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Proteger o meio ambiente é proteger o planeta Terra

No universo há milhares de milhões de galáxias,

Na nossa galáxia há milhares de milhões de planetas,

Mas existe apenas um planeta Terra

Vamos tratar dele.

O nosso planeta enfrenta uma tripla emergência:

  • O clima está a aquecer demasiado rápido para as pessoas e a natureza se conseguirem adaptar 
  • A perda de habitats e outro tipo de ameaças significam que cerca de 1 milhão de espécies estão em risco de extinção. 
  • A poluição continua a devastar o nosso ar, terra e água. 

A forma de colmatar esta situação passa por transformar as nossas economias e a nossa sociedade, tornando-as mais inclusivas, justas e mais ligadas à natureza. Não só deixar de prejudicar o planeta como ajudar na sua cura e progresso.

A boa notícia é que as soluções e a tecnologia existem e estão cada vez mais acessíveis. A campanha #OnlyoneEarth, “apenas um planeta Terra”, assinala o Dia Mundial do Ambiente 2022. Apela a uma ação coletiva e transformadora a uma escala global, para que seja possível celebrar, proteger e restaurar o nosso planeta. 

“Only One Earth” foi o slogan da primeira Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente Humano, que aconteceu em Estocolmo, Suécia, em 1972. Foi este marco que colocou o desenvolvimento sustentável na agenda global e levou à criação do Dia Mundial do Ambiente. Cinquenta anos depois, a Suécia recebeu a conferência Stockkolm+50 sobre o mesmo tema, a 2 e 3 de junho e é o palco das celebrações do Dia Mundial do Ambiente a 5 de junho. 

Para manter o aquecimento global abaixo dos 1.5ºC durante este século, é necessária uma redução anual da emissão de gases com efeito de estufa até 2030. Sem ações concretas, a exposição à poluição atmosférica além de diretrizes seguras vai aumentar em 50% durante esta década e os resíduos plásticos que vão para os ecossistemas aquáticos quase que vão triplicar até 2040.

UNDP Mauritius/Stephane Bellerose

A melhor opção: viver de forma sustentável 

Opções transformadoras que promovam a sustentabilidade devem estar disponíveis, ser economicamente acessíveis e devem ser atrativas para que possam influenciar de forma eficaz as escolhas dos cidadãos. É na forma como se vive em casa, nos locais de trabalho e nas cidades, na forma como o dinheiro é investido e nas atividades de lazer que se pode fazer a diferença. Há também questões de maior magnitude que devem ser consideradas: energia, sistemas de produção, comércio mundial, sistemas de transporte ou proteção da biodiversidade. 

Várias destas opções só podem ser criadas por entidades com poder de decisão: governos nacionais, instituições financeiras, empresas, organizações internacionais. Em suma, instituições com poderes para reescrever as regras, direcionar as ambições e definir novos horizontes. 

Ainda assim, a sociedade civil e os cidadãos são os principais defensores capazes de mudar consciências. Quanto mais essas vozes se levantarem, realçando o que precisa de ser feito e dizendo quem são os responsáveis, mais depressa se perspetiva uma mudança.

Ao apoiar o Dia Mundial do Ambiente 2022 e a campanha “Only one Earth”, é possível assegurar que o planeta Terra continua a ser um lar confortável para a humanidade. 

 

Mensagem sobre o Dia Mundial do Ambiente

UN Photo/Yuri Kochkin

O SECRETÁRIO-GERAL 

 

MENSAGEM NO DIA MUNDIAL DO AMBIENTE 

5 de junho de 2022 

O tema do Dia Mundial do Ambiente deste ano, “Only One Earth”, em português “Apenas uma Terra”, é uma simples declaração de facto. Este planeta é o nosso único lar. É vital que salvaguardemos a saúde da sua atmosfera, a riqueza e a diversidade da vida na Terra, os seus ecossistemas e os seus recursos finitos.  Mas não o estamos a fazer.  Estamos a pedir demasiado ao nosso planeta para manter formas de vida que são insustentáveis.  Os sistemas naturais da Terra não conseguem acompanhar as nossas exigências.

