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Briefing à imprensa – Mundial FIFA 2026: O calor extremo está a mudar o jogo.
A Alemanha defronta a Argentina na final do Campeonato do Mundo de 2014. Imagem: Danilo Borges/copa2014.gov.br. Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil.
A História: como o calor extremo está a afetar o futebol o Mundial da FIFA de 2026.
A Taça do Mundo da FIFA de 2026, o maior torneio da história do futebol, será disputada num período de ondas de calor extremo cada vez mais intensas, causadas pelo agravamento das alterações climáticas que afetam milhares de milhões de pessoas em todo o mundo.
Espera-se que o calor extremo seja um dos temas centrais do torneio, dentro de campo, nas bancadas, nas imediações dos estádios e em todas as cidades anfitriãs.
É provável que o público reconheça os sinais visíveis de como o futebol está a mudar: um ritmo de jogo mais lento, jogadores a gerir o esforço físico, alterações de tática, substituições antecipadas, pausas para hidratação, toalhas refrescantes, coletes de gelo, medidas de proteção para os adeptos e possíveis constrangimentos nas cidades anfitriãs e zonas envolventes.
Não se trata apenas de episódios isolados de calor. As alterações climáticas estão a tornar o calor extremo mais frequente, mais intenso e mais perigoso. O principal fator é a queima contínua de carvão, de petróleo e de gás, que liberta gases de efeito estufa para a atmosfera e contribui para o aquecimento global.
O futebol está a adaptar-se, mas a adaptação por si só não é suficiente. Reduzir a poluição associadas aos combustíveis fósseis e acelerar a transição para fontes de energia limpa é essencial para proteger os jogadores, os adeptos e o futuro da modalidade.
Para emissoras, comentadores e jornalistas, este é um momento importante para explicar o que os telespectadores estão a observar. O tema vai muito além do futebol: está ligado a uma das questões mais relevantes do nosso tempo, com impactos na saúde, na economia e nas comunidades de todo o mundo.
Principais factos e novos dados
1. O calor fará parte do torneio
Um em cada quatro jogos deverá ser disputado sob condições de calor perigoso. A organização World Weather Attribution (WWA) estima que 26 dos 104 jogos decorrerão em condições nas quais o stress térmico representará um risco real, sendo recomendável pausas para arrefecimento. O alerta foi transmitido por especialistas à FIFPRO, a Federação Internacional de Associações de Futebolistas Profissionais.
Não se trata apenas de um dia quente comum. O estudo utiliza a Temperatura de Globo e Bolbo Húmido (WBGT), um indicador que tem em consideração o calor, a humidade, a luz solar, o vento e a radiação direta. Ao contrário da temperatura do ar isolada, a WBGT fornece uma medida mais concreta do stress térmico a que os jogadores estão sujeitos. Portanto, um determinado valor de WBGT pode representar uma sensação de calor muito maior do que aparenta e não deve ser interpretado da mesma forma que a temperatura do ar.
Por exemplo, de acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, uma temperatura do ar de 40°C e uma humidade relativa de 30% corresponde a uma WBGT de cerca de 26°C, valor que os especialistas da FIFPRO consideram limitador para o desempenho físico dos atletas.
Espera-se que estas condições afetem algumas das partidas mais importantes do torneio. Entre os jogos em risco estão a final, dois quartos-de-final e o jogo de atribuição do terceiro lugar.
Alguns jogos poderão ultrapassar o limite máximo. O mesmo estudo da WWA estima que cerca de cinco partidas poderão atingir os 28°C de WBGT, valor a partir do qual os especialistas recomendam o adiamento da partida.
O risco não está distribuído uniformemente. As cidades-anfitriãs do sul e interior dos Estados Unidos, bem como cidades no México estão, de modo geral, mais expostas. Estádios ao ar livre em cidades como Miami, Kansas City e Filadélfia registam aumentos significativos da probabilidade de atingir níveis perigosos de calor. Isto significa que, dependendo do local onde as seleções estiverem a jogar, as mesmas poderão ter trajetórias mais fáceis ou mais difíceis até à final.
