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Oito mitos comuns sobre as alterações climáticas desmascarados  

@UN Women/Amanda Voisard

*Artigo da autoria do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)

O mundo está a aquecer a um ritmo recorde, com um calor fora de estação a atingir quase todos os continentes da Terra. Abril, o último mês para o qual existem estatísticas disponíveis, marcou o 11º mês consecutivo em que o planeta registou um novo valor máximo em termos de temperatura. 

Segundo especialistas, este é um sinal claro de que o clima da Terra está a mudar rapidamente. Mas muitos acreditam, ou pelo menos dizem acreditar, que as alterações climáticas não são reais, baseando-se numa série de mitos bem difundidos para defender o seu ponto de vista. 

“A maioria do mundo reconhece, com razão, que as alterações climáticas são reais”, afirma o diretor interino da Divisão de Alterações Climáticas do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA), Dechen Tsering,. “Mas em muitos lugares, a desinformação está a atrasar a ação que é tão vital para combater aquele que é um dos maiores desafios que a humanidade enfrenta.” 

Este mês, os delegados reunir-se-ão em Bona, na Alemanha, para uma conferência crucial sobre as alterações climáticas. A propósito desse encontro, apresentamos aqui oito mitos comuns relacionados com o clima e a razão pela qual não são, de todo, verdadeiros. 

 

Mito #1: As alterações climáticas existiram sempre, por isso não nos devemos preocupar com elas 

É verdade que a temperatura do planeta há muito que flutua, com períodos de aquecimento e de arrefecimento. Porém, desde a última era glaciar há 10 mil anos, o clima tem-se mantido relativamente estável, o que, segundo os cientistas, tem sido crucial para o desenvolvimento da civilização humana. 

Essa estabilidade está agora a enfraquecer. A Terra está a aquecer ao ritmo mais rápido dos últimos 2 mil anos e está cerca de 1,2°C mais quente do que nos tempos pré-industriais. Os últimos 10 anos foram os mais quentes de que há registo, com 2023 a bater recordes de temperatura a nível mundial. 

Outros indicadores-chave relacionados com o clima também estão a aumentar. A temperatura dos oceanos, o nível do mar e as concentrações atmosféricas de gases com efeito de estufa estão a aumentar a um ritmo recorde, enquanto o gelo marinho e os glaciares estão a recuar a uma velocidade alarmante. 

A temperatura dos oceanos está a aumentar a um ritmo alarmante.

Mito #2: As alterações climáticas são um processo natural. Não tem nada a ver com as pessoas 

Embora as alterações climáticas sejam um processo natural, a atividade humana está a impulsioná-las. Um relatório de referência do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), que se baseia na investigação de centenas de cientistas climáticos de renome, concluiu que os seres humanos são responsáveis por quase todo o aquecimento global registado nos últimos 200 anos.    

A grande maioria do aquecimento deve-se à queima de carvão, de petróleo e de gás. A combustão destes combustíveis fósseis está a inundar a atmosfera com gases com efeito de estufa, que atuam como um cobertor à volta do planeta, retendo o calor.   

Através da medição de tudo, desde núcleos de gelo a anéis de árvores, os cientistas têm sido capazes de registar as concentrações de gases com efeito de estufa. Os níveis de dióxido de carbono são os mais elevados dos últimos 2 milhões de anos, enquanto dois outros gases com efeito de estufa, o metano e o óxido nitroso, são os mais elevados dos últimos 800 mil anos.   

 

Mito #3: Um aquecimento de alguns graus não é assim tão grave 

Na verdade, pequenos aumentos de temperatura podem colocar os delicados ecossistemas do mundo em desequilíbrio, com implicações terríveis para os seres humanos e outros seres vivos. O Acordo de Paris sobre as alterações climáticas tem como objetivo limitar o aumento da temperatura média global a “bem menos” de 2°C, e de preferência a 1,5°C, desde a era pré-industrial.   

Mesmo esta oscilação de meio grau poderia fazer uma enorme diferença. O IPCC concluiu que, com um aquecimento de 2°C, estariam regularmente expostas a temperaturas extremas mais 2 mil milhões de pessoas do que com 1,5°C. O mundo perderia também o dobro das espécies de plantas e vertebrados e três vezes mais insetos. Em algumas zonas, o rendimento das colheitas diminuiria mais de metade, ameaçando a segurança alimentar.  

Com 1,5°C de aumento da temperatura, 70% a 90% dos corais, os pilares de muitos ecossistemas submarinos, morreriam. Com um aquecimento de 2°C, cerca de 99% morreriam. O seu desaparecimento conduziria provavelmente à perda de outras espécies marinhas, muitas das quais são uma fonte essencial de proteína para as comunidades costeiras. 

“Cada fração de grau de aquecimento é importante”, afirma Tsering. 

Mito #4: Um aumento das vagas de frio mostra que as alterações climáticas não são reais 

Esta afirmação confunde tempo e clima, que são duas coisas diferentes. O tempo são as condições atmosféricas quotidianas de um local e o clima são as condições meteorológicas a longo prazo de uma região. Assim, pode existir uma vaga de frio quando a tendência geral do planeta é para o aquecimento.   

Alguns especialistas acreditam também que as alterações climáticas podem levar a um frio mais prolongado e mais intenso em alguns locais devido a alterações nos padrões dos ventos e outros fatores atmosféricos. Um estudo muito divulgado concluiu que o rápido aquecimento do Ártico pode ter perturbado a massa de ar frio que girava sobre o Pólo Norte em 2021. Este facto provocou temperaturas negativas até ao sul do Texas, nos Estados Unidos, causando prejuízos de milhares de milhões de dólares. 

Mito #5: Os cientistas discordam sobre a causa das alterações climáticas 

Um estudo de 2021 revelou que 99% da literatura científica revista por especialistas concluiu que as alterações climáticas eram induzidas pelo homem. Isso estava de acordo com um estudo amplamente lido de 2013, que descobriu que 97 % desses artigos que examinaram as causas das alterações climáticas disseram que eram provocadas pelo homem. 

“A ideia de que não existe consenso é utilizada pelos negacionistas do clima para agitar as águas e espalhar as sementes da dúvida”, diz Tsering. “Mas a comunidade científica está de acordo: o aquecimento global que estamos a enfrentar não é natural. É causado pelo homem”. 

 

Mito #6: É demasiado tarde para evitar uma catástrofe climática, por isso mais vale continuarmos a queimar combustíveis fósseis 

Embora a situação seja grave, ainda existe uma janela estreita para a humanidade evitar o pior das alterações climáticas.   

O último relatório do PNUMA sobre o défice de emissões concluiu que, se reduzirmos as emissões de gases com efeito de estufa cerca de 42% até 2030, o mundo poderá limitar o aumento da temperatura mundial a 1,5°C em comparação com os níveis pré-industriais.   

Um pouco de matemática revela que, para atingir esse objetivo, o mundo tem de reduzir as suas emissões anuais o equivalente a 22 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono em menos de sete anos. Isto pode parecer muito. No entanto, se aumentarmos o financiamento e nos concentrarmos no desenvolvimento com baixas emissões de carbono em sectores-chave como os transportes, a agricultura e a silvicultura, o mundo pode lá chegar.   

