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Mensagem para o Dia Mundial da Alimentação 2024

Algo está muito errado num mundo em que a fome e a subnutrição são uma realidade da vida de milhares de milhões de crianças, mulheres e homens.

No Dia Mundial da Alimentação, lembramo-nos das 733 milhões de pessoas que sofrem de escassez de alimentos devido a conflitos, marginalização, alterações climáticas, pobreza e crises económicas — incluindo aquelas que enfrentam a ameaça da fome provocada pelo homem em Gaza e no Sudão .

Ou as 2,8 mil milhões de pessoas que não podem pagar uma dieta saudável – incluindo as que têm excesso de peso à medida que as taxas globais de obesidade disparam. A boa notícia é que um mundo sem fome é possível.

A Cimeira dos Sistemas Alimentares de 2021 colocou-nos no caminho certo para enfrentar as ineficiências e desigualdades incorporadas nos nossos sistemas alimentares. Os sistemas alimentares necessitam de uma transformação enorme, com o contributo das empresas, dos académicos, das instituições de investigação e da sociedade civil, para se tornarem mais eficientes, inclusivos, resilientes e sustentáveis.

Os governos devem trabalhar com todos os parceiros para incentivar a produção e venda de alimentos saudáveis e nutritivos a preços acessíveis.

No Dia Mundial da Alimentação, vamos intensificar a luta contra a fome e a subnutrição. Vamos agir para defender o direito à alimentação para uma vida melhor e um futuro melhor.

Mensagem para o Dia Internacional das Raparigas

UN Photo/Albert González Farran.

“A Visão das Raparigas para o Futuro”  

11 de outubro de 2024 

 

O potencial das mais de 1,1 mil milhões de raparigas do mundo é ilimitado. Mas à medida que nos aproximamos do prazo de 2030 para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o mundo continua a falhar com as raparigas. 

As raparigas são responsáveis por mais de 70 por cento das novas infeções por VIH em adolescentes. Têm quase duas vezes mais probabilidades do que os rapazes de não ter acesso a educação ou a formação. E o casamento infantil continua a ser generalizado, com aproximadamente uma em cada cinco raparigas a nível mundial casadas antes dos 18 anos. 

Em todo o mundo, os ganhos conquistados arduamente em matéria de igualdade de género estão a ser anulados por uma guerra contra os direitos fundamentais das mulheres e das raparigas, pondo em perigo as suas vidas, restringindo as suas escolhas e limitando o seu futuro. 

O tema do Dia Internacional das Raparigas deste ano é “A Visão das Raparigas para o Futuro”. 

As raparigas já têm uma visão de um mundo onde possam prosperar. Estão a trabalhar para que essa visão seja uma realidade e a exigir que as suas vozes sejam ouvidas. Já é tempo de ouvirmos. Devemos proporcionar às raparigas um lugar à mesa, através da educação e dando-lhes os recursos de que necessitam e oportunidades para participarem e liderarem.  

A coragem, a esperança e a determinação das raparigas são uma força a ter em conta. É tempo de o mundo avançar e ajudar a transformar a sua visão e aspirações em realidade. 

Guterres presta homenagem a vítimas do Hamas e apela à paz

Secretário-geral da ONU divulga mensagem de vídeo em honra a todas as vítimas do ataque terrorista do Hamas há quase um ano; Guterres reafirma condenação total dos “atos abomináveis” daquela data e relata encontros com famílias de reféns; líder da ONU apela ao fim da onda de violência na região.

 

O secretário-geral da ONU divulgou uma mensagem de vídeo em alusão ao dia 7 de outubro de 2023, quando o Hamas “lançou um ataque terrorista em grande escala em Israel, matando mais de 1.250 israelitas e cidadãos estrangeiros, incluindo crianças e mulheres”.

Um ano após os acontecimentos do que classifica de “dia terrível”, António Guterres lembra que o ataque “deixou cicatrizes nas almas”.

Condenação total

O líder da ONU disse que a data serve para recordar “todos aqueles que foram brutalmente mortos e sofreram violência indescritível, incluindo violência sexual, enquanto simplesmente viviam as suas vidas” e que a comunidade global deve “repetir na mais alta voz a condenação total dos atos abomináveis ​​do Hamas, incluindo a tomada de reféns”.

O secretário-geral relatou que ao longo do ano passado realizou encontros com as famílias dos reféns e conhecendo mais “sobre as vidas, esperanças e sonhos dos seus entes queridos, partilhando da sua angústia e dor”.

O chefe das Nações Unidas expressou solidariedade a todas as vítimas e aos seus entes queridos.

Fim da violência em todo o Médio Oriente

António Guterres alerta ainda que desde aquela data irrompeu uma “onda de violência chocante e derramamento de sangue”. Segundo o diplomata português, a guerra que se seguiu aos terríveis ataques de há um ano, continua a “destruir vidas e a infligir profundo sofrimento humano aos palestianos em Gaza, e agora ao povo do Líbano”.

O líder da ONU afirmou que chegou a hora da libertação dos reféns, de “silenciar as armas” e de “acabar com o sofrimento que tomou conta da região”.  Fazendo um apelo por paz, respeito ao direito internacional e justiça, ele ressaltou que as Nações Unidas estão “totalmente empenhadas em alcançar esses objetivos”.

 

*artigo original da ONU NEWS em português

Mensagem para o Dia Mundial do Habitat

UN/Kibae Park

“Envolver os jovens para criar um futuro urbano melhor”

7 de outubro de 2024

 

No Dia Mundial do Habitat, reafirmamos o direito básico ao alojamento e refletimos sobre a transformação dos ambientes urbanos.

O tema deste ano destaca o papel vital dos jovens na criação de um futuro urbano melhor. Até 2030, 60 por cento dos residentes urbanos terão menos de 18 anos. À medida que as cidades continuam a crescer, aumenta também a oportunidade de aproveitar a energia dos jovens para transformar os desafios urbanos em oportunidades.

Como deixou claro a Cimeira do Futuro do mês passado, os jovens são cruciais para a construção de um futuro mais equitativo e sustentável. Tirar o máximo partido deste potencial exige investir na educação, expandir as competências digitais, fomentar o empreendedorismo e promover iniciativas lideradas pelos jovens em matéria de ação climática, habitação a preços acessíveis e mobilidade duradoura.

Tudo isto e muito mais é vital para moldar cidades vibrantes, inclusivas e resilientes e alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Ao celebrarmos o Dia Mundial do Habitat, vamos apoiar os jovens de todo o mundo, incluí-los na tomada de decisões e construir cidades onde as pessoas de todas as idades possam prosperar.

 

Mensagem para o Dia Internacional da Não-Violência

2 de outubro de 2024 

 

No Dia Internacional da Não-Violência, comemoramos o aniversário de Mahatma Gandhi e reafirmamos os valores a que dedicou a sua vida: igualdade, respeito, paz e justiça. 

O nosso mundo hoje está repleto de violência. 

