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Próximas semanas no combate à covid-19, riscos para crianças detidas, o perigo de notícias falsas

Neste Destaque ONU News, apresentado por Alexandre Soares, países precisam escolher como continuar a enfrentar pandemia do novo coronavírus e pandemia coloca em risco crianças detidas em todo o mundo. No final, um aviso da Unesco sobre notícias falsas. Segundo os últimos dados, a covid-19 já causou mais de 111 mil mortes. Quase 1,8 milhão de pessoas foram infetadas.

Mensagem do secretário-geral aos líderes religiosos

Este é um período especial para pessoas de diferentes fés: os cristãos celebram a Páscoa, os judeus estão a comemorar o Pessach e, em breve, os muçulmanos iniciam o mês sagrado do Ramadão.
 
O secretário-geral da ONU deixa um apelo especial aos líderes religiosos de todas as fés para que juntem forças no trabalho em prol da paz em todo o mundo e se foquem na nossa batalha comum para derrotar a covid-19.
 
António Guterres pede ainda que não nos esqueçamos dos heroicos profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate a este vírus terrível e de todos aqueles que trabalham para garantir o funcionamento das nossas cidades e vilas.
 
Juntos, podemos e iremos derrotar este vírus!
Veja a mensagem do secretário-geral na íntegra.

Jornalista do Timor-Leste é destaque na luta contra novo coronavírus 

Uma jornalista do Timor-Leste foi destacada pela agência ONU Mulheres para exemplificar o papel feminino preponderante no combate à covid-19.

Zevonia Vieira, presidente da Associação de Jornalistas do país de língua portuguesa, está atuando para manter a população informada sobre como melhor se proteger da doença.

Quarentena 

Zevonia Vieira, presidente da Associação de Jornalistas de Timor-Leste.

Ela aparece numa lista de cinco profissionais na Ásia e na Europa que estão fora do regime de quarentena como trabalhadores essenciais.

Na relação divulgada na página da ONU Mulheres na internet, a jornalista explica como convenceu o governo a apoiar a criação de um centro de imprensa com os devidos cuidados de distanciamento social para manter a sociedade informada.

Crise 

Zevonia Vieira conta que tem uma jornada longa e que depois do trabalho ajuda o filho com as tarefas de casa, o que impõe a ela mais cansaço e esforços. Mesmo assim, ela se diz realizada de poder levar informações corretas e seguras ao público sobre a pandemia e a crise global. 

O Timor-Leste, assim como outras nações, impôs o isolamento social à população em março para evitar a contaminação com o novo coronavírus. 

Albânia e Tailândia 

Na lista da ONU Mulheres, também é destacada a médica Entela Kolovani, da Albânia, que está cuidando de pacientes contaminados com a covid-19 desde 9 de março. Ela e o marido não veem os filhos desde a data para evitar que eles se contaminem. Cerca de 12% dos infectados na Albânia são agentes de saúde. 

Natawan Pintho, da Tailândia. Capitã da polícia no aeroporto internacional do país, já teve que negar várias entradas na imigração por causa da ameaça do vírus. A militar contou que todos os dias se pergunta se foi contaminada e que o mais duro é não poder viajar os 600km até o interior para visitar os pais. 

A lista inclui uma parteira e uma encarregada de distribuição de alimentos tailandesas que lembram que seu trabalho não pode esperar pelo fim da crise e que, por isso, continuam garantindo em suas respectivas áreas a entrega de alimentos e o nascimento de bebês. 

Covid-19: Guterres lembra celebrações religiosas e pede que líderes unam forças

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez esta quinta-feira um apelo especial aos diferentes líderes religiosos “para que unam forças pela paz em todo o mundo e coloquem o foco na batalha comum para derrotar a covid-19.”

Em mensagem vídeo, o chefe da ONU disse que fazia o pedido “num momento especial do calendário espiritual”, em que cristãos celebram a pascoa, os judeus a páscoa judaica e, em breve, os muçulmanos começarão o mês sagrado do Ramadã.

Crise

Estendendo seus cumprimentos para todos os que estão celebrando, Guterres disse que estas ocasiões sempre foram “momentos de comunidade, de famílias se juntando, de abraços e apertos de mão e encontro da humanidade.”

O chefe da ONU lembrou que as pessoas vivem um momento “como nenhum outro”, em que todos tentam “navegar um mundo estranho e surreal.” Um mundo de ruas silenciosas, montras fechadas e lugares de oração vazios. 

