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Ayshe and Eleni, Amigas – Chipre

Ayshe and Eleni, Amigas
Antonia Maria Nicolaides
Ayshe and Eleni, Amigas
Antonia Maria Nicolaides

Ayshe and Eleni, Amigas
Chipre

“A nossa ilha continua dividida. Mas graças à ONU estamos em paz, podemos deslocar-nos facilmente, trabalhar juntos e fazer amigos.”

Chipre tornou-se independente em 1960. Em 1964, perante as tensões entre cipriotas gregos e cipriotas turcos, o Conselho de Segurança pediu ao secretário-geral que usasse os seus bons ofícios nomeando um mediador para promover um acordo e estabeleceu a Força de Manutenção da Paz das Nações Unidas em Chipre (UNFICYP) para prevenir combates e manter a lei e a ordem, esforços que continuam até hoje. Embora a ilha permaneça dividida, Ayshe e Eleni conheceram-se através do programa Jovens Líderes em Ação da UNFICYP e são amigas desde então.

 

Zahoor, Agricultor – Afeganistão

Zahoor Afeganistão
UNODC/Abel Kavanagh
Zahoor Afeganistão
UNODC/Abel Kavanagh

Zahoor, Agricultor
Afeganistão

“Com o apoio da ONU, fiz a transição do cultivo de ópio para a produção de couves. Recebi formação em agricultura moderna e fornecimento de pesticidas para proteger as minhas colheitas.”

Com o apoio do Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime (UNODC), Zahoor e milhares de outros agricultores afegãos deixaram o cultivo do ópio para adotarem a agricultura legal, transformando a terra numa fonte de esperança e de rendimento sustentável. Esta iniciativa também contribui para tornar o mundo mais seguro face às drogas.

 

Milena, advogada de direitos humanos – Suíça

Milena
UNIS Geneva/Emmanuel Hungrecker
Milena
UNIS Geneva/Emmanuel Hungrecker

Milena, advogada de direitos humanos
Suíça

“No meu trabalho de representação das crianças, a Convenção sobre os Direitos da Criança fornece garantias essenciais para a proteção dos direitos das crianças, responsabilizando os Estados pela sua implementação dentro da sua jurisdição.”

A Convenção sobre os Direitos da Criança (CDC) define os direitos humanos fundamentais de todas as crianças, incluindo o direito à sobrevivência, proteção, educação e participação. A UNICEF, como agência líder da ONU neste domínio, apoia os países na concretização destes compromissos, ajudando milhões de crianças em todo o mundo.

 

Alerta ONU: risco de atrocidades no Sudão aumenta

© UNICEF/Mohammed Jamal

Atrocidades graves, incluindo execuções sumárias, estão a ser cometidas na capital regional darfuriana de El Fasher pela milícia Forças de Apoio Rápido (RSF), de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

A agência recebeu relatos de execuções sumárias de civis que tentavam escapar do que era o último reduto do governo militar sudanês em El Fasher, com indícios de motivações étnicas para os assassinatos, e de ex-combatentes que entregaram as suas armas, o que é proibido pelo direito humanitário.

“O risco de novas violações e atrocidades em grande escala, motivadas por razões étnicas, está a aumentar a cada dia em El Fasher”, alertou o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk.

“Medidas urgentes e concretas”

“É necessário tomar medidas urgentes e concretas para garantir a proteção dos civis em El Fasher e a passagem segura daqueles que tentam alcançar um lugar relativamente seguro.”

Os alarmantes relatos surgem num momento em que a situação humanitária no Sudão continua a deteriorar-se desde o início do conflito em 2023. Com mais de 12 milhões de pessoas deslocadas ou apátridas e mais de 24 milhões a passar fome, a crise no Sudão é considerada uma das mais graves do mundo.

Centenas de pessoas terão sido detidas enquanto tentavam fugir, incluindo um jornalista, disse o ACNUDH. Houve também relatos de numerosas mortes de civis, incluindo voluntários humanitários locais, devido a intensos bombardeamentos na semana passada.

“Interferência externa”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse aos jornalistas, durante uma visita ao Sudeste Asiático na segunda-feira, que a situação representa uma “terrível escalada” do conflito, sublinhando que é hora da comunidade internacional condenar os países que estão a interferir na guerra e “fornecendo armas” às partes em conflito, instando-os a concordar com um cessar-fogo.

Guterres salientou que o problema não é apenas o combate entre o exército e a RSF, mas também a crescente “interferência externa” que compromete as perspetivas de um cessar-fogo e de uma solução política.

Desnutridos e traumatizados

“Os civis que escapam de El Fasher são muitas vezes mantidos como reféns ao longo da estrada, parte da qual está sob controlo da milícia”, afirmou Denise Brown, coordenadora humanitária da ONU para o Sudão, na conferência de imprensa de segunda-feira.