Isto prejudica não só a Terra, mas também a nós.  Um ambiente saudável é essencial para todas as pessoas e para todos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Fornece alimentos, água limpa, medicamentos, regulação climática e proteção contra eventos climáticos extremos.  É essencial tratar a natureza com sabedoria e assegurar o acesso equitativo aos seus serviços, especialmente para as pessoas e comunidades mais vulneráveis.  

Mais de 3 mil milhões de pessoas são afetadas por ecossistemas degradados. A poluição é responsável por cerca de 9 milhões de mortes prematuras por ano.  Mais de 1 milhão de espécies vegetais e animais correm o risco de extinção, muitas delas dentro de décadas. 

Quase metade da humanidade já está numa zona de perigo climático – tem 15 vezes mais probabilidade de morrer por fenómenos climáticos como o calor extremo, inundações e secas.  Há uma probabilidade de 50:50 de que as temperaturas médias globais anuais violem o limite do Acordo de Paris de 1.5ºC nos próximos cinco anos.  Mais de 200 milhões de pessoas por ano podem vir a ser deslocadas devido a perturbações climáticas, até 2050.

Há cinquenta anos os líderes mundiais reuniram-se na Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano e comprometeram-se a proteger o planeta, mas estamos longe de ser bem-sucedidos.  Não podemos continuar a ignorar os sinais de alarme que soam cada dia mais alto. 

A conferência Stockholm+50 reiterou que todos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável dependem de um planeta saudável.  Todos devemos assumir a responsabilidade de evitar a catástrofe provocada por uma tripla crise de alterações climáticas, de poluição e de perda de biodiversidade.

Os governos precisam urgentemente de dar prioridade à ação climática e à proteção ambiental através de decisões políticas que promovam o progresso sustentável.  Para o efeito, propus cinco recomendações concretas para acelerar drasticamente a utilização de energias renováveis por todo o mundo, incluindo a disponibilização de tecnologias e matérias-primas renováveis a todos, a redução da burocracia, a transferência de subsídios e ainda triplicicar o investimento.

As empresas precisam de colocar a sustentabilidade no centro das suas decisões, para o bem da humanidade e dos seus próprios resultados. Um planeta saudável é a espinha dorsal de quase todas as indústrias na Terra.

Como eleitores e consumidores devemos fazer valer as nossas ações: desde as políticas que apoiamos, aos alimentos que comemos, ao transporte que escolhemos, às empresas que apoiamos.  Todos podemos fazer escolhas amigas do ambiente que vão fazer a diferença nas mudanças de que necessitamos.

As mulheres e as raparigas, em particular, podem ser importantes agentes de mudança.  Devem ser habilitadas e incluídas na tomada de decisões a todos os níveis.  Do mesmo modo, os conhecimentos indígenas e tradicionais devem também ser respeitados e aproveitados para ajudar a proteger os nossos frágeis ecossistemas. 

A história tem mostrado o que pode ser alcançado quando trabalhamos em conjunto e colocamos o planeta em primeiro lugar.  Nos anos 80, quando os cientistas alertaram para um buraco na camada de ozono, todos os países se comprometeram com o Protocolo de Montreal a eliminar gradualmente as substâncias químicas que enfraquecem a camada de ozono.

Nos anos 90, a Convenção de Basileia proibiu o despejo de resíduos tóxicos nos países em desenvolvimento.  E, no ano passado, um esforço multilateral pôs fim à produção de gasolina com chumbo – um movimento que vai promover a saúde e prevenir mais de 1,2 milhões de mortes prematuras todos os anos.

Este ano e o próximo apresentam mais oportunidades para a comunidade internacional demonstrar o poder do multilateralismo para enfrentar as crises ambientais interligadas, desde negociações sobre um novo quadro global de biodiversidade para inverter a perda da natureza até 2030, até ao estabelecimento de um tratado para combater a poluição por plásticos.