Guterres disse que era “um mundo de preocupação”, em que todos estão preocupados com seus entes queridos, e perguntou “como se celebra num tempo como este?”

Para o secretário-geral, as pessoas devem “tirar inspiração da essência destas ocasiões sagradas enquanto momentos de reflexão, lembrança e renovação.”

Apelo

Enquanto o mundo reflete, António Guterres pediu que as pessoas reservem um momento para pensar “nos heroicos trabalhadores de saúde que estão na linha da frente lutando contra este vírus e todos aqueles que trabalham para que cidades e vilas continuem funcionando.”

O chefe da ONU também pediu que as pessoas se lembrem “dos mais vulneráveis em todo o mundo, em zonas de guerra, campos de refugiados, favelas e todos os lugares menos preparados para combater o vírus.”

Para Guterres, estes momentos devem ser usados “para renovar a fé uns nos outros e ganhar força na bondade que está surgindo durante tempos difíceis, quando comunidades de religiões e tradições étnicas diferentes se unem para cuidar uma da outra.”

António Guterres termina a mensagem sublinhando os países podem combater o vírus “com cooperação, solidariedade e fé na humanidade comum.”

OMS: Casos globais de covid-19 já ultrapassam 1,5 milhão

A Organização Mundial da Saúde, OMS, informou que os casos confirmados da covid-19 em nível global somavam 1.521.252 nesta sexta-feira. A agência confirmou a morte de 92.798 pessoas devido à pandemia.

Em atualização apresentada pelo diretor-geral da agência, Tedros Ghebreyesus, um dos destaques foi a situação na África, onde o vírus se propaga em áreas rurais. A OMS aponta que existem casos em grupos e comunidades de mais de 16 países.

Recursos

Para as áreas do campo, a previsão é que haja “graves dificuldades para os sistemas de saúde já sobrecarregados”, particularmente porque faltam recursos quando são comparadas às cidades.

Outro apelo da agência foi para os países que planeam fazer uma transição do confinamento em casa. O chefe da OMS destacou que “levantar essas restrições muito rapidamente pode levar a um ressurgimento de casos de forma mortal”. 

Ghebreyesus  disse ainda que a diminuição de pacientes “pode ser tão perigosa quanto a subida, se esta não for gerenciada de forma adequada”.

Serviços

O diretor-geral da OMS disse que a agência atua com países afetados para que possam diminuir as restrições de uma forma gradual e com segurança, tendo em conta cinco aspetos. O primeiro é que a transmissão seja controlada. Em segundo lugar, que os serviços públicos de saúde e de assistência médica estejam disponíveis.

Outros fatores são minimizar os riscos em ambientes como centros de cuidados, além de assegurar medidas preventivas em locais de trabalho, escolas e outros lugares. A OMS destaca ainda que os riscos de importação da doença podem ser gerenciados, as comunidades mais conscientes e envolvidas na transição. 

Tendência alarmante 

A agência expressa grande preocupação com o número de infeções relatadas entre os profissionais de saúde, que em alguns países chega a 10%. Para o chefe da OMS, esta é uma tendência alarmante.

Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tedros Ghebreyesus. , by ONU/ Elma Okic

Exemplos de países como China, Itália, Singapura, Espanha e Estados Unidos mostram que estes funcionários “estão sendo contaminados fora dos estabelecimentos de saúde, em suas casas ou comunidades”.

Descanso 

Nas unidades de saúde, os problemas comuns são o reconhecimento tardio da covid-19, a falta de treinamento ou experiência para tratar patógenos respiratórios. O grupo enfrenta ainda a exposição a um “grande número de pacientes em turnos longos com períodos de descanso inadequados”.

Ghebreyesus disse que quando profissionais de saúde usam equipamentos de proteção individual da maneira certa, as infeções podem ser evitadas. Ele defendeu o acesso a equipamentos como máscaras, luvas, aventais e outros necessários para um trabalho com segurança e eficácia.
 

Centre hospitalier d’Argenteuil

Profissionais de saúde enfrentam exposição a um “grande número de pacientes” de covid-19.

Mensagem do secretário-geral sobre as mulheres e a covid-19

A epidemia covid-19 está a ter consequências sociais e económicas devastadoras para as mulheres. O secretário-geral das Nações Unidas lançou o alerta no dia em que a ONU divulgou um relatório que mostra como a covid-19 pode inverter os avanços feitos na igualdade de género e nos direitos das mulheres.
 
