Neste dia importante, lembramo-nos de que comunidades resilientes são fundamentais para prevenir e responder a epidemias e pandemias.
A nossa melhor defesa não reside apenas na ciência, mas também em sistemas de saúde locais fortes, profissionais de saúde na linha da frente bem apoiados e líderes locais preparados para guiar as suas comunidades em tempos de crise.
À medida que as ameaças de epidemias e pandemias aumentam e as crises humanitárias se multiplicam, não há tempo a perder.
Para ajudar comunidades e governos a prevenir e responder a futuras pandemias, os países trabalharam com a Organização Mundial da Saúde para desenvolver o Acordo sobre Pandemias. O Acordo visa garantir que todas as pessoas tenham acesso equitativo a vacinas, tratamentos, equipamentos, informação e cuidados durante uma pandemia.
Em cada aldeia, cidade e centro de saúde, é hora de reforçar o investimento em sistemas comunitários para deteção, vigilância, comunicação e contenção.
Quando as comunidades estão protegidas, todos estamos protegidos.
Vamos ajudar todas as comunidades a construir uma base sólida para a prevenção e a recuperação.
A segurança alimentar em Gaza melhorou desde o cessar-fogo declarado em outubro, afastando o risco de fome. Ainda assim, a situação permanece crítica, com mais de três quartos da população a enfrentar fome aguda e má nutrição, segundo uma nova análise apoiada pela ONU.
De acordo com o mais recente relatório do IPC, um sistema global de monitorização da má nutrição e da insegurança alimentar, nenhuma área de Gaza está atualmente classificada em situação de fome (Fase 5 do IPC), após a melhoria do acesso humanitário e comercial na sequência do cessar-fogo de 10 de outubro.
No entanto, quase toda a Faixa de Gaza continua em situação de emergência (Fase 4 do IPC), com centenas de milhares de pessoas ainda a registar taxas muito elevadas de má nutrição aguda.
Entre meados de outubro e o final de novembro, cerca de 1,6 milhões de pessoas, aproximadamente 77% da população analisada, enfrentaram fome ao nível de crise (Fase 3) ou pior. Isto incluiu mais de 500 mil pessoas em situação de emergência (Fase 4) e mais de 100 mil em catástrofe (Fase 5), refere o relatório.
Progressos “perigosamente frágeis”
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que os dados mais recentes mostram progressos, mas alertou que estes continuam a ser “frágeis, perigosamente frágeis”.
“A fome foi afastada. Muito mais pessoas conseguem aceder aos alimentos de que precisam para sobreviver”, disse aos jornalistas na sede da ONU, em Nova Iorque.
Acrescentou, no entanto, que 1,6 milhões de pessoas em Gaza, mais de 75% da população, “estão projetadas para enfrentar níveis extremos de insegurança alimentar aguda e riscos críticos de má nutrição”.
A análise do IPC prevê que, até meados de abril de 2026, cerca de 571 mil pessoas continuem em situação de emergência, enquanto aproximadamente 1.900 pessoas deverão continuar a enfrentar fome ao nível de catástrofe. Num cenário de pior caso, incluindo a retoma das hostilidades ou a interrupção das entradas humanitárias e comerciais, toda a Faixa de Gaza poderá voltar a enfrentar fome.
Má nutrição é grande preocupação
A má nutrição continua a ser uma preocupação grave, particularmente entre crianças e mulheres grávidas e a amamentar.
Quase 101 mil crianças entre os seis e os 59 meses deverão sofrer de má nutrição aguda até meados de outubro de 2026, incluindo mais de 31 mil casos graves. Estima-se também que cerca de 37 mil mulheres grávidas e a amamentar necessitem de tratamento.
Embora a ajuda alimentar tenha aumentado, o relatório sublinha que a assistência está, em grande medida, a cobrir apenas as necessidades básicas de sobrevivência. Os serviços de saúde, os sistemas de água e saneamento, a habitação e os meios de subsistência continuam gravemente danificados, deixando as famílias vulneráveis, sobretudo durante o inverno.
Necessário um cessar-fogo “verdadeiramente duradouro”
“As famílias estão a suportar o insuportável”, disse Guterres, descrevendo crianças a dormir em tendas inundadas e edifícios a colapsar sob chuva intensa e vento.
Referiu que as equipas humanitárias estão a preparar mais de 1,5 milhões de refeições quentes por dia, a reabrir centros de nutrição e a restaurar serviços de água e de saúde, mas alertou que as necessidades continuam a crescer mais rapidamente do que a capacidade de resposta.
