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Especial: uma em cada três mulheres sofre violência sexual ou física no mundo

“Uma mulher estava grávida de oito meses, na discussão, esse companheiro deu um chute na barriga dela, acelerou o parto, a menina nasceu, nós começamos a atender ela depois do nascimento da filha, e quando a gente chega lá, nas costas desta menina, um bebezinho, tinha marca, do solado, do tênis dele. Certinho.”

Esse é apenas um dos casos com que a major brasileira Denice Santiago lida diariamente no trabalho.

“Parece até coisa de TV, mas foi fato. E estava lá, nas costas dela, aquela marquinha, que nos ajuda até hoje a refletir de como perversas estas relações podem ser. Ele bateu na mãe, mas a marca, a marca ficou na filha.”

Denice Santiago é comandante da Ronda Maria da Penha em Salvador, no Brasil. A unidade da Polícia Militar foi criada em 2015, e hoje protege mais de 3 mil mulheres em situação de violência doméstica.

Crise

Este domingo, 25 de novembro, é o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.

De acordo com a ONU, uma em cada três mulheres no mundo sofrem violência sexual ou física, a maior parte por seus parceiros. Esta é a violação mais comum de direitos humanos, mas também a menos denunciada.

No mundo, cerca de 38% dos assassinatos de mulheres são cometidos pelos seus maridos ou namorados. Um tipo de violência que pode ser prevenido.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a violência contra mulheres e meninas é uma pandemia global.

Para o líder da ONU, esta é uma questão de direitos humanos fundamentais. Ele lembrou que a “violência pode assumir muitas formas, da violência doméstica ao tráfico, da violência sexual em conflito ao casamento infantil, mutilação genital e feminicídio.”

Dependência

Além de ajudar a manter as vítimas em segurança e trabalhar para punir os agressores, Denice Santiago explica que o seu grupo também trabalha em prevenção e mudança de mentalidades. 

“Essa mulher pode ter uma dependência financeira deste homem. Ela pode, muito embora 79% das mulheres que eu protejo hoje são mulheres que são responsáveis pelo sustento do lar. A dependência financeira, para mim, não é o preponderante em uma relação de violência, mas eu acredito muito na dependência cultural de mulheres que foram criadas, foram condicionadas, foram forjadas a terem um marido como referência de sucesso de vida.”

Maria da Penha

Ativista Maria da Penha, by Cortesia Maria da Penha

A iniciativa em que a Denice trabalha leva o nome de uma vítima que ficou conhecida no Brasil. Nos anos 80, Maria da Penha sofreu duas tentativas de assassinato pelo marido. 

“Ele premeditou um assalto, e atirou nas minhas costas enquanto eu dormia, só que a versão que ele disse na época, fez todo mundo acreditar, e eu também, de que havia tido um assalto em casa. Depois, passei quatro meses no hospital, e quando eu voltei, eu sofri uma segunda tentativa, de homicídio, através de um chuveiro elétrico, propositadamente danificado por ele.”

Por quase 20 anos, Maria da Penha lutou por justiça. Em 1998, o caso chegou na Corte Interamericana de Direitos Humanos. Em 2001, a instituição determinou que o país prendesse o agressor e recomendou que fossem garantidas mais medidas de proteção legal para as mulheres.

Cinco anos depois da condenação internacional, em 2006, o Congresso Nacional brasileiro aprovou a lei 11340, a chamada Lei Maria da Penha.

Em entrevista à ONU News, a brasileira disse que em 12 anos de lei, muitas mulheres conseguiram sair de uma situação de violência por causa dessa legislação. Ao mesmo tempo, ela se preocupa com a situação atual.

“Ultimamente o número de feminicídios tem aumentando e isso nos preocupa muito. Porque este número de feminicídios aumentou? Porque as mulheres não estão encontrando as políticas públicas necessárias para denunciar. Este número de feminicídios aumentou porque é necessário que o governo invista mais nas políticas públicas que façam com que a lei saia do papel e funcione na realidade.”

Problema Mundial

De acordo com um relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Cepal, o Brasil liderou a lista de feminicídios entre 23 países da América Latina e do Caribe em 2017. Foram 1.333 vítimas confirmadas.

A ONU afirma que a América Latina abriga 14 dos 25 países onde o feminicídio é mais comum. Cerca de 12 assassinatos motivados pelo gênero ocorrem na região a cada dia, a maioria usando armas de fogo. As leis não garantem justiça para 98% das vítimas.

Mas este é um problema global. A ONU Mulheres informa que 49 países no mundo ainda não têm leis que protegem as mulheres da violência doméstica.  Menos de 40% das vítimas procuram algum tipo de ajuda.

Homens

Em Moçambique, a situação também é um problema. Em 2009, surgiu a ONG Hopem – Rede de Homens pela Mudança, com o objetivo de envolver a população masculina nestes temas.

Mulheres marcham no México contra feminicídeo. América Latina abriga 14 dos 25 países onde o crime é mais comum, by Gustavo Martínez Contreras

A ONU News conversou com o gestor da Hopem, Gilberto Macuácua, que lembrou as dificuldades que a ONG teve no início.

“Nos primeiros cinco anos da nossa existência, havia ainda pessoas a questionar, sejam homens ou mulheres, a razão da nossa existência. Como é que homens aparecem a dizer que vêm participar nesta luta contra a violência? Hoje já temos um cenário diferente. Temos um movimento crescente de homens que aparecem para dizer não à violência, aparecem a se mostrar inconformados com a situação atual.”

Gilberto Macuácua diz que a grande dificuldade continua a ser trazer os homens para este combate.

“A ideia é tentarmos, pelo menos, os homens perceberem, que a violência é um problema. Então houve um trabalho muito forte para que os homens percebessem que é um problema. E segundo, sendo um problema, os homens são parte desse problema. Então há uma necessidade toda de participarem, como parte da solução. Já há essa consciência quando andamos em Maputo em diálogos que promovemos com os homens.”

Prevenção

A presidente da Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, Alexandra Silva, concorda que é preciso envolver os homens no combate à violência contra a mulher. A especialista disse que movimentos como o #MeToo também ajudam a combater este problema.

Em Moçambique, há uma ONG sobre o tema dedicada aos homens, by Foto: Ouri Pota.