As Nações Unidas estão empenhadas em liderar estes esforços globais de cooperação, porque a única forma de avançar é trabalhar com a natureza, e não contra ela.  Juntos podemos assegurar que o nosso planeta não só sobrevive, como também prospera, porque temos “Apenas Uma Terra”. 

 

Guerra na Ucrânia completa 100 dias com 14 milhões de civis forçados a deixar suas casas

Coordenador da ONU para Crise na Ucrânia cita “esforços incansáveis” da organização para responder aos impactos arrasadores da crise; em entrevista à ONU News, Amin Awad renova apelo ao fim imediato do conflito e revela que agências humanitárias já começam a se preocupar em como fornecer assistência durante os meses de inverno.  

Guterres na Stockholm+50: “apelo ao fim da guerra suicida contra a natureza”

@Unep.

No seu discurso de abertura da Stockholm+50, uma das maiores conferências internacionais sobre o ambiente, o planeta e a ação climática, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou ao “fim da guerra suicida contra a natureza.” 

Se o consumo global tivesse ao nível dos países mais ricos, precisaríamos de mais três planetas”. Esta é uma das várias declarações alarmantes apresentadas pelo secretário-geral da ONU no seu discurso de abertura da Stockholm+50, a conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente que decorre no dia 2 e 3 de junho na capital sueca. No seu discurso o secretário-geral pediu aos líderes mundiais que “nos conduzam para fora desta confusão” que é a tripla crise planetária gerada pelas alterações climáticas, a perda de biodiversidade e pela poluição. Só a poluição, afirma Guterres, causa “9 milhões de mortes anualmente. 

Stockholm+50
@Unep. O Secretário-Geral António Guterres (à direita) fala na Stockholm+50 na Suécia, juntamente com a chefe do PNUMA, Inger Andersen, e o presidente da AG, Abdulla Shahid.
Fim do carvão, combustível fóssil e do PIB 

Felizmente, afirma o secretário-geral “sabemos o que fazer. E, cada vez mais, temos as ferramentas para o fazer.” Mencionado as “oportunidades” que os líderes mundiais têm para mobilizar a ação climática tal como a Conferência dos Oceanos que decorre no fim deste mês em Lisboa, o líder da ONU anunciou que “temos de reduzir as emissões de gases em 45% até 2030.” Aos governos dos países do G-20, Guterres pediu que “acabem com a infraestrutura de carvão” entre 2030 e 2040, acabem com o financiamento aos combustíveis fósseis e invistam mais em energias renováveis.    

Adicionalmente Guterres criticou o Produto Interno Bruto (PIB) como medida de prosperidade e progresso. “Não esqueçamos que quando destruímos uma floresta, estamos a criar PIB. Quando pescamos demais, estamos a criar o PIB. O PIB não é uma forma de medir a riqueza na situação atual do mundo.” constatou o secretário-geral.” Em vez de focar-nos em crescer o PIB devemos focar-nos em estabelecer “uma economia circular e regenerativa. 

Progresso Ambiental  

Na Stockholm+50, o presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Abdulla Shahid,  afirmou que “o progresso humano não pode ocorrer num planeta que está privado dos seus próprios recursos, infetado pela poluição, e sob o ataque implacável de uma crise climática”. Para o progresso humano, defende Shahid, “precisamos de soluções que respondam aos obstáculos comuns que afetam toda a agenda ambiental, o que por sua vez acelerará a implementação da Agenda 2030, e promoverá uma recuperação resiliente e sustentável da pandemia“. 

Stockholm+50
@Stockholm+50. Ação de limpeza da lixeira de Huambo, em Angola em comemoração da Stockholm+50.