Em todo o mundo, os conflitos estão a aumentar. Da Ucrânia ao Sudão, ao Médio Oriente e entre outros, a guerra está a criar um cenário infernal de destruição, miséria e medo. A desigualdade e o caos climático estão a minar os alicerces da paz. E o ódio incitado online está a espalhar-se pelas ruas. 

 A Cimeira do Futuro do mês passado trouxe esperança. Os países uniram-se para lançar as bases para um multilateralismo renovado, equipado para apoiar a paz num mundo em mudança. Isto inclui uma atenção renovada às causas subjacentes dos conflitos – desde a desigualdade à pobreza e à divisão. Agora precisamos que os países transformem estes compromissos em realidade. 

Gandhi acreditava que a não-violência era a maior força disponível para a humanidade – mais poderosa do que qualquer arma. Juntos, vamos construir instituições para apoiar esta nobre visão. 

Mensagem para o Dia Internacional dos Idosos

O SECRETÁRIO-GERAL   

MENSAGEM PARA O DIA INTERNACIONAL DOS IDOSOS 

“Envelhecer com Dignidade: A Importância de Reforçar os Sistemas de Cuidados e de Apoio aos Idosos em todo o Mundo.”

1 de outubro de 2024 

À medida que as populações envelhecem, os sistemas de cuidados e de apoio são vitais para que os idosos continuem a envolver-se ativamente e a enriquecer as suas comunidades. 

No entanto, muitas vezes os idosos não têm acesso a esta assistência crucial, aprofundando as desigualdades e aumentando as suas vulnerabilidades. Esta disparidade atinge ainda mais as mulheres, incluindo as mulheres mais velhas, que suportam o peso da prestação de cuidados não remunerados. 

Reconhecer os direitos tanto daqueles que recebem cuidados como dos prestadores de cuidados é essencial para termos sociedades mais resilientes. 

Devemos trabalhar para cultivar sistemas de cuidados centrados nas pessoas que sejam sustentáveis e equitativos, e estes devem amplificar as vozes das pessoas idosas, garantindo a sua participação na elaboração de políticas. 

Isto exige investir em infraestruturas para cuidados formais de longa duração, garantir oportunidades de trabalho digno e permitir que os indivíduos façam a transição dos cuidados informais para os cuidados formais. 

Neste Dia Internacional do Idoso, vamos comprometer-nos a reforçar os sistemas de cuidados e apoio que honrem a dignidade dos idosos e dos cuidadores.

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Portugal reitera defesa do multilateralismo e apoio ao Pacto do Futuro

Primeiro-ministro reafirma apoio inequívoco à reforma da governação internacional, destaca trabalho do secretário-geral  e garante que Portugal continuará a investir em energias renováveis e na eliminação dos combustíveis fosseis;  Lisboa alinha-se com o Brasília para que o português se torne língua oficial das Nações Unidas.

 

O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, começou o seu discurso na 79.ª Sessão da Assembleia- Geral das Nações Unidas referindo a frágil situação da paz em várias regiões do mundo e reiterou que “Portugal é defensor intransigente do multilateralismo como método de cooperação e de organização do sistema internacional.” Por esta razão, o chefe do governo português sublinhou que o país apoia “o Pacto do Futuro, adotado no quadro da Cimeira do Futuro, que ilustra a visão e o espírito reformador do secretário-geral António Guterres.”

“Este Pacto reflete renovada fonte de esperança no multilateralismo e nos três pilares centrais da ação das Nações Unidas: o desenvolvimento sustentável, os Direitos Humanos e a paz e segurança mundiais. É com essa confiança no multilateralismo que Portugal, com a continuidade e coerência que caracteriza a nossa política externa, é candidato a um lugar de membro não-permanente do Conselho de Segurança, para o biénio 2027-2028.” – explicou Montenegro na sua primeira intervenção na Assembleia-Geral da ONU.

O secretário-geral reuniu com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro. Uma reunião bilateral onde o secretário-geral manifestou o seu apreço pela estreita cooperação entre as Nações Unidas e Portugal, reconhecendo particularmente o contributo de Portugal para a manutenção da paz na República Centro-Africana. Os dois líderes discutiram ainda a Cimeira do Futuro e a implementação do Pacto do Futuro e trocaram também pontos de vista sobre a situação no Médio Oriente. Foto ONU/Eskinder Debebe

Reforma

Lembrando as palavras do secretário-geral de que o multilateralismo enfrenta um dilema fundamental, Montenegro afirmou: “Não hesitamos. Queremos avançar com a reforma do sistema de governação global para garantir maior representatividade, transparência, justiça e cooperação. Esse é o caminho que nos aponta o Pacto do Futuro: redesenhar a arquitetura financeira internacional, promovendo um maior alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”

Portugal defende também uma reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas que “o torne mais representativo, ágil e funcional”, apoiando não só a representação de países africanos mas também “as pretensões do Brasil e da Índia de se tornarem membros permanentes.”

 

Conflitos

Durante o sue discurso, Luís Montenegro denunciou a “violação flagrante do direito internacional” que constitui a guerra de agressão da Federação Russa contra a Ucrânia” que Portugal “condena veementemente”.

O primeiro-ministro partilhou também a sua profunda preocupação “com a situação humanitária e a perigosa escalada na região do Médio Oriente”, apelando “à máxima contenção das partes para evitar o aumento da escalada” no Líbano.

Condenando os ataques terroristas perpetrados pelo Hamas a 7 de outubro de 2023, Portugal exige a libertação de todos os reféns, mas não se conforma “com o desastre humanitário e o crescimento do número de vítimas civis em Gaza” afirmou Montenegro, lembrando que o país defende “a implementação da solução dos 2 Estados– a única que poderá trazer paz e estabilidade à região.”

Veja intervenção do primeiro -ministro de Portugal na 79ª sessão da Assembleia-Geral da ONU:

Clima

O chefe de Governo de Portugal abordou ainda o tema das alterações climáticas, classificando-as como “a ameaça existencial do nosso tempo” e reiterou que o país “mantém-se empenhado em investir em energias renováveis e na supressão dos combustíveis de origem fóssil.”

Portugal tem como objetivo incorporar 47% de renováveis no consumo final de energia até 2030.

 

Língua oficial

“É com muito orgulho que falo em português. Além de ser o quarto idioma mais falado no mundo como língua materna, unindo hoje mais de 260 milhões de pessoas em todos os continentes, a língua portuguesa é língua oficial e de trabalho em 33 organizações internacionais, desde logo, na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Com esta afirmação Luís Montenegro reiterou a “legítima a ambição desta comunidade de ver a língua portuguesa reconhecida como língua oficial das Nações Unidas”, adiantando que conversou com o presidente Lula da Silva do Brasil sobre o “empenho e disponibilidade para em conjunto com todos os países que falam a língua portuguesa concretizar este objetivo.”

Montenegro terminou a sua intervenção garantindo que “o mundo pode contar com Portugal ao tratar de causas comuns e em favor de uma visão para um futuro de progresso” e sublinhando também que “o caminho que temos pela frente é árduo e incerto, mas o objetivo está traçado. Iremos trilhá-lo com esperança e confiança. Nesta trajetória, as Nações Unidas e a comunidade internacional podem contar com Portugal.”

