O secretário-geral António Guterres pediu o apoio de grandes instituições financeiras para o lançamento do Acelerador Global das Nações Unidas para Empregos e Proteção Social.
Entre as metas da iniciativa estão criar 400 milhões de novos empregos na economia verde e assistencial até 2030. Outro propósito é estender a proteção social a 4 bilhões de pessoas que ainda estão desprotegidas.
Estados frágeis
A informação foi revelada no encontro do Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, FMI, denominado Covid-19 e Estados frágeis: promovendo a recuperação resiliente para as comunidades mais vulneráveis.
ONU
António Guterres pediu prioridade aos mais necessitados no aumento da liquidez para os países
Na sessão, realizada esta segunda-feira, o secretário-geral destacou três áreas de ação imediata para que a retoma da pandemia beneficie a todos, incluindo o grupo de nações.
Em primeiro lugar, António Guterres sugeriu que os investimentos sejam aumentados e direcionados tanto para o alívio da crise de curto prazo, quanto para a recuperação de longo prazo.
Para ilustrar o nível de custos do serviço da dívida, ele destacou que o endividamento público global disparou para 100% do Produto Interno Bruto, PIB. O chefe da ONU pediu prioridade aos mais necessitados no aumento da liquidez para os países.
Crises
Em segundo lugar, o secretário-geral disse que deve haver apoio a governos, especialmente em países afetados por crises e pela fragilidade.
ONU
António Guterres sugeriu que os investimentos sejam aumentados e direcionados para o alívio da crise a curto e longo prazos
Esse impulso teria como foco as políticas sociais e econômicas que consolidem a confiança de cidadãos e aumentem a resiliência contra choques futuros, incluindo a crise climática.
Guterres recomenda que sejam aplicados fundos significativos para alcançar a proteção social universal até 2030, e para que as pessoas estejam preparadas para o mundo do trabalho com novas habilidades e novas qualificações.
Por último, ele disse que para chegar aos avanços necessários, a comunidade internacional deve liderar o processo demonstrando solidariedade e confiança mútuas.
Para o chefe da ONU, cooperação deve ser coerente nos campos humanitário-desenvolvimento-paz para que se alcançar os objetivos comuns.
Especialistas em direitos humanos fazem apelo ao governo e ao setor privado para que ciclo seja quebrado; grupo ficou 10 dias no país e observou uma série de abusos, incluindo condições de trabalho desumanas e riscos para saúde e segurança.
Neste 10 de outubro, é assinalado o Dia Mundial da Saúde Mental sob o lema “Saúde Mental em um Mundo Desigual”.
Uma campanha divulgada até o fim do mês reforça como realizar a meta de promover cuidados para todos em materiais que destacam ações individuais e para apoiar outras pessoas.
Otimismo
Publicações nas redes sociais, marcam a data usando a hashtag #WorldMentalHealthDay. A ideia é enfatizar o momento em que a Organização Mundial da Saúde, OMS, diz haver motivos de otimismo para se melhorar na área.
A agência lançou um relatório alertando que mesmo com aumento da consciência sobre o tema em nível global, somente 2% dos orçamentos de saúde dos governos são direcionados a esta categoria.
OIM/Kaye Viray
Uma criança deslocada pelo conflito em um centro de saúde mental da IOM em Tigray, Etiópia.
Para o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, as violações dos direitos humanos de pessoas com problemas de saúde mental continuam a ser bastante comuns.
No entanto, a Assembleia Mundial da Saúde, realizada em maio, teve governos de todo o mundo reconhecendo a necessidade de ampliar os serviços de saúde mental de qualidade em todos os níveis.
Histórias positivas
A agência da ONU celebra o facto de uma parte destas nações já ter “encontrado novas maneiras de fornecer cuidados de saúde mental às suas populações”.
Por isso, a data ressalta os esforços nacionais e incentiva o público a destacar histórias positivas de atividades que ajudem a inspirar outras pessoas a valorizar a questão.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, revelou que os preços dos alimentos seguiram a tendência de alta em setembro.
Os custos das commodities subiram liderados pelas limitações no abastecimento e pela forte demanda em alimentos básicos, como trigo e óleo de palma.
FAO/Tanzania
Arroz e milho tiveram aumento graças a boas perspectivas com o início das colheitas em alguns países
Índice
O Índice de Preços dos Alimentos teve alta de 1,2% em relação ao mês passado e foi 32,8% superior no mesmo período no último ano. O indicador internacional acompanha as variações mensais nos preços das commodities alimentares.
Os cereais subiram 2%, impulsionados pelo trigo, que viu alta de 41% em comparação com 2020. A subida de preços está ligada a problemas logísticos e crescimento da demanda.
O arroz e o milho também tