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Guterres: “mudança climática é a maior ameaça à segurança humana” 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que são grandes os problemas que existem causados pela mudança climática e que o mundo vive um momento de incerteza devido à rutura climática.

Em discurso no encontro dos 20 países mais desenvolvidos do mundo, G20, o chefe da ONU lembrou que os relatórios científicos confirmam “que a mudança climática é a maior ameaça à segurança humana e ao desenvolvimento sustentável.”

Aviso

Guterres disse acreditar no sucesso da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP24, by ONU News/Natalia Montagna

Guterres reafirmou que é possível combater as alterações climáticas e promover o desenvolvimento económico, afirmando que “uma ação climática ambiciosa não só diminuirá a subida da temperatura como será boa para a economia, para a saúde pública e para o meio ambiente.”

Neste discurso, Guterres disse que o recente Relatório Especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas deixou bem claro que há pouco tempo para limitar o aumento da temperatura global em 1,5 grau Celsius, por isso, avisa que se nada for feito será necessário enfrentar “mudanças climáticas descontroladas com impactos irreversíveis.”

Três anos após o Acordo de Paris, o Relatório de Lacunas de Emissões Ambientais da ONU constata que a maioria das economias do G20 não está a cumprir suas promessas sendo espectável que o planeta aqueça 3 graus Celsius antes do final do século. 

Guterres apela, por isso, aos países que cumpram suas promessas e elevem sua ambição. Um pedido que o secretário-geral estende ao setor privado, solicitando a mobilização de US$ 100 bilhões por ano para a adaptação nos países em desenvolvimento.

Ações Transfomadoras

Guterres lembrou ainda os líderes dos do G20 que os seus países “têm o poder de dobrar a curva de emissões” porque as suas economias “são responsáveis pela grande maioria das emissões de gases de efeito estufa.”  Para ele são necessárias ações climáticas transformadoras em cinco áreas económicas importantes: energia, cidades, uso dos solos, água e indústria.

O líder da ONU elogiou aqueles países que demonstram a viabilidade económica da ação climática e pediu uma reflexão sobre “o verdadeiro custo da poluição promovendo o preço do carbono, investindo em energia renovável e eliminando os subsídios aos combustíveis fósseis.” Guterres pediu também “uma transição justa para os trabalhadores das regiões que estão ligados a setores tradicionais que enfrentam a transformação pela ação climática. Aqui também, o princípio de não deixar ninguém para trás é válido.”

O secretário-geral da ONU conclui a sua intervenção com o apelo aoG20 de que “envie um sinal poderoso ao mundo de que o crescimento económico forte e a limitação das emissões de carbono são possíveis e compatíveis”, só assim será possível cumprir a promessa da Agenda 2030.

Guterres lamenta morte de George H. W. Bush

O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou a sua “profunda tristeza” pela morte do ex-presidente dos Estados Unidos da América, George H.W. Bush. 

Em nota emitida pelo seu porta-voz, Guterres recorda “o líder que serviu os Estados Unidos com distinção e apoiou as Nações Unidas com dedicação.”

Nações Unidas

Ex-presidente dos Estados Unidos, George H.W. Bush, com o ex-secretário-geral Boutros Boutros-Gali na Casa Branca em 1992, by Foto ONU/ Milton Grant

O líder da ONU lembrou que George H. W.  Bush desempenhou o cargo de representante permanente dos Estados Unidos junto das Nações Unidas em 1971, tendo sido nomeado, em 2005,  enviado especial do secretário-geral para o Desastre do Terremoto no Sul da Ásia.

Guterres sublinha também que George H. W. Bush “trabalhou produtivamente com e através das Nações Unidas.”
Na mesma nota, o chefe da ONU diz ainda ter “ficado constantemente impressionado com a sua compaixão, o seu instinto de moderação e compromisso com o serviço público.” 

Sua mensagem termina com as suas condolências à família e amigos do ex-presidente norte-americano e ao governo e povo dos Estados Unidos.
 

COP24: o que está em jogo e o que você precisa saber

Domingo marca o começo da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP24, que acontece na Polônia até 14 de dezembro. Serão duas semanas de negociações críticas sobre como lidar com o problema coletivo e urgente.