Segundo este relatório, 60% das mulheres trabalham na economia informal e correm um grande risco de cair na pobreza. A pandemia também tem levado ao aumento significativo da violência sobre as mulheres. Em todo o mundo, cerca de 1 em cada 5 mulheres foi vítima de violência no ano passado. Muitas delas estão agora presas em casa com os abusadores.
 
António Guterres faz , por isso, um apelo aos países: “tomem medidas urgentes para proteger as mulheres”.
 
Veja a mensagem do secretário-geral na íntegra e leia o relatório aqui.

Covid-19: 60 agências internacionais pedem resposta rápida para proteger países de baixa renda

Os governos devem tomar medidas imediatas para evitar uma crise de dívida potencialmente arrasadora e evitar o caos econômico e financeiro causado pela pandemia da covid-19 nos países em desenvolvimento.

A recomendação é de um novo relatório da Força Interinstitucional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, que reúne mais de 60 agências internacionais. O grupo é liderado pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, Desa.

Perdas

Devido à crise causada pela pandemia, investidores internacionais já retiraram cerca de US$ 90 bilhões de mercados emergentes, a maior saída já registrada.

Além disso, existe a possibilidade de uma nova crise da dívida, agravada pela queda dos preços do petróleo e de outras commodities importantes. Muitos países de baixa renda já estavam em alto risco de endividamento excessivo e o número deve aumentar de forma significativa.

Mesmo antes do surto, era provável que a renda per capita estagnasse ou diminuísse este ano em cerca de 20% dos países. Agora, a situação deve atingir bilhões de pessoas.

A vice-secretária geral das Nações Unidas, Amina Mohammed, disse que “todos os países devem enfrentar o desafio de salvar vidas e proteger meios de subsistência.” Para ela, o mundo terá “uma chance de reconstruir para melhor as pessoas e o planeta.”

Medidas

O relatório descreve medidas para lidar com o impacto da recessão global e da turbulência financeira, especialmente nos países mais pobres do mundo. A base das recomendações são pesquisas da ONU, do Fundo Monetário Internacional, FMI, do Banco Mundial e outros parceiros. 

Para impedir uma crise da dívida, os pagamentos de países menos desenvolvidos devem ser suspensos. Outra recomendação é que bancos centrais restabeleçam a estabilidade financeira, fornecendo liquidez suficiente, especialmente em mercados emergentes. 

Para conter a queda acentuada da atividade econômica, é preciso uma resposta global coordenada que apoie os países mais necessitados ampliando os gastos em saúde pública e proteção social, mantendo pequenas empresas abertas e realizando transferências. Já o comércio, deve ser protegido eliminando barreiras comerciais que restringem cadeias de suprimentos.

Ajuda

O relatório também recomenda um aumento na assistência oficial ao desenvolvimento, combatendo o declínio dos últimos anos. Em 2018, este tipo de ajuda diminuiu 4,3%.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que o mundo “está longe de ter um pacote global para ajudar o mundo em desenvolvimento a criar condições tanto para suprimir a doença quanto para enfrentar as dramáticas consequências nas populações.” Para ele, é necessária uma resposta que atinja pelo menos 10% do PIB global.

Futuro

A pandemia também deve acelerar a implementação de medidas há muito esperadas para colocar o mundo em um caminho de desenvolvimento mais sustentável e tornar a economia global mais resistente a choques futuros.

Para isso, deve ser aumentado o investimento a longo prazo em infraestrutura resiliente, melhorada a preparação de riscos e fortalecida a rede de proteção social. Também devem ser criadas estruturas regulatórias contra o endividamento privado excessivo.

O relatório também destaca o potencial das tecnologias digitais, mas lembra que o acesso continua sendo altamente desigual dentro e entre países. Quase metade da população global, cerca de 46,4% das pessoas, não tem acesso à internet.

Guterres destaca papel crucial da OMS no combate à covid-19

O secretário-geral da ONU considera que a Organização Mundial de Saúde (OMS) “deve ser apoiada” e que é “absolutamente crítica” para combater a pandemia da covid-19.

Num comunicado emitido esta quarta-feira, António Guterres lembrou que  a OMS, com os seus milhares de trabalhadores, está na linha de frente, apoiando os Estados-membros e as suas sociedades, “especialmente os mais vulneráveis”, com orientação, formação, equipamento e serviços que salvam vidas enquanto lutam contra o vírus.”

