“Dos cliques ao progresso: Percursos digitais dos jovens para o desenvolvimento sustentável”
12 de agosto de 2024
O Dia Internacional da Juventude celebra o poder e o potencial dos jovens.
Este ano, a atenção centra-se no papel fundamental da juventude no aproveitamento da tecnologia para promover o desenvolvimento sustentável.
Em todo o mundo, os jovens estão a transformar os cliques em progresso, tirando o máximo partido das ferramentas digitais para enfrentar os desafios locais e mundiais – desde as alterações climáticas ao aumento das desigualdades e à crescente crise de saúde mental.
Mas alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável requer uma mudança sísmica – que só pode acontecer se capacitarmos os jovens e trabalharmos com eles em pé de igualdade.
Isso significa colmatar os fossos digitais, aumentar os investimentos na educação, no pensamento crítico e na literacia da informação, combater os preconceitos de género que frequentemente dominam a indústria tecnológica e apoiar os jovens inovadores na expansão das soluções digitais.
À medida que a Inteligência Artificial transforma o nosso mundo, os jovens devem também estar na linha da frente na definição das políticas e das instituições digitais.
A Cimeira do Futuro, que se realiza no próximo mês, será uma oportunidade para criar mecanismos globais de resolução de problemas mais interligados online e inclusivos. Apelo aos líderes que utilizem a Cimeira para promover a participação dos jovens a todos os níveis, criar órgãos consultivos para os mesmos, promover o diálogo intergeracional e aumentar as oportunidades de financiamento para os jovens em todo o mundo.
Podem contar com o Gabinete da Juventude das Nações Unidas e com toda a família das Nações Unidas para apoiar os jovens.
Juntos, vamos aproveitar a sua energia e ideias para moldar um futuro mais sustentável para todos.
Novas deslocações forçadas continuam em Gaza à medida que as tensões regionais aumentam após um ataque mortal nos Montes Golã sírios, onde 12 jovens foram mortos no fim de semana, afirmaram os agentes humanitários da ONU.
As ordens de evacuação emitidas pelos militares israelitas afetaram os campos de refugiados de Nuseirat e Bureij, obrigando as famílias a deslocarem-se “uma e outra vez, sabendo que a segurança é inexistente na Faixa de Gaza”, afirmou a agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinianos (UNRWA) num post no X.
Após mais de nove meses de guerra em Gaza, apenas 14% do enclave não foi afetado pelas ordens de evacuação, afirmou o comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini.
“Muitas vezes, as pessoas têm apenas algumas horas para empacotar o que puderem e começar tudo de novo, principalmente a pé ou numa carroça cheia para aqueles que podem pagar”, disse ele. “Quase toda a gente em Gaza foi afetada por estas ordens. Muitos foram forçados a fugir, em média, uma vez por mês desde o início da guerra, há nove meses.”
Destruição de estação de tratamento de água
A agência das Nações Unidas condenou a alegada destruição de uma estação de tratamento de água em Rafah, no sul de Gaza, alvo da ação militar israelita desde o início de maio.
“Sempre que algo acontece – como o que parece ter acontecido em Rafah no fim de semana, com a destruição de uma estação de tratamento de água – tem impacto na nossa capacidade de produzir água”, afirmou o coordenador adjunto da ajuda humanitária da ONU e diretor dos assuntos da UNRWA em Gaza, Scott Anderson.
Desenraizados – de novo
Em sintonia com os testemunhos de pessoas deslocadas à força que se encontram entre as pessoas assistidas pela UNRWA, Anderson contou como uma mulher com gémeos explicou o caos da situação: “Ela disse, sim, basicamente, que era uma criança em cada braço e uma pequena mochila, e lá vão eles tentar encontrar segurança”.
De acordo com a UNRWA, as ordens de evacuação são agora emitidas “de dois em dois dias”, e o Gabinete de Coordenação da Ajuda Humanitária da ONU (OCHA), informou na sexta-feira que os parceiros humanitários calculavam que mais de 190.000 palestinianos tinham sido deslocados na semana passada em Khan Younis e Deir al Balah, na sequência de uma ordem de evacuação emitida há sete dias.
As recentes ordens de evacuação e as intensas hostilidades continuaram a destabilizar as operações de ajuda humanitária e a dificultar os esforços de assistência crítica aos civis em Khan Younis, sublinhou o OCHA.
O OCHA insiste que a insegurança contínua e a designação de “apenas um ponto de acesso para a entrada e saída do pessoal humanitário de Gaza – a passagem de Kerem Shalom – dificultaram os esforços para enviar equipas médicas de emergência suplementares para Gaza”, apesar de estes trabalhadores serem extremamente necessários para ajudar a apoiar a “exausta” força de saúde local. Desde abril, o volume médio diário de carga de ajuda humanitária que entra em Gaza diminuiu 56%.
Estão também a ser desenvolvidos esforços para restabelecer os cuidados de emergência no Hospital Al Shifa, na cidade de Gaza, e a unidade de hemodiálise reabilitada do estabelecimento trata atualmente 60 doentes, em comparação com os 450 registados antes da guerra.
“Conheci uma mãe e uma criança de dois meses que estava a morrer à fome e a mãe não tinha nutrientes suficientes para amamentar e alimentar o bebé”, disse Anderson numa entrevista à ONU News.
O coordenador adjunto explicou que “quando se chega à subnutrição grave ou à subnutrição aguda, não se pode simplesmente dar leite ou comida e o bebé recupera. Para uma mãe, recomeçar a amamentar é quase impossível… E elas olham para nós e dizem: “O que é que pode fazer para me ajudar?
Oferta de reforço da aprendizagem
Os últimos dados da ONU indicam que 93% das escolas de Gaza foram danificadas e muitas foram diretamente atingidas. Um terço das escolas afetadas são escolas da UNRWA, cujos cerca de 14.000 professores costumavam ensinar aproximadamente 370.000 alunos.
Para ajudar as centenas de milhares de crianças que atualmente não frequentam a escola no enclave, a UNRWA e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) planeiam dar um reforço à educação a partir de quinta-feira, 1 de agosto.
“Vamos tentar que todas as 600.000 crianças que deveriam estar na escola regressem a algum tipo de ambiente de aprendizagem”, afirmou Anderson. “Esperamos que este seja o início do processo de reconstrução de Gaza, tornando-a melhor do que era antes de 7 de outubro e dando às pessoas a oportunidade de continuarem a viver com dignidade”.
E acrescentou: “É incrível que as pessoas ainda sorriam, que as vejamos a tentar continuar com as suas vidas ou com algum espírito empreendedor.”
