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No Brasil, casos de Covid-19 triplicam em apenas uma semana

A Organização Panamericana da Saúde, Opas, divulgou nesta quarta-feira que os casos de Covid-19 dispararam em toda a região das Américas na última semana.

A diretora da agência, Carissa Etienne, destacou que, apenas no Brasil, os casos quase triplicaram, subindo em 193% em relação à semana anterior, com 477 mil novas infecções.

Reabertura segura de escolas no nordeste do estado do Rio Grande do Norte, no Brasil

© UNICEF/Alessandro Potter

Reabertura segura de escolas no nordeste do estado do Rio Grande do Norte, no Brasil

Aumento generalizado

O país não está isolado no aumento de transmissão do coronavírus. Paraguai e Guianas acompanham a tendência, com casos dobrando a cada dois dias. Já a Argentina registrou mais de 797 mil novos infectados.

Carissa Etienne afirmou que como os casos de Covid-19 estão crescendo mais ativamente e mais rapidamente do que nunca, fica claro que a variante Ômicron se tornou a cepa predominante na região.

América do Norte, Central e Caribe também observaram o aumento de infecções. Os Estados Unidos concentram a maioria dos novos casos da região, embora os números tenham começado a cair.

Haiti e Martinica, países com a taxa de cobertura vacinal mais baixa da região, continuam a relatar aumentos significativos de transmissão.

Testagem

Para a diretora da Opas, é fundamental que os países sigam monitorando e gerando dados sobre a progressão do vírus para orientar as decisões.

Ela adicionou que as informações são cada vez mais necessárias para entender o impacto da doença nos diferentes grupos de idade, de gênero e de localização. 

Segundo Carissa Etienne, apenas assim será possível equipar municípios e distritos locais com as ferramentas necessárias para gerenciar riscos e orientar suas populações durante esse período.

A representante explicou ainda que os dados também são essenciais para ajudar os países a identificar lacunas e direcionar recursos para garantir que as pessoas com maior risco de doença grave por Covid-19 sejam protegidas primeiro.

Crianças

Ao destacar a vulnerabilidade das crianças durante a pandemia, a diretora da Opas afirmou que o afastamento das salas de aula causou outros impactos na vida dos menores. 

Para ela, além dos riscos para a saúde mental, muitos estudantes dependem das instituições de ensino para fazerem refeições diárias.

Outro aspecto importante é que muitas crianças não tiveram acompanhamento médico nos últimos dois anos. Isso impactou no número de crianças não imunizadas para outras doenças, algumas que já estavam controladas.

Ela citou o surto de sarampo no Brasil e o aumento na transmissão de difteria no Haiti e a República Dominicana. 

Vacinas para crianças

Além de estimular que o calendário de vacinação para crianças siga acontecendo e mantenha as evoluções das últimas décadas, Carissa Etienne afirmou que os países das Américas que já ultrapassaram a meta de vacinar 70% de sua população adulta, devem ampliar a imunização às crianças.

Nesses países, onde grupos vulneráveis já foram protegidos e onde suprimentos adicionais de vacina estão disponíveis, os benefícios de vacinar crianças para reduzir ainda mais a transmissão do vírus devem ser considerados.

A diretora da Opas lembrou que muitos países já autorizaram e estão administrando com segurança vacinas contra a Covid-19 em adolescentes.

Semana passada, o grupo de especialistas em imunização da OMS autorizou a vacina da Pfizer para crianças entre 5 e 12 anos, oferecendo recomendações para os países que estão iniciando a campanha para os menores.
 

OIT lança plataforma de recursos audiovisuais para os media

UN flags
  • por OIT Lisboa

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançou uma nova plataforma de acesso a vídeos para utilização pelos media e pelo público em geral.

A plataforma online, em funcionamento desde ontem (24 de janeiro), apresenta uma vasta seleção de conteúdos de vídeos do mundo do trabalho produzidos pela OIT.

Está organizada em três secções distintas.

Uma secção principal dedicada aos media audiovisuais com notícias de conferências de imprensa (videonewsroom), lançamentos de relatórios e outros eventos oficiais da OIT, fundamentalmente para os media.

Uma secção que contém filmagens/extratos de reportagens com som original (b-roll library), está disponível para readaptação. Abrange uma série de temas como o impacto da pandemia da COVID-19 no mundo do trabalho, trabalho infantil, trabalho forçado, empregos verdes e muito mais. A área b-roll contém também imagens de arquivo desde a criação da OIT em 1919.

Uma terceira, de vídeos editados contém vídeos com guiões que cobrem questões do mundo do trabalho, principalmente em inglês, mas com algum conteúdo em francês e espanhol, que podem ser utilizados para fins educativos, de formação e de sensibilização.

Os vídeos cobrem todas as regiões, são gratuitos para acesso e estão sujeitos a uma licença Creative Commons.

Para além da plataforma de vídeos, estão disponíveis cerca de 20.000 fotografias sobre o mundo do trabalho e a OIT na conta Flickr da OIT .

Para mais informações, contactar multimedia@ilo.org .


Guterres lamenta que antissemitismo esteja reaparecendo 77 anos após fim do Holocausto

Foi realizada na noite desta terça-feira, na sinagoga Park East, em Nova Iorque, uma cerimônia para marcar os 77 anos da libertação de Auschwitz e o fim do Holocausto. O evento contou com a participação virtual do secretário-geral das Nações Unidas. 