Guterres destacou que foi testemunha da coragem e da determinação dos funcionários da OMS, quando visitou a República Democrática do Congo no ano passado, onde trabalhavam em condições precárias e em lugares perigosamente remotos enquanto lutavam contra o letal vírus do Ébola. “Foi um sucesso notável para a OMS que nenhum novo caso Ébola tenha sido registado em meses”, sublinha o líder da ONU.

Perante um vírus que não tem precedentes na nossa existência e que “requer uma resposta sem precedentes”, Guterres admite que “os mesmos factos tenham diferentes leituras por diferentes entidades”e explica que “quando tivermos finalmente virado a página desta epidemia, haverá tempo para olhar para atrás e compreender totalmente como esta doença apareceu e espalhou a sua devastação tão rapidamente através do globo, e como todos os envolvidos reagiram à crise.”

Para o secretário-geral será importante “aprender a lição” para lidar com desafios semelhantes, à medida que eles forem aparecendo no futuro, no entanto, agora é “tempo para união, para a comunidade internacional trabalhar em conjunto e em solidariedade para travar este vírus e as suas consequências devastadoras.”

Quase 100 dias após anúncio da covid-19, mundo tem mais de 74 mil mortes

Quase 100 dias depois de ter sido descoberto o novo coronavírus, a cidade chinesa de Wuhan, onde a covid-19 foi identificada pela primeira vez, começou a reduzir as medidas de restrição de movimentos da sua população. Foi em 9 de marco que a Organização Mundial da Saúde,  OMS, foi notificada dos primeiros casos de “pneumonia com causa desconhecida” na China.

A partir desta quarta-feira, os moradores podem sair da cidade e outras pessoas podem entrar. Mas outras medidas de isolamento social continuam ativas devido ao número de pessoas que não apresentam sintomas, mas estão infetadas com o vírus. 

Proteção

Até esta quarta-feira, o vírus já tinha infetado cerca de 1,3 milhão de pessoas em mais de 200 países e territórios. Cerca de 74,3 mil pessoas tinham perdido a vida em todo o mundo.

Falando a jornalistas, em Genebra, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que continua preocupado com a falta de equipamentos de proteção médicos.

A agência publicou novas orientações sobre o uso de máscaras médicas pela população em geral, mas Ghebreyesus avisou que este recurso apenas é eficaz com um pacote complete de intervenções.

Dede o início do surto, a OMS já enviou mais de 900 mil máscaras cirúrgicas, 62 mil máscaras N95, 1 milhão de luvas, 115 batas médicas, 17 mil óculos de proteção e 34 mil proteções faciais para 133 países. A agência também enviou kits de testes para 126 países.

África

África vê aumentar o número de casos confirmados para mais de 10 mil. O número de mortes chegou a mais de 500. Enquanto o vírus demorou a chegar ao continente, a infecção está crescendo exponencialmente nas últimas semanas.

O primeiro caso da covid-19 da África foi registrado no Egito em 14 de fevereiro. Desde então, 52 países notificaram casos. Inicialmente, o vírus estava apenas nas capitais, mas um número significativo de países está agora relatando casos em várias províncias.

Desenho feito por um paciente da covid-19 em um hospital de Wuhan, na China, Huachao Sang

A diretora regional para a África da OMS, Matshidiso Moeti, disse que “a covid-19 pode provocar milhares de mortes, mas também causar devastação econômica e social.” Para ela, “a expansão para além das grandes cidades significa a abertura de uma nova frente na luta contra o vírus.”

Ásia

A nova pandemia também está tendo consequências econômicas e sociais na região da Ásia-Pacífico, informou esta quarta-feira a Comissão Económica e Social para a Ásia e o Pacífico, Escap.

Um novo relatório sublinha que a crise representa um “risco imediato para as perspectivas econômicas da região, aprofundando a desaceleração econômica que já estava em andamento.” A pesquisa destaca “incertezas significativas” sobre as consequências da pandemia, mas considera “provável que os impactos negativos sejam substanciais.”

A Escap aconselha que, em seus programas de estímulo econômico, os países em desenvolvimento da Ásia-Pacífico devem aumentar os gastos em saúde em US$ 880 milhões por ano. A pesquisa também pede que seja criado um fundo regional para responder a futuras emergências de saúde.  