“O que nós assistimos, eu acho que isto resulta do movimento global muito desencadeado pelo movimento o #MeToo onde de facto mais pessoas com capacidade de influência da opinião pública vêm também contar alguns episódios de violência a que foram sujeitas. Nesse sentido, julgo que há uma maior consciência perante a violência contra as mulheres. Mas se aumenta ou não o número de queixas não tem tido esse impacto. Aumentou sim ao nível da procura de informação junto das associações de mulheres, de organizações e serviços que prestam serviço às vítimas.”

Uma das celebridades que tem falado sobre o tema é Juliana Paes. A atriz brasileira participa na campanha Dia Laranja, que lembra estas mulheres no dia 25 de todos os meses.

“Eu sou Juliana Paes e todo o dia 25 eu uso a cor laranja pelo fim da violência contra as mulheres. É quando me uno a milhões de mulheres e de homens de todo o mundo. Dia laranja pelo fim da violência contra as mulheres é o momento para você fazer ações de prevenção a violência contra as mulheres em casa, na comunidade, na empresa, na escola. Manifeste o seu apoia a essa causa e colabore para mudar a consciência das pessoas.”

Mentalidades

Denice Santiago, da Ronda Maria da Penha, no Brasil, diz que aprendeu muito nas ruas de Salvador ao lidar com tantas mulheres. Para ela, romper barreiras culturais é mais complexo do que se imagina, mas o mais importante é nunca julgar uma vítima.

“Quando uma amiga, irmã, parente, vizinha, vier a você e explicar que está sofrendo de violência doméstica, dê a ela a melhor coisa que a gente pode dar a outro ser humano, que é o respeito. Não a critique, não a julgue, não desdenha do problema dela, dê a ela o seu respeito. Às vezes o seu abraço, e a sua escuta. Porque assim, você não vai estar fazendo uma nova violência contra ela e assim, talvez você ajude muito mais.”

ONU: acordo de paz na Colômbia “é inspiração para os que lutam para o fim de conflitos no mundo”

O secretário-geral da ONU saudou o povo da Colômbia pelo segundo aniversário da assinatura do Acordo Final de Paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Farc, que é marcado neste 24 de novembro.

O ex-secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, discursou durante a cerimônia de assinatura do acordo de paz da Colômbia, em Cartagena. Foto: OSSG

Em nota emitida pelo seu porta-voz, António Guterres disse que o acordo é “um divisor de águas para o país e uma inspiração para todos aqueles que lutam para acabar com conflitos mortíferos em todo o mundo por meio de negociações”.

Compromissos

As Nações Unidas apoiaram o diálogo para pôr fim a 50 anos de conflito no país. Em 2016, a organização criou a Missão política para a Colômbia. Atualmente, uma Missão de Verificação acompanha como são executados os compromissos sobre a reintegração de combatentes das Farc e proteção das populações vulneráveis.

Na mensagem, Guterres destaca que insurgentes deixaram de lado a violência optado pela política e que as eleições foram as mais pacíficas em décadas.

O chefe da ONU também elogiou as “instituições inovadoras de justiça transicional em funcionamento”, e planos foram elaborados através de ampla participação para fazer chegar o desenvolvimento a regiões remotas afetadas por conflitos.

Sociedade

Deslocados internos, vítimas do conflito na Colômbia. Foto: ONU/Mark Garten

Entretanto, Guterres sublinha que ainda há muito trabalho a ser feito para consolidar esses ganhos iniciais de paz.

O representante disse estar “convencido de que esse objetivo pode ser alcançado através de um esforço conjunto envolvendo o governo e instituições do Estado, partidos políticos, setor privado e sociedade civil”, acompanhados pela comunidade internacional.

A mensagem do secretário-geral termina destacando que os colombianos podem contar com o apoio da organização nos seus esforços para tornar a paz sustentável.

ONU abre espaço para “opinião do povo” em encontro sobre mudança climática

No dia 3 de dezembro, “governos se reunirão para lidar com uma questão determinante dos nossos tempos, a mudança climática.” É assim que o naturalista e apresentador de televisão inglês, David Attemborough, inicia o vídeo do lançamento da campanha People’s Seat, na tradução em português, Cadeira do Povo. 

Attemborough é um dos envolvidos na iniciativa das Nações Unidas que busca levar as vozes de milhares de pessoas no mundo para a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas,  COP24, que acontecerá entre os dias 2 e 14 de dezembro na Polônia.

Arquipélago de Tuvalo é muito vulnerável à subida do nível do mar. , by Pnud Tuvalu/Aurélia Rusek

#TakeYourSeat

No vídeo, David Attemborough diz que durante a conferência serão tomadas “decisões que afetarão todas as vidas neste planeta, e pela primeira vez, você, pessoalmente, está convidado a participar”.

O apresentador acrescenta que “esta é a oportunidade de fazer uma diferença coletivamente, de fazer nossas vozes serem ouvidas” e de enviar uma “mensagem para os líderes mundiais que eles não podem ignorar para que ajam agora.”

Attemborough encerra incentivando as pessoas para que usem a hashtag #TakeYourSeat, Tome o Seu Lugar na tradução em português, para enviarem uma mensagem em relação à mudança climática.

Tecnologia

O objetivo da campanha é usar a tecnologia digital e o envolvimento de defensores de questões de mudança climática para transmitir mensagens sobre a necessidade de agir, além de reunir as experiências e opiniões de milhares de pessoas.

Recentemente, um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, Ipcc, chamou atenção para a possibilidade de o mundo estar se dirigindo a um aquecimento acima de 3°C com os compromissos atuais no âmbito do Acordo de Paris de 2015 sobre as Alterações Climáticas.

Diretrizes

De acordo com a ONU, governos agora se preparam para finalizar a implementação das diretrizes do Acordo de Paris durante a COP24. No encontro, também serão realizadas discussões para encontrar maneiras de aumentar o grau de ambição para que os objetivos do Acordo de Paris possam ser alcançados.

O momento mais importante da campanha será durante a participação de David Attenborough na COP24, quando ele falará das histórias sobre mudanças climáticas coletadas ao redor do mundo através das mídias sociais.

Na ocasião também será lançada a ferramenta ActNow.bot na página do Facebook das Nações Unidas. A intenção é ajudar a pessoas a entenderem as ações que elas podem tomar pessoalmente na luta contra a mudança climática.