Uma destas tais soluções propostas é a Coligação para o Sustentabilidade Digital e Ambiental (CODES). Esta coligação conta com o apoio de 1,000 partes interessadas, mais de 100 países e visa “integrar a sustentabilidade em todos os aspetos da digitalização.” Isto inclui a construção de processos globalmente inclusivos para definir normas e guias de governação do mundo digital, alocação de recursos e infraestruturas para a sustentabilidade e a identificação de oportunidades para reduzir potenciais danos ou riscos da digitalização.   

Na ONU, Portugal foca em clima, migração, economia azul, paz e segurança

Em entrevista à ONU News, nova embaixadora do país nas Nações Unidas, Ana Paula Zacarias, fala sobre importância da Conferência dos Oceanos, marcada para 27 de junho, em Lisboa; ela destacou ainda a presença do país na Comissão de Consolidação da Paz, Pacto Global de Migrações e a campanha para um assento rotativo no Conselho de Segurança para o biênio 2027-2028.

Conferência dos Oceanos pedirá mais ação por biodiversidade e contra poluição plástica

A subida do nível do mar ameaça meios de subsistência, segurança alimentar, património cultural, direitos humanos e estabilidade económica. As Nações Unidas alertam que, sem medidas urgentes de adaptação, até 1,2 mil milhões de pessoas poderão ser deslocadas até 2050.

Mais de 12 mil pessoas estão sendo esperadas para a 2ª. Conferência dos Oceanos, no fim deste mês em Lisboa, capital de Portugal.* 

O evento debaterá questões como aquecimento global, poluição, acidificação, economia do mar sustentável e redução de oxigênio nos mares com o objetivo de gerar soluções. A conferência, organizada por Portugal e Quênia, ocorrerá de 27 de junho e 1 de julho.  

Tratado 

Praia na cidade de Nazaré, em Portugal.

Foto: © Unsplash/Tamas Tuzes-Katai

Praia na cidade de Nazaré, em Portugal.

Em entrevista ao Centro de Informação da ONU em Bruxelas, Unric, o subsecretário-geral da ONU para os Assuntos Jurídicos, Miguel de Serpa Soares, que será o porta-voz do evento, falou sobre o que esse espera da conferência.  

“Neste momento está em curso uma negociação muito importante do nosso tratado relativo à biodiversidade, para além das zonas de jurisdição nacional. O título parece muito complicado, mas isto quer dizer os dois terços da superfície dos oceanos que estão fora da jurisdição nacional pelo regime da Convenção de 1982 sobre o Direito do Mar. Isso é muito importante, é uma negociação muito trabalhosa, mas que está em curso.  Outra questão, que começou há pouco tempo, é a dos plásticos nos oceanos. Os meus colegas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente começaram esta discussão e os Estados-membros adotaram uma resolução, em que se comprometem seriamente a olhar para um projeto de tratado específico para este assunto.” 

A preparação da nova conferência internacional envolve cerca de 70 encontros de concertação. 

As discussões que devem culminar em Lisboa têm em vista um desfecho claro, segundo Miguel de Serpa Soares, também assessor jurídico das Nações Unidas.   

Sociedade 

Plástico e lixo no geral prejudicam 600 espécies marinhas.

Foto: Unsplash/Angela Compagnone

Plástico e lixo no geral prejudicam 600 espécies marinhas.

“Uma declaração política muito forte sobre o futuro da ação internacional e como os Estados-membros das Nações Unidas se vão articular mais e melhor para uma ação efetiva dos oceanos, compromissos mais claros sobre atingir as diferentes metas e alvos, que são sete, do Objetivo 14 relativo aos oceanos. O seu cumprimento está muito atrasado. E, por último, mas muito importante, um grande envolvimento da sociedade civil, acadêmica e de organizações de juventude, em todas estas questões. E uma participação ativa na agenda de compromissos que nos apresentem em compromissos. Porque este debate tem que ser ao nível global, envolvendo todos os diferentes setores da sociedade.” 

A conferência em Lisboa acontece cinco anos depois da primeira edição realizada em Nova Iorque. 

