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Ucrânia: mais de 6 milhões de refugiados em toda a Europa

Nada menos do que 6,168 milhões de refugiados ucranianos estavam registados em toda a Europa no final de julho de 2024, indica o Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). A guerra causou a maior crise de deslocação populacional desde a Segunda Guerra Mundial, com quase um terço da população forçada a fugir das suas casas.

Outros 571 mil ucranianos estão exilados fora da Europa, elevando o total desta comunidade em todo o mundo para 6,74 milhões de pessoas. Além disso, 3,7 milhões de pessoas estão deslocadas internamente, segundo as Nações Unidas.

 

Custo humano e económico muito elevado

A Ucrânia, que tinha 43,5 milhões de habitantes em 2021, antes do início da guerra com a Rússia em fevereiro de 2022, tem hoje apenas 37,9 milhões.

O número de vítimas humanas é de 11.662 civis mortos entre 24 de fevereiro de 2022 e meados de agosto de 2024, incluindo 639 crianças, e 24.207 civis feridos, incluindo 1.577 crianças, de acordo com o Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

“A guerra destruiu a economia ucraniana, revertendo os ganhos de desenvolvimento dos últimos anos e mergulhando quase 25% da população na pobreza”, refere o último relatório anual das Nações Unidas na Ucrânia, publicado em abril de 2024.

Portugal recebeu 63.035 refugiados ucranianos desde o início do conflito.

Os 20 principais países anfitriões:

Federação Russa 1.227.555

Alemanha 1.190.255

Polónia 957.505

República Checa 370.980

Reino Unido 246.960

Espanha 211.325

Itália 172.035

Roménia 162.180

Moldávia 125.890

Eslováquia 125.460

Holanda 117.840

Irlanda 108.970

Bélgica 81.350

Áustria 78.815

Noruega 74.240

Montenegro 74.170 30

Suíça 66.990

França 66.560

Finlândia 64.415

Portugal 63.035

Fonte: ACNUR

 

Mais de 1,2 milhões de refugiados ucranianos estavam na Rússia a 31 de dezembro de 2023, onde o ACNUR está preocupado com o seu estatuto jurídico, direitos e acesso aos serviços neste território.

 

2 milhões de refugiados nos países vizinhos da Ucrânia

Existem mais de 1 milhão na Alemanha e cerca de 2,5 milhões em toda a Europa Ocidental, com diferenças assinaláveis ​​entre países, uma vez que há três vezes mais refugiados ucranianos em Espanha do que em França, por exemplo.

Quase 2 milhões estão distribuídos pelos 11 países da Europa de Leste mais diretamente vizinhos da Ucrânia (Bielorrússia, Bulgária, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Moldávia, Polónia, República Checa, Roménia e Eslováquia).

O ACNUR está empenhado com os seus parceiros no apoio a estes países de acolhimento e refugiados, dois terços dos quais são mulheres e raparigas, no âmbito do Plano Regional de Resposta aos Refugiados (PRR).

 

Maioria dos refugiados ucranianos quer regressar

De acordo com um inquérito realizado pelo ACNUR junto de 9.900 agregados familiares em janeiro e fevereiro de 2024, tanto na Ucrânia como no estrangeiro, 65% dos refugiados e 72% das pessoas deslocadas querem um dia regressar a casa.

As pessoas deslocadas citaram a insegurança na Ucrânia como o principal fator que impede o seu regresso, outras preocupações incluíam a falta de oportunidades económicas e de habitação.

Mensagem pela ocasião do Dia Internacional para Proteger a Educação de Ataques

UN Photo/Mark Garten

 

O secretário-geral

Mensagem pela ocasião do Dia Internacional para Proteger a Educação de Ataques 

9 de setembro de 2024

 

Nos últimos anos, assistiu-se a um aumento dramático dos ataques contra estudantes, professores, pessoal docente e escolas em todo o mundo – desde Gaza, ao Sudão, no Myanmar, na Ucrânia, na Colômbia, na República Democrática do Congo e em outros países.

 

Todos os conflitos têm um custo humano cruel. Mas para as crianças e os jovens apanhados no inferno dos conflitos, o custo é incalculável.

 

Este importante dia recorda-nos os danos da guerra nos corpos, nas mentes e nos espíritos dos jovens estudantes. Desde ferimentos e perda de vidas, ao rapto, à deslocação forçada, à violência sexual, ao recrutamento para os combates e à perda de oportunidades, os riscos são enormes.

 

A educação não é apenas um direito humano básico em si mesmo – é essencial para o cumprimento de todos os direitos humanos.

 

Apelo a todos os países para que invistam na educação e não se poupem a esforços para salvaguardar a educação e os locais de aprendizagem, proteger tanto os estudantes como os professores e responsabilizar os autores de ataques a locais de aprendizagem.

 

Apelo também a todos os países para que adotem e apliquem plenamente a Declaração sobre Escolas Seguras, apoiem a Coligação Mundial para a Proteção da Educação contra os Ataques e promovam todos os esforços para garantir que as crianças e os jovens possam continuar a sua aprendizagem – tanto em tempos de crise como depois de cessarem os combates.

 

Vamos proteger a educação contra os ataques e salvaguardar o direito fundamental à educação que pertence a todas as crianças e jovens, em todo o lado.

UE: a poluição atmosférica continua a ser um grande risco para a saúde

The European flag fluttering in the wind with a blue sky background.

A poluição atmosférica diminuiu nas últimas duas décadas na Europa, mas continua a ser um dos principais riscos ecológicos para a saúde. É o que recorda o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA) por ocasião do Dia Internacional do Ar Limpo para o Céu Azul, que se assianala a 7 de setembro.

 

Poluição por partículas finas: o padrão europeu é cinco vezes superior ao da OMS

Quase todos os habitantes urbanos europeus (96%) estão expostos a concentrações de partículas finas acima do limiar de referência da Organização Mundial de Saúde (OMS). Este valor foi fixado em 2021 em 5 µg/m³, um nível considerado sem riscos para a saúde.

As partículas finas provêm de combustíveis sólidos utilizados para o aquecimento doméstico, atividades industriais e transporte rodoviário. Em 2022, apenas a Islândia apresentava uma concentração média nacional de partículas finas inferior ao valor da orientação da OMS, indica a Agência Europeia do Ambiente (AEA).

Além disso, a Croácia, a Itália e a Polónia registaram concentrações superiores ao atual limite da União Europeia (UE, 25 µg/m³) em 2022. Um padrão cinco vezes superior ao limite da OMS.

As partículas finas, uma da principais causas da poluição atmosférica, causaram a morte prematura de quase 4 milhões de pessoas em 2019, segundo o PNUMA. A Ásia Oriental e a Europa Central são as mais afetadas. A Comissão Europeia indica que este tipo de poluição causa 300.000 mortes prematuras na UE todos os anos.

 

Uma Europa de contrastes

A “Pontuação de Poluição Atmosférica” do PNUMA, que se baseia em dados de 2019, dá uma imagem muito mista da UE.

Em Portugal, a população está exposta, em média, por ano, a níveis de partículas finas 1,7 vezes acima da referência da OMS, com 8,3 µg/m3.

Em França e na Bélgica, a exposição a estas partículas é 2,2 e 2,6 vezes superiores ao limite recomendado pela OMS (5 µg/m3). Em Itália, Hungria e Roménia, este nível médio (16 µg/m3) é 3,2 vezes superior ao limiar da OMS.