Confira a mensagem em inglês de David Attenborough para o lançamento da campanha antecedendo a COP24. 

Ações Diárias

O ActNow.bot recomendará ações diárias, como o uso do transporte público ou um consumo menor de carne. De acordo com a ONU, a ferramenta também acompanhará o número de ações tomadas com o objetivo de destacar o impacto que a ação coletiva pode ter neste momento crucial da história do planeta.  

A secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Patrícia Espinosa, alertou que já se está “vendo impactos dramáticos de mudança climática pelo mundo, com apenas 1 grau de aquecimento.”

Para ela, a COP24 precisa “fornecer uma resposta robusta dando um seguimento rápido ao que os governos concordaram em fazer para que o Acordo de Paris possa se desenvolver com todo potencial.”

Festival da ONU dá prêmio a brasileiro com vídeo sobre povo indígena

O brasileiro João Adams Samora, de 17 anos, foi um dos distinguidos do concurso Plural + da ONU. O jovem participou com um vídeo que conta a história de um povo indígena no Peru. 

A iniciativa envolve a Aliança de Civilizações das Nações Unidas e da Organização Internacional para as Migrações, OIM, com o apoio de uma ampla rede de parceiros internacionais.

História

Samora, que foi distinguido na categoria entre os 13 e os 17 anos, esteve esta semana em Nova Iorque para receber o prêmio. Durante o evento, ele explicou à ONU News que encontrou a história durante uma viagem.

“Aí a gente encontrou uma ilha. Um lugar que é uma tribo andina. Há 500 anos atrás, com a invasão dos espanhóis, dos colonizadores, eles fugiram para o lago Titicaca, que é onde eles conheciam melhor, que é um lago de fronteira entre a Bolívia e o Peru. Há uma poluição no lago Titicaca, que está crescendo muito. Então, o lago ficou poluído e os peixes começaram a diminuir e os pássaros começaram a diminuir. Então, eles tiveram de abrir para o turismo também.”

Desde 2009, mais de 1,5 mil inscrições de 110 países participaram nesta iniciativa. Os vídeos vencedores foram exibidos em dezenas de festivais, cinemas e transmissões em redes de televisão em todo o mundo.

O concurso é dedicado aos temas da migração, diversidade e inclusão social. O jovem acredita que é importante contar estas histórias em 2018.

“Hoje em dia, no Brasil, a gente está com situações desse nível. De, por exemplo, tribos indígenas não conseguirem mais pescar porque as cidades deixaram o rio poluído. Ou coisas até mais graves, no sentido de preconceito contra isso. Hoje em dia, na Amazónia, tribos indígenas são dizimadas, porque são indígenas. E quilombos são totalmente crucificados por serem quilombos. Hoje em dia, tem uma coisa de desmerecer essas culturas muito forte. Então, eu acho importante, hoje mais do que nunca, mostrar que essas culturas são importantes, para as pessoas que acham que realmente indígena não serve para nada, que essa tribo deve morrer, deve ficar na cidade.”

A portuguesa Andreia Friaças, de 22 anos, também está entre os 13 vencedores desse ano.

Importância

Um dos distinguidos do ano passado foi Bruno Tarpani. O brasileiro contou uma história sobre Gabriela, uma jovem brasileira que financia a sua atividade humanitária de apoia a refugiados na ilha de Lesbos, na Grécia, vendendo flores em São Paulo.

Bruno Tarpani, um dos vencedores do Plural + 2017. , by ONU News

Para a ONU News, o cineasta explicou que o prémio ajudou na sua carreira.

“O evento abriu muitas portas, pessoalmente, para mim. Quando você recebe um reconhecimento dessa instituição tão séria, muitas portas se abrem. Particularmente, eu cada vez mais me interesso por retratar temas relacionados a direitos humanos, através da filmagem. Então, ver que esse é um tema que atravessa muitas produções e interessa a muitas gerações, em todo o mundo, foi algo que me impactou bastante e me motiva a continuar.”

Segundo a organização, o festival “convida os jovens do mundo a enviar vídeos originais e criativos com foco nos temas de migração, diversidade e inclusão social.”

O objetivo é “reconhecer a juventude como agentes poderosos de mudança social positiva em um mundo muitas vezes caracterizado por intolerância e divisões culturais e religiosas.”

Última década foi a mais quente de que há registo, afirma OMM

A primeira década do novo milénio foi a mais quente de que há registo, anunciou o organismo das Nações Unidas que controla as condições meteorológicas.

“A década de 2000 foi mais quente do que a de 1990, a qual, por sua vez, foi mais quente do que a de 1980”, afirmou Omar Baddour, chefe das Divisões de Aplicação da Gestão de Dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

As novas conclusões fazem parte do WMO Statement on the Status of Global Climate (Declaração da OMM sobre o Estado do Clima Mundial), um relatório anual sobre as condições meteorológicas e as alterações climáticas.

A década entre 2000 e 2009 incluiu um dos anos mais quentes de que há registo – o ano passado, que foi o quinto ano mais quente desde que existem registos.

“A classificação actual de 2009 coloca-o como o quinto ano mais quente desde o início dos registos instrumentais do clima [em 1850]”, afirmou, ontem, Omar Baddour.

O último ano trouxe também condições meteorológicas extremas, que forma desde secas devastadoras a inundações graves, ondas de calor e ondas de frio extremas, em muitas partes do mundo, segundo o recém-publicado relatório.

O Hemisfério Sul foi particularmente mais quente do que a média, a longo prazo, enquanto o Hemisfério Norte arrefeceu no final de 2009, com fortes nevões na Europa, América do Norte e Ásia Setentrional.

A informação baseia-se em dados climáticos procedentes de uma rede de dados recolhidos em cerca de 10 000 estações terrestres, 3000 aeronaves, 1000 estações de altitude e 1000 navios e perto de 70 satélites.

O lançamento do relatório coincidiu com o 60º aniversário da OMM, sedeada em Genebra, que ontem assinalou o evento honrando os Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais de 189 membros.

(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 24/03/2010)

 

Última década foi a mais quente de que há registo, afirma OMM

A primeira década do novo milénio foi a mais quente de que há registo, anunciou o organismo das Nações Unidas que controla as condições meteorológicas.