Até as cidades mais frias estão em risco. Embora Toronto e Vancouver sejam considerados alguns dos locais mais frios, essas cidades também podem sofrer ondas de calor intensas.
Em 2021, uma onda de calor que atingiu a Columbia Britânica, no final de junho, levou os termómetros aos de 49,6 °C, o que causou mais de 600 mortes. Essa onda de calor não teria sido possível sem as alterações climáticas. No ano passado, Toronto registou um dos verões mais quentes da sua história, marcado por seis ondas de calor com temperaturas acima de 36 °C. Um estudo científico recente estimou que a taxa de mortalidade global associada ao calor extremo alcançou as 5 milhões de mortes por ano.
Mais dias de calor extremo nos estádios anfitriões. Quase todos os estádios anfitriões do Mundial de 2026 registam um aumento no número de dias com calor extremo, durante o período do torneio.
Não afeta apenas o futebol de elite. Os campos amadores e de formação estão mais expostos, com menos recursos para garantir sombra, drenagem, refrigeração, gestão da água ou outras medidas de adaptação.
Conclusão: Não se trata apenas de um clima quente. É a combinação de calor, humidade, sol e vento que gera um verdadeiro desgaste nos jogadores e adeptos.
O Mundial é o palco mais visível, mas o que é realmente relevante é toda a pirâmide do futebol — das finais internacionais até aos campos locais onde os jogadores se apaixonam pelo desporto pela primeira vez.
2. O calor altera o próprio jogo
O calor extremo pode tornar o jogo mais lento. Os jogadores podem pressionar menos, correr menos, recuperar mais lentamente e gerir a energia de maneira diferente.
Quase metade dos jogos do Mundial apresentam pelo menos 50% de probabilidade de enfrentar calor que prejudique o rendimento dos atletas. Por causa das alterações climáticas, 97 dos 104 jogos programados têm uma maior probabilidade de serem disputados em condições adversas para o rendimento dos jogadores.
O Mundial de Clubes de 2025 serviu de alerta. Um estudo que analisou 57 partidas e 1.070 observações de jogadores constatou que a média do WBGT ultrapassou os 28°C em 31 jogos e expôs os atletas a um risco extremo de problemas de saúde relacionados com o calor.
Durante os jogos, tanto adeptos como jogadores expressaram preocupações com as altas temperaturas. Estas condições provocaram desmaios entre jornalistas, adeptos e até de um árbitro assistente; obrigaram suplentes a permanecer nos balneários durante os jogos; levaram os jogadores a pedir substituições; e causaram atrasos no início de jogos.
O estudo constatou que o calor afetou o desempenho. Valores mais elevados de WBGT, temperatura do ar e humidade estiveram associados a menores distâncias percorridas pelos atletas, incluindo diferentes velocidades de corrida.
Isto significa que o calor afeta a tática e o desempenho. Pode afetar a pressão, as transições, o ritmo, as substituições, a recuperação, a concentração e a disposição para assumir riscos.
Conclusão: Quando o ritmo de jogo diminui, a explicação não está apenas na tática. Com o calor, os jogadores também precisam de proteger o próprio corpo. O resultado traduz-se em jogos menos intensos e, para muitos, menos emocionantes de assistir.
3. Os apoiantes também enfrentam níveis perigosos de calor
Os jogadores contam com a proteção de equipas médicas, pausas para refrescar e apoio especializado. Os adeptos, muitas vezes, não.
O perigo pode ser ainda maior fora do estádio. Zonas de adeptos, filas, rotas de transporte, estacionamentos e comemorações ao ar livre podem expor as pessoas a um calor perigoso por horas.
Estádios com ar-condicionado não resolvem o problema. Dos estádios do Mundial de 2026, apenas 3 dos 16 têm ar-condicionado. Mesmo onde o campo é arrefecido, os adeptos que se deslocam para ver o jogo e regressam a casa continuam expostos a níveis de calor e humidade extremos.