Veja a entrevista do primeiro-ministro de Portugal à ONU News em Português:

Pacto para o Futuro: o que significa?

Secretário-geral da ONU discursa durante a abertura da Cimeira do Futuro. Foto ONU/

CIMEIRA DO FUTURO

Na Cimeira do Futuro, realizada a 22 de setembro de 2024, os líderes mundiais adotaram um Pacto para o Futuro que inclui um Pacto Digital Global e uma Declaração sobre as Gerações Futuras. Este Pacto é o culminar de um processo de anos para adaptar a cooperação internacional às realidades de hoje e aos desafios de amanhã. O árduo trabalho de implementação começa imediatamente. A adoção do Pacto demonstra que os países estão empenhados num sistema internacional com as Nações Unidas no seu centro. Os líderes definem uma visão clara de um multilateralismo que possa cumprir as suas promessas, seja mais representativo do mundo de hoje e aproveite o envolvimento e a experiência dos governos, da sociedade civil e de outros parceiros importantes.

 

(IM)PACTO PARA O FUTURO

O Pacto é o acordo internacional [das Nações Unidas] mais abrangente em muitos anos, abrangendo novas áreas e questões sobre as quais não era possível chegar a acordo há décadas. Acima de tudo, visa garantir que as instituições internacionais possam ser eficientes face a um mundo que mudou dramaticamente desde que foram criadas. Assume compromissos claros e alcança resultados concretos numa série de questões, com forte atenção aos direitos humanos, à questão do género e ao desenvolvimento sustentável.

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL E FINANCIAMENTO

Os Estados-membros comprometeram-se novamente a acelerar a implementação da Agenda 2030 e da Declaração Política da Cimeira dos ODS de 2023 através de ações, políticas e investimentos urgentes e alargados com o objetivo de acabar com a pobreza e a fome e de não deixar ninguém para trás. O Pacto reconhece também a necessidade de os Estados-membros começarem a considerar a forma de promover o desenvolvimento sustentável para além de 2030.

Os líderes mundiais concordaram numa mudança radical no financiamento dos ODS e na colmatação do défice de financiamento dos ODS, nomeadamente através de um estímulo aos ODS, atingindo as metas oficiais de ajuda ao desenvolvimento, investimento do setor privado, mobilização de recursos internos, cooperação fiscal internacional inclusiva e eficaz e consideração de um nível mínimo global de tributação sobre indivíduos com elevado património líquido.

No que diz respeito às alterações climáticas, o Pacto confirmou a necessidade de manter o aumento da temperatura global em 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, de fazer a transição dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos para atingir emissões líquidas neutras em 2050 e de promover abordagens informadas sobre o risco de catástrofes para a sustentabilidade. Apela também à aceleração de esforços em matéria de ambiente, incluindo a promoção de padrões de consumo e de produção sustentáveis, a conclusão de um acordo juridicamente vinculativo sobre a poluição por plásticos, a inversão da perda de biodiversidade e a proteção dos ecossistemas.

 

PAZ E SEGURANÇA INTERNACIONAL

Os líderes mundiais prometeram intensificar a diplomacia para resolver conflitos e disputas de forma pacífica, apoiados pela ONU e pelos bons ofícios do secretário-geral da ONU.

O Pacto promove a necessidade de esforços de paz sustentados por toda a sociedade através do desenvolvimento e da implementação de estratégias nacionais de prevenção voluntária; a resiliência reforçada através da implementação da Agenda 2030 e a importância de garantir que as despesas militares não comprometem os investimentos no desenvolvimento sustentável r um alinhamento mais forte do financiamento das instituições financeiras internacionais com os esforços dos países para abordar as causas profundas da instabilidade.

O Pacto compromete-se a proteger os civis em conflitos armados, cumprindo as leis da guerra. Inclui também o compromisso de se abster da utilização de armas explosivas em zonas povoadas e de reforçar a responsabilização por crimes graves e violações graves, como a violência baseada no género e a fome como arma de guerra. Acorda em intensificar a assistência humanitária e aumentar a utilização de mecanismos de financiamento inovadores e antecipados, nomeadamente para eliminar a fome.

Os líderes concordaram também em acelerar a implementação dos compromissos sobre Mulheres e Paz e Segurança e Juventude, Paz e Segurança.

O Pacto apela a uma revisão das operações de manutenção da paz das Nações Unidas para recomendar a forma como se podem adaptar aos novos e emergentes desafios e promove esforços antiterroristas que abordem todos os impulsionadores e facilitadores do terrorismo e do extremismo violento conducentes ao terrorismo, incluindo na esfera digital. Afirma ainda a necessidade de prevenir e combater o crime organizado transnacional, incluindo o cibercrime.

Uma das conquistas mais significativas do Pacto é o primeiro novo compromisso com o desarmamento nuclear em quase 15 anos, através de um compromisso claro com o objetivo da eliminação total das armas nucleares, bem como de medidas concretas em todos os aspetos do desarmamento.

O Pacto avançou também com medidas para evitar a transformação de domínios e tecnologias emergentes em armas através de:

  • um compromisso para evitar uma corrida ao armamento no espaço sideral;
  • discussões sobre um instrumento para reger a utilização e o desenvolvimento de sistemas de armas letais autónomos;
  • avaliação contínua dos riscos associados às aplicações militares da IA.
A Cimeira do Futuro reuniu chefes de estado e de Governo em Nova Iorque.

CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO (CTI)

O Pacto introduz medidas para reduzir as disparidades a nível mundial na ciência, tecnologia e inovação, nomeadamente através da intensificação dos meios de implementação. Aborda as barreiras ao acesso, participação e liderança das mulheres e raparigas nestas áreas e concorda com a importância dos direitos humanos e dos princípios éticos no desenvolvimento e utilização das novas tecnologias.

Os líderes comprometeram-se também a aumentar a utilização da ciência na elaboração de políticas para enfrentar desafios complexos e a aumentar o financiamento para a investigação e a inovação relacionadas com os ODS. Decidiram reforçar as capacidades da ONU para alavancar a CTI no trabalho da organização, nomeadamente para apoiar os países em desenvolvimento na consecução dos ODS.

 

JUVENTUDE

O Pacto visa expandir e reforçar a participação dos jovens na tomada de decisões a nível mundial, incluindo nos órgãos e processos intergovernamentais da ONU. Concorda com a participação dos jovens dos países em desenvolvimento, facilitada através do Fundo da ONU para a Juventude e com o desenvolvimento de princípios fundamentais para um envolvimento significativo dos jovens.

Reforçará a participação dos jovens a nível nacional, nomeadamente através do estabelecimento de mecanismos de consulta e da criação de ambientes que permitam aos jovens cumprir os seus direitos e potencialidades através da educação, do emprego, da saúde física e mental, de recursos para organizações lideradas pelos jovens e de financiamento flexível.