Em um vídeo, António Guterres prestou homenagem aos 6 milhões de mortos e lembrou que na ocasião,  “foi destruído o magnífico mosaico da vida judaica na Europa”. Ele explicou que a própria “essência do trabalho das Nações Unidas – por dignidade, por justiça, pelos direitos humanos e pela paz – é para dar sentido à promessa de ‘nunca mais’”.  

Negacionismo  

Fotografias de vítimas no Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, em Washington

Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos

Fotografias de vítimas no Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, em Washington

Guterres lembrou que o antissemitismo é a forma mais antiga de ódio e de preconceito, lamentando que esteja reaparecendo. O chefe da ONU mencionou notícias diárias sobre assédio verbal ou ataques físicos, incluindo casos de sinagogas que são vandalizadas. 

O secretário-geral mencionou o caso recente ocorrido no Texas, Estados Unidos, quando um rabino e os integrantes da congregação foram feitos reféns. Guterres afirmou ainda que as tentativas “perturbadoras de negar, distorcer ou minimizar o Holocausto encontram terreno fértil na internet”.  

O chefe da ONU mencionou o choque que sentiu ao saber, recentemente, que quase metade dos adultos no mundo todo nunca ouviram falar do Holocausto, sendo pior ainda a falta de conhecimento entre as gerações mais jovens. Segundo ele, “a resposta para essa ignorância precisa ser a educação.” 

Crueldade  

O campo de concentração de Auschwitz tornou-se símbolo do terror , genocídio e Holocausto

ONU/ Evan Schneider

O campo de concentração de Auschwitz tornou-se símbolo do terror , genocídio e Holocausto

António Guterres falou ainda sobre o seu país, Portugal, ao lembrar a expulsão dos judeus ocorrida no século 16. Nas palavras do chefe da ONU, tratou-se de “um ato de crueldade que causou enorme sofrimento e um ato de estupidez que produziu séculos de estagnação.” 

O secretário-geral  lembrou que os governos de todo o mundo têm a responsabilidade de ensinar às populações sobre o “horror do Holocausto” e destacou que o Programa das Nações Unidas para Divulgação sobre o Holocausto está na linha de frente desse trabalho.  

Guterres destacou que a libertação do campo de Auschwitz foi “apenas o começo dos esforços para garantir que esses crimes nunca mais aconteçam” e pediu que a comunidade internacional tenha uma posição firme “contra o ódio e a intolerância.” 

Durante a cerimônia em Nova Iorque, o rabino Arthur Schneier, sobrevivente do Holocausto, disse que o conceito “nunca mais” sempre foi seu sonho e sua esperança, porém uma aspiração “estilhaçada pelo antissemitismo, pelo ódio, pela negação do Holocausto, pela xenofobia e por teorias da conspiração.” 

No Conselho de Segurança, Guterres pede fim de ataques em zonas urbanas

Secretário-geral da ONU pede a Estados-membros assegurem respeito às leis humanitárias internacionais; conflitos atuais impactam mais de 50 milhões de pessoas vivem em cidades; 90% das vítimas de bombardeios em áreas populosas são civis.

ODS 1 -A luta para erradicar a pobreza

OBJETIVO 1 - ERRADICAR A POBREZA

O primeiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS 1) foca-se na erradicação da pobreza extrema em todo o mundo, que afeta as pessoas que vivem com menos de 1,25 dólares por dia, até 2030.

Mundialmente, o número de pessoas que vivem em extrema pobreza diminuiu de 36% em 1990 para 10% em 2015, de acordo com as Nações Unidas. No entanto, o ritmo da mudança está a desacelerar e a crise da covid-19 corre o risco de inverter décadas de progresso na luta contra a pobreza. Numa investigação recente levada a cabo pelo Instituto Mundial para Investigação sobre Economia do Desenvolvimento  da Universidade das Nações Unidas (UNU World Institute for Development Economics Research), estabelece-se que as consequências económicas da pandemia poderão vir a aumentar a pobreza no mundo inteiro, atingindo até meio mil milhão de pessoas, o equivalente a 8% da população humana total. Esta seria a primeira vez que a pobreza aumentaria globalmente nos últimos trinta anos.

Em Portugal, a covid-19 também levou a um aumento de 25% da pobreza e a um aumento de 9% da taxa de desigualdade, apesar das políticas de proteção contra a crise implementadas em 2020, de acordo com um estudo do Observatório Social. As políticas de proteção extraordinárias implementadas pelo Governo português em 2020 conseguiram, no entanto, atenuar parcialmente o aumento da pobreza e da desigualdade, segundo o estudo.

É importante salientar que mais de 700 milhões de pessoas (10% da população mundial) vive em condições de pobreza extrema, lutando para satisfazer as necessidades mais básicas como a saúde, educação e o acesso à água e ao saneamento. A maioria das pessoas que vivem com menos de 1,90 dólares por dia estão na África Subsaariana. A nível mundial, a taxa de pobreza nas zonas rurais é de 17,2%, sendo mais de três vezes mais elevada do que nas zonas urbanas.