“Precisamos de um cessar-fogo verdadeiramente duradouro”, afirmou, apelando a mais pontos de entrada em Gaza, menos restrições a fornecimentos críticos, rotas seguras dentro da Faixa, financiamento sustentado e acesso humanitário sem entraves.
O relatório do IPC sublinha que, sem um acesso sustentado e alargado, ajuda contínua e a reconstrução das infraestruturas essenciais, a situação de segurança alimentar em Gaza pode deteriorar-se rapidamente novamente, com consequências duradouras para uma população já profundamente traumatizada.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou aos líderes do Iémen para regressarem ao caminho da paz e libertarem todo o pessoal das Nações Unidas detido no país, após uma reunião com o Conselho de Segurança na quarta-feira.
Dirigindo-se aos jornalistas fora da sala do Conselho, Guterres referiu as tensões crescentes no Iémen e os “novos desenvolvimentos dramáticos” nas suas regiões orientais, que “estão a aumentar a pressão”.
Desde 2014, as forças do governo iemenita, apoiadas por uma coligação militar liderada pela Arábia Saudita, combatem os rebeldes Houthi, apoiados pelo Irão e que controlam a capital, Sana’a.
Risco de escalada mais ampla
Este mês, forças afiliadas a um grupo separatista chamado Conselho de Transição do Sul (STC) avançaram sobre duas regiões ricas em recursos, Hadramawt e al-Mahra.
“Como disse ao Conselho de Segurança, ações unilaterais não abrem caminho para a paz”, afirmou o secretário-geral. “Elas aprofundam divisões, endurecem posições e aumentam o risco de uma escalada mais ampla e de maior fragmentação.”
O líder da ONU alertou que uma retomada completa das hostilidades poderia ter sérias consequências para a segurança regional.
“Exorto todas as partes a exercerem a máxima contenção, a desescalar as tensões e a resolver as diferenças através do diálogo”, disse.
“Isto inclui os atores regionais, cujo envolvimento construtivo e coordenação em apoio aos esforços de mediação da ONU são essenciais para garantir interesses de segurança coletiva.”
Necessidade de uma solução política
O secretário-geral destacou que a soberania e a integridade territorial do Iémen devem ser preservadas.
Salientou a necessidade de “um acordo político sustentável e negociado” que abrace as aspirações de todo o povo do país e ponha fim ao conflito.
Os combates já mataram milhares e desencadearam uma das piores crises humanitárias do mundo. Quase metade da população, 19,5 milhões de pessoas, necessita de assistência humanitária e cerca de cinco milhões foram forçados a abandonar as suas casas.
Os esforços da ONU para apoiar o povo iemenita enfrentam enormes desafios, particularmente nas áreas controladas pelos Houthi, onde “o ambiente operacional se tornou insustentável”.
Libertação de pessoal detido
O secretário-geral condenou fortemente a detenção arbitrária contínua de 59 funcionários da ONU e de organizações parceiras, bem como de pessoal de ONG, organizações da sociedade civil e missões diplomáticas, e pediu a sua libertação imediata e incondicional.
As autoridades de facto Houthi encaminharam recentemente três funcionários da ONU para um tribunal criminal especial. Foram acusados no âmbito do desempenho das suas funções oficiais da ONU. Guterres afirmou que esta decisão deve ser revogada e todas as acusações retiradas.
“A detenção contínua dos nossos colegas é uma injustiça profunda para todos aqueles que dedicaram as suas vidas a ajudar o povo do Iémen”, disse.
“As Nações Unidas e os seus parceiros nunca devem ser alvo de prisão ou detenção em relação às suas funções oficiais. Devemos poder realizar o nosso trabalho sem interferências.”
Compromisso com a paz
O secretário-geral reiterou o compromisso da ONU em fornecer apoio vital a milhões de pessoas em todo o Iémen, apesar dos desafios.
Desde janeiro, mais de 5,3 milhões de pessoas receberam assistência alimentar, nutricional, de água e de saúde, e “com financiamento adequado e espaço operacional, podemos fazer muito mais”.
Recordou que as partes iemenitas estiveram perto da paz antes, durante o cessar-fogo de 2022 e os compromissos acordados em 2023.
Embora “os desenvolvimentos subsequentes tenham complicado gravemente a situação”, o caminho para a paz é possível e a ONU mantém o seu compromisso com esses esforços.