Milhares de representantes incluindo líderes mundiais, especialistas, ativistas, pensadores criativos, do setor privado e de comunidades locais se reunirão para trabalhar num plano coletivo para colocar em ação os compromissos assumidos por todos os países do mundo em Paris em 2015.

A ONU News preparou um guia para a COP 24 para responder algumas das principais dúvidas sobre o tema.

1. O fundamental: Unfccc, ONU Meio Ambiente, OMM, Ipcc, COP24, Protocolo de Quioto, Acordo de Paris… o que é que tudo isso representa? 

Crianças no Chade plantam uma árvore de acácia. , by Pnud Chad/Jean Damascene Hakuzim

Todas estas siglas e nomes de lugares representam ferramentas internacionais e termos, que, sob a liderança da ONU, foram criadas para ajudar o avanço da ação climática global. Com uma função específica e papel diferente, todos pretendem ajudar o mundo a alcançar a sustentabilidade ambiental.

As siglas também estão relacionadas.

Em 1992, a ONU organizou no Rio de Janeiro a que ficou conhecida como a Cimeira da Terra, ECO-92. Na ocasião, foi adotada a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática, Unfccc.

Neste tratado, os países concordaram em “estabilizar as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera” para prevenir a interferência perigosa da atividade humana no sistema do clima. Hoje, o tratado tem 197 signatários.

Todos os anos, desde que o tratado entrou em vigor em 1994, a Conferência das Partes, a COP, acontece para discutir os próximos passos. Até o momento já aconteceram 23 COPs e este ano será a 24ª, a COP24.

Como a Unfccc não tinha limites vinculativos em relação às emissões de gases de efeito estufa para os países e não havendo um mecanismo de execução, várias “extensões” deste tratado foram negociadas durantes as COPs. Estas incluem o Protocolo de Quioto em 1997, que definiu os limites das emissões para países desenvolvidos a serem atingidos até 2012, e o Acordo de Paris, adotado em 2015. Neste acordo, todos os países concordaram em aumentar os esforços para limitar o aquecimento global em 1,5 °C acima das temperaturas nos tempos pré-industriais e impulsionar o financiamento da ação climática.

Duas agências apoiam o trabalho científico da ONU em relação à mudança climática, a ONU Meio Ambiente e a Organização Internacional de Meteorologia, OMM. Juntas, elas criaram o Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas, Ipcc, em 1998. Nele, centenas de especialistas avaliam dados e fornecerem provas científicas para as negociações sobre a ação do clima, incluindo as que irão acontecer em Katowice a partir de domingo.

2. A ONU realiza várias conferências e cimeiras sobre este tema…será que elas realmente ajudam?

Estes encontros têm sido vitais para encontrar um consenso mundial sobre um assunto que exige uma solução global. Apesar do progresso ter sido muito mais lento do que se precisa, o processo, o qual tem sido tão desafiador como ambicioso, tem trabalhado para aproximar todos os países, os quais têm circunstâncias muito diferentes. Progressos têm sido feitos em cada passo do caminho. Algumas das ações concretas tomadas até o momento provaram um ponto, que a ação climática tem um impacto positivo real e podem realmente ajudar a prevenir o pior.

Conheça abaixo algumas das conquistas notáveis obtidas até o momento:

  • Pelo menos 57 países conseguiram baixar as emissões de gases de efeito estufa para os níveis necessários para conter o aquecimento global.
  • Existem pelo menos 51 iniciativas de “preços de carbono” sendo colocadas em prática; cobrando aqueles que lançam dióxido de carbono por tonelada emitida.
  • Em 2015, 18 nações de alta renda se comprometeram em doar US$ 100 bilhões por ano para ação climática em países em desenvolvimento. Até o momento, U$70 bilhões foram mobilizados.

3. Porque estão todos falando sobre o Acordo de Paris?

O Acordo de Paris, que oferece ao mundo a única opção viável para lidar com a mudança climática, foi ratificado por 184 países e entrou em vigor em novembro de 2016.

