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Um em cada cinco boinas-azuis da ONU atua na Missão de Paz no Mali

País abriga 18 mil integrantes das operações de paz das Nações Unidas no mundo; acordo de paz entre governo maliano e grupos armados foi assinado em 2014; ONU News conversou com integrantes da Guiné-Bissau e de Portugal que servem no país africano. 

Bachelet encerra visita à China destacando complexidade da situação de direitos humanos

Alta-comissária da ONU foi em missão à convite do governo e em Guangzhou, falou sobre avanços que nação tem feito para aliviar a pobreza extrema; por outro lado, Michelle Bachelet afirma que demonstrou ao governo sua preocupação com medidas anti-terrorismo aplicadas na região autônoma de Xinjiang Uyghur. 

Entenda a diferença entre tráfico e contrabando de migrantes

A pandemia de Covid-19 fez aumentar os riscos para pessoas que buscam uma vida melhor em outros países, segundo uma especialista do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Unodc. 

A brasileira Alinne Pedra Jorge destaca que a piora da situação socioeconômica, que vem sendo observada nos últimos dois anos, aumentou a vulnerabilidade dos migrantes.  

Um mesmo objetivo, duas situações diversas 

Com isso, muitas pessoas que tentam cruzar fronteiras acabam sendo vítimas de golpistas e traficantes de seres humanos. Mas qual a diferença entre tráfico e contrabando de migrantes? A responsável pela área de Prevenção do Crime do Unodc explica: 

“A gente tem situações de pessoas que são desde o início enganadas realmente, que recebem falsas promessas de uma vida melhor no exterior ou na Europa ou até de um emprego e são completamente ludibriadas quando chegam ao país de destino. E temos a situação de pessoas que começam a jornada como migrantes, que pagam e fazem uma negociação com o chamado contrabandista, enquanto a pessoa que foi traficada, ela fica numa situação de exploração e até são submetidas à violência etc.” 

Exploração sexual  

Migrantes da Nigéria que foram resgatados pela Guarda Costeira Líbia.

Foto: © UNICEF/Alessio Romenzi

Migrantes da Nigéria que foram resgatados pela Guarda Costeira Líbia.

Segundo Alinne Pedra Jorge, existem ainda casos de migrantes que fazem um acordo com os contrabandistas, mas ao não conseguirem pagar toda a dívida, antes ou durante a jornada, essas pessoas tornam-se vítimas do tráfico, sendo obrigadas a realizar trabalhos forçados ou exploradas sexualmente.  

No caso das crianças que se tornam vítimas, a especialista do Unodc explica que muitas são obrigadas pelos traficantes a mendigar nas ruas.  

A oficial do Unodc menciona ainda cidadãos da África que pagam cerca de € 3 mil no início do percurso para tentarem recomeçar a vida em países europeus.  

A agência da ONU trabalha diretamente com os países, policiais e promotores no combate e na prevenção tanto do contrabando como do tráfico de migrantes.  

  

Capacetes azuis da ONU: vidas dedicadas à manutenção da paz

UN Photo/Martine Perret

Os soldados da paz ou capacetes azuis são as forças de manutenção de paz das Nações Unidas. Civis, militares e polícias que trabalham em conjunto para assegurar a paz e a segurança mundiais.

Estes “heróis e heroínas”, como lhes chama o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, têm origens culturais diversas e vêm de diferentes Estados-membros da organização. Partilham o propósito comum de proteger os mais vulneráveis e os países em situações de conflito.

Desde 1948 mais de um milhão de mulheres e homens serviram como soldados da paz. Hoje, cerca de 87.000 pessoas estão ao serviço da bandeira da ONU. No contexto das suas funções já 4.200 pessoas perderam a vida. No Dia Internacional dos Soldados da Paz, assinalado a 29 de maio, o secretário-geral das Nações Unidas presta homenagem a todos estes cidadãos.