Apelou a todas as partes para se envolverem de forma construtiva com o Enviado Especial da ONU para o Iémen, “priorizarem o diálogo em vez da violência e evitarem quaisquer ações unilaterais que possam agravar esta situação frágil”, acrescentando que “o povo do Iémen exige e merece paz”.
OIM | Migrantes da Líbia recebem assistência da OIM.
O SECRETÁRIO-GERAL
18 de dezembro de 2025
A migração é um poderoso motor de progresso: impulsiona economias, conecta culturas e beneficia tanto os países de origem como os de destino.
No entanto, quando a migração é mal gerida ou mal representada, pode alimentar ódio e divisão, pondo em risco a vida de pessoas que procuram segurança e oportunidades.
Desde 2014, quase 70.000 migrantes morreram ou desapareceram ao longo de rotas terrestres e marítimas, sendo que o número real é provavelmente muito mais elevado. As fronteiras estão a apertar, os traficantes e contrabandistas prosperam, e mulheres e crianças estão entre os mais vulneráveis.
Há sete anos, a comunidade internacional adotou o Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular, um esforço para maximizar os benefícios da migração enquanto se gerem os seus desafios.
Podemos e devemos aproveitar o poder da migração para promover o desenvolvimento sustentável e construir sociedades mais resilientes. Isto começa por desafiar as narrativas que desumanizam os migrantes e substituí-las por histórias de solidariedade.
Neste Dia Internacional dos Migrantes, permaneçamos unidos pelos direitos de cada migrante e façamos da migração um processo digno e seguro para todos.
No ano passado, uma em cada cinco pessoas que lidou com um funcionário público foi obrigada a pagar um suborno, de acordo com um relatório da ONU. O mundo está a agir sobre esta questão.
Chefes de Estado, representantes da sociedade civil e líderes do setor privado irão discutir as questões mais prementes relacionadas com a corrupção e como combater este problema, numa conferência da ONU contra a corrupção (COSP11) que se realiza esta semana em Doha, Qatar.
“Quando a corrupção infecta o sistema judicial, os casos são mal geridos, a justiça é adiada ou negada e as vítimas são silenciadas”, afirmou a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, na abertura da conferência.
O que é a COSP?
A decorrer de 15 a 19 de dezembro deste ano, a COSP é o maior encontro internacional dedicado ao combate à corrupção e ao crime económico.
Esta sessão, intitulada Shaping Tomorrow’s Integrity (Moldar a Integridade do Amanhã), irá abordar o papel da IA e das novas tecnologias para corresponder à realidade dos padrões complexos de crime de hoje.
As ligações entre a corrupção e o crime financeiro e organizado também estarão em foco, bem como as medidas que os países podem adotar para melhorar a transparência dos seus sistemas financeiros públicos e os esforços anticorrupção no setor privado.
A tecnologia pode ajudar ou prejudicar
“O rápido avanço da tecnologia oferece aos agentes corruptos novas ferramentas para esconder ativos, falsificar documentos e operar entre jurisdições”, alertou John Brandolino, diretor executivo interino do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).
Reconheceu, no entanto, que a tecnologia também pode ser uma força “transformadora” contra a corrupção, especialmente ao apoiar investigações.
“Os governos precisam de trabalhar para colher os benefícios de soluções inovadoras”, disse Brandolino, acrescentando que estas soluções tecnológicas devem respeitar os direitos humanos e fechar as brechas que permitem aos criminosos usar indevidamente as ferramentas digitais.
A corrupção priva as pessoas de necessidades básicas, como educação, saúde, água potável e infraestruturas.
A conferência pretende transformar compromissos internacionais em ação, avaliando como os países aplicam o tratado anticorrupção e reforçando a cooperação entre fronteiras.
As decisões da COSP têm levado a mudanças reais, incluindo a criação de um sistema de revisão por pares que ajudou 146 países a melhorar as suas leis e políticas anticorrupção.
“Moldar a integridade do amanhã significa proteger as pessoas de serem exploradas pelo crime e pela corrupção”, afirmou Brandolino. “E também significa proteger as nossas aspirações partilhadas para o futuro.”
UNAOC | Secretário-geral da ONU, António Guterres, faz declarações na abertura do 11.º Fórum Global da Aliança de Civilizações da ONU, em Riade, Arábia Saudita.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, proferiu um discurso marcante na abertura do 11.º Fórum Global da Aliança das Civilizações que teve lugar este domingo em Riade, na Arábia Saudita. O evento assinala o vigésimo aniversário desta iniciativa e reúne líderes internacionais para promover o diálogo entre culturas e religiões.