Na Polónia, a poluição por partículas finas é duas vezes mais elevada do que na Bélgica (23 µg/m3, ou 4,6 vezes mais do que o limiar da OMS). O pico de partículas finas ocorre na Sérvia, na Bósnia e Herzegovina e na Macedónia do Norte, a níveis 5 a 6 vezes superiores ao limiar da OMS.

 

Resultados mistos da UE para os principais fatores de poluição atmosférica

De facto, a legislação foi adotada pela UE em 2016, através da nova Diretiva Nacional de Limites de Emissão (Diretiva NEC), estando em vigor em cada um dos 27 Estados-Membros para cinco dos principais poluentes atmosféricos: dióxido de enxofre (SO2), óxidos de azoto (NOx), compostos orgânicos voláteis diferentes do metano (NMVOC), amoníaco (NH3) e partículas finas ( PM2,5).

Mas em 2022, apenas 16 Estados-membros respeitaram os seus compromissos nacionais durante o período 2020-29, de acordo com a AEA. Para outros 11 Estados, os objetivos não foram atingidos para pelo menos em um dos cinco principais poluentes.

O desafio continua a ser para todos os países da UE, especialmente para o amoníaco. O setor agrícola é a principal fonte e estas emissões diminuíram apenas ligeiramente desde 2005.

 

A ambição de “poluição zero” do Acordo Verde Europeu

O plano de ação de “poluição zero” do Acordo Verde Europeu estabelece uma meta para 2030 de redução das mortes prematuras causadas por partículas finas em pelo menos 55%, em comparação com os níveis de 2005. É acompanhado por um objetivo a longo prazo de não haver impactos significativos na saúde.

As instituições europeias chegaram a um acordo político sobre a qualidade do ar ambiente em março de 2024, com vista a aproximar as normas da UE dos limiares de referência da OMS. Assim, a partir de 1 de janeiro de 2030, a nova norma europeia será de 10 µg/m³ para partículas finas.

 

LINKS ÚTEIS

Para registar um evento: Eventos Registados (cleanairblueskies.org)

PNUMA: o Relatório sobre as ações para a qualidade do ar

Poluição do ar: quando respirar pode matar

Cinco coisas que precisa de saber sobre as crises humanitárias na África Austral e Oriental

©UNOCHA/Liz Loh-Taylor

 

As alterações climáticas, os conflitos, a instabilidade política, as doenças e os choques económicos estão a impulsionar as necessidades humanitárias na região da África Austral e Oriental. Pelo menos 74 milhões de pessoas na região necessitam de assistência humanitária – este é o número mais elevado de pessoas necessitadas a nível mundial. Mas prevê-se que o número aumente até ao final do ano devido às alterações climáticas e aos conflitos.

 

 

  1. Três das cinco maiores crises de deslocações do mundo ocorrem na África Austral e Oriental

Os conflitos e a violência estão a deslocar um número impressionante de pessoas. No ano passado, 20,5 milhões de pessoas em todo o mundo foram obrigadas a abandonar as suas casas e a procurar abrigo dentro das fronteiras dos seus países. O Sudão está no topo da lista, seguido da República Democrática do Congo (RDC) e da Etiópia.

Cerca de uma em cada sete pessoas deslocadas internamente em todo o mundo é sudanesa. Mais de 10 milhões de pessoas no Sudão fugiram das suas casas desde o início do conflito no país, em abril de 2023. Entre elas encontram-se 7,9 milhões de pessoas deslocadas no interior do Sudão, mais de metade das quais são crianças, e mais de 2 milhões de pessoas que se dirigiram para os países vizinhos.

As restrições de financiamento e de acesso à ajuda humanitária estão a dificultar os esforços para chegar a mais pessoas afetadas pelo conflito. Apesar disso, mais de 125 parceiros humanitários no Sudão continuam a prestar apoio para salvar vidas; entre janeiro e junho, chegaram a quase 8 milhões de pessoas com pelo menos uma forma de assistência.

 

Renk, Sudão do Sul: Refugiados e repatriados do Sudão amontoam-se em camiões e autocarros que partem para diferentes regiões do Sudão do Sul. ©UNOCHA/Liz Loh-Taylor

 

2. O Uganda acolhe o maior número de refugiados em África

O Uganda acolhe o maior número de refugiados em África e o quinto maior a nível mundial. Quase 1 milhão destes refugiados são do Sudão do Sul, mais de meio milhão são da RDC e o número de pessoas do Sudão está a aumentar. Entretanto, a população de refugiados da Etiópia ultrapassou 1 milhão em março de 2024.

O modelo de refugiados do Uganda é uma inspiração, uma vez que dá aos refugiados liberdade de circulação e o direito de trabalhar, estabelecer pequenas empresas, possuir propriedades e aceder aos serviços nacionais, incluindo a educação e os cuidados de saúde.

No entanto, a falta de financiamento está a dificultar os esforços para chegar às pessoas necessitadas. Desde 2021, o Programa Alimentar Mundial (PAM) tem sido forçado a dar prioridade à assistência alimentar apenas aos refugiados mais vulneráveis, sendo que os recém-chegados recebem a maior parte. Em 2023, o Uganda estava entre as 13 operações mais subfinanciadas a nível mundial da Agência das Nações Unidas para os Refugiados.

 

Alice Ledu e a sua família foram deslocadas do Sudão do Sul em 2016 devido ao conflito. Atualmente, vivem na comunidade de refugiados de Bidi Bidi, no distrito de Yumbe, no Uganda. ©UN Women/Jeroen van Loon

 

3. Metade das crises alimentares mundiais ocorrem na África Austral e Oriental

A fome está agora confirmada no campo de ZamZam, perto da cidade de El Fasher, no Darfur do Norte, Sudão. Treze outras localidades estão em risco de fome em Aj Jazirah, Darfur, Cartum e Kordofan. Um número impressionante de 26 milhões de pessoas em todo o Sudão está a sofrer de fome aguda, incluindo 755.000 pessoas que enfrentam condições catastróficas. A prova disso é que as mulheres estão a ser forçadas a trocar sexo por comida.

No Sudão do Sul, o número de pessoas que enfrentam a fome irá duplicar este ano. O país deverá também sofrer as piores inundações dos últimos 100 anos devido ao aumento das chuvas sazonais e à libertação prevista de água do Lago Vitória, o que agravará ainda mais a insegurança alimentar. Em todos estes contextos, as mulheres e as raparigas são desproporcionadamente afetadas pela fome, sendo frequentemente as que comem menos e as últimas.

A situação é igualmente dramática na RDC e na Etiópia, onde um elevado número de pessoas se encontra em situação de insegurança alimentar, e na Somália, onde entre 3 e 4 milhões de pessoas ainda necessitam de assistência alimentar.

Na África Austral, a seca induzida pelo El Niño obrigou o Botswana, o Lesoto, o Malawi, a Namíbia, a Zâmbia e o Zimbabué a declarar situações de emergência nacional. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o PAM incluem atualmente estes países entre os 18 principais centros de fome do mundo.