Os compromissos do acordo

  • Limitar o aumento da temperatura média global para bem abaixo de 2 ºC e prosseguir esforços para limitar o aumento da temperatura em até 1,5 °C;
  • Assegurar financiamento para a ação climática, incluindo a meta anual de US$ 100 bilhões de Estados doadores para países de baixa renda;
  • Desenvolver planos nacionais de clima até 2020, incluindo objetivos e metas determinadas pelos países;
  • Proteger ecossistemas benéficos que absorvem gases de efeito estufa, incluindo florestas;
  • Fortalecer a resiliência e reduzir a vulnerabilidade em relação à mudança climática;
  • Finalizar um programa de trabalho para implementar o acordo em 2018.

Os Estados Unidos, que aderiram o Tratado em 2016, anunciaram a intenção de se retirar dele em julho de 2017. Porém, o país continua a fazer parte do Tratado pelo menos até novembro de 2020. Antes disso, não pode solicitar legalmente a saída do Tratado.

4. Porque é que mais de 1,5 °C é considerado um nível crítico?

De acordo com a pesquisa científica avaliada pelo Ipcc, mantendo o aquecimento global a não mais do que 1,5 °C acima da média global dos níveis pré-industriais ajudará a afastar os danos devastadores permanentes para o planeta e as pessoas.

Estes incluem a perda de habitat para os animais no Ártico e na Antártida, casos muito mais frequentes de calor extremo mortal, escassez de água que poderia afetar mais de 300 milhões de pessoas, o desaparecimento dos recifes de corais que são essenciais para comunidades inteiras e vida marinha, aumento do nível do mar que está ameaçando o futuro e a economia de pequenas nações insulares, etc.

Ao todo, a ONU estima que 420 milhões de pessoas a menos poderiam ser afetadas pela mudança climática se o aumento de temperatura não ultrapassar 1,5 °C, ao invés de 2 °C.

O mundo ainda está longe de alcançar um futuro neutro em carbono, e a necessidade de seguir adiante é maior do que nunca. As estatísticas mostram que ainda é possível limitar a mudança climática em 1,5 °C, mas a janela de oportunidade está fechando e irá exigirá mudanças sem precedentes em todos os aspectos da sociedade.

5. Por que a COP24 é importante?

A COP deste ano em Katowice, na Polônia, é particularmente crucial porque 2018 é o prazo concordado pelos signatários do Acordo de Paris para adotar um programa de trabalho para a implementação dos compromissos assumidos em Paris. Isso requer o ingrediente mais importante, que é a confiança entre todos os países.

Entre os muitos elementos que precisam ser resolvidos estão o financiamento da ação climática no mundo. Como o relógio está correndo em relação à mudança climática, o mundo não pode desperdiçar mais tempo. É preciso que todos concordem coletivamente num caminho a seguir ousado, decisivo, ambicioso e responsável.

6. Que provas serão usadas nas negociações da COP24?

As discussões serão baseadas em provas científicas recolhidas durantes anos e avaliadas por especialistas. Estes são os principais estudos:

7. Como é possível seguir as discussões da COP24?

Existem várias maneiras de se manter atualizado sobre tudo o que irá acontecer no evento.

8. Como participar das discussões e fazer a sua parte na ação climática?

Você pode seguir a ferramenta ActNow.bot na página do Facebook das Nações Unidas, a qual irá recomendar ações diárias para salvar o planeta e acompanhará o número de ações realizadas para medir o impacto que ações coletivas podem ter.

Ao compartilhar os esforços da ação climática nas mídias sociais é possível incentivar mais pessoas a agirem também.

Além disso, a iniciativa Cadeira do Povo garante que todos possam dar a sua contribuição diretamente nas discussões da COP24. A ONU incentiva que as pessoas usem a hashtag #TakeYourSeat e envie suas mensagens.

9. Quais são os exemplos de iniciativas que a ONU está apoiando para atacar a mudança climática?

Com o foco da ONU na questão da sustentabilidade ambiental em todo o trabalho da organização, a ONU News tem destacado alguns exemplos de projetos apoiados pela ONU Meio Ambiente ou o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, entre outros. Estes casos mostram o caminho para a ação climática.