Guterres destacou que a missão da Aliança das Civilizações é essencial e mais urgente do que nunca e alertou para os desafios do mundo atual, marcado por avanços tecnológicos e inovação, mas também por divisões antigas, desinformação, ódio e conflitos.
O secretário-geral sublinhou a importância de três grupos para promover mudanças positivas. Destacou os jovens, que representam 40% da população mundial, conectados e ativos na inovação, ação climática e defesa dos direitos humanos, mas frequentemente excluídos das decisões que moldam as suas vidas.
Referiu também a relevância de mulheres e raparigas, que sofrem desproporcionalmente nos conflitos, mas cuja liderança é central para uma paz justa e duradoura. Lembrou iniciativas como o Common Pledge for Women’s Full, Equal, and Meaningful Participation in Peace Processes, encorajando maior participação feminina em processos de decisão e construção da paz.
Por fim, Guterres destacou o papel das pessoas de fé como agentes de compaixão, dignidade humana e reconciliação. Sublinhou a importância do diálogo entre líderes religiosos de diferentes tradições para promover a harmonia, reforçando o potencial da fé como força de unidade e entendimento no mundo.
O secretário-geral concluiu lembrando que o trabalho de diálogo e diplomacia, embora muitas vezes silencioso e imperfeito, é essencial para mediar conflitos, garantir acesso à ajuda humanitária e plantar as sementes da reconciliação. Finalizou apelando à coragem, à clareza e à esperança para continuar a missão da Aliança das Civilizações e reforçar os valores que unem a humanidade.
A crescente crise humanitária no Afeganistão está a ser impulsionada pela aceleração da erosão dos direitos fundamentais, especialmente para mulheres e raparigas, juntamente com deslocações em massa, declínio económico e redução da ajuda, alertaram altos responsáveis da ONU esta quarta-feira.
Num briefing ao Conselho de Segurança, Georgette Gagnon, representante especial adjunta do secretário-geral para o Afeganistão, e Tom Fletcher, coordenador de socorro de emergência da ONU, afirmaram que quase metade da população precisará de proteção e assistência humanitária em 2026.
As mulheres e as raparigas continuam “sistematicamente excluídas” de quase todos os aspetos da vida pública, disse Gagnon, uma vez que a proibição do ensino secundário e superior para raparigas já entrou no seu quarto ano, privando o país de futuras médicas, professoras e líderes.
“A liberdade de imprensa está cada vez mais restringida. Os jornalistas enfrentam intimidação, detenção e censura, reduzindo o espaço para o debate público e para a participação cívica”, acrescentou.
Os afegãos, tanto mulheres como homens, também enfrentam intrusões diárias sob a lei das autoridades de facto sobre a “promoção da virtude e prevenção do vício”, descrevendo um padrão de interferência sistemática na vida privada.
Aumento das necessidades humanitárias
Ao mesmo tempo, as necessidades humanitárias estão a aumentar. Fletcher afirmou que quase 22 milhões de pessoas precisarão de assistência no próximo ano, com o Afeganistão a figurar agora entre as maiores crises humanitárias do mundo.
“Pela primeira vez em quatro anos, o número de pessoas que enfrentam a fome aumentou”, alertou. Cerca de 17,4 milhões de afegãos estão agora em situação de insegurança alimentar, enquanto cortes massivos no financiamento deixaram a resposta “no limite da rutura”.
Mais de 300 pontos de atendimento nutricional foram encerrados, deixando 1,1 milhão de crianças sem nutrição vital, enquanto 1,7 milhão correm risco de morte sem tratamento. O sistema de saúde também está a colapsar: 422 unidades de saúde fecharam em 2025, cortando o acesso a cuidados essenciais para três milhões de pessoas.
A agravar a pressão, o Afeganistão registou um número recorde de regressos de refugiados, com mais de 2,6 milhões de pessoas a regressarem só em 2025, elevando o total de dois anos para mais de quatro milhões. A maioria chega com poucos bens e é acolhida por comunidades já empobrecidas.
“Mulheres e crianças representaram 60 por cento de todos os regressos este ano”, observou Fletcher, regressando a um país onde as mulheres estão proibidas de estudar, trabalhar e, em alguns casos, de aceder a cuidados de saúde.
