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Mensagem do secretário-geral sobre a covid-19 e os direitos humanos

A pandemia da covid-19 é uma crise de saúde pública, mas é também uma crise económica, social e, acima de tudo, humana.

Assim, António Guterres relembra-nos que, mais do que nunca, “os direitos humanos não podem ser negligenciados” e que “as pessoas e os seus direitos têm de ser uma prioridade absoluta”.

Não é altura para discursos de ódio, ataques, populismos ou autoritarismos, mas de união e solidariedade, principalmente para com os mais desfavorecidos. E lembremo-nos sempre: a ameaça é o vírus, não as pessoas.

Veja aqui a mensagem do secretário-geral da ONU na íntegra.

Dia da Terra, Covid-19 pode dobrar fome no mundo e proteção de mulheres durante a pandemia

Neste Destaque ONU News, saiba por que o Dia Internacional da Mãe Terra é ainda mais relevante este ano; Covid-19 pode duplicar número de pessoas que enfrentam crises alimentares. E o que está sendo feito para proteger as mulheres durante a pandemia.

FMI: Situações excecionais exigem medidas excecionais

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está a preparar um grande plano de apoio às economias dos Estados-membros. Neste artigo de opinião, a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, explica a complexidade da crise provocada pela epidemia covid-19 e que está a ser feito por esta agência especializada do sistema da ONU para travar os seus impactos negativos.

Há algum tempo, venho dizendo que esta é uma “crise como nenhuma outra”, e assim é:

  • Mais complexa, com choques interligados na nossa saúde e nas nossas economias que praticamente paralisaram as nossas vidas;
  • Mais incerta, pois estamos a aprender gradualmente como enfrentar o novo vírus, tornar o isolamento mais eficaz e iniciar a retoma das nossas economias;
  • Verdadeiramente global. As pandemias não respeitam fronteiras e os choques económicos que provocam também não.

As perspetivas são sombrias. Prevemos que a atividade económica mundial diminua numa escala que não vemos desde a Grande Depressão.

Neste ano, o rendimento per capita vai cair em 170 países — há apenas alguns meses, o nosso prognóstico era de que 160 economias registariam um crescimento positivo neste indicador.

As medidas tomadas

Situações excecionais exigem medidas excecionais. Em muitos sentidos, os países membros do FMI vêm dando uma “resposta como nenhuma outra“.

Governos de todo o mundo têm tomado medidas sem precedentes para combater a pandemia — para salvar vidas, para proteger a sociedade e a economia. As medidas orçamentais somam até agora cerca de 8 biliões de dólares e as injeções de liquidez pelos bancos centrais foram maciças (em alguns casos, ilimitadas).

Da nossa parte, o FMI tem uma capacidade de empréstimo de 1 bilião de dólares ao dispor dos seus 189 países membros, ou quatro vezes mais do que no início da crise financeira mundial. Reconhecendo as características desta crise — a sua escala universal e rápida evolução, de modo que as ações imediatas são as de maior valor e impacto —, procuramos maximizar a nossa capacidade de fornecer recursos financeiros rapidamente, sobretudo para os países membros de baixo rendimento.

Para isso, reforçamos o nosso arsenal e tomamos medidas excecionais nestes dois meses.

Destacam-se:

  • Duplicar a capacidade do FMI de efetuar desembolsos rápidos em situações de emergência para atender à procura prevista de cerca de 100 mil milhões de dólares. Um total de 103 países consultou o FMI sobre financiamento de emergência e a nossa direção executiva terá analisado cerca da metade destes pedidos até ao fim do mês.
  • Reformar o nosso Fundo Fiduciário para Alívio e Contenção de Catástrofes , para ajudar 29 dos nossos países membros mais pobres e vulneráveis — 23 deles localizados em África — por meio do alívio rápido do serviço da dívida. Além disso, estamos a trabalhar com doadores para aumentar em 1,4 mil milhões de dólares os nossos recursos para o alívio da dívida. Graças à generosidade do Reino Unido, Japão, Alemanha, Países Baixos, Singapura e China, estamos prontos para proporcionar o alívio imediato aos nossos países membros mais pobres.
  • Procurar triplicar o nosso financiamento por intermédio do Fundo Fiduciário para a Redução da Pobreza e o Crescimento para os países mais vulneráveis. Estamos a angariar 17 mil milhões de dólares em recursos para novos empréstimos e, nesse sentido, sinto-me encorajada pelas promessas do Japão, França, Reino Unido, Canadá e Austrália, que se comprometeram com um total de 11,7 mil milhões, proporcionando cerca de 70% dos recursos necessários para atingir esse objetivo.
  • Apoiar a suspensão do pagamento das dívidas oficiais bilaterais dos países mais pobres até o fim de 2020, no âmbito de um acordo pioneiro entre os países do G20. Trata-se de cerca de 12 mil milhões de dólares em benefício das nações mais necessitadas. Além disso, instar os credores do setor privado a participar nesta iniciativa em condições comparáveis, o que poderia acrescentar outros 8 mil milhões de dólares em alívio da dívida.
  • Estabelecer uma nova linha de liquidez de curto prazo para ajudar os países a fortalecer a estabilidade económica e a confiança.