Mesmo para aqueles que trabalham, ter um emprego não garante uma vida digna. De facto, 8% dos trabalhadores empregados e suas famílias em todo o mundo viviam em extrema pobreza em 2018. Uma em cada cinco crianças vive em situação de pobreza extrema.

© Jamie Martin / World Bank

A pandemia da covid-19 levou ao primeiro aumento da pobreza extrema em três décadas, levando a que entre 119 a 124 milhões de pessoas fossem empurradas para lá da linha de pobreza em 2020.

Para as Nações Unidas, cumprir o primeiro ODS e erradicar a pobreza não é uma tarefa de caridade, mas sim um acto de justiça social e a chave para desbloquear um enorme potencial humano. Por isso, a ONU determinou que as suas ações prioritárias para atingir este objetivo incluem:

  • a melhoria do acesso a meios de subsistência sustentáveis, a oportunidades empresariais e a recursos produtivos;
  • proporcionar o acesso universal a serviços sociais básicos;
  • desenvolver progressivamente sistemas de protecção social para apoiar aqueles que não se podem sustentar a si próprios;
  • a encapacitação das pessoas que vivem na pobreza e das suas organizações;
  • abordar o impato desproporcionado da pobreza nas mulheres;
  • trabalhar com doadores e beneficiários interessados para atribuir os fundos das Ajudas Públicas ao Desenvolvimento para a erradicação da pobreza; e
  • intensificar a cooperação internacional para a erradicação da pobreza.

Escritório de Direitos Humanos condena ataques do Isil no noroeste da Síria

Preocupação maior é com segurança e bem-estar de 700 meninos que estão detidos na prisão de Ghweiran; relatora destaca que condições do local são grotescas pede para países repatriarem esses menores, que seriam vítimas do terrorismo. 

ONU preocupada com presidente e segurança após golpe militar em Burquina Fasso

O secretário-geral das Nações Unidas afirmou que acompanha com grande preocupação os eventos em Burquina Fasso. 

Nesta segunda-feira, António Guterres disse estar particularmente apreensivo com a segurança do chefe de Estado e a instabilidade no país após o golpe realizado no domingo por setores das Forças Armadas.  

Chefes militares  

Sobre o presidente Roch Kaboré, autoridades anunciaram que ainda há informações em relação à sua localização.  

António Guterres pede aos líderes do golpe que abandonem as armas

ONU News

António Guterres pede aos líderes do golpe que abandonem as armas

Agências de notícias informaram que houve som de tiros próximo do palácio presidencial na capital Ouagadougou, em meio a um motim de soldados em vários quartéis.  

Antes, os militares exigiram a demissão de chefes do Exército e mais recursos para combater milícias islâmicas.  

De acordo com os relatos das agências, várias centenas de pessoas saíram em apoio às tropas, forçando as autoridades a declarar um toque de recolher noturno.  Há uma semana, pelo menos 11 soldados foram detidos por supostamente planejar um golpe.  

Governo 

Em nota emitida pelo seu porta-voz, o secretário-geral da ONU condena fortemente qualquer tentativa de tomada forçada de governo pelos militares. 

António Guterres pede “aos líderes do golpe que abandonem as armas e protejam a integridade física do presidente e das instituições nacionais”.  A nota pede moderação e diálogo às partes.  

A ONU reitera o compromisso com a preservação de ordem constitucional e reafirma seu apoio ao povo burquinabe nos esforços em busca de soluções para os vários desafios do país da África Ocidental.  

António Guterres apela à ação para apagar os 5 alarmes de incêndio mundiais

UN Photo/Eskinder Debebe

Numa altura em que “a única certeza é mais incerteza”, os países devem unir-se para forjar um novo caminho, que seja mais esperançoso e igualitário, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, à Assembleia Geral na sexta-feira, expondo as suas prioridades para 2022.

“Enfrentamos cinco alarmes de incêndio mundiais, que requerem uma mobilização total de todos os países”, disse Guterres, referindo-se à pandemia da covid-19, a um sistema financeiro global que considera moralmente falido, à crise climática, à ausência de regulamentação do ciberespaço e à diminuição da paz e da segurança no mundo.

O secretário-geral enfatizou que os países “devem entrar em modo de emergência” e que este é o momento para entrarem em ação, porque a resposta que derem a estas questões  determinará os resultados, que experienciaremos nas próximas décadas.

Alarme Nº 1: A batalha covid-19

Parar a propagação do coronavírus tem de estar no topo da agenda política em todos os países, segundo Guterres, apelando aos líderes mundiais para “entrarem em modo de emergência na batalha contra a covid-19”.

Ao mesmo tempo, o vírus não pode ser utilizado como “cobertura” para minar os direitos humanos, para restringir o espaço civil e as liberdades pessoais ou impor restrições desproporcionadas.

“As nossas ações devem ser fundamentadas na ciência e no senso comum”, explicou, acrescentando que “A ciência é clara: as vacinas funcionam. As vacinas salvam vidas”.

No entanto, a desigualdade no acesso às vacinas persiste apesar de uma estratégia global para vacinar 40% das pessoas até ao final do ano passado e 70% até meados deste ano.

Dar prioridade ao COVAX

As nações mais ricas têm taxas de vacinação sete vezes superiores às dos países em África, o que significa que o continente não atingirá o limiar dos 70% até Agosto de 2024.

Erick Kaglan / World Bank

Além disso, embora sejam produzidas 1,5 mil milhões de doses por mês, a distribuição é “escandalosamente desigual”, declarou António Guterres.

“Em vez de o vírus só se espalhar como se se tratasse de um incêndio descontrolado, também as vacinas deveriam acompanhar o seu ritmo e distribuir-se amplamente”, afirmou o líder da ONU, instando todos os países e fabricantes a darem prioridade ao fornecimento relativo à iniciativa de solidariedade COVAX.

O secretário-geral sublinhou também a necessidade de entrar em ação para combater a “praga” da desinformação vacinal e de melhorar a preparação para futuras pandemias, inclusive através do reforço da autoridade da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Alarme 2: Reforma das finanças globais

A pandemia também evidenciou o fracasso do sistema financeiro global, sobre o qual Guterres foi particularmente categórico. “Digamo-lo como é: o sistema financeiro global está moralmente falido. Favorece os ricos e castiga os pobres”.

O sistema financeiro deve assegurar a estabilidade, apoiando as economias em tempos de choques e crises financeiras, tais como as que a pandemia causou. No entanto, o líder da ONU afirmou que o investimento geograficamente assimétrico está a levar a uma recuperação desequilibrada da crise, aprofundando desigualdades entre países.

Simone D. McCourtie / World Bank

Como resultado, os países mais pobres estão a experienciar um crescimento mais lento, enquanto às nações de rendimento médio é negado o alívio da dívida, apesar do aumento dos níveis de pobreza. A maioria das pessoas em situações de pobreza no mundo pertencem ao género feminino e neste momento estão a pagar um preço elevado pela perda de acesso a cuidados de saúde, educação e empregos, acrescentou o secretário-geral da Organização.

Receita para a instabilidade

“A divergência entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento está a tornar-se sistémica, constituindo uma receita para a instabilidade, crises e migrações forçadas. Estes desequilíbrios não são um erro do sistema, mas sim uma característica do sistema financeiro global”, disse.

Desde o início da pandemia, o secretário-geral tem apelado à reforma do sistema financeiro para que melhor apoiasse os países em desenvolvimento. As medidas que recomendou incluem: a reorientação dos Direitos de Saque Especiais do Fundo Monetário Internacional (conhecidos em inglês por Special Drawing Rights ou SDRs, estes consistem num instrumento de moeda artificial utilizado pelo FMI atribuídos aos seus Estados-membros, sendo apoiados pela plena confiança e crédito dos governos destes países) para países que precisam de ajuda atualmente, um sistema fiscal global mais justo e o combate aos fluxos financeiros ilícitos.

O líder da ONU planeia continuar a insistir nesta reforma durante este ano, a qual instou os países a apoiar.

Alarme 3: A emergência climática

Para o secretário-geral, os países não têm outra escolha senão entrar em “modo de emergência” contra a crise climática.

WMO

O mundo está muito atrasado no que toca à limitação do aumento da temperatura global a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais, tal como está delineado no Acordo de Paris sobre Alterações Climáticas.

As emissões globais devem ser reduzidas em 45% até ao final desta década para se alcançar a neutralidade carbónica até meados do século, o que requer “uma avalanche de ação” em 2022.

Apoiar a transição verde

Todos os países em desenvolvimento e desenvolvidos que são grandes emissores devem fazer mais e muito mais depressa, explicou Guterres, tendo em conta as responsabilidades que todos têm em comuns, mas também as que são específicas a cada país.

O líder da ONU apelou à criação de coligações que forneçam apoio financeiro e técnico às nações, incluindo algumas classificadas como grandes emissoras, que necessitem de assistência na transição da energia a carvão para as energias renováveis.

Entretanto, todos os governos devem reforçar as suas Contribuições Determinadas a Nível Nacional (CND), os seus planos de ação climática ao abrigo do Acordo de Paris, até cumprirem colectivamente a meta de 45% de redução de emissões.

António Guterres foi claro: “Não podem haver novas centrais a carvão, nem nenhuma expansão na exploração de petróleo e do gás natural. Este é o momento para um aumento sem precedentes do investimento em infraestruturas de energias renováveis, triplicando-o para 5 biliões de dólares anuais até 2030”.

Além disso, os países mais ricos devem finalmente cumprir a sua promessa de fornecer 100 mil milhões de dólares em financiamento climático aos países em desenvolvimento, a partir deste ano.

UNDP/Sumaya Agha

Ação e inspiração

A ação em matéria de adaptação climática é também uma prioridade urgente. Na conferência sobre o clima COP26 em Glasgow, no ano passado, os países comprometeram-se a duplicar o financiamento para os esforços de adaptação em 20 mil milhões de dólares. O líder da ONU chamou a isto “um bom primeiro passo”, embora seja ainda muito curto.

“Os sistemas de acesso e elegibilidade devem ser revistos para permitir que os países em desenvolvimento obtenham o financiamento de que necessitam a tempo”, explicou.

Guterres reconheceu que a resposta às alterações climáticas requer um esforço extraordinário e apontou os jovens como uma fonte de inspiração.

“Como acontece com tantas outras questões, os jovens estão na linha da frente na pressão para o progresso. Vamos responder aos seus apelos com ação”, apelou o secretário-geral aos embaixadores.