OIT: Covid-19 causa perdas devastadoras para o mundo do trabalho

O Covid-19 está a provocar um efeito devastador nos horários de trabalho e nos rendimentos, à escala mundial. Um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) identifica os setores e as regiões que serão mais afetados, bem como as políticas que podem mitigar estes efeitos.

Espera-se que a crise do Covid-19 elimine 6,7% das horas de trabalho, a nível global, no segundo trimestre de 2020o equivalente a 195 milhões de trabalhadores a tempo inteiro. Estão previstas reduções significativas nos paíseárabes (8,1%, equivalente a 5 milhões de trabalhadores a tempo inteiro)na Europa (7,8% ou 12 milhões de trabalhadores) e na Ásia e Pacífico (7,2%, 125 milhões)São também estimadas grandes perdas em diferentes grupos de rendimentos, especialmente nos países desenvolvidos (7,0%, 100 milhões de trabalhadores)Estes impactos excedem em muito os efeitos da crise financeira de 2008-09. 

No nosso país, o Banco de Portugal estima que a taxa de desemprego possa alcançar os 10,1% este ano. Aquela instituição prevê que, dos 6,5% de 2019, Portugal passe a ter uma taxa de desemprego de 10,1% em 2020, descendo depois progressivamente para 9,5% em 2021 e 8% em 2022.

Setores e regiões  

Segundo a OIT, os setores de maior risco incluem hotelaria e restauração, a indústriaretalho e atividades comerciais e administrativas. O eventual aumento do desemprego global em 2020 dependerá substancialmente da evolução da epidemia de medidas políticas. Existe um alto risco de que o número no final de ano seja significativamente maior que a projeção inicial da OIT, de 25 milhões. Atualmente, mais de quatro em cada cinco pessoas (81%) da força de trabalho global – ou seja, 3.3 mil milhões – estão a ser afetadas pelo encerramento total ou parcial do local de trabalho.

“Trabalhadores e empresas estão enfrentar uma catástrofe, tanto nas economias desenvolvidas como nas economias em desenvolvimento”, afirma o diretor-geral da OIT, Guy RyderTemos que agir rápido, de forma determinada e em conjuntoAs medidas certas e urgentes podem fazer a diferença entre a sobrevivência e colapso.”  

Ainda de acordo com o novo estudo da OIT, 1.25 mil milhões de trabalhadores estão empregados em setores identificados como sendo de elevado risco, isto é, suscetíveis a aumentos  “drásticos e devastadores” no lay off e de redução de salários e de horas de trabalho. Muitos têm um trabalho mal remunerado, em que a perda de rendimento pode ter efeitos devastadores

Em termos regionais, a proporção de trabalhadores “em risco” varia de 41% no continente americano, até 26% na Ásia e Pacífico. Outras regiões, particularmente África, têm níveis mais elevados de informalidade, o que combinado com a falta de proteção social, elevada densidade populacional e pouca capacidade instalada, impõe desafios de saúde e sociais muito severos aos governos, adverte este relatório.  Cerca de 2 mil milhões de pessoas trabalham no setor informala maioria nos países em vias de desenvolvimento, estando mais expostos ao desemprego.

Políticas

De acordo com a OIT, são necessárias políticas de larga escala e integradas, centradas em 4 pilares: napoio às empresas, ao emprego e ao rendimento; no estímulo à economia e ao emprego; na proteção dos trabalhadores no local de trabalho; e no recurso ao diálogo social, entre governos, trabalhadores e empregadores para encontrar soluções. Para o diretor-geral da OIT, este é o maior teste de cooperação internacional em mais de 75 anos. Se um país falha, falhamos todos.

“É necessário encontrar soluções que ajudem todos os segmentos da nossa sociedade global, particularmente os mais vulneráveis e menos capazes de se ajudarem. As escolhas que fazemos hoje irão afetar diretamente a forma como a crise se desenrolará e a vida de milhares de milhões de pessoas, acrescentou.

O responsável termina dizendo que, “com as medidas certas, podemos limitar o impacto e as cicatrizes desta crise” e que “devemos ter como objetivo recuperar melhor para que os nossos novos sistemas sejam mais seguros, mais justos e mais sustentáveis do que aqueles que permitiram que esta crise tivesse lugar.”