Este é o pacote de medidas que o Comité Monetário e Financeiro Internacional aprovou na semana passada durante as nossas Reuniões de Primavera virtuais.

Representa um conjunto vigoroso de medidas de políticas e, acima de tudo, permite ao FMI obter apoio imediato, “aqui e agora, aos países e pessoas que mais precisam dele. Já.

Evitar uma recessão prolongada

Mas ainda há muito mais a ser feito e agora é o momento de voltarmos os nossos olhos para o futuro. Para citar um distinto canadiano, o jogador de hóquei no gelo Wayne Gretzky: “Vá para o onde o disco está a ir, não para onde ele esteve.”

Precisamos de pensar muito sobre a direção que a crise está a seguir e sobre como podemos preparar-nos para ajudar os nossos países membros, cientes dos riscos e das oportunidades. Assim como respondemos de forma vigorosa na fase inicial da crise para evitar cicatrizes duradouras para a economia mundial, seremos implacáveis nos nossos esforços para evitar uma recessão dolorosa e prolongada.

Preocupo-me em especial com os países em desenvolvimento e com os mercados emergentes.

Eles estão a viver a mais acentuada reversão dos fluxos de carteira já registada, de cerca de 100 mil milhões de dólares. Os produtores de matérias primas sofreram um choque ainda maior na sequência da queda dos preços de exportação. Os países dependentes do turismo estão a passar por um colapso das receitas, que também afeta aqueles que dependem de remessas para complementar o seu rendimento.

No caso das economias emergentes, o FMI pode utilizar os seus instrumentos de crédito regulares, incluídos os de natureza preventiva. Isto talvez exija recursos consideráveis caso surjam novas pressões de mercado. Para evitar que se propaguem, estamos prontos para usar toda a nossa capacidade de empréstimo e mobilizar todos os níveis da rede mundial de proteção financeira, mesmo se o uso de direitos especiais de saque (DES) puder ser mais útil.

No caso dos nossos países membros mais pobres, precisamos de um volume bem maior de financiamento. Com o pico da pandemia ainda por vir, muitas economias terão de efetuar gastos orçamentais consideráveis para combater a crise sanitária e minimizar falências e despedimentos, ao mesmo tempo que enfrentam necessidades crescentes de financiamento externo.

Contudo, nem sempre o crédito é a melhor solução para todos. A crise está a aumentar o já elevado ónus da dívida e muitos países poderão ver-se numa trajetória insustentável.

Assim, precisamos contemplar novas estratégias, trabalhando em conjunto com outras instituições internacionais, bem como com o setor privado, para ajudar os países a atravessar a crise e a emergir mais resilientes.

E o FMI, assim como os nossos países membros, talvez precise de se aventurar ainda mais e sair da sua zona de conforto para avaliar se medidas excecionais podem ser necessárias diante desta crise excecional.

Preparativos para a recuperação

Para ajudar a lançar os alicerces para uma recuperação sólida, o nosso aconselhamento em políticas precisará adaptar-se a novas realidades que estão em evolução. Precisamos de compreender melhor os desafios, riscos e dilemas específicos que cada país enfrenta à medida que busca uma retoma gradual da sua economia.

Há questões importantes a serem resolvidas: por quanto tempo manter o estímulo extraordinário e as medidas de política não convencionais e como revertê‑los; o que fazer para enfrentar o alto desemprego e as taxas de juros ‘mais baixas por mais tempo’; como preservar a estabilidade financeira; e, se necessário, como facilitar o ajuste dos setores e a reestruturação da dívida do setor privado.

Também não nos podemos esquecer dos desafios de longo prazo que exigem uma resposta coletiva, como reavivar o comércio como motor do crescimento; partilhar os benefícios das fintech e da transformação digital que demonstraram a sua utilidade durante esta crise, e combater as alterações climáticas — neste caso, o estímulo para reforçar a retoma da economia também poderia ser orientado para a promoção de uma economia verde e resiliente ao clima.

Por último, no novo mundo pós-covid-19, não podemos simplesmente dar por garantida a coesão social. Assim, precisamos apoiar os esforços dos países para calibrar as suas políticas sociais a fim de reduzir a desigualdade, proteger as pessoas vulneráveis e promover o acesso a oportunidades para todos.