Conclusão: Apesar dos jogadores estarem no centro das atenções, os adeptos podem ser ainda mais afetados por passarem mais tempo ao sol — fora do estádio, nas filas, nas áreas reservadas aos adeptos e no caminho de volta para casa.
4. Os impactos das alterações climáticas vão muito além do calor e afetam milhares de milhões de pessoas em todo o mundo
O calor é apenas uma parte do problema climático. Os impactosmais abrangentes incluem: chuvas extremas que provocam inundações, secas e escassez de água, incêndios florestais e tempestades de grande intensidade que se vão agravando à medida que as alterações climáticas avançam. Mais informações sobre as alterações climáticas incluem:
Causas: A principal causa é a poluição resultante da queima de carvão, petróleo e gás, que retém o calor na atmosfera. A destruição das florestas e dos oceanos também contribui com a libertação de grandes quantidades de gases de efeito estufa e reduz a capacidade natural do planeta de absorver carbono da atmosfera.
Impactos humanos e económicos: são cada vez mais graves e generalizados e afetam todos os países, a saúde pública, empregos e a viabilidade das empresas, as infraestruturas essenciais, os preços e a disponibilidade de produtos básicos para o consumo doméstico, como alimentos.
Soluções: A solução passa por criar uma transição mais rápida dos combustíveis fósseis para energias limpas, como a energia solar e eólica e o fortalecimento da resiliência aos impactos climáticos para proteger as pessoas, comunidades, infraestruturas e economias.
Conteúdo relevante para emissoras, produtores e editores
Este torneio proporcionará às emissoras momentos repetidos e de grande visibilidade em que o clima e o futebol se cruzam em tempo real, através de narrativas centradas no calor extremo.
Pausas para hidratação, redução da intensidade de jogos, fadiga visível, exposição dos adeptos ao calor, alterações no ritmo dos jogos e alertas de calor na cidade anfitriã são todos pontos de partida para uma explicação sobre o assunto.
Este documento destina-se a editores de desporto, planeadores de conteúdo, produtores, equipas digitais, equipas de envolvimento do público, correspondentes especializados em clima, desportos, saúde e redações.
Esta é uma história sobre:
Bem-estar e desempenho dos jogadores — stress térmico, desidratação, recuperação, tomada de decisões e rendimento físico.
Táticas e qualidade do jogo — pressão, transições, ritmo, substituições e gestão de riscos.
Segurança dos adeptos — especialmente em torno das zonas de adeptos, filas, rotas de transporte, comemorações ao ar livre e áreas de exibição pública.
Operações dos jogos — intervalos para hidratação, infraestrutura de arrefecimento, programação, prontidão médica e possíveis decisões de adiamento.
O futuro do futebol — desde os estádios do Mundial até aos campos de formação.
Opções de envolvimento
Explicação de 60 a 90 segundos durante uma pausa para hidratação Por que a pausa é necessária; como o calor afeta o corpo e a intensidade/estilo de jogo; porque a humidade é relevante; como as alterações climáticas estão a intensificar os impactos do calor extremo e quais são as soluções; e o que o futebol está a fazer para se adaptar.
Um pacote pré-jogo para jogos com previsão de calor intenso e alto risco Utilizar os dados de temperatura da cidade anfitriã (link abaixo), imagens de arquivo sobre os impactos do calor (link abaixo), análises de desempenho dos jogadores e recomendações de segurança para os adeptos, para contextualizar as condições que as equipas e os adeptos irão enfrentar no estádio ou nas áreas circundantes.
Uma discussão conduzida por comentadores sobre os impactos no desempenho – para transmissões pré-jogo, intervalo e pós-jogo Analisar como o calor extremo pode afetar a pressão, os sprints, a tomada de decisões, a recuperação e as substituições – o que leva a um jogo mais lento e conservador – com um contexto sobre como o aumento do calor extremo, impulsionado pelo agravamento das alterações climáticas, está a tornar estas condições cada vez mais comuns.
