Texto segue para promulgação do presidente do país; chefe dos Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, lembra que penalidade é incompatível com princípios fundamentais dos direitos humanos e da dignidade; país tem moratória da pena de morte desde 1981.
Time to Turn the Tide
O podcast da UNRIC sobre a Conferência dos Oceanos
O que está em jogo quando falamos do futuro dos oceanos? Quais são os desafios? Onde podemos encontrar soluções? O que é esperado da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas?
Perguntámos aos especialistas. O novo podcast do Centro de Informação Regional das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC), “Time to Turn the Tide”, em português “hora de inverter a maré”, procura dar um entendimento aprofundado sobre os desafios que os oceanos enfrentam e enfatizar a importância da cooperação internacional para melhor os proteger e explorar.
Cabe a cada um de nós contribuir para fazer a diferença e melhorar a relação humana com os oceanos, preservando este valioso recurso e revertendo a sua deterioração. Neste podcast mostramos como isso pode ser conseguido.
É tempo de começar um novo capítulo para a ação global dos oceanos. O futuro dos oceanos decide-se em Lisboa. Chegou a hora de “inverter a maré”.
EP#1 Miguel Serpa Soares
Miguel Serpa Soares, subsecretário geral da ONU para os Assuntos Legais, tem grandes expectativas para a Conferência dos Oceanos. As metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14: proteger a vida marinha, não foram ainda concretizadas e este é considerado o ODS que tem recebido menos financiamento.
A Conferência é, por isso, uma chamada de atenção.
No ano que marca o 40º aniversário da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, considerada por muitos a “Constituição” dos oceanos, Miguel Serpa Soares realça a importância da coordenação e da capacidade de construir e cumprir soluções.
A complexidade da lei explicada de forma simples.
Uma entrevista de António Ferrari, Assessor de Comunicação ONU Portugal
EP#2 Lefteris Arapaki
Proveniente de uma família de pescadores de quase cinco gerações, o “Campeão jovem do Planeta Terra” do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o grego Lefteris Arapakis, decidiu quebrar a corrente e, em vez se seguir as pegadas da sua família, optou por abrir a primeira escola de pesca na Grécia.
Rapidamente este projeto focou-se em retirar plásticos dos oceanos, formando a comunidade piscatória a “pescar plásticos”.
O que fazer com o plástico removido dos oceanos? Neste episódio, Lefteris explica o processo. Uma inspiração para nos permitir pensar fora da caixa.
Uma entrevista por Dimitrios Fatouros.
EP #3 Peter Thomson
“Não pode existir um planeta saudável sem oceanos saudáveis”. É este o mote do embaixador Peter Thomson, enviado especial do secretário-geral da ONU para os oceanos.
Como é que podemos, então, ajudar os oceanos? Devemos fazer as pazes com a natureza.
A Conferência dos Oceanos das Nações Unidas promete trazer uma frota de soluções, recolhendo as ideias de milhares de pessoas para as implementar nos próximos anos.
Peter Thomson deixa-nos uma mensagem de esperança. Afinal de contas, não é demasiado tarde para salvar os nossos oceanos.
Uma entrevista por Sherry Aldis.
EP #4 Juergen Mueller
Os problemas dos oceanos estão interligados e devem ser abordados de forma holística. Esta é a forma que Juergen Mueller, Chefe de Unidade responsável pela comunicação na DG Mare da Comissão Europeia, acredita ser a correta para lidar com os oceanos.
A tripla crise planetária, causada pelas alterações climáticas, perda da biodiversidade e poluição afeta a saúde, produtividade e resiliência dos oceanos a longo-prazo.
Jurgen Muller considera que a responsabilidade de proteger os oceanos é coletiva. Por isso, a Comissão Europeia faz um esforço por envolver os cidadãos e por promover a literacia dos oceanos, sem deixar ninguém para trás.
Neste episódio mostramos a perspetiva europeia.
Uma entrevista por Caroline Petit
EP#5 Tishka Francis
As zonas económicas exclusivas dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS) representam cerca de 30% de todos os oceanos e mares. As suas economias e meios de subsistência dependem fortemente deles.