Para António Guterres, “a paz é conquistada quando os governos e sociedade unem forças para resolver as diferenças através do diálogo”, por isso “em todo o mundo, as forças de paz da ONU trabalham com Estados-membros, sociedade civil, organizações humanitárias, media, comunidades que servem e muitos outros, para promover a paz, proteger civis, promover os direitos humanos e o estado de direito e melhorar a vida de milhões de pessoas”.

São muitos os desafios enfrentados pelos soldados da paz como o aumento da violência que faz com que o seu trabalho seja ainda mais perigoso e a pandemia de covid-19 que com as restrições impostas tornaram a concretização das missões uma tarefa ainda mais difícil. Não obstante, as Nações Unidas continuam a operar no terreno e em vários países com situações políticas e sociais delicadas. É disso exemplo a intervenção na República Centro-Africana.

Portugal tem destacados 201 Soldados da paz neste país. Recebeu, inclusivamente, uma medalha pelo trabalho desenvolvido em 2020. Tem ainda pessoas destacadas na Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização do Mali (MINUSMA) e na Missão das Nações Unidas na Colômbia (UNVMC).

O nosso país esteve também envolvido na missão das Nações Unidas em Timor-Leste, na altura da independência. Foi ainda destacado pelo subsecretário-geral para as Operações de Paz da ONU Jean-Pierre Lacroix por “Serviço e Sacrifício”, em 2021.

Trabalho na República Centro-Africana

O Conselho de Segurança da ONU autorizou, a 10 de abril de 2014, o envio de uma operação multidimensional de manutenção de paz na República Centro-Africana, que continua a passar por uma crise humanitária, de segurança, de direitos humanos, a par da crise política, o que tem implicações a nível nacional e regional.

A Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana, conhecida como MINUSCA, visa apoiar o processo de transição neste país, bem como facilitar a assistência humanitária, promover os direitos humanos, apoiar a justiça e o Estado de Direito, promover processos de desarmamento, desmobilização, reintegração e repatriamento de civis.

Carla, funcionária no departamento de Coordenação e Apoio Civil

Apoio civil e coordenação

Manter um contacto assíduo com as comunidades, com os líderes comunitários, com a sociedade civil e com as autoridades municipais é a forma de trabalhar do Departamento de Coordenação e Assuntos Civis da MINUSCA. Carla, luso-angolana, funcionária neste departamento, explica que a ações da sua secção estão presentes em todo o país.

Existem três componentes que fazem parte do mandato deste departamento: a proteção de civis, o diálogo e a reconciliação a nível comunitário e também a restauração da autoridade do Estado. No caso do último, existe um trabalho de cooperação próximo com o governo central e as autoridades locais.

Carla é uma mais-valia para este projeto não tanto pela questão da nacionalidade, como explica, dizendo que os centro-africanos, de modo geral, aceitam bem todas as nacionalidades, mas sim por ter uma “sensibilidade acrescida”, ao ter crescido em Angola e ter acompanhado as especificidades do processo de paz nesse país, que é culturalmente parecido com a República Centro-Africana.

Mariana Lameiras, 1ºcabo e socorrista da Força de Reação Rápida do Contingente Português

Primeiros-socorros

Mariana Lameiras, portuguesa, 1º cabo e socorrista na força de reação rápida do contingente português, é a responsável por uma Ambulância Pandur, uma viatura blindada que visa auxiliar nos primeiros-socorros. Esta secção tem uma função dupla, uma atuação “dentro da base”, para garantir o bem-estar e a saúde dos militares do contingente, em primeiros socorros, juntamente com uma equipa de médicos e enfermeiros, e um trabalho no terreno que procura garantir a proteção de civis e a não violação dos direitos humanos. A viatura permite fazer evacuações em termos médicos.

Descreve as suas funções como “enriquecedoras” do ponto de vista pessoal e profissional, por cumprirem o objetivo de ajudar a sociedade. Mariana promete dar sempre o melhor de si e honrar a sua missão.