MENSAGEM PARA O DIA MUNDIAL CONTRA O TRÁFICO DE PESSOAS
“Não deixar nenhuma criança para trás na luta contra o tráfico de seres humanos”
30 de julho de 2024
O tráfico de seres humanos é um crime horrível que atinge os mais vulneráveis das nossas sociedades.
Neste Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas, centramo-nos nos mais vulneráveis entre nós – as crianças.
As crianças representam um terço das vítimas de tráfico, sofrendo abusos indescritíveis – quer sejam forçadas a trabalhar, vendidas como noivas, recrutadas como soldados ou coagidas a participar em atividades criminosas.
O aumento das desigualdades e a globalização alimentaram redes de tráfico complexas que desafiam os quadros jurídicos tradicionais, criando novas formas de escravatura.
As plataformas online expõem ainda mais as crianças à exploração sexual e à violência baseada no género e permitem que os traficantes explorem as vítimas além-fronteiras.
As cicatrizes físicas e psicológicas destes crimes persistem durante muito tempo na idade adulta, roubando-lhes a inocência, o futuro e os direitos fundamentais.
Temos de reforçar as respostas de proteção – incluindo mecanismos de justiça adequados às crianças -, aumentar a sensibilização, apoiar as crianças não acompanhadas que se deslocam, prestar cuidados aos sobreviventes e combater as causas profundas da exploração, ajudando as famílias vulneráveis.
Apelo aos governos, à sociedade civil e ao setor privado, incluindo as empresas de tecnologia, para que intensifiquem os seus esforços e a sua colaboração para que nenhuma criança seja vitimizada e nenhum traficante fique impune.
Neste dia, renovemos o nosso compromisso para com um futuro em que todas as crianças estejam seguras e livres.
UN Photo/Mark Garten secretário-geral António Guterres informa os jornalistas sobre o calor extremo.
As alterações climáticas estão a criar um mundo mais quente e mais perigoso para todos. 70% da população ativa está exposta a calor excessivo, o que resulta em 18.970 mortes por ano. Guterres lançou um pedido urgente para que os países tomem medidas para enfrentar este problema.
Ameaça global
O calor extremo provou ser mortal e perturbador. Estima-se que 2,41 mil milhões de trabalhadores no mundo estão expostos a calor excessivo, afirma o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
Entre 2000 e 2019, registaram-se cerca de 489 000 mortes anuais relacionadas com o calor, 45% das quais na Ásia e 36% na Europa. Além disso, a exposição ao calor resultou em perdas económicas significativas, com uma perda estimada de 863 mil milhões de dólares em 2022 devido à redução da capacidade de trabalho.
Nos últimos 100 dias, vários países enfrentaram as consequências do calor extremo: mortes na Arábia Saudita e na Índia, alertas de insolação no Japão, encerramento de escolas no Bangladesh e nas Filipinas e novos recordes de temperatura nos Estados Unidos. Junho de 2024 foi o 13º mês consecutivo a bater recordes de temperatura mundial e prevê-se que 2024 seja um dos anos mais quentes da história.
Vulnerabilidade e Desigualdades
Embora todos estejam em risco, as comunidades mais vulneráveis são as mais afetadas uma vez que as políticas para lidar com o calor extremo ainda são fragmentadas e subfinanciadas. As populações mais pobres, pessoas deslocadas, idosos, crianças, pessoas com deficiências, grávidas e trabalhadores ao ar livre enfrentam riscos elevados. Em muitos países, ar-condicionado e áreas verdes são luxos inacessíveis para os mais pobres.
“O calor extremo está a devastar cada vez mais as economias, aumentando as desigualdades, a comprometer os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e a matar pessoas” sublinha o secretário-geral na sua mais recente mensagem de apelo à ação.
Apelo à ação coletiva
Segundo um relatório da equipa para a Ação Climática do secretário-geral da ONU enfatiza a necessidade de uma estratégia global que mobilize governos, decisores políticos e todas as partes interessadas para prevenir e reduzir os riscos do calor extremo e mitigar os piores impactos.
Guterres delineou assim as áreas críticas para a ação mundial: cuidar a população mais vulnerável através da implementação de medidas de proteção para os que são mais afetados pelo calor, criar políticas de segurança e de saúde ocupacional para reduzir os riscos associados ao calor e proteger os trabalhadores, utilizar de dados e ciência para fortalecer a resiliência das economias e sociedades e estabelecer um limite do aumento da temperatura abaixo de 1,5°C.
Uma resposta unificada mundialmente é a única solução, e deve ser urgente e coordenada, com foco em proteger os mais vulneráveis e construir um futuro mais resiliente e sustentável.
PrensaCOA Paula Pareto com a sua medalha de ouro obtida nos Jogos Olímpicos Rio 2016
Num vídeo para a abertura dos Jogos Olímpicos de 2024, o secretário-geral da ONU destaca o desporto como elemento unificador e promotor da paz; relembra a importância da Trégua Olímpica, apelando à solidariedade e à paz e felicita os atletas por inspirarem sonhos e harmonia mundial.
Numa mensagem de vídeo que será exibida durante a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de verão de 2024, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, sublinha a importância do desporto como força unificadora e promotora da paz.
No seu discurso, afirmou que o mundo está reunido em Paris, França, “para celebrar o poder do desporto”. Para Guterres, a competição traz esperança e transcende culturas, além de unir as pessoas e promover “o respeito mútuo e o fair play”.
Trégua Olímpica
O líder da ONU sublinhou que estes ideais são partilhados pelas Nações Unidas e reforçou o espírito da Trégua Olímpica, um conceito que remonta à Grécia antiga, onde as guerras eram interrompidas para que os atletas pudessem competir em paz.
Apelou a todos para “largarem as armas”, construírem pontes e promoverem a solidariedade. Guterres convidou os participantes a “lutar pelo objetivo final: paz para todos”.
O diplomata português também felicitou os atletas olímpicos e paraolímpicos presentes, reconhecendo o papel inspirador que desempenham na sociedade. “Desejo aos atletas olímpicos e paraolímpicos todo o sucesso. Vocês inspiram-nos a sonhar mais alto. Que a chama olímpica ilumine o caminho para um mundo de paz e harmonia”, afirmou.
Jogos Olímpicos de 2024
A cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de verão de 2024, que marca o início do evento, terá lugar pela primeira vez fora de um estádio. Os jogos decorrem até 11 de agosto.
A capital francesa irá celebrar o início das competições ao longo do rio Sena, que atravessa a cidade. De acordo com os organizadores, o desfile dos atletas far-se-á no no ri da capital francesa com barcos para cada delegação nacional.