“Não há dúvida de que a tarefa que temos pela frente é enorme”, afirma Tsering. “Mas temos as soluções de que precisamos para reduzir as emissões hoje e há uma oportunidade de aumentar a ambição na nova fase dos planos nacionais de ação climática.”   

 

Mito #7: Os modelos climáticos não são fiáveis 

Os céticos do clima há muito que argumentam que os modelos informáticos utilizados para projetar as alterações climáticas não são fiáveis, na melhor das hipóteses, e completamente incorretos, na pior.   

Mas o IPCC, a maior autoridade científica do mundo em matéria de alterações climáticas, afirma que, ao longo de décadas de desenvolvimento, estes modelos têm fornecido de forma consistente “uma imagem robusta e inequívoca” do aquecimento do planeta.   

Entretanto, um estudo realizado em 2020 pela Universidade da Califórnia mostrou que os modelos de aquecimento global eram amplamente exatos. O estudo analisou 17 modelos que foram gerados entre 1970 e 2007 e concluiu que 14 deles correspondiam exatamente às observações.   

 

Mito #8: Não precisamos de nos preocupar com a redução das emissões de gases de efeito de estufa. A humanidade é inventiva; podemos simplesmente adaptar-nos às alterações climáticas 

Alguns países e comunidades podem adaptar-se ao aumento das temperaturas, à diminuição da precipitação e a outros impactos das alterações climáticas. Mas muitos não conseguem.   

Os países em desenvolvimento precisam coletivamente de entre 215 mil milhões e 387 mil milhões de dólares por ano para se adaptarem às alterações climáticas, mas só têm acesso a uma fração desse total, segundo o último relatório do PNUA sobre a lacuna de adaptação. Mesmo as nações ricas terão dificuldade em suportar o custo da adaptação, que, em alguns casos, exigirá medidas radicais, como a deslocação de comunidades vulneráveis, a relocalização de infraestruturas vitais ou a mudança de alimentos básicos.   

Em muitos locais, as pessoas já estão a enfrentar limites difíceis no que respeita à sua capacidade de adaptação. Os pequenos Estados insulares em desenvolvimento, por exemplo, não podem fazer muito para conter a subida dos mares que ameaça a sua existência. 

Sem uma ação significativa para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, as comunidades atingirão esses limites mais rapidamente e começarão a sofrer danos irreparáveis devido às mudanças climáticas, dizem os especialistas.    

 A solução setorial para a crise climática   

O PNUMA está na linha da frente do apoio ao objetivo do Acordo de Paris de manter o aumento da temperatura global bem abaixo dos 2°C, e de ter como meta 1,5°C, em comparação com os níveis pré-industriais. Para tal, o PNUMA desenvolveu a Solução Setorial, um roteiro para reduzir as emissões em todos os setores, em conformidade com os compromissos do Acordo de Paris e em busca da estabilidade climática. Os seis setores identificados são: energia; indústria; agricultura e alimentação; florestas e uso da terra; transportes; e edifícios e cidades. 

Dia Mundial dos Oceanos

O SECRETÁRIO-GERAL

MENSAGEM POR OCASIÃO DO DIA MUNDIAL DOS OCEANOS 2024

8 de junho de 2024

 

Os oceanos sustentam e melhoram toda a vida na Terra.

Mas os nossos oceanos estão em apuros. E somos nós os culpados.

As alterações climáticas provocam a subida dos mares e ameaçam a própria existência de pequenos Estados insulares em desenvolvimento e de populações costeiras.

As temperaturas recordes do mar provocam eventos climáticos extremos que nos afetam a todos.

A acidificação dos oceanos destroi os recifes de coral, quebrando um elo vital nas cadeias alimentares e ameaçando o turismo e as economias locais.

E o desenvolvimento costeiro insustentável, a pesca excessiva, a mineração em águas profundas, a poluição descontrolada e os resíduos plásticos causam estragos nos ecossistemas marinhos em todo o mundo.

No entanto, há vislumbres de esperança.

No ano passado, a Assembleia Geral da ONU adotou o histórico Acordo ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar sobre a Conservação e Utilização Sustentável da Biodiversidade Marinha em Áreas Fora da Jurisdição Nacional — o novo tratado mais importante sobre a governação dos oceanos em décadas.

O processo em curso para desenvolver um tratado juridicamente vinculativo para acabar com a poluição por plásticos proporciona outra oportunidade para avançar no nosso objetivo comum de proteger os nossos oceanos.

O recente parecer do Tribunal Internacional do Direito do Mar é outro avanço, apelando às nações para que tomem medidas para reduzir, controlar e prevenir a poluição marinha causada pelas emissões de gases com efeito de estufa.

A Cimeira do Futuro deste ano e a Conferência da ONU sobre os Oceanos do próximo ano, em França, constituem oportunidades adicionais para nos comprometermos com ações que possam restaurar e proteger os nossos preciosos ecossistemas marinhos e costeiros.

É hora de governos, empresas, investidores, cientistas e comunidades se unirem em defesa dos nossos oceanos.

No Dia Mundial dos Oceanos, vamos dar atenção ao tema deste ano e despertar mais e melhores medidas para os nossos oceanos.

Guterres sobre clima: “É o momento da verdade”

O secretário-geral das Nações unidas, António Guterres, lançou um ataque à indústria dos combustíveis fósseis num discurso por ocasião do Dia Mundial do Ambiente, 5 de Junho. Guterres apelou a uma “repressão à indústria dos combustíveis fósseis”, que acusa de gastar milhares de milhões de dólares para enganar o público. 

“Devemos confrontar diretamente aqueles na indústria dos combustíveis fósseis que demonstraram um zelo implacável em obstruir o progresso – ao longo de décadas”, disse o secretário-geral num discurso no Museu Americano de História Natural. 

 “Milhares de milhões de dólares foram gastos para distorcer a verdade, enganar o público e semear dúvidas” – sublinhou o líder da ONU. 

António Guterres salientou que muitos governos restringem ou proíbem a publicidade de produtos que prejudicam a saúde humana – como o tabaco. 

clima change
Guterres lembrou também ao público que as consequências das temperaturas mais elevadas incluiriam provavelmente o colapso da camada de gelo da Gronelândia e da Corrente Marítima do Labrador, o que perturbaria ainda mais os padrões climáticos na Europa.

“Por isso, apelou que “todos os países a proibirem a publicidade de empresas de combustíveis fósseis” e “aos meios de comunicação socail e às empresas de tecnologia que parem de aceitar publicidade de combustíveis fósseis.” 

Adicionalmente, Guterres desafiou a indústria de combustíveis fósseis a investirem seus “lucros maciços” na transição energética e ao mesmo tempo, instando ainda as instituições financeiras a parem de financiar a “destruição de combustíveis fósseis”. 

Citando novos dados dos principais cientistas climáticos, Guterres admitiu que quase dez anos desde a adoção do Acordo de Paris, a meta de limitar o aquecimento global a longo prazo a 1,5 graus Celsius está por um fio. 

“A verdade é que as emissões globais precisam de cair nove por cento todos os anos até 2030 para manter vivo o limite de 1,5 graus. Mas estamos a ir na direção errada. No ano passado, aumentaram um por cento.” 