Para atenuar o impacto da seca, a ONU e os seus parceiros estão a prestar assistência vital, incluindo segurança alimentar, nutrição e serviços de água, saneamento e higiene (WASH). No Sudão, os parceiros humanitários estão a lutar para intensificar os esforços de resposta e de prevenção da fome, chegando a quase 2,5 milhões de pessoas desde maio nos piores locais de fome. E desde dezembro de 2023, o Fundo Central de Resposta de Emergência da ONU (CERF) atribuiu quase 25,4 milhões de dólares às agências da ONU que respondem à seca induzida pelo El Niño na África Austral. O CERF também atribuiu 17 milhões de dólares à Etiópia em março.

 

Aldeia de Therere, sul do Malawi: Mika, 20 anos, adiciona folhas de moringa à papa nutritiva que está a preparar para o seu filho de 4 anos, Raymon. ©UNICEF/Thoko Chikondi

 

4. A África Austral e Oriental registam o maior número de casos de cólera em África

A África Austral e Oriental registou o maior número de mortes por cólera e o segundo maior número de casos de cólera a nível mundial, até 28 de julho. Todos os países africanos enumerados nas estatísticas, à exceção de dois, situam-se na África Austral e Oriental. O surto da Etiópia é o mais longo das últimas décadas, persistindo desde agosto de 2022, enquanto a Somália e o Sudão continuam a registar casos. Esta situação é exacerbada pela falta de acesso da população a água potável devido a secas e inundações e por uma escassez crítica de vacinas orais contra a cólera (OCV). Em janeiro de 2023, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou o ressurgimento mundial da cólera como uma emergência de grau 3 – o seu nível interno mais elevado para emergências.

Em resposta, a OMS e os seus parceiros estão a dar formação aos profissionais de saúde em questões de vigilância, gestão de casos e comunicação de riscos nos países afetados, enquanto a UNICEF e os seus parceiros estão a prestar serviços de WASH e a mobilizar especialistas. Apesar da escassez de OCV, foram vacinadas cerca de 2 milhões de pessoas em Moçambique, na Zâmbia e no Zimbabué, tendo sido dada prioridade aos distritos com pontos críticos. Na Somália, foram vacinadas cerca de 900.000 pessoas e, no Zimbabué, o Governo alargou os pontos de reidratação oral e informou as comunidades sobre a prevenção da cólera.

Para facilitar a resposta e atenuar e controlar a propagação da cólera, o CERF atribuiu financiamento às Comoras, a Moçambique, à Somália e à Zâmbia.

 

Atividades de controlo da cólera no porto de Kitembo, na RDC, que recebeu um grande número de pessoas deslocadas que fugiam dos combates no vizinho Kivu do Norte.

 

5. A violência sexual está a aumentar nos países afetados por conflitos

No Sudão, 6,7 milhões de pessoas correm o risco de sofrer violência baseada no género (VBG), enquanto 3,5 milhões de mulheres e raparigas necessitam de serviços de saúde reprodutiva. A violência sexual relacionada com o conflito é agora uma caraterística horrível do mesmo, incluindo relatos alarmantes de violações, casamentos forçados e exploração sexual que afetam mulheres e raparigas de todas as idades. O número de crianças fruto de violação está a aumentar, tal como as taxas de suicídio entre os sobreviventes. A situação é exacerbada pela falta de acesso da população a serviços de saúde de emergência e de combate à violência baseada no género.

A violência sexual na RDC registou uma subida acentuada, com mais de 61.000 casos registados nos primeiros seis meses deste ano – mais 11% do que no mesmo período do ano passado. Em 2023, foram notificados pelo menos 123.000 casos de VBG, sendo que cerca de 90% dos sobreviventes eram mulheres e raparigas. Mas dada a significativa subnotificação da VBG, o número real de casos é presumivelmente muito maior.

A ONU está a intensificar a sua resposta e sensibilização, concentrando-se nos países onde a violência sexual é mais frequente. Isto inclui trazer a questão da violência sexual para o primeiro plano e defender a proteção jurídica, criando simultaneamente um ambiente propício à denúncia de casos de VBG. A ONU está também a coordenar com os governos, a sociedade civil e os parceiros a prestação de serviços clínicos de saúde aos sobreviventes, kits de dignidade, apoio psicossocial e espaços seguros para aceder aos cuidados e à proteção

No Sudão, o Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) está a liderar a coordenação da prevenção e resposta à VBG em 14 estados através de Grupos de Trabalho sobre VBG. Mais de 200.000 pessoas receberam resposta à VBG, apoio psicossocial, sensibilização e assistência material, bem como encaminhamento para serviços adequados. Utilizando a estrutura de base comunitária, as comunidades receberam sessões de informação sobre tópicos relacionados com a VBG, incluindo o sistema de encaminhamento.

Apesar das enormes necessidades nos diferentes setores da região, o financiamento é extremamente baixo. No final de julho, os seis apelos de resposta humanitária coordenados pela ONU na África Austral e Oriental estavam financiados, em média, em menos de 30%.

À medida que o financiamento da ajuda mundial diminui, os agentes humanitários estão a dar prioridade à ajuda às pessoas mais vulneráveis, deixando muitas outras sem assistência. Os planos de resposta devem ser adequadamente financiados para garantir que ninguém é deixado para trás.

 

Artigo escrito por Jane Kiiru, em Nairobi. Edição: Charlotte Cans e Nina Doyle.

Artigo original: UN OCHA

Mensagem para o Dia Internacional dos Afrodescendentes

UN Photo/Mark Garten

O SECRETÁRIO-GERAL

MENSAGEM PARA O DIA INTERNACIONAL DOS AFRODESCENDENTES 

31 de agosto de 2024

 

No Dia Internacional dos Afrodescendentes, homenageamos as imensas e diversas contribuições dos afrodescendentes para o vasto espetro de realizações humanas e os seus esforços incansáveis para criar um mundo melhor.

A liderança, a coragem e o ativismo dos afrodescendentes ajudaram a superar injustiças profundas, salvaram vidas, melhoraram as sociedades e trouxeram questões cruciais à atenção do mundo. No entanto, os legados intoleráveis da escravatura e do colonialismo perduram. O racismo sistémico é abundante e continua a transformar-se em novas formas – incluindo nas novas tecnologias, onde os algoritmos podem amplificar a discriminação.

Devemos aproveitar o trabalho dos afrodescendentes com uma ação global para erradicar o flagelo do racismo e da discriminação racial.

Nas Nações Unidas, esta é uma prioridade e criámos um novo Gabinete Antirracismo. Isto impulsionará a implementação do nosso plano estratégico para combater o racismo no local de trabalho. Precisamos também que os governos assumam a liderança – avançando e implementando políticas e leis para combater o racismo sistémico e garantir a inclusão. Precisamos que o setor privado avance – incluindo a erradicação de preconceitos na tecnologia e noutras dimensões da vida profissional. E precisamos de justiça reparadora para enfrentar os crimes de escravização.

Com base no sucesso da última década, espero que os Estados proclamem uma segunda Década Internacional para os Afrodescendentes, para ajudar a acelerar os esforços mundiais para uma verdadeira mudança.

Juntos, vamos fazer a nossa parte para vencer o racismo e a discriminação e construir um mundo de igualdade, de oportunidades e de justiça para todos.

Portugal: walking football (futebol a caminhar) dá mais vida aos mais velhos

 

Artigo original publicado pela Organização Mundial de Sáude 

 

Portugal está a explorar novas formas de utilizar o desporto para tornar a vida das pessoas mais gratificante e saudável. As equipas de walking football permitem que os idosos participem num jogo que aumenta os níveis de atividade física, protege contra as doenças não transmissíveis (DNT) e cria uma comunidade vital que reúne diferentes gerações.