Ana de Falco, consultora de género

Igualdade de género

A MINUSCA tem um departamento de género para contribuir para que, tal como a Mariana, as mulheres possam ter uma participação ativa nas atividades militares no terreno, “para que não façam só ações sociais, que é um estereótipo que muitas vezes existe”, e para que possam também patrulhar e terem funções de segurança.

Ana de Falco, brasileira, é a cara dessa função desde setembro de 2021 e trabalha para que as Nações Unidas consigam cumprir a sua resolução sobre igualdade de género. Trata-se de implementar a perspetiva de género no trabalho de departamentos como o de inteligência, de operações, ou de planeamento. Tudo isto é uma via para alcançar o objetivo maior: proteger os civis.

“É muito importante que exista a participação de homens e mulheres para que sejamos capazes de promover o compromisso dos militares e da força com a população local, para que tenhamos informações fidedignas sobre o terreno e para que, com essas informações, consigamos planear melhor as operações militares de forma a proteger melhor as comunidades locais”, explicou a Capitão.

Existe um incentivo para que cada departamento mapeie, na sua área de responsabilidade, todas as organizações e todos os atores locais: as organizações não-governamentais, as associações de mulheres, as associações de jovens. Porque a comunidade “é o interveniente principal. É a comunidade que deve dizer à missão quais são as suas necessidades”.

Anjos, comandante da Unidade de Montagens da Força de Reação Rápida do Contingente Português

Fazer cumprir os princípios das Nações Unidas

O comandante Anjos, da Unidade de Manobras da força de reação imediata portuguesa, atua na condução das operações sob a égide da Force Commander, ou seja, da gestão das operações de paz das Nações Unidas.

É responsável por três unidades escalão pelotão, com trinta elementos cada e assegura que a Unidade de Manobras é capaz de executar qualquer tipo de missão que cumpra os princípios da lei internacional e o mandato das Nações Unidas.

Destaca o orgulho que é representar o seu país, Portugal, e a sua bandeira, “numa organização como as Nações Unidas”.

É um dos cidadãos saudados por António Guterres, pela “dedicação em ajudar as sociedades a afastarem-se do conflito, em direção e um futuro mais pacífico e próspero para todos”.

Cúpula da ONU em Bali divulga recomendações para evitar aumento de desastres

Plataforma Global de Redução de Risco de Desastres de 2022 quer impedir que mundo enfrente 1,5 incidente, por dia, até 2030; recomendações do fórum incluem adoção de sistema de alerta precoce.  

Agência humanitária da ONU amplia operações na Polônia

Nação vizinha à Ucrânia continua sendo principal porta de entrada dos civis que escapam da guerra, tendo recebido mais de 3,5 milhões de refugiados; segundo Acnur, as pessoas chegam ansiosas, sem saber para onde ir. 

OMS: surto de varíola do macaco ainda pode ser contido

© CDC/Cynthia S. Goldsmith

O surto de varíola do macaco que afeta já 16 países e várias regiões do mundo ainda pode ser contido e o risco global de transmissão é baixo, afirmou a agência de saúde da ONU.

“O que sabemos deste vírus e sobre os modos de transmissão, este surto ainda pode ser contido; o objetivo da Organização Mundial de Saúde (OMS) e dos Estados-membros é conter este surto e pará-lo” afirmou Rosamund Lewis, chefe da equipa da varíola, que faz parte do Programa de Emergências da OMS. “O risco para o público em geral parece, portanto, ser baixo, porque sabemos quais os principais modos de transmissão”.

Os últimos dados dos Estados-membros da OMS recolhidos no dia 22 de Maio, indicam mais de 250 casos confirmados e suspeitos de varíola do macaco em 16 países e várias regiões da OMS. Com 58 casos confirmados (a 27 de maio de 2022), Portugal é um dos países mais afetados.

Os sintomas podem ser muito semelhantes aos experienciados pelos doentes com varíola, e, embora sejam menos graves clinicamente são visualmente dramáticos, com pústulas e febre de duas a quatro semanas nos casos mais graves.