“A década de 2000 foi mais quente do que a de 1990, a qual, por sua vez, foi mais quente do que a de 1980”, afirmou Omar Baddour, chefe das Divisões de Aplicação da Gestão de Dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

As novas conclusões fazem parte do WMO Statement on the Status of Global Climate (Declaração da OMM sobre o Estado do Clima Mundial), um relatório anual sobre as condições meteorológicas e as alterações climáticas.

A década entre 2000 e 2009 incluiu um dos anos mais quentes de que há registo – o ano passado, que foi o quinto ano mais quente desde que existem registos.

“A classificação actual de 2009 coloca-o como o quinto ano mais quente desde o início dos registos instrumentais do clima [em 1850]”, afirmou, ontem, Omar Baddour.

O último ano trouxe também condições meteorológicas extremas, que forma desde secas devastadoras a inundações graves, ondas de calor e ondas de frio extremas, em muitas partes do mundo, segundo o recém-publicado relatório.

O Hemisfério Sul foi particularmente mais quente do que a média, a longo prazo, enquanto o Hemisfério Norte arrefeceu no final de 2009, com fortes nevões na Europa, América do Norte e Ásia Setentrional.

A informação baseia-se em dados climáticos procedentes de uma rede de dados recolhidos em cerca de 10 000 estações terrestres, 3000 aeronaves, 1000 estações de altitude e 1000 navios e perto de 70 satélites.

O lançamento do relatório coincidiu com o 60º aniversário da OMM, sedeada em Genebra, que ontem assinalou o evento honrando os Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais de 189 membros.

(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU a 24/03/2010)

 

Alterações climáticas

“Estamos aqui porque o mundo está a enfrentar uma grave crise climática. A rutura do clima está a acontecer agora e está a acontecer com todos nós. Estamos numa batalha pelas nossas vidas. Mas é uma batalha que ainda podemos vencer”, declarou António Guterres, durante a Reunião do Clima de Abu Dhabi , em junho de 2019.

A questão das alterações climáticas é a questão mais premente dos nossos tempos. Poder-se-á mesmo dizer que vivemos num momento decisivo para a espécie humana. Desde a mudança dos padrões climáticos, que ameaçam a produção de alimentos, até à subida do nível das águas do mar, que aumentam o risco de inundações catastróficas,  os impactos das alterações climáticas têm uma escala sem precedentes. Sem uma ação drástica e urgente, será cada vez mais difícil para o ser humano adaptar-se aos efeitos devastadores do aquecimento global.

Guterres Hate speech
O secretário-geral visitou Vanuatu durante a sua viagem ao Pacífico para destacar a questão das alterações climáticas antes da Conferência sobre a Ação Climática a realizar-se em setembro em Nova Iorque.

A pegada humana e os gases de efeito estufa

Os gases de efeito estufa são emitidos naturalmente através da superfície terrestre e são essenciais para a sobrevivência dos humanos e de milhões de outros seres vivos, ao impedir que parte da irradiação solar seja refletida de volta para o espaço. Sem estes gases, a temperatura média da Terra diminuiria drasticamente, impossibilitando a vida no planeta tal como a conhecemos hoje.

Depois de mais de um século e meio de industrialização, desflorestação e de produção agrícola em grande escala, as quantidades de gases de efeito estufa na atmosfera subiram para níveis recordes. À medida que as populações, as economias e os padrões de vida aumentam, o mesmo acontece com o nível acumulado de emissões de gases de efeito estufa (GEEs).

A ciência mostra que:

  • A concentração de GEEs na atmosfera terrestre está diretamente ligada à temperatura média global da Terra;
  • A concentração destes gases tem aumentado constantemente, tal como as temperaturas globais, desde a época da Revolução Industrial;
  • O mais abundante GEE, responsável por cerca de dois terços dos GEEs, é o dióxido de carbono (CO2), e resulta em grande parte da queima de combustíveis fósseis.
O secretário-geral António Guterres (à esquerda) conversa com Josaia Voreqe Bainimarama, primeiro-ministro da República das Fiji. Guterres visitou o país como parte de uma viagem ao Pacífico para abordar as alterações climáticas, Maio de 2019. Foto: ONU/Mark Garten

O Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas (IPCC)

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) foi criado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a ONU Meio Ambiente para fornecer uma fonte objetiva de informações científicas. Em 2013, o IPCC forneceu mais clareza sobre o papel das atividades humanas nas alterações climáticas após lançar o seu Quinto Relatório de Avaliação. A sua conclusão é categórica: a mudança do clima é real e as atividades humanas são a sua principal causa.

Quinto Relatório de Avaliação

O relatório da IPCC fornece uma avaliação abrangente sobre a subida do nível do mar e as suas causas no ecossistema, nas últimas décadas. O estudo também estima as emissões acumuladas de CO2 desde o período pré-industrial e fornece um cálculo de CO2 para emissões futuras como forma de limitar o aquecimento global em 2 graus Celsius ( 2ºC). Cerca de metade desse montante máximo já foi emitido até 2011.

O relatório constatou que:

  • De 1880 a 2012, a temperatura média global aumentou 0,85 ° C.
  • Os oceanos aqueceram, as quantidades de neve e gelo diminuíram e o nível do mar subiu.
  • De 1901 a 2010, a elevação média do nível do mar foi de 19 centímetros à medida que os oceanos se expandiam devido ao aquecimento e ao derretimento do gelo. A extensão do gelo marinho no Ártico diminuiu em todas as décadas sucessivas desde 1979.
Foto: Organização Mundial de Meteorologia/Kim Kenny

Dadas as concentrações atuais e as emissões contínuas de gases de efeito estufa, é provável que no final deste século a temperatura média global continue a aumentar acima do nível pré-industrial.

Os oceanos continuarão a aquecer e o gelo continuará a derreter. Prevê-se que o aumento médio do nível do mar seja de 24 a 30 centímetros em 2065 e de 40 a 63 centímetros em 2100 em relação ao período de referência de 1986-2005. A maioria dos aspetos da mudança climática persistirá durante muitos séculos, mesmo que as emissões sejam interrompidas.

