicos registados.

O relatório “Custos Humanos de Desastres com Causas Meteorológicas” aponta que os cinco países mais atingidos por estes desastres são os Estados Unidos, China, Índia, Filipinas e Indonésia.

“O tempo e clima são das maiores causas dos desastres e este relatório demonstra que o mundo está a pagar um preço alto pelas vidas perdidas”, afirmou Margareta Wahlström, Diretora da UNISDR, num comunicado de imprensa.

“As perdas económicas são o maior desafio de desenvolvimento para os países menos desenvolvidos que estão a combater as alterações climáticas e pobreza”, acrescentou.

O relatório e análise compilado pela UNISDR e o Centro Belga de Pesquisa sobre a Epidemiologia dos Desastres (CRED) demonstra que desde a primeira Conferência da ONU sobre o clima (COP1) em 1995, perderam-se 606 mil vidas e 4.1 mil milhões de pessoas ficaram feridas, sem abrigo ou com necessidade de assistência de emergência devido aos desastres meteorológicos.

O relatório também sublinha as lacunas de datas, observando que as perdas económicas devido a desastres meteorológicos são muito maiores do que os registos de 1891 biliões de dólares, que corresponde a 71 por cento de todas as perdas atribuídas a catástrofes naturais nos últimos 20 anos. Apenas 35 por cento dos registos incluem informação sobre perdas económicas. A UNISDR estima que o cenário real das perdas de desastres (incluindo terramotos e tsunamis) é de cerca de 250 mil a 300 mil milhões anualmente.

 “No longo prazo, um acordo em Paris na COP21 para reduzir as emissões de gazes de efeito de estufa contribuirá para reduzir os danos e perdas dos desastres que são parcialmente causados pelo aquecimento planetário e aumento dos níveis do mar”, explicou Margareta Wahlström.

 “Por agora, há uma necessidade de reduzir os níveis existentes de risco e evitar criar novos através da garantia de que os investimentos públicos e privados têm noção dos riscos e não aumentam a exposição das pessoas e bens económicos a desastres naturais em solos propícios a cheias, zonas costeiras vulneráveis e outros locais impróprios para assentamentos humanos”.

A Diretora da UNISDR, relembrou que o ano do desenvolvimento começou em março deste ano com a adoção do Quadro de Sendai para a Redução de Riscos de Catástrofe, um pacote de 15 anos aprovado pela Assembleia-Geral da ONU, que estabelece metas claras para a redução substancial de perdas em desastres, incluindo mortalidade, números de pessoas afetadas, perdas económicas e danos críticos a infraestrutura como escolas e hospitais.

Ao mesmo tempo, a Docente Debarati Guha-Sapir, Presidente do CRED, afirmou que as alterações climáticas e eventos meteorológicos são uma ameaça ao alcance dos ODS geral de erradicar a pobreza.

 “Temos de reduzir as emissões de gazes de efeito de estufa e combater outras causas de riscos como o desenvolvimento urbano não planeado, degradação ambiental e lacunas em sistemas de aviso prévio. Isto requer uma garantia de que as pessoas estão informadas sobre os riscos e um fortalecimento das instituições que gerem os riscos de desastre”.

De acordo com o relatório, a Ásia conta o maior número dos impactos de desastre, incluindo 332 mil mortes e 3,7 mil milhões de pessoas afetadas. A taxa de mortalidade na Ásia inclui 138 mil mortes causadas pelo Ciclone Nargis que atingiu a Birmânia em 2008.

No total, uma média de 335 desastres meteorológicos foi registada por ano entre 2005 e 2014, um aumento de 14 por cento em relação ao período de 1995-2004, e quase o dobro de 1985-1995.

A extensão dos impactos dos desastres na sociedade é revelada por outras estatísticas da Base de Dados de Eventos de Emergência do CRED, ou EM-DAT, que aponta que 87 milhões de casas foram danificadas ou destruídas durante o período de inquérito.

A análise também destaca que as cheias representam 47 por cento de todos os desastres meteorológicos registados no período de 1995 a 2015, afetando 2,3 mil milhões de pessoas e matando 157 mil. As tempestades foram os desastres mais mortíferos, contando 242 mil mortes ou 40 por cento das mortes devido a este tipo de desastres em todo o mundo, com 89 por cento destas mortes a ocorrem em países de rendimento baixo.

Overall, heatwaves accounted for 148,000 of the 164,000 lives lost due to extreme temperatures, with 92 per cent of deaths occurring in high-income countries.

Por fim, as secas afetam África mais do qualquer outro continente, com o EM-DAT a registar 136 eventos entre 1995 e 2015, incluindo 77 secas na África Oriental apenas. O relatório também recomenda que os dados das mortes indiretas devido a secas devem ser melhorados.

23 de novembro de 2015, Centro de Notícias da ONU/Traduzido & Editado por UNRIC