Transmissão cutânea

De acordo com a OMS, este surto de varíola do macaco foi transmitido principalmente pelo contacto próximo cutâneo, embora o vírus também possa ser transmitido pelas gotículas de ar e roupa de cama contaminada.

O período de incubação da varíola do macaco é geralmente de 6 a 13 dias, mas pode variar entre 5 a 21 dias. “Ainda não temos informação sobre se o vírus poderá ser transmitido através de fluidos corporais”, observou a especialista da OMS, antes de alertar os grupos potencialmente em risco a “estarem atentos” quando em contacto próximo com outros.

Num esforço para advertir contra a estigmatização daqueles que adoecem com este vírus, a OMS insistiu que embora a maioria dos casos de infeção tenham sido ligados principalmente a homens que têm relações sexuais com homens, isto deve-se provavelmente ao facto de serem mais pró-ativos na procura de conselhos de saúde do que outros.

A doença “pode afetar qualquer pessoa e (não está) associada a qualquer grupo particular de pessoas” disse a Dra. Lewis aos jornalistas em Genebra.

CDC

Realidade para muitos

A OMS sublinhou que o que é invulgar neste surto é que “os países que estão agora a notificar a varíola macaco são países que normalmente não têm surtos de varíola macaco. Há vários países em que esta doença é endémica: a República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Nigéria e Camarões estão a notificar casos neste momento e há outros países que notificaram casos no passado”.

Reservas de vacinas

Embora no passado a vacinação contra a varíola proporcionasse proteção contra a varíola, as pessoas com menos de 40 a 50 anos de idade hoje podem ser mais suscetíveis à infeção pela varíola, uma vez que as campanhas de vacinação contra a varíola terminaram globalmente após a erradicação da doença em 1980.

Embora os Estados-membros tenham pedido à OMS para manter reservas de vacinas contra a varíola no caso de um novo surto da doença, a Dra. Lewis explicou que “já passaram 40 anos e estas reservas podem precisar de ser renovadas – precisam certamente de ser revistas – e a OMS tem estado a trabalhar nisto e tem estado a analisar a situação”.

Existem duas variantes do vírus da varíola macaco: a variante da África Ocidental e a da Bacia do Congo (África Central). O primeiro caso humano foi identificado numa criança na República Democrática do Congo em 1970 e embora o nome varíola do macaco tenha origem na descoberta do vírus em macacos num laboratório dinamarquês em 1958, é um pouco enganador, explicou a Dra. Lewis.

Forças de paz de Angola, Brasil e Portugal falam à ONU News sobre o serviço no terreno

As operações de manutenção de paz das Nações Unidas integram civis, militares e forças policiais na busca da paz e segurança mundiais.*

O processo de estabilização na República Centro-Africana envolve pelo menos 198 portugueses e 10 brasileiros. No Dia Internacional dos Boinas ou Capacetes Azuis, eles celebram a data com outros 90 mil profissionais entre civis e militares que servem em pelo menos 12 missões da ONU pelo mundo.

Apoio civil 

A boina-azul luso-angolana Carla é um dos rostos mais conhecidos das comunidades na República Centro-Africana. Ela faz a ponte de contacto com líderes em níveis comunitário, da sociedade civil e de autoridades municipais.

O trabalho dela no Departamento de Coordenação e Assuntos Civis tem impacto em todo o território centro-africano.

Carla diz ter sensibilidade acrescida por ter nascido em Angola e trabalhar em realidade centro-africana

Reprodução

Carla diz ter sensibilidade acrescida por ter nascido em Angola e trabalhar em realidade centro-africana

Dentre as tarefas estão proteção de civis, diálogo e reconciliação em nível comunitário acompanhando ainda a restauração da autoridade do Estado.

A cooperação envolve autoridades com intervenção central e local.

Carla destaca que mais além da questão de origem, os centro-africanos, de modo geral, aceitam bem todas as nacionalidades. Ela considera ter uma “sensibilidade acrescida” por ter nascido em Angola e o conhecimento do processo de paz que se pode aplicar à realidade centro-africana.