Acordo de Paris: limitar a temperatura média global abaixo de 2ºC

Os cientistas consideram que, limitar a temperatura média global até 2ºC, é o limite acima do qual existe um risco catastrófico de consequências ambientais à escala mundial. Por esta razão, a comunidade internacional reconheceu a necessidade de manter o aquecimento global abaixo de 2º C.

No entanto, a ONU alerta para o facto da meta do Acordo de Paris  corre o risco de não ser alcançada.

Aquecimento Global de 1,5 ° C

Em outubro de 2018, a IPPCC emitiu um relatório especial sobre os impactos do aquecimento global de 1,5° C, concluindo que limitar o aquecimento global a este nível exigiria mudanças rápidas, profundas e sem precedentes em todos os aspetos da sociedade. Com benefícios claros para as pessoas e para os ecossistemas, o relatório constatou que limitar o aquecimento global a 1,5 ° C, em comparação com os 2° C, permitirá garantir uma sociedade mais sustentável e equitativa.

Uma estudante agarra um cartaz para chamar à atenção das alterações climáticas, durante a receção ao secretário-geral que visitou as ilhas Fiji para abordar os desafios das alterações climáticas, em maio de 2019. Foto: ONU/Mark Garten

O relatório destaca também vários impactos das alterações climáticas que poderiam ser evitados ao limitar o aquecimento global a 1,5º C em vez de limitar em apenas 2º C.

Instrumentos legais das Nações Unidas:

Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas

A família da ONU está na vanguarda dos esforços para salvar o planeta. Em 1992, a sua “Cimeira da Terra” criou a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC) como um primeiro passo para abordar o problema das mudanças do clima. Hoje, esta tem uma adesão quase universal. Os 197 países que ratificaram a Convenção são Partes da Convenção. O objetivo final da Convenção é impedir a interferência humana “perigosa” no sistema climático.

O secretário-geral António Guterres olha para as ilhas de Tuvalu a partir de um avião. Tuvalu tem uma altitude média de menos de 2 metros acima do nível do mar e é extremamente vulnerável aos impactos adversos das alterações climáticas, Vanuatu, maio de 2019. Foto: ONU/Mark Garten

Protocolo de Quioto

Em 1995, os países iniciaram negociações para fortalecer a resposta global às alterações climáticas e, dois anos depois, adotaram o Protocolo de Quioto. O Protocolo de Quioto vincula legalmente os países desenvolvidos a determinadas metas de redução de emissões. O primeiro período de compromisso do Protocolo começou em 2008 e terminou em 2012. O segundo período de compromisso começou em 1 de janeiro de 2013 e terminará em 2020. Existem agora 197 Partes na Convenção e 192 Partes no Protocolo de Quioto.

Acordo de Paris

Na 21ª Conferência das Partes (COP) em Paris, em 2015, as Partes da UNFCCC chegaram a um acordo para combater as alterações climáticas e acelerar e intensificar as ações e os investimentos necessários para um futuro sustentável de baixo carbono. O Acordo de Paris baseia-se na UNFCCC e, pela primeira vez, incentiva todas as nações a empreender esforços ambiciosos para combater as alterações climáticas e a adaptarem-se aos seus efeitos. Este esforço comum tem como objetivo ajudar os países em desenvolvimento a combater os desafios do aquecimento global e traça um novo rumo no esforço climático em todo o mundo.

O objetivo central do Acordo de Paris é o de fortalecer a resposta global à ameaça das alterações climáticas mantendo o limite da temperatura global abaixo dos 2 graus acima dos níveis pré-industriais e reunir esforços para limitar o aumento da temperatura até os 1,5 graus Celsius.

No Dia da Terra, 22 de abril de 2016, 175 líderes mundiais assinaram o Acordo de Paris na sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Este foi de longe o maior número de países a assinar um acordo internacional num único dia. Existem agora 184 países que aderiram ao Acordo de Paris.

Cimeira do Clima em 2019

Em setembro de 2019, o secretário-geral da ONU, António Guterres, convocará uma Cimeira do Clima para reunir líderes mundiais, o setor privado e a sociedade civil para apoiar o processo multilateral e para aumentar e acelerar a ação climática.

“Como secretário-geral eu tenho muitas batalhas, mas digo sem dúvidas que, como avô, a batalha contra as alterações climáticas é a batalha da minha vida”, desabafou António Guterres durante a sua visita oficial às Ilhas Fiji, em maio de 2019.

Foto: Organização Mundial de Meteorologia

Somália : ONU lança um alerta para a crise alimentar

O Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) advertiu, hoje, que, sem o financiamento imediato das operações das Nações Unidas, agravar-se-ão os níveis de desnutrição e de doenças crónicas em duas regiões da Somália.

Segundo o OCHA, existem mais de 200 000 crianças desnutridas na Somália, das quais 60 000 sofrem de desnutrição grave e necessitam de cuidados imediatos para sobreviver, informou a Porta-voz Adjunta do Secretário-Geral, Marie Okabe, durante o encontro diário com a imprensa na Sede da ONU, em Nova Iorque.

Segundo o OCHA, a crise actual é consequência da falta de chuva, das más colheitas, da depreciação do shilling somali e das ameaças aos organismos humanitários.

As Nações Unidas acreditam que o número de pessoas que precisam de ajuda alimentar ultrapassará os 2,6 milhões durante o próximo semestre e atingirá os 3,5 milhões até final do ano, nomeadamente nas regiões de Hiran e Bakool onde a seca dura há já quatro estações.

Por outro lado, o preço dos alimentos poderá manter-se a um nível elevado, tanto no caso dos produtos locais como no dos importados.

Por último, diz o relatório do OCHA, a Somália atravessa a situação mais grave dos últimos 17 anos no domínio da segurança, com um aumento dos ataques que visam directamente a assistência humanitária.

 

 

(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU, a 25/02/2009)

Somália : ONU lança um alerta para a crise alimentar

O Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) advertiu, hoje, que, sem o financiamento imediato das operações das Nações Unidas, agravar-se-ão os níveis de desnutrição e de doenças crónicas em duas regiões da Somália.

Segundo o OCHA, existem mais de 200 000 crianças desnutridas na Somália, das quais 60 000 sofrem de desnutrição grave e necessitam de cuidados imediatos para sobreviver, informou a Porta-voz Adjunta do Secretário-Geral, Marie Okabe, durante o encontro diário com a imprensa na Sede da ONU, em Nova Iorque.