 

TRANSFORMAR A GOVERNAÇÃO INTERNACIONAL

O Pacto decidiu tornar o sistema multilateral mais eficaz, preparado para o futuro, justo e representativo, inclusivo e em rede, e financeiramente estável.

Inclui os progressos mais ambiciosos e concretos na reforma do Conselho de Segurança desde 1963, incluindo o compromisso de aumentar a representação dos países em desenvolvimento, reconhecendo o caso especial de África, e de desenvolver um modelo de reforma consolidado no futuro.

Reafirmando o compromisso de alcançar a igualdade de género e o empoderamento de todas as mulheres e raparigas, os líderes concordaram em tomar medidas para a revitalização da Comissão sobre o Estatuto da Mulher. Sublinharam ainda a sua aspiração para a nomeação de uma mulher secretária-geral.

No que diz respeito aos direitos humanos, o Pacto é claro quanto à necessidade de garantir o exercício de todos os direitos humanos por todos, nomeadamente através de mecanismos de direitos humanos da ONU que sejam eficazes e disponham de meios adequados para responder a uma série de desafios em matéria de direitos humanos. Faz também um apelo claro à proteção dos defensores dos direitos humanos.

Para fazer face aos desafios atuais, novos e emergentes ao desenvolvimento sustentável, o Pacto apela a um maior financiamento adequado, previsível e sustentável para o Sistema de Coordenadores Residentes da ONU.

O Pacto acordou também medidas para aprofundar as parcerias entre a ONU e outras partes interessadas, incluindo a sociedade civil, o setor privado, as organizações regionais, os parlamentos nacionais e as autoridades locais e regionais. Apela a uma ONU que utilize a inovação, os dados, as ferramentas digitais, a previsão e a ciência (comportamental) de forma eficaz.

O Pacto apresenta o acordo mais detalhado de sempre nas Nações Unidas sobre a necessidade de reformar a arquitetura financeira internacional, para que funcione para todos e reflita as necessidades e realidades económicas de hoje, conseguidas através, nomeadamente:

  • participação mais forte dos países em desenvolvimento na tomada de decisões económicas internacionais, nomeadamente através de uma maior representação nas instituições financeiras internacionais;
  • a mobilização de mais financiamento dos bancos multilaterais de desenvolvimento para ajudar os países em desenvolvimento a impulsionar as suas necessidades de desenvolvimento;
  • uma revisão da arquitetura da dívida soberana para garantir que os países em desenvolvimento possam contrair empréstimos de forma sustentável para investir no seu futuro, conduzida conjuntamente pelo FMI, a ONU, o G20 e outros intervenientes importantes;
  • uma rede de segurança financeira global reforçada para apoiar os países em caso de choques financeiros e económicos, utilizando direitos de saque especiais;
  • Disponibilizar mais financiamento para ajudar os países a enfrentar as alterações climáticas e a investir na adaptação e nas energias renováveis.

Os líderes decidiram quais os próximos passos concretos para desenvolver medidas de progresso no desenvolvimento sustentável para além do PIB, captando o bem-estar e a sustentabilidade humanos e planetários.

Quanto à governação do espaço sideral, o Pacto inclui um acordo para reforçar os quadros internacionais existentes, nomeadamente para garantir que todos os países possam beneficiar da sua exploração e utilização seguras e sustentáveis, e trabalhar com intervenientes não estatais, quando relevante.

O Pacto apela também a uma melhor resposta internacional a choques globais complexos e propõe a consideração de abordagens para reforçar a resposta do sistema das Nações Unidas, no âmbito das autoridades existentes e em consulta com os Estados-membros.

 

PACTO DIGITAL GLOBAL

Anexo ao Pacto, o Pacto Digital Global é o primeiro quadro global abrangente para a cooperação digital. Inclui explicitamente os direitos humanos e os compromissos concretos para acelerar o progresso na Agenda 2030 e coloca a ênfase no papel das partes interessadas não estatais. Assume o primeiro compromisso global com os bens públicos digitais e as infraestruturas públicas digitais; a dados, modelos e normas de código aberto; e à governação de dados. No Pacto, os líderes concordaram também em medidas ambiciosas para tornar o espaço digital mais seguro para todos através de uma maior responsabilização das empresas tecnológicas e das plataformas de redes sociais e de ações para combater a desinformação e os danos online.

O Pacto inclui um acordo sobre um plano para a governação global da IA, através da criação de um Painel Científico da IA, do diálogo político global sobre a IA e da exploração da criação de um Fundo Global para o reforço das capacidades em IA.

 

DECLARAÇÃO SOBRE AS GERAÇÕES FUTURAS

Os líderes chegaram a acordo sobre a primeira Declaração sobre as Gerações Futuras, reconhecendo as nossas obrigações e adotando medidas para ter sistematicamente em conta o impacto futuro, evitando conscientemente danos previsíveis e salvaguardando os interesses das gerações futuras.

A Declaração apresenta propostas e processos concretos para ajudar os Estados-membros a considerar melhor as gerações futuras e a inspirar uma governação que antecipa impactos futuros a longo prazo, a nível internacional.

 

ACOMPANHAMENTO DA CIMEIRA

O Pacto inclui o compromisso de rever a implementação global no início da 83ª sessão da Assembleia Geral, numa reunião de chefes de Estado e de Governo.

  • Compromete-se a manter o digital no topo da agenda mundial: revisão de alto nível em 2027 e como contributo para além de 2030.

UNRIC associa-se ao Festival Boil para debater alterações climáticas através da arte e do humor 

O mote do BOIL é “Sem drama, mas com urgência”.

Festival irá abordar a emergência climática “sem drama, mas com urgência” recorrendo ao humor e a instalações artísticas na Fundação Serralves e outros espaços culturais, na Cidade do Porto. A ONU Portugal falou com a promotora do Boil Fest, Graça Fonseca, para perceber como surgiu a ideia deste festival e quais são os seus principais objetivos.  

 

ONU Portugal: Como é que surge o Boil Climate Festival?  

Graça Fonseca: O Boil surge da inquietação e constatação de que há décadas os cientistas climáticos nos alertam para o que está a acontecer no planeta, mas parece que não temos ouvido ou temos ouvido pouco – o aquecimento global, as suas causas, os seus efeitos e de que maneira o que está a acontecer afeta as nossas vidas, sendo que o ritmo da mudança é muito mais lento do que o necessário, face à aceleração do ritmo das alterações climáticas. São os próprios cientistas, a nível mundial, que nos dizem que precisamos de outras linguagens, de outras formas de olhar o mundo para nos ajudar a comunicar ciência climática. O Boil nasce daqui, nasce para responder à questão o que pode acontecer se à ciência juntarmos a arte e o humor, será que conseguimos envolver melhor e mais as pessoas no grande desafio que são as alterações climáticas?  

 

ONU Portugal: Como surgiu a ideia do nome Boil?? 