Um exemplo é um projeto que tenta salvar a onça pintada, o alerta para o risco que os recifes de corais estão correndo e uma outra iniciativa que está unindo religiosos e indígenas para acabar com a deflorestação da Amazônia na Colômbia.

Acompanhe a página da ONU News em português para conhecer estas histórias.

10. Por que a ONU também está planejando uma Cimeira do Clima em 2019?

Para aproveitar os resultados da COP 24 e fortalecer a ação climática e a ambição em níveis mais altos possíveis, o secretário-geral da ONU, António Guterres, está convoncando uma Cimeira do Clima para setembro de 2019.

O evento antecede o prazo de 2020 para que os países finalizem seus planos nacionaise tem o objetivo focar em iniciativas práticas para limitar as emissões e construir resiliência.

A Cimeira tem o propósito de incentivar ações em seis áreas: transição para energia renovável, financiamento para ação climática e tarifação do carbono, redução de emissões pelas indústrias, uso da natureza como solução, cidades sustentáveis e ações locais e resiliência à mudança climática.

Casos de sarampo aumentaram no mundo, alerta relatório da OMS

O número de casos notificados de sarampo aumentou 30% em 2017, em relação ao ano anterior.

A informação é do relatório Progresso na Eliminação Regional de Sarampo no Mundo 2000-2017, publicado nesta quinta-feira pela Organização Mundial da Saúde, OMS, e pelo Centro de Controle de Doenças e Prevenção, CDC.

Tendências

Sarampo é uma ameaça no Iêmen, especialmente para crianças que já estão desnutridas, by OCHA/Eman

A pesquisa indica que por causa de falhas na cobertura da vacinação, surtos severos e prolongados da doença atingiram múltiplos países. A OMS calcula que ocorrido 110 mil mortes relacionados ao sarampo, a maior parte delas em crianças com menos de cinco anos.

O estudo que analisa tendências relacionadas ao sarampo nos últimos 17 anos, mostra que mais de 21 milhões de vidas foram salvas através da imunização contra a doença desde o ano 2000.

As Américas, a região do Mediterrâneo Oriental e a Europa foram as que tiveram o maior aumento de casos no ano passado. Já a região do Pacífico Ocidental teve uma queda nas incidências de sarampo.

Em 2017, 53 países Europeus tiveram um total de 24.356 casos notificados, o que representa um acréscimo de 458% em relação a 2016. Na região do Mediterrâneo Oriental, 21 países apresentaram 36.427, um aumento de 481%.

Riscos

A diretora-geral adjunta para Programas da OMS, Soumya Sawminathan, disse que “o reaparecimento do sarampo é uma preocupação séria, com surtos prolongados ocorrendo em várias regiões, e em particular em países que já tinham atingido ou estava perto de alcançar a eliminação do sarampo.”

A representante acrescentou que este um “risco de se perder décadas de progresso em proteger crianças e comunidades contra esta devastadora, mas doença completamente prevenível.”

De acordo com o estudo, o Brasil está entre os 10 países que não comunicaram informações sobre casos de sarampo em 2017. Já em 2016, 18 nações não forneceram dados sobre a doença, incluindo Cabo Verde e Moçambique.

No mundo, a estimativa é de que 20,8 milhões de crianças não receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo, MCV1, através de serviços de imunização de rotina no ano passado. Angola está entre os seis países com o maior número de crianças sem a vacina, com 700 mil menores.

Mortes

De acordo com a OMS, o sarampo é uma doença séria e altamente contagiosa. Pode causar complicações debilitantes e fatais, incluindo encefalite, diarreia, desidratação severas, pneumonia, infecções de ouvido e perda permanente de visão. Bebês e crianças com desnutrição e sistema imunológico fraco são particularmente vulneráveis a complicações e mortes.

A doença pode ser prevenida através de duas doses de uma vacina segura e eficiente. Por muitos anos, porém, a cobertura global da primeira dose da vacina do sarampo estagnou em 85%, muito menos do que os 95% necessários para prevenir surtos, deixando muitas pessoas suscetíveis a doença. A cobertura da segunda dose é atualmente de 67%.