“Encontramo-nos todos de novo, cumprimentamo-nos, convivemos, desfrutamos da companhia uns dos outros e, no final, por vezes, vamos almoçar. Todos estes momentos são ótimos para conviver e participar em alguma coisa”, diz José, um dos jogadores num treino de walking football realizado pela Fundação Benfica.

José juntou-se à equipa em 2016, o ano em que o projeto começou, para melhorar a sua saúde e rapidamente percebeu que a experiência vai muito além do desenvolvimento da força e da resistência. Há muitas provas científicas que apoiam os múltiplos benefícios da atividade física regular para a saúde. Protege as pessoas de muitas doenças não transmissíveis, reduzindo o risco de doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, cancro, diabetes e obesidade.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 150 a 300 minutos de atividade física de intensidade moderada a vigorosa por semana para todos os adultos, e o walking football é uma excelente forma de manter o corpo em forma, enquanto se diverte.

Para Fernanda, que joga na equipa há mais de 6 anos, a atividade física ajuda a controlar a diabetes, mas os benefícios do jogo para a saúde mental são igualmente importantes. “A minha saúde mental melhorou. Já não penso em coisas que me preocupam. Elas desaparecem”, diz.

O walking football tem um impacto profundo no bem-estar. Os participantes referem frequentemente uma redução dos níveis de stress, uma melhoria do humor e, basicamente, sentem-se mais jovens. As ligações sociais estabelecidas no campo proporcionam uma rede de apoio vital, ajudando os adultos mais velhos a encontrar novos amigos e a manterem-se ligados às suas famílias.

 

Inclusivo e seguro

No centro desta iniciativa está a Fundação Benfica, cuja equipa de walking football se tornou um modelo de atividade física inclusiva e acessível. Ao adaptar o desporto para adultos mais velhos e ao juntar jogadores masculinos e femininos numa só equipa, o programa oferece um caminho para melhorar a saúde e a ligação social de grupos sociais vulneráveis.

“No walking football não se pode correr, apenas caminhar. Os ataques e o contacto físico próximo também são limitados. Esta modificação torna este jogo uma opção mais segura do que o futebol tradicional, mantendo todos os principais benefícios do aumento da atividade física. Torna o jogo atraente e acessível a pessoas de todas as faixas etárias e de todos os níveis de condição física”, afirma o conselheiro regional para a Nutrição, Atividade Física e Obesidade da OMS/Europa, Dr. Kremlin Wickramasinghe.

O empenho de Portugal em promover o walking football é uma prova do seu reconhecimento do potencial do desporto para contribuir para os objetivos de saúde pública. Ao investir em iniciativas que apoiam a atividade física, os decisores políticos podem ajudar a reduzir os custos dos cuidados de saúde, melhorar a economia e criar um futuro mais saudável e resiliente para todas as pessoas, em conformidade com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.

 

Apelo universal

Numa altura em que o mundo se debate com os desafios de uma população envelhecida, o walking football oferece um modelo promissor para promover um envelhecimento saudável e ativo. Ao tornar a atividade física acessível, agradável e socialmente gratificante, esta iniciativa tem o poder de transformar vidas e comunidades.

“O walking football é excelente para as pessoas mais velhas e menos ativas”, afirma Fernanda. “Podem conhecer novas pessoas, fazer exercício e até viajar. Tenho um amigo em Angola. Contei-lhe que jogava walking football e ele disse: ‘Fernanda, conta-me tudo sobre isso para eu ver se consigo formar uma equipa aqui’.”

O apelo universal do walking football tem o potencial de inspirar iniciativas semelhantes em toda a Região Europeia da OMS e não só.

Mensagem para o Dia Internacional Contra os Testes Nucleares

O SECRETÁRIO-GERAL 

 

Mensagem para o Dia Internacional Contra os Testes Nucleares 

29 de Agosto de 2024 

 

 

Ao longo de quase oito décadas, foram efetuados mais de 2.000 ensaios nucleares em mais de 60 locais em todo o mundo.   

 

Estes testes deixaram um legado de destruição, tornando regiões inabitáveis e criando problemas de saúde a longo prazo para as pessoas. 

 

Os recentes apelos ao reinício dos testes nucleares demonstram que as terríveis lições do passado estão a ser esquecidas – ou ignoradas. 

 

No Dia Internacional contra os Testes Nucleares, o mundo deve falar a uma só voz para acabar com esta prática de uma vez por todas. 

 

O Tratado de Proibição Total de Ensaios Nucleares é a única proibição de todos os ensaios nucleares e um instrumento de segurança essencial e confiável. 

 

Mas ainda não está em vigor. 

 

Em nome das vítimas dos testes nucleares e das gerações futuras, apelo a todos os países cujas ratificações são necessárias para a entrada em vigor do Tratado para que o façam – imediatamente e sem quaisquer condições. 

 

Vamos passar no teste da humanidade – e proibir de vez os testes nucleares. 

Em Timor-Leste, Guterres expressa solidariedade com a memória e o futuro

UNSG Antonio Guterres arrives in Timor-Leste

Por Felipe de Carvalho, enviado especial da ONU News a Timor-Leste.

Secretário-geral da Nações Unidas foi acolhido por milhares de jovens na rua ao chegar a Díli; após reunião com presidente timorense, José Ramos Horta, e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, manifestou disposição da organização em apoiar os esforços em favor de áreas como segurança alimentar, educação, saúde e infraestruturas.

 

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, teve nesta quarta-feira uma receção calorosa em Díli, capital de Timor-Leste.

O líder da ONU foi recebido no aeroporto pelo presidente timorense, José Ramos Horta, e pelo primeiro-ministro, Xanana Gusmão, num momento marcado por apresentações de músicas tradicionais e de honras militares.

Crianças e jovens nas ruas

Ao sair do aeroporto, a comitiva de Guterres foi saudada nas ruas por milhares de crianças eufóricas que seguravam bandeiras da ONU e de Timor-Leste.

O líder da ONU seguiu então para o palácio presidencial onde declarou que a intenção de sua visita é demonstrar solidariedade tanto com a memória como com o futuro de Timor-Leste.

“As Nações Unidas e o povo timorense estiveram lado a lado no momento em que o país assumia, nas suas próprias mãos, a construção do seu destino. As Nações Unidas continuarão a apoiar as aspirações do povo timorense na caminhada que tem pela frente”.

O secretário-geral afirmou, em conversa com jornalistas, que espera que a nação asiática se faça ouvir na Cimeira do Futuro, que será realizada na sede da ONU em setembro, “pois o mundo tem muito a aprender com Timor-Leste”.

@Kiara Worth Crianças nas ruas de Dili dão as boas-vindas ao secretário-geral da ONU.

“Falta vencer a batalha do desenvolvimento”

Fazendo alusão ao aniversário da consulta popular, Guterres afirmou que o momento é de apelo à unidade e celebração do passado coletivo. Para Guterres, Timor-Leste é um exemplo por ter se tornado uma nação em paz e em harmonia com os seus vizinhos.

Guterres elogiou o país por ser uma “democracia consolidada”, dedicada ao respeito pelos direitos humanos e das liberdades fundamentais.