Alarme quatro: Tecnologia e ciberespaço

Apesar de os desenvolvimentos tecnológicos oferecerem possibilidades extraordinárias para a humanidade, António Guterres advertiu que “o caos digital crescente está a beneficiar as forças mais destrutivas e a negar oportunidades às pessoas comuns”.

O secretário-geral focou-se na necessidade de expandir o acesso à Internet aos quase três mil milhões de pessoas que ainda estão offline e de abordar riscos como o uso indevido de dados pessoais pelas grandes empresas, a desinformação e o cibercrime.

“A nossa informação pessoal está a ser explorada para nos controlar ou manipular, mudar os nossos comportamentos, violar os nossos direitos humanos e minar as instituições democráticas. As nossas escolhas são-nos retiradas sem sequer o sabermos”, declarou.

O líder da ONU apelou a quadros regulamentares fortes para mudar os modelos de negócio das empresas de comunicação social que “lucram com algoritmos que dão prioridade ao vício, aos insultos e à ansiedade à custa da segurança pública”.

O secretário-geral propôs o estabelecimento de um Pacto Digital Global, reunindo governos, o setor privado e a sociedade civil, para se chegar a um acordo sobre princípios-chave que sustentarão a cooperação digital a nível mundial.

Uma outra proposta é a de um Código Global de Conduta para acabar com a divulgação de notícias falsas e a guerra à ciência, promovendo a integridade na informação pública, inclusivamente nos espaços digitais.

Os países são também encorajados a intensificar o trabalho relativo à proibição de armas autónomas letais ou de “robôs assassinos” e a começar a considerar novos quadros de governação para a biotecnologia e a neurotecnologia.

Alarme 5: Paz e segurança

Com o mundo a enfrentar atualmente o maior número de conflitos violentos desde 1945, a paz é extremamente necessária.

Também nesta frente, os países devem agir face a desafios como o ataque aos direitos humanos e ao Estado de direito; o populismo crescente, o racismo e o extremismo; e a escalada das crises humanitárias, alimentadas pelas alterações climáticas.

António Guterres realçou o compromisso da ONU com a paz, comprometendo-se a não poupar esforços na mobilização da ação internacional em numerosas áreas em todo o mundo.

MINUSCA/Hervé Serefio

No Afeganistão, por exemplo, o objectivo é dar apoio à população, injetar dinheiro para evitar o colapso económico do país, assegurar o pleno respeito pelo direito internacional e pelos direitos humanos (particularmente, os das mulheres e raparigas) e combater eficazmente o terrorismo.

Unidade do Conselho de Segurança

Salientando que “este mundo é demasiado pequeno para tantas áreas quentes”, Guterres apelou a um Conselho de Segurança das Nações Unidas unido para enfrentar estes desafios.

“As clivagens geopolíticas devem ser geridas para evitar o caos em todo o mundo. Precisamos de maximizar as áreas de cooperação enquanto estabelecemos mecanismos robustos para evitar uma escalada”, expressou o secretário-geral.

A ONU está também a trabalhar para assegurar que as mulheres estejam no centro da prevenção de conflitos, da pacificação e da construção da paz e que estejam envolvidas na tomada de decisões e na mediação em torno dos processos de paz.

Dado o elevado número de conflitos em todo o mundo, o líder das Nações Unidas apelou a um maior investimento na prevenção e construção da paz, sublinhando a necessidade de uma ONU forte e eficaz.

A Organização fez progressos significativos em matéria de reformas nos últimos anos, afirmou, apelando à ação e ao apoio contínuo dos estados-membros, particularmente para o orçamento anual do programa.

Covid-19 na Europa: OMS acredita que situação irá se estabilizar dois anos após primeiro caso

Declarações do diretor da agência para o continente focam em uma “nova fase da pandemia”; Hans Kluge afirma, entretanto, ser muito cedo para “relaxar”; coronavírus foi responsável por mortes de 1,7 milhão na região.  

Mundo ainda tem 635 milhões de estudantes afetados por escolas fechadas devido à Covid-19

Unicef faz alerta para marcar Dia Internacional da Educação, afirmando que grau do impacto para as crianças chega a ser “imensurável”; agência menciona levantamento feito em estados do Brasil, onde até 10% dos alunos revelam que não retornarão às salas de aula. 

Em Dia Internacional da Educação, ONU pede que mundo faça valer compromissos

Secretário-geral quer celebração lembrando a prioridade de ter o ensino como um bem público e uma prioridade política na recuperação; pandemia interrompeu aulas de 1,6 bilhão de estudantes.

Turismo na montanha: alpinista brasileiro pede respeito ao ecossistema

As Nações Unidas marcam em 2022 o Ano Internacional do Desenvolvimento Sustentável da Montanha. Para falar sobre os impactos que a mudança climática tem causado no ecossistema e o aumento do turismo em destinos montanhosos durante a pandemia, a ONU News conversou com o alpinista Waldemar Niclevicz.

Niclevicz foi o primeiro brasileiro a chegar ao topo do Everest, a montanha mais alta do mundo com 8.848 metros de altitude, em 1995. Além de vencer o destino icônico para muitos aventureiros, ele já escalou mais de 200 montanhas. O K2, no Paquistão, e o Aconcágua, na Argentina, também estão na lista.