Estes barcos estarão equipados com câmaras para que o público que assiste pela televisão ou pela internet possa ver os atletas de perto. Os 10.500 atletas atravessarão o centro de Paris. O desfile terminará o seu percurso de 6 quilómetros em frente ao Trocadéro, perto da Torre Eiffel, onde terão lugar as outras cerimónias de abertura e os concertos.
O relatório “A Urgência do Agora: o VIH/SIDA Frente a Uma Encruzilhada”, da autoria da ONU SIDA reúne novos dados e casos de estudo que demonstram como as decisões e escolhas políticas tomadas pelos líderes mundiais este ano vão determinar o destino de milhões de vidas – e ainda se a pandemia mais mortal do planeta será superada.
Em todo o mundo, das 39,9 milhões de pessoas que vivem com o VIH, 9,3 milhões, quase um quarto das mesmas, não estão a receber o tratamento necessário. Como consequência, por minuto, uma pessoa morre devido a causas relacionadas a doença. Os líderes mundiais prometeram reduzir as novas infeções anuais para menos de 370 mil até 2025, no entanto, as novas infeções de VIH ainda são mais de três vezes superiores a isso. Em 2023, houve 1,3 milhões de novas infeções.
Em Portugal, segundo os dados recolhidos pela Direção Geral de Saúde a 30 de junho de 2023, foram registados 804 casos de infeção por VIH com diagnóstico em 2022. Registou-se uma redução de 56% no número de novos casos de infeção e de 74% em novos casos entre 2013 e 2022. Estima-se que viviam em Portugal, com registos até ao final de 2021, 45.352 pessoas com infeção por VIH, 94,4% das quais já diagnosticadas.
Expansão da prevenção
Embora tenha sido feito um progresso considerável na prevenção de novas infeções por VIH, que caíram 39% mundialmente desde 2010 e 59% na África Oriental, o relatório da ONU SIDA mostra que há três regiões do mundo onde há um aumento do número de novas infeções: Médio Oriente e Norte da África, Europa Oriental e Ásia Central, e América Latina.
As desigualdades persistem e as consequências são visíveis. O relatório demonstra que os serviços de prevenção e tratamento do VIH só alcançarão as pessoas se os direitos humanos forem respeitados, se leis injustas contra mulheres e contra comunidades marginalizadas forem abolidas e se a discriminação e a violência forem enfrentadas devidamente.
Financiamento
No mundo inteiro, o financiamento está a diminuir, impedindo o progresso e até mesmo levando ao aumento de epidemias em certas regiões. Em 2023, os recursos totais disponíveis para o VIH (US$ 19,8 mil milhões) caíram 5% em relação a 2022 e estavam 9,5 mil milhões abaixo do montante necessário até 2025 (US$ 29,3 mil milhões). O financiamento interno nos países de baixo e médio rendimento – que representam 59% dos recursos totais para o VIH – está a ser limitado pela crise da dívida e caiu pelo quarto ano consecutivo, com uma queda de 6% de 2022 para 2023.
O ex-Conselheiro Científico do presidente dos Estados Unidos da América, Dr. Anthony Fauci, fez um alerta sobre os muitos desafios que impedem o progresso para o fim da pandemia do VIH/SIDA: “Devemos fazer tudo o que pudermos para ser continuamente vocais e proativos. O fracasso não é uma opção aqui. Na verdade, é impensável. Se todos trabalharmos juntos, alcançaremos nosso objetivo comum”.
Secretário-geral destaca papel do ex-diplomata em Bordeaux, França, por salvar judeus de forças nazis; mensagem de vídeo sobre o homenageado enaltece a coragem e a inspiração para a defesa dos direitos humanos e da dignidade.
Portugal inaugurou a Casa-Museu Aristides de Sousa Mendes, em Cabanas de Viriato, Carregal do Sal, no distrito de Viseu. O espaço apresenta o acervo do antigo cônsul do país em Bordéus que emitiu vistos a milhares de judeus, salvando-os durante o Holocausto.
Aristides de Sousa Mendes chegou a França em 1938 onde assumiu a liderança do posto consular da cidade de Bordéus. Pouco depois, em 1940, França foi invadida e milhares de refugiados tentaram chegar à fronteira com Espanha, mas para a ultrapassarem necessitavam de vistos para Portugal. Por ordem ministerial, o diplomata não estava autorizado a assinar vistos sem autorização prévia. No entanto, Aristides de Sousa Mendes assumiu a responsabilidade de salvar todos os que pudesse e passou vistos sem olhar a quem ou ao número de pessoas. Milhares foram salvos e chegaram a Portugal. Esta decisão custou-lhe um processo disciplinar, o afastamento da carreira diplomática e grandes dificuldades económicas. Morreu em 1954 na pobreza.
Na década seguinte, Israel considerou-o um dos “Justos entre as Nações”, mas, em Portugal, a sua história só se tornou conhecida pelo público no final do século passado.
Discriminação, intolerância e ódio
Para a inauguração, o secretário-geral da ONU enviou um vídeo onde elogiou o exemplo de bravura e inspiração de Sousa Mendes na defesa de direitos humanos e da dignidade. António Guterres destacou ainda que o diplomata é um modelo no combate à discriminação, à intolerância e ao ódio.
“O seu legado consiste em vidas salvas e vidas vividas incluindo uma jovem que, anos mais tarde, se tornaria a mãe do meu próprio porta-voz nas Nações Unidas. Pelo seu ato extraordinário, Aristides de Sousa Mendes foi pessoalmente repreendido pelo ditador António de Oliveira Salazar e expulso do corpo diplomático sem qualquer pensão.”
O líder das Nações Unidas ressalva ainda que o cônsul Aristides de Sousa Mendes morreu na pobreza, mas tem reconhecida a magnitude e a bravura das suas ações ao terem sido tomadas medidas para corrigir as injustiças.
Um exemplo num momento crucial
Para Guterres, o museu localizado na casa ancestral do cônsul é uma parte fundamental desses esforços “que se evidencia ao ensinar as gerações do presente e futuras sobre a imensa coragem e os horrores do Holocausto”.
“A inauguração do Museu acontece num momento crucial. Hoje, o nosso mundo é perigoso e está dividido. O número de pessoas forçadas a abandonar as suas casas atingiu um nível recorde. E o ódio e a intolerância – incluindo o antissemitismo, o anti-islamismo e os ataques contra cristãos e outros grupos – são frequentes.”
Para o secretário-geral, Aristides de Sousa Mendes é um exemplo de coragem e compaixão que deve ser lembrado no contexto atual de uma sociedade que enfrenta o risco de esquecer estes valores por completo.
Há cinco anos, Aristides de Sousa Mendes foi um dos 36 diplomatas reconhecidos nas Nações Unidas como “Justos entre as Nações”. A distinção foi feita pela Autoridade de Recordação dos Mártires e Heróis do Holocausto, Yad Vashem.
Nelson Mandela mostrou-nos a extraordinária diferença que uma pessoa pode fazer na construção de um mundo melhor.
E como nos recorda o tema do Dia Internacional de Nelson Mandela deste ano – o combate à pobreza e às desigualdades está nas nossas mãos.
O nosso mundo é desigual e está dividido.
A fome e a pobreza abundam.
O grupo dos 1% mais ricos é responsável pela mesma quantidade de gases com efeito de estufa destruidores do planeta que dois terços da humanidade.
Estes não são factos naturais. São o resultado das escolhas da humanidade. E podemos decidir fazer as coisas de forma diferente.
Podemos optar por erradicar a pobreza.
Podemos escolher acabar com as desigualdades.
Podemos optar por transformar o sistema económico e financeiro internacional em nome da equidade.
Podemos optar por combater o racismo, respeitar os direitos humanos, combater as alterações climáticas e criar um mundo que funcione para toda a humanidade.
Cada um de nós pode contribuir – através de grandes e de pequenas ações.
Uno-me à Fundação Nelson Mandela no apelo a todos para que prestem 67 minutos de serviço público no Dia Internacional Nelson Mandela – um minuto por cada ano em que lutou pela justiça.
Juntos, vamos honrar o legado de Madiba e pôr mãos à obra para a construção de um mundo melhor para todos.
“Competências dos jovens para a paz e o desenvolvimento sustentável”
15 de julho de 2024
O futuro da humanidade e do nosso planeta depende dos jovens.
Mas também depende em assegurar que estes tenham as competências necessárias para enfrentar os desafios atuais e para construir um futuro mais pacífico.
Sabemos que existe uma ligação clara entre os países que usufruem de elevados níveis de paz, a despesa com a educação e as taxas de escolaridade.
No entanto, atualmente, quase um quarto da juventude mundial não frequenta o ensino, não tem trabalho ou qualquer formação, sendo esse número o dobro para mulheres jovens.
Entretanto, o défice de financiamento da educação nos países de baixo e médio rendimento é de 100 mil milhões de dólares por ano.
Este ano, o Dia Mundial das Competências centra-se nas competências para a paz e para o desenvolvimento sustentável.
Em todo o mundo, os jovens já estão a trabalhar para construir comunidades mais seguras e mais fortes. Os jovens podem fazer uma diferença ainda maior para o nosso futuro comum com formações para as economias verdes e digitais em crescimento, educação para ajudar a erradicar o discurso de ódio e a desinformação, ferramentas para melhorar a mediação e o diálogo e muito mais.
Hoje, e todos os dias, vamos trabalhar para transformar a educação.
E vamos garantir que os jovens têm o que precisam para desenvolver competências para criar um futuro mais pacífico e sustentável para todos.
ICTY/Isabella Tan Hui Huang Items recovered in a warehouse in the former Yugoslavia where men and boys were held, were used as evidence in trials at the ICTY.
As Nações Unidas celebraram esta quinta-feira o primeiro Dia Internacional de Reflexão e Memória do Genocídio de 1995 em Srebrenica, honrando a memória dos 8.000 muçulmanos bósnios brutalmente assassinados pelo exército sérvio da Bósnia.
Este incidente foi o maior massacre na Europa desde o Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial.
Deixou marcas emocionais profundas nos sobreviventes, nas famílias das vítimas e na sociedade da Bósnia e Herzegovina, na sequência das guerras e da limpeza étnica que marcaram o colapso da antiga Jugoslávia, que teve início em 1992.
Entre as pessoas que testemunharam os terríveis acontecimentos em Srebrenica estava Kada Hotić, que perdeu o marido, o filho e cinquenta outros membros da família.
A “Mãe de Srebrenica” – membro do grupo de defesa que representa cerca de 6.000 sobreviventes, dedicou-se à construção de um novo futuro para a Bósnia-Herzegovina, onde as pessoas possam viver em paz, independentemente da sua etnia.
Educar as nossas crianças
Hotić esteve na sede da ONU, em Nova Iorque. Em declarações à ONU News, sublinhou a importância de comemorar o genocídio em Srebrenica e de refletir sobre o que aconteceu.
“Serve de aviso às gerações futuras para que não volte a acontecer a ninguém”, afirmou.
“As crianças aprendem a saber o que é o bem e o que é o mal, e que tipo de guerras sujas como estas trazem… não precisamos de guerras, devemos lutar pela vida e não pelo sofrimento na vida.”
Em maio, a Assembleia Geral adotou uma resolução com o mesmo título – com 84 votos a favor, 19 contra e 68 abstenções – apelando aos Estados-membros para que preservassem os factos estabelecidos, nomeadamente através da educação, com o objetivo de evitar a negação, a distorção ou qualquer ocorrência futura de genocídio.
O texto da resolução foi classificado como “altamente politizado” pelo presidente da Sérvia, que afirmou que a resolução “abre uma caixa de Pandora”.
“Não se trata de reconciliação, não se trata de memórias, trata-se de algo que vai abrir uma ferida antiga e criar um total caos político. Não só na nossa região, mas também aqui, nesta sala”, afirmou.
O massacre de Srebrenica
O massacre de Srebrenica marcou um dos capítulos mais negros da guerra que deflagrou após a desintegração da antiga Jugoslávia.
Em julho de 1995, o exército sérvio da Bósnia invadiu Srebrenica – anteriormente declarado refúgio pelo Conselho de Segurança – e assassinou brutalmente milhares de homens e adolescentes, expulsando 20.000 pessoas da cidade.
Uma pequena unidade de forças de manutenção da paz holandesas, pouco armada e sob a bandeira da ONU, não conseguiu resistir às forças sérvias da Bósnia..
UNICEF/Roger LeMoyne Arame farpado à volta de um campo para cerca de 25.000 pessoas deslocadas de Srebrenica. A vedação foi colocada para impedir que as pessoas vagueassem pelos campos das redondezas, que podem ter sido sujeitos a minas.
Permanecer sempre vigilante
Durante o evento comemorativo de alto nível, o presidente da Assembleia Geral, Dennis Francis, sublinhou que “as lições de Srebrenica são claras”.
“A intolerância e o fanatismo, quando se permite que floresçam, culminam em atrocidades incompreensíveis”, sublinhou.
Devemos manter-nos sempre vigilantes e evitar a retórica que desumaniza, degrada e discrimina um determinado grupo (…) porque essa retórica está sempre enraizada no ódio e – se não for controlada – conduz sempre a um mal indescritível”, afirmou.
