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ONU destaca compromisso com Gaza e pede reforma do sistema humanitário

© Unrwa Nos últimos 8 meses, na Faixa de Gaza, aproximadamente 67% das instalações de água, saneamento e infraestrutura foram destruídas ou danificadas.

Em entrevista à ONU News, o subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Martin Griffiths, sublinhou o empenho das equipas de ajuda humanitária em Gaza, apesar dos perigos crescentes; salientou a necessidade de reformar o sistema humanitário mundial e criticou a disparidade das despesas entre as guerras e a ajuda humanitária; o subsecretário-geral vai abandonar o cargo nos próximos dias.

 

As equipas de ajuda da ONU e as organizações parceiras continuam profundamente comprometidas com a entrega de ajuda humanitária em Gaza, apesar dos crescentes perigos para os trabalhadores humanitários.

A declaração é do subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Martin Griffiths, numa entrevista à ONU News. Poucos dias antes de deixar o cargo, o subsecretário-geral afirmou que os alertas de que a ajuda humanitária poderia ser interrompida na Faixa de Gaza não eram um “ultimato”.

 

ONU News/Daniel Johnson subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Humanitários, Martin Griffiths, fala de espectro da morte pairando sobre Gaza

 

Condições cada vez mais difíceis para a ajuda humanitária

Griffiths explicou que a ONU continua, como tem feito há meses, a negociar com as autoridades israelitas e outras partes, incluindo os Estados Unidos, para garantir que a ajuda seja entregue de forma segura e protegida.

O subsecretário-geral sublinhou que a organização não está a “fugir de Gaza” e continua particularmente preocupada com a situação de segurança, que limita cada vez mais as operações humanitárias.

A análise do subsecretário-geral surge após a publicação da avaliação da insegurança alimentar em Gaza, que destacou o “elevado risco” de fome em toda a zona devido à continuação do conflito e à restrição de entrada de suprimentos humanitários.

Griffiths afirmou que a ajuda pode fazer a diferença e sublinhou a necessidade de libertar todas as passagens fronteiriças. Além disso, sublinhou que os trabalhadores humanitários precisam de segurança e proteção.

 

Questões políticas

Para Griffiths, o problema desta crise é político. Um dos aspetos interessantes do Médio Oriente é que existe muita diplomacia política e mediação”, afirmou. O chefe da ação humanitária da ONU referiu que gostaria de ver os mesmos esforços noutros locais em crise, como o Sudão.

Com guerra na Faixa de Gaza próxima de completar nove meses, as agências de ajuda da ONU continuam a relatar ataques das forças armadas israelitas, que provocam vítimas civis, deslocações forçadas em massa e a destruição de infraestrutura civil.

Para além da violência no enclave, registam-se também novos ataques contra palestinianos na Cisjordânia, com uma nova escalada entre Israel e os militantes do Hezbollah na fronteira com o Líbano. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou de que um passo em falso poderia desencadear uma catástrofe para toda a região e não só.

 

Ação global e desafio financeiro

Além da crise no Oriente Médio, Griffiths afirmou que a ONU entregou ajuda a 144 milhões de pessoas em todo o mundo no ano passado, atingindo dois terços da meta estabelecida, mesmo perante grandes desafios financeiros.

Sublinhou também o trabalho extraordinário das agências de ajuda, especialmente dos distribuidores na linha de frente. O subsecretário-geral enfatizou que, embora o número de pessoas assistidas seja impressionante, milhões permanecem fora do alcance da ONU devido à falta de financiamento.

Griffiths também ressaltou a “disparidade vergonhosa” nos gastos mundiais, com mais de 2 mil milhões de dólares gastos anualmente em guerras, enquanto os recursos destinados à ajuda humanitária e ao estabelecimento da paz são insuficientes.

“É necessário alterar a ideia de que investir em guerras é uma forma eficaz de garantir a segurança”, acrescentou.

 

 

Ocha/Saviano Abreu O chefe humanitário da ONU, Martin Griffiths conhece um casal cuja casa foi destruída em Hawzen, Tigray.

 

Reformas no sistema humanitário

Refletindo sobre as suas quatro décadas de trabalho em zonas de guerra e nos corredores diplomáticos do poder, o diplomata britânico insistiu na necessidade de uma reforma radical no sistema humanitário mundial, dado o aumento das necessidades e prolongamento das emergências. A ONU e a sociedade civil, os governos anfitriões de todo o mundo e as organizações regionais devem lidar com o facto de que o poder está a ser redistribuído pelo mundo.

Sobre os desafios de seu trabalho, contou a sua passagem pelo Sudão, onde se encontrou com representantes de organizações da sociedade civil que lidam com emergências médicas em Cartum. Griffiths destacou a dedicação dos humanitários, que fazem com que o trabalho “valha a pena”.

O cargo de coordenador de ajuda da ONU é considerado uma das funções “mais desafiadoras do sistema”, devido às constantes viagens e à intensa atenção dos media. Griffiths não revelou a identidade de seu sucessor, mas afirmou que a possibilidade de salvar vidas torna o trabalho extremamente gratificante.

 

Artigo ONUNews

Dia das Micro, Pequenas e Médias Empresas

UN Photo/Manuel Elías

 

O SECRETÁRIO-GERAL

MENSAGEM SOBRE O DIA DAS MICRO, PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS

“Aproveitar o poder e a resiliência das MPME para acelerar o desenvolvimento sustentável e erradicar a pobreza em tempos de múltiplas crises”

27 de junho de 2024

As micro, pequenas e médias empresas são fundamentais para as economias de todo o mundo.

Hoje, reconhecemos as suas contribuições vitais na criação de empregos, na promoção do crescimento económico e no empoderamento das mulheres, dos jovens e das comunidades marginalizadas.

O tema deste ano centra-se no papel destas empresas na erradicação da pobreza e na consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Em tempos de crise – desde o custo de vida às alterações climáticas e ao sobre-endividamento – as micro, pequenas e médias empresas demonstraram uma resiliência notável.

No entanto, muitos continuam a enfrentar acesso limitado ao financiamento, à tecnologia, aos mercados e às cadeias de abastecimento. Estas empresas requerem políticas, estruturas de apoio e investimentos que promovam o seu crescimento e formalização – e, por sua vez, ajudem as comunidades a prosperar, a apoiar os mais vulneráveis ​​e a preparar o caminho para meios de subsistência mais sustentáveis ​​e justos.

Ao celebrarmos o Dia das Micro, Pequenas e Médias Empresas, reafirmemos o nosso compromisso de reforçar o nosso apoio a estas entidades, acelerar o progresso em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e de não deixar ninguém para trás.

ONU alerta para aumento do uso de drogas e impactos globais

Unsplash/Roberto Sorin

A 26 de junho, as Nações Unidas assinalam o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas.  

Numa mensagem sobre este dia internacional, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que as drogas estão na origem de um sofrimento humano incomensurável, o seu consumo corrói a saúde e o bem-estar das pessoas e as overdoses causam centenas de milhares de mortes todos os anos. 

O gabinete das Nações Unidas para a Droga e para o Crime (UNODC) divulgou um relatório na quarta-feira em que salienta que o aparecimento de novos opióides sintéticos e um recorde de oferta e procura de outras drogas agravaram os impactos a nível mundial, conduzindo a um aumento dos distúrbios relacionados com o consumo de drogas e dos danos ambientais. 

De acordo com o relatório, o número de pessoas que consomem drogas aumentou para 292 milhões em 2022, o que representa um aumento de 20% em 10 anos. A cannabis continua a ser a droga mais consumida em todo o mundo, com 228 milhões de utilizadores. Esta substância é seguida pelos opiáceos, com 60 milhões de utilizadores. Estima-se que as anfetaminas tenham 30 milhões de utilizadores, a cocaína 23 milhões e o ecstasy 20 milhões. 

 

Jovens 

Para o secretário-geral, são as pessoas mais vulneráveis, incluindo os jovens, que sofrem os piores efeitos desta crise. As pessoas que consomem drogas e as que vivem com perturbações relacionadas com o abuso de substâncias são repetidamente vitimizadas: pelas próprias drogas, pelo estigma e pela discriminação, e por respostas severas e desumanas ao problema. 

O relatório do UNODC salienta que, embora cerca de 64 milhões de pessoas em todo o mundo sofram de perturbações relacionadas com o consumo de drogas, apenas uma em cada 11 se encontra em tratamento. As mulheres têm menos acesso a tratamento do que os homens, sendo que apenas uma em cada 18 mulheres com perturbações relacionadas com o consumo de drogas está a receber tratamento, em comparação com um em cada sete homens. 

 

Irin/Sean Kimmons Um utilizador de drogas injeta uma substância tranquilizante com um kit de injeção seguro fornecido por uma ONG da Tailândia. Usuários de drogas injetáveis ​​(UDIs) podem injetar todos os tipos de drogas por via intravenosa

 

Prevenção 

Guterres lembra que, enquanto foi primeiro-ministro de Portugal, implementou estratégias de reabilitação e reintegração, campanhas de educação para a saúde pública, aumento do investimento em prevenção, tratamento e medidas de redução de danos relacionados com as drogas. 

O relatório do UNODC inclui capítulos especiais sobre o impacto da proibição do ópio no Afeganistão, as drogas sintéticas, o impacto da legalização da cannabis e o “renascimento” psicadélico. O documento aborda também o direito à saúde em relação ao consumo de droga e a forma como o tráfico de droga no Triângulo Dourado está ligado a outras atividades ilícitas e aos seus impactos. 

Mensagem por ocasião do Dia Internacional Contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas

ONU/Manuel Elias

O SECRETÁRIO-GERAL

MENSAGEM POR OCASIÃO DO DIA INTERNANCIONAL CONTRA O ABUSO E O TRÁFICO ILÍCITO DE DROGAS 

26 de junho de 2024

 

 

As drogas estão na origem de um sofrimento humano incomensurável.

O uso de drogas prejudica a saúde e o bem-estar das pessoas. As overdoses ceifam centenas de milhares de vidas todos os anos.

Entretanto, as drogas sintéticas estão a tornar-se mais letais e viciantes, e o mercado de drogas ilícitas está a bater recordes de produção, alimentando o crime e a violência em comunidades de todo o mundo.

A cada passo, as pessoas mais vulneráveis — incluindo os jovens — sofrem os piores efeitos desta crise. Os consumidores de drogas e os que vivem com perturbações causadas pelo abuso de substâncias são vítimas múltiplas vezes: pelas próprias drogas, pelo estigma e pela discriminação, e pelas respostas desumanas e opressivas ao problema.

Como nos lembra o tema deste ano, quebrar o ciclo de sofrimento significa começar pelo início, antes que as drogas vençam, investindo na prevenção.

Os programas de prevenção de drogas baseados na investigação podem proteger tanto as pessoas como as comunidades, ao mesmo tempo que eliminam as economias ilícitas que lucram com a miséria humana.

Quando fui primeiro-ministro de Portugal demonstrámos o valor da prevenção no combate a este flagelo. Desde estratégias de reabilitação e de reintegração, passando por campanhas de educação em saúde pública, até ao aumento do investimento em medidas de prevenção, tratamento e redução de danos, a prevenção compensa.

Neste dia importante, vamos renovar o compromisso de continuar a nossa luta para acabar com a praga do abuso e do tráfico de drogas, de uma vez por todas.

ONU lança Princípios Globais para a Integridade da Informação  

O secretário-geral da ONU, António Guterres (à esquerda da mesa), durante a conferência de imprensa sobre os Princípios Globais da ONU sobre Integridade da Informação. Foto ONU/Eskinder Debebe

As recomendações pretendem reduzir os danos causados pela propagação da desinformação e do discurso de ódio e abordam também os riscos impostos pelo desenvolvimento da Inteligência Artificial 

O mundo deve responder aos danos causados pela propagação do ódio e das mentiras online, ao mesmo tempo que defende firmemente os direitos humanos, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, no lançamento dos Princípios Globais das Nações Unidas para a Integridade da Informação. 

No seu discurso, um ano após o lançamento do seu relatório sobre a integridade da informação nas plataformas digitais, o secretário-geral apresentou um quadro de ação internacional coordenada para tornar os espaços de informação mais seguros e mais humanos, uma das tarefas mais urgentes do nosso tempo. 