A subida do nível do mar está a ameaçar a própria existência de alguns pequenos Estados insulares em desenvolvimento. Um único evento meteorológico poderia eliminar décadas de desenvolvimento numa questão de minutos.
Neste episódio, Tishka Francis, Chefe da Unidade dos SIDS no Gabinete do Alto Representante das Nações Unidas para os Países Menos Desenvolvidos, os Países em Desenvolvimento e Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (UN-OHRLLS), partilha como os SIDS estão a enfrentar os desafios mas também as oportunidades.
Na Conferência dos Oceanos da ONU, Tishka Francis apela a um maior apoio e parcerias para estes “detentores de vastos e importantes espaços marinhos”.
Uma entrevista por Miranda Alexander-Webber.
100 dias de guerra na Ucrânia criaram consequências arrasadoras para crianças
Unicef calcula que pelo menos 5,2 milhões de menores de idade agora dependem de assistência humanitária; por dia, morrem em média duas crianças, a maioria vítima de explosivos lançados em áreas povoadas.
Comércio internacional de peixes movimentou US$ 175 bilhões em 2021
Entre todas as fontes de proteínas animais comercializadas internacionalmente, os peixes representam 56% do total. Segundo o representante sênior de Pesca da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, existem 100 vezes mais espécies de pescado comercializadas no mundo do que todas as espécies de porco, frango e gado.
Márcio Castro de Souza revela que este mercado só cresce: estimativas preliminares apontam para produção e consumo de peixes em alta, sendo que o setor deve ter movimentado US$ 175 bilhões em 2021.
Setor resiliente
“Os números mais recentes da FAO em relação a esse comércio internacional, nós estamos ainda terminando de calcular os números para 2021, mas estamos estimando que o comércio de pescado cresça 17% em 2021 em relação a 2020. Isso já é um volume muito grande considerando todas as dificuldades que ocorreram em 2019, em 2020 por causa da pandemia. Isso mostra o quão resiliente é o setor em termos de promover uma maior produção e um maior comércio.”
O especialista da FAO falou com a ONU News, de Roma, para marcar a contagem regressiva para a Conferência dos Oceanos, que terá início em 27 de junho.
Segundo Márcio Castro de Souza, enquanto a pesca de captura permanece em um nível estável, a aquicultura tem crescido em alta velocidade.
Cultivo de peixes
O representante da agência da ONU garante que os consumidores podem ficar descansados, a criação de peixes segue padrões internacionais.
“Existiu muito no passado um preconceito muito grande em relação ao peixe de cultivo. Me lembro quando a tilápia começou a ser mais consumida, no início da produção de tilápia, as pessoas reclamavam que tinham gosto de terra. Isso mudou completamente. A ciência evoluiu em termos de como se cultivar pescado da melhor maneira possível.”
O especialista em Pesca da FAO explica que a sanidade é um fator muito forte para a agência e por isso, existe um trabalho em conjunto com a Organização de Saúde Animal para que os países implementem boas práticas de aquicultura e tenham uma produção saudável.
Márcio Castro de Souza revela ainda que o documento “O Estado Mundial da Pesca e da Aquicultura”, com todos os números atualizados sobre produção e comércio pesqueiro, será lançado pela FAO durante a Conferência dos Oceanos da ONU. O evento acontece na capital de Portugal entre 27 de junho e 1 de julho.
Dia Global dos Pais estimula parceria com sociedade civil
Resolução da Assembleia Geral ressalta em especial o papel deles com jovens e crianças; responsabilidade dos pais no acompanhamento de menores é considerada uma das coisas mais importantes da vida.
Conferência na Suécia quer compromissos sérios para evitar catástrofe ambiental
Evento Stockholm+50 acontece de 2 a 3 de junho e marca 50 anos da primeira reunião sobre meio ambiente na capital do país; secretário-geral da ONU, António Guterres, estará no encontro e pede aos países que adotem o “direito humano a um ambiente limpo e saudável”.
Unesco pede investigação sobre assassinato de jornalista na Ucrânia
Frederic Leclerc-Imhoff foi morto num ataque, no domingo, enquanto acompanhava a evacuação de civis da cidade de Sievierodonetsk; repórter trabalhava para o canal francês Bfmtv.