Urgência 

Foi em torno do ODS 14, com alvos específicos sobre o oceano, que o evento de 2017 convocou o mundo à ação, destacou compromissos voluntários de países e incentivou parcerias. 

De acordo com a ONU, a urgência de se atuar para enfrentar os perigos dos oceanos é cada vez maior. A mobilização de esforços visa travar a degradação dos mares e as ameaças ao ecossistema. 

As sessões devem envolver entidades intergovernamentais, instituições financeiras, sociedade civil, academia, centros de pesquisa, comunidades e setor privado. 

A organização acredita que a falha na ação coletiva possa comprometer tanto o alcance do ODS 14, como a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. 

*Com reportagem do Unric-Bruxelas. 

   

Plano da Unesco para proteger jornalistas completa 10 anos

Agência da ONU lamenta número de profissionais assassinados na última década e destaca que poucos casos são solucionados; aniversário será celebrado em novembro na Áustria e deve debater ações para conter ameaças a liberdade de expressão.

ONU elogia renovação de trégua entre governo do Iêmen e houthis

Em comunicado, secretário-geral António Guterres diz que primeiro acordo, adotado em 2 de abril, produziu “benefícios tangíveis” para a população como aumento no fornecimento de combustíveis e retomada de voos internacionais da capital.

Imunidade híbrida contra Covid-19 protege mais contra casos graves

Vacinados que foram infectados pelo vírus apresentam resposta mais robusta contra evolução da doença; OMS destaca que alta cobertura da série primária de imunização continua sendo prioritária; agência prevê redução de 94% nas mortes por Covid-19 na África.

Em Estocolmo, Guterres pede “fim da guerra suicida contra a natureza”

Secretário-geral da ONU discursa na abertura da conferência que marca os 50 anos do movimento ambientalista; ele lembra que se consumo global estivesse ao mesmo nível dos países mais ricos, seriam necessários mais de três planetas Terra.  

Conferência na Suécia busca compromissos ousados para sustentabilidade

Evento Stockholm+50 acontece de 2 a 3 de junho na capital sueca; secretário-geral da ONU espera ações ambiciosas para zerar emissões de gases de efeito estufa; chefe do Pnuma cita crise tripla e pede iniciativas urgentes para acelerar Agenda 2030.

Portugal entre países da Europa que assinam acordo em prol do turismo

Mais de 30 nações do continente se comprometem a compartilhar conhecimentos e melhores práticas para melhorar competitividade e apoiar recuperação do setor; projeto é liderado pela Organização Mundial do Turismo e pela Comissão Europeia de Viagens.  

Pandemia de Covid-19 atrasa avanços no acesso à energia

Este relatório conclui também que, para se a alcançar a neutralidade carbónica até 2050, os investimentos em energias sustentáveis devem triplicar até lá.

Um levantamento sobre os progressos do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7, “energia limpa e acessível” revela que a pandemia de Covid-19 vem desacelerando o avanço no acesso universal à energia.

Segundo os dados, 733 milhões de pessoas não possuem acesso à eletricidade e 2,4 bilhões seguem cozinhando com combustíveis que causam danos à saúde e ao meio ambiente.

Campo de produção de energia eólica na Alemanha.

Foto: © Unsplash/Karsten Würth

Campo de produção de energia eólica na Alemanha.

Atrasos e retrocessos no ODS 7

O estudo foi feito pelo Banco Mundial, a Organização Mundial da Saúde, OMS, a divisão de estatísticas da ONU e outros parceiros e alerta que, se continuar assim, até 2030 cerca de 670 milhões de pessoas podem ficar sem energia elétrica, 10 milhões a mais do que o projetado para o ano passado.

O documento explica que fechamentos, confinamento, interrupções nas cadeias de suprimentos globais e o desvio de recursos fiscais para manter os preços dos alimentos e combustíveis acessíveis durante a pandemia desaceleraram os progressos em garantir o acesso à energia acessível, confiável, sustentável e moderno para todos em 2030.