A responsável afirmou que as organizações humanitárias têm recebido adultos e crianças “desidratados, desnutridos, alguns feridos e todos traumatizados”.

De acordo com relatos recebidos pelo ACNUDH, cinco homens foram executados pelas Forças de Apoio Rápido (RSF) por tentarem levar alimentos para a cidade, que está sob bloqueio da milícia há 18 meses, num contexto de guerra civil brutal entre a RSF e o exército sudanês.

Brown acrescentou que algumas das vítimas da RSF terão sido acusadas de apoiar as Forças Armadas do Sudão (SAF) e que as informações recebidas indicam que dezenas de civis foram mortos.

Destacou ainda que a grave falta de financiamento, apenas 27% do montante solicitado, tem impedido a ONU de responder às necessidades de pessoas “traumatizadas, violadas e famintas”.

Trabalhadores humanitários em risco

Brown afirmou que quase 130 trabalhadores humanitários foram mortos desde o início do conflito, em abril de 2023, e que há relatos de voluntários assassinados em El Fasher.

“Estas pessoas são o pilar da resposta humanitária nas zonas mais difíceis e estão também protegidas pelo direito humanitário internacional”, acrescentou.

Türk reiterou que os comandantes das Forças de Apoio Rápido (RSF) têm a obrigação, ao abrigo do direito internacional, de proteger os civis e garantir a passagem segura da ajuda humanitária.

*Artigo de autoria da ONU News

Pedro, Globetrotter – Portugal

Pedro, Globetrotter
Personal Archive
Pedro, Globetrotter
Photo: Personal Archive

Pedro, Globetrotter
Portugal

“Estou numa viagem pela Ásia. Fiquei surpreendido ao saber que posso aceder a previsões meteorológicas no meu smartphone graças à coordenação da ONU.”

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) é uma agência especializada das Nações Unidas. Coordena o trabalho dos Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais. Ao facilitar a troca de dados em tempo real, previsões e alertas precoces, a OMM sustenta serviços que protegem vidas e meios de subsistência em todo o mundo — desde aplicações meteorológicas locais até à aviação e navegação globais.

 

Eleni, Mãe e Avó – Grécia

Eleni, Mãe e Avó Portrait
Photo : Thrasyvoulos Douvlis
Eleni, Mãe e Avó Portrait
Photo: Thrasyvoulos Douvlis

Eleni, Mãe e Avó
Grécia

“Quando a Segunda Guerra Mundial terminou, lembro-me do pessoal da ONU a distribuir roupas na minha aldeia, Koukouli. Mesmo roupas em segunda mão eram uma grande ajuda. A Grécia estava devastada pela guerra, e a ajuda humanitária da ONU foi um salva-vidas na minha infância.”

Após a Segunda Guerra Mundial, a Administração de Socorro e Reabilitação da ONU planeou, coordenou, administrou e entregou ajuda, incluindo alimentos, vestuário, abrigo e medicamentos. Só na Grécia, distribuiu 1,7 milhões de toneladas de alimentos, 12.500 toneladas de roupa e 1.250 toneladas de produtos médicos.

Zambujal 360: o primeiro bairro social embaixador dos ODS

Foto: Milan Pieteraerents

O Zambujal 360, uma iniciativa que alia arte urbana, sustentabilidade e inclusão social, teve a sua inauguração oficial no dia 22 de outubro, marcando o início de uma nova etapa de transformação social, cultural e ambiental no bairro do Zambujal, no concelho da Amadora. O bairro pretende ser o primeiro bairro social do mundo embaixador dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.

Promovido pela associação CAZAmbujal e pela ONG Ad Gentes, o projeto assenta em três eixos principais: comércio local, educação pela e educação pela arte. Entre os seus principais objetivos estão fortalecer a economia do bairro, promover o bem-estar dos moradores através da atividade física e reforçar o sentimento de pertença local através da expressão artística.

Foto: Milan Pieteraerents

Um dos pilares do projeto é a criação de uma galeria de arte urbana composta por 17 murais, cada um representando um dos ODS. Essas obras não apenas embelezam o bairro, mas também funcionam como ferramentas de sensibilização e de educação para a sustentabilidade. Cada mural foi concebido com a participação ativa dos moradores, refletindo as suas histórias e perspectivas e está associado a uma entidade madrinha e financiadora que apoia atividades de cidadania global, como visitas guiadas, formação para escolas e empresas e promoção de modelos de negócio sustentáveis.

O projeto da galeria foi concebido em 2021, financiado nos dois anos seguintes e executado entre 2023 e 2025, nas fachadas de diversos edifícios do bairro. Para além das 17 entidades que financiaram os 17 murais, o Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC) é parceiro institucional desde o início desta iniciativa. 