Estamos a viver um momento que põe à prova a nossa humanidade. Temos que enfrentá-lo com solidariedade. Os contornos do nosso futuro são muito incertos, mas podemos também encarar esta crise como uma oportunidade para construirmos juntos um futuro diferente e melhor.

Saiba por que o Dia Internacional da Mãe Terra é ainda mais relevante este ano

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, ressalta que as comemorações do Dia Internacional da Mãe Terra, este ano, devem destacar a urgência de redução das emissões de CO2 na atmosfera. O tema de 2020 é a mudança climática.

Num estudo, divulgado no ano passado, a agência da ONU lembrou da necessidade de uma queda de 7,6% anual para se alcançar a marca de 1.5 grau Celsius prevista no Acordo de Paris sobre mudança climática. A data pede que o mundo se mobilize durante 24 horas em ações pela defesa do planeta e das pessoas.

50 anos

O Dia Internacional faz 50 anos e o Acordo de Paris cinco, desde sua assinatura. Para o Pnuma, a pandemia do novo coronavírus é um lembrete da vulnerabilidade humana frente a ameaças globais.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirma que o mundo poderia estar melhor preparado para responder ao desafio caso tivesse mais adiantado no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e do Acordo de Paris.

Quando o Dia da Mãe Terra surgiu, em 1970, o mundo estava horrorizado com notícias de vazamento de petróleo, poluição dos rios e das cidades. Cerca de 20 milhões de manifestantes saíram às ruas para protestar contra a então crise ambiental.

Governos

Com isso, os governos tiveram que tomar medidas e formular políticas para responder às preocupações dos cidadãos.

Em 2020, 50 anos depois, participantes  em todo o mundo devem dedicar 24 horas em ações grandes ou pequenas pelas pessoas e pelo planeta.

Por causa da pandemia, a maioria dos eventos e celebrações ocorre de forma virtual. O Pnuma acredita que existe uma chance ímpar de se reconstruir melhor e de forma sustentável após a covid-19.

Empregos Verdes

O mundo precisa recuperar-se com empregos verdes, políticas de proteção ambiental e estímulos econômicos que beneficiem o desenvolvimento sustentável.

Para participar do Dia Internacional, neste 22 de abril, acesse o site  earthday.org que traz todos os eventos e informações para voluntários e desafios para promover um planeta mais verde. Ativistas jovens, líderes internacionais, religiosos e lideranças indígenas também deixam suas impressões em eventos que antecedem a data.

No Dia Internacional da Mãe Terra, organizadores chamam a atenção para a importância da biodiversidade, do reflorestamento, do combate à degradação e à mudança climática. O objetivo é firmar compromissos para o gerenciamento sustentável dos recursos naturais e preparar a mobilização de cidadãos para o Dia do Meio Ambiente, marcado em 5 de junho.

Mensagem do secretário-geral sobre o Dia Internacional da Terra

Neste Dia Internacional da Terra, todos os olhos estão postos na pandemia da covid-19, mas António Guterres relembra-nos outra emergência profunda: a crise ambiental do planeta.

O secretário-geral das Nações Unidas encoraja o mundo a transformar a recuperação da crise que vivemos numa oportunidade real de fazer as coisas certas para o futuro e propõe seis medidas a tomar para que possamos avançar, juntos, nesse sentido.

Vê a mensagem na íntegra.

As Nações Unidas querem saber a sua opinião

Numa altura em que  todo o Sistema da ONU está focado no combate à pandemia do novo coronavírus, a Organização continua a juntar esforços para dar voz ao público mundial através da campanha UN75 – que pretende assinalar os 75 anos das Nações Unidas.

Lançada em janeiro passado, esta iniciativa acontecerá ao longo de 2020 para dar a todas as pessoas a oportunidade de identificarem as suas prioridades para o mundo de hoje. Para tal, basta participar num “Diálogo UN75” ou completar um inquérito online de apenas um minuto, disponível em www.un75.online, disponível em 53 línguas, incluindo português.

Os resultados preliminares, baseados em dados recolhidos entre 1 de janeiro e 24 de março de 2020 foram publicados esta segunda-feira:

1. A maioria – 95% – dos participantes concordaram com a necessidade dos países trabalharem juntos para lidar com os problemas globais, com um notório apoio a partir do fim de fevereiro, quando a crise causada pela covid-19 se alastrou pelo mundo. O apoio surge em todas as faixas etárias e níveis de escolaridade. Ideias de reforço da cooperação internacional incluem parcerias mais efetivas com a sociedade civil e o setor privado, maior envolvimento de mulheres, jovens, povos indígenas e grupos vulneráveis na construção de políticas públicas.

2. Clima e meio ambiente estão no topo da lista de assuntos que mais afetarão a humanidade no futuro – com mais do dobro de respostas do que qualquer outro tema. Conflito e violência aparecem em segundo, riscos em saúde em terceiro, tendo este registado um aumento acentuado desde o início de março.

3. As cinco prioridades de futuro citadas são: proteção ambiental, proteção de direitos humanos, menos conflitos, acesso igualitário a serviços básicos e discriminação zero.

Além do inquérito online, a iniciativa UN75 envolve diálogos – a maioria serão agora em ambiente digital – organizados por parceiros em todo o mundo. Estes dados serão complementados com inquéritos, pesquisas académicas, e análise de media e de redes sociais em cerca de 70 países. Os resultados serão apresentados em setembro de 2020, durante a comemoração oficial do aniversário de 75 anos da ONU. Um relatório final será publicado em janeiro de 2021.

Os dados parciais recolhidos entre janeiro e março incluem 35.556 pesquisas online de 186 Estados-membros, além de 5.688 participações através de aplicações. Mais de 330 diálogos aconteceram em 87 países-membros da ONU.

Participe nesta iniciativa aqui.

Unesco destaca uso de televisão em São Paulo para combater desigualdades no ensino a distância

Para combater a pandemia de covid-19, soluções de ensino à distância foram implementadas na grande maioria dos países, mas existem dificuldades para atingir os 1,5 bilhão de estudantes afetados. 

Segundo a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, a eficácia dos métodos de ensino é influenciada pela preparação técnica de escolas, pais e professores, disponibilidade de conteúdo on-line e acompanhamento do progresso dos alunos. 

Dificuldades

A Unesco destacou o estado de São Paulo, no Brasil, como um exemplo das dificuldades e como podem ser superadas.

A agência diz que “o Brasil é um país que luta com desigualdades extremas, inclusive em termos de ligação de internet de banda larga, com 70% do acesso agrupado em cinco grandes áreas urbanas.”

O professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Ladislas Dowbor disse que 95% da população possui televisão, por isso essa é a maneira mais acessível de garantir a continuidade da aprendizagem em contextos de baixa renda.

Nesse momento, a Secretaria de Educação de São Paulo está combinando programas educacionais de televisão pública, TV Cultura, com materiais impressos e aplicativos móveis gratuitos, criando uma abordagem combinada. 

Ladislas Dowbor disse que “os alunos estão se tornando protagonistas de sua própria aprendizagem.” Além disso, “com uma rede de produtores independentes, está sendo construída uma cultura nova de como o conhecimento é criado e compartilhado, de forma mais colaborativa.”

Exemplos 

A Unesco dá ainda o exemplo da Armênia, onde 25% dos 383 mil habitantes não tinha acesso a computadores no início da crise. O governo lançou uma campanha para fornecer dispositivos a famílias de baixa renda e, ao mesmo tempo, negociou uso da internet a custo zero com as empresas de telecomunicações. 

Em Ontário, no Canadá, onde existem 2 milhões de estudantes, o Ministério da Educação deu formação a 15 mil professores em apenas duas semanas. Vários cursos e outros materiais educacionais estão disponíveis em inglês e francês em um site central aberto a toda a população. O Ministério realiza reuniões semanais com sindicatos e conselhos escolares para identificar problemas e encontrar soluções.

Fases

Apesar dos esforços, o professor da Universidade Aberta do Reino Unido Mike Sharples disse que existem poucos dados sobre a eficácia do ensino a distância nos níveis primário e secundário.

O especialista afirmou, no entanto, que “vídeos instrucionais, por si só, não são tão eficazes quanto o ensino presencial” e que “uma mistura de diferentes métodos de ensino leva a melhores resultados “.

Segundo a chefe da unidade de ensino a distância da Unesco, Fengchun Miao, existem três fases principais na resposta ao fechamento das escolas.

Primeiro, a resposta imediata para identificar a melhor combinação de tecnologias, com foco no apoio psicossocial. Na segunda fase, é preciso criar uma nova rotina diária, prestando atenção à participação remota e engajamento dos alunos. No último estágio, a atenção deve ser dedicada à reabertura das escolas, com atenção para tornar os sistemas educacionais mais resilientes e preparados para o futuro. 

Força-tarefa destaca papel de líderes religiosos contra covid-19, pedindo que ajudem a informar população 

Especialistas da ONU pediram este sábado que líderes religiosos continuem fortemente engajados com seus constituintes durante a crise da covid-19, ajudando na resposta partilhando informação e fatos de acordo com as orientações da Organização Mundial da Saúde, OMS.

A nota foi publicada pelos líderes da Força-Tarefa Interinstitucional da ONU sobre Religião e Desenvolvimento Sustentável e do Conselho Ecumênico das Nações Unidas.