 

*Com OIT Lisboa

Fotos: OIT

Lady Gaga ajuda a organizar evento global para apoiar trabalhadores de saúde durante pandemia

A Organização Mundial da Saúde, OMS, fez uma parceria com a Global Citizen para lançar o especial de televisão One World Together At Home, Um Mundo Unido em Casa, em português. 

A iniciativa está sendo organizada pela cantora Lady Gaga e pretende celebrar os profissionais de saúde de todo o mundo enquanto lutam contra a pandemia da covid-19.

Estrelas

O especial, que será transmitido no sábado, 18 de abril, contará com médicos, enfermeiros e famílias compartilhando suas histórias do combate à pandemia.

Os artistas, que estão sendo escolhido por Lady Gaga, incluem Alanis Morissette, Andrea Bocelli, Billie Eilish, Billie Joe Armstrong, dos Green Day, Burna Boy, Chris Martin, David Beckham, Eddie Vedder, Elton John, Finneas, Idris e Sabrina Elba, J Balvin, John Legend, Kacey Musgraves, Keith Urban, Kerry Washington, Lang Lang, Lizzo, Maluma, Paul McCartney, Priyanka Chopra Jonas, Shah Rukh Khan and Stevie Wonder.

Os apresentadores de televisão Jimmy Fallon, do The Tonight Show, Jimmy Kimmel do Jimmy Kimmel Live, e Stephen Colbert, do The Late Show with Stephen Colbert, serão os anfitriões do evento. Personagens da Vila Sésamo também estarão presentes.

Fundos 

Os fundos angariados irão para o Fundo de Resposta de Solidariedade covid-19 da OMS para equipar os profissionais de saúde com máscaras e outros equipamentos vitais. Parte dos fundos irá para instituições de caridade locais que distribuem comida, abrigo e cuidados de saúde aos mais necessitados.

Em nota, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que todo o sistema da ONU está mobilizado, apoiando as respostas dos países, colocando suas cadeias de distribuição à disposição do mundo e defendendo um cessar-fogo global. 

O chefe da ONU disse estar orgulhoso por esta parceria, que irá “ajudar a suprimir a transmissão do vírus, minimizar os impactos socioeconômicos na comunidade global e promover metas globais para o futuro.”

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que agência está comprometida em derrotar a pandemia de coronavírus e apoiar os profissionais de saúde que estão na linha de frente da resposta”.

Já o cofundador e presidente da Global Citizen, Hugh Evans, disse que a transmissão pretende ser uma fonte de união. Segundo ele, “através da música e entretenimento, estes talentos globais irão celebrar, ao vivo, todos aqueles que arriscam sua própria saúde para proteger outros.”

Dia Mundial da Saúde: ONU homenageia quem está na linha da frente

Este ano, o Dia Mundial da Saúde celebra-se num momento muito difícil para todo o mundo.

O secretário-geral da ONU dirigiu a sua mensagem deste dia aos profissionais de saúde – enfermeiras(os), parteiras(os), técnicos, paramédicos, farmacêuticos, médicos, motoristas, profissionais de limpeza, administradores e muitos outros – “que trabalham, dia e noite, para nos manter seguros.”

Numa mensagem vídeo, gravada em Nova Iorque, o líder das Nações Unidas expressou como estamos todos “profundamente gratos” a estes profissionais, “enquanto trabalham sem parar, colocando-se em risco, para combater os impactos desta pandemia.”

De acordo com a Direção-Geral de Saúde (DGS), em Portugal, há 11.730 casos confirmados, sendo que se registaram 311 óbitos e 140 pessoas já recuperaram. Entre os infetados, muitos são profissionais de saúde que estão na frente da batalha no combate a este vírus. Segundo a Ordem dos Médicos de Portugal, 20% das pessoas infetadas são médicos. Por outro lado, a Ordem dos Enfermeiros confirmou que há já mais de 300 enfermeiros infetados no nosso país.

O secretário-geral da ONU lembra que 2020 é o Ano Internacional das(os) Enfermeiras(os) e Parteiras(os), e deixou uma palavra de agradecimento a estes profissionais. Guterres destaca que “as(os) enfermeiras(os) assumem alguns dos maiores encargos com a saúde. Realizam trabalhos difíceis e aguentam longas horas, com risco de lesões, de infeções e da carga de saúde mental que acompanha esse trabalho traumático.”

Para reforçar a capacidade de resposta a esta epidemia, o Governo de Portugal anunciou que vai contratar mais 500 enfermeiros.