Além da arte, o Zambujal 360 dedica-se à formação de jovens e à dinamização cultural e social, promovendo a requalificação de espaços urbanos e criando oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento de competências. O impacto do projeto tem ultrapassado as fronteiras locais, atraindo visitas de escolas, universidades e grupos educativos interessados em práticas sustentáveis e envolvimento comunitário.

Foto: Milan Pieteraerents

A inauguração reuniu os responsáveis das 17 entidades-madrinhas do projeto em clima de festa, nas imediações da CAZambujal, e contou com momentos musicais, almoço, entrega de diplomas e discursos de parceiros e autoridades locais, que destacaram o impacto social e sustentável do Zambujal 360. O evento terminou com o hastear da bandeira dos ODS e uma visita guiada à galeria de arte urbana do bairro.

80 Anos das Nações Unidas: Lisboa acolhe debate sobre futuro da ONU e do multilateralismo

Foto: Milan Pieteraerents | Painel de discussão sobre 'A Reforma das Nações Unidas – oportunidade ou ilusão?' com Rui Vinhas, Maria de Fátima Monteiro Jardim, Miguel de Serpa Soares, Maria Francisca Saraiva e Sherri Aldis.

Especialistas, diplomatas e representantes das Nações Unidas reuniram-se nesta quarta-feira no Instituto Superior de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa para discutir os desafios do multilateralismo e as perspetivas de reforma da ONU. A conferência foi organizada pelo Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC), pelo Instituto Diplomático e pelo ISCSP, e marcou os 80 anos das Nações Unidas e os 70 anos da adesão de Portugal à organização.

A sessão de abertura da conferência contou com discursos de Ricardo Ramos Pinto, presidente do ISCSP/UL, Ana Paula Zacarias, diretora do Instituto Diplomático, Sherri Aldis, diretora do Centro Regional de Informação da ONU para a Europa Ocidental, Paulo Rangel, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros e uma mensagem em vídeo do secretário-geral da ONU António Guterres. 

O discurso de Rangel destacou-se pela defesa firme do multilateralismo e pela chamada à reforma do Conselho de Segurança. Sublinhou que “Portugal será sempre um defensor irredutível” deste modelo de cooperação internacional e a importância de investir nas relações bilaterais.

Foto: Milan Pieteraerents | Discurso de Paulo Rangel, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros

A reforma da ONU

O painel “A Reforma das Nações Unidas – oportunidade ou ilusão?” centrou-se na urgência e nas possibilidades de reformar a ONU para responder aos desafios do mundo contemporâneo. O debate teve participação de Rui Vinhas, representante permanente de Portugal junto da ONU, Maria de Fátima Monteiro Jardim, secretária executiva da CPLP, Miguel de Serpa Soares, ex-subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Jurídicos e Maria Francisca Saraiva, professora universitária e investigadora do CAPP-ISCSP/UL. 

Rui Vinhas destacou que a reforma da ONU é complexa, mas inevitável, dada a ampla concordância sobre a necessidade de mudança. Ele alertou que a crise orçamental torna a reforma urgente e prevê um sistema mais compacto, com menor presença global. “O meu prognóstico é que, no futuro, teremos um sistema mais pequeno e menos presença da ONU no mundo”, afirmou.

Maria de Fátima Monteiro Jardim destacou a importância de consolidar a reforma iniciada por António Guterres e de promover uma ONU mais descentralizada e eficaz, lembrando que “não podemos deixar de ver mulheres e jovens como prioridade”. Miguel de Serpa Soares ressaltou que algumas reformas, como a do secretariado, são mais simples, enquanto outras, como a do Conselho de Segurança, permanecem desafiadoras. Maria Francisca Saraiva afirmou que a atual conjuntura exige mudanças estruturais profundas, em contraste com as reformas incrementais de crises anteriores.

Entrevista com Catarina Furtado e o UNFPA

A entrevista com Catarina Furtado, embaixadora da Boa Vontade do UNFPA, destacou a importância do trabalho da agência no terreno, particularmente na saúde sexual e reprodutiva, e a necessidade de ampliar a voz das mulheres. Catarina lembrou que cortes de financiamento, como os dos EUA, têm consequências diretas e trágicas, e apelou à renovação do compromisso com a ONU e o UNFPA: “As mulheres continuam a morrer por causas evitáveis”.

Foto: Milan Pieteraerents | Entrevista com Catarina Furtado, embaixadora da Boa Vontade do UNFPA

Portugal e os 70 anos de adesão à ONU

O segundo painel analisou os 70 anos de adesão de Portugal à ONU e os desafios do multilateralismo contemporâneo. Helena Malcata, diretora-geral de Política Externa do Ministério dos Negócios Estrangeiros, destacou que a consolidação da democracia reforçou a presença de Portugal na organização e que a política externa consistente do país tem sido determinante nesse percurso.