Crise

Segundo os especialistas, “neste momento de agitação, tristeza e angústia, líderes e organizações religiosas desempenham um papel único em aproximar as pessoas de valores comuns da humanidade, como solidariedade e compaixão.”

Para eles, “a solidariedade e a compaixão devem ser promovidas tanto dentro como entre as comunidades de fé diferentes.”

Minorias

Os especialistas mostram “profunda preocupação com os enormes desafios que a situação apresenta aos mais vulneráveis do mundo.”

A nota destaca idosos, refugiados e migrantes, pessoas que vivem em zonas de conflito, pessoas com deficiência, jovens e minorias religiosas. Também lembra mulheres e crianças em risco de violência doméstica e grupos que enfrentam discriminação e estigmatização.

Segundo eles, unidade, solidariedade e cooperação internacional são essenciais para enfrentar a pandemia e não deixar ninguém para trás. Os especialistas dizem estar disponíveis para ajudar a enfrentar estigma, discurso e crimes de ódio, xenofobia, racismo e todas as outras formas de discriminação.

Apelo

Os membros pedem que os líderes usem suas esferas de influência e autoridade para ajudar operações de assistência humanitária nos locais mais difíceis. Também devem manifestar seu apoio ao apelo do secretário-geral, António Guterres, por um cessar-fogo global imediato, que permita que trabalhadores humanitários continuem trabalhando.

Banco Mundial apoiará 100 países em desenvolvimento a enfrentar pandemia de coronavírus

O presidente do Banco Mundial, David Malpass, anunciou nesta sexta-feira que, até o fim de abril, a instituição terá implementado 100 novos programas de apoio emergencial aos países em desenvolvimento diante da pandemia de coronavírus. Sessenta e quatro deles já estão em curso: um em Cabo Verde, um em São Tomé e Príncipe e quatro na América Latina e Caribe. 

O anúncio foi feito no último dia dos encontros de primavera entre o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, FMI, que se realizaram de forma virtual ao longo da semana. 

Ajuda

O Banco Mundial liberará US$ 160 bilhões de dólares nos próximos 15 meses para ajudar os países a se recuperarem da pandemia. Desse total, US$ 50 bilhões virão da Associação Internacional para o Desenvolvimento, IDA, que fornece doações ou empréstimos facilitados para as economias mais pobres do mundo.  

David Malpass lembrou que esses mesmos países terão, a partir de 1º de maio, suspensão temporária do pagamento das dívidas com os credores do G20, ou seja, as maiores economias do planeta. A decisão foi tomada na última quarta-feira, na reunião do grupo, e valerá até o fim do ano, trazendo alívio para países que vêm sentindo mais fortemente os impactos da crise.  

Medidas

Presidente do Banco Mundial, David Malpass., by Banco Mundial/ Simone D. McCourtie

O presidente do Banco Mundial celebrou essa medida e defendeu maior transparência no processo de endividamento dos países. Será preciso fortalecer os sistemas de monitoramento e avaliação, por exemplo, a fim de assegurar que os governos usem esse espaço financeiro para investir melhor em saúde e educação. Segundo Malpass, os países que forem mais transparentes se tornarão mais atrativos a investimentos internacionais, inclusive do setor privado.  

Finalmente, o presidente do Banco Mundial enfatizou a necessidade de sistemas de proteção social para trabalhadores dos setores em crise, como é o caso das pequenas e médias empresas e do setor de turismo. Os países precisarão, entre outros desafios, criar condições para que esses profissionais consigam ser realocados em outros que ofereçam melhores oportunidades. 

*Reportagem: Mariana Ceratti, do Banco Mundial Brasil

ONU alerta para impactos da covid-19 nas crianças

ONU alerta para impactos da covid-19 nas crianças

O secretário-geral da ONU está especialmente preocupado com o bem-estar de todas as crianças do mundo e o impacto que a pandemia covid-19 tem nas suas vidas. António Guterres apelou, por isso, a todas as famílias e a todos os líderes que “protejam as nossas crianças.”

O apelo foi feito durante o lançamento de um relatório das Nações Unidas sobre o impacto dos efeitos da covid-19 na vida das crianças e que identifica os principais riscos desta pandemia para os mais pequenos.

Na área da educação, o relatório destaca que 188 países ordenaram o encerramento das escolas, afetando mais de 1.500 milhões de crianças em todo o mundo. Destes, cerca de 369 milhões, em 143 países, deixaram de ter na escola a única fonte de nutrição regular e, por isso, não têm agora acesso garantido a refeições. O secretário-geral da ONU lembra também que apesar de algumas escolas oferecerem ensino à distância, esta possibilidade não está disponível para todos, alertando que “as crianças em países com serviços de internet lentos e caros estão em grande desvantagem.”