O diplomata português lembrou também ao público que as consequências das temperaturas mais elevadas incluiriam provavelmente o colapso da camada de gelo da Gronelândia e da Corrente Marítima do Labrador, o que perturbaria ainda mais os padrões climáticos na Europa.

O Secretário-Geral António Guterres observa a neblina causada pelo fumo dos incêndios florestais no Canadá a partir do seu gabinete na sede da ONU.
António Guterres apelou a que se tomem medidas urgentes, nomeadamente, reduzir as emissões para a atmosfera.”  UN Photo/Mark Garten

“Temos o que precisamos para nos salvar”, disse Guterres. “Devemos garantir o futuro mais seguro possível para as pessoas e o planeta. Isso significa tomar medidas urgentes, especialmente durante os próximos dezoito meses: reduzir as emissões; proteger as pessoas e a natureza dos extremos climáticos; para impulsionar o financiamento climático e para reprimir a indústria dos combustíveis fósseis.” 

Guterres agradeceu aos jovens, à sociedade civil, às cidades, às regiões, às empresas e a outros que têm liderado a luta por um mundo mais seguro e mais limpo. 

“Vocês estão do lado certo da história. Vocês falam pela maioria. Continuem! Não percam a coragem. Não percam a esperança. Somos nós, os povos, contra os poluidores e os aproveitadores. Juntos, podemos vencer ,mas é hora dos líderes decidirem de que lado estão. Amanhã é tarde demais.” – conclui o líder das Nações Unidas. 

Veja discurso na íntegra aqui.

Mensagem para o Dia Mundial do Ambiente

UN Photo/Eskinder Debebe

O SECRETÁRIO-GERAL

MENSAGEM PARA O DIA MUNDIAL DO AMBIENTE

5 de junho de 2024

O tema do Dia Mundial do Ambiente deste ano é “restauração dos solos, desertificação e resistência à seca”.

A humanidade depende dos solos. No entanto, em todo o mundo, um cocktail tóxico de poluição, caos climático e dizimação da biodiversidade está a transformar terras saudáveis em desertos e ecossistemas prósperos em zonas mortas. Estão a aniquilar florestas e prados e a minar a força dos solos para sustentar ecossistemas, agricultura e comunidades.

Isto significa colheitas que falham, fontes de água que desaparecem, economias enfraquecidas e comunidades em perigo – sendo os mais pobres os mais afetados. O desenvolvimento sustentável está a ser afetado. E estamos presos num ciclo mortal – o uso da terra é responsável por onze por cento das emissões de dióxido de carbono que aquecem o nosso planeta. É hora de nos libertarmos.

Os países devem cumprir todos os seus compromissos de recuperação de ecossistemas e terrenos degradados, bem como todo a Convenção-Quadro para a Biodiversidade de Kunming-Montreal. Devem utilizar os seus novos planos nacionais de ação climática para definir a forma como irão travar e inverter a desflorestação até 2030. E temos de aumentar drasticamente o financiamento para apoiar os países em desenvolvimento a adaptarem-se às condições climáticas violentas, protegerem a natureza e apoiarem o desenvolvimento sustentável.

A inação é demasiado dispendiosa. Mas uma ação rápida e eficaz faz sentido do ponto de vista económico. Cada dólar investido na recuperação de ecossistemas gera até trinta dólares em benefícios económicos.

Nós somos a Geração Restauração. Juntos, vamos construir um futuro sustentável para a terra e para a humanidade.

10 factos pouco conhecidos sobre as forças de manutenção da paz da ONU

Unidade policial feminina da Índia em Monróvia, Libéria. UNMIL Photo/Christopher Herwig

Este ano, o Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz, celebrado a 29 de maio, analisa os contributos das forças de manutenção da paz: militares, policiais e civis nos últimos 76 anos.

A presença de forças de manutenção da paz da ONU em zonas de conflito contribui para que haja menos mortes de civis, menos violência e uma maior probabilidade de paz duradoura.

 

11 teatros de operações

Os Capacetes Azuis estão presentes um pouco por todo o mundo: atuando atualmente em 11 operações de manutenção da paz. O seu papel é ajudar os países em crise a criar as condições necessárias para uma paz duradoura.

Cinco destas missões encontram-se em África, que continua a ser o continente mais afetado pela violência, pela fome e pela instabilidade política. As forças armadas da ONU estão presentes no Sahara Ocidental (MINURSO), na República Democrática do Congo (MONUSCO), na República Centro-Africana (MINUSCA), no Sudão do Sul (UNMISS) e no Sudão/Sudão do Sul/Abyei (UNISFA).

A Europa é também um teatro de operações para as forças de manutenção da paz da ONU, no Kosovo/Sérvia (UNMIK) e no Chipre (UNFICYP).
O Médio Oriente é a região onde as forças de manutenção da paz da ONU intervêm há mais tempo. Atualmente, estão presentes no Líbano (UNIFIL), em Israel/Síria (UNDOF) e no Médio Oriente (UNTSO).

A Índia/Paquistão (UNMOGIP) é a única missão ativa na Ásia.

Vidas dedicadas ao serviço da paz

Nos últimos 76 anos, 2 milhões de homens e mulheres de 124 países diferentes participaram em operações de manutenção da paz das Nações Unidas. Este número é equivalente à força atual do Exército Popular Chinês, o maior exército do mundo.

Os países contribuem de forma diferente para a composição dos Capacetes Azuis. O maior contribuinte é o Nepal, que envia 6 124 pessoas para as operações de manutenção da paz da ONU. A Índia, o Bangladesh e o Ruanda também contribuem com cerca de 6.000 soldados cada.

Atualmente, existem 72.255 soldados de manutenção da paz da ONU. O equivalente à população do concelho de Santarém.  Até 2028, a missão de manutenção da paz da ONU tem como objetivo aumentar o número de mulheres nas suas fileiras. Atualmente, existem apenas 6.249 mulheres, ou seja, 9,7% dos efetivos.

4.370 agentes da paz perderam a vida durante as suas missões. 1.600 foram vítimas de doença, 1.400 de acidentes e 1.300 de atos dolosos (atentados, assassínios, etc.).

Este dia presta-lhes homenagem.

 

Atupele Mbewe, Bindeshwari Tanwar e Ritu Pandey, forças de manutenção da paz da UNMISS do Malawi, Índia e Nepal, respetivamente, são fotografadas com colegas na sede da missão em Juba, Sudão do Sul. Foto: UN Photo/Gregório Cunha

 

Um orçamento apertado…

O orçamento anual para as operações de manutenção da paz da ONU é de 6,1 mil milhões de dólares, ou seja, apenas 0,5% da despesa militar global. É consideravelmente menos do que o orçamento dos Jogos Olímpicos de Paris, por exemplo, que irão custar 10 mil milhões de dólares.

Os Estados Unidos (27,89%), a China (15,2%) e o Japão (8,5%) são os maiores contribuintes para as forças armadas das Nações Unidas.

 

… para missões de grande envergadura

A primeira operação de manutenção da paz da ONU foi criada em maio de 1948, quando o Conselho de Segurança da ONU autorizou o envio de observadores militares para o Médio Oriente. A Organização das Nações Unidas para a Supervisão da Trégua (UNTSO) nasceu desta missão, para monitorizar o acordo de armistício entre Israel e os seus vizinhos. Ainda hoje existe.