O alpinista Waldemar Niclevicz escalando o Cerro Torre, uma montanha da Patagônia, na América do Sul

Arquivo Pessoal/Waldemar Niclevicz

O alpinista Waldemar Niclevicz escalando o Cerro Torre, uma montanha da Patagônia, na América do Sul

Turismo sustentável

De acordo com dados de agências das Nações Unidas, com as restrições de viagens causadas pela pandemia de Covid-19, mais turistas buscaram destinos ao ar livre e em lugares remotos. Os aventureiros querem isolamento e contato com a natureza.

No entanto, com o fluxo maior de pessoas, foi observado o aumento de lixo nesses locais. Uma pesquisa do Programa Mundial para o Meio Ambiente, Pnuma, revelou que quase a totalidade de turistas viram lixo e resíduos ao caminharem pela natureza. 

Niclevicz durante a escalada do K2, em 1998

Arquivo Pessoal/Waldemar Niclevicz

Niclevicz durante a escalada do K2, em 1998

O alpinista brasileiro reforça que as montanhas abrigam quase metade de todos os principais pontos da biodiversidade. Além disso, elas fornecem ainda água doce, todos os dias, para metade da humanidade.

“É uma forma de alertar a humanidade da importância das montanhas para todo o planeta, principalmente para o ser humano e para nossa sobrevivência. Devido, principalmente, o aspecto fundamental que é ser fonte de água. Não só para países onde tem glaciares no alto das montanhas, mas também para países tropicais como o nosso, onde temos florestas nas montanhas. Essa floresta representa também uma verdadeira caixa d’água porque ela retém a água da chuva, alimenta os lençóis freáticos e garante a sobrevivência de grandes cidades, principalmente no Brasil, que estão próximas a montanha. São Paulo depende da água da Serra do Mar, Rio de Janeiro, Curitiba – onde eu moro.”

Por isso, o montanhista afirma que a conscientização e proteção desses locais devem estar cada vez mais em evidência. Além do Ano Internacional, o Dia Internacional da Montanha é comemorado anualmente em dezembro com o mesmo objetivo de promover a sustentabilidade nas áreas, que abrigam 15% da população mundial.

Waldemar Niclevicz nos Alpes de Mischabel na Suiça

Arquivo Pessoal/Waldemar Niclevicz

Waldemar Niclevicz nos Alpes de Mischabel na Suiça

Niclevicz afirma que, com a destruição da natureza, as montanhas são os refúgios que restaram para quem busca estar perto de áreas verdes.

“Nos últimos anos, na última década absolutamente com certeza, o homem começou a buscar mais a natureza. Já começou a buscar mais um contato com seu ambiente primitivo e com as montanhas. Porque, como eu já comentei, o que restou de natureza intocada e ainda primitiva está nas montanhas. O que estava fácil de acesso o homem destruiu, ocupou, construiu cidades, usou para a agricultura e continua usando. Aqueles espaços que não puderam ser ocupados viraram refúgios naturais. São as montanhas. Então, quando alguém sente vontade de caminhar numa floresta, essa floresta está hoje na montanha. Quando ele sente vontade de tomar um banho de cachoeira, essa cachoeira, ou esse rio limpo onde ainda se pode tomar um banho ou sua água, está na montanha.” 

Cuidados com a montanha

Waldemar Niclevicz no topo do Vulcão Puntiagudo na Patagonia Chilena, em setembro de 2017

Arquivo Pessoal/Waldemar Niclevicz

Waldemar Niclevicz no topo do Vulcão Puntiagudo na Patagonia Chilena, em setembro de 2017

Ainda sobre o crescimento do turismo, o alpinista não vê como um problema. No entanto, ele entende que a falta de cuidado dos visitantes, assim como a falta de preparo e respeito para enfrentar os desafios da montanha, podem acelerar a degradação dos locais.

“Ao procurar esse ambiente natural percebeu-se que esse visitante moderno, e esse turista moderno, ele não está preparado para visitar um ambiente natural. Ele não tem um comportamento adequado. Essa pessoa joga lixo, essa pessoa retira plantas, essa pessoa destrói a natureza, corta e abre trilhas ou desloca pedras. Abre atalhos. E o ambiente da montanha é extremamente instável. Esse ecossistema atingiu seu equilíbrio durante muito tempo. O fluxo de pessoas que tem que ser moderado. Não é um lugar para uma visitação intensa. Eu conheço boa parte das montanhas do mundo. Quando você vê na montanha alguém com carregando uma caixa de som na mochila, bebendo, fumando, andando de óculos escuros no meio da floresta. Esse não é um verdadeiro montanhista. Esse é um turista que, naquele final de semana, resolveu extravasar na montanha. Ele vai deixar vidro, ele vai deixar lixo. Ele vai gritar, ele vai levar um facão para cortar o mato.”

Sobre a quantidade de lixo, o Pnuma também possui uma ação com o alpinista nepalês Nirmal Purja. Durante a expedição ao Monte Manaslu do Nepal, a oitava montanha mais alta do mundo, Purja e sua equipe juntaram 500 kg de lixo. Eles buscam fazer o mesmo no Monte Everest e Ama Dablam, no Nepal e no K2, no Paquistão.

Para encerrar, Niclevicz afirmou que espera que o ano dedicado às montanhas ajude na conscientização de todos, desde guias e agências, até os governos e a administração dos parques onde elas estão.