Primeiros socorros

Já a portuguesa Mariana Lameiras é 1º cabo e socorrista na Força de Reação Rápida do contingente do seu país na Minusca.

Ela é a responsável por uma Ambulância Pandur, viatura blindada que visa auxiliar nos primeiros socorros.

A militar atua “dentro da base” para garantir o bem-estar e a saúde dos colegas em primeiros socorros, juntamente com médicos e enfermeiros.

Mas também está a cargo do trabalho no terreno para a proteção de civis e intervir na violação dos direitos humanos. A viatura ajuda a fazer evacuações médicas.

Mariana Lameiras descreve considera “enriquecedor” seu trabalho do ponto de vista pessoal e profissional, por ajudar a sociedade centro-africana. A oficial revela dar sempre o melhor de si e honrar a sua missão.

Igualdade de gênero

A Minusca tem um Departamento de Gênero para envolver mais mulheres de forma ativa nas atividades militares.

Brasileira Ana de Falco considera é muito importante que exista a participação de homens e mulheres para promover compromisso dos militares

Reprodução

Brasileira Ana de Falco considera é muito importante que exista a participação de homens e mulheres para promover compromisso dos militares

Além de realizar ações sociais, um estereótipo que muitas vezes existe, a ideia é organizar patrulhas e funções de segurança.

A brasileira Ana de Falco é a face dessa função desde setembro de 2021 e trabalha para que as Nações Unidas consigam cumprir a tarefa.

A resolução sobre igualdade de gêneros defende a implementação no trabalho de departamentos como o de inteligência, de operações, ou de planeamento. Tudo isto é uma via para alcançar o objetivo maior: proteger os civis.

Compromisso

A capitã destaca que é muito importante que exista a participação de homens e mulheres para promover o compromisso dos militares e da força com a população local, e obter informações fidedignas sobre o terreno e para que, com essas informações, melhore o plano das operações militares de forma a proteger melhor as comunidades locais.

Ela explicou que existe “um incentivo para que cada departamento mapeie, na sua área de responsabilidade, todas as organizações e todos os atores locais: as organizações não governamentais, as associações de mulheres, as associações de jovens. Por que a comunidade “é o interveniente principal. É a comunidade que deve dizer à missão quais são as suas necessidades”.

Princípios das Nações Unidas

Já o comandante Anjos, da Unidade de Manobras da Força de Reação Imediata portuguesa, atua na condução das operações.

 Comandante Anjos expressa orgulho por representar Portugal e sua bandeira na ONU

Reprodução

Comandante Anjos expressa orgulho por representar Portugal e sua bandeira na ONU

O seu cargo tem três unidades escalão pelotão, com 30 elementos cada.  A Unidade de Manobras pode executar qualquer intervenção que “cumpra os princípios da lei internacional e o mandato das Nações Unidas”.

O militar destaca o orgulho por representar Portugal e sua bandeira na organização.

O secretário-geral elogia a “dedicação em ajudar as sociedades a afastarem-se do conflito, em direção e um futuro mais pacífico e próspero para todos” em mensagem sobre o Dia dos Boinas-Azuis das Nações Unidas.

Bandeira da ONU

António Guterres considera os pacificadores “heróis e heroínas” com origens culturais diversas e provenientes de diferentes países com a meta comum de proteger os mais vulneráveis e nações em situações de conflito.

Desde 1948, mais de 1 milhão de mulheres e homens serviram em operações de paz.

Conselho de Segurança autorizou o envio da Missão da ONU na República Centro-Africana em 2014

Minusca/Igor Rugwiza

Conselho de Segurança autorizou o envio da Missão da ONU na República Centro-Africana em 2014

Hoje, cerca de 87 mil pessoas estão em operações sob a bandeira da ONU.  Nessas funções 4,2 mil pessoas perderam a vida.