Mário Parra da Silva, secretário-geral da UNA Portugal, sublinhou a importância de aproximar os valores da ONU dos cidadãos, enquanto André Cardoso, presidente do Conselho Nacional da Juventude, enfatizou a necessidade de envolver jovens e instituições de ensino na agenda global.

O evento continuou com uma entrevista ao tenente-general Pedro Gonçalves Soares, ex-2.º Comandante da MINUSCA, que evidenciou o contributo de Portugal nas missões de manutenção da paz da ONU, destacando o profissionalismo das Forças Armadas portuguesas e o papel do país na promoção da segurança internacional.

Foto: Milan Pieteraerents | Painel ‘Os 70 anos de adesão de Portugal à ONU e o Futuro do Multilateralismo’, com Luísa Meireles, Helena Malcata, Mário Parra da Silva e André Cardoso.

Encerramento

A sessão de encerramento ocorreu sem a presença do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, devido ao falecimento do ex-primeiro-ministro Francisco Pinto Balsemão. O reitor da Universidade de Lisboa, Luís Manuel dos Anjos Ferreira, prestou homenagem ao ex-primeiro-ministro e destacou o papel da ONU na prevenção de conflitos, promoção dos direitos humanos e resposta a crises humanitárias, recordando o contributo de Portugal em missões internacionais.

O reitor concluiu apelando à ação coletiva e à renovação do pacto que une a humanidade: “Que as Nações Unidas nos próximos 80 anos sejam uma organização ainda mais justa, mais próxima, mais humana; e que Portugal, com a sua história, a sua língua e o seu compromisso com o diálogo, continue a ser parte ativa dessa construção.”

Dia das Nações Unidas

UN Photo/Loey Felipe

O SECRETÁRIO-GERAL

24 de outubro de 2025

“Nós, os povos das Nações Unidas…”

Estas não são apenas as palavras de abertura da Carta das Nações Unidas, elas definem quem somos.

As Nações Unidas são mais do que uma instituição. São uma promessa viva, que atravessa fronteiras, une continentes e inspira gerações.

Ao longo de oitenta anos, trabalhámos para construir a paz, combater a pobreza e a fome, promover os direitos humanos e construir um mundo mais sustentável, juntos.

Ao olharmos para o futuro, enfrentamos desafios de uma dimensão impressionante: conflitos em escalada, caos climático, tecnologias descontroladas e ameaças ao próprio fundamento da nossa instituição.

Não há tempo para hesitações nem recuos.

Agora, mais do que nunca, o mundo deve renovar o seu compromisso em resolver problemas que nenhuma nação pode enfrentar sozinha.

Neste Dia das Nações Unidas, unamo-nos e cumpramos a promessa extraordinária das vossas Nações Unidas.

Mostremos ao mundo o que é possível quando “nós, os povos” escolhemos agir como um só.

Mensagem para o Dia Mundial das Estatísticas

Foto de Jakub Żerdzicki no Unsplash

O SECRETÁRIO-GERAL

20 de outubro de 2025

O Dia Mundial das Estatísticas é uma ocasião assinalada uma vez a cada cinco anos para destacar o papel vital das estatísticas na ajuda a enfrentar os desafios do nosso tempo.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ajudaram a transformar os sistemas estatísticos e a aumentar a disponibilidade de dados. Em tempos de crise, como a pandemia da COVID-19, os sistemas estatísticos provaram a sua resiliência, fornecendo os dados que orientaram decisões que salvaram vidas, bem como a recuperação social e económica.

À medida que enfrentamos desafios globais cada vez mais interligados – desde as alterações climáticas ao aumento das desigualdades – dados oportunos, precisos, desagregados e independentes nunca foram tão essenciais.

A celebração deste ano reafirma o nosso compromisso para com os Princípios Fundamentais das Estatísticas Oficiais: imparcialidade, profissionalismo e compromisso com princípios científicos e ética profissional. Os cidadãos em todo o mundo merecem dados confiáveis para informar as políticas públicas e reforçar a responsabilização.

Vamos aproveitar este dia para promover o poder dos dados no avanço do desenvolvimento sustentável para todos.

Gaza: ONU esforça-se para intensificar a entrega de ajuda

ONU News | Muita da Faixa de Gaza continua em ruínas após dois anos de guerra.

Enquanto um frágil cessar-fogo se mantém na Faixa de Gaza, as equipas de ajuda da ONU intensificam os esforços para fornecer assistência urgentemente necessária.

Na quinta-feira, o coordenador de Ajuda de Emergência da ONU, Tom Fletcher, dirigiu-se a Rafah, na fronteira sul da Faixa de Gaza, vindo da capital egípcia, Cairo, descrevendo a passagem principal de Rafah como uma “linha de vida vital para alimentos, medicamentos, tendas e outras ajudas essenciais para salvar vidas”.