A desinformação, o discurso de ódio e outros riscos para o ecossistema da informação estão a alimentar conflitos, a ameaçar a democracia e os direitos humanos e a comprometer a saúde pública e a ação climática. A sua proliferação está agora a ser sobrecarregada pelo rápido aumento das tecnologias de Inteligência Artificial (IA) prontamente disponíveis. 

“Os Princípios Globais das Nações Unidas para a Integridade da Informação têm como objetivo capacitar as pessoas a exigirem os seus direitos”, afirmou o secretário-geral. “Numa altura em que milhares de milhões de pessoas estão expostas a falsas narrativas, distorções e mentiras, estes princípios estabelecem um caminho claro para o futuro, firmemente enraizado nos direitos humanos, incluindo os direitos à liberdade de expressão e de opinião.” 

O chefe da ONU lançou um apelo urgente aos governos, às empresas de tecnologia, ao setor publicitário e ao setor de relações públicas para que assumam a responsabilidade pela difusão e pela monetização de conteúdos que causam efeitos negativos. 

As próprias missões, operações e prioridades das Nações Unidas são comprometidas pela erosão da integridade da informação, incluindo os esforços vitais de manutenção da paz e esforços humanitários. Num inquérito global aos trabalhadores das Nações Unidas, 80% dos inquiridos afirmaram que a informação prejudicial os põe em perigo a eles e às comunidades que servem. 

Os Princípios são o resultado de amplas consultas com os Estados-membros, o setor privado, os líderes juvenis, os meios de comunicação social, o meio académico e a sociedade civil. 

As recomendações neles formuladas destinam-se a promover espaços de informação mais saudáveis e seguros que defendam os direitos humanos, sociedades pacíficas e um futuro sustentável. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, apresentou em conferência de imprensa os Princípios Globais da ONU sobre Integridade da Informação. As recomendações pretendem combater a desinformação, a desinformação e o discurso de ódio. Foto ONU/ Eskinder Debebe

Propostas 

Os governos, as empresas tecnológicas, o setor publicitário, os meios de comunicação social e outras partes interessadas devem abster-se de utilizar, apoiar ou amplificar a desinformação e o discurso de ódio para qualquer fim. 

Os governos devem proporcionar um acesso atempado à informação, garantir um panorama mediático livre, viável, independente e multilateral e assegurar uma forte proteção dos jornalistas, dos investigadores e da sociedade civil. 

As empresas de tecnologia devem garantir a segurança e a privacidade desde a criação de todos os produtos, juntamente com a implementação coerente de políticas e recursos em todos os países e línguas, dando especial atenção às necessidades dos grupos que são frequentemente alvo de ataques online. Estas devem reforçar a resposta a situações de crise e tomar medidas para apoiar a integridade da informação no período eleitoral. 

Todas as partes interessadas envolvidas no desenvolvimento de tecnologias de IA devem tomar medidas urgentes, imediatas, inclusivas e transparentes para garantir que todas as ferramentas de IA sejam concebidas, implantadas e utilizadas de forma segura, responsável e ética, e que respeitem os direitos humanos. 

As empresas tecnológicas devem definir modelos de negócio que não dependam da publicidade programática e não deem prioridade ao envolvimento em detrimento dos direitos humanos, da privacidade e da segurança, permitindo aos utilizadores uma maior escolha e controlo sobre a sua experiência online e sobre os seus dados pessoais. 

Os responsáveis pela publicidade devem exigir transparência nos processos de publicidade digital do setor tecnológico para ajudar a garantir que estes orçamentos não financiam involuntariamente a desinformação, o ódio ou prejudiquem os direitos humanos. 

As empresas tecnológicas e os criadores de IA devem garantir uma transparência significativa e permitir o acesso de investigadores e académicos aos dados, respeitando a privacidade dos utilizadores, solicitar auditorias independentes publicamente disponíveis e co-desenvolver quadros de responsabilização da indústria. 

Os governos, as empresas tecnológicas, os criadores de IA e os agentes publicitários devem tomar medidas especiais para proteger e capacitar as crianças, cabendo aos governos disponibilizar recursos para pais, tutores e educadores. 

Os Princípios Globais das Nações Unidas para a Integridade da Informação resultam de uma proposta da Nossa Agenda Comum, o relatório do secretário-geral de 2021 que apresenta uma visão para a futura cooperação global e ação multilateral. 

Os princípios constituem um recurso para os Estados-membros antes da Cimeira do Futuro, que se realizará em setembro. 

Os Princípios Globais para a Integridade da Informação podem ser consultados aqui. 

A importância das mulheres na diplomacia

Linda Thomas-Greenfield, Permanent Representative of the United States to the United Nations, addresses the Security Council meeting on the maintenance of international peace and security. The meeting focused on the role of women and young people.

Desde a sua fundação há 79 anos, nenhuma mulher foi eleita secretária-geral das Nações Unidas e apenas quatro mulheres foram eleitas para a presidência da Assembleia Geral. Este dia 24 de junho assinala-se o Dia Internacional das Mulheres na Diplomacia, numa altura em que se tenta mudar esta realidade.

No rascunho do documento final da Cimeira do Futuro da ONU, que terá lugar em setembro, há um apelo indireto à mudança.

“Ter em conta durante os próximos e subsequentes processos de seleção e de nomeação o facto lamentável de nunca ter havido uma mulher secretária-geral”, lê-se na 38.ª ação do Pacto para o Futuro.

Foto ONU/Mark Garten

A GWL Voices, uma organização de mulheres que serviram como diplomatas de topo na ONU e em outras organizações, fez lobby para que mais mulheres ocupassem cargos de topo na ONU, incluindo o de secretário-geral, onde nove homens e nenhuma mulher serviram desde 1945.

“O GWL Voices tem defendido a paridade na eleição da figura do secretário-geral da ONU com sua Campanha Senhora secretária-geral. Os membros do GWL Voices acreditam que já passou da hora de esta tradição acabar”, disse Flavia Bustreo, ex-diretora-geral adjunta da OMS e membro do GWL Voices, em entrevista ao site da UNRIC.