GF: Surge desta ideia de queremos desafiar as pessoas com um toque de humor. “Boil” significa que “estamos a ferver” e procurámos que esta ideia ficasse na cabeça das pessoas. A verdade também é que, há cerca de um ano, o secretário-geral das Unidas, António Guterres, declarou, perante meses consecutivos de recordes de temperatura, que a era do aquecimento global tinha acabado, tinha começado a era do “boiling” (fervendo). É esta a mensagem que temos mesmo que conseguir passar às pessoas, de que algo está a mudar muito rapidamente.  

 

ONU Portugal: Qual é o mote do Boil? 

GF: O mote do BOIL é “Sem drama, mas com urgência”. Vivemos um tempo de urgência, mas temos de o comunicar sem drama. O nosso cérebro é um processador de histórias, mais do que um processador de números. Quando alguém começa uma frase com 2050, o nosso cérebro já desligou; e quando nos dizem um número como 8 milhões de pessoas, o nosso cérebro também terá tendência a desconectar, eu sou só um, o que é que eu posso fazer? E, portanto, o que nós vamos procurar no Boil é contar histórias, a partir do que a ciência nos diz, comunicar factos cientificamente comprovados, mas fazê-lo sem drama, de uma forma bem-disposta, participativa, experiencial. Queremos gerar conexão, empatia, relação das pessoas com o significado e impactos das alterações climáticas na nossa vida. 

ONU Portugal: O BOIL vai testar alguma ideia para comunicar o que está a acontecer no Planeta?  

GF: Sim desde logo através de diálogos entre ciência, arte e humor. Mas também procurando transformar factos científicos em histórias, através de metáforas, por exemplo. Será que se utilizarmos uma metáfora para o aquecimento global vamos compreender melhor o que significa? Dando um exemplo, temos utilizado uma metáfora que é comparar o que é que nos acontece quando temos febre. Todos nós já tivemos febre, conhecemos o fenómeno de febre e sabemos o que acontece a partir de um determinado grau. Com febre, o nosso corpo também está a aquecer, e o planeta também está a aquecer. Nós temos reações e o planeta também. Esta forma de comunicar pode fazer com que as pessoas pensem de forma diferente e encorajar para a mudança de comportamento.  

 

ONU Portugal: Quais são as inquietações que estarão presentes nas talks que terão lugar durante o Boil??  

GF: As inquietações do Boil são as inquietações que, acreditamos, a maioria das pessoas tem. O desafio que lançámos aos cientistas, artistas e humoristas foi criar conversas que ajudem as pessoas a ajudar o planeta. Conversas que respondam às perguntas que inquietam as pessoas. Quando me falam na falta de água, quando vejo nas notícias que Portugal é um país que está em situação de stress hídrico. O que é que isso significa na minha vida? De que maneira é que eu posso usar melhor a água? Será que o meu contributo conta? Tem alguma relevância o que eu faça? E se tem, para que é que tem?  

Graça Fonseca, promotora do Boil explca que as BOIL Talks são um espaço para diálogos informais entre cientistas, artistas, humoristas, ativistas sobre temas que importam à vida quotidiana das pessoas.

ONU Portugal: Além das talks, haverá também uma série de outras atividades… 

GF: Sim, para envolver um público diversificado, o BOIL combina ciência, arte e humor ao longo dos dias, através de um percurso que combina instalações de arte, exposição, cinema, conversas, bem como uma silent disco que decorre em simultâneo com o Festival Serrralves em Luz, com direção criativa de Nuno Maya.  

Sistematizando, porque a programação é diversificada. O BOIL começa os dias com iniciativas para os mais novos, com instalações de arte e conversas participativas. Na manhã de dia 26 teremos também um fórum participativo organizado pela Comunidade Lidera, uma ONG portuguesa de jovens ativistas. Ao longo do dia, entre dias 25 e 29, o BOIL oferece aos visitantes um percurso de instalações artísticas criadas originalmente para o festival, da qual destaco “Boiling Point”, uma instalação de arte sobre a água e o seu uso, “Our Plastic Seas”, uma instalação de arte sobre o impacto dos plásticos nos oceanos, ambas da autoria de Chris Vincze and Artists & Engineers, e uma exposição do projeto “Critically Extant” by Entangled Others em diálogo com a coleção de insetos do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNC-UP) e o cientista José Manuel Grosso Silva. Temos ainda uma viagem interativa pela Amazónia, através do filme imersivo “Amazónia Viva” numa parceria com o Museu do Amanhã do Rio de Janeiro. Também ao longo do dia, entre 25 e 29 de setembro, O BOIL tem uma programação de cinema dedicado a temas climáticos, uma parceria com a Casa Cinema Manoel Oliveira e a National Geographic.  

As BOIL Talks decorrem nos dias 25 e 26 de setembro, a partir das 15.30h. São um espaço para diálogos informais entre cientistas, artistas, humoristas, ativistas sobre temas que importam à vida quotidiana das pessoas, como “O que está a acontecer no Planeta?”, “Alimentar”, “Construir”, “Turismo”, “Arte e Ciência pelo Planeta”, “Mobilidade”, “Ativismo e Arte”, “O que está a acontecer nos Oceanos?”, “Comunicar Ciência”, “Biodiversidade”, “Água”, “Energia”, “Moda”, “Influenciar”, “Humor e Clima”.  Entre os nomes confirmados estão Joana Barrios, Sara Prata, João Manzarra, Hugo Van Der Ding, Nuno Artur Silva, Selma Uamusse, Capicua, os cientistas Pedro Matos Soares, Júlia Seixas, Marta Marques, Carlos Fiolhais, David Marçal, Helena Freitas, os arquitetos Rita Gomes (Seenergy) e João Machado (Oitoo), os Chefs João Rodrigues e Márcio Baltasar, Luís Araújo (especialista em turismo), Gonçalo Alves (Areias do Seixo), José Gomes Mendes (especialista em mobilidade), e os coletivos Comunidade Lidera e Hard Art (este último, um coletivo de artistas, cientistas e ativistas liderado pelo músico e ativista climático Brian Eno). 

Dias 25 e 26 vamos terminar o dia e começar a noite a dançar numa silent disco nos jardins de Serralves, ao som de Djs e no cenário do Festival Serralves em Luz. 

 

ONU Portugal: O que as pessoas podem fazer hoje para ter um futuro mais sustentável?  

GF: Penso que começa por termos uma relação diferente com o que nos rodeia, com a natureza, com outras espécies que encontramos no nosso dia-a-dia e por um respeito pelo que nos rodeia, os oceanos, a biodiversidade, os recursos que usamos. Uma consciência de ligação e de conexão com o planeta, com o que é importante para a nossa vida, com a necessidade de respeitamos os limites do mundo em que vivemos. Ouvir mais os cientistas e procurar entender o que está a acontecer, porque está a acontecer, o que temos a ver com o que está a acontecer, quais os impactos na nossa vida e na vida das gerações seguintes. E a partir daqui, com mais conexão, mais conhecimento, maior empatia, ir mudando o modo como nos relacionamos com os recursos que o planeta nos dá.  