Na homenagem, o líder da ONU destaca que “a paz é conquistada quando os governos e sociedade unem forças para resolver as diferenças através do diálogo”.

Riscos e obstáculos

Guterres lembra que “em todo o mundo, as forças de paz da ONU trabalham com Estados-membros, sociedade civil, organizações humanitárias, meios de comunicação, comunidades que servem e muitos outros, para promover a paz, proteger civis, promover os direitos humanos e o estado de direito e melhorar a vida de milhões de pessoas”.

Os desafios enfrentados pelos capacetes azuis incluem o aumento da violência que coloca as operações em maior risco.

A pandemia de Covid-19 e as restrições impostas para conter infecções foram obstáculo para a concretização das missões.

Conselho de Segurança

Foi em abril de 2014 que o Conselho de Segurança autorizou o envio da Missão da ONU na República Centro-Africana, Minusma.

Soldados de paz da Minusca.

ONU/Catianne Tijerina

Soldados de paz da Minusca.

O país enfrenta desafios nos campos humanitário, de segurança, de direitos humanos, a par da crise política cujo impacto se estende pela região.

O mandato das Nações Unidas envolve facilitar a entrega de ajuda, promover os direitos humanos, apoiar a justiça e o Estado de Direito.

A intervenção internacional apoia ainda o processo de desarmamento, desmobilização, reintegração e repatriamento de civis.

*Uma reportagem da ONU News Português em parceria com Vladimir Monteiro, equipe de comunicação da Minusca, e António Ferrari, do Unric-Bruxelas.

Ambulância da ONU danificada durante um ataque à Minusma ocorrido em janeiro.

Foto: ONU/Marco Dormino

Ambulância da ONU danificada durante um ataque à Minusma ocorrido em janeiro.

Mulheres com HIV no Brasil melhoram renda fazendo bonecas de pano

Iniciativa criada durante a pandemia da Covid-19 já chega a 35 empreendedoras no país; projeto foi implementado pela ONG Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas, como parte do Fundo Solidariedade do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, Unaids.

Em evento sobre África, Guterres destaca nutrição e segurança alimentar

Secretário-geral discursou em segmento de alto nível da Série Diálogo sobre África, liderado pela conselheira dele para o tema, Cristina Duarte; 20% dos africanos estão subnutridos.

Infectologista não acredita que varíola dos macacos resulte em nova pandemia

Médico brasileiro Stefan Cunha Ujvari, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, falou à ONU News sobre aumento de casos da doença; embora tenha baixo potencial de gerar uma emergência, especialista destaca que sistemas de saúde devem se preparar e isolar os pacientes, já os governos precisam monitorar os surtos.

Comissão de Inquérito sobre a Síria pede que fronteiras permaneçam abertas

Resolução do Conselho de Segurança que permite entrada de ajuda humanitária pelo noroeste do país expira em 10 de julho; mais de 14 milhões de sírios dependem deste tipo de assistência.  

PMA lembra resolução do Conselho de Segurança condenando fome como arma de guerra

Há quatro anos, o Conselho de Segurança aprovou, de forma unânime, uma resolução que reconhecia a conexão entre fome e conflito.

Segundo a chefe de emergências do Programa Mundial de Alimentos, PMA, Margot van der Velden, o texto dava ao mundo humanitário “uma estrutura mais ampla para operar quando a fome é usada como arma de guerra”.

Agricultores na região do Sahel estão lutando para cultivar.

© WFP/Giulio d’Adamo

Agricultores na região do Sahel estão lutando para cultivar.

Conflito e fome

Van der Velden conhece bem o problema. Já trabalhou na região do Sahel, Sudão do Sul, Síria, Iêmen e Afeganistão. Ela é a mentora das principais decisões operacionais que viabilizam a chegada de alimentos a civis em áreas de conflitos e guerras.

A Ucrânia é mais um desafio para a chefe de emergências do PMA. Segundo ela, conflito e insegurança são os principais motores da fome e estão causando, no leste europeu, a crise humanitária que mais cresce no mundo.