O alpinista brasileiro lembra que esses locais são muito especiais, mas muito delicados e exigem cuidados. Para ele, todo o esforço deve ser colocado para manter o ambiente no seu estado mais natural possível, garantindo que continue existindo para as futuras gerações.

Afeganistão perdeu meio milhão de empregos desde que Talibã tomou o poder

Um levantamento feito pela Organização Internacional do Trabalho, OIT, revela que 500 mil postos de trabalho foram perdidos no Afeganistão desde que o Talibã tomou o poder, em agosto de 2021.  

Segundo a agência, a economia do país está “paralisada” desde que a autoridades de facto tomaram controle. Com alta no desemprego e nas horas de trabalho, as mulheres foram ainda mais prejudicadas.  

Restrições  

Trabalhadoras em fábrica em Herat, Afeganistão.

Foto: Unama/Fraidoon Poya

Trabalhadoras em fábrica em Herat, Afeganistão.

A OIT prevê que até meados do ano o desemprego no Afeganistão aumente, chegando a 700 mil postos perdidos. As piores previsões apontam para a perda de 900 mil empregos como resultado da crise no país e das “restrições impostas à participação das mulheres no mercado de trabalho”.  

Segundo a agência, os níveis de desemprego no grupo estão extremamente baixos pelos padrões globais, caindo 16% no terceiro trimestre de 2021 e podendo cair 28% até meados deste ano.  

O coordenador da OIT no Afeganistão, Ramim Behzad, declarou que a situação no país é “crítica e depende de apoio imediato para a estabilização e recuperação” em vários setores, inclusive na criação de postos de trabalho decentes.  

Construções paradas  

Distribuição de comida em Herat, no Afeganistão.

Foto: © WFP

Distribuição de comida em Herat, no Afeganistão.

Behzad destaca que entre os setores mais afetados pelo desemprego estão agricultura e serviços civis, onde os trabalhadores foram dispensados ou acabaram sem salário. A área da construção, onde 99% dos profissionais são homens, também foi afetada, uma vez que muitos projetos de infraestrutura ficaram parados.  

A OIT explica também que com a tomada de poder por parte do Talibã, “centenas de milhares” de integrantes das forças de segurança do país perderam o emprego. Já os professores e funcionários de saúde foram impactados pela falta de dinheiro circulando na economia.  

Cerca de US$ 9,5 bilhões de bens do Afeganistão ficaram congelados, com consequências no comércio, na ajuda externa e nos investimentos. A OIT destaca ainda que restrições para saques de dinheiro nos bancos empurraram “negócios, trabalhadores e famílias para a miséria”.  

Crianças pagando o preço 

Menina espera para ser atendida em clínica apoiada pelo Unicef em Kandahar, Afeganistão.

Foto: © UNICEF/Alessio Romenzi

Menina espera para ser atendida em clínica apoiada pelo Unicef em Kandahar, Afeganistão.

O desemprego também ameaça piorar o trabalho infantil no Afeganistão, onde apenas 40% das crianças entre cinco e 17 anos de idade frequentam a escola. A OIT revela que mais de 770 mil meninos e 300 mil meninas estão envolvidos no trabalho infantil, sendo que a situação é pior nas áreas rurais. 

Para apoiar os afegãos este ano, a ONU tem como meta fornecer assistência vital e ajudar na manutenção dos serviços sociais. A agência trabalha com empregadores e sindicatos para ajudar a promover emprego e trabalho decente. 

Ajuda humanitária chega aos refugiados em Tigray, após semanas de acesso interrompido

Pela primeira vez em semanas, equipes de ajuda humanitária das Nações Unidas chegaram a campos de refugiados na região de Tigray, na Etiópia. Após ataques aéreos na região, o acesso havia sido interrompido por questões de segurança.

Segundo a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, mais de 20 pessoas morreram nas últimas seis semanas por falta de remédios. 

Desde novembro de 2020, crise no norte da Etiópia resultou em milhões de pessoas que precisam de assistência e proteção de emergência

© UNICEF/Christine Nesbitt

Desde novembro de 2020, crise no norte da Etiópia resultou em milhões de pessoas que precisam de assistência e proteção de emergência

Refugiados

Os relatos ainda apontam que muitos refugiados estão com “medo e lutando para conseguir comer”.

Os mais de 25 mil refugiados que vivem em dois campos em Tigray devem ser realocados para a região vizinha de Amara. O Acnur pediu para que todas as partes em conflito permitam que a transferência aconteça de forma segura.

Segundo o porta voz da agência, Boris Cheshirkov, após três semanas sem acesso à região, os funcionários conseguiram chegar aos campos de refugiados no início desta semana. 

Ele relatou que a equipe encontrou refugiados assustados e sem comida, remédios e com pouco ou nenhum acesso a água potável. 

De acordo com o Acnur, a única fonte de água é dos córregos, que estão secando rapidamente e deixando as pessoas expostas a doenças transmitidas pela água.

Falta de suprimentos

O trabalho dos agentes foi prejudicado pela falta de combustível, impedindo que a água limpa fosse bombeada ou transportada para os campos. 

Cheshirkov adicionou que, apesar dos esforços conjuntos, a completa incapacidade de transportar suprimentos para a região significa que a fome extrema é uma preocupação crescente. 