Ásia confiscou 1 bilhão de comprimidos de metanfetamina em 2021
Apreensões ocorreram no leste no continente; Unodc alerta que apesar de várias operações, não se observa impacto para baixo; total é sete vezes mais alto do que o apreendido há uma década.
Piores secas em 40 anos colocam leste da África sob risco de catástrofe
Alerta conjunto de agências meteorológicas e humanitárias cita situação sem precedentes, que já levou ao deslocamento de 1 milhão de pessoas na Etiópia e na Somália; fome extrema e falta d’água, aumentam riscos de morte.
Iniciativa em Lisboa foca no desperdício zero de pescado
Restaurantes de culinária japonesa não podem utilizar todas as partes do peixe para produzir sushi e sashimi. Por isso, todos os dias, quilos e mais quilos de cabeças, espinhas e peles de peixes vão parar literalmente no lixo.
Mas uma iniciativa em Lisboa, cidade que será sede da Conferência dos Oceanos, em junho, está dando a volta a este desperdício alimentar. A empreendedora Daria Demidenko teve a ideia de reaproveitar sobras de peixe fresco para criar petiscos para animais de estimação.
Pedaços de peixe que iriam para o lixo
No Sekai Sushi Bar, um restaurante japonês no bairro de Santos, região central de Lisboa, todas as manhãs, são entregues cerca de 10 quilos de salmão, atum e de peixe branco.
As mãos hábeis do sushiman Sunil Basnet rapidamente limpam e preparam uma corvina de quase 3 quilos, capturada no litoral português.
O proprietário do Sekai, Édson Neves, explica que, em média, 30% dos peixes não podem ser utilizados nos pratos do restaurante:
“A espinha dorsal, parte do rabo, as arestas, as laterais, a parte que tem ligação com o estômago, algumas partes do peixe que são mais duras, que têm mais fibras e pele também, nós acabamos não utilizando. Estes 30% a 40% que iriam para o lixo, nós acabamos reutilizando através do Sancho Pancho.”
Petiscos saudáveis
Sancho Pancho é a marca criada pela russa Daria Demidenko, que mora em Portugal desde 2015. O nome é uma alusão ao personagem Sancho Panza, do livro Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, e também uma homenagem a um dos cachorros de Daria, o Pancho.
A empreendedora destaca: é preciso muita criatividade para evitar o desperdício de alimentos.
“Esses biscoitos são feitos com este tipo de peixe branco, que primeiro cozemos o peixe e depois trituramos, pois assim os ossos têm textura muito mais suave, então trituramos, misturamos com farinha e fazemos o biscoito. Mas também há outros tipos de desperdício, como peles de peixe branco ou peles de salmão, que têm uma imagem mais linda que dá para desidratar. Este tipo de petisco entra na máquina, fica durante 20h a temperatura de 70˚ e depois sai mais seco, crocante, e cortamos em pedaços e fazemos como chips, lascas de pele de salmão.”
Países escandinavos também na vanguarda
Além de pegar as sobras no restaurante Sekai, Daria tem parcerias com outros restaurantes e peixarias de Lisboa. Ela recolhe cerca de 25 quilos de sobras de peixe por semana, que iriam parar no lixo.
A iniciativa é elogiada pelo especialista-sênior de Pesca da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, a FAO, com sede em Roma, na Itália. Márcio Castro de Souza explica que já existem países europeus que aplicam uma política de desperdício zero de pescado.
“É muito interessante essa iniciativa e de fato nós temos visto, não só na escala industrial, mas também pequenos exemplos de como reduzir o desperdício de pescado. Existem já várias indústrias produtoras de salmão nos países escandinavos que já atingiram o patamar de utilizar 100% do pescado. Eles não perdem nada do pescado. Eles fazem filé, utilizam o olho para fazer adubo ou para gerar óleos essenciais, então já existe toda uma produção voltada para zero desperdício.”
Conscientização dos consumidores
Os petiscos com pele de salmão são ricos em ômega 3, que ajudam na saúde da pele e do pelo de cães e gatos. Além de reaproveitar sobras de pescado, a marca de Daria Demidenko produz biscoitos a partir de restos de carne desidratada de coelho e de porco. A criadora da Sancho Pancho conta já ter conseguido conscientizar muitos clientes.