Fletcher disse à BBC Radio 4 que o papel da “comunidade internacional coletiva” é essencial para a entrega de ajuda, acrescentando que estava em contacto muito próximo com a Casa Branca, “que está determinada a que nos seja permitido fornecer ajuda em grande escala.”

A agência da ONU que apoia os refugiados palestinianos, a UNRWA, informou que dispõe de alimentos suficientes fora de Gaza para sustentar a população durante três meses, mas afirmou que as autoridades israelitas continuam a bloquear a sua entrada, apesar do cessar-fogo entre Israel e o Hamas.

UNRWA continua a ser a “espinha dorsal”

O porta-voz da UNRWA, Adnan Abu Hasna, disse à UN News que, com a sua rede de distribuição de ajuda incomparável, a agência deve ser a “espinha dorsal” do esforço de socorro reforçado, e que, se Israel continuar a excluí-la, isso significaria “uma perda da confiança da população”.

“Não vemos absolutamente nenhuma justificação para Israel não permitir a entrada desta enorme quantidade de ajuda, que custou dezenas de milhões de dólares, no país.”

Segundo ele, ainda existem cerca de 12.000 funcionários a trabalhar dentro de Gaza, incluindo cerca de 8.000 professores que se esforçam para permitir que 640.000 estudantes retomem os estudos após dois anos de educação perdida.

A UNRWA também desempenhou um papel crucial no apoio psicológico, com cerca de 800.000 consultas realizadas. Noventa por cento das instalações da UNRWA foram destruídas e 370 colegas foram mortos em Gaza: “A única coisa que mudou para nós é a nossa incapacidade de distribuir alimentos, mesmo tendo capacidades logísticas”, afirmou.

Entretanto, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) declarou que tem mais de 1.300 camiões carregados com fornecimentos essenciais prontos para serem enviados, sublinhando que as necessidades humanitárias continuam imensas.

© UNICEF/Mohammed
Nateel | Palestinianos deslocados viajam pela estrada costeira de regresso ao norte da Faixa de Gaza.

Ainda no limbo

A porta-voz do UNICEF, Tess Ingram, a falar no terreno numa publicação nas redes sociais na quinta-feira, descreveu os desafios contínuos enfrentados pelas equipas de socorro enquanto aguardam acesso para entregar assistência crítica.

“Nove em cada dez casas na Faixa de Gaza foram danificadas ou destruídas”, disse. “Isto significa que famílias por toda a Faixa de Gaza estão a regressar a cenas como esta, um esqueleto de cidade, os restos de um edifício, tentando perceber como seguir em frente.”

O escritório de coordenação de ajuda da ONU, OCHA, afirmou que os abastecimentos provenientes do Egito ainda têm de fazer um longo desvio até à passagem de Kerem Shalom para inspeções israelitas, à espera da abertura da passagem de Rafah para a ajuda.

O chefe da Coordenação Humanitária da ONU, Fletcher, sublinhou a necessidade de todas as passagens estarem abertas para permitir um aumento massivo da entrega de ajuda.

“A comunidade humanitária não consegue fornecer ajuda à escala necessária sem a presença e o envolvimento das ONG internacionais”, disse o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, numa conferência de imprensa em Nova Iorque na quinta-feira.

“Atualmente, as autoridades israelitas não emitem vistos para várias ONG internacionais e não autorizam muitas delas a enviar abastecimentos para Gaza.”

Dujarric destacou algumas melhorias específicas na entrega de ajuda da ONU: “Só na terça-feira, 21 dos nossos parceiros distribuíram quase 960.000 refeições através de 175 cozinhas. As padarias que apoiamos produziram mais de 100.000 pacotes de pão de dois quilos. O UNICEF distribuiu mais de um milhão de fraldas para bebés.”

Fornecimentos médicos essenciais

A Organização Mundial da Saúde (OMS) conseguiu entregar três camiões carregados de material cirúrgico e outros fornecimentos médicos essenciais à farmácia central de Gaza, que serão transferidos para o Hospital Al-Shifa, servindo as necessidades de cerca de 10.000 pessoas.

A OMS também destacou uma equipa médica internacional de emergência para reforçar a cirurgia ortopédica e os cuidados de trauma em Gaza.

As equipas da ONU terminaram igualmente a limpeza das estradas principais que levam às passagens de Erez e Zikim, nas zonas devastadas do norte de Gaza, antecipando a sua possível reabertura.

*Artigo de autoria da ONU News

Mensagem para o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

O SECRETÁRIO-GERAL

 17 de outubro de 2025

Muitas vezes, as pessoas que vivem na pobreza são culpabilizadas, estigmatizadas e empurradas para a sombra.

No entanto, a pobreza não é um fracasso pessoal; é um fracasso sistémico, uma negação da dignidade e dos direitos humanos.

O Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza deste ano apela a todos nós para pôr fim ao tratamento social e institucional injusto das pessoas em situação de pobreza e para honrar a promessa dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de erradicar a pobreza em todas as suas formas, em todo o lado.

Isto requer políticas que não deixem ninguém para trás: cuidados de saúde e habitação acessíveis; trabalho digno e salários justos; proteção social universal; segurança alimentar; educação de qualidade e financiamento que funcione para os países e comunidades.

Neste Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, rejeitemos o estigma e a discriminação.

Apoiemos as pessoas que vivem na pobreza e atuemos com solidariedade para acabar de vez com a pobreza.

Mensagem para o Dia Mundial da Alimentação

 O SECRETÁRIO-GERAL

16 de outubro 2025

Há oitenta anos, num mundo devastado pela guerra, os países uniram-se para derrotar a fome. Nas décadas que se seguiram, o mundo alcançou progressos notáveis. No entanto, as crises recentes demonstram que não podemos baixar a guarda se quisermos preservar essas conquistas.

Temos as ferramentas, o conhecimento e os recursos para acabar com a fome e garantir uma alimentação saudável e de qualidade para todos. O que precisamos é de união.

Hoje, em todo o mundo, 673 milhões de pessoas ainda se deitam com fome todas as noites. Muitas mais vivem diariamente com incerteza sobre a sua próxima refeição. O progresso global é demasiado lento e, em algumas regiões, está mesmo a recuar.

Novos desafios surgiram ao longo das décadas, desde o aumento alarmante da obesidade até aos choques climáticos que ameaçam a segurança alimentar. Vergonhosamente, a fome está a ser usada como arma: enfrentamos a terrível realidade de pessoas em zonas de conflito a serem deliberadamente privadas de comida, com a fome a instalar-se.

O tema do Dia Mundial da Alimentação deste ano, “De mãos dadas por uma alimentação melhor e um futuro melhor”, é um apelo à solidariedade entre fronteiras, setores e comunidades. Este apelo reflete as prioridades expressas pelos países durante a Revisão da Cimeira dos Sistemas Alimentares, realizada em julho, e o Apelo à Ação das Nações Unidas, que identifica seis áreas prioritárias de intervenção.

Respondamos a este apelo. Unamo-nos, mais uma vez, para construir sistemas alimentares que nutram as pessoas e protejam o planeta.

Porque é que mais de 670 milhões de pessoas passam fome?

© FAO/Alessandra Benedetti | A FAO está a apoiar pessoas deslocadas na República Democrática do Congo através de transferências monetárias e assistência agrícola.

Mais de oito por cento da população mundial, ou cerca de 673 milhões de pessoas, não estão a receber alimento suficiente e passam fome, segundo a ONU.

Os conflitos, as alterações climáticas e a desigualdade desempenham um papel, mas existem outras razões para aquilo que é designado de forma bastante seca como “insegurança alimentar”.

Às vésperas do Dia Mundial da Alimentação, a 16 de outubro, aqui estão cinco coisas que precisa de saber sobre porque é que, mesmo havendo comida suficiente para alimentar a população mundial de mais de oito mil milhões de pessoas, ainda assim há quem passe fome.

  1. Conflito e instabilidade política

Os conflitos armados, como os da Ucrânia, Sudão e Gaza, perturbam a produção de alimentos, as cadeias de abastecimento e o acesso aos mercados. Isto leva ao deslocamento de pessoas, criando insegurança alimentar aguda para milhões.

No Haiti, cerca de 5,7 milhões de pessoas, aproximadamente metade da população, muitas das quais fugiram das suas casas devido à violência, enfrentam uma situação de segurança alimentar deteriorada, com impressionantes 1,9 milhões em níveis de emergência.

Em zonas de conflito, a ONU, principalmente através do Programa Alimentar Mundial (PAM), fornece ajuda alimentar imediata às populações em situação de insegurança alimentar aguda.

As comunidades afetadas também recebem sementes, gado e ferramentas agrícolas para que possam cultivar os seus próprios alimentos e não depender exclusivamente da ajuda.

© PAM/Tanya Birkbeck | O PAM distribui alimentos aos residentes da Cité Soleil, afetada por gangues, na capital do Haiti, Porto Príncipe.
  1. Alterações climáticas e fenómenos meteorológicos extremos

A crescente variabilidade climática, incluindo secas, inundações e ondas de calor, dificulta a capacidade dos agricultores de produzir alimentos. Isto prejudica a produtividade agrícola e a disponibilidade de alimentos, especialmente em regiões vulneráveis.

Somália, Sudão, Sudão do Sul, Mali, Burquina Faso, República Democrática do Congo (RDC), Nigéria e Etiópia enfrentam insegurança alimentar aguda devido a uma combinação de conflito, secas, inundações e desertificação.