Para o diretor-geral da Aliança Mundial para Vacinas e Imunização, Gavi, Seth Berkley, o “aumento de casos de sarampo é extremamente preocupante, mas não é uma surpresa.”

Progresso

O especialista disse que a “complacência sobre a doença e a propagação de informações falsas sobre a vacina na Europa, o colapso do sistema de saúde da Venezuela e áreas vulneráveis e com baixa cobertura de imunização na África estão se juntando para trazer o reaparecimento global do sarampo após anos de progresso.”

A eliminação do sarampo é definida com a ausência da transmissão endêmica do vírus do sarampo na região ou outra área definida geograficamente por mais de 12 meses.

A OMS destaca que o sarampo é uma das doenças mais contagiosas no mundo. Ela se espalha através da tosse e de espirros, do contato pessoal próximo ou direto contato com secreções infectadas nasais e da garganta.

O vírus continua ativo e contagioso no ar e ou nas superfícies infectadas por até duas horas e pode ser transmitido por uma pessoa infectadas a partir de quatro dias antes do aparecimento das manchas vermelhas e até quatro dias após o surgimento delas.

Guterres destaca importância e crescimento da Cooperação Sul-Sul

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, evidenciou a importância da cooperação entre os países do hemisfério sul garantindo que a cooperação Sul-Sul é “um instrumento-chave para a implementação da Agenda 2030 e para uma globalização justa.”

Em discurso na abertura da10ª Exposição Global de Desenvolvimento Sul-Sul, esta quarta-feira em Nova Iorque, Guterres afirmou que “a Cooperação Sul-Sul não pretende substituir a cooperação Norte-Sul” e que constitui “uma ferramenta essencial, que não deve minar as responsabilidades assumidas pelo Norte em relação à Agenda 2030 e em relação ao desenvolvimento global.”

O chefe da ONU considera que agora é o momento de “colocar um foco especial” no empoderamento das mulheres e expandir as oportunidades para os jovens.

Crescimento

Delegados da Cooperação Sul-Sul reúnem-se em Nova Iorque para discutir a erradicação da pobreza e recuperação económica. , by Foto ONU / Manuel Elias

Guterres destacou que os países do sul “contribuíram para mais da metade de todo o crescimento global nos últimos anos” e que o “comércio entre o sul é maior do que nunca, representando mais de um quarto de todo o comércio mundial.”

Na sua intervenção, o secretário-geral disse ainda que “as saídas de investimentos estrangeiros diretos do Sul representam um terço dos fluxos globais de investimento direto estrangeiro.

Guterres informou também que as “remessas de trabalhadores migrantes para países de baixa e média renda atingiram US$ 466 bilhões no ano passado, ajudando a tirar milhões de famílias da pobreza.”

Esta evolução deve-se, segundo o chefe da ONU, a “formas inovadoras de compartilhamento de conhecimento liderado pelo sul, transferência de tecnologia e resposta de emergência.”

Desafios

Para Guterres são visíveis as enormes oportunidades que emanam dos países

do sul mas lembra que os “ganhos de desenvolvimento foram desiguais e incompletos” avisando que “10% da população mundial ainda vive em extrema pobreza”, com mais de “700 milhões de pessoas são incapazes de atender às necessidades básicas.”

António Guterres considera que “as mudanças climáticas e as crescentes desigualdades” representam grandes desafios” por isso, afirmou ser fundamental que se partilhem “soluções domésticas do sul para o desenvolvimento sustentável.”

Numa altura em que se celebram os quarenta anos do Plano de Ação de Buenos Aires e a Segunda Conferência das Nações Unidas de Alto Nível sobre Cooperação Sul-Sul, o líder da ONU considera que é tempo de “fazer um balanço, rever as lições aprendidas e identificar novas oportunidades para o avanço da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.”

A 10ª Exposição Global de Desenvolvimento Sul-Sul é organizada pelo Escritório das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul, Unossc, em colaboração com agências das Nações Unidas e outros parceiros. A exposição envolverá estrategicamente todos os atores do desenvolvimento, incluindo o setor privado, sociedade civil, organizações académicas e filantrópicas, iniciativas concretas desenvolvidas no sul para ajudar a alcançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Presidente da Assembleia Geral considera que estamos num “momento crucial” para refletir sobre o progresso efetuado., by Foto ONU/Manuel Elias

Cooperação

Também a presidente da Assembleia Geral considera que estamos num “momento crucial” para refletir sobre o progresso efetuado e “os desafios que ainda temos por superar.”