“Ouvimos falar, algumas pessoas, alguns clientes que dizem que com o nosso exemplo, estão agora indo às peixarias, aos talhos (açougues) aqui em Portugal e também levam algum desperdício. Não fazem produção, não fazem petiscos para venda, mas conseguem fazer alguma comida para os seus cães, gatos, ou para si mesmo.”
Reduzir pela metade o desperdício de alimentos a nível mundial até 2030 é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Outra meta envolve gerir de forma sustentável a vida marinha, sendo que Salvar os Oceanos e Proteger o Futuro é o lema da Conferência dos Oceanos da ONU, que acontece na capital portuguesa entre 27 de junho a 1 de julho.
Campanha sobre Dia Mundial Sem Tabaco cita danos do produto
Este ano, o lema é “Envenenando nosso Planeta: Tabaco Exposto”; mais de 8 milhões morrem por ano por causa do tabaco; especialistas e ativistas utilizam redes sociais para aumentar conscientização global.
Corte Internacional de Justiça lamenta falecimento do juiz Cançado Trindade
Brasileiro era membro do órgão da ONU desde 2009 e é lembrado pela sua “ilustre carreira nos campos da lei internacional e dos direitos humanos”; relembre última entrevista para a ONU News.
5 coisas que precisa de saber antes da Conferência dos Oceanos
por ONU News
Os oceanos são o maior ecossistema do planeta, regulam o clima e proporcionam meios de subsistência para milhares de milhões de pessoas. Mas a sua saúde está em perigo. A segunda Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, que terá lugar em Junho, será uma importante oportunidade para reparar os danos que a humanidade continua a infligir à vida marinha e aos oceanos.
Com a participação de delegados de Estados-membros, organizações não governamentais e universidades bem como de empresários à procura de formas de desenvolver de forma sustentável a “Economia Azul” espera-se que este evento, que terá lugar na capital portuguesa entre 27 de Junho e 1 de Julho, marque uma nova era para os oceanos.
- A Conferência dos Oceanos terá “foco nas soluções”
A primeira conferência, que ocorreu 2017, alertou o mundo para os problemas dos oceanos. Esta segunda conferência, segundo o enviado especial do secretário-geral da ONU para os Oceanos, Peter Thomson, “vai ter de fornecer soluções para esses problemas”.
O evento foi concebido para proporcionar um espaço para a comunidade internacional impulsionar a adoção de soluções inovadoras e baseadas na ciência para a gestão sustentável dos oceanos e também para determinar as ambições para a Década das Nações Unidas da Ciência dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030), conhecida também como simplesmente a Década dos Oceanos. A ONU estabeleceu 10 objetivos relacionados com os oceanos a serem alcançados ao longo desta década, como parte da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030 incluindo ações para prevenir e reduzir a poluição e a acidificação, proteger os ecossistemas, regular a pesca, e aumentar o conhecimento científico. Na conferência, os diálogos centrar-se-ão na forma de abordar muitas destas questões.
Adicionalmente, o papel da juventude estará em primeiro plano em Lisboa, com jovens a trabalhar em soluções inovadoras e baseadas na ciência para problemas críticos. De 24 a 26 de Junho, participarão no Fórum Juventude e Inovação, uma plataforma destinada a ajudar os jovens empreendedores e inovadores a ampliar as suas iniciativas, projetos e ideias, proporcionando formação profissional, e mentoria de investidores, o sector privado, e funcionários governamentais.
O fórum incluirá também uma “Innovathon”, onde equipas de cinco participantes trabalharão em conjunto para criar e propor novas soluções oceânicas.
- Os oceanos são fundamentais para a vida humana e para o nosso futuro
Os oceanos fornecem-nos a todos oxigénio, alimentos, e meios de subsistência. Nutrem uma biodiversidade inimaginável e apoiam diretamente o bem-estar humano, através da alimentação e de recursos energéticos. Além de ser uma fonte de vida, os oceanos estabilizam o clima e armazenam carbono, atuando como um gigantesco deposito de gases com efeito de estufa.