“Timor-Leste ganhou a batalha da independência, Timor-Leste ganhou a batalha da democracia, Timor-Leste é um país exemplar em matéria direitos humanos, mas tem que ganhar também a batalha do desenvolvimento”.

O secretário-geral disse que a ONU está à disposição para que essa batalha seja ganha na segurança alimentar, na educação, na saúde e nas infraestruturas.

Luta heroica da resistência

Guterres elogiou o presidente Ramos Horta por ter persistido, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, “com a fé de que no fim a independência de Timor-Leste seria uma realidade”.

O chefe das Nações Unidas referiu-se aos milhares de jovens que viu na rua ao chegar na capital Díli, dizendo que eles não viveram a “luta heroica da resistência” antes da decisão que levou ao referendo, lembrando como é importante que estas novas gerações não esqueçam esta luta.

Os dois líderes comentaram que atuarão em conjunto em relação à crise em Mianmar e em outras agendas de paz e segurança.

Guterres expressou ainda “enorme gratidão pelo caloroso acolhimento e pela maravilhosa hospitalidade” com que é recebido em Timor-Leste.

Guterres alerta sobre territórios do Pacífico a enfrentar “aniquilação” climática

United Nations/Kiara Worth O secretário-geral da ONU, António Guterres encontra-se com uma integrante da comunidade local de Lalomanu, Samoa

 

O secretário-geral da ONU encontrou-se com pessoas deslocadas devido à subida do nível do mar e à erosão costeira e pediu às nações mais ricas que cumpram os seus compromissos para combater os efeitos das alterações climáticas nos países em desenvolvimento. 

 

Durante uma visita a Samoa, o secretário-geral da ONU salientou que as nações insulares do Pacífico estão ameaçadas devido a fatores como a subida do nível do mar, as divisões e as tensões geopolíticas. 

Para António Guterres, uma resposta eficaz a estas questões exige condições mais justas por parte dos financiadores internacionais para potenciar o desenvolvimento e “um enorme aumento” das contribuições dos maiores poluidores mundiais para fazer face ao “caos climático”. 

 

Mais do que palavras 

Os gestos positivos das nações ricas para com os países em desenvolvimento têm sido insuficientes para compensar os choques económicos provocados pelas catástrofes naturais causadas pelas alterações climáticas, insistiu o diplomata português, apontando para o Fundo de Perdas e Danos, acordado em 2022 na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP27) no Egito. 

Os países desenvolvidos também se comprometeram, em 2021, a duplicar o financiamento da adaptação climática em relação aos 100 mil milhões de dólares por ano acordados em 2009, disse o secretário-geral, ao observar que este potencial fluxo de receitas revolucionário também não obteve apoio suficiente. 

“Precisamos que todos os países honrem as suas promessas em matéria de financiamento do clima e que a COP deste ano produza resultados financeiros sólidos, onde serão discutidos os compromissos assumidos após 2025”, afirmou. 

 

Muralha marítima em perigo 

Em declarações aos jornalistas, o chefe da ONU descreveu como os habitantes de Samoa têm repetidamente resistido aos choques climáticos, incluindo o tsunami mortal de 2009 que causou pelo menos 192 mortos. 

“Vimos pessoas que mudaram as suas casas para o interior. Vimos pessoas que não desistiram de regressar e reconstruir. Vimos uma enorme determinação das pessoas em lutar não só contra o impacto do tsunami, mas também contra o impacto da subida do nível do mar e das tempestades e ciclones”, afirmou. 

“Vi um muro que está a proteger uma aldeia do mar; esse muro em 20 anos, devido ao tsunami, da subida do nível do mar e das fortes tempestades já foi reconstruído três vezes.” 

 

© Unsplash/Adli Wahid Porto em Apia, capital de Samoa

 

Desigualdades financeiras 

Muitos países em desenvolvimento, como Samoa, que também estão na linha da frente da crise climática, têm de recorrer a empréstimos de instituições de crédito internacionais a taxas mais elevadas do que as nações mais pobres do mundo, o que os impede efetivamente de aceder aos fundos de que necessitam para se ajudarem a si próprios. 

Para fazer face a esta desigualdade estrutural histórica nas finanças internacionais, a ONU trabalhou com os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID) numa nova medida do rendimento nacional, o Índice de Vulnerabilidade Multidimensional (IVM), para que também eles possam aceder ao financiamento significativo necessário para o desenvolvimento sustentável. 

“Pedimos à comunidade internacional para que atue de forma a que, quando as instituições financeiras internacionais lidarem com países como Samoa, o Índice de Vulnerabilidade Multidimensional seja tido em consideração para permitir a concessão de financiamento em condições favoráveis aos projetos necessários para que este país atinja os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e proteja as suas populações contra as alterações climáticas”, afirmou António Guterres. 

O secretário-geral reiterou também o seu desejo para se encontrarem soluções e novas fontes de rendimento tão cruciais para países como Samoa, que perderam receitas turísticas vitais devido à pandemia da COVID-19 e “não receberam o apoio da comunidade internacional”, continuou Guterres. “Quando olhamos para Samoa, compreendemos o que isso significa e nunca paramos de lutar para garantir que isso seja reconhecido pela comunidade internacional.” 

Civis de Gaza evacuados para perto da linha da frente

WHO/Ahmed Zakot Dez meses após o início da guerra, muitos habitantes de Gaza continuam a enfrentar o desafio diário de ir buscar água potável, no meio de repetidas ordens de evacuação.

 

As “contínuas” ordens de evacuação dos militares israelitas em Gaza ameaçam as pessoas já extremamente vulneráveis do enclave com novas deslocações forçadas, aumentando as preocupações de que os serviços essenciais possam em breve ser cortados, alertam os agentes humanitários da ONU. 

 

Mais de 10 meses após o início da guerra em Gaza, desencadeada por ataques terroristas liderados pelo Hamas em Israel que causaram cerca de 1250 mortos e mais de 250 reféns, quase todos os habitantes de Gaza foram deslocados pelo menos uma vez – e muitas vezes várias vezes – devido às repetidas ordens de evacuação e aos intensos bombardeamentos israelitas. 

“Nenhum lugar da Faixa de Gaza é seguro… Parece que as pessoas estão à espera da morte”, relata a porta-voz da Agência da ONU para os Refugiados Palestinianos (UNRWA), Louise Wateridge, numa mensagem na rede social X. 

“As áreas que estavam (na) zona humanitária são agora a linha da frente”, disse à ONU News, referindo também que os habitantes de Gaza ‘nunca estão a mais do que alguns quarteirões de distância da linha da frente’. 

Kamal Al-Sultan, uma criança deslocada de Beit Lahia, no norte de Gaza, disse à UN News em Gaza que foi deslocado sete vezes desde o início da guerra, mais recentemente da Escola Preparatória para Rapazes de Deir Al-Balah, onde tinha procurado abrigo e segurança. 

“Fomos deslocados de Beit Lahia para Deir Al-Balah, e agora estão a pedir-nos para sair”, disse à UN News. “Não sabemos para onde ir”. 

 

“Como se a alma deixasse o corpo” 

According to the UN agency for Palestine refugees, UNRWA, these new evacuation orders now cover approximately 84 per cent of the Gaza Strip. Meanwhile, many Gazans are being forced to move yet again. 

