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ONU lança Plano Global de 2 mil milhões de dólares para combater Covid–19

Plano vai apoiar resposta ao Covid–19 na América Latina, Ásia, África e Médio Oriente

O secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou esta quarta-feira, 25 de março, o lançamento de um Plano Global coordenado de resposta humanitária para combater o Covid-19 em alguns dos países mais vulneráveis do mundo, para proteger milhões de vidas e travar a propagação do vírus pelo mundo. O Plano pretende ajudar a travar a propagação do vírus na América Latina, Ásia, África e Médio Oriente.

O Covid-19 já matou mais de 16 mil pessoas em todo o mundo e há já cerca de 400 mil casos reportados. O vírus está agora a chegar a países que já viviam crises humanitárias devido a conflitos, desastres naturais e alterações climáticas.

Este Plano de Resposta será implementado por agências da ONU em colaboração com Organizações Não-Governamentais e irá fornecer equipamento laboratorial e produtos essenciais para o teste do vírus e o tratamento das pessoas, instalar pontos de lavagem de mãos em campos e assentamentos, promover campanhas de informação pública sobre como as pessoas se podem proteger a si e aos outros do vírus, estabelecer pontes aéreas em África, na Ásia e na América Latina para a circulação de trabalhadores humanitários e de bens.

Durante a apresentação virtual deste Plano, feita a partir de Nova Iorque, o secretário-geral da ONU lembrou que “o Covid-19 está a ameaçar toda a humanidade e, por isso, toda a humanidade tem de reagir. A resposta individual dos países não será suficiente.”

“Precisamos de ajudar os mais vulneráveis, milhões e milhões de pessoas que são menos capazes de se proteger. Esta é uma questão básica de solidariedade humana. Também é crucial para combater o vírus. Este é o momento de apoiar os vulneráveis.”, adiantou ainda o líder da ONU.  

Para o subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, o “Covid-19 já mudou a vida de alguns dos países mais ricos do mundo. Agora está a chegar a lugares onde as pessoas vivem em zonas de guerra, não têm acesso a água potável e sabão, nem a uma cama de hospital, na eventualidade de ficarem gravemente doentes.

“Seria cruel e imprudente deixar os países mais pobres e vulneráveis do mundo à sua sorte. Se permitirmos que o coronavírus se propague livremente nesses países, estaremos a colocar milhões em alto risco, regiões inteiras levadas ao caos e o vírus terá a oportunidade de continuar a circular pelo mundo.”, explicou o também responsável pela coordenação humanitária da ONU.

Para Lowcock, “os países que estão a lutar contra a pandemia dentro das suas fronteiras estão, com razão, a dar prioridade às pessoas que vivem nas suas comunidades. Mas a dura verdade é que eles não irão conseguir proteger o seu próprio povo se não agirem agora para ajudar os países mais pobres.”

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, que também participou no lançamento online deste Plano, lembra que “o vírus está agora a espalhar-se em países com sistemas de saúde fracos, incluindo alguns que já estão a enfrentar crises humanitárias. Estes países precisam do nosso apoio, por solidariedade, mas também para nos proteger e ajudar a travar esta pandemia. Ao mesmo tempo, não devemos combater a pandemia às custas de outras emergências de saúde humanitária.”

Para a diretora-executiva da UNICEF, Henrietta Fore, “as crianças são as vítimas ocultas da pandemia do Covid-19.

O encerramento das escolas está a afetar a sua educação, saúde mental e acesso a serviços básicos de saúde. Os riscos de exploração e abuso são maiores do que nunca. Haverá consequências como nunca vimos para as as crianças deslocadas ou que vivem em regiões de conflito.”

Durante o lançamento virtual do Plano Global de Resposta Humanitária Global para o Covid-19, o secretário-geral da ONU apelou aos Estados-membros para que se  comprometam a conter o impacto do Covid-19 em países vulneráveis, dando o maior apoio possível ao Plano, além de sustentar o apoio central aos apelos humanitários existentes que ajudam mais de 100 milhões de pessoas que dependem da assistência humanitária da ONU para sobreviver.

Os Estados-membros foram alertados para o facto de que qualquer desvio de financiamento das operações humanitárias existentes poderá criar uma situação em que a propagação da cólera, do sarampo e da meningite pode aumentar e mais crianças podem ficar desnutridas.

Para iniciar o Plano de Resposta, o subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários libertou US $ 60 milhões adicionais do Fundo Central de Resposta de Emergência (CERF) da ONU. O apoio total do CERF à ação humanitária para responder à pandemia do COVID-19 sobe assim para os US $ 75 milhões.

Essa nova alocação do CERF, uma das maiores já realizadas, apoiará: o Programa Alimentar Mundial a garantir a continuidade das cadeias de alimentos e o transporte de trabalhadores humanitários; a Organização Mundial de Saúde a conter a propagação da pandemia; e outras agências a fornecer assistência humanitária e proteção às pessoas mais afetadas pela pandemia, incluindo mulheres e meninas, refugiados e pessoas deslocadas internamente. O apoio incluirá esforços em torno da segurança alimentar, saúde física e mental, água e saneamento, nutrição e proteção.

ONU News

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