As pressões económicas estão a piorar apesar de um crescimento modesto. Embora o PIB deva aumentar 4,5 por cento, o rendimento per capita cairá cerca de quatro por cento devido ao crescimento populacional, segundo dados do Banco Mundial citados por Gagnon.
Os meios de subsistência rurais também foram devastados pelo terceiro ano da proibição do cultivo de ópio. Apesar de a medida ser bem acolhida internacionalmente, as agências da ONU reportam uma queda de 48 por cento nos rendimentos rurais, com necessidade de mais apoio para meios de vida alternativos.
Entrega de ajuda paralisada
Embora as condições de segurança pareçam mais calmas do que em décadas anteriores, as tensões com o Paquistão estão a aumentar em meio a confrontos transfronteiriços ligados a atividade militante. Ao mesmo tempo, o fecho de postos fronteiriços durante dois meses prejudicou o comércio e a vida civil em ambos os lados.
Entretanto, a participação das mulheres no trabalho humanitário permanece sob ataque direto. Desde setembro, funcionárias nacionais da ONU foram proibidas de aceder a instalações da organização em todo o país, uma restrição que Fletcher classificou como “inaceitável” e que está a paralisar a entrega de ajuda.
“Não pode haver uma resposta humanitária eficaz sem mulheres”, disse. “O Afeganistão precisa delas.”
A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA) também alertou que os direitos no país permanecem “fora de alcance para demasiados”, especialmente para mulheres e raparigas. Os regressos involuntários também colocam jornalistas, antigos funcionários e figuras da sociedade civil em maior risco de represálias.
“Os direitos humanos não são opcionais. São os elementos essenciais do quotidiano que sustentam a vida”, disse Gagnon num comunicado separado da UNAMA. “Para o Afeganistão, garantir que mulheres e raparigas possam aprender, trabalhar e participar plenamente é indispensável para a recuperação.”
Apelo ao apoio internacional
Apesar das graves restrições, a ONU continua a prestar ajuda. Mais de 40 milhões de dólares em financiamento de emergência foram disponibilizados nos últimos meses para responder a sismos, secas e regressos em massa.
Mas Fletcher alertou que a falta de financiamento está agora a custar vidas.
“À medida que olhamos para 2026, corremos o risco de uma contração ainda maior da ajuda vital num momento em que a insegurança alimentar, as necessidades de saúde, a pressão sobre os serviços básicos e os riscos de proteção estão todos a aumentar”, afirmou.
Sublinhou ainda que, sem atenção urgente e apoio da comunidade internacional, a crise só se irá agravar.
Comemorado esta quarta-feira sob o tema “O essencial de cada dia”, o Dia Internacional dos Direitos Humanos assinala também o 80.º aniversário da entrada em vigor da Carta das Nações Unidas.
O lema escolhido destaca a relevância contínua dos direitos humanos como elementos presentes nas rotinas diárias, desde o acesso à informação até à alimentação, educação e liberdade de expressão.
Campanha com apelo à ação coletiva
O Escritório das Nações Unidas para os Direitos Humanos lançou o tema de 2025 sublinhando que, num contexto de desigualdades crescentes, conflitos e emergência climática, é fundamental manter os direitos humanos como referência central.
Para o alto comissário, Volker Turk, os direitos humanos continuam a ser uma “bússola em tempos de incerteza” e apelou ao reforço da solidariedade e da participação cívica.
O Dia dos Direitos Humanos sublinha que ações simples como ler notícias, circular livremente, beber água potável ou partilhar uma refeição estão diretamente ligadas a direitos consagrados naDeclaraçãoUniversal dos Direitos Humanos.
Entre eles estão o direito a um nível de vida adequado, à liberdade de opinião e expressão, à educação e ao descanso. O objetivo é aproximar os princípios universais da experiência concreta das pessoas.
Na mensagem pela data, o secretário-geral das ONU, António Guterres, defende que a proteção dos direitos humanos exige o envolvimento de todos e o reforço das instituições que os tornam realidade.
Participação pública e partilha de experiências
Durante a comemoração, o público é convidado a partilhar o que considera essencial no seu quotidiano através do preenchimento de um formulário e usando o hashtag da campanha #OurEverydayRights.
Testemunhos, mensagens e imagens recolhidos ao longo da campanha formarão um mosaico de experiências sobre como os direitos humanos se manifestam no dia a dia em diferentes partes do mundo.
Há quase oitenta anos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos definiu aquilo de que cada pessoa precisa para sobreviver e prosperar. Foi um avanço filosófico e politico, e desde então tem sido a base da nossa comunidade global.