O texto também destaca que a crise de saúde não só gerou atrasos, especialmente nos países mais vulneráveis ​​ou atrasados, como até mesmo retrocessos.

Na Ásia e na África, por exemplo, 90 milhões de pessoas que tinham acesso à eletricidade não podem mais pagar por suas necessidades básicas de energia por causa da crise.

Segundo o estudo, os choques de energia foram agravados nos últimos meses pela guerra na Ucrânia, que colocou os mercados globais de petróleo e gás na incerteza e elevou os preços da energia.

ECA acompanha investimento no setor de energia

Foto: UNDP/Karin Schermbucker

ECA acompanha investimento no setor de energia

África e América Latina

Os dados apontam que a África continua a ser a região com menos acesso à energia no mundo, respondendo por cerca de 80% dos 760 milhões de pessoas sem o recurso.

A região também soma 36% dos 2,6 bilhões de pessoas que não têm combustíveis limpos de cozinha.

A participação da África Subsaariana na população global sem eletricidade aumentou para 77% em 2020, 6% a mais em comparação com o levantamento anterior, de 2018.

Já na a América Latina, os dados apontam que a região segue avançando na implementação do ODS 7, mas os impactos negativos na economia causada pela pandemia limitaram os progressos.

No geral, o acesso à eletricidade é de 97,4%, mas as áreas rurais permaneceram desfavorecidas. Em muitos países, mais de 10% da população ainda não tem acesso combustíveis adequados na cozinha.

A região continuou a fazer progressos significativos em energia renovável, aumentando sua participação no fornecimento de energia primária de 30% para 33% em um ano. Isso supera a média global em fornecimento primário, que é de apenas 13%.

Avanços e tecnologia limpa

As agências que monitoram os avanços do ODS7 pediram à comunidade internacional e aos formuladores de políticas que protejam as conquistas obtidas até agora e a permaneçam comprometidos com a ação contínua para que todos tenham acesso à energia acessível, confiável, sustentável e moderna.

Sobre os avanços, o levantamento mostra que a proporção da população global com acesso à eletricidade aumentou de 83% em 2010 para 91% em 2020, resultado em 1,3 bilhão de pessoas.

No entanto, atingir a meta de 2030 exige aumentar o número de novas conexões para 100 milhões por ano. No ritmo atual de progresso, o mundo atingirá apenas 92% de eletrificação.

Quanto à população com acesso a combustíveis e tecnologias limpas para cozinhar, a proporção subiu para 69% em 2020, 3% a mais em relação ao ano anterior.

Cozinha limpa

No entanto, o crescimento populacional ultrapassou muitos dos ganhos em acesso, particularmente na África Subsaariana. Como resultado, o número total de pessoas sem acesso a uma cozinha limpa permaneceu relativamente estagnado por décadas.

De acordo com as recomendações do estudo, para expandir o uso de fontes limpas de energia é necessário o uso de ferramentas eficazes e a mobilização de mais capital privado, particularmente nos países menos desenvolvidos, países em desenvolvimento sem litoral e pequenos países insulares em desenvolvimento.

As agências apontam que o setor privado financia a maior parte dos investimentos em energia renovável, mas afirmam que para atrair esses recursos, o financiamento público é fundamental.

Tudo o que precisa saber sobre a Stockholm+50

A 2 e 3 de Junho de 2022, líderes mundiais e representantes de governos, empresas, organizações internacionais, sociedade civil e jovens reunir-se-ão na Suécia para a conferência Stockholm+50 – um encontro internacional para impulsionar a ação em direção a um planeta saudável e próspero para todos. 

O evento surge num momento crucial, uma vez que a Terra está em modo de emergência e é necessária uma ação urgente para enfrentar a tripla crise planetária: das alterações climáticas, da perda da natureza e de biodiversidade, e da poluição e desperdício. 

Então o que é exatamente a Stockholm+50, e porque é que é tão importante? 

O que é Stockholm+50?