Segundo o OCHA, a crise actual é consequência da falta de chuva, das más colheitas, da depreciação do shilling somali e das ameaças aos organismos humanitários.

As Nações Unidas acreditam que o número de pessoas que precisam de ajuda alimentar ultrapassará os 2,6 milhões durante o próximo semestre e atingirá os 3,5 milhões até final do ano, nomeadamente nas regiões de Hiran e Bakool onde a seca dura há já quatro estações.

Por outro lado, o preço dos alimentos poderá manter-se a um nível elevado, tanto no caso dos produtos locais como no dos importados.

Por último, diz o relatório do OCHA, a Somália atravessa a situação mais grave dos últimos 17 anos no domínio da segurança, com um aumento dos ataques que visam directamente a assistência humanitária.

 

 

(Baseado numa notícia divulgada pelo Centro de Notícias da ONU, a 25/02/2009)

Mundo espera solução para alterações climáticas, diz Ban Ki-moon

O mundo está à espera, ansioso, de uma solução duradoura e economicamente viável para a questão premente das alterações climáticas, disse o Secretário-Geral Ban Ki-moon aos participantes no mais recente ciclo de conversações patrocinadas pela ONU que teve início hoje, em Banguecoque.

As pessoas esperam uma solução que “se baseie no princípio de responsabilidades comuns mas diferenciadas” e reflicta “um equilíbrio delicado entre medidas inclusivas a nível mundial e a necessidade de erradicar a pobreza”, disse Ban Ki-moon, numa mensagem vídeo à abertura da reunião, que durará cinco dias.

Disse aos cerca de 1200 participantes que compreende a sua “enorme responsabilidade” de negociar um pacto que suceda ao Protocolo de Quioto, que expira em 2012.

“Mas a situação da nosso planeta exige que sejais ambiciosos – naquilo que visais e também no trabalho árduo para alcançar um acordo”.

O Secretário-Geral exortou os participantes a manterem a dinâmica gerada pelo avanço conseguido em Dezembro, na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, em que 187 países acordaram o chamado “Roteiro de Bali” para fazer face ao aquecimento global.

 (Baseado numa notícia produzida pelo Centro de Notícias da ONU a 31/03/2008)

Mundo espera solução para alterações climáticas, diz Ban Ki-moon

O mundo está à espera, ansioso, de uma solução duradoura e economicamente viável para a questão premente das alterações climáticas, disse o Secretário-Geral Ban Ki-moon aos participantes no mais recente ciclo de conversações patrocinadas pela ONU que teve início hoje, em Banguecoque.

As pessoas esperam uma solução que “se baseie no princípio de responsabilidades comuns mas diferenciadas” e reflicta “um equilíbrio delicado entre medidas inclusivas a nível mundial e a necessidade de erradicar a pobreza”, disse Ban Ki-moon, numa mensagem vídeo à abertura da reunião, que durará cinco dias.

Disse aos cerca de 1200 participantes que compreende a sua “enorme responsabilidade” de negociar um pacto que suceda ao Protocolo de Quioto, que expira em 2012.

“Mas a situação da nosso planeta exige que sejais ambiciosos – naquilo que visais e também no trabalho árduo para alcançar um acordo”.

O Secretário-Geral exortou os participantes a manterem a dinâmica gerada pelo avanço conseguido em Dezembro, na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, em que 187 países acordaram o chamado “Roteiro de Bali” para fazer face ao aquecimento global.

 (Baseado numa notícia produzida pelo Centro de Notícias da ONU a 31/03/2008)

Mundo espera solução para alterações climáticas, diz Ban Ki-moon

O mundo está à espera, ansioso, de uma solução duradoura e economicamente viável para a questão premente das alterações climáticas, disse o Secretário-Geral Ban Ki-moon aos participantes no mais recente ciclo de conversações patrocinadas pela ONU que teve início hoje, em Banguecoque.

As pessoas esperam uma solução que “se baseie no princípio de responsabilidades comuns mas diferenciadas” e reflicta “um equilíbrio delicado entre medidas inclusivas a nível mundial e a necessidade de erradicar a pobreza”, disse Ban Ki-moon, numa mensagem vídeo à abertura da reunião, que durará cinco dias.

Disse aos cerca de 1200 participantes que compreende a sua “enorme responsabilidade” de negociar um pacto que suceda ao Protocolo de Quioto, que expira em 2012.

“Mas a situação da nosso planeta exige que sejais ambiciosos – naquilo que visais e também no trabalho árduo para alcançar um acordo”.

O Secretário-Geral exortou os participantes a manterem a dinâmica gerada pelo avanço conseguido em Dezembro, na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, em que 187 países acordaram o chamado “Roteiro de Bali” para fazer face ao aquecimento global.

 (Baseado numa notícia produzida pelo Centro de Notícias da ONU a 31/03/2008)

Migrações

Desde os tempos mais remotos que a humanidade está em movimento. Algumas pessoas movem-se em busca de oportunidades de trabalho ou económicas, para se unir à família ou para estudar. Outros deslocam-se para escapar de conflitos, perseguições, terrorismo ou violações de direitos humanos. Muitos outros movem-se na sequência dos efeitos adversos das alterações climáticas, desastres naturais ou outros fatores ambientais.

Hoje, mais pessoas do que nunca vivem num país diferente daquele em que nasceram. Em 2017, o número de migrantes alcançou os 258 milhões, comparando com os cerca de 173 milhões em 2000. No entanto, a proporção de migrantes internacionais na população mundial é apenas ligeiramente superior à registada nas últimas décadas, equivalente a 3,4% em 2017, sendo de 2,8% em 2000 e de 2,3% em 1980.

Enquanto muitos indivíduos migram por opção, muitos outros fazem-no por necessidade. Há aproximadamente 68 milhões de pessoas que foram forçadas a deslocarem-se, incluindo mais de 25 milhões de refugiados, 3 milhões de requerentes de asilo e mais de 40 milhões de pessoas deslocadas internamente, ou seja, dentro do seu país.

O navio de desembarque da Marinha italiana transporta 186 pessoas que foram resgatadas no mar, 2014. Foto: ACNUR/A. D’Amato

Quem é migrante?