O relatório sublinha que dezenas de milhares de crianças poderão morrer este ano, com o agravamento da recessão mundial, revertendo os progressos alcançados nos últimos 3 anos na redução da mortalidade infantil. Apesar da maioria das crianças não ter grandes complicações quando infetadas pelo vírus, o relatório lembra que os seus impactos socioeconómicos, bem como as medidas de mitigação adotadas pelos governos, podem ser potencialmente catastróficas para milhões de crianças:

“o que começou como uma crise de saúde pode tornar-se numa crise dos direitos das crianças”, refere ainda o documento.

As Nações Unidas enfatizam que esta é uma crise universal com uma escala sem precedentes, em que todas as crianças, de todas as idades e em todos os países, são afetadas. No entanto, algumas crianças estão em maior risco, nomeadamente as que vivem em favelas, campos de refugiados e deslocados e zonas de conflito. Também as crianças com deficiência e que vivem em instituições e centros de detenção estão mais vulneráveis.

Neste contexto, as Nações Unidas consideram que é necessário agir de imediato para mitigar os impactos que a pandemia terá sobre as crianças. Na sua mensagem, o secretário-geral da ONU apela aos líderes “que façam tudo o que está ao seu alcance para amortecer o impacto da pandemia. O que começou como uma emergência de saúde pública transformou-se num teste formidável à promessa global de não deixar ninguém para trás”, enfatiza António Guterres.

 

O relatório considera que é necessário mais informação, mais solidariedade e mais ação, e elenca uma série de medidas concretas que devem ser tomadas:

  • Implementar ou expandir a assistência social às famílias, de preferência por meio de subsídios universais para crianças
  • Proteger as cadeias de abastecimento de alimentos e mercados locais de alimentos, para proteger as crianças de uma crise de segurança alimentar
  • Dar prioridade à continuidade dos serviços centrados na criança, como escolaridade, programas de nutrição, cuidados maternos e neonatais, serviços de vacinação, serviços de saúde sexual e reprodutiva, tratamento do VIH, saúde mental e serviços psicossociais
  • Estabelecer proteções específicas para crianças vulneráveis, incluindo migrantes, deslocados, refugiados, minorias, moradores de bairros de lata, crianças com deficiência, crianças presas em conflitos armados e crianças em instituições.
  • Fornecer apoio prático aos pais e cuidadores, como devem explicar a pandemia às crianças, como gerir a sua própria saúde mental e a saúde mental de seus filhos, além de ferramentas para ajudar a apoiar a aprendizagem dos filhos.
  • Garantir que crianças, adolescentes e jovens tenham acesso aos testes, tratamento e vacinas da covid-19 quando estiverem disponíveis.

Para a ONU, esta crise inédita é também uma oportunidade sem precedentes de solidariedade internacional para com as crianças e de “revolucionar a forma como investimos nas gerações mais jovens.”

Consulte este relatório da ONU aqui.

OIT: jovens trabalhadores entre os mais afetados pela pandemia de covid-19

A crise global de covid-19 pode piorar a situação de jovens trabalhadores afetando essa faixa da população de forma mais grave.

O alerta é da Organização Internacional do Trabalho, OIT, que estima que pessoas menores de 25 anos serão fortemente impactadas pelas consequências econômicas da pandemia. 

No ano passado, a agência da ONU publicou um relatório sobre os desafios de trabalhadores jovens para conseguirem emprego decente mesmo em tempos de economias fortes. Foto: Maxime Fossat/OIT

Desafios

No ano passado, a agência da ONU publicou um relatório sobre os desafios de trabalhadores jovens para conseguirem emprego decente mesmo em tempos de economias fortes.

Cerca de 20% dos jovens de até 25 anos estavam sem emprego, fora do sistema educativo ou de treinamento profissional, o que é conhecido pela sigla Neet, em inglês. 

Para a OIT, existem cinco razões principais pelas quais os jovens serão mais afetados pelas consequências socioeconômicas da pandemia:

Negócios

1) Trabalhadores jovens são atingidos mais que os mais velhos e experientes em épocas de recessão. Registros indicam que os jovens são também os primeiros a serem demitidos quando há uma crise. Muitos são lançados na economia informal. Empreenderes jovens e empresas geridas por jovens enfrentam problemas semelhantes por não saberem como lidar com dificuldades nos negócios.

2. Cerca de 75% dos jovens trabalham na economia informal (especialmente em países de rendas baixa e média). Por exemplo, na agricultura ou em cafés e restaurantes pequenos. Com pouca ou nenhuma reserva de dinheiro, eles não têm como ficar fora do trabalho ou fazer o autoisolamento contra a pandemia.