1,13 mil milhões de dólares: este é o custo anual da maior e mais dispendiosa missão de manutenção da paz da ONU, a MONUSCO, na República Democrática do Congo. Esta missão, criada em 2010, conta com um total de 23.000 efetivos de manutenção da paz.

Esforços de paz recompensados

Em 1988, as forças de manutenção da paz das Nações Unidas foram galardoadas com o Prémio Nobel da Paz pelas suas ações em territórios dilacerados por conflitos.

“As forças de manutenção da paz das Nações Unidas contribuíram, em condições extremamente difíceis, para reduzir as tensões em locais onde foi negociado um armistício, mas onde ainda não foi estabelecido um tratado de paz”, declarou o Comité Nobel no seu comunicado de imprensa.

Mensagem – Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz

Hoje prestamos homenagem aos mais de 76.000 soldados da paz das Nações Unidas que personificam o ideal mais elevado da humanidade: a paz. 

Oriundos de mais de 120 países, os nossos Capacetes Azuis servem em 11 operações de paz em áreas afetadas por conflitos em África, na Ásia, na Europa e no Médio Oriente. 

Dia após dia, correndo grande risco pessoal, estas mulheres e homens trabalham corajosamente em alguns dos locais mais perigosos e instáveis do planeta para proteger a população civil, defender os direitos humanos, apoiar eleições e fortalecer as instituições. 

Fazem parte de uma longa tradição. Durante mais de 75 anos, as forças de manutenção de paz das Nações Unidas apoiaram comunidades abaladas por conflitos e convulsões em 71 missões. 

Mais de 4.300 pagaram o preço mais elevado enquanto serviam sob a bandeira da ONU. Nunca os esqueceremos. 

Para que as nossas forças de manutenção da paz possam responder aos desafios de hoje e de amanhã, precisam do apoio do mundo. 

A Conferência do Futuro de setembro será um momento para os países levarem avante ideias através de uma Nova Agenda para a Paz, que liga a manutenção de paz a todos os esforços para prevenir e acabar com conflitos. 

Alcançar a paz exige muito trabalho. 

Neste dia importante, e todos os dias, vamos comprometer-nos novamente a apoiar as pessoas que trabalham pela paz: as forças de manutenção de paz da ONU. 

O que é o Tribunal Penal Internacional?

ONU/Rick Bajornas O Tribunal Penal Internacional tem sede em Haia, Holanda

Julgar os crimes mais graves, garantir que as vítimas tenham acesso à justiça, realizar julgamentos justos e complementar os tribunais nacionais são algumas das principais competências do Tribunal Penal Internacional (TPI).

 

Criado em 2002 e com sede em Haia, nos Países Baixos, o TPI é um tribunal penal que pode instaurar processos contra indivíduos por crimes de guerra ou crimes contra a humanidade.

Mais recentemente, na segunda-feira, o TPI emitiu um pedido de mandado de prisão para o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa Yoav Gallant e três líderes do Hamas, as autoridades de fato em Gaza.

Os mandados, que têm agora de ser formalmente aprovados pelos juízes do TPI, dizem respeito a alegados crimes de guerra na sequência da guerra de sete meses em Gaza, desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em Israel.

Seguem-se cinco fatos sobre o TPI e a forma como está a ajudar a construir um mundo mais justo.

 

ONU News O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, discursa no debate geral da 78ª sessão da Assembleia Geral.

 

1. Julgar os crimes mais graves

O TPI foi criado a pensar nos “milhões de crianças, mulheres e homens” que “foram vítimas de atrocidades inimagináveis que chocam profundamente a consciência da humanidade”.

É o primeiro tribunal penal internacional permanente do mundo, baseado num tratado, para investigar e julgar os autores de crimes contra a humanidade, crimes de guerra, genocídio e crimes de agressão.

O tribunal processou com êxito indivíduos por crimes de guerra cometidos na antiga Jugoslávia, incluindo em Srebrenica, e resolveu casos importantes para a justiça internacional, destacando os crimes de utilização de crianças-soldado, destruição do património cultural, violência sexual ou ataques a civis inocentes. Através dos seus julgamentos em casos exemplares, o tribunal está a criar gradualmente uma jurisprudência fiável.

O tribunal investigou alguns dos conflitos mais violentos do mundo, nomeadamente em territórios como no Darfur, no Sudão, em Gaza, nos Territórios Palestinos, e em países como a República Democrática do Congo, a Geórgia e a Ucrânia. Atualmente, realiza audiências públicas, com 31 casos na sua agenda, e sua lista de mandados inclui o presidente russo Vladimir Putin, bem como indivíduos na Líbia.

No entanto, a emissão de um mandado e a detenção de suspeitos é um desafio. O tribunal não tem polícia para fazer cumprir os seus mandados e depende dos seus Estados-membros para implementar as suas ordens. A maioria dos indivíduos acusados pelo tribunal são de países africanos.

2. Participação das vítimas

Durante o processo do TPI, há depoimentos de testemunhas ou advogados que representam as opiniões das vítimas em tribunal. Os seus relatos são essenciais para o processo judicial.

O tribunal não só julga e pune os responsáveis pelos crimes mais graves, como também assegura que as vozes das vítimas sejam ouvidas. As vítimas são as pessoas que sofreram danos em resultado da prática de qualquer infração da competência do tribunal.

As vítimas participam em todas as fases dos processos judiciais do TPI. Mais de 10.000 pessoas que sofreram atrocidades participaram nos processos, e o tribunal mantém contato direto com as comunidades afetadas por crimes dentro de sua jurisdição através de programas de assistência.

O tribunal também procura proteger a segurança e a integridade física e psicológica das vítimas e testemunhas. Embora as vítimas não possam apresentar processos, podem apresentar informações ao procurador, nomeadamente para decidir se deve ser aberta uma investigação.

O Fundo Fiduciário do TPI para Vítimas está atualmente a executar as primeiras ordens do Tribunal em matérias de reparações, incluindo pedidos de reparações a indivíduos e às suas famílias na República Democrática do Congo. Através dos seus programas de assistência, o Fundo Fiduciário prestou também apoio físico, psicológico e socioeconómico a mais de 450 000 vítimas.

 

ICC O promotor do TPI Karim Khan visita o aterro sanitário em Tarhunah, na Líbia, onde foram identificadas várias valas comuns.

 

3. Garantia de julgamentos justos

Todos os arguidos são presumidos inocentes até que a sua culpabilidade seja provada sem margem para dúvidas perante o TPI. Todos os arguidos têm direito a um julgamento público e imparcial.

No TPI, os suspeitos e arguidos têm direitos fundamentais, nomeadamente: ser informados das acusações; dispor de tempo e instalações adequados para preparar a sua defesa, ser julgados sem atrasos injustificados e escolher livremente um advogado.

Entre estes direitos consta o direito de acompanhar o processo numa língua que o arguido compreenda plenamente. Este fato levou o Tribunal a contratar intérpretes e tradutores especializados em mais de 40 línguas, recorrendo por vezes a quatro em simultâneo durante a mesma audiência.