A Somália, por exemplo, enfrenta sua pior seca em quatro décadas, acumulando anos de conflito e deslocamento.

A ONU promove práticas agrícolas resilientes ao clima para mitigar o impacto dos choques ambientais e adaptar-se às novas normas meteorológicas, como a técnica agrícola da meia-lua na região do Sahel, em África.

© UNICEF/Zerihun | Sewunet Um menino roda um recipiente de água em Dollow, na fronteira da Somália com a Etiópia.
  1. Choques económicos e inflação

As recessões económicas globais e regionais, a subida dos preços dos alimentos e da energia e a inflação combinam-se para reduzir o poder de compra e o acesso a alimentos nutritivos, especialmente nos países de baixos rendimentos.

A pandemia da COVID-19, a guerra na Ucrânia e os choques climáticos contribuíram para aumentos nos preços dos alimentos entre 2020 e 2024.

À medida que os preços dos alimentos subiram, os salários reais caíram e a inflação aumentou; as pessoas, especialmente nos países de baixos rendimentos, tiveram menos capacidade de comprar alimentos nutritivos e muitas vezes fizeram menos refeições por dia.

Durante períodos de choques económicos e inflação, as Nações Unidas aumentam a distribuição de rações alimentares e suplementos nutricionais, bem como transferências em dinheiro para ajudar as famílias a comprar alimentos localmente, apoiando tanto a nutrição como os mercados locais.

© PAM/Arete/Damilola Onafuwa | Uma menina de dois anos come um suplemento nutricional num centro de saúde em Maiduguri, no norte da Nigéria.
  1. Pobreza estrutural e desigualdade

A pobreza enraizada e a desigualdade social limitam o acesso a alimentos e recursos, especialmente em comunidades rurais e marginalizadas, perpetuando a fome crónica.

Os baixos rendimentos, a fraca infraestrutura e os serviços locais muitas vezes significam que os grupos marginalizados (especialmente mulheres e comunidades indígenas) não têm acesso suficiente a alimentos.

Quase 700 milhões de pessoas vivem em extrema pobreza globalmente, com dois terços residindo na África Subsaariana, segundo a ONU.

A ONU, através de várias agências, procura reforçar os sistemas de proteção social e passar de uma ajuda humanitária focada em crises para um modelo em que os países de baixos rendimentos conduzam o desenvolvimento de sistemas alimentares resilientes, inclusivos e sustentáveis.

Esta abordagem capacita as comunidades a reduzir a fome, desenvolver capacidades locais e melhorar a segurança alimentar a longo prazo.

© IFAD/GMB Akash | No Bangladesh, os agricultores estão a cultivar culturas mais resistentes às alterações climáticas.
  1. Perturbações comerciais e volatilidade dos mercados

Restrições às exportações, tarifas e preços voláteis das matérias-primas podem desestabilizar os mercados alimentares, tornando os alimentos menos acessíveis e mais caros nos países com défice alimentar.

Bangladesh, Paquistão e Sri Lanka enfrentam volatilidade nos preços dos alimentos e desafios de endividamento. Estes problemas são agravados pela incerteza nas políticas comerciais, especialmente tarifas globais e inflação.

Isto limita, em última análise, o acesso das pessoas a alimentos acessíveis.

Mapa da Fome: Hunger Map 2025 | FAO | Food and Agriculture Organization of the United Nations

O Brasil e o México experienciaram revisões em baixa do crescimento devido a tensões comerciais e inflação. Isto enfraqueceu o consumo e aumentou a insegurança alimentar nas comunidades de baixos rendimentos.

A ONU apoia os países afetados de várias formas.

Monitoriza os preços globais, oferece orientação política e coordena respostas internacionais para ajudar os países a lidar com as crises interligadas de alimentos, energia e finanças. Estes esforços visam estabilizar os mercados e proteger os mais vulneráveis.

*Artigo de autoria da ONU News

Gaza: Reféns libertados, começa o aumento da ajuda humanitária

© UNOCHA | Crianças em Gaza celebram o cessar-fogo.

Na segunda-feira, o secretário-geral da ONU saudou a libertação de todos os reféns vivos de Gaza, enquanto as agências humanitárias informaram que os fornecimentos de ajuda vital estão agora a chegar em grande escala ao enclave devastado.

António Guterres expressou o seu “profundo alívio” pelo facto de os reféns terem sido libertados, dois anos depois de estarem entre os cerca de 250 sequestrados durante os ataques terroristas liderados pelo Hamas em Israel, a 7 de outubro de 2023, sublinhando o seu “imenso sofrimento”.