 Coorganizado pela Suécia e pelo Quénia, a Stockholm+50 terá o tema “um planeta saudável para a prosperidade de todos – a nossa responsabilidade, a nossa oportunidade”. 

A reunião de dois dias irá comemorar o 50º aniversário da Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente em Estocolmo – que marcou uma nova era de cooperação internacional na área do meio ambiente. 

Na conferência de 1972, 113 países adotaram a Declaração de Estocolmo e o Plano de Ação para o Ambiente, colocando as questões ambientais no topo da agenda internacional. A conferência conduziu também à criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e iniciou um importante diálogo entre países industrializados e em desenvolvimento sobre as ligações entre o ambiente, o crescimento económico e o bem-estar humano. 

@UN Photo:Yutaka Nagata. Conferência de Estocolmo de 1972.

A Stockholm+50 marca um momento no nosso caminho coletivo em direção a um planeta saudável e oferece uma oportunidade de reflexão, de celebração e de construção sobre 50 anos de ação ambiental. 

O encontro será organizado em torno de segmentos plenários, três diálogos de liderança e eventos paralelos que se centrarão na importância do multilateralismo na abordagem da tripla crise planetária. Irá também reforçar os resultados da quinta Assembleia das Nações Unidas para o Ambiente, que teve lugar em março passado, em Nairobi, no Quénia. 

O que é a crise tripla planetária? 

A crise tripla planetária consiste em três questões interligadas que ameaçam a saúde humana e ambiental: alterações climáticas, perda da natureza e de biodiversidade, e poluição e desperdício. 

Esta está a provocar eventos climáticos extremos mais frequentes, tais como tempestades e secas, que agravam a escassez de alimentos e de água. Os dados científicos mostram que para evitar uma catástrofe climática, o mundo tem de reduzir para metade as emissões anuais de gases de estufa até 2030, para atingir um valor líquido zero até 2050. 

As atividades humanas modificaram 77% da terra (excluindo a Antártida) e 87% do oceano. Mais de 2 mil milhões de hectares de terra estão degradados devido ao uso excessivo ou à má gestão e um milhão de espécies enfrentam a extinção. 

A poluição atmosférica, a maior ameaça ambiental à saúde pública a nível mundial, é responsável por aproximadamente 7 milhões de mortes prematuras todos os anos. 11 milhões de toneladas métricas de resíduos plásticos entram todos os anos nos nossos oceanos. Ao mesmo tempo, produzimos 50 milhões de toneladas de lixo eletrónico. 

@ONU-Brasil. Dois homens indonésios limpam a praia em nome do grupo de limpeza do oceano
Como irá a Stockholm+50 abordar a emergência planetária? 

A Stockholm+50 ajudará a acelerar a implementação da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para alcançar um planeta saudável – o que é essencial para o progresso social e económico, bem-estar e resiliência. 

Ao reunir um vasto conjunto de partes interessadas de todo o mundo, a reunião irá enfatizar a importância de uma abordagem multifatorial e multissetorial para abordar as questões ambientais e encarnar a importância da ação colaborativa. A Stockholm+50 destaca também a nossa responsabilidade intergeracional de proteger a Terra e assegurar que os sistemas de apoio à vida estejam disponíveis para todos. 

Durante 50 anos, o mundo juntou-se para enfrentar os maiores desafios ambientais do planeta, desde a erradicação da produção de combustível com chumbo até à proteção de mais de 38.000 espécies e à reparação do buraco na camada de ozono. Esta cooperação internacional restringiu o comércio internacional de mercúrio, proibiu os produtos químicos perigosos e reduziu os preços das energias renováveis. 

Mas 50 anos depois, a necessidade de acelerar a ação a favor do ambiente, da redução da pobreza e dos direitos humanos é mais urgente do que nunca. 

A Stockholm+50 proporciona uma oportunidade única para ser mais um ponto de viragem e conduzir a humanidade de volta ao caminho para um planeta saudável e para a prosperidade de todos.   