As vozes da GWL incluem Helen Clark, ex-chefe do PNUD, Irina Bokova, ex-chefe da UNESCO, e Tarja Halonen, ex-presidente da Finlândia. A sua diretora executiva é María Fernanda Espinosa, uma das quatro mulheres eleitas presidente da Assembleia Geral.

GWL Voices apontam que as mulheres representam apenas 27% de todos os representantes permanentes na ONU.

“E a presidência da Assembleia Geral, cargo-chave eleito pelos associados todos os anos, foi ocupada por um total de 74 homens e por apenas quatro mulheres. E das 21 vice-presidências da Assembleia Geral, apenas 14% são ocupadas por Estados-membros com mulheres como representantes permanentes.”

GWL Voices Flavia Bustreo diz que a Cimeira do Futuro será uma oportunidade para trazer essas questões para primeiro plano. “Não podemos cambalear e continuar a ter tão pouca representação das mulheres nos sistemas multilaterais e na diplomacia”, afirma Bustreo.

“Devemos enviar uma mensagem às gerações futuras de que isto não é justo e devemos permitir-lhes que tenham o melhor. Merecem paridade de género e acesso igual a oportunidades em todos os setores, incluindo nas organizações multilaterais.”

A falta de representação feminina no domínio da paz e segurança também é preocupante.

No entanto, dos cinco processos de paz liderados ou coliderados pelas Nações Unidas em 2021, dois foram liderados por mulheres mediadoras e todos os cinco consultaram a sociedade civil e receberam conhecimentos especializados sobre questões de género. Nos fóruns multilaterais de desarmamento, persistem grandes lacunas na participação das mulheres e as estas continuam muito sub-representadas em muitos domínios relacionados com armas, incluindo o controlo técnico de armas – apenas 12 por cento dos Ministros da Defesa a nível mundial são mulheres.

A ONU Mulheres aponta que os países onde há mais mulheres nos ramos legislativo e executivo do governo têm menos gastos com defesa e mais gastos sociais.

“Todos devemos fazer todo o possível para garantir que as mulheres estejam à mesa, que as nossas vozes sejam ouvidas e que as nossas contribuições sejam valorizadas”, afirma a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed.

Mensagem pela ocasião do Dia do Serviço Público das Nações Unidas

O SECRETÁRIO-GERAL

MENSAGEM PELA OCASIÃO DO DIA DO SERVIÇO PÚBLICO DAS NAÇÕES UNIDAS

23 de junho de 2024

 

Neste Dia do Serviço Público das Nações Unidas, saúdo as mulheres e os homens de todo o mundo que dedicaram as suas vidas à mais nobre missão possível: o serviço público.

Os funcionários públicos são a base de comunidades grandes e pequenas em todo o mundo – prestando cuidados de saúde, ensinando os jovens, construindo e mantendo infraestruturas vitais, garantindo a segurança e servindo e protegendo os mais vulneráveis.

Temos visto repetidamente o poder do setor público em moldar os avanços que impulsionam o progresso humano.

Este é mais um desses momentos, em que nos debatemos com enormes mudanças tecnológicas e problemas globais de grande dimensão, como a pobreza, as alterações climáticas, a desigualdade entre homens e mulheres e a disparidade digital.

Tal como o tema deste ano nos recorda, a inovação e a transformação no setor público são essenciais para acelerar os progressos no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Chegou o momento de capacitar os funcionários e as instituições públicas com novas competências e ferramentas de topo – como a inteligência artificial – para garantir que a tecnologia se torna uma ferramenta de progresso para todas as pessoas, à medida que encaminhamos o nosso mundo para um futuro melhor.

Neste dia e todos os dias, vamos mostrar o nosso apoio aos funcionários públicos.

Vamos trabalhar lado a lado com estes campeões do serviço público para construir um mundo mais saudável, mais próspero e mais igualitário para todos.

UNRIC e Rock in Rio promovem grandes temas da humanidade

Diego Padilha /Rock in Rio

O Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC) e o Rock in Rio Lisboa voltaram a unir esforços e criaram uma experiência imersiva no recinto do festival: o All Experience.

Este espaço é um aliado dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas e pretende dar visibilidade aqueles que são os atuais desafios da Humanidade e do Planeta: paz, prosperidade, direitos humanos, combate à pobreza, clima, migração, educação, consumo e produção sustentáveis.

 

Afonso Batista/Rock in Rio Festivaleiros num dos murais da experiência

Esta iniciativa desafia os festivaleiros a conhecerem melhor os ODSs e como estes podem ajudar a construir um mundo mais saudável, justo e igualitário sem deixar ninguém para trás. O público pode também, a partir do site desta iniciativa, explorar a ActNow,  campanha das Nações Unidas que pretende inspirar as pessoas a agir em prol dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Os participantes precisam apenas de responder corretamente ao Quiz de três perguntas sobre cada tema para ganhar uma pulseira e ainda, se assim entenderem, fazer um pequeno donativo a uma das das 8 Organizações Não-Governamentais (ONGs) parceiras desta iniciativa.

Sabe mais sobre esta iniciativa aqui e se fores ao Rock in Rio visita-nos no palco All.

Beatriz Cardoso/Rock in Rio Pulseiras temáticas dos ODS

Mensagem sobre o Dia Mundial do Refugiado de 2024

O SECRETÁRIO-GERAL 

MENSAGEM SOBRE O DIA MUNDIAL DO REFUGIADO 

20 de junho de 2024 

Do Sudão à Ucrânia, do Médio Oriente ao Mianmar, à República Democrática do Congo entre outros, os conflitos, o caos climático e as convulsões estão a forçar um número recorde de pessoas a abandonar as suas casas e a alimentar um profundo sofrimento humano.

Os números mais recentes mostram que um total de mais de 120 milhões de pessoas em todo o mundo estão deslocadas à força, incluindo 43,5 milhões de refugiados.

O Dia Mundial do Refugiado tem como objetivo honrar a sua força e coragem e intensificar os esforços para proteger e apoiar os refugiados em cada etapa da sua jornada.