Os direitos humanos — civis, políticos, económicos, sociais e culturais — são inalienáveis, indivisíveis e interdependentes. Mas os últimos anos trouxeram um encolhimento do espaço cívico. Temos graves violações que revelam um desrespeito flagrante pelos direitos e uma indiferença cruel perante o sofrimento humano.
Juntos, temos o poder de enfrentar estas injustiças: protegendo as instituições que tornam os direitos humanos uma realidade concreta.
Todos os dias, as Nações Unidas ajudam pessoas em todo o mundo a concretizar os seus direitos mais básicos. Em conjunto com a sociedade civil e os governos, fornecemos alimentos e abrigo, apoiamos a educação e as eleições, removemos minas, defendemos o ambiente, capacitamos mulheres e trabalhamos pela paz.
Mas não podemos fazê-lo sozinhos. Este trabalho depende de todas as pessoas, em todo o lado, a tomarem uma posição. Quando protegemos os mais vulneráveis, quando recusamos virar o olhar, quando defendemos as instituições que nos defendem, mantemos os direitos humanos vivos.
Os nossos direitos nunca devem ficar em segundo plano face ao lucro ou ao poder. Unamo-nos para os proteger, pela dignidade e liberdade de todos.
A ONU e os seus parceiros estão a procurar 23 mil milhões de dólares para fornecer apoio vital no próximo ano a 87 milhões de pessoas em todo o mundo afetadas por guerras, desastres climáticos, terramotos, epidemias e falhas nas colheitas.
Esta é a prioridade imediata doGlobal Humanitarian Overview 2026, no valor de 33 mil milhões de dólares, lançado na segunda-feira, que visa alcançar 135 milhões de pessoas em 50 países.
“Este apelo indica onde precisamos concentrar a nossa energia coletiva primeiro: vida por vida”, afirmou osubsecretário-geral da ONU para a Ajuda Humanitária, Tom Fletcher,
Milhões em necessidade
O GHO atualizado surge após um ano marcado por cortes brutais nas operações humanitárias e um número recorde de ataques mortais contra trabalhadores humanitários.
Inclui 29 planos detalhados, sendo o maior para o Território Palestino Ocupado, onde são necessários 4,1 mil milhões de dólares para alcançar cerca de três milhões de pessoas.
No Sudão, são necessários 2,9 mil milhões de dólares para fornecer ajuda vital a 20 milhões de pessoas apanhadas na maior crise de deslocamento do mundo, com mais 2 mil milhões de dólares para os sete milhões de sudaneses que fugiram do país.
O maior dos planos regionais é para a Síria, com 2,8 mil milhões de dólares para 8,6 milhões de pessoas.
Cortes e consequências
Fletcher recordou que o apelo de 2025 recebeu apenas 12 mil milhões de dólares, o financiamento mais baixo em uma década. Como resultado, os humanitários chegaram a 25 milhões de pessoas a menos do que no ano anterior.
As consequências foram imediatas, incluindo aumento da fome e sistemas de saúde sobrecarregados, “mesmo quando fomes atingiam partes do Sudão e Gaza”, disse ele numa conferência de imprensa antes do lançamento deste ano.
“Os programas para proteger mulheres e meninas foram cortados, centenas de organizações humanitárias fecharam. E mais de 380 trabalhadores humanitários foram mortos, o número mais alto de sempre.”
Humanitários sob ataque
O responsável da ONU descreveu os humanitários como “sobrecarregados, subfinanciados e sob ataque”, algo que ele já tinha sublinhado várias vezes.
Segundo ele, no passado existiam crises humanitárias como consequência de outros fatores, mas atualmente, existem também consequências negativas geradas pelas próprias crises, como a migração forçada.
“Apenas 20% dos nossos apelos são apoiados. E nós conduzimos a ambulância para o fogo em vosso nome”, disse ele. “Mas agora também nos estão a pedir para apagar o fogo. E não há água suficiente no tanque. E estamos a ser alvejados.”
Apoio dos Estados-Membros
Os humanitários levarão agora o apelo aos Estados-Membros da ONU e pedirão o seu apoio. Isto acontecerá nos próximos 87 dias, “um por cada milhão de vidas que vamos tentar salvar”, afirmou.
Os países serão também instados a reforçar a proteção dos humanitários, “não com declarações de preocupação, mas responsabilizando aqueles que nos matam e aqueles que armam os que nos matam”, acrescentou.