O presidente da Assembleia, Francisco, sublinhou também a relevância da comemoração, uma vez que a retórica da divisão é “mais ampla, mais ruidosa e mais profunda do que nunca”.
“Utilizemos este novo Dia Internacional para homenagear as pessoas que se perderam, educar as gerações [futuras], unir as comunidades e combater o ódio em todas as suas formas – repito – em todas as suas formas. Isto é essencial para garantir que todos – independentemente da raça, fé ou nacionalidade – se sintam seguros nas suas comunidades”.
O evento comemorativo foi organizado pela Missão Permanente da Bósnia e Herzegovina junto da ONU, com o co-patrocínio de cerca de 22 outras nações, incluindo o Ruanda.
“Há 29 anos, as Nações Unidas e o mundo falharam com o povo de Srebrenica… hoje, honramos a memória das vítimas e somos solidários com os sobreviventes”, afirmou.
Nderitu sublinhou o apoio das Nações Unidas às famílias dos que morreram, nos seus esforços para procurar justiça e estabelecer a verdade, acrescentando que “temos de combater a negação e o revisionismo e de prosseguir os esforços para identificar todas as vítimas e responsabilizar todos os responsáveis”.
Sublinhou ainda que o genocídio em Srebrenica é um “testemunho angustiante” das consequências da inação face ao ódio.
“Temos de lutar contra a divisão e contra a intolerância, defender os direitos humanos e promover a compreensão mútua e a reconciliação”, afirmou.
As Nações Unidas estimam que a população mundial continuará a crescer durante mais 50 ou 60 anos, atingindo um pico de cerca de 10,3 mil milhões de pessoas em meados de 2080. Após o pico, prevê-se que comece o número de pessoas no planeta diminua, caindo gradualmente para 10,2 mil milhões até ao final do século.
A conclusão é do Relatório das Perspetivas da População Mundial para 2024 que avança também que, atualmente, cada mulher tem, em média, menos um filho do que tinha por volta de 1990. Neste momento, mais de metade de todas as regiões do mundo têm uma fertilidade inferior a 2,1 nascimentos por mulher, o nível necessário para que uma população mantenha uma dimensão constante a longo prazo sem migração.
O documento da autoria da Divisão da População do Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas explica ainda que no final da década de 2070, a população mundial com 65 anos ou mais deverá atingir 2,2 mil milhões de pessoas, ultrapassando o número de menores de 18 anos.
A imigração deverá atenuar o declínio da população provocado pelos baixos níveis de fertilidade e por uma estrutura etária mais envelhecida.
Dia Mundial da População
Nas últimas três décadas, as sociedades de todo o mundo fizeram progressos notáveis na melhoria da recolha, análise e utilização de dados sobre a população. No entanto, as comunidades mais marginalizadas continuam sub-representadas nos dados, o que afeta profundamente as suas vidas e o seu bem-estar.
“Tal como o tema do Dia Mundial da População deste ano nos relembra, o investimento na recolha de dados é importante para compreender os problemas, adaptar as soluções e impulsionar o progresso” afirma o secretário-geral, António Guterres.
A diretora do escritório de Londres do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) alerta que ainda há quem seja “invisível”. Mónica Ferro, ilustra essa realidade com o exemplo das mulheres pertencentes a minorias raciais e étnicas, que continuam maioritariamente ausentes nas estatísticas de mortes maternas.
Este dia é um momento para perceber quem ainda não está a ser contado e o que isso custa aos indivíduos, às sociedades e aos nossos esforços mundiais para não deixar ninguém para trás. Só assim se conseguirá acelerar o desenvolvimento para todos.
Este ano marca o trigésimo aniversário do Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD). Este deve ser também o ano em que decidimos acelerar os esforços e os investimentos para transformar as promessas deste programa numa realidade.
No centro do Programa de Ação da CIPD está o reconhecimento de que a saúde sexual e reprodutiva e os direitos reprodutivos das mulheres são pilares do desenvolvimento sustentável.
Nas décadas que se seguiram à sua adoção, fizemos progressos. Mais mulheres do que nunca têm acesso à contraceção moderna. As mortes maternas diminuíram trinta e quatro por cento desde o ano 2000. As iniciativas de mulheres e a sociedade civil têm sido fundamentais para impulsionar a mudança.
Mas o progresso tem sido desigual e instável. É chocante que, em pleno século XXI, cerca de 800 mulheres morram desnecessariamente todos os dias durante a gravidez e o parto – a grande maioria nos países em desenvolvimento. E, em alguns locais, os avanços legislativos na resolução de questões vitais como a mutilação genital feminina correm o risco de regredir.
Tal como o tema do Dia Mundial da População deste ano nos relembra, o investimento na recolha de dados é importante para compreender os problemas, adaptar as soluções e impulsionar o progresso. O mesmo acontece com o financiamento. Apelo aos países para que aproveitem ao máximo a Cimeira do Futuro deste ano para disponibilizarem capital acessível para o desenvolvimento sustentável.
Vamos cumprir o Programa de Ação da CIPD para todos, em todo o lado.
A guerra em Gaza ultrapassou a barreira dos nove meses, com os agentes humanitários a avaliarem os danos de um novo ataque aéreo israelita a uma escola da ONU.
“Mais um dia. Mais um mês. Mais uma escola atingida”, afirmou o comissário-geral da Agência das Nações Unidas Unidas de Apoio aos Refugiados Palestinianos (UNRWA), Philippe Lazzarini, a maior agência de ajuda humanitária em Gaza, numa publicação no X, antigo Twitter, depois de uma escola em Nuseirat, no centro de Gaza, ter sido “atingida pelas forças israelitas” no sábado. A escola acolhia cerca de 2.000 pessoas deslocadas à força devido às hostilidades, declarou Lazzarni, acrescentando que tinham sido registadas dezenas de vítimas.
Este acontecimento surge numa altura em que as negociações sobre o cessar-fogo e a libertação de reféns deverão ser retomadas nos próximos dias. Apesar da pressão internacional exercida pelos Estados-membros com influência em ambas as partes, as tentativas anteriores de fazer avançar as negociações fracassaram.
O êxito das negociações desta semana dependerá da satisfação do apelo do Hamas ao fim definitivo dos combates e dos intensos ataques aéreos israelitas, que arrasaram vastas áreas do território do enclave, e do objetivo de guerra declarado pelo Governo israelita de destruir a capacidade militar do Hamas, depois de o grupo ter atacado vários alvos no sul de Israel a 7 de outubro, matando cerca de 1.250 pessoas e capturando mais de 250 reféns.