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) define um migrante como qualquer pessoa que se mude ou se desloque através de uma fronteira internacional ou dentro de um Estado longe do seu local habitual de residência, independentemente (1) do estatuto legal da pessoa; (2) do movimento ser voluntário ou involuntário; (3) das causas do movimento; ou (4) da duração da estadia.

Migrantes e os ODS

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável reconhece pela primeira vez a contribuição da migração para o desenvolvimento sustentável. 11 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) contêm metas e indicadores que são relevantes para a migração ou a mobilidade. O princípio central da Agenda é “não deixar ninguém para trás”, incluindo os migrantes.

A referência central dos ODS à migração é feita na meta 10.7: para facilitar a migração e a mobilidade ordenada, segura, regular e responsável de pessoas, inclusive por meio da implementação de políticas de migração planeadas e bem geridas. Outras metas que fazem referência direta à migração mencionam o tráfico, as remessas, a mobilidade internacional de estudantes e muito mais.

A mulher na fotografia, que pediu para não ser identificada, fugiu da Síria com seus seis filhos há mais de um ano atrás. Enquanto estava sozinha no Líbano, a mulher passou por frequentes assédios sexuais. Foto: ACNUR/Lynsey Addario

A Organização Internacional para as Migrações (OIM)

Fundada em 1951, a OIM é a principal organização intergovernamental no campo da migração. A OIM trabalha para ajudar a garantir a gestão ordenada e digna da migração para o benefício de todos, para promover a cooperação internacional em questões de migração, para auxiliar na busca de soluções práticas para problemas de migração e prestar assistência humanitária aos migrantes necessitados, incluindo refugiados e deslocados internos. Em 2016, a OIM firmou um acordo com as Nações Unidas (A / 70/976), tornando-se uma das suas agências especializadas.

Para promover a diversidade e a inclusão dos migrantes na sociedade, a OIM desenvolveu a plataforma “Sou um Migrante”, que apresenta relatos em primeira mão de indivíduos, partilhando as experiências de migrantes de todas as origens e em todas as suas viagens migratórias.

O ACNUR prepara-se para um possível fluxo maciço de migrantes com origem Líbia rumo ao Egito, março 2011. Foto: ACNUR / F.NOY

Dados sobre migração

Em 2017, o número de migrantes internacionais em todo o mundo – pessoas que residem num país que não o seu país de nascimento – alcançou os 258 milhões (de 244 milhões em 2015). As mulheres migrantes representavam 48% dos migrantes internacionais. Estima-se que haja 36,1 milhões de crianças migrantes, 4,4 milhões de estudantes internacionais e 150,3 milhões de trabalhadores migrantes. Aproximadamente 31% da população mundial de migrantes internacionais reside na Ásia, 30% na Europa, 26% nas Américas, 10% em África e 3% na Oceânia.

Uma vista de cima do campo de refugiados de Zaatari, no Campo de Refugiados Síria de Zaatari, na Jordânia, na quarta-feira, 29 de maio de 2013. KT Foto de Leslie Pable

Pode ser um desafio entender os dados de migração disponíveis, já que estão geralmente dispersos em diferentes organizações e agências e não são facilmente comparáveis. O Centro de Análise de Dados de Migração Global da OIM gere o Portal de Dados de Migração Global e serve como ponto de acesso exclusivo para estatísticas abrangentes e confiáveis ​​sobre os dados globais de migração. O site apresenta dados de migração de diversas fontes e é projetado para ajudar decisores de políticas, oficiais de estatísticas nacionais, jornalistas e o público em geral interessado ​​em migrações.

Ação Global

Movimentos em grande escala de refugiados e migrantes afetam todos os Estados-membros da ONU e exigem uma cooperação mais estreita e uma partilha de responsabilidades. Em 2016, a Assembleia Geral da ONU convocou uma reunião plenária de alto nível para tratar dos grandes movimentos de refugiados e migrantes. O secretário-geral da ONU preparou o relatório “Em Segurança e Dignidade: Enfrentando Grandes Movimentos de Refugiados e Migrantes” (A / 70/59) com recomendações sobre o assunto.

Os estados-membros da ONU adotaram um conjunto de compromissos, conhecidos como a Declaração de Nova Iorque para Refugiados e Migrantes (A / RES / 71/1), reconhecendo a necessidade de uma abordagem abrangente para a migração. A Declaração de Nova Iorque reconhece a contribuição positiva dos migrantes para o desenvolvimento sustentável e inclusivo e compromete-se a proteger a segurança, a dignidade, os direitos humanos e as liberdades fundamentais de todos os migrantes, independentemente de seu estatuto migratório.

Um projeto que incentiva os migrantes a partilhar as suas histórias. Foto: OIM

Em março de 2017, o secretário-geral da ONU, António Guterres, indicou Louise Arbor, do Canadá, como sua Representante Especial para a Migração Internacional.

Como resultado da Declaração de Nova Iorque, os Estados Membros da ONU concordaram em cooperar na elaboração de um Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular, que foi adotado em dezembro de 2018, em Marrocos.

Dia Internacional dos Migrantes

A dezembro de 2000, a Assembleia Geral proclamou o dia 18 de dezembro como o Dia Internacional dos Migrantes (A / RES / 55/93). Neste dia, em 1990, a Assembleia adotou a Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e Membros das Suas Famílias (A / RES / 45/158).

Fonte Úteis

Organização Internacional para a Migração
Centro de Análise de Dados de Migração Global da OIM (GMDAC)
Portal de dados de migração global
Pacto Global pela Migração
Infográficos sobre migração
Conferência Intergovernamental sobre o Pacto Global pela Migração
Dia Internacional dos Migrantes

Darfur: cessação das hostilidades é uma prioridade muito urgente, lembra Secretário-Geral

Enquanto a situação no Darfur-Oeste se agrava, o Secretário-Geral lembra, no seu último relatório ao Conselho de Segurança sobre o envio da Operação Híbrida União Africana/ONU no Darfur (UNAMID), que a cessação das hostilidades continua a ser uma prioridade muito importante e que o empenhamento dos Estados-membros continua a ser essencial para que a UNAMID possa cumprir o seu mandato.