De acordo com a UNRWA estas novas ordens de evacuação abrangem atualmente cerca de 84% da Faixa de Gaza. Entretanto, muitos habitantes de Gaza estão a ser obrigados a deslocar-se mais uma vez. 

“A deslocação de Deir Al-Balah é a nossa décima quarta”, afirmou Yahya Halas, uma pessoa deslocada do bairro de Shujaiya, a leste da cidade de Gaza. “Fomos deslocados de Shujaiya para a cidade de al-Zahraa, para Rafah, depois para Khan Younis duas vezes e para Deir Al-Balah três vezes. Até quando é que isto vai continuar? 

Halas afirmou que estar deslocado não é apenas “carregar uma mala”.  

“Estar deslocado é como se a alma deixasse o corpo”, disse Halas. “Temos crianças e mulheres. Temos pertences e comida. Para onde iremos quando todas as pessoas deslocadas forem para oeste? Se formos para oeste de Deir Al-Balah, não conseguiremos andar porque já lá estão muitas pessoas”. 

 

 

Corte da estrada num eixo crucial 

Na sua última atualização sobre a situação de emergência, o Gabinete de Coordenação da Ajuda Humanitária da ONU (OCHA) frisou que as hostilidades “implacáveis” e as repetidas ordens de evacuação em Gaza continuaram a condicionar as operações de ajuda humanitária, “já dificultadas por restrições de acesso, escassez de combustível e outros desafios”. 

O OCHA informou que partes da estrada de Salah ad Din – uma passagem crucial para as missões humanitárias de sul para norte – foram apanhadas por uma ordem de evacuação emitida pelas autoridades israelitas no sábado para Deir Al-Balah. 

“Esta situação tornou quase impossível a deslocação dos trabalhadores humanitários ao longo desta via fundamental”, sublinhou. Na quarta-feira de manhã, as Forças de Defesa de Israel emitiram uma nova ordem que afeta os bairros do centro da cidade. 

A estrada costeira de Gaza “já não é uma alternativa viável”, continuou o OCHA, explicando que as praias ao longo desta rota estão “repletas de abrigos improvisados” para os palestinianos arrancados à força das suas casas. 

“Consequentemente, a circulação de caravanas humanitárias ao longo da estrada costeira é extremamente lenta e os fornecimentos e serviços essenciais – como o transporte de água – não estão a chegar às pessoas necessitadas nem perto da escala necessária”, alertou o gabinete de ajuda da ONU. 

 

UN News/Ziad Taleb Kamal Al-Sultan, uma criança deslocada de Beit Lahia, no norte de Gaza, foi forçada a mudar-se sete vezes durante os 10 meses de guerra.

 

Tanques em Khan Younis 

Em Khan Younis, onde os tanques israelitas regressaram, a UNRWA manifestou a sua crescente preocupação com o facto de as principais infraestruturas das zonas do sul da cidade, que deverão ser evacuadas, poderem em breve ser danificadas ou destruídas. 

Dessas infraestruturas fazem parte a estação de abastecimento de água que acaba de ser restaurada e que serve cerca de 100.000 pessoas, o Centro de Saúde Japonês da UNRWA, reaberto no mês passado, e que deverá desempenhar um papel fundamental na próxima campanha de vacinação contra a poliomielite, e o Centro de Formação de Khan Younis, uma grande instalação atualmente utilizada como armazém para guardar material humanitário. 

“Sem esse armazém, não podemos trazer ajuda e colocá-la em qualquer lado”, explica a Louise Wateridge. “Não há mais armazéns”. 

“Temos água, temos medicamentos e vacinas e temos distribuição; se alguma destas instalações for danificada e destruída, isso será desastroso”, disse à UN News. 

 

Aumenta o número de mortos na Cisjordânia 

Entretanto, o OCHA declarou que, em média, pelo menos um palestiniano morreu por dia durante este mês por ataques aéreos israelitas na Cisjordânia. Desde outubro, os ataques aéreos mataram 128 palestinianos, incluindo mais de duas dúzias de crianças. 

Até segunda-feira, o OCHA afirmou que mais de 600 palestinianos foram mortos na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, desde outubro – a grande maioria pelas forças israelitas e pelo menos 11 por colonos israelitas. Durante o mesmo período, 15 israelitas foram mortos por palestinianos na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental. 

O OCHA registou também cerca de 1 270 ataques de colonos israelitas contra palestinianos nos últimos 10 meses, causando mortes e ferimentos, bem como danos materiais. 

 

Doe para a resposta humanitária em Gaza 

 

*artigo original UN NEWS 

Mensagem para o Dia Internacional de Homenagem às Vítimas de Atos de Violência Baseada na Religião ou Crença

UN Photo/Loey Felipe

O SECRETÁRIO-GERAL 

 

MENSAGEM PARA O DIA INTERNACIONAL DE HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DE ATOS DE VIOLÊNCIA BASEADA NA RELIGIÃO OU CRENÇA 

22 de agosto de 2024 

 

Em todo o mundo, indivíduos e comunidades são vítimas de violência com base na religião ou nas crenças. 

 

Temos de combater urgentemente este flagelo.   

 

Os governos devem proteger todas as pessoas e locais de culto, implementar leis anti-discriminação abrangentes e investir em iniciativas educativas que promovam a inclusão e a igualdade de direitos.   

 

As plataformas digitais devem adotar políticas de moderação de conteúdo que estejam em conformidade com as normas internacionais de direitos humanos.   

 

Os líderes políticos e religiosos devem condenar inequivocamente o discurso de ódio, promover o diálogo e deixar claro que a violência nunca pode ser uma resposta. 

 

Temos de trabalhar em conjunto para travar a onda de ódio e promover a tolerância, a compreensão mútua e o respeito. 

 

Hoje, ao honrarmos e recordarmos as vítimas, reafirmemos o nosso empenhamento em criar um mundo onde todos, independentemente da sua religião ou crença, possam viver sem medo, estigma e perseguição. 

Mensagem vídeo sobre o Dia Internacional de Memória e Tributo às Vítimas de Terrorismo

O SECRETÁRIO-GERAL

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MENSAGEM VÍDEO SOBRE O DIA INTERNACIONAL DE MEMÓRIA E TRIBUTO ÀS VÍTIMAS DE TERRORISMO

21 de Agosto de 2024

Hoje recordamos e homenageamos as vítimas e os sobreviventes do terrorismo.

 

Os atos de terrorismo criam uma onda de sofrimento inimaginável.

 

As famílias e as comunidades dilaceradas por atos terroristas não voltam a ser as mesmas.

 

As cicatrizes – visíveis e invisíveis – nunca se curam totalmente.

 

Através do tormento e da tragédia, também testemunhámos exemplos notáveis ​​de resiliência e do poder permanente da nossa humanidade comum.

 

O tema deste ano é “Vozes pela Paz: Vítimas do Terrorismo como Defensores e Educadores da Paz”.

 

Prestamos homenagem a todas as vítimas e sobreviventes, incluindo aqueles que optaram por partilhar as suas histórias sobre perseverança e perdão.

 

Refletir sobre traumas pessoais para educar outras pessoas é um ato de imensa coragem.

 

Este dia apela-nos a ouvir e a aprender.

 

E recorda-nos de que devemos sempre procurar a luz da esperança.

 

Juntos, podemos ampliar as vozes de todas as vítimas e sobreviventes.