 

ONU Portugal: A sua expetativa em relação ao futuro é positiva? 

GF: Eu sou uma otimista e, por isso, acredito que trazer arte e humor para falar sobre alterações climáticas pode ser uma boa receita. As pessoas vão sentir de forma cada mais presente e intensa o impacto das alterações climáticas. Porque o tempo muda, porque, de repente, temos uma onda de calor e, no dia a seguir, temos chuvas torrenciais, porque estamos sempre a ouvir sobre se há ou não há falta de água. As pessoas vão sentir, cada vez mais, o que está a acontecer. E o facto de sentirmos, de experienciarmos mudanças na nossa vida, faz com que procuremos mais informação, com que queiramos perceber melhor e contribuir através de mudanças. Na nossa comunidade, no nosso prédio, na nossa vida. Eu acredito muito no poder das pessoas, que as pessoas são agentes de mudança. Sei que nem sempre vemos mudanças positivas, mas continuo a acreditar que as pessoas podem fazer a mudança para um Planeta mais sustentável.   

Consulte a programação do Boil aqui. 

Nações Unidas adotam Pacto para o Futuro para transformar a governação internacional

Sala da Assembleia Geral durante a abertura da Cimeira do Futuro. A Cimeira do Futuro oferece uma oportunidade única de mudança e de compromisso para com novas soluções. Oferece uma oportunidade para criar mecanismos internacionais que reflitam melhor as realidades do século XXI e possam responder aos desafios e oportunidades de hoje e de amanhã. A Assembleia Geral iniciou a reunião com a adoção da Resolução do Pacto para o Futuro com anexos do Pacto Digital Global e da Declaração sobre as Gerações Futuras. Foto ONU: Loey Felipe

Os líderes mundiais adotaram este domingo o “Pacto para o Futuro” que inclui um Pacto Digital Global e uma Declaração sobre as Gerações Futuras. Este Pacto é o culminar de um processo inclusivo para adaptar a cooperação internacional às realidades de hoje e aos desafios de amanhã. Sendo o acordo internacional mais abrangente em muitos anos, abrangendo áreas inteiramente novas, bem como questões sobre as quais não era possível chegar a acordo há décadas, o Pacto visa, acima de tudo, garantir que as instituições internacionais possam ser mais eficazes perante um mundo que mudou drasticamente desde que foram criadas. Tal como afirma o secretário-geral das Nações Unidas, “não podemos criar um futuro adequado para os nossos netos com um sistema construído pelos nossos avós”.

O acordo do Pacto é uma forte declaração do compromisso dos países com as Nações Unidas, o sistema internacional e o direito internacional. Os líderes definem uma visão clara de um sistema internacional que pode cumprir as suas promessas, mais representativo do mundo de hoje e que recorre à energia e aos conhecimentos especializados dos governos, da sociedade civil e de outros parceiros importantes.

“O Pacto para o Futuro, o Pacto Digital Global e a Declaração sobre as Gerações Futuras abrem a porta a novas oportunidades e possibilidades inexploradas”, afirmou o secretário-geral no sue discurso na abertura da Cimeira do Futuro. O presidente da Assembleia Geral sublinhou que o Pacto iria “lançar as bases para uma ordem internacional sustentável, justa e pacífica – para todos os povos e nações”.

O Pacto abrange um vasto leque de questões, incluindo a paz e a segurança, o desenvolvimento sustentável, as alterações climáticas, a cooperação digital, os direitos humanos, a igualdade de género, a juventude e as gerações futuras, e a transformação da governação internacional. Os principais resultados do Pacto incluem:

O secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa na abertura da Cimeira do Futuro. “Hoje desafio-vos a agir. A implementar o Pacto para o Futuro – dando prioridade ao diálogo e à negociação, pondo fim às guerras que destroem o mundo e reformando a composição e os métodos de trabalho do Conselho de Segurança. Para acelerar a reforma do sistema financeiro internacional, especialmente por ocasião da Conferência sobre Financiamento para o Desenvolvimento, que se realizará no próximo ano. Foto ONU/ Loey Filipe

Paz e segurança

O compromisso mais progressivo e concreto para com a reforma do Conselho de Segurança desde a década de 1960, com planos para melhorar a eficácia e a representatividade do Conselho, incluindo a correção da sub-representação histórica de África como uma prioridade.

O primeiro novo compromisso multilateral para com o desarmamento nuclear em mais de uma década, com um claro compromisso para a eliminação total das armas nucleares.

Acordo para reforçar os quadros internacionais que regem o espaço sideral, incluindo um compromisso claro para evitar uma corrida ao armamento no espaço e a necessidade de garantir que todos os países possam beneficiar da exploração segura e sustentável do espaço.

Passos para evitar a transformação em armas e a utilização indevida de novas tecnologias, tais como armas letais autónomas, e afirmação de que as leis da guerra devem aplicar-se a muitas destas novas tecnologias.

 

Desenvolvimento sustentável, o clima e o financiamento para o desenvolvimento

Todo o Pacto foi concebido para impulsionar a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Este é o acordo mais detalhado de sempre nas Nações Unidas sobre a necessidade de reforma da arquitetura financeira internacional para que esta represente e sirva melhor os países em desenvolvimento, incluindo:

– dar aos países em desenvolvimento uma maior influência na forma como as decisões são tomadas nas instituições financeiras internacionais;

– mobilizar mais financiamento dos bancos multilaterais de desenvolvimento para ajudar os países em desenvolvimento a satisfazer as suas necessidades de desenvolvimento;

– rever a arquitetura da dívida soberana para garantir que os países em desenvolvimento podem contrair empréstimos de forma sustentável para investir no seu futuro, com o FMI, a ONU, o G20 e outros intervenientes importantes a trabalharem em conjunto;

– reforçar a rede de segurança financeira global para proteger os mais pobres em caso de choques financeiros e económicos, através de ações concretas por parte do FMI e dos Estados-membros;

– acelerar as medidas para enfrentar o desafio das alterações climáticas, nomeadamente através da disponibilização de mais financiamento para ajudar os países a adaptarem-se às alterações climáticas e a investirem nas energias renováveis.

– melhorar a forma como medimos o progresso humano, indo além do PIB e captando o bem-estar e a sustentabilidade humanos e planetários.

– um compromisso de considerar formas de introduzir um nível mínimo global de tributação sobre os indivíduos com elevado património líquido.

No que diz respeito às alterações climáticas, confirma a necessidade de manter o aumento da temperatura global em 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais e de abandonar os combustíveis fósseis nos sistemas energéticos para atingir emissões líquidas nulas até 2050.

 

Cooperação digital

O Pacto Digital Global, anexo ao Pacto, é o primeiro quadro global abrangente para a cooperação digital e a governação da Inteligência Artificial (IA).