3. Muitos trabalhadores jovens estão em “tipos de emprego não-padronizados” incluindo part-time ou avulsos. Esses postos pagam pouco, não têm proteção social e os empregados trabalham em horas irregulares. Muitos não têm direito a benefícios empregatícios ou seguro desemprego. 

4. Trabalhadores jovens geralmente atuam em setores e indústrias que estão fortemente afetadas pela pandemia de covid-19. Em 2018, cerca de 30% dos jovens empregados na União Europeia estavam em vendas, varejo, hospitalidade e setor de alimentos. Muitos como lojistas, cozinheiros, garçons e garçonete etc). Essas posições estão entre as mais afetadas pela pandemia. As mulheres abaixo de 25 anos são mais fortemente atingidas por ocuparem mais da metade desses postos. Dos trabalhadores na área de gastronomia e hotelaria 57% são mulheres na Suíça e 65% no Reino Unido. 

5. Os jovens estão mais sob risco que qualquer outro grupo etário quando o tema é automação dos serviços.

©UNHCR/O. Akindipe

Para a OIT, os governos precisam levar esses pontos em consideração na formulação de políticas e medidas de proteção social para os trabalhadores jovens

Sociedades

Para a OIT, os governos precisam levar esses pontos em consideração na formulação de políticas e medidas de proteção social para os trabalhadores jovens 

O impacto sobre a juventude terá consequências de longo prazo sobre sociedades inteiras. Entrar no mercado de trabalho durante uma recessão pode levar a perdas salariais que afetarão toda a carreira dos trabalhadores jovens. 

Para a agência, o legado da covid-19 sobre trabalhadores jovens pode ter consequências ainda maiores com desperdício de talento, formação e treinamento.

Recursos para a OMS, combate a informações falsas e recessão na AL e Caribe

Neste #DestaqueONUNews,  as Nações Unidas dizem que não é momento para cortar recursos da OMS; nova iniciativa quer combater falsas informações após surgimento da pandemia e economia da América Latina só deverá se recuperar da recessão em 2021.
 

Mensagem do secretário-geral sobre a covid-19 e a desinformação

No momento desafiante que o mundo está a viver, somos constantemente bombardeados por informação que nem sempre conseguimos filtrar e que pode ser perigosa para o bem-estar da sociedade.
 
Por isso, António Guterres anunciou ontem a nova Resposta para as Comunicações das Nações Unidas, de forma a combater também a “pandemia global da desinformação”, que está a inundar a internet e a pôr ainda mais vidas em risco.
 
Estamos prontos para combater esta pandemia com ciência e solidariedade! Quem está connosco?
Veja a mensagem do secretário-geral na íntegra.

FMI prevê recessão global de 3% em 2020, maior descida desde Grande Depressão de 1929

O Fundo Monetário Internacional, FMI, publicou esta terça-feira as suas previsões para a economia global. A instituição prevê uma recessão global de 3%. 

A previsão reflete o impacto da pandemia de covid-19, forçando uma revisão das estimativas publicadas em janeiro, quando estava previsto um crescimento de 3,3%. 

Lusófonos

Nos países lusófonos, a instituição prevê uma queda de 1,4% em Angola, 5,3% no Brasil e 8% em Portugal. Não foram publicadas estimativas individuais para os outros países de língua portuguesa.

Em 2021, a economia deve mostrar sinais de recuperação, com a economia angolana avançando 2,6%, a brasileira 2,9% e a portuguesa 5%. 

Na Zona Euro, economia deve cair 7,5%. Estados Unidos devem ter um recuo de 5,9%. Mercados emergentes e economias em desenvolvimento devem recuar 1%.

A pesquisa parte do pressuposto de que a pandemia atinge o pico no segundo trimestre para a maioria dos países do mundo e recua nos últimos seis meses do ano. 

Escala

No relatório, o FMI diz que “a magnitude e a velocidade do colapso da atividade econômica” causada pela covid-19 “é diferente de tudo o que já aconteceu na nossa época.”

Em comparação, a economia global recuou 0,1% durante a crise financeira de 2009. A recessão prevista para 2020 será a pior desde a Grande Depressão de 1929.

A instituição afirma que “esta é uma crise como nenhuma outra” e, por isso, “existe uma incerteza substancial sobre seu impacto na vida e nos meios de subsistência das pessoas.”

Incerteza

Muitos países enfrentam agora várias crises em setores como saúde, finanças e mercados, que interagem de maneiras complexas. Governos estão fornecendo apoio sem precedentes a famílias, empresas e mercados financeiros, mas continua existindo “uma incerteza considerável sobre qual será o cenário econômico no fim do bloqueio.”