 

Juntos, podemos ajudar a educar as gerações presentes e futuras.

 

Juntos, podemos construir sociedades mais pacíficas e resilientes para todas as pessoas. 

 

Muito obrigado. 

Monkeypox: tudo o que precisa de saber

© WHO/Katson Maliro A OMS está a intensificar a resposta para travar um surto crescente de varíola na região africana.

 

A rápida propagação de uma nova variante do vírus da varíola dos macacos em África levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a declarar, na semana passada, que se tratava novamente de uma emergência de saúde pública de âmbito internacional. 

 

Mas o que é, de onde veio e como pode o mundo lidar com esta ameaça, que inevitavelmente levanta o espetro de pandemias passadas como a da covid-19 e a propagação precoce de infeções por VIH? 

Eis o que precisa de saber: 

 

O que é a Monkeypox? 

Esta doença viral pode propagar-se entre pessoas, principalmente através de contacto próximo e, ocasionalmente, do ambiente para as pessoas através de objetos e de superfícies que tenham sido tocados por uma pessoa infetada. 

Segundo a OMS, este vírus, originário da República Democrática do Congo em 1970, foi negligenciado quando surgiu no país. 

“É tempo de agir de forma decisiva para evitar que a história se repita”, afirmou o presidente do Comité de Emergência do Regulamento Sanitário Internacional, Dimie Ogoina, que aconselha a OMS nestas áreas. 

Endémica na África Central e Ocidental, esta doença infecciosa causou mais tarde um surto mundial em 2022, levando a uma emergência de saúde pública da OMS em julho, quando se tornou um surto em vários países. 

Na sequência de uma série de consultas com peritos mundiais, a OMS começou a utilizar um novo termo “mpox” como sinónimo de varíola dos macacos. 

 

© CDC As lesões da varíola aparecem frequentemente nas palmas das mãos.

 

Quais são os sintomas? 

Os sintomas comuns da mpox incluem uma erupção cutânea que dura duas a quatro semanas, que pode começar ou ser seguida de febre, dores de cabeça, dores musculares, dores nas costas, falta de energia e gânglios linfáticos inchados. 

A erupção cutânea tem o aspeto de bolhas e pode afetar a face, as palmas das mãos, as plantas dos pés, as virilhas, as regiões genitais e/ou anais, a boca, a garganta ou os olhos. O número de feridas pode variar entre um e vários milhares. 

As pessoas com mpox são consideradas infecciosas pelo menos até que todas as borbulhas tenham formado uma crosta, as crostas tenham caído e uma nova camada de pele se tenha formado por baixo, e todas as lesões nos olhos e no corpo tenham sarado. Normalmente, isto demora duas a quatro semanas. Os relatórios mostram que as pessoas podem ser reinfetadas depois de terem tido a doença. 

As pessoas com mpox grave podem necessitar de hospitalização, cuidados de apoio e medicamentos antivirais para reduzir a gravidade das lesões e encurtar o tempo de recuperação. 

 

Como é que o vírus da monkeypox se propaga? 

De humano para humano: Tocar, ter relações sexuais e falar ou respirar perto de uma pessoa com mpox pode gerar partículas respiratórias infecciosas, mas é necessária mais investigação sobre a forma como o vírus se propaga durante os surtos em diferentes contextos e condições, afirma a OMS. 

O que os cientistas sabem é que também é possível que o vírus persista durante algum tempo no vestuário, roupa de cama, toalhas, objetos, aparelhos eletrónicos e superfícies que tenham sido tocados por uma pessoa com monkeypox. Outra pessoa que esteja em contacto com estes artigos pode ser infetada sem lavar as mãos antes de tocar nos olhos, nariz e boca. 

O vírus também se pode propagar durante a gravidez para o feto, durante ou após o parto, através do contacto pele a pele, ou de um progenitor com mpox para um bebé ou criança durante um contacto próximo. 

Embora tenham sido registados casos de contágio deste vírus a partir de uma pessoa assintomática, existe ainda pouca informação sobre se o vírus pode ser transmitido a partir de uma pessoa com o vírus antes desta apresentar sintomas ou depois das feridas terem sarado. 

Humans to animals: Since many species of animals are known to be susceptible to the virus, there is the potential for spillback of the virus from humans to animals in different settings. 

De seres humanos para animais: Uma vez que se sabe que muitas espécies de animais são suscetíveis ao vírus, existe a possibilidade de propagação do vírus de seres humanos para animais em diferentes contextos. 

As pessoas que têm mpox confirmada ou que se suspeita que tenham mpox devem evitar o contacto físico próximo com animais, incluindo animais de estimação como gatos, cães, hamsters e roedores, bem como gado e animais selvagens. 

Dos animais para os seres humanos: Uma pessoa que entre em contacto físico com um animal portador do vírus, como algumas espécies de macacos – ou um roedor terrestre como um esquilo de árvore – pode também desenvolver o vírus da monkeypox. Esta exposição pode ocorrer através de mordeduras ou arranhões, ou durante atividades como caçar, apanhar armadilhas ou preparar uma refeição. O vírus também pode ser contraído através da ingestão de carne contaminada que não tenha sido bem cozinhada. 

  

© CDC/Cynthia S. Goldsmith O Mpox é semelhante ao vírus da varíola erradicado.

 

Pode ser fatal? 

Sim, para uma pequena minoria. Entre 0,1% e 10% das pessoas que foram infetadas com mpox morreram. 

É importante referir que as taxas de mortalidade em diferentes contextos podem diferir devido a vários fatores, como o acesso a cuidados de saúde e a imunossupressão subjacente, nomeadamente devido ao VIH não diagnosticado ou ao VIH avançado, de acordo com a agência de saúde da ONU. 

Na maioria dos casos, os sintomas da mpox desaparecem por si próprios no espaço de algumas semanas com cuidados de apoio, tais como medicação para a dor ou febre, mas, em algumas pessoas, a doença pode ser grave ou levar a complicações e eventual morte. 

Os bebés recém-nascidos, as crianças, as pessoas grávidas e as pessoas com deficiências imunitárias subjacentes – como o VIH em estado avançado – podem correr um risco mais elevado de contrair a doença mpox de forma mais grave e de morrer. 

 

 

Existe uma vacina? 

Sim. A agência de saúde das Nações Unidas recomenda a utilização de várias vacinas contra a mpox. No entanto, a vacinação em massa que foi implementada durante a pandemia mundial da covid-19, não é atualmente recomendada. 

Muitos anos de investigação conduziram ao desenvolvimento de vacinas mais recentes e mais seguras para a varíola, doença atualmente erradicada. Algumas destas vacinas foram aprovadas em vários países para utilização contra a mpox. 

Atualmente, a OMS recomenda a utilização das vacinas MVA-BN ou LC16, ou a vacina ACAM2000 quando as outras não estão disponíveis. 

De acordo com a OMS, apenas as pessoas que estão em risco de exposição ao vírus devem ser consideradas para vacinação. Os viajantes que possam estar em risco, com base numa avaliação de risco individual efetuada pelo seu prestador de cuidados de saúde, podem querer considerar a vacinação. 

 

© OMS/Guerchom Ndebo Um profissional de saúde examina uma criança de dois anos que está a ser tratada para a varíola a norte de Goma, na República Democrática do Congo.

 

Como se pode prevenir a monkeypox? 