No cerne do Pacto está o compromisso de conceber, utilizar e governar a tecnologia para o benefício de todos. Isto inclui compromissos dos líderes mundiais para:

– ligar todas as pessoas, escolas e hospitais à Internet;

– ancorar a cooperação digital nos direitos humanos e no direito internacional;

– tornar o espaço online seguro para todos, especialmente para as crianças, através de ações dos governos, das empresas tecnológicas e das redes sociais;

– governar a Inteligência Artificial, com um plano que inclui um Painel Científico Internacional e um Diálogo Político Global sobre a IA;

– tornar os dados mais abertos e acessíveis, com acordos sobre dados, modelos e normas de código aberto;

Este é também o primeiro compromisso global com a governação de dados, colocando-a na agenda da ONU e exigindo que os países tomem medidas concretas até 2030.

 

Juventude e gerações futuras

  • A primeira Declaração sobre as Gerações Futuras, com medidas concretas para ter em conta as gerações futuras na nossa tomada de decisões, incluindo a possibilidade de se nomear um enviado especial da ONU para as gerações futuras.
  • Um compromisso com oportunidades mais significativas para os jovens participarem nas decisões que moldam as suas vidas, especialmente a nível internacional.
O processo da Cimeira e do Pacto foram profundamente enriquecidos pelos contributos de milhões de vozes e de milhares de intervenientes de todo o mundo. Foto ONU: Loey Filipe

Direitos humanos e género

  • Um reforço do trabalho da ONU em matéria de direitos humanos, igualdade de género e capacitação das mulheres.
  • Um apelo claro à necessidade de proteger os defensores dos direitos humanos.
  • Sinais fortes sobre a importância do envolvimento de outros intervenientes na governação internacional, incluindo os governos locais e regionais, a sociedade civil, o setor privado e outros.

Existem disposições em todo o Pacto e nos seus anexos para ações de acompanhamento, para garantir que os compromissos assumidos são implementados.

 

Processo de Cimeira

O processo da Cimeira e do Pacto foram profundamente enriquecidos pelos contributos de milhões de vozes e de milhares de intervenientes de todo o mundo.

A Cimeira reuniu mais de 4.000 indivíduos: chefes de Estado e de Governo, observadores, organizações- governamentais  internacionais, sistema das Nações Unidas, sociedade civil e organizações não governamentais. Num esforço mais vasto para aumentar o envolvimento de diversos intervenientes, a Cimeira formal foi precedida pelos Dias de Ação, de 20 a 21 de setembro, que atraíram mais de 7.000 indivíduos que representam todos os segmentos da sociedade. Os Dias de Ação incluíram fortes compromissos de ação por parte de todas as partes interessadas, bem como promessas de 1,05 mil milhões de dólares para promover a inclusão digital.

Mensagem por ocasião do Dia Internacional da Paz

Para onde quer que olhemos, a paz está sob ataque.

De Gaza ao Sudão, à Ucrânia, entre outros, vemos: Civis na linha de fogo; Casas destruídas; Populações traumatizadas e aterrorizadas que perderam tudo — e às vezes todos.

Este catálogo de miséria humana deve parar. O nosso mundo precisa de paz.

A paz é o prêmio máximo para toda a humanidade. E como este Dia Internacional da Paz nos lembra — as soluções estão em nossas mãos.

Cultivar uma cultura de paz significa substituir a divisão, a falta de poder e o desespero por justiça, igualdade e esperança para todas as pessoas.

Significa focar na prevenção de conflitos; Impulsionar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável; Promover os direitos humanos. E enfrentar todas as formas de discriminação e ódio.

A Cúpula/Cimeira do Futuro deste mês é uma oportunidade vital para promover esses objetivos. Vamos aproveitá-la. Juntos, vamos lançar as bases para a paz.

E vamos nutrir uma cultura onde a igualdade, a paz e a justiça prosperem. Muito obrigado.

Faltam 257 anos para reduzir a disparidade salarial entre homens e mulheres

A paridade de género nos parlamentos não será alcançada até 2063, serão necessários 137 anos para que não haja mulheres ou raparigas na pobreza e até 1 em cada 4 raparigas casa antes de atingir a idade adulta. Na mesma linha, ao ritmo atual, serão necessários 257 anos para reduzir a disparidade salarial entre homens e mulheres a nível mundial.

Estes são os dados do relatório da ONU Mulheres (2024) publicado esta segunda-feira no âmbito do Dia Internacional da Igualdade Salarial.

Quase 30 anos após a Declaração de Pequim e apenas a 6 anos de 2030, embora se registem progressos, estes não são suficientes. Até à data, nenhum dos indicadores do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5, relacionado com a igualdade de género, foi cumprido.

 

Desigualdade de género nas perdas económicas

A disparidade de género provoca perdas e isto é demonstrado pelo custo de uma educação fornecida de forma inadequada e desigual às populações jovens, mais de 10 mil milhões de dólares perdidos. Além disso, estima-se que, se os países de baixo e médio rendimento não eliminarem a exclusão digital, poderão perder 500 mil milhões de dólares adicionais em cinco anos.

“O custo da inação em matéria de igualdade de género é imenso e os benefícios de a alcançar são demasiado grandes para serem ignorados”, afirmou o subsecretário-geral das Nações Unidas para os Assuntos Económicos e Sociais.

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É urgente que os países reafirmem os seus compromissos para acelerar a igualdade de género e os direitos das mulheres.

A disparidade salarial em Portugal

Portugal não está imune a esta situação. O fosso salarial entre os trabalhadores e as trabalhadoras é de 13,1% em Portugal, o que supera a média europeia. Os dados são da empresa de recursos humanos Michael Page, na véspera do Dia Internacional da Igualdade Salarial, data fixada pela Organização das Nações Unidas (ONE) para colocar o holofote na desvalorização do trabalho tradicionalmente desempenhado por elas.

“A diferença salarial entre homens e mulheres é de 13,1%, acima da média europeia, que se situa nos 12,7%​”, salienta a Michael Page.

 

Ferramentas para reduzir as disparidades de género

É urgente que os países reafirmem os seus compromissos para acelerar a igualdade de género e os direitos das mulheres. Para tal, o relatório recomenda ações de elevado impacto nas chamadas 6 transições para revitalizar a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: sistemas alimentares; acesso e acessibilidade à energia; ligação digital; educação; trabalho e proteção social; alterações climáticas, perda de biodiversidade e poluição. Cada uma destas transições está interligada com a igualdade de género e a sua abordagem requer ações complementares, como a eliminação da violência contra as mulheres, a garantia da sua participação igualitária na tomada de decisões e o reforço da paz e da segurança.

#JanelaBrancaPelaPaz: UNRIC e personalidades públicas criam movimento em prol da Paz

No Dia Internacional da Paz, que se assinala a 21 de setembro, o Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC)
e a UNICEF Portugal, juntam-se ao grupo de personalidades públicas impulsionadoras da iniciativa #JanelaBrancaPelaPaz, para desafiar todas as
pessoas e entidades a decorarem, nesse dia, a sua janela com uma peça branca para evocar a importância da Paz e mostrar a sua solidariedade para
com todos os que vivem em situação de guerra ou de conflito. Catarina Furtado, Cristina Ferreira, José Luis Peixoto, Marisa Liz, Nelson Évora, Nuno
Markl e Rita Blanco são alguns dos porta-vozes deste movimento.