ONU/Manuel Elias | Chama da Esperança de Kwibuka em homenagem às vítimas do Genocídio de 1994 contra os Tutsis em Ruanda instalada na sede da ONU
O SECRETÁRIO-GERAL
9 de dezembro de 2025
O genocídio é uma abominação. É um crime horrendo. E é dever solene de todos os Estados preveni-lo e puni-lo.
Foi este o compromisso assumido pelo mundo com a adoção da Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio de 1948, um compromisso para garantir que nenhum grupo corra o risco de ser erradicado devido à sua nacionalidade, etnia, raça ou religião.
Prometemos “nunca mais”. Contudo, essa promessa está perigosamente perto de ser quebrada em demasiados lugares. Conflitos violentos, falta de responsabilização e tecnologias digitais que amplificam o ódio e a desinformação tornam mais fácil o regresso do espectro do genocídio.
Os Estados têm a obrigação primordial de prevenir e punir o genocídio, e apelo aos governos que ainda não o fizeram que adiram à Convenção. Exorto também todos os governos a implementarem plenamente a Convenção e a responsabilizarem os perpetradores.
Mas a prevenção é uma responsabilidade partilhada. Exige educar as novas gerações sobre os fatores que conduzem ao genocídio, incluindo discurso de ódio, desigualdade e desinformação. Significa também fazer tudo para identificar sinais de alerta precoce e soar o alarme. Líderes comunitários, a sociedade civil e os meios de comunicação, incluindo as plataformas de redes sociais, têm todos o dever moral de agir.
Ao permanecermos unidos contra este crime hediondo, honramos as suas vítimas e sobreviventes, e defendemos a promessa mais fundamental da nossa comunidade internacional: o direito de todas as pessoas viverem com segurança, dignidade e paz.
Sob o tema “Toda a Contribuição Importa”, a ONU destaca a importância do voluntariado como força motriz para enfrentar desafios globais e reforçar a coesão social.
“Cada contribuição conta”
Na mensagem, o secretário-geral, António Guterres, sublinha que, num período marcado por divisões políticas e isolamento social, o voluntariado “fortalece a nossa humanidade partilhada” e aproxima comunidades através da solidariedade.
O líder das Nações Unidas prestou tributo aos milhões de voluntários em todo o mundo e agradeceu especialmente aos mais de 14 mil participantes do programa ONU Voluntários.
Guterres apelou ainda para que, ao longo do próximo ano, cada pessoa contribua para uma causa significativa, reforçando que o voluntariado deve ser “um movimento global capaz de construir um futuro mais solidário e inclusivo”.
IVY 2026
O lançamento oficial do IVY 2026 acontece nesta sexta-feira na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.
Na Resolução A/RES/78/127, a ONU convida os Estados-membros a integrarem o voluntariado nos seus planos de desenvolvimento e a impulsionarem campanhas que valorizem a participação dos seus cidadãos.
O Dia Internacional dos Voluntários será acompanhado por mobilizações em vários países, reforçando a ideia de que o voluntariado, formal ou informal, é essencial para acelerar o progresso dos ODS.
Um movimento global que une gerações
A ONU destaca que existem cerca de mil milhões de voluntários em todo o mundo, dos quais 70% atuam de forma informal, apoiando diretamente as suas comunidades.Os restantes 30% integram organizações formais, projetos locais, plataformas digitais ou iniciativas internacionais.
A ONU lembra que o voluntariado contribui para fortalecer laços comunitários, promover soluções, aproximar gerações em torno dos ODS e responder a crises humanitárias e ambientais com criatividade e resiliência. Independentemente da idade, género ou origem, “voluntariar-se é possível para todos”, ressalta a organização.
Construir um futuro mais solidário
Guterres termina a mensagem reforçando que, num mundo em transformação, cada ato de voluntariado ajuda a enfrentar desafios comuns e a promover uma sociedade mais justa e compassiva.
Para o secretário-geral, o Dia Internacional do Voluntário é um convite global, onde “em tempos de incerteza, cada pessoa pode ser a mudança que deseja ver”, e juntos, “construir um futuro mais humano para todos.”
Num período de divisão política e de isolamento social, o voluntariado oferece uma forma poderosa de criar ligações e de fomentar a nossa humanidade partilhada.
Neste Dia Internacional do Voluntário, homenageamos as milhões de pessoas em todo o mundo que se dedicam a servir as suas comunidades e a promover o bem comum.