Van der Velen ressalta que o conflito na Ucrânia causou agitação nos mercados globais de alimentos e energia, com o aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis colocando milhões em risco de fome em todo o mundo.

Com a continuação da guerra, até 323 milhões de pessoas poderão enfrentar fome aguda em 2022, alerta o PMA. Mesmo trabalhando há 50 anos na linha de frente de conflitos e desastres naturais, a agência da ONU ressalta que os números são surpreendentes.

Trabalho incessante

O trabalho do PMA no combate à fome foi reconhecido com um Prêmio Nobel da Paz em 2020. A agência tenta melhorar as condições de paz em áreas afetadas por conflitos e evitar o uso da fome como arma de guerra.

Mas para a representante, todo esse esforço parece não ser suficiente quando esbarra em “regras completamente diferentes daquelas em vigor décadas atrás”.

O mundo hoje é bem diferente daquele quando os países, que assinaram as Convenções de Genebra, aderiam às regras do jogo. Segundo ela, hoje há “muitos atores que não seguem as leis humanitárias internacionais”.

Para a chefe de emergências do PMA, a resolução de 2018, do Conselho de Segurança sobre conflito e fome, pode não ser “uma solução mágica”, que muda todo o cenário, mas gera evidências que são levadas ao Conselho e são essenciais para encontrar maneiras de mitigar e cobrar por soluções.

Menina carrega tigela de açúcar, distribuída do PMA, dentro do abrigo da família no Iêmen

© WFP/ Saleh Hayyan

Menina carrega tigela de açúcar, distribuída do PMA, dentro do abrigo da família no Iêmen

Crises humanitárias

Em janeiro, antes do início da guerra na Ucrânia, o último relatório produzido pelo PMA em parceria com a Organização da ONU para Alimentação e Agricultura, FAO, mostrou uma perspectiva preocupante para países como Etiópia, Nigéria, Sudão do Sul e Iêmen, onde a assistência humanitária é fundamental para evitar a fome.

O PMA explica que esses países fazem parte de um “anel de fogo” que “está varrendo o mundo”, com conflitos e mudanças climáticas se cruzando com efeitos arrasadores com a pandemia do novo coronavírus, elevando os preços e tornando os alimentos mais básicos inacessíveis.

Segundo van der Velden, o PMA defende o aumento do investimento em ferramentas de alerta precoce que são cruciais para identificar riscos emergentes e tomar ações concretas de antecipação para mitigar o impacto de uma crise.

Tribunal Penal Internacional

Na Ucrânia, a agência da ONU alcançou 3,9 milhões de pessoas. No entanto, a chefe de emergências destaca que ainda há civis presos no leste do país e que elas precisam da ajuda da comunidade humanitária e esforços da diplomáticos para sobreviverem.

Ela conclui afirmando que independentemente da situação política e de segurança, os princípios humanitários e o direito internacional humanitário devem sempre ser respeitados para garantir o acesso aos civis.

Segundo o PMA, desde aprovação da resolução em 2018, comissões foram criadas para investigar o uso da fome em casos específicos.

Além disso, há um crescente envolvimento do Conselho de Direitos Humanos e do relator especial sobre o Direito à Alimentação em questões de conflito e fome, e o estatuto do Tribunal Penal Internacional foi alterado para estender a competência do órgão ao uso da fome em conflitos não internacionais.

Na Indonésia, vice-chefe da ONU destaca alta de desastres sem ações preventivas

Amina Mohammed está em Bali para a Plataforma Global para Redução do Risco; ela ressaltou dados de estudo que estimam possibilidade de mais de um desastre,  por dia, sem medidas de gestão de risco.

Civis totalizam 90% das vítimas de explosivos em áreas urbanas

Estudo mostra143 incidentes de segurança e morte de 93 trabalhadores humanitários em 2021; conflito na Ucrânia fez disparar preços dos alimentos básicos ameaçando os mais pobres.