Em discurso, Maria Fernanda Espinosa destacou o crescimento das exportações sul-sul que aumentaram a uma taxa média anual de 13% entre 1995 e 2016.

A representante destacou também o crescimento da Cooperação Sul-Sul lmbarndo que “entre 2015 e 2017, a proporção de países do Sul Global que fornecem cooperação para o desenvolvimento aumentou de 63 para 74%.”

Espinosa defende que é necessário “ampliar e aprofundar a cooperação sul-sul no contexto de novos paradigmas de desenvolvimento” que reflitam “as profundas transformações” do mundo para “responder à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.”

Para tal, a presidente da Assembleia geral defende que é “crucial renovar as bases da cooperação internacional e reafirmar que a cooperação sul-sul complementa a cooperação tradicional, sem substituí-la.”

A presidente sublinhou ainda o papel da cooperação sul-sul no fortalecimento do multilateralismo e da integração regional, “facilitando um espaço de intercâmbio e solidariedade que ajuda a aproximar os países do sul e fortalecer suas relações.”

ONU: 9,6 milhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar na África Austral

O Escritório da ONU para os Assuntos Humanitários, Ocha, estima que 9,6 milhões de pessoas enfrentam uma grave situação de insegurança alimentar na África Austral, nesta época de escassez.

Somente o Maláui registrou um aumento de 1,1 milhão de pessoas nessa situação no período que começou em outubro passado e termina em abril do próximo ano. A situação deve piorar por haver 80% de probabilidade do fenómeno climático El Niño na região até dezembro.

Moçambique é um dos seis países com maior risco de ser afetado pelo El Niño. Foto: ONU News/Ouri Pota

Emergência

De acordo com o Ocha, três distritos do Zimbábue e dois de Madagáscar já enfrentam níveis de emergência de insegurança alimentar por terem perdido os seus meios de subsistência.

A estimativa é que as chuvas estejam abaixo da média em áreas que incluem o sul de Moçambique. O país é um dos seis com maior risco de ser afetado pelo fenómeno que merece atenção de agências humanitárias ao lado de Eswatini, Lesoto, Madagáscar, Maláui e Zimbabué.

Riscos

O comunicado do escritório destaca ainda que o aumento dos níveis de insegurança alimentar agrava os riscos de proteção, particularmente para mulheres e crianças.

Outra razão de preocupação é o aumento de casos de cólera que, desde o final de agosto, quase duplicou na África Austral. Mais de 21 mil casos foram notificados até outubro.

Os principais fatores foram o novo surto no Zimbabué e o aumento de casos na Tanzânia. No fim desse mês, Moçambique tinha confirmado 650 casos nas províncias de Cabo Delgado e 1650 em Nampula.

Alto Risco

Outras doenças transmissíveis como a peste, o sarampo e a hepatite E continuam a ter impacto nos países da região, onde se apresenta alto risco de propagação do ébola na República Democrática do Congo.

Em Angola, na Tanzânia e na Zâmbia decorre a preparação para prevenir a propagação do surto.

Um outro motivo de atenção é o número de afetados pela violência nas ilhas Comores e em Moçambique, além dos cerca de 350 mil cidadãos congoleses expulsos de Angola na Operação Transparência que iniciou a 25 de setembro.

Campaign

Campaign no to violence

THE UN ESSENTIAL

THE UN ESSENTIAL

ENDING POVERTY

ENDING POVERTY

Gender Equality

Gender Equality

Cambio climático

Cambio climático

Exposição Global da Cooperação Sul-Sul junta mais de 80 países em Nova Iorque

A Exposição Global de Desenvolvimento Sul-Sul acontece entre esta segunda e quarta-feira na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, juntando mais de 80 países.