Nos seus primeiros 20 anos, os participantes depararam-se com uma variedade de novos desafios substantivos e processuais, a quilómetros de distância dos locais dos crimes.

Além disso, os crimes julgados pelo TPI são de natureza específica e frequentemente crimes em massa que exigem uma quantidade significativa de provas e um grande esforço para garantir a segurança das testemunhas. Os procedimentos são complexos e há muitas questões que têm de ser resolvidas nos bastidores no decorrer de um processo.

4. Complementaridade dos tribunais nacionais

O tribunal não substitui as instituições judiciais nacionais. Trata-se de um tribunal de última instância. Os Estados têm a responsabilidade primária de investigar, processar e punir os autores dos crimes mais graves.

O tribunal só intervirá se o Estado no qual os crimes graves sob a jurisdição do tribunal foram cometidos não quiser ou não puder efetivamente lidar com eles.

Os recursos do tribunal continuam a ser limitados e este só pode tratar de um pequeno número de casos de cada vez. O tribunal trabalha em conjunto com tribunais nacionais e internacionais.

 

Finbarr O’Reilly  Dorika, uma sobrevivente de estupro no conflito de Kivu do Norte, República Democrática do Congo.

 

5. Reforçar o apoio à justiça

Com o apoio de mais de 120 Estados-membros, de todos os continentes, o TPI estabeleceu-se como uma instituição judicial permanente e independente.

Mas, ao contrário dos sistemas judiciais nacionais, o tribunal não tem sua própria polícia. Este depende da cooperação dos Estados, inclusive para implementar os seus mandados de detenção ou atos de intimação.

O tribunal também não dispõe de território para realocar testemunhas que estejam em risco. Por conseguinte, o TPI depende em grande medida do apoio e da cooperação dos Estados.

Qual é a diferença entre o TIJ e o TPI?

É frequente a confusão entre o Tribunal Penal Internacional (TPI) e o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ).

A forma mais simples de explicar a diferença é que os casos do TIJ envolvem países, e o TPI é um tribunal penal que julga indivíduos por crimes de guerra ou crimes contra a humanidade.

Além disso, enquanto que o TIJ é um órgão das Nações Unidas, o TPI é juridicamente independente da ONU, embora seja endossado pela Assembleia Geral.

Embora nem todos os 193 Estados-membros da ONU sejam partes do TPI, este pode iniciar investigações e abrir processos relativos a alegados crimes cometidos no território ou por um cidadão de um Estado parte do TPI ou de um Estado que tenha aceitado a sua jurisdição.

Mensagem para o Dia Internacional da Biodiversidade

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A complexa teia de biodiversidade do mundo sustenta toda a vida na Terra. No entanto, está a desfazer-se a uma velocidade alarmante – e a culpa é da humanidade.

Estamos a contaminar a terra, os oceanos e a água doce com poluição tóxica, a destruir paisagens e ecossistemas e a perturbar o nosso precioso clima com emissões de gases com efeito de estufa. A dizimação da biodiversidade prejudica o desenvolvimento sustentável atual e cria um amanhã perigoso e incerto.

O Quadro Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal oferece um caminho para inverter a perda e restaurar a biodiversidade – ao mesmo tempo que cria empregos, reforça a resiliência e estimula o desenvolvimento sustentável.

Os governos devem liderar. Mas, como nos recorda o Dia Internacional da Biodiversidade deste ano, todos nós somos “Parte do Plano” – todos temos um papel a desempenhar. Os povos indígenas, as empresas, as instituições financeiras, as autoridades locais e regionais, a sociedade civil, as mulheres, os jovens e as universidades devem trabalhar em conjunto para valorizar, proteger e recuperar a biodiversidade de uma forma que beneficie todos.

Ao assinalarmos este Dia da Biodiversidade, comprometamo-nos a fazer parte do Plano. Vamos agir com urgência para colocar a biodiversidade numa via de recuperação. E vamos construir uma ambição para a COP16 da CDB, em outubro, para proteger o planeta e criar um futuro mais sustentável para todos nós.

Entrevista a Joana Lima Madureira – OMS

Estudou medicina e é uma apaixonada pelas políticas públicas globais de saúde. Depois de terminar o doutoramento em Oxford, Joana Lima Madureira começou a trabalhar para a Organização Mundial de Saúde (OMS) onde exerceu vários cargos nesta área. Já passou pela Rússia, Itália, Quirguistão e é desde Manila, nas Filipinas, onde se encontra atualmente, que partilhou um pouco do seu percurso e da sua experiência com a ONU Portugal, deixando também algumas dicas a quem um dia queira trabalhar nesta agência especializada do sistema das Nações Unidas.

 

ONU Portugal: Qual é o seu percurso académico e profissional até chegar ao sistema das Nações Unidas?


Joana Lima Madureira:
Eu sou médica, ou seja, formei-me em medicina pela Universidade de Barcelona, mas nunca exerci medicina. Durante o curso sempre tive muito interesse em saúde global porque a minha universidade tinha uma componente de saúde global muito forte, que sempre me inspirou muito. Passei 2 anos no Karolinska Institute, em Estocolmo, que também já na altura era bastante inovador porque tinha um currículo especializado em saúde global, que na altura para nós era muito inspirador, porque se debruçava sobre a promoção do bem-estar e tratar populações através de boas políticas públicas. Isto foi-nos incutido muito cedo no curso e, portanto, quando acabei fui diretamente fazer um mestrado em saúde global em Oxford, uma experiência também muito enriquecedora porque havia pessoas de 17 nacionalidades, com perspetivas de saúde global muito críticas, o que nos permitiu trocar experiências. Daí fui trabalhar para Bruxelas, para a European Public Health Alliance, que é basicamente uma organização que representa variadíssimas outras organizações europeias em saúde, desde nutrição até a associações profissionais de enfermeiros, de médicos, etc, e nós representávamos os interesses da saúde pública a nível europeu. Foi uma aprendizagem muito importante sobre os processos de políticas públicas em saúde, como se formulam e implementam. Na altura senti a necessidade de me especializar, já que não tinha feito uma especialidade clínica, por isso, voltei à Academia para fazer um doutoramento, também em Oxford, sobre determinantes comerciais de saúde. No final do doutoramento comecei a trabalhar para a OMS.

 

ONU Portugal: E como é que aconteceu essa entrada na Organização Mundial de Saúde?  

JLM: É interessante porque tinha a ver com a minha com a minha tese de doutoramento, ou seja, a investigação que eu estava a fazer na altura usava muitos dados da OMS e tinha muitas vezes de calibrar dados e usar metodologias que os colegas da OMS tinham desenvolvido, por isso, na altura surgiu uma vaga para um escritório de doenças não transmissíveis em Moscovo e comecei a trabalhar lá no Programa de Álcool e Drogas. Depois, passei lá uns meses, mas rapidamente transitei para outro escritório, desta vez em Veneza, que é um escritório que se foca exclusivamente na questão de determinantes sociais da saúde, que no fundo, acaba por estudar todos os fatores que estão fora do sistema de saúde, mas que também contribuem para a saúde das pessoas. Eu acho que é fácil pensar em exemplos como, por exemplo, o nível de educação, que influencia as escolhas na saúde.