De acordo com dados da ONU, cerca de 680 milhões de pessoas vivem em zonas costeiras baixas, número que deverá aumentar para mil milhões de pessoas até 2050. Além disso, as últimas estimativas estimam que 40 milhões de pessoas serão empregadas por indústrias baseadas nos oceanos até ao final desta década.
- Quénia e Portugal – os coorganizadores
Embora a Conferência tenha lugar em Portugal, esta está a ser coorganizada pelo Quénia, onde 65 por cento da população costeira vive em zonas rurais, dedicando-se principalmente à pesca, agricultura e mineração para a sua subsistência.
A paixão pelo oceano é partilhada com Portugal, um país que desempenha um papel central para o oceano atlântico.
Catarina Grilo, Diretora de Conservação e Política da Associação Natureza Portugal (ANP), uma organização não-governamental que trabalha em linha com o Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF) e gere vários projetos nas áreas da proteção marinha, pesca sustentável, e conservação dos oceanos diz que as suas “expetativas para a Conferência dos Oceanos da ONU são que seja uma conferência sobre ação e não apenas sobre compromisso.”
“Agora é altura de passar das palavras aos atos”
- O oceano e o clima estão intrinsecamente ligados
O oceano e o clima influenciam-se fortemente um ao outro de muitas maneiras. De acordo com o último relatório sobre alterações climáticas da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o nível médio global do mar aumentou a uma média de 4,5 mm por ano entre 2013 e 2021, devido ao derretimento das camadas de gelo a um ritmo crescente.
Os oceanos absorvem cerca de 23% do CO2 gerado pela atividade humana, e quando o faz, ocorrem reações químicas, acidificando a água do mar. Isto coloca os ambientes marinhos em risco e, quanto mais ácida a água se torna, menos CO2 é capaz de absorver.
Samuel Collins, gestor de projeto da Fundação Oceano Azul, em Lisboa, acredita que a conferência servirá de ponte para a COP27, que terá lugar em Sharm El-Sheikh, no Egipto, em Novembro.
“O oceano é essencial para o clima. Aloja 94% do espaço vital do planeta”
“A razão pela qual os produtos que compramos nas lojas são tão baratos é porque o transporte marítimo transporta 90 por cento das mercadorias até às nossas casas, pelo que há muitas razões para estarmos preocupados com o oceano, independentemente se vivermos num país sem litoral ou não. Não há nenhum organismo vivo na terra que não seja afetado pelos oceanos”.
- O que se pode fazer para ajudar?
Perguntámos a alguns especialistas – incluindo a Catarina Grilo e o biólogo Nuno Barros da ANP, bem como a Sam Collins da Fundação Oceano Azul – o que podem fazer os cidadãos para promover uma economia azul sustentável, enquanto esperam que os decisores e líderes mundiais entrem em ação. Aqui estão algumas ideias que podem ser incorporadas na vossa vida quotidiana:
- Se come peixe, diversifique a sua dieta em termos de consumo de marisco, não coma sempre a mesma espécie. Evite também consumir predadores de topo e certifique-se de que o que come provém de fontes responsáveis.
- Evite a poluição plástica: com 80% da poluição marinha originada em terra, faça a sua parte para impedir que a poluição chegue ao mar. Pode ajudar, utilizando produtos reutilizáveis, evitando consumir produtos descartáveis, e também se certificando de que está a colocar os seus resíduos nos contentores apropriados.
- Recolha o lixo da praia e não deite lixo no chão.
- Continue a defender soluções, seja nas ruas, escrevendo cartas aos decisores, assinando petições, ou apoiando campanhas que visem influenciar os decisores, a nível nacional ou a nível global.
Mulheres na política levam a sociedades mais pacíficas, diz ex-líder da Assembleia Geral
Neste ano de 2022, dezenas de países realizam eleições legislativas e presidenciais. Para a ONU Mulheres, mais uma vez, surge a chance, em várias partes do mundo, de aumentar a presença feminina em cargos eletivos.
Em todo o globo, apenas 25,5% dos assentos em Parlamentos são ocupados por mulheres. Os homens detêm ali três de cada quatro cadeiras.