Os refugiados precisam de solidariedade global e da capacidade de reconstruir as suas vidas com dignidade. Quando lhes é dada oportunidade, os refugiados fazem contribuições significativas para as comunidades de acolhimento, mas precisam de ter acesso à igualdade de oportunidades, a empregos, à habitação e a cuidados de saúde.

Os jovens refugiados precisam de uma educação de qualidade para realizarem os seus sonhos. E os países de acolhimento generosos, na sua maioria países de baixo ou médio rendimento, precisam de apoio e de recursos para incluir plenamente os refugiados nas sociedades e economias.

Vamos comprometermo-nos a reafirmar a responsabilidade coletiva do mundo na assistência e no acolhimento dos refugiados, na defesa dos seus direitos humanos, incluindo o direito de procurar asilo, na salvaguarda da integridade do regime de proteção dos refugiados e, em última análise, na resolução de conflitos para que aqueles que foram forçados a abandonar as suas comunidades possam voltar para casa.

Mensagem sobre o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Sexual em Conflitos

UN Photo/Mark Garten

O SECRETÁRIO-GERAL  

MENSAGEM SOBRE O DIA INTERNACIONAL PARA A ELIMINAÇÃO DA VIOLÊNCIA SEXUAL EM CONFLITOS 

19 de Junho de 2024 

 

Conflict-related sexual violence is a devastating form of attack and repression, which has lasting, harmful effects on survivors’ physical, sexual, reproductive, and mental health, and destroys the social fabric of communities. 

 

A violência sexual associada a conflitos é uma forma devastadora de ataque e de repressão, que tem efeitos duradouros e prejudiciais para a saúde física, sexual, reprodutiva e mental dos sobreviventes e destrói o tecido social das comunidades. 

 

Apesar da sensibilização e da condenação generalizadas, este crime grotesco continua a ser perpetrado em todo o mundo. No ano passado, registaram-se relatos angustiantes de violência sexual, desde o Sudão ao Haiti e a Israel. Com demasiada frequência, os agressores saem em liberdade enquanto os sobreviventes passam a vida inteira a recuperar.    

 

This year’s International Day for the Elimination of Sexual Violence in Conflict focuses on healthcare. Hospitals and other healthcare facilities should be beacons of safety and healing for all those injured in conflict, including the survivors of sexual violence. These are fundamental tenets of international humanitarian law.  

 

Este ano, o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Sexual em Conflitos incide sobre os cuidados de saúde. Os hospitais e outras instalações de cuidados de saúde devem ser referências de segurança e de recuperação para todos os feridos em conflitos, incluindo os sobreviventes de violência sexual. Estes são princípios fundamentais do direito humanitário internacional.   

 

No entanto, os ataques a hospitais e instalações de cuidados de saúde e o facto de os profissionais de saúde serem alvos de ataques podem limitar seriamente o acesso dos sobreviventes a cuidados médicos e a apoio psicossocial. As mulheres e as raparigas vítimas de violência sexual podem engravidar na sequência de uma violação e necessitam de cuidados de saúde sexual e reprodutiva imediatos. Os homens e os rapazes podem correr o risco de ficarem mais isolados se não tiverem acesso a cuidados adequados.   

 

Neste Dia Internacional para a Eliminação da Violência Sexual em Conflitos, comprometamo-nos a eliminar este sofrimento, sejamos solidários com os sobreviventes e reafirmemos o nosso compromisso de proteger os hospitais e as instalações de saúde durante os conflitos. 

Zambujal 360: está a nascer uma nova rota dos ODS

É um projeto inovador e ousado que pretende tornar o Bairro do Zambujal, situado no concelho da Amadora, no primeiro bairro social do mundo embaixador dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.  

Graças ao trabalho e dedicação da ONGD Ad Gentes e da associação CAZAmbujal, ao longo dos últimos meses, este bairro com cerca de 4.000 habitantes tem assistido à criação de uma galeria de arte urbana sobre os 17 ODS que pretende atuar como agente de mudança social e promover a sustentabilidade. 

17 artistas com diferentes inspirações e técnicas têm vindo a trabalhar para que até ao final do ano a galeria de arte urbana fique completa, criando uma nova rota ODS para atrair visitantes, turistas e estudantes ao bairro.  

O projeto Zambujal 360 vai apostar na formação de jovens, no estabelecimento de uma rede de comerciantes, na requalificação de espaços urbanos, assim como na promoção artística, social e cultural junto da comunidade. 

Já é possível visitar este projeto que conta com o apoio institucional do Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC) e que é financiado por 17 entidades, entre fundações, municípios e empresas do setor privado.  

A ONU Portugal visitou o bairro e falou com Mário Linhares, um dos impulsionadores Zambujal 360. 

 

ONU Portugal: Como nasceu a ideia do Zambujal 360?  

Mário Linhares: Nasce de muitos anos a fazer voluntariado e também de escutar as preocupações que a comunidade do bairro do Zambujal tem. Havia a ideia de pintar uma escadaria, de promover o comércio do bairro e as coisas positivas que aqui existem. A comunidade não conhecia os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e vimos que eles poderiam ser o tema unificador para potenciar muito daquilo que as pessoas já fazem e/ou sonham fazer. De repente, deram-se conta que os projetos locais relacionam-se mesmo com os temas globais. 

Conclusão, começou-se por escutar e dar algum sal àquilo que as pessoas já estavam e queriam fazer. Houve depois uma fase em que foi preciso garantir apoios, naturalmente, e a partir daí, uma vez assegurado o financiamento, avançou-se. 

Mário Linhares é um dos impulsionadores do projeto Zambujal 360.

ONU Portugal: Como é que foi todo esse processo?  

Mário Linhares: Obter financiamento foi um processo difícil. Tínhamos concorrido antes a algumas linhas de financiamento com outros projetos e, além de complexo, é sempre bastante difícil ser selecionado, o que torna tudo frustrante. Com o Zambujal 360, estávamos convictos que o projeto tinha de acontecer independentemente de alguém nos dizer que não, pelo que concorrer a fundos ficou fora da equação. 