O líder da ONU destacou ainda o papel que as(os) parteiras(os) têm ao proporcionar conforto no início da vida. “Durante uma pandemia, o seu trabalho é ainda mais desafiador, pois trazem os nossos recém-nascidos com segurança para este mundo.”

O secretário-geral da ONU termina a sua mensagem dizendo que, nestes tempos “traumáticos”, os profissionais de saúde “deixam-nos orgulhosos e inspiram-nos.”

A Organização Mundial de Saúde alertou esta segunda-feira para a falta de enfermeiros generalizada em todo o mundo. Segundo um relatório da OMS, há um défice de 5,9 milhões de enfermeiros, sendo que as maiores lacunas se registam em África, no sudeste da Ásia, na região leste do Mediterrâneo e em algumas regiões da América Latina.

Um outro dado relevante é que mais de 80% dos enfermeiros de todo o mundo trabalham em países que totalizam apenas metade da população mundial. Para além disso, um em cada oito enfermeiros trabalha num país diferente daquele em que nasceu ou recebeu a sua formação.

O envelhecimento é outro problema que ameaça esta classe profissional. Segundo este relatório, um em cada seis enfermeiros deverá aposentar-se nos próximos 10 anos.

Contas feitas, neste momento, existem menos de 28 milhões de enfermeiros em todo o mundo. Ainda assim, representam mais da metade de todos os profissionais de saúde.

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus,

“os enfermeiros são a espinha dorsal de qualquer sistema de saúde” e, hoje, “muitos encontram-se na linha de frente na batalha contra a Covid-19.”

Mensagem do secretário-geral sobre a violência baseada no género

Veja aqui a mensagem do secretário-geral da ONU sobre a violência baseada no género.

Economic Affairs Officer [Temporary]

Level : P-3
Job ID : 133455
Job Network : Economic, Social and Development
Job Family : Economic Affairs (and Sustainable Development)
Department/Office : Economic Commission for Europe
Duty Station : GENEVA
Staffing Exercise : N/A
Posted Date : 4/6/2020
Deadline : 4/9/2020

Covid-19: Opas busca US$95 milhões para ajudar países latino-americanos e caribenhos

A Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, lançou um apelo de US$ 95 milhões para financiar medidas de combate à pandemia de covid-19 nos países da América Latina e Caribe. 

Os recursos serão destinados à Estratégia de Resposta da Opas, alinhada com a resposta da Organização Mundial de Saúde, OMS. O objetivo é salvar vidas e desacelerar a transmissão do novo coronavírus para mitigar seu impacto nos serviços de saúde e na população. 

Duas mulheres em uma estação de metrô na Cidade do México durante a pandemia do novo coronavírus. Foto: ONU Mexico/Alexis Aubin

Prioridades

Os fundos devem apoiar a estratégia até setembro de 2020. A agência avisa, no entanto, que a necessidade pode aumentar com a evolução da pandemia.

A diretora da Opas, Carissa F. Etienne, disse que “a propagação da covid-19 está acelerando e é preciso intensificar as ações para pará-la.” Segundo ela, o novo vírus “já demonstrou que pode sobrecarregar os serviços de saúde até nos países mais desenvolvidos.”

Para Etienne, uma das prioridades é aumentar os investimentos para proteger as pessoas mais vulneráveis, incluindo trabalhadores de saúde, e salvar vidas.

Acnur/Felipe Irnaldo

Brasil: refugiados venezuelanos em Manaus aprendem a como se proteger do covid-19.

Brasil

O Brasil registrou o primeiro caso importado na América Latina e no Caribe em 26 de fevereiro de 2020. Em um mês, o vírus se espalhou para 48 países e territórios no continente.

Nos últimos 10 dias, os casos confirmados multiplicaram-se por dez. Atualmente, os Estados Unidos são o país com a maioria dos casos no mundo e 86% dos casos nas Américas.

A estratégia da Opas tem cinco linhas de ação prioritárias: detectar casos precocemente usando sistemas de vigilância, garantir capacidade, testes e reagentes suficientes para um diagnóstico oportuno, prevenir e controlar infecções nos serviços de saúde.

O plano prevê ainda otimizar a capacidade dos sistemas de saúde e, por fim, disseminar informações para ajudar as pessoas a entenderem os riscos e motivá-las a adotar medidas para proteger a si e a seus entes queridos.