O tema deste ano, “Cada Contribuição Conta”, lembra-nos que todos têm algo significativo para oferecer e que cada causa, desde a fome, às alterações climáticas, à ação humanitária, beneficia do entusiasmo e da experiência dos voluntários.
Expresso a minha mais profunda gratidão aos mais de 14.000 indivíduos que serviram através do Programa de Voluntários das Nações Unidas, assim como aos inúmeros outros que dão o seu tempo e talento para ajudar vizinhos e estranhos. O vosso compromisso, solidariedade e compaixão estão a moldar um mundo melhor.
Esta semana marca também o lançamento do Ano Internacional do Voluntariado 2026.
Ao longo dos próximos doze meses, incentivo todos, em todo o lado, a voluntariar-se por uma causa que lhes seja importante. Em tempos de crise e de incerteza, podem ser a mudança que desejam ver.
Juntos, podemos fazer crescer um movimento global de voluntários e construir um futuro mais solidário e brilhante para todos.
Unmiss/Isaac Billy | Mensagem alerta para as barreiras sistêmicas ainda persistentes como a discriminação
Debates promovem a participação deste grupo em favor de sociedades mais acessíveis e resilientes; a acessibilidade é considerada um fator central para o progresso social.
As Nações Unidas assinalam, neste dia 3 de dezembro, o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, com o lema: “Promover sociedades inclusivas para pessoas com deficiência, visando o avanço do progresso social.”
Numa mensagem sobre a data, o secretário-geral, António Guterres, afirma que “quando a inclusão é real, todos beneficiam”, podendo construir em conjunto sociedades mais acessíveis e resilientes, onde todos prosperem.
Respostas humanitárias
O líder das Nações Unidas sublinha que as pessoas com deficiência impulsionam o progresso benéfico para todos. Destacou que a liderança do grupo melhorou a preparação para catástrofes, expandiu a educação e o emprego inclusivos e garantiu que as respostas humanitárias cheguem aos que estão em maior risco.
OMS
Guterres recordou que muitas inovações que moldam o dia a dia, desde mensagens de texto a tecnologias de comando por voz, começaram como soluções desenvolvidas por e para pessoas com deficiência.
Por outro lado, alertou para as barreiras sistémicas ainda persistentes, como a discriminação, a pobreza e os serviços inacessíveis, que continuam a limitar a participação de mais de 10 milhões de pessoas com deficiência em todo o mundo.
Fator central do progresso social
Neste Dia Internacional, a ONU enfatiza a importância de integrar os direitos das pessoas com deficiência em todos os aspetos do desenvolvimento, garantindo um mundo mais equitativo e inclusivo para todos.
Com foco na inclusão, as Nações Unidas destacam que a ampla participação das pessoas com deficiência é um fator central do progresso social. Isto significa assegurar maior presença do grupo na vida social e económica, promovendo ações para aumentar a consciência da população e gerar mudanças nas políticas públicas.
Em vários eventos, os debates deverão abordar como implementar medidas práticas, como adaptações físicas para acessibilidade em edifícios, educação, emprego e serviços públicos.
As pessoas com deficiência estão a transformar sociedades, liderando a inovação, influenciando políticas e mobilizando-se pela justiça. No entanto, muitas vezes, são privadas de um lugar na tomada de decisões.
A Declaração Política de Doha, adotada no mês passado durante a Cimeira Mundial para o Desenvolvimento Social, reafirma uma verdade fundamental: não pode haver desenvolvimento sustentável sem a inclusão das pessoas com deficiência.
As pessoas com deficiência impulsionam o progresso benéfico para todos. A sua liderança melhorou a preparação para catástrofes, expandiu a educação e o emprego inclusivos e garantiu que as respostas humanitárias cheguem aos que estão em maior risco.
Muitas das inovações que moldam o nosso dia a dia, desde mensagens de texto a tecnologias de comando por voz, começaram como soluções desenvolvidas por e para pessoas com deficiência.
Ainda assim, há barreiras sistémicas que persistem: a discriminação, a pobreza e os serviços inacessíveis continuam a limitar a participação de mais de mil milhões de pessoas com deficiência em todo o mundo.
Neste Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, comprometamo-nos a trabalhar lado a lado com as pessoas com deficiência, em toda a sua diversidade, como parceiros iguais.
Quando a inclusão é real, todos beneficiam. Juntos, podemos construir sociedades mais acessíveis e resilientes, onde todos prosperamos.