O tema do encontro deste ano é “Apresentando Instituições de Apoio à Cooperação Sul-Sul e Triangular na Preparação da Segunda Conferência das Nações Unidas de Alto Nível sobre a Cooperação Sul-Sul”.

Objetivos

Jorge Chediek, enviado do secretário-geral sobre Cooperação Sul-Sul. Foto: ONU News.

Jorge Chediek, enviado do secretário-geral sobre Cooperação Sul-Sul. Foto: ONU News, by ONU News.

O diretor do Escritório da ONU para Cooperação Sul-Sul, Jorge Chediek, explicou à ONU News os objetivos do encontro.

Chediek disse que o evento foi criado há 10 anos como um espaço onde “os organismos das Nações Unidas, outros mecanismos multilaterais e parceiros mostram o que estão fazendo e também geram um espaço para estabelecer novas parcerias”

O responsável disse que a iniciativa “tem sido um grande sucesso” e que este ano existe um grande interesse, com a participação de mais de 80 países, entre 25 e 30 organismos da ONU e até cerca de 80 organizações internacionais.

“Isso mostra quanto a cooperação sul sul tem contribuído e amadurecido nos últimos anos. Tem se tornado um elemento importantíssimo da cooperação internacional, da arquitetura da cooperação internacional.”

Conferência

Um dos grandes objetivos do evento é preparar a Segunda Conferência de Alto Nível das Nações Unidas sobre Cooperação Sul-Sul, BAPA + 40, que acontece em março do próximo ano em Buenos Aires, na Argentina.

Esta segunda-feira, a presidente da Assembleia Geral, María Fernanda Espinosa, e o secretário-geral da organização, António Guterres, participam na abertura da Exposição.

O encontro vai também reunir centenas de responsáveis na área do desenvolvimento, incluindo o sector privado, a sociedade civil, acadêmicos e organizações filantrópicas.

Mulheres e jovens africanos interagem com líderes regionais da ONU em Cabo Verde

Cabo Verde acolhe na segunda-feira um dia aberto colocando frente a frente representantes nacionais e da região da África Ocidental. As sessões do Open Day, na Cidade da Praia, envolvem mulheres, jovens e funcionários da ONU.

Segundo a organização, o evento é marcado pela partilha de experiências, preocupações e prioridades para contribuir para os esforços para resolver conflitos e aumentar a segurança no país e na região.

Participação

A reunião tem como tema Mulheres, Jovens, Paz e Segurança – Promovendo a Participação de Mulheres e Jovens na Tomada de Decisão na África Ocidental e nos Países do Sahel.

As Nações Unidas apoiam a iniciativa, que é presidida pelo chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca. O evento é visto como uma oportunidade para se analisar, discutir desafios e definir estratégias para que mulheres e jovens estejam mais envolvidos em todos os processos de tomada de decisão.

Entre os convidados estão o enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para a África Ocidental e Sahel, Mohamed Ibn Chambas, a diretora regional da ONU Mulheres, Diana Ofwona, e a coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas em Cabo Verde, Ana Graça.

Juventude

Desde 2010, o Open Day promove o diálogo de mulheres, jovens  e líderes regionais em temas como desafios e parcerias como preveem as resoluções do Conselho de Segurança sobre Mulheres, Juventude, Paz e Segurança na África Ocidental e Sahel.

O encontro também terá participantes de zonas rurais, de pessoas com deficiência, da sociedade civil, académicos, organizações regionais, membros da diáspora cabo-verdiana.

Os países representados incluem Benim, Burquina-Faso, Cote D’Ivoire, também conhecida como Costa do Marfim, Gâmbia, Guiné-Conacri, Guiné-Bissau, Mauritânia, Nigéria e Togo.

Conselho de Segurança condena ataques “hediondos e covardes” no Paquistão

O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou “nos termos mais fortes” os ataques terroristas de sexta-feira na cidade de Karachi, no Paquistão, e na província de Khyber Pakhtunkhwa

Em nota, os 15 Estados-membros dizem que os ataques “custaram dezenas de vidas e deixam muitos mais feridos.”

Terrorismo

Rua em cidade de Quetta no Paquistão., by Foto: Unicef/Asad Zaid.