 

No âmbito do Dia Internacional da Paz de 2024, 21 de setembro, o Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC) e a UNICEF Portugal juntam-se a um grupo de figuras públicas portuguesas na criação do movimento #JanelaBrancaPelaPaz, que visa unir as pessoas em torno de um símbolo universal de esperança e de solidariedade: a bandeira branca.

O objetivo é lembrar que a Paz não é apenas um conceito distante, mas uma necessidade urgente que toca a vida de milhões de pessoas em todo o mundo. No dia 21 de setembro, o poder da Paz vai estar em cada janela, um movimento simples e poderoso que convida toda a gente a ser uma voz ativa pela Paz.
Assim, neste Dia Internacional da Paz, todas as pessoas e instituições são convidadas, a participar nesta iniciativa com um simples gesto: pendurar um pano branco na janela da sua casa, ou do seu local de trabalho, de forma visível. Este pano – que pode ser um lençol, bandeira, fronha, toalha, ou qualquer outro item disponível –, representa um apelo conjunto à cultura da Paz.
Junta-te ao movimento pela PAZ!

Objetivos
A iniciativa pretende criar uma corrente online de solidariedade e empatia para com todos aqueles que vivem em situação de guerra ou de conflito, sensibilizar para a importância da Paz, relembrar os impactos dos conflitos e das guerras: perda de vidas, destruição de casas, escolas, hospitais e o retrocesso ou estagnação do progresso económico e social. Pretende-se, ainda, com esta ação, apelar aos líderes e decisores nacionais e mundiais
para que não desistam de trabalhar para evitar o conflito, para que promovam a Paz, privilegiando o diálogo e a diplomacia na resolução de disputas, fomentando uma Cultura da Paz e de dialogo tal como definida pela resolução 23/243 das Nações Unidas (ONU).

Factos

De acordo com a ONU, o mundo vive o maior número de conflitos violentos desde a Segunda Guerra Mundial com 2 mil milhões de pessoas, ou seja, um quarto da população mundial, a viverem em zonas afetadas por conflitos ou por guerras. Mais de 117 milhões de pessoas em todo o mundo estão deslocadas devido a conflitos, perseguições, e outras formas de violência estima-se que, em 2024, 300 milhões de pessoas necessitarão de ajuda humanitária. As crianças são as mais afetadas, sendo que, atualmente, 1 em cada 5 crianças no mundo vive em contexto de guerra ou está deslocada
devido ao conflito.
Num mundo mergulhado em conflitos, desigualdades e discriminação, a ONU apela a que todos contribuam para a promoção do diálogo, da empatia e dos direitos humanos para todas as pessoas.

Campanha nas redes sociais

Todos os participantes nesta iniciativa poderão partilhar uma fotografia ou vídeo da sua Janela Branca Pela Paz, identificando a conta do Instagram da @JanelaBrancaPelaPaz e o hashtag #JanelaBrancaPelaPaz. António Raminhos, Carlão, Carolina Deslandes, Catarina Furtado, Cláudia Vieira, Cristina Ferreira, Jessica Athayde, João Baião, José Luis Peixoto, Marisa Liz, Nelson Évora, Nuno Markl, Pedro Fernandes, ProfJam, Ricardo Pereira, Rita Blanco e Tânia Ribas de Oliveira são algumas das personalidades que já confirmaram a participação nesta iniciativa, que conta também com o apoio dos principais grupos de comunicação social de Portugal.

Veja aqui para mais informações sobre o Dia Internacional da Paz.

No dia 21 de setembro vamos todos participar, inspirar e mudar.
Vamos mostrar ao mundo que a Paz começa em cada pessoa

Mensagem Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares

O SECRETÁRIO-GERAL

26  de setembro de 2024

Este décimo Dia Internacional para a Eliminação Total de Armas Nucleares acontece num momento preocupante.

O crescimento das divisões geopolíticas e a desconfiança estão a elevar as tensões a novos níveis. Em vez de o diálogo e a diplomacia serem utilizados para terminar a ameaça nuclear, outra corrida às armas nucleares está a tomar forma, e o duelo de espadas está a ressurgir como uma tática da coação.

Temos de parar a loucura antes que seja tarde demais. Neste dia importante, o mundo deve enviar uma mensagem clara e unida: a única forma de eliminar a ameaça nuclear é eliminar as armas nucleares.

O desarmamento e a não-proliferação são dois lados da mesma moeda. O progresso num estimula o progresso no outro. Os Estados devem procurar ambos os lados urgentemente.

Os Estados nucleares devem liderar o caminho honrando as suas obrigações de desarmamento e comprometendo-se a nunca utilizar armas nucleares em quaisquer circunstâncias, ou ameaçar fazê-lo.

Os tratados e instrumentos que procuram prevenir a propagação e os testes de armas nucleares e provocar a sua eliminação precisam de ser reforçados e adaptados para enfrentar os desafios de hoje, incluindo para enfrentar as mudanças tecnológicas que possam aumentar a ameaça.

Há poucos dias, a Cimeira do Futuro – e o Pacto para o Futuro acordado – resultou num novo compromisso mundial de revitalizar o regime internacional de desarmamento e aproximar o mundo do nosso objetivo de eliminar totalmente as armas nucleares.

O nosso futuro está por um fio. Vamos eliminar estas armas do nosso mundo para sempre.

Mensagem por ocasião do Dia das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul

O SECRETÁRIO-GERAL

MENSAGEM PARA O DIA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A COOPERAÇÃO SUL-SUL

Nova Iorque, 12 de setembro de 2024

No Dia das Nações Unidas para a Cooperação Sul-Sul, celebramos o poder transformador da unidade e da solidariedade entre as nações em desenvolvimento.

Lembramos que só em conjunto os países poderão alavancar o apoio multilateral e alcançar uma prosperidade partilhada.

A cooperação Sul-Sul não reduz a responsabilidade das nações mais ricas em ajudar a combater as desigualdades a nível mundial. 

Não substitui a cooperação Norte-Sul.

Mas parcerias Sul-Sul fortes – juntamente com a cooperação triangular – são cruciais para construir um futuro melhor para todas as pessoas. 

Estas parcerias podem promover um sistema financeiro internacional mais justo que responda aos desafios enfrentados pelos países em desenvolvimento.

Podem ajudar a desbloquear o poder da digitalização, dos dados e das soluções apoiadas pela ciência para o desenvolvimento sustentável.

Podem ajudar a melhorar a qualidade de vida hoje e das gerações futuras, construindo e capacitando a resiliência das mulheres e dos jovens.

A Cimeira/Cúpula do Futuro, em setembro, é uma oportunidade para reafirmar o nosso compromisso com a cooperação Sul-Sul e com a cooperação triangular, abraçando a solidariedade e o apoio mútuo.

Ao reunir recursos, conhecimentos e experiência, podemos criar um mundo mais equitativo para todas as pessoas.