Começámos por consolidar o conceito e quantificar as despesas. Dividimos o orçamento em 17 partes e fomos à procura de 17 entidades que fossem o match perfeito para cada ODS e, assim, garantir o financiamento necessário. Batemos a muitas portas, muitas não se abriram, mas aos poucos fomos começando a receber repostas positivas que nos motivaram e que também ajudaram mais parceiros a acreditar no nosso trabalho. Foi uma temporada longa de reuniões e apresentações, mas os nãos recebidos também nos ajudaram a melhorar a nossa comunicação e conteúdo até conseguirmos todo o financiamento.

Mural que ilustra o ODS 1 – Erradicar a Pobreza – da autoria do artista Jorge Charrua.

ONU Portugal: Já há 10 murais concluídos. Na maioria inclui-se a comunidade na obra artística. Pode dar alguns exemplos de como é que isto foi feito?  

Mário Linhares: No ODS 1 – Erradicar a Pobreza, por exemplo, queríamos muito partir de histórias reais de pessoas que deram a volta por cima em relação à pobreza. A pintura que temos conta a história de duas irmãs improváveis que cresceram juntas. Isto porque uma delas foi adotada por uma família do bairro. Sendo uma branca e a outra cabo-verdiana, é uma história muito forte, pois também é um sinal de como o racismo não faz sentido. Por ter passado a pertencer a uma família alargada, teve acesso a condições e oportunidades que não teria tido apenas com a sua família biológica. É uma história muito inspiradora.  

Na verdade, o bairro está repleto de histórias de famílias e pessoas que deram a volta por cima, o que é incrível de ver, porque às vezes é preciso estar em contextos destes para nos darmos conta que a superação é sempre possível, mesmo em situações difíceis. Quando não se consegue sozinho, a comunidade em que estamos inseridos pode e deve ajudar. 

Mas este projeto não é só artístico. Pretende-se que seja apenas o ponto de partida para iniciativas que tenham impacto social no bairro. 

Mural que ilustra o ODS 5 – Igualdade de Género – da autoria de Mariana Duarte Santos.

Veja o processo de criação do mural sobre o ODS 5 – Igualdade de Género

ONU Portugal: Pode explicar um pouco melhor de como isso será feito? 

Mário Linhares: Quando alguém ouve falar do Zambujal 360, pode pensar que é apenas mais um projeto de arte urbana, mas quando nos visita, percebe que a nossa galeria de arte urbana sobre os ODS é um meio para muito mais. Por exemplo, no ODS 5 – Igualdade de Género, está representado com um jogo de xadrez, um jogo intelectual onde homens e mulheres competem em igualdade de circunstância, independentemente da sua força muscular. 

Queremos chamar associações de xadrez a virem ao bairro e incentivar crianças a jogar xadrez. Além disso, este mural tem muitos livros de diferentes autores que abordam o tema da igualdade de género de forma direta ou indireta e queremos também começar a promover sessões de leitura, de debate, para que as pessoas fiquem inquietas e com vontade de ler algum destes autores. 

A ideia principal é que cada pintura e respetivo ODS sejam uma espécie de fósforo que inicie e ilumine alguma transformação. Pode ser mais pessoal e interior ou de comunidade, mas nós sentimos que estamos a criar as condições para que algo possa nascer.  

Adicionalmente, há também parceiros que querem contribuir além do que imaginámos. A EDP, por exemplo, quer implementar os bairros solares, instalando painéis de energia renovável para tornar os edifícios mais eficientes ao nível energético, trazendo o seu know-how relativo ao ODS 7. A Imprensa Nacional Casa da Moeda quer editar um livro com todas as histórias das pinturas. A FLAD promove o projeto aos universitários norte-americanos que estão a estudar em Portugal. A Fundação Altice apoia-nos também na área tecnológica e de comunicações. A Vieira de Almeida dá-nos apoio jurídico. E estes são apenas alguns exemplos de como as parcerias podem ser sempre mais do que o esboço inicial. 

A artista Lígia Fernandes inspirou-se nas hortas do bairro para realizar o mural sobre o ODS 2 – Erradicar a Fome.

ONU Portugal: Quando é que é expectável que todos os murais estejam concluídos? Porque a ideia é ter uma rota ODS que atraia turistas, visitantes e que traga mais pessoas ao bairro… 

Mário Linhares:  Decidi perguntar ao Chat-GPT onde se deve ir para conhecer melhor os ODS. A resposta que aparece em 1.º lugar indica a sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, mas as restantes não são locais especializados no tema.  

Em Portugal, o bairro do Zambujal já é o local a visitar para conhecer melhor os 17 ODS. São bem vindos os professores e alunos de qualquer ciclo ou grau académico, mas também empresas, associações, familiares ou turistas. Para nos visitarem é necessário comprar um bilhete para uma visita guiada, que permite conhecer a história do bairro, das pinturas e sua relação com os ODS.  

A formação que estamos a dar aos jovens irá permitir-lhes serem embaixadores ODS e, por ser uma visita guiada paga, cada jovem será remunerado pelo seu serviço. É este o nosso modelo de sustentabilidade, além de garantir a autonomia económica do projeto, possibilita trabalho digno para os jovens. 

Mas não fugindo à pergunta, esperamos ter a galeria de arte urbana ODS pronta até final de 2024. Um dos murais será em cerâmica! Honraremos assim a longa tradição histórica que Portugal tem na arte urbana através da modelação em barro e da azulejaria. 

Em Portugal, um lugar que não estava no mapa, passará a ser motivo de interesse e de debate: o bairro do Zambujal, o primeiro bairro social embaixador dos 17 ODS. 

Veja o processo de criação do mural sobre o ODS 3 – Saúde de Qualidade

Saiba mais sobre o Zambujal 360.

Mensagem sobre o Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio

UN Photo

O SECRETÁRIO-GERAL 

MENSAGEM SOBRE O DIA INTERNACIONAL DE COMBATE AO DISCURSO DE ÓDIO  

18 de junho de 2024 

 

O discurso de ódio é um instrumento de discriminação, abuso, violência, conflito e até mesmo de crimes contra a humanidade. Vimos isto a acontecer da Alemanha nazi até ao Ruanda, à Bósnia, entre outros. Não existe um nível aceitável de discurso de ódio; todos nós devemos trabalhar para o erradicar por completo.