Joana Lima Moreira e equipa visitam o município de Leyte, nas Filipinas, onde a OMS apoia o governo local no desenvolvimento de politicas de saúde e bem estar.

ONU Portugal: A questão do acesso é fundamental….

JLM: Este escritório da OMS dedica-se a questões específicas do investimento. No setor da saúde e da parte social à volta da saúde e dedicava-me sobretudo às questões das desigualdades sociais em saúde, portanto, nós sabemos que há um gradiente social em saúde, tanto na saúde das pessoas como com níveis de rendimento. Isto não se verifica só em Portugal, mas também em todo o mundo.

Na prática, analisávamos que políticas públicas funcionam e as que não funcionam e como se pode reduzir as desigualdades na saúde. Fiquei com muita vontade de aplicar este conhecimento mais técnico à realidade de um país e surgiu a oportunidade de trabalhar na Ásia Central e fui para o Quirguistão, um país fascinante, onde tive a oportunidade de trabalhar com uma proximidade muito grande com os ministérios, não só com o Ministério da Saúde, mas também com várias outras entidades, como a Academia e vários outros setores dentro da saúde.

ONU Portugal: E depois Manila, nas Filipinas…

JLM: Aqui é ligeiramente diferente, porque estou agora num escritório regional que cobre a área do Pacífico Ocidental, onde trabalhamos países como a Nova Zelândia ou Austrália, mas também o Camboja, o Vietname, a China e o Japão. Portanto, é uma área geográfica onde damos assistência técnica, mas é realmente muito vasta.

ONU Portugal: Para quem almeja um dia vir a trabalhar na Organização Mundial de Saúde, pode explicar um pouco como funcionam os processos? O que devem fazer para serem candidatos à Organização Mundial de Saúde?

JLM: Na posição que tenho atualmente tenho que selecionar algumas pessoas para estas posições. É muito importante que a pessoa tenha experiência no país de onde vem. Para mim um candidato que tenha muita experiência em lidar com o Ministério da Saúde do seu país é uma mais-valia. Porquê? Porque são frequentemente o nosso principal interlocutor nestes diálogos de assistência técnica, portanto, é muito importante ter na nossa equipa alguém que já esteve do outro lado. Às vezes há esta ideia de que é necessário ter muita experiência internacional. Sem dúvida, a experiência internacional é importante, quanto a mim é um dos critérios, mas o que valorizo é a experiência do indivíduo com o seu próprio governo.

Portanto, ter alguém na nossa equipa que conhece a OMS, que já esteve do outro lado e que sabe exatamente como devemos abordar a pessoa que está do outro lado do telefone, outra pessoa que está na reunião. Portanto, essa parte para mim é muito importante. Ou seja, a experiência internacional é, de facto, muito importante mas também é preciso ter em mente que para pessoas de certos contextos é muito difícil terem os recursos financeiros para ganhar experiência Internacional e, portanto, isso também é tido em consideração.

ONU Portugal: Orgulhosa de trabalhar para a Organização Mundial de Saúde?

JLM: Sim, sem dúvida. Nesta interação com os países, quando se trabalha com os colegas, que estão do outro lado e que recebem assistência percebe-se que juntos fazemos mais, portanto, a troca de experiências no fundo permite perceber se o que funciona num país pode funcionar noutro. É aqui que, por exemplo, tenho muito orgulho em fazer estas pontes entre países, sem dúvida nenhuma.

Dia Mundial da Língua Portuguesa: relevância e desafios do multilinguismo

Discurso de abertura do ministro do governo da região de Bruxelas, responsável pela promoção do multilinguismo, Sven Gatz

Para assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, declarado pela UNESCO em 2019, a Embaixada de Portugal na Bélgica e o Centro Regional das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC) organizaram um seminário que abordou a relevância do multilinguismo e os seus múltiplos desafios, como o rápido desenvolvimento da inteligência artificial, e o papel da língua portuguesa na Bélgica, na Europa e no Mundo. O evento contou com um discurso de abertura do ministro do governo da região de Bruxelas, responsável pela promoção do multilinguismo, Sven Gatz, seguido por dois painéis de discussão. O primeiro com o tema “Multilinguismo na Europa: um trunfo para o futuro?” e o segundo acerca da “língua portuguesa na Bélgica, na Europa e no mundo”.

No seu discurso de abertura, o ministro do Governo da Região de Bruxelas mencionou que “o que nos une hoje aqui é o facto de acreditarmos no poder do multilinguismo”, principalmente numa cidade como Bruxelas, em que “o multilinguismo faz parte do seu ADN”.

O primeiro painel, moderado pela diretora adjunta do UNRIC, Caroline Petit, começou com uma intervenção por parte da perita em multilinguismo da Comissão Europeia, Anna Solé Mena, que afirmou que “os Estados-membros aspiram coletivamente a que os jovens saiam do ensino secundário a falar bem não só a língua utilizada na escola, mas também outras duas línguas adicionais”. “Este é o objetivo de toda a União Europeia” enfatizou. Pauline van der Straten Waillet, logopedista e professora na Universidade Livre de Bruxelas, explicou o fenómeno do multilinguismo nas crianças, e como estas adquirirem várias línguas ao estarem expostas às mesmas. No entanto, “exposição não é suficiente, um input linguístico rico é necessário, ou seja, quantidade e qualidade elevadas”. Por fim, o oficial de coordenação para a cultura da UNESCO em Bruxelas, Oriol Freixa Matalonga, acrescentou que “a nomeação deste dia pela UNESCO é um compromisso da humanidade para proteger a língua portuguesa, e é importante promover este dia nas nossas comunidades”. Os três painelistas reforçaram assim a importância do multilinguismo nas diferentes idades e a necessidade de garantir a sua proteção por parte dos Estados-membros.

Oficial de coordenação para a cultura da UNESCO em Bruxelas, Oriol Freixa Matalonga, diretora adjunta do UNRIC, Caroline Petit, logopedista e professora na Universidade Livre de Bruxelas, Pauline van der Straten Waillet e perita em multilinguismo da Comissão Europeia, Anna Solé Mena

O segundo painel contou com a moderação da docente do Instituto Camões Ana Corga Vieira que relembrou que, antes de ser reconhecida pela UNESCO, esta data já constava do calendário da CPLP. A docente começou por convidar o embaixador do Brasil, João Mendes Pereira, a comentar o carácter pluricêntrico da língua portuguesa, neste caso no seu país. O embaixador afirmou que “a língua portuguesa nos deu uma dimensão comum e permitiu-nos estar ligados durante séculos. E o mesmo se aplica à ligação com os nossos parceiros da CPLP”. António Branco, diretor geral da Infraestrutura de Investigação PORTULAN CLARIN para a Ciência e Tecnologia da Linguagem, abordou o futuro impacto da intermediação tecnológica no uso da língua portuguesa. “Há 30 anos que existe um congresso científico dedicado ao processo computacional da língua portuguesa” comentou, “e temos estado a fazer o nosso melhor para preparar a língua portuguesa para a era digital”. O diretor geral destacou também que, na sua opinião, “a Europa está a ficar para trás no domínio da inteligência artificial (AI) e temos de ser agentes ativos desta transformação da IA na utilização da língua”. Por último, o chefe da Divisão de Programação, Formação e Certificação Rui Azevedo afirmou que “o multilinguismo nos alunos portugueses está presente todos os dias nas salas de aula e tem várias vantagens, como a herança da identidade cultural, o bilinguismo, o desenvolvimento cognitivo e as vantagens académicas e profissionais”.