Olhos postos na fronteira entre o Líbano e Israel
Até à data, dezenas de milhares de palestinianos foram mortos, de acordo com as autoridades de saúde de Gaza, e os dados mais recentes da UNRWA indicam que, desde o início da guerra, foram mortas pelo menos 520 pessoas que se encontravam nos abrigos da agência das Nações Unidas e que pelo menos 1.602 ficaram feridas.
Numa atualização regular da situação, o gabinete de coordenação de ajuda da ONU, OCHA, informou que cerca de 1,9 milhões de pessoas em Gaza foram deslocadas pela guerra, incluindo algumas deslocadas “nove ou 10 vezes”. As estimativas anteriores apontavam para 1,7 milhões de pessoas, mas isso foi antes da operação israelita em Rafah, no início de maio, que levou a deslocações adicionais de Rafah e de outras partes da Faixa de Gaza.
O novo incentivo ao fim da guerra surge no meio de trocas de tiros diários entre os militantes libaneses de Israel e o Hezbollah, principal aliado do Hamas, através da Linha Azul, controlada pela ONU, que os separa.
No domingo, o grupo sediado no Líbano reivindicou a responsabilidade por um ataque de um drone no Monte Hermon, nos Montes Golã sírios ocupados por Israel. O Hezbollah afirmou que só suspenderá as suas operações quando a guerra em Gaza terminar.
“A expansão gradual no âmbito e na escala dos confrontos para além da Linha Azul aumenta significativamente o risco de erros de cálculo e de uma maior deterioração de uma situação já alarmante”, alerta a Missão Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) à ONU News, antes da última escalada.
Citando os últimos dados do OCHA, a missão das Nações Unidas afirmou que, até 25 de junho, cerca de 97.000 pessoas tinham sido deslocadas do Sul do Líbano devido às hostilidades em curso; foram registadas mais de 1.800 vítimas, incluindo 435 mortes, das quais 97 eram civis. “Uma solução política e diplomática é a única solução viável a longo prazo”, insistiu.
Investigação em curso
Em resposta ao ataque à escola e às alegações dos militares israelitas de que esta teria sido utilizada por grupos armados palestinianos, o chefe da UNRWA, Lazzarini, afirmou que levou as alegações “muito a sério”.
“É exatamente por esta razão que tenho apelado repetidamente à realização de investigações independentes para apurar os factos e identificar os responsáveis pelos ataques às instalações da ONU ou pela sua utilização indevida”, afirmou, referindo-se a uma investigação em curso no âmbito da ONU sobre as declarações israelitas de que 12 funcionários da UNRWA estariam envolvidos nos ataques de 7 de outubro liderados pelo Hamas.
Até à data, o organismo de supervisão interna da ONU, OIOS, suspendeu três outros casos por insuficiência de provas apresentadas pelas autoridades israelitas e encerrou um caso por Israel não ter apresentado quaisquer provas de apoio.
“Nove meses após esta guerra brutal, apelo mais uma vez a um cessar-fogo que permita à população de Gaza e de Israel ter finalmente descanso e proteção e libertar imediatamente todos os reféns”, afirmou Lazzarini.
“Quanto mais tempo durar esta guerra, mais profunda será a divisão e maior será o sofrimento das pessoas.”
Num relatório recente da Comissão Europeia, a cidade de Braga ficou consistentemente bem classificada em termos de qualidade de vida dos seus residentes. O Relatório 2023 sobre a qualidade de vida nas cidades europeias inquiriu mais de 70.000 residentes em 83 cidades da Europa. Em entrevista ao presidente da Câmara Municipal de Braga, Ricardo Rio, o Programa da ONU para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) quis saber mais sobre as estratégias da cidade para integrar as comunidades imigrantes, apoiar as famílias, melhorar a qualidade de vida dos idosos e enfrentar os desafios futuros, como as alterações climáticas.
Braga é reconhecida pelo seu ambiente acolhedor para os imigrantes. Pode explicar algumas estratégias ou iniciativas urbanas que a cidade tem utilizado para facilitar a integração das comunidades imigrantes e promover a diversidade e a inclusão?
Uma das principais políticas que Braga tem implementado é o Plano Municipal para a Integração dos Migrantes, que serve de guia abrangente para a criação de políticas e programas específicos destinados a apoiar os imigrantes no seu percurso de integração na cidade. O Conselho Municipal para os Imigrantes, Integração e Interculturalidade também desempenha um papel fundamental na formulação de políticas e na garantia de que as necessidades das comunidades imigrantes são devidamente atendidas.
Um dos recursos das políticas urbanas de Braga é a criação de um Centro de Acolhimento de Refugiados, que oferece um apoio fundamental às pessoas que foram obrigadas a abandonar os seus países devido a conflitos e perseguições. Este centro não só oferece abrigo e assistência básica, mas também programas de integração cultural e linguística para ajudar os refugiados a adaptarem-se à vida em Braga.
Para além disso, Braga tem-se destacado pela sua resposta humanitária a desafios mundiais, como a crise provocada pela invasão da Ucrânia pela Rússia. A cidade tem demonstrado solidariedade ao oferecer apoio prático e emocional aos refugiados ucranianos que encontraram abrigo em Braga, ajudando-os a reconstruir as suas vidas e a integrarem-se na comunidade local.
Uma iniciativa recente e inovadora é a promoção do empreendedorismo dos imigrantes através de um bootcamp dedicado a cidadãos de países estrangeiros. Este programa visa dotar os imigrantes de competências empresariais e conhecimentos práticos para iniciarem e gerirem os seus próprios negócios em Braga, promovendo assim a inclusão económica e social.
Estamos empenhados em criar um ambiente acolhedor e inclusivo para os imigrantes, através de políticas estratégicas e iniciativas urbanas que promovam a diversidade, a inclusão e a prosperidade para todos os seus residentes.
Braga é conhecida por ser uma cidade acolhedora para as famílias. Pode dar exemplos de políticas ou programas específicos que tenham sido implementados para apoiar as famílias com crianças pequenas e melhorar o seu bem-estar geral na cidade?
Uma das áreas prioritárias em que o município de Braga tem investido é a educação. Este facto é evidenciado pelo grande investimento na remodelação das infraestruturas escolares, garantindo instalações modernas e seguras para as crianças em idade escolar. Para além disso, é oferecido transporte escolar gratuito a todos os alunos, tanto do ensino público como do privado, facilitando o acesso à educação e reduzindo as despesas das famílias.
No que diz respeito às infraestruturas tecnológicas nas escolas, Braga implementou o plano tecnológico do município, que inclui a disponibilização de mais salas de jardim de infância e de primeiro e segundo ciclos do ensino básico equipadas com computadores, videoprojectores, acesso wireless e outras infraestruturas tecnológicas. Para além disso, o “cartão escolar” foi introduzido como uma inovação. O “cartão escolar” é uma carteira digital para a comunidade educativa do segundo e terceiro ciclos e do ensino secundário no âmbito da rede pública do município, facilitando o acesso aos recursos e serviços educativos.