 

Atualmente, os discursos de ódio incidem sobre uma grande variedade de grupos, muitas vezes tendo como base a etnia, a religião, a crença ou a filiação política. Nos últimos meses, assistiu-se a um aumento do discurso de ódio antissemita e anti-muçulmano online e em comentários de líderes políticos influentes. O discurso de ódio pode ser utilizado contra mulheres, refugiados, migrantes, pessoas trans, de diferentes géneros e minorias. Este é amplificado pelo poder das plataformas e ferramentas digitais que permitem a sua disseminação através de fronteiras e de culturas.

 

Os Estados têm a obrigação, nos termos do direito internacional, de prevenir e combater o incentivo ao ódio e de promover a diversidade, a compreensão mútua e a solidariedade. Estes devem reforçar e implementar estes compromissos, assegurando simultaneamente que as medidas que tomam preservam a liberdade de expressão e protegem as minorias e outras comunidades.

 

A Estratégia e o Plano de Ação das Nações Unidas sobre o Discurso de Ódio fornecem um plano para combater tanto as causas como o impacto deste problema. E as Nações Unidas estão atualmente a preparar os Princípios Globais para a Integridade da Informação para orientar os responsáveis pela tomada de decisões sobre estas questões.

 

Uma vez que os jovens são frequentemente os mais afetados pelos discursos de ódio, especialmente online, estes devem fazer parte da solução. A participação dos jovens, em particular das raparigas e das mulheres jovens, dos jovens indígenas, de comunidades minoritárias, da comunidade LGBTIQ e dos jovens com deficiência, é crucial para criar espaços públicos e online isentos de discursos de ódio.

 

Os governos, as autoridades locais, os líderes religiosos, empresariais e comunitários têm o dever de investir em medidas de promoção da tolerância, da diversidade e da inclusão, e de combater o discurso do ódio em todas as suas formas.

 

Ao assinalarmos o Dia Internacional da Luta contra o Discurso de Ódio, vamos todos trabalhar para promover a educação em prol dos direitos humanos, incluir os jovens na tomada de decisões democráticas e combater a intolerância, a discriminação, os preconceitos e os estereótipos, onde quer que se manifestem.

ONU: aumento “chocante” de violações contra crianças em conflitos em 2023

UNICEF/Tess Ingram Um rapaz recupera no hospital em Gaza depois do abrigo onde vivia com a sua família ter sido bombardeado

 

A violência contra as crianças envolvidas em conflitos armados atingiu “níveis extremos” no ano passado, com um aumento “chocante” de 21% nas violações extremas, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, num relatório publicado na quinta-feira. 

 

Um número sem precedentes de crianças foram mortas e mutiladas em locais como Israel e nos territórios palestinianos ocupados, nomeadamente em Gaza e ainda no Burkina Faso, na República Democrática do Congo, no Sudão e na Ucrânia, revelou o relatório anual sobre Crianças e Conflitos Armados. 

O aumento alarmante resultou da evolução da situação, da complexidade e da intensificação dos conflitos armados, bem como da utilização de armas explosivas em zonas povoadas, segundo o relatório. 

 

Chefe da ONU “horrorizado” 

A ONU verificou cerca de 33.000 violações graves que afetaram mais de 22.500 crianças, principalmente rapazes, em 26 situações em todo o mundo. 

Os números mais elevados foram os de assassinatos e mutilações, com 11.649 crianças afetadas – um aumento de 35 por cento em relação ao relatório do ano passado.  Seguiram-se o recrutamento e a exploração de 8.655 crianças e o rapto de mais 4.356. 

Embora mais de metade das violações tenham sido cometidas por grupos armados não estatais, incluindo os designados como terroristas pela ONU, as forças governamentais foram as principais responsáveis por mortes e ferimentos, ataques a escolas e hospitais e pela recusa de acesso humanitário. 

O conflito em Israel e nos territórios palestinianos ocupados conduziu a um aumento de 155% das violações graves contra as crianças, segundo o relatório. 

“Estou chocado com o aumento dramático e com a escala e intensidade sem precedentes das graves violações contra crianças na Faixa de Gaza, em Israel e na Cisjordânia sob ocupação, incluindo Jerusalém Oriental, apesar dos meus repetidos apelos às partes envolvidas para implementarem medidas para pôr fim às violações graves”, escreveu Guterres. 

 

Lista negra anual 

O relatório anual contém um anexo sobre as partes que cometem violações graves. Como já foi amplamente noticiado, pela primeira vez, as forças armadas e de segurança israelitas foram incluídas na lista por matarem e ferirem crianças e atacarem escolas e hospitais. 

O Hamas e a Jihad Islâmica Palestiniana também foram acrescentados à lista, pela primeira vez, por matarem, ferirem e raptarem crianças.   

O relatório refere que a guerra no Sudão conduziu a um aumento “impressionante” de 480% das violações graves.    

O exército sudanês e as forças militares rivais, as Forças de Suporte Rápido (RSF), estão em guerra há mais de um ano e ambas constam na lista negra por matarem e mutilarem crianças e atacarem escolas e hospitais. 

As RSF também recrutaram e utilizaram crianças, para além de cometerem violações e outras violências sexuais contra elas. 

 

UNICEF “Sem balas. Uma rosa para cada criança”. Estas foram as poderosas palavras de Majd, de 10 anos, durante uma sessão psicossocial realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e parceiros no Sudão.

 

‘Estamos a falhar para com as crianças’ 

Apesar da multiplicação e da escalada das crises descritas no relatório, mais de 10.600 crianças anteriormente associadas a forças ou grupos armados receberam proteção, ou apoio à reintegração no ano passado.   

A ONU iniciou ou manteve um compromisso com as entidades em conflito em locais como o Burkina Faso, os Camarões, a Colômbia, a República Democrática do Congo, o Iraque, Israel e os territórios palestinianos ocupados, o Mali, Moçambique, a Nigéria, a Somália, o Sudão do Sul, a Síria, a Ucrânia e o Iémen. 

Em alguns casos, este compromisso levou à adoção de medidas que visam uma melhor proteção das crianças.   

A representante especial do secretário-geral para as Crianças e para os Conflitos Armados, Virginia Gamba, afirmou que o relatório é “uma chamada de atenção”. 