O porta-voz também afirmou que com a comida acabando no campo e sem estoques adicionais disponíveis para distribuição, os refugiados recorreram à venda de suas roupas e poucos pertences para comer.

Ele afirmou que “mais refugiados morrerão” se alimentos, remédios, combustível e outros suprimentos não chegarem imediatamente e se eles não forem realocados fora de perigo.

O porta-voz do Acnur insistiu que os refugiados “não devem ser reféns” dos combates, reforçando o apelo da ONU para que todas as partes do conflito na Etiópia protejam os civis e respeitem os direitos humanos e as liberdades fundamentais de todos. 

Refugiados etíopes, fugindo de confrontos na região norte do país de Tigray, cruzam a fronteira com Hamdayet, Sudão, sobre o rio Tekeze

©Acnur/Hazim Elhag

Refugiados etíopes, fugindo de confrontos na região norte do país de Tigray, cruzam a fronteira com Hamdayet, Sudão, sobre o rio Tekeze

Desespero

Cheshirkov afirmou ainda que a situação desesperadora nesses campos é um exemplo claro do impacto da falta de acesso e suprimentos que afeta milhões de pessoas deslocadas e outros civis em toda a região.

O agravamento da situação ocorre ao mesmo tempo que o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, alertou que a distribuição de alimentos em Tigray está em seu “mais baixo de todos os tempos”.

Os estoques de alimentos e combustível estão quase totalmente esgotados. Apenas 10 mil pessoas receberam assistência entre 6 e 12 de janeiro, uma pequena parcela dos 9,4 milhões que precisam de ajuda, nas regiões de Tigray, Afar e Amhara. Nos últimos quatro meses, houve um número de 2,7 milhões de necessitados. 
 

Tonga: Ajuda humanitária começar a chegar após reabertura de aeroporto

De acordo com Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, o governo de Tonga solicitou ajuda urgente após as consequências do tsunami que atingiu o grupo de ilhas nesta semana.

Após a confirmação de três mortes, as autoridades agora temem pela qualidade da água disponível e buscam reestabelecer os sistemas de comunicação e conectividade.

Danos após erupção e tsunami em Tonga

© UNICEF/Consulate of the Kingdom of Tonga

Danos após erupção e tsunami em Tonga

Água

Os governos da Nova Zelândia, Austrália e Japão estão colaborando com suprimentos após a reabertura do aeroporto internacional. Voos de socorro chegaram de Nova Zelândia e Austrália nesta quinta-feira depois que as cinzas foram totalmente removidas.

Com o acesso à água potável sendo a maior preocupação tanto na ilha principal de Tongatapu, como nas partes menores, particularmente em Ha’apai, parceiros locais e internacionais estão buscando formas de purificar a água e equipamentos de dessalinização estão sendo enviados.

Os dados indicam que cerca de 50 mil pessoas foram afetadas pelo desabastecimento e a maioria depende de água engarrafada. 

As autoridades aconselharam que os moradores não bebam água da chuva até que mais informações estejam disponíveis. Testes de qualidade estão em andamento.

Erupção explosiva do vulcão Hunga Tonga-Hunga em 15 de janeiro de 2022.

©UNICEF/NOAA

Erupção explosiva do vulcão Hunga Tonga-Hunga em 15 de janeiro de 2022.

Conectividade

De acordo com o Ocha, a conectividade internacional ainda é limitada, embora a situação esteja melhorando gradualmente. 

O governo de Tonga está trabalhando com União Internacional de Telecomunicações da ONU, UIT, autoridades da Nova Zelândia e outros parceiros doadores para reestabelecer o serviço na região.

Segundo o escritório humanitário, um navio está a caminho da região para consertar o cabo de comunicação subaquático, mas o trabalho pode levar algumas semanas para ser concluído. Assim, a comunicação com as ilhas exteriores continua a ser muito limitada.

Cinzas pesadas caem da recente erupção vulcânica em Tonga

New Zealand Defence Force

Cinzas pesadas caem da recente erupção vulcânica em Tonga

Consequências

Ainda há relatos de falta de combustível e o governo australiano passou a enviar suprimentos de gasolina regularmente. 

Dados sobre segurança alimentar são esperados ainda esta semana e estima-se que cerca de 12 mil famílias foram afetadas com as perdas em todos os setores agrícolas.

Há grande preocupação com o efeito da queda de cinzas nas plantações e a cobertura por água salgada, além do potencial de chuva ácida. 

Os dados apontam que cerca de 60% a 70% dos criadores de gado tiveram animais mortos, sofreram danos nas áreas de pasto ou têm fontes de água contaminadas. 

As pescas das zonas costeiras foram significativamente afetadas e o governo desaconselha a pescar ou consumir peixe.

No que diz respeito à saúde, locais como hospital e farmácia na capital não foram danificados e estão em pleno funcionamento. Há alguns relatos de danos em centros de saúde em Tongatapu, ‘Eua e Ha’apai. 

Autoridades e entidades estão monitorando o risco de doenças infecciosas e possíveis transmissões de Covid-19 com a chegada de ajuda humanitária.

O país não possui registros da circulação de coronavírus e, por isso, as entregas até o momento evitam contato de agentes com moradores das ilhas.