Para além das políticas destinadas a melhorar o ambiente escolar, o Programa Municipal de Enriquecimento Curricular é uma iniciativa que visa complementar a educação formal, oferecendo atividades extracurriculares enriquecedoras para as crianças, como a música, o desporto, as artes e a tecnologia.
Estas políticas e programas não só apoiam as famílias com filhos em Braga, como também contribuem significativamente para o bem-estar generalizado das crianças, garantindo a igualdade de acesso a uma educação de qualidade e a oportunidades de desenvolvimento integrado.
Arco da Porta Nova, Braga (Shutterstock/ Benny Marty)
Braga é conhecida por ser um bom sítio para os idosos viverem. Pode falar de algumas estratégias ou projetos de planeamento urbano que a cidade implementou para melhorar a qualidade de vida dos seus residentes mais velhos?
O Município de Braga tem adotado uma abordagem abrangente para garantir que os idosos tenham acesso a serviços e recursos que promovam um envelhecimento ativo e saudável, ao mesmo tempo que se sentem integrados na comunidade.
Uma iniciativa fundamental é o Gabinete de Apoio ao Idoso (GAPI), criado em 2017. Este gabinete reúne uma variedade de serviços e recursos destinados a satisfazer as necessidades específicas dos idosos, aumentando assim a proximidade e facilitando o acesso a esses recursos. Entre eles, incluem-se serviços de aconselhamento, assistência social, atividades de lazer e programas de saúde preventiva.
A Academia Sénior é outra iniciativa importante que visa estimular o dinamismo e o enriquecimento pessoal dos idosos. Oferecendo uma série de cursos e workshops em diversas áreas, desde as artes e a cultura até à saúde e ao bem-estar, a Academia Sénior proporciona oportunidades para os idosos continuarem a aprender, a envolver-se e a relacionar-se com os outros.
O Cartão Sénior é outro recurso valioso oferecido aos cidadãos com 65 anos ou mais. Este cartão oferece uma série de benefícios e descontos numa variedade de serviços e atividades, incentivando assim a participação ativa na vida da cidade e proporcionando um sentimento de apreço e reconhecimento aos idosos.O projeto “+65” de Braga é outra resposta específica aos idosos expostos à situação de vulnerabilidade social. Este projeto visa garantir a segurança e o apoio social e combater o isolamento através de um acompanhamento personalizado e continuado em colaboração com diversos parceiros da comunidade.
Pode explicar algumas das principais estratégias ou iniciativas urbanas que a cidade implementou para garantir este nível de satisfação entre os residentes?
Braga tem-se destacado como uma das cidades mais satisfatórias para viver na Europa, alcançando uma posição de destaque no ranking da qualidade de vida e satisfação dos residentes. O estudo coordenado pela Comissão Europeia revelou que 94 por cento das pessoas que vivem no concelho consideram a cidade um bom sítio para viver. Este sucesso é o resultado de um conjunto de estratégias e iniciativas urbanas que visam potenciar o desenvolvimento económico e sustentável da cidade, proporcionando um ambiente acolhedor e próspero aos nossos cidadãos.
Uma das principais estratégias adotadas por Braga é a dinamização do desenvolvimento económico, que foi complementada por uma aposta no desenvolvimento sustentável. Desde a criação da InvestBraga, a primeira agência de desenvolvimento económico com base em Portugal, a cidade tem-se empenhado em atrair investimento, promover o crescimento das empresas locais e estimular o empreendedorismo. Esta ação tem resultado na criação de milhares de postos de trabalho por ano, atraindo novos residentes e dinamizando a economia local.
Outra iniciativa fundamental é a promoção do empreendedorismo e da inovação, através da criação da Startup Braga e de programas como o Programa de Aceleração Startup Braga. Estas iniciativas não só estimulam a economia local, como também criam oportunidades para jovens empreendedores e startups inovadoras, contribuindo para um ambiente dinâmico e criativo na cidade.
Além disso, Braga tem investido em infraestruturas e modernização urbana para melhorar a qualidade de vida dos seus residentes. Projetos como a requalificação de infraestruturas escolares, a melhoria dos transportes públicos e a revitalização de zonas industriais demonstram o empenho da cidade em proporcionar serviços e espaços adequados ao bem-estar de todos os residentes, independentemente da sua idade.
A cidade tem investido em programas sociais e culturais que enriquecem a vida dos moradores. Estas atividades promovem o encontro e a troca de experiências entre os habitantes, reforçando o sentido de comunidade e de pertença.
Todo este trabalho, que resulta em estratégias e iniciativas holísticas adotadas pela cidade de Braga, reflete um compromisso contínuo com o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida dos seus residentes. Ao investir em áreas como a economia, as infraestruturas, o empreendedorismo e o bem-estar social, a cidade cria um ambiente propício para que todos os seus habitantes possam desfrutar de uma vida plena e satisfatória.
Shutterstock/Armando Oliveira
Como é que Braga prevê enfrentar potenciais desafios, como as mudanças na demografia ou as alterações climáticas?
Braga tem sido proativa na antecipação e abordagem de potenciais desafios, como as mudanças demográficas e as alterações climáticas, implementando políticas e projetos relevantes nos últimos anos.
Uma das principais políticas adotadas nos últimos 10 anos foi a Estratégia de Adaptação às Alterações Climáticas e o Plano de Energia Sustentável. Esta estratégia tinha como objetivo preparar a cidade para os efeitos das alterações climáticas e, ao mesmo tempo, mitigar os seus impactos.
Recentemente, foi apresentado um novo plano de ação climática que reúne a mitigação e a adaptação numa estratégia integrada. A ambição para as metas de redução de gases com efeito de estufa é maior, com o objetivo de alcançar uma redução de 55% até 2030 e a neutralidade carbónica até 2050. Com este trabalho, Braga manteve a sua posição na lista A do CDP (Carbon Disclosure Project) nos últimos quatro anos consecutivos, demonstrando o seu compromisso com a transparência e a gestão responsável das emissões de carbono.
No que diz respeito a projetos significativos, a cidade está a trabalhar na descarbonização da frota de transportes públicos, através da empresa municipal TUB. Este projeto pretende reduzir as emissões de carbono e promover a utilização de transportes públicos sustentáveis. Outro projeto importante é o Baterias 2030, realizado com um consórcio público-privado, que pretende promover o desenvolvimento e a adoção de tecnologias de armazenamento de energia mais eficientes e sustentáveis.