“Estamos a falhar para com as crianças”, afirmou. “Apelo à comunidade internacional para que se comprometa novamente com o consenso universal para proteger as crianças dos conflitos armados e apelo aos Estados para que cumpram a sua responsabilidade primária de proteger as suas populações e respeitem todas as normas e padrões aplicáveis na gestão de situações de conflito armado.” 

 

 

Artigo ONU News aqui

O Dia Mundial contra o Trabalho Infantil chama a atenção para a situação de 160 milhões de crianças

Unicef/Delil Souleiman Nações Unidas registraram “progressos constantes” na redução do trabalho infantil desde o ano 2000

 

As Nações Unidas apelam a uma ação firme por parte dos países para pôr fim a este tipo de atividade em todas as suas formas; mais de 90% do total mundial situa-se nas regiões de África e da Ásia-Pacífico; as Américas contam com 11 milhões de menores a trabalhar com idade inferior à mínima permitida. 

 

A celebração do Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, a 12 de junho, realça a situação de 160 milhões de crianças envolvidas neste tipo de atividades. O total corresponde a um em cada 10 menores em todo o planeta. 

A data coincide com os 25 anos da adoção da Convenção da Organização Internacional do Trabalho, OIT, sobre as Piores Formas de Trabalho Infantil. O tratado apresenta a classificação dos diferentes países. 

Foi no dia 21 de setembro de 1990, que Portugal ratificou a Convenção sobre os Direitos das Crianças, promovida pela Assembleia Geral das Nações Unidas e a UNICEF. Esta convenção, N.º 182, relativa à interdição das piores formas de trabalho das crianças e à ação imediata com vista à sua eliminação, foi o tratado das Nações Unidas assinado por mais países até à data de hoje. 

 

Unicef/Roger LeMoyne ONU destaca “a hora de tornar a eliminação do trabalho infantil uma realidade”

 

Apelo à Ação de Durban de 2022 

As Nações Unidas apelam a uma ação mais forte a nível nacional, regional e internacional para acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas, nomeadamente através de políticas e centrando-se nas causas definidas no Apelo à Ação de Durban 2022. 

A agência da ONU está a mobilizar as autoridades para que ratifiquem e implementem de forma eficaz a Convenção da OIT sobre as Piores Formas de Trabalho Infantil, bem como o tratado sobre a idade mínima. O objetivo é que todas as crianças tenham proteção legal contra o trabalho infantil em todas as suas formas. 

As Nações Unidas registaram “progressos constantes” na redução do trabalho infantil desde 2000, mas com os conflitos, as crises e a pandemia da Covid-19 houve recuos nos últimos anos porque “mais famílias foram empurradas para a pobreza”. 

 

Pressão sobre famílias e comunidades 

Outra questão que tem aumentado o número de menores a trabalhar abaixo da idade mínima é a ausência ou lacunas na inclusão no crescimento económico para aliviar as pressões que levam as famílias e as comunidades a recorrer ao trabalho infantil. 

Em termos de regiões, África é a mais afetada por crianças envolvidas em trabalho infantil, com 72 milhões, ou seja, um quinto do total mundial. Seguem-se a Ásia e o Pacífico com 7 por cento, o que corresponde a 62 milhões. As duas regiões representam 90 por cento do total global de menores que trabalham abaixo da idade permitida. 

 

OIT/Minette Rimando Estados Árabes concentram 1 milhão de menores a trabalhar

 

Economias de médio rendimento 

Nas Américas, há 11 milhões de menores a trabalhar, enquanto na Europa e na Ásia Central há cerca de 6 milhões. Os Estados Árabes concentram 1 milhão de menores nesta situação. 

Em Portugal, embora não existam dados oficiais, o trabalho infantil continua presente, nomeadamente nas áreas de artes, moda e desporto.  

Embora a percentagem de crianças envolvidas em trabalho infantil seja mais elevada nos países de baixo rendimento, os números absolutos são mais altos nas economias de rendimento médio.  

A ONU destaca “o momento de tornar a eliminação do trabalho infantil uma realidade”, cumprindo a meta 8.7 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que prevê a eliminação da prática em todas as suas formas até 2025. 

Conselho de Segurança adota resolução para um cessar-fogo em Gaza

UN Photo/Eskinder Debebe Vista do Conselho de Segurança da ONU enquanto os membros votam a favor do projeto de resolução sobre a situação em Gaza

 

A resolução recebeu 14 votos a favor e abstenção da Rússia; documento solicita um cessar-fogo, aceite por Israel, e incita o Hamas a aderir; resolução prevê três fases de implementação e reforça solução de dois Estados.

 

O Conselho de Segurança adotou esta segunda-feira uma resolução redigida pelos Estados Unidos que aprova a proposta de cessar-fogo anunciada a 31 de maio pelo governo norte-americano. O documento recebeu 14 votos a favor e a Rússia absteve-se.

A resolução afirma que negociação foi aceite por Israel e incita o Hamas a aceitá-la também. O documento apela ainda a ambas as partes que implementem os seus termos imediatamente e sem condições.

 

Condições da resolução

O documento prevê três fases para o cessar-fogo, a começar com o fim da violência, a libertação dos reféns, a retirada das forças israelitas das zonas povoadas de Gaza e a autorização para que os palestinianos regressem às suas casas.

O período inicial também prevê a distribuição eficaz de ajuda humanitária em Gaza, incluindo unidades habitacionais fornecidas pela comunidade internacional.

A resolução salienta que o cessar-fogo deve continuar enquanto as negociações prosseguirem. O documento sublinha ainda a importância de que as partes adiram aos termos da proposta e apela a todos os Estados-membros e à própria ONU para apoiarem a sua implementação.

 

UN Photo/Eskinder Debebe

 

Solução negociada

A resolução também rejeita qualquer tentativa de alteração demográfica ou territorial em Gaza e reitera o compromisso com a visão de uma solução de dois Estados, em que Israel e a Palestina vivem lado a lado em paz, com fronteiras seguras e reconhecidas, conforme o direito internacional e as resoluções relevantes da ONU.

A decisão sublinha a importância de unificar Gaza e a Cisjordânia sob a Autoridade Palestiniana e afirma que a ONU continuará a acompanhar de perto a situação.