Limpar e desinfetar superfícies ou objetos e limpar as mãos depois de tocar em superfícies ou objetos que possam estar contaminados pode ajudar a prevenir a transmissão. 

O risco de contrair a doença através de animais pode ser reduzido evitando o contacto desprotegido com animais selvagens, especialmente os que estão doentes ou mortos, incluindo a sua carne e sangue. 

Nos países onde os animais são portadores do vírus, qualquer alimento que contenha partes de animais ou carne deve ser bem cozinhado antes de ser consumido. 

 

Saiba mais sobre a varíola aqui. 

 

*artigo original ONU NEWS

Número de trabalhadores humanitários mortos atingiu nível recorde

Os trabalhadores humanitários que estão na linha da frente dos conflitos mundiais estão a ser mortos em números sem precedentes.

De acordo com o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), 2023 foi o ano mais mortífero de sempre com 280 trabalhadores humanitários mortos em 33 países.

Este número escandalosamente elevado, anunciado no Dia Internacional da Ação Humanitária, representa um aumento de 137 por cento em relação a 2022, quando 118 trabalhadores humanitários perderam a vida.

2024 pode ser ainda pior porque até 7 de agosto, 172 trabalhadores humanitários foram mortos, de acordo com a contagem provisória da base de dados de segurança dos trabalhadores humanitários.

Mais de metade das mortes registadas em 2023 mortes aconteceram nos primeiros três meses – outubro a dezembro – das hostilidades em Gaza, sobretudo em resultado de ataques aéreos.

Desde outubro, mais de 280 trabalhadores – a maioria deles funcionários da Agência de Assistência aos Refugiados Palestinianos (UNRWA) – morreram em Gaza.

Muitos dos trabalhadores humanitários perderam a vida em Gaza.

Os níveis extremos de violência no Sudão e no Sudão do Sul também contribuíram para o trágico número de mortes, tanto em 2023 como em 2024.

Em todos estes conflitos, a maioria das vítimas ocorre entre os funcionários nacionais.

Muitos trabalhadores humanitários continuam também detidos no Iémen.

“A normalização da violência contra os trabalhadores humanitários e a falta de responsabilização são inaceitável, injusto e enormemente prejudicial para as operações de ajuda em todo o mundo”, alerta a subsecretária-geral interina para os Assuntos Humanitários da ONU, Joyce Msuya.

“Hoje, reiteramos a nossa exigência de que as pessoas no poder atuem para pôr fim às violações contra civis e a impunidade com que estes ataques hediondos são cometidos.”

Neste Dia Mundial da Ação Humanitária, os trabalhadores humanitários e aqueles que apoiam os seus esforços em todo o mundo organizaram eventos para mostrar solidariedade e destacar o terrível número de vítimas dos conflitos armados, incluindo o pessoal humanitário. Além disso, uma carta conjunta de líderes de organizações humanitárias foi enviada aos Estados-membros da ONU solicitando à comunidade internacional para que ponha fim aos ataques a civis, proteja todos os trabalhadores humanitários e detenha e responsabilize os perpetradores.

De acordo com o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), 2023 foi o ano mais mortífero de sempre com 280 trabalhadores humanitários mortos em 33 países. © UNOCHA/Ivane Bochorishvili

Era da impunidade

“Os combates mortais a que assistimos em muitos conflitos em todo o mundo realçaram uma verdade terrível: vivemos numa era de impunidade”, denunciam mais de 400 organizações humanitárias numa carta dirigida aos Estados-membros da ONU.

Estes ataques contra o pessoal humanitário tornaram-se “terrivelmente banais”. No entanto, apesar da condenação geral, as violações graves das regras da guerra ficam muitas vezes impunes, prossegue esta carta.

“Este status quo é vergonhoso e não pode continuar”, afirmam os signatários da carta em que apelam a todos os Estados, partes em conflitos armados e a toda a comunidade internacional para:

Acabar com os ataques a civis e tomar medidas concretas para os proteger – e às infraestruturas civis críticas de que dependem.

2.º Proteger todos os trabalhadores humanitários, bem como as suas instalações e propriedades, e facilitar o seu trabalho, tal como exigido pela Resolução 2730 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, adotada em Maio passado.

Exigir a responsabilização dos autores destes crimes. Os responsáveis ​​pelas violações do direito internacional humanitário não podem ficar impunes.

 

Respeito pelo direito internacional humanitário não é negociável

“Não deveríamos ter de esperar por um evento anual como o Dia Mundial da Ação Humanitária para lembrar todas as partes num conflito armado e todos os Estados das suas obrigações ao abrigo do direito internacional humanitário”, continuam os signatários desta carta. Para eles, “o respeito pelo direito internacional humanitário deve ser exercido todos os dias, quaisquer que sejam as circunstâncias. Não é negociável e não está sujeito a exceções.”

A impunidade leva ao aumento dos ataques contra civis e trabalhadores humanitários, com consequências diretas ou indiretas como a insegurança alimentar, a subnutrição infantil, a deslocação involuntária, a propagação de doenças infeciosas e outras ameaças, detalha este texto.

As organizações signatárias garantem: “Continuaremos a resistir e a responder às crises humanitárias em todo o mundo, mas a situação pede que adotemos uma posição comum para exigir a proteção do nosso pessoal, dos nossos voluntários e dos civis que servimos”.

Mensagem sobre o Dia Mundial da Ação Humanitária  

O secretário-geral

Dia Mundial da Ação Humanitária

19 de Agosto de 2024

 

Onde quer que haja sofrimento humano, os trabalhadores da ajuda humanitária esforçam-se por aliviar as dificuldades e a dor.

As operações humanitárias coordenadas pelas Nações Unidas prestaram ajuda vital a mais de 140 milhões de pessoas no ano passado.

Os trabalhadores humanitários, na sua maioria funcionários nacionais que servem as suas próprias comunidades, não desistiram apesar da violência brutal.

Continuaram a esforçar-se por ultrapassar todos os obstáculos para apoiar as pessoas necessitadas, face à grave escassez de financiamento.

No Dia Mundial da Ação Humanitária, saudamos uma vez mais a sua coragem, a sua determinação e o seu serviço à humanidade.

E reconhecemos que não é suficiente homenagear os trabalhadores humanitários.

2023 foi o ano mais mortífero de que há registo para o pessoal humanitário.

Em Gaza, no Sudão e em muitos outros locais, os trabalhadores humanitários estão a ser atacados, mortos, feridos e raptados, juntamente com os civis que apoiam.

As campanhas de desinformação espalham mentiras que custam vidas.

O direito humanitário internacional – a lei que protege os civis em tempo de guerra – está a ser ignorado e espezinhado.

Um clima de impunidade significa que os perpetradores não temem a justiça.

Isto é uma falha de humanidade, de responsabilidade e de liderança.

No Dia Mundial da Ação Humanitária, exigimos o fim dos ataques aos trabalhadores humanitários e a todos os civis.

Exigimos que os governos exerçam pressão sobre todas as partes em conflito para protegerem os civis.

Exigimos o fim das transferências de armas para exércitos e grupos que violam o direito internacional.

Exigimos o fim da impunidade, para que os perpetradores enfrentem a justiça.

Não basta celebrar os trabalhadores humanitários.

Todos devemos fazer mais para proteger e salvaguardar a nossa humanidade comum.