Braga está também integrada em iniciativas europeias, como o NetZeroCities, que tem como finalidade promover a transição para cidades com emissões de carbono neutras. Estas iniciativas não só ajudam a posicionar Braga como uma cidade líder no combate às alterações climáticas, como também proporcionam oportunidades de partilha de conhecimentos e boas práticas com outras cidades europeias.
A cidade está empenhada, mas também mais preparada para enfrentar desafios como as alterações demográficas e as alterações climáticas, através da implementação de políticas progressistas e da participação em projetos inovadores.
Como é que Braga pretende potenciar a diversidade cultural e a inclusão como pontos fortes para a prosperidade futura?
Uma das principais iniciativas neste domínio foi a apresentação da candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027. Esta candidatura foi participativa e mobilizadora, envolvendo não só os agentes culturais locais, mas também a comunidade e a região em geral.
Ao procurar obter o título de Capital Europeia da Cultura, Braga reconhece a importância da diversidade cultural como catalisador do desenvolvimento económico e social. A cidade entende que a diversidade é uma fonte de riqueza e criatividade, capaz de impulsionar a inovação, promover a coesão social e atrair investimento.
Para além disso, Braga tem investido na promoção das indústrias criativas, sendo reconhecida como uma das Cidades Criativas da UNESCO na área das artes dos media. Esta distinção não só destaca o potencial criativo da cidade, como também incentiva o desenvolvimento de projetos e iniciativas que explorem as intersecções entre arte, tecnologia e inovação. Ao incentivar a criatividade e a colaboração entre diferentes setores da sociedade, Braga procura criar um ambiente propício à inovação e ao crescimento económico sustentável.
A cidade tem desenvolvido várias iniciativas para promover a inclusão e valorizar a diversidade cultural. São organizados regularmente programas e eventos culturais, dando oportunidade a diferentes grupos étnicos, religiosos e culturais de partilharem as suas tradições, expressões artísticas e histórias. Este facto não só enriquece a vida cultural da cidade, como também reforça os laços entre as comunidades e promove um ambiente de respeito mútuo e tolerância.
Outra área em que Braga se destaca é a promoção do diálogo intercultural e a criação de espaços inclusivos. Estão a ser desenvolvidos projetos de arte pública, intervenções urbanas e espaços comunitários para promover a interação entre diferentes grupos e proporcionar um sentimento de pertença a todos os residentes.
Shutterstock/Bruno Ismael Silva Alves
Que visão de longo prazo tem Braga para si mesma e como planeia envolver os residentes na definição dessa visão?
Braga tem uma visão a longo prazo centrada no desenvolvimento sustentável, procurando estabelecer-se como uma cidade modelo, onde a sustentabilidade está integrada em todas as áreas da vida urbana. Para alcançar esta visão, a cidade adotou um plano estratégico para o desenvolvimento sustentável, que visa deixar um legado de sustentabilidade e ter um impacto positivo no futuro da região. Este plano não se limita apenas à esfera municipal, mas procura também envolver ativamente as empresas municipais e as várias partes interessadas da comunidade.
Através da institucionalização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na gestão municipal e nas práticas das empresas locais, Braga pretende criar um ambiente propício à implementação de políticas e iniciativas que promovam o desenvolvimento sustentável em todas as suas dimensões.
A colaboração e a cooperação com as partes locais interessadas são também importantes na definição e implementação da visão de longo prazo em Braga. A cidade procura envolver ativamente os residentes, as empresas, as organizações da sociedade civil e outras partes interessadas num processo participativo de planeamento e tomada de decisões. Isto inclui a realização de inquéritos públicos, fóruns de discussão e outras atividades que permitam aos cidadãos contribuir com as suas ideias e preocupações para moldar o futuro da cidade.
UN Photo/Eskinder Debebe Conferência de imprensa com o secretário-geral sobre o relatório acerca dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2024
As desigualdades aumentaram a nível mundial. Mais 23 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza extrema e mais de 100 milhões passaram fome em 2022, em comparação com 2019.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e o Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais da ONU lançaram o Relatório sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2024. Este relatório descreve em pormenor os desafios que o mundo enfrenta para dar passos substanciais no sentido de alcançar os ODS e destaca também onde a ação deve ser acelerada, particularmente em áreas críticas que prejudicam o progresso dos ODS: alterações climáticas, paz e segurança, desigualdades entre países, entre outros.
Com apenas seis anos até 2030, os progressos atuais estão muito aquém do que é necessário para atingir os objetivos definidos. O relatório revela que apenas 17% das metas dos ODS estão num bom caminho, com quase metade a registar progressos mínimos ou moderados e mais de um terço a estagnar ou a regredir.
UN Photo/EskinderDebebe Conferência de imprensa em Nova Iorque
Principais conclusões do relatório:
Pela primeira vez neste século, o crescimento do PIB per capita em metade das nações mais vulneráveis do mundo é mais lento do que o das economias avançadas.
Os progressos mundiais no domínio da saúde registaram uma desaceleração alarmante desde 2015. Muitos países sofreram um declínio nas competências dos estudantes em matemática e leitura.
As guerras estão a arruinar milhões de vidas. O número de pessoas deslocadas à força atingiu um nível sem precedentes, quase 120 milhões até maio de 2024, e as vítimas civis aumentaram 72% entre 2022 e 2023.
As crises ambientais estão a ameaçar os alicerces dos ecossistemas planetários. 2023 foi o ano mais quente de que há registo, com as temperaturas mundiais a aproximarem-se do limiar crítico de 1,5°C. As emissões de gases com efeito de estufa e as concentrações atmosféricas de CO2 continuam a atingir novos valores máximos.
Em Portugal, a implementação dos ODS tem sido mais positiva do que a tendência mundial. Destacamos alguns dos últimos dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados no ano passado:
Redução da população em risco de pobreza desde 2015, de 19,0% para 16,4% em 2021.
Aumento das taxas de conclusão do ensino básico e secundário: de 92,1% em 2015 para 96,9% em 2021 no ensino básico e de 83,4%% para 91,7% no ensino secundário.
Proporção de mulheres dirigentes na administração pública superior a 50%
Energia proveniente de fontes renováveis no consumo final bruto de energia com a maior proporção de sempre em 2021 (34%). A meta 31% em 2020 foi ultrapassada.
Diminuição da percentagem de pessoas a viverem em agregados familiares com rendimento inferior a 50% do rendimento mediano, de 13,0% em 2015 e 12,4% em 2020, para 10,0% em 2021.
Na análise por ODS, verifica-se que a maioria dos indicadores evoluiu favoravelmente ou atingiu a meta. Apenas três ODS apresentaram menos de 50% de indicadores com evolução positiva.