Docente do Instituto Camões Ana Corga Vieira, diretor geral da Infraestrutura de Investigação PORTULAN CLARIN para a Ciência e Tecnologia da Linguagem, António Branco e chefe da Divisão de Programação, Formação e Certificação Rui Azevedo

Para finalizar o seminário, o embaixador de Portugal junto da Bélgica, Jorge Cabral, partilhou um breve discurso de agradecimento onde sumarizou os assuntos debatidos nos painéis e salientou a ideia de que “o multilinguismo tem muitos efeitos benéficos e ter uma atitude positiva em relação a este fenómeno contribuirá para uma sociedade mais diversificada e tolerante”.

Mensagem para o Dia Internacional contra a Homofobia, a Bifobia e a Transfobia

UN Photo/Mark Garten

Neste Dia Internacional contra a Homofobia, a Bifobia e a Transfobia, saúdo o trabalho corajoso dos defensores dos direitos humanos das pessoas LGBTIQ+ que lutam para acabar com a discriminação e garantir a igualdade perante a lei.

No entanto, há uma tendência preocupante na direção oposta. Novas leis estão a codificar velhos preconceitos, a explorar medos e a alimentar o ódio.

O tema do Dia deste ano – “Ninguém fica para trás: igualdade, liberdade e justiça para todos” – relembra-nos a nossa obrigação de respeitar os direitos humanos e a dignidade de cada pessoa. Precisamos de ação por todo o mundo para tornar esses direitos uma realidade.

A criminalização das relações entre pessoas do mesmo sexo tem de acabar, assim como toda a violência, discriminação e práticas prejudiciais contra as comunidades LGBTIQ+.

Neste dia e em todos os outros dias, vamos comprometer-nos a construir um mundo de respeito, dignidade e direitos humanos para todos em todo o mundo.

Cine ONU: “Lindo” celebra língua portuguesa e alerta para desafios dos ecossistemas

Painel de discussão moderado por Sherri Aldis, diretora do UNRIC. Margarida Gramaxo, realizadora do documentário, Sophie Mirgot, enviada especial da Bélgica para os oceanos, Vera Coelho, vice-presidente adjunta da Oceana para a Europa e Pablo Sagredo Martin, funcionário do Programa das Nações Unidas para o Ambiente.

Para assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa (UNESCO) e a Década das Nações Unidas para a Restauração dos Ecossistemas, a Embaixada de Portugal junto do Reino da Bélgica, o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA) e o Centro Regional das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC) organizaram uma sessão do Cine ONU, com a apresentação do filme “Lindo”, de Margarida Gramaxo, em Bruxelas.

O documentário conta a história de Lindo que, durante 20 anos, caçou tartarugas marinhas na Ilha do Príncipe. Depois de um encontro inesperado com uma tartaruga extraordinariamente gentil, Lindo decidiu mudar a sua vida e começar a proteger o animal de outros predadores. Agora, Lindo mergulha no seu passado em busca de pistas que suscitam um debate sobre o futuro da ilha, levando a uma reflexão sobre o desafiante equilíbrio entre o Homem e a Natureza.

Embaixador de Portugal Jorge Cabral, Sherri Aldis, diretora do UNRIC, Margarida Gramaxo, realizadora do documentário, Sophie Mirgot, enviada especial da Bélgica para os oceanos, Vera Coelho, vice-presidente adjunta da Oceana para a Europa e Pablo Sagredo Martin, funcionário do Programa das Nações Unidas para o Ambiente.

O início desta edição do CINE ONU contou com uma intervenção do embaixador de Portugal, Jorge Cabral, que sublinhou que “a língua portuguesa é o veículo de uma extraordinária riqueza cultural, unindo famílias, comunidades e nações, de um lado ao outro do mundo”.

O debate, moderado pela diretora do UNRIC, Sherri Aldis, começou com uma breve apresentação do documentário por parte da realizadora, que explicou como surgiu a ideia de contar a história de Lindo. “Em 2016 foi quando percebi realmente como é aquela ilha e fiquei fascinada, por isso decidi que este documentário tem de ser uma carta de amor para com a natureza”. Margarida mencionou também alguns dos desafios que enfrentou durante a realização do documentário, como a necessidade de estabelecer a confiança dos locais, um processo demorado, e também a dificuldade em gravar certas partes com as tartarugas no seu habitat.

De seguida, a enviada especial da Bélgica para os oceanos, Sophie Mirgot, fez a ligação entre o documentário e a importância de restauração dos ecossistemas e a proteção dos oceanos. Sophie afirmou que ” se queremos que o oceano continue a ter um papel tão positivo no nosso ecossistema, como absorver o calor excessivo provocado pelas alterações climáticas, temos de o manter saudável”. A enviada especial da Bélgica para os oceanos realçou também a importância de olhar para os nossos oceanos como um só, afirmando apenas dessa maneira é possível fazer a diferença.

 

Cinema Galeries, Bruxelas

A vice-presidente adjunta da Oceana para a Europa, Vera Coelho, esteve também presente neste painel onde mencionou que aquela Organização Não-Governamental (ONG) trabalha continuamente para exercer influência nas políticas europeias, afirmando com orgulho que “conseguimos alcançar uma política comum de pescas que proíbe muito explicitamente a sobrepesca”. Vera fez também questão de relembrar a audiência acerca da importância dos oceanos, “se não fossem os oceanos, a nossa atmosfera estaria, atualmente, 30 graus mais quente, daí mais uma razão para os proteger”. Pablo Sagredo Martin, funcionário do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA), aprofundou o tema dos países em desenvolvimento. Pablo mencionou a Blue Transformation Innitiative, cujo objetivo é encontrar um equilíbrio entre assegurar uma vida adequada para pescadores e famílias que dependem dos oceanos e ter práticas sustentáveis para com os mesmos.

Esta temática insere-se na Década da Nações Unidas para a Restauração dos Ecossistemas que tem por objetivo prevenir, travar e reverter a degradação dos ecossistemas em todos os continentes e oceanos. A recuperação dos ecossistemas ajudará a erradicar a pobreza, combater as mudanças climáticas e a prevenir uma extinção em massa.

Evento da língua portuguesa na ONU enaltece diversidade cultural

Foto ONU News

Secretário-geral destaca o papel da língua em áreas como a cooperação global, a influência e a relevância para milhões de pessoas em todo o mundo; líder da ONU reforçou ainda o papel do multilinguismo na organização e na compreensão do mundo.

 

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, discursou esta segunda-feira num evento comemorativo do Dia Mundial da Língua Portuguesa, realizado na sede da Organização, em Nova Iorque. A data é assinalada a 5 de maio.

António Guterres sublinhou a importância da língua como elo de ligação entre culturas e comunidades de todo o mundo e considerou que a língua portuguesa, falada por centenas de milhões de pessoas, é uma força unificadora que transcende fronteiras e promove a compreensão mútua.