Ucrânia: impacto de 100 dias de guerra nas crianças

@Unicef.
@Unicef.

Ao assinalarmos os 100 dias de guerra na Ucrânia no dia 3 de junho contabilizamos pelo menos 5.2 milhões de crianças a precisar de assistência humanitária urgente, 262 mortas e outras 415 feridas no conflito.

De acordo com a UNICEF os primeiros “100 dias de guerra na Ucrânia levaram a consequências devastadoras para as crianças numa escala e velocidade nunca vista desde a Segunda Guerra Mundial.” 3 milhões de crianças dentro da Ucrânia e 2.2 milhões refugiadas precisam de apoio humanitário urgente. Mais de 50% dos refugiados desta guerra são crianças vulneráveis e pelo menos 60% de todas as crianças ucranianas foram obrigadas a deslocarem-se e abandonarem as suas casas. De acordo com o Escritório do Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR) mais de duas crianças são assassinadas e pelo menos 4 são feridos todos os dias na Ucrânia.  

No dia 1 de junho celebra-se o Dia da Criança em todo o mundo e o Dia Internacional da Proteção da Criança na Ucrânia e “em vez de estarmos a celebrar esta ocasião, estamos a reconhecer a nossa proximidade do dia 3 de junho- o 100º dia da guerra que destrui a vida de milhões de crianças” afirma a diretora-executiva da UNICEF, Catherine Russell. A responsável afirma que “sem um cessar-fogo urgente e uma paz negociada, as crianças continuarão a sofrer– e a guerra irá impactar os mais novos em todo o mundo.” 

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@Unicef.

Dentro da Ucrânia, nos países vizinhos e até em países longínquos as crianças encontram-se cada vez mais desprotegidas devido à guerra. No leste e sul da Ucrânia estão particularmente vulneráveis ao conflito violento ativo e, em todo o país, a educação das crianças foi extremamente afetada com centenas de escolas danificadas: com uma em cada 6 escolas destruídas.  As crianças refugiadas “sofrem um risco elevado de separação familiar, violência, abusos, exploração sexual, e tráfico humano.” A UNICEF acredita que o que estas “crianças precisam urgentemente de segurança, estabilidade, serviços de proteção infantil, apoio psicossocial … e acima de tudo, de paz. 

Para apoiar os meninos e meninas, a UNICEF e os seus parceiros estão no terreno na Ucrânia e nos países vizinhos a trabalhar para fornecer aos mais novos e às suas famílias assistência humanitária, incluindo proteção infantil, água e saneamento, saúde, nutrição e serviços de educação. As organizações da ONU distribuíram material médico e de saúde para salvar as vidas de quase 2,1 milhões de pessoas em áreas afetadas pela guerra, permitiram o acesso a água potável a mais de 2,1 milhões de pessoas que vivem em áreas onde as redes foram danificadas ou destruídas, prestaram apoio psicossocial a mais de 610.000 crianças e forneceram material de aprendizagem a quase 290.000 crianças.   

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@Unicef.

Nos países vizinhos, a UNICEF apoia os governos na prestação de serviços e proteção essencial, particularmente para os mais novos e mais vulneráveis. Isto inclui formação anti-tráfico, serviços de educação e integração de crianças refugiadas nas escolas, aquisição de vacinas e material médico e o estabelecimento de centros de diversão e aprendizagem que proporcionam às crianças um sentido de normalidade e descanso tão necessário. Vinte e cinco pontos azuis UNICEF-UNHCR – portos seguros que fornecem apoio e serviços às famílias em movimento – foram estabelecidos ao longo das principais rotas de migração na Moldávia, Roménia, Polónia, Itália, Bulgária e Eslováquia.   

Para apoiar as vítimas mais vulneráveis deste conflito, as crianças, a UNICEF lançou um apelo de $624.2 milhões de dólares para o apoio humanitário na Ucrânia e um apelo de $324.7 milhões de dólares para o apoio nos países vizinhos.