O Conselho também expressou agradecimento pela resposta rápida das autoridades paquistanesas, dizendo que “o terrorismo em todas suas formas e manifestações” constituiu uma das mais sérias ameaças à paz e segurança internacionais.

Segundo os Estados-membros, “quaisquer atos de terrorismo são criminosos e injustificáveis, independentemente de sua motivação, onde, quando e de quem os comete”.

Na nota, também destacam a necessidade de responsabilizar os autores, organizadores, financiadores e patrocinadores destes atos e trazê-los à justiça.

Cooperação

O Conselho apelou a todos os Estados-Membros que, de acordo com suas obrigações sob o direito internacional e resoluções do Conselho de Segurança , cooperem com o governo do Paquistão e todas as autoridades competentes.

Na declaração, os membros do Conselho sublinham o princípio básico da inviolabilidade das instalações diplomáticas e consulares, e as obrigações dos governos de acolhimento, incluindo nos tratados internacionais, para proteger as instalações e os seus funcionários.

Segundo agências de notícias, pelo menos quatro pessoas, incluindo dois agentes da polícia, foram mortas no ataque de sexta-feira contra o consulado-geral  da China em Karachi. Três atacantes também foram mortos.

No mesmo dia, um mercado na província de Khyber Pakhtunkhwa foi atacado, matando 35 pessoas e pelo menos ferindo muitos outros.

Guterres diz que violência contra mulheres e meninas é sinal de vergonha em todas as sociedades

O secretário-geral disse este sábado que a violência contra mulheres e meninas é “uma afronta moral, um sinal de vergonha em todas as nossas sociedades e um grande obstáculo ao desenvolvimento inclusivo, equitativo e sustentável.”

Em nota, António Guterres afirmou que o problema é “uma pandemia global”. Este domingo, 25 de novembro, marca-se o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.

Respeito

O chefe da ONU acredita que este tipo de violência contra mulheres “é a manifestação de uma profunda falta de respeito, um fracasso dos homens em reconhecer a igualdade inerente e a dignidade das mulheres.” Para ele, “é uma questão de direitos humanos fundamentais.”

Guterres diz que a violência pode assumir muitas formas, de ataques domésticos a tráfico, de violência sexual em conflito a casamento infantil, mutilação genital e feminicídio.

Política

Para o secretário-geral, esta é também uma questão política. Ele acredita que “a violência contra as mulheres está ligada a questões mais amplas de poder e controlo nas sociedades.”

Segundo ele, “vivemos em uma sociedade dominada pelos homens” e “as mulheres são vulneráveis à violência através das múltiplas maneiras pelas quais as mantemos desiguais.”

Mudança

No ano passado, cresceu a atenção para uma manifestação dessa violência, o assédio sexual, que a maioria das mulheres sofre em algum momento das suas vidas.

Para Guterres, o aumento da divulgação pública por mulheres de todas as regiões e todas as esferas da vida “está demonstrando o poder de galvanização dos movimentos de mulheres para conduzir a ação e consciência necessária para eliminar o assédio e a violência em todos os lugares.”

Este ano, a campanha global das Nações Unidas UNiTE para acabar com a violência contra mulheres e meninas destaca o apoio aos sobreviventes e defensores com o tema “Laranja do Mundo: #HearMeToo”.

Com a cor laranja como tema unificador, a hashtag #HearMeToo foi criada para enviar uma mensagem clara: a violência contra mulheres e meninas deve terminar agora, e todos temos um papel a desempenhar.

Spotlight

A mesma mensagem justifica a Iniciativa Spotlight UE-ONU. O programa de 500 milhões de euros vai formar sobreviventes e defensores para se tornarem agentes de mudança em suas casas, comunidades e países.

Guterres diz que  este investimento inicial é significativo, mas pequeno dada a escala do problema. Para ele, a iniciativa “deve ser visto como um financiamento inicial para um movimento global.”

O secretário-geral termina a sua mensagem dizendo que apenas “quando metade da população, representada por mulheres e meninas, poder viver livre do medo, da violência e da insegurança de todos os dias, podemos dizer que vivemos em um mundo justo e igualitário.”