ONU News: O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, discursou esta segunda-feira no evento de celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa

Diversidade cultural

“A língua portuguesa é um testemunho do poder da ligação humana e da diversidade cultural”

O chefe da ONU sublinhou como a língua serve de veículo de expressão na diplomacia, nas artes e na literatura, ligando países da Europa à América do Sul, de África à Ásia e à Oceânia.

Uma das iniciativas mencionadas foi a criação de uma secção dedicada a livros em língua portuguesa na biblioteca das Nações Unidas. Esta medida, segundo Guterres, representa um reconhecimento da riqueza cultural e intelectual dos países de língua portuguesa, contribuindo para o enriquecimento do conhecimento e da cultura mundial.

 

Multilinguismo

Além disso, no seu discurso sublinhou o papel crucial do multilinguismo nas Nações Unidas e referiu que o português é já uma língua de trabalho em algumas agências da ONU, enfatizando a importância de promover a diversidade linguística para uma maior cooperação global.

Guterres referiu que o serviço de notícias da ONU em português, em articulação com a equipa das redes sociais e com os Centros de Informação da ONU e Escritórios Regionais Lusófonos, evidencia a crescente procura de informação em português e justifica o esforço de reforçar a proximidade entre as pessoas que consomem os conteúdos.

Outro ponto destacado foi a colaboração com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O secretário-geral enalteceu os valores do diálogo e da solidariedade que estão na base desta instituição, destacando o seu empenho em questões como a juventude, a igualdade de género, a digitalização e o desenvolvimento sustentável.

O discurso terminou com um apelo ao compromisso com a paz, com os direitos humanos e com o desenvolvimento sustentável.

 

Um mundo mais inclusivo e equitativo

O secretário-geral manifestou confiança na capacidade da língua portuguesa e da cooperação entre os países lusófonos para enfrentar os desafios globais e promover um mundo mais inclusivo e equitativo.

A celebração contou com música ao vivo, gastronomia e a presença de representantes diplomáticos internacionais, incluindo embaixadores dos nove países membros da CPLP.

A Missão do Brasil junto da ONU organizou a celebração em parceria com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e o Instituto Guimarães Rosa, que promove a diplomacia cultural e educativa.

 

*artigo da autoria da ONU News

PNUMA e Arábia Saudita promovem campanhas para o Dia Mundial do Meio Ambiente

UN Photo/Martine Perret

Os anfitriões do Dia Mundial do Meio Ambiente de 2024, o Reino da Arábia Saudita e o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA) lançaram campanhas para combater a desertificação, restaurar os solos e aumentar a resiliência à seca antes das celebrações globais deste Dia que se assinala a 5 de junho na capital do país, Riade.

“Chegou o momento de agir segundo os compromissos assumidos para prevenir, travar e inverter a degradação dos ecossistemas”, afirmou a diretora executiva adjunta do PNUMA Elizabeth Mrema, ao lançar a campanha mundial num evento da Semana do Ambiente Saudita, em Riade.

“Somos a primeira geração a compreender plenamente as imensas ameaças à terra e podemos ser a última a ter a oportunidade de inverter o processo de destruição. A nossa prioridade agora deve ser a restauração dos ecossistemas – a reflorestação das nossas florestas, a recuperação dos nossos pântanos e a revitalização dos nossos solos”, acrescentou.

Ambas as campanhas irão promover a liderança na restauração de terras e darão destaque aos compromissos assumidos pelo país no sentido de combater as alterações climáticas através da regeneração e da reflorestação de enormes extensões de terras áridas e semiáridas. A Arábia Saudita está a liderar a Iniciativa Global Terra do G20, lançada durante a sua Presidência do G20, em 2020, e irá acolher também a maior conferência de sempre da ONU sobre solos e secas em Riade, de 2 a 13 de dezembro de 2024 – a 16.ª sessão da Conferência das Partes da Convenção dos Solos e Secas (COP16).

Em março de 2019, a Assembleia Geral das Nações Unidas adotou uma resolução que declara 2021-2030 a Década das Nações Unidas para a Restauração dos Ecossistemas. Este Dia Mundial do Ambiente pretende apoiar o progresso mais rápido destes compromissos, com a campanha da Arábia Saudita a relacionar-se com o tema da COP-16, “A nossa terra, o nosso futuro”, e com o slogan “Somos a #GeraçãoRestauração” da Década das Nações Unidas para a Restauração dos Ecossistemas.

 

UN Photo/Evan Schneider

A nível mundial, os países comprometeram-se a restaurar mil milhões de hectares de terra- uma área maior do que a China – protegendo 30% da terra e do mar e restaurando 30% dos ecossistemas degradados do planeta. Defendendo a Agenda 2030, que visa colocar o mundo num caminho sustentável e resiliente e unir forças para proteger as pessoas e o planeta, o Dia Mundial do Ambiente 2024 contribuirá para criar uma dinâmica de ação climática, mobilizando apoio para o trabalho vital de recuperação dos ecossistemas.

O Dia Mundial do Ambiente, assinalado anualmente a 5 de junho, foi instaurado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1972. Nas últimas cinco décadas, tornou-se uma das maiores plataformas globais de sensibilização ambiental, com dezenas de milhões de pessoas a participarem em atividades e eventos online ou presenciais em todo o mundo.

 

Sobre o Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA)

O PNUMA é a principal voz mundial no que respeita ao ambiente. O programa proporciona liderança e incentiva a parceria na proteção do ambiente, inspirando, informando e permitindo que os países e os povos melhorem a sua qualidade de vida sem comprometer a das gerações futuras.

Para mais informações, contactar:

Unidade de Notícias e Media do Programa das Nações Unidas para o Ambiente

Mensagem – Dia Mundial da Língua Portuguesa

A Língua Portuguesa é um tesouro inestimável que transcende fronteiras e oceanos.

Falada por centenas de milhões de pessoas, é o veículo de uma riqueza cultural extraordinária, unindo comunidades e nações, em diferentes partes do mundo.

Uma mesma língua, uma vasta pluralidade de vozes.

E essa diversidade é tão mais rica quanto mais intensa é a colaboração entre os países de língua portuguesa, em áreas como a educação, a cultura, a ciência e a investigação.

Esta língua é uma herança comum e é uma preciosa semente de futuro.

E o seu futuro deve, também, afirmar-se no espaço público virtual, com a expansão dos conteúdos culturais e científicos em português – porque a sociedade do conhecimento só será verdadeiramente global, aberta e inclusiva se for uma sociedade multilíngue.

Neste Dia Mundial da Língua Portuguesa, saúdo o trabalho da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa na promoção desse património linguístico e cultural e no fortalecimento dos laços entre os povos que a integram.

As Nações Unidas permanecem empenhadas na cooperação com a CPLP e acreditam firmemente que o multilinguismo e a diversidade cultural contribuem para a construção de um mundo mais pacífico, inclusivo e unido.

E, neste ano em que a Cimeira do Futuro nos convidará a pensar nos passos a tomar para esse mundo mais pacífico, inclusivo e unido, urge lembrar, como escreveu Agostinho Neto, que “a esperança somos nós”.

Muito obrigado.