Uma secção ou debate sobre segurança dos adeptos Prático e acessível: sombra, água, deslocamento, zonas de adeptos, espectadores idosos, crianças, trabalhadores ao ar livre e saúde pública. Isso pode resultar num jornalismo valioso de serviço ao público, incluindo em regiões fora dos EUA, Canadá e México, onde ocorrem grandes aglomerações ao ar livre para assistir aos jogos do Mundial ou outros eventos desportivos locais.
Uma visão mais ampla do “futuro do futebol” ou da “saúde do futebol” num mundo cada vez mais quente – reportagem especial Dos estádios do Mundial aos campos de formação: calor, inundações, secas e condições climáticas extremas estão a afetar toda a pirâmide do futebol.
A) Pacote de conteúdos de transmissão e apoio
A Divisão de Alterações Climáticas da ONU (UN Climate Change) pode apoiar equipas editoriais com um pacote de materiais gratuito e sem restrições de direitos.
Esse suporte disponível inclui:
Material informativo escrito: versão em tempo real do material em inglês, atualizada ao longo do torneio, neste link.
Vários especialistas em saúde, calor e clima disponíveis para entrevistas e videochamadas, ou briefings por telefone (oficiais e informativas). Informações e contactos no link acima.
Contactos:
Para entrar em contacto com porta-vozes para entrevistas: Dom Goggins na UN Climate Change (DGoggins@unfccc.int / +447410696642) ou com a equipa de imprensa pelo e-mail press@unfccc.int. Para questões técnicas relacionadas com o b-roll e/ou depoimentos em vídeo, entre em contato pelo e-mail press@unfccc.int.
B) Importância para comentadores, especialistas e escritores
Isso é algo que afeta os jogos e todos os que assistem.
Pontos de referência rápida
Sobre os intervalos para hidratação Esses intervalos fazem parte dos torneios de futebol modernos. Eles visam o bem-estar dos jogadores, como resposta às condições de calor cada vez mais intensas, nas quais o jogo é disputado. As condições de calor estão a alcançar novos recordes praticamente todos os anos, devido ao aquecimento global.
Sobre o ritmo da partida O impacto do calor é visível no jogo. Nessas condições, os jogadores podem ter que gerir o esforço de maneira diferente — ao repensar quando pressionar, quando recuperar e quando desacelerar o jogo.
Sobre as substituições Nesse tipo de calor, as substituições deixam de ser apenas táticas. Passam também a ser uma ferramenta essencial de gestão da carga física e de proteção da saúde dos jogadores.
Sobre a segurança dos adeptos Os jogadores contam com equipas médicas, intervalos para refrescar e ambientes controlados. Os adeptos fora do estádio — nas filas, nas zonas de adeptos e nos espaços públicos — podem ficar expostos ao sol por muito mais tempo.
Sobre o panorama geral O aquecimento global está a influenciar o desporto como um todo, incluindo o futebol. A ciência já se pronunciou: o aumento de fenómenos de calor extremo não afeta apenas o jogo em si, mas também representa riscos mais amplos para a saúde, meios de subsistência, segurança alimentar e economias.
Sobre as soluções O futebol está a adaptar-se com pausas para arrefecimento, protocolos contra o calor e um melhor planeamento. Mas a adaptação por si só não é suficiente. Reduzir a poluição causada pelos combustíveis fósseis — carvão, petróleo e gás — é o que realmente protege o futuro do futebol.
O que observar durante as partidas
Esta história pode ser contada de forma natural quando ocorrer qualquer uma das seguintes situações como:
Pausas para hidratação, uso de toalhas refrescantes, coletes de gelo ou ventiladores com nebulização;
Jogadores visivelmente cansados, com cãibras ou com menor a intensidade de pressão;
Guarda-redes e defensas a demorarem mais para reiniciar o jogo, para ajudar a controlar o ritmo;
Substituições mais cedo do que o habitual;
Equipa médica a tratar casos de stress térmico ou desidratação;
Grandes zonas de adeptos ao ar livre, filas, interrupções no transporte ou alertas de saúde pública;
Para mais informações: dgoggins@unfccc.int / +447410696642