Em relação a 2021, o FMI prevê um crescimento de 5,8%, se a pandemia desaparecer no segundo semestre de 2020 e as ações políticas conseguirem evitar um cenário de falências generalizadas, perda prolongada de empregos e tensões financeiras. 

A recuperação será parcial, ficando abaixo do nível que era projetado antes do surto.  Em dois anos, a perda acumulada do PIB global pode ser de cerca de US$ 9 trilhões, mais do que o PIB anual do Japão e da Alemanha juntos.

Afetados

O FMI diz que “esta é uma crise verdadeiramente global” e nenhum país é poupado.
Pela primeira vez desde a Grande Depressão, economias avançadas, mercados emergentes e economias em desenvolvimento estarão em recessão ao mesmo tempo. A renda per capita é projetada para diminuir em mais de 170 países. 

Segundo a pesquisa, combater a propagação do vírus usando bloqueios “permite que os sistemas de saúde lidem com a doença, o que permite a retomada da atividade econômica.” Nesse sentido, o FMI afirma que “não há compromisso entre salvar vidas e salvar meios de subsistência.”

Resposta

Os países devem continuar investindo em seus sistemas de saúde, realizar testes generalizados e abster-se de restrições comerciais aos suprimentos médicos. 

Outra recomendação é que haja um esforço global que deve garantir que tanto os países de alta renda como os de baixa renda tenham acesso imediato a tratamentos e vacinas quando estes forem desenvolvidos.

Para o FMI, políticas já adotadas por muitos governos “têm sido a salvação para famílias e empresas.” Esse apoio deve continuar durante toda a fase de contenção para minimizar danos como a perda de empregos.

Os governos também devem começar a planejar a recuperação. À medida que as medidas de contenção são levantadas, as políticas devem mudar rapidamente para apoiar a demanda. Medidas como estímulo fiscal, moratória de pagamentos e reestruturação da dívida podem ser necessárias durante recuperação.

Covid-19: UNICEF Portugal apoia crianças e jovens mais vulneráveis

UNICEF está a apoiar as crianças mais vulneráveis e as suas famílias em todo o mundo na prevenção do contágio do coronavírus. Portugal não fica de fora deste esforço e em articulação com o Governo, organizações parceiras e municípios “Amigos das Crianças”, a UNICEF Portugal tem um papel ativo de sensibilização. Para além disso, vai oferecer 80.000 máscaras de proteção e conteúdos para pais e educadores.

Em comunicado, a UNICEF Portugal adianta que o encerramento das escolas e outras medidas de contenção estão a ter um impacto direto no acesso das crianças a uma educação de qualidade, bem como no potencial aumento do risco de abuso e violência, e da ansiedade e do medo, como resultado do isolamento das crianças e das suas famílias”. 

Para além disso, a perda de rendimentos e do emprego afetarão severamente muitos aspetos da vida das crianças e, a longo prazo, poderão levar ao aumento do risco de pobreza infantil, alerta ainda a representação da UNICEF no nosso país.

A diretora executiva da UNICEF em Portugal, Beatriz Imperatori, destaca que esta entidade está a trabalhar desde o início do estado de emergência com os seus parceiros e de forma particular com as 39 Cidades Amigas das CriançasA situação das crianças mais vulneráveis preocupa-nos.” Perante a ameaça que é agora posta aos avanços registados, nos últimos anos, na saúde, na educação e na proteção, a responsável explica que a UNICEF Portugal está “a construir uma estratégia integrada e com um horizonte temporal pós covid.”

UNICEF Portugal informa ainda que está a acompanhar a situação das crianças no país e a analisar o impacto da pandemia na realização dos seus direitos.  Para melhor apoiar as crianças e os jovens em Portugal, e criar ações de resposta à medida das necessidades, a UNICEF tem vindo a identificar as necessidades de milhares de crianças e jovens, em particular das mais vulneráveis e monitorizar, a partir do levantamento de necessidades, os efeitos que a situação está a causar

A colaboração da UNICEF Portugal com o Governo e organizações que trabalham com crianças tem como objetivo sensibilizar para a implementação de medidas nacionais de proteção da criança e a capacitação dos atores locais na resposta social às crianças em situação mais vulnerável”, explica ainda o comunicado da UNICEF.

Para tal, é necessário assegurar o direito de todas as crianças a aprenderem, proteger as crianças da violência, maus-tratos e abuso, apoiar as famílias face às suas necessidades atuais e de médio prazo e manter as crianças saudáveis.

O apoio da UNICEF traduz-se, ainda, na distribuição de 80.000 máscaras de proteção para profissionais de saúde no valor de €50.000 e na elaboração de conteúdos para sensibilizar, informar e apoiar os pais, cuidadores, professores, educadores e outros profissionais com conselhos para lidar com o atual momento em casa, na escola ou na comunidade.