“Extremamente preocupado com as condições de segurança no terreno”, Ban Ki-moon “condena, nos termos mais enérgicos, os ataques levados a cabo, a 8 de Fevereiro, contra civis no Darfur-Sul, nas cidades de Abu Suruj, Sirba e Seleia, ofensivas que causaram cerca de 200 vítimas e obrigaram mais de 10 000 civis a abandonarem as suas casas e atravessarem a fronteira, em busca de refúgio no Chade”, diz um relatório ao Conselho de Segurança, divulgado hoje.

A prioridade mais urgente no Darfur é a cessação das hostilidades, sublinha o relatório, em que o Secretário-Geral apela, mais uma vez, às partes no conflito para que se sentem à mesa das negociações.

Durante o período em estudo, que abrange o mês de Janeiro de 2008, a violência diminuiu no Darfur-Norte e no Darfur-Sul entre as partes no conflito, mas as condições de segurança continuaram a deteriorar-se no Darfur-Oeste, onde forças regulares chadianas e o Movimento para a Justiça e a Igualdade levaram a cabo vários ataques no interior do território sudanês.

A situação no Chade e a degradação das relações entre os dois países são, por isso, mais um motivo de preocupação para Ban Ki-moon que condenou os ataques transfronteiriços e pediu respeito pela soberania territorial.

No conjunto do Darfur, o banditismo e as agressões dirigidas a alvos específicos prosseguiram e a qualidade das operações humanitárias ressentiu-se consideravelmente disso, sublinha o relatório.

Quanto ao envio da UNAMID, a questão da composição dos contingentes e a do equipamento subsistem. O Presidente al-Bashir não deu ainda uma resposta definitiva sobre a lista de composição da força e dos países fornecedores de tropas apresentada pelas Nações Unidas e pela União Africana, diz o relatório, que lembra que “os países que fornecem contingentes pedem que o Governo sudanês lhes confirme urgentemente se a sua contribuição para a UNAMID é bem-vinda. A rapidez do envio da missão depende, em grande medida, do tempo que esta questão levará a ser resolvida”.

No entanto, todos os altos responsáveis da Missão desempenham as suas funções desde 18 de Janeiro e, a 31 de Janeiro, o efectivo total elevava-se a 7476 soldados e 1510 agentes de polícia, num total de 9126. O número de civis era de 1256.

Por outro lado, os Estados-membros ainda não acordaram nas unidades de apoio que faltam, nomeadamente os meios aéreos, impedindo, assim, a UNAMID, de se tornar plenamente operacional.

“Um mês após a transferência de poderes, a UNAMID ainda não recebeu promessas de contribuições relativas a uma unidade de transporte pesado e uma unidade de transporte de média dimensão, três unidades de aviação militar utilitária (18 helicópteros no total) e helicópteros de ataque suplementares para responder inteiramente às necessidades operacionais”, diz o relatório.

(Baseado numa notícia produzida pelo Centro de Notícias da ONU a 20/02/2008)

Darfur: cessação das hostilidades é uma prioridade muito urgente, lembra Secretário-Geral

Enquanto a situação no Darfur-Oeste se agrava, o Secretário-Geral lembra, no seu último relatório ao Conselho de Segurança sobre o envio da Operação Híbrida União Africana/ONU no Darfur (UNAMID), que a cessação das hostilidades continua a ser uma prioridade muito importante e que o empenhamento dos Estados-membros continua a ser essencial para que a UNAMID possa cumprir o seu mandato.

“Extremamente preocupado com as condições de segurança no terreno”, Ban Ki-moon “condena, nos termos mais enérgicos, os ataques levados a cabo, a 8 de Fevereiro, contra civis no Darfur-Sul, nas cidades de Abu Suruj, Sirba e Seleia, ofensivas que causaram cerca de 200 vítimas e obrigaram mais de 10 000 civis a abandonarem as suas casas e atravessarem a fronteira, em busca de refúgio no Chade”, diz um relatório ao Conselho de Segurança, divulgado hoje.

A prioridade mais urgente no Darfur é a cessação das hostilidades, sublinha o relatório, em que o Secretário-Geral apela, mais uma vez, às partes no conflito para que se sentem à mesa das negociações.

Durante o período em estudo, que abrange o mês de Janeiro de 2008, a violência diminuiu no Darfur-Norte e no Darfur-Sul entre as partes no conflito, mas as condições de segurança continuaram a deteriorar-se no Darfur-Oeste, onde forças regulares chadianas e o Movimento para a Justiça e a Igualdade levaram a cabo vários ataques no interior do território sudanês.

A situação no Chade e a degradação das relações entre os dois países são, por isso, mais um motivo de preocupação para Ban Ki-moon que condenou os ataques transfronteiriços e pediu respeito pela soberania territorial.

No conjunto do Darfur, o banditismo e as agressões dirigidas a alvos específicos prosseguiram e a qualidade das operações humanitárias ressentiu-se consideravelmente disso, sublinha o relatório.

Quanto ao envio da UNAMID, a questão da composição dos contingentes e a do equipamento subsistem. O Presidente al-Bashir não deu ainda uma resposta definitiva sobre a lista de composição da força e dos países fornecedores de tropas apresentada pelas Nações Unidas e pela União Africana, diz o relatório, que lembra que “os países que fornecem contingentes pedem que o Governo sudanês lhes confirme urgentemente se a sua contribuição para a UNAMID é bem-vinda. A rapidez do envio da missão depende, em grande medida, do tempo que esta questão levará a ser resolvida”.

No entanto, todos os altos responsáveis da Missão desempenham as suas funções desde 18 de Janeiro e, a 31 de Janeiro, o efectivo total elevava-se a 7476 soldados e 1510 agentes de polícia, num total de 9126. O número de civis era de 1256.

Por outro lado, os Estados-membros ainda não acordaram nas unidades de apoio que faltam, nomeadamente os meios aéreos, impedindo, assim, a UNAMID, de se tornar plenamente operacional.

“Um mês após a transferência de poderes, a UNAMID ainda não recebeu promessas de contribuições relativas a uma unidade de transporte pesado e uma unidade de transporte de média dimensão, três unidades de aviação militar utilitária (18 helicópteros no total) e helicópteros de ataque suplementares para responder inteiramente às necessidades operacionais”, diz o relatório.

(Baseado numa notícia produzida pelo Centro de Notícias da ONU a 20/02/2008)