As declarações do secretário-geral ocorreram enquanto se dirigia para Sharm el-Sheikh, no Egito, juntamente com líderes mundiais, para a cimeira pela paz em Gaza. O encontro internacional foi convocado após as forças israelitas terem se retirado de partes de Gaza, em conformidade com um acordo entre Israel e o Hamas, mediado no Egito por representantes dos Estados Unidos, do Qatar e da Turquia.

Numa mensagem publicada na plataforma X, Guterres reiterou o seu apelo à libertação dos corpos dos reféns falecidos e apelou a “todas as partes a aproveitarem este impulso e a cumprirem os seus compromissos no âmbito do cessar-fogo, para pôr fim ao pesadelo em Gaza”.

190.000 toneladas de ajuda a entregar

Enquanto isso, as agências humanitárias das Nações Unidas relataram progressos significativos na entrada de ajuda em Gaza.

“O nosso reforço humanitário em Gaza está bem encaminhado”, afirmou o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), que destacou ter obtido a aprovação de Israel para a entrada de 190.000 toneladas de alimentos, abrigos, medicamentos e outros suprimentos no território, 20.000 a mais do que o anteriormente acordado.

Pela primeira vez desde março, o gás de cozinha foi autorizado a entrar na Faixa de Gaza.

Além disso, “mais tendas para famílias deslocadas, carne congelada, fruta fresca, farinha e medicamentos também atravessaram para Gaza ao longo do dia de domingo”, informou o OCHA numa atualização.

De forma crucial, a agência comunicou que os seus trabalhadores e parceiros já conseguem movimentar-se com mais facilidade em várias áreas, um avanço importante após as restrições de acesso impostas pelas autoridades israelitas.

Isto permitiu que as equipas humanitárias pré-posicionassem suprimentos médicos e de emergência nas zonas mais necessitadas, além de avaliarem estradas quanto a riscos de explosivos e apoiarem famílias deslocadas em áreas propensas a inundações, com a chegada do inverno.

“Isto é apenas o começo. Como parte do nosso plano para os primeiros 60 dias do cessar-fogo, a ONU e os nossos parceiros irão ampliar a escala e o alcance das operações para levar ajuda e serviços vitais a praticamente toda a população de Gaza”, concluiu o OCHA.

A medida faz parte do plano humanitário mais amplo para reforçar os serviços essenciais de alimentação, saúde, água, abrigo e educação, apresentado pelo chefe de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher. Os principais pontos são:

  • Assistência alimentar para 2,1 milhões de pessoas, incluindo rações, apoio a padarias e cozinhas comunitárias, recuperação dos meios de subsistência de pastores e pescadores e apoio financeiro a 200 mil famílias para reforçar a dignidade e a autonomia.
  • Programas de nutrição alargados, com rastreios e alimentos ricos em nutrientes para grupos vulneráveis, como crianças, adolescentes e mulheres grávidas ou a amamentar.
  • Reforço dos serviços de saúde, com medicamentos essenciais, vigilância de doenças, cuidados de emergência e maternos, apoio à saúde mental e trabalhos de reabilitação.
  • Projetos de água e saneamento para 1,4 milhões de pessoas, incluindo reparação de redes, sistemas de esgotos e gestão de resíduos, além da distribuição de produtos de higiene.
  • Apoio a abrigos para famílias deslocadas e vulneráveis, com tendas, lonas e outros materiais antes da chegada do inverno.
  • Reforço da educação, com a reabertura de espaços temporários de aprendizagem para 700 mil crianças, fornecendo materiais escolares e atividades educativas.

Sintomas da guerra

Dois anos de violência extrema e bombardeamentos constantes por parte de Israel deixaram muitas famílias sem casas para onde regressar.

A violência criou também necessidades físicas e psicológicas enormes em toda a Faixa de Gaza, que as agências da ONU já estão a abordar.

A UNICEF, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, destacou que “todos os um milhão” de jovens na Faixa de Gaza necessitam de apoio em saúde mental e apoio psicossocial.

A guerra devastou o sentimento de segurança, o desenvolvimento e o bem-estar das crianças, sublinhou a agência, com muitas a apresentar “sintomas graves de stress”, como retraimento, pesadelos e enurese noturna.

Para ajudar as crianças a curar-se e superar os seus medos, a UNICEF apoia um programa de autoajuda em que os formadores ensinam técnicas de gestão do stress para libertar e processar pensamentos e imagens dolorosas.

Um dos recursos é um “botão de segurança” imaginário, que as crianças podem pressionar quando se sentem sobrecarregadas pela situação.

“Sempre que me sentia com medo, punha a mão no botão de segurança e respirava fundo. Isso fazia-me sentir-me tão aliviado”, contou Anas, 15 anos, uma das crianças apoiadas pelo programa.

Em 2025, a UNICEF informou que oito em cada dez jovens que participaram no programa apresentaram redução dos sintomas de stress traumático.

*Artigo de autoria da ONU News