Ambiente político seguro para as mulheres
O desnível na representação foi debatido em março deste ano durante a 66ª. Sessão sobre o Estatuto da Mulher, CSW, nas Nações Unidas.
Vários representantes dos países-membros da ONU reconheceram que as mulheres sofrem mais hostilidade que homens, o que acaba desencorajando a participação delas na política.
Um outro problema são as plataformas digitais e o discurso de ódio direcionado a mulheres na política.
Nesta entrevista à ONU News, no início deste mês, a ex-presidente da Assembleia Geral, María Fernanda Espinosa, falou de seu tempo como ministra da Defesa, no Equador, uma área ainda dominada por homens. Para ela, a única saída é aumentar a participação feminina nas esferas de poder.
“Não conheço na história grandes guerra iniciadas por mulheres”
“As coisas estão melhorando, mas estou convencida de que se tivermos mais mulheres ministras da Defesa e mais mulheres na política, teremos sociedades pacíficas e menos guerras. Não conheço na história grandes guerras que foram iniciadas por mulheres. Nós somos, naturalmente, arquitetas de pontes, de diálogo, de diplomacia. Eu recebi fortes comentários da opinião pública (enquanto ministra da Defesa no Equador), com os meios de comunicação se preocupando mais com o que eu estava vestindo, se eu repetia uma roupa, do que com o conteúdo do que eu estava dizendo ou que o trabalho que estava fazendo. Eu creio que existe muito caminho a percorrer, e acho que os meios de comunicação têm que ser aliados dessa luta pela igualdade e da presença de mulheres em espaços de decisão.”
Agenda 2030 não avançará sem as mulheres
Para a ex-presidente da Assembleia Geral, que também foi chanceler e embaixadora, a participação de mulheres ajuda a construir sociedades mais pacíficas. Espinosa integra desde que deixou a ONU, o grupo Global Women Leaders Voice, que também conta com ex-subsecretárias-gerais das Nações Unidas.
Segundo a União Interparlamentar, até 1 de janeiro de 2021, apenas 5,9% dos chefes de Estado eram mulheres ou seja 9 de 152. Já os governos liderados por mulher representavam 6,7% ou seja 13 de 193.
Durante o evento da CSW, em março, em Nova Iorque, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, pediu a todos os países que ajudem a tornar o ambiente político um local seguro para mulheres que queiram exercer seus direitos.
Para ela, não haverá avanços com a Agenda 2030 de desenvolvimento sustentável enquanto as mulheres não assumirem seu espaço em tomadas de decisão e poder.
ONU investe em parcerias para avançar missões de paz pelo mundo
As Nações Unidas estão ressaltando o poder das parcerias para celebrar o Dia Internacional dos Boinas-Azuis neste 29 de maio.
Em mensagem de vídeo para marcar a data, o secretário-geral António Guterres diz que apesar dos desafios e do aumento da violência, os capacetes azuis seguem mirando no alvo de suas missões.
Cultura pacífica
O chefe da ONU contou que em 2022, o foco é o poder das parcerias que resultam da união de governos e sociedades para fortalecer o trabalho das missões de paz, resolver as diferenças através do diálogo, criando uma cultura pacífica.
A ONU tem 90 mil integrantes espalhados em 12 operações de paz pelo mundo, a maioria na África.
São homens e mulheres, civis e militares, que servem nas missões, juntando-se a um contingente total de mais de 1 milhão de capacetes azuis desde a criação da ONU em 1945.
Mas a realidade no terreno foi se transformando durante décadas, e a bandeira azul das Nações Unidas, antes respeitada por todas as partes do conflito, passou a ser alvo também da violência, como explicou o secretário-geral.
Pandemia e persistência
Guterres afirma que a crescente violência contra as forças de paz tem feito o trabalho ainda mais perigoso, assim como as restrições impostas durante a pandemia tornaram as missões mais difíceis.
Mesmo assim os boinas-azuis continuam com persistência e distinção.
Desde o início das operações de paz em 1948, a ONU já perdeu 4,2 mil integrantes das forças de paz em serviço.
Para Guterres, o sacrifício de cada um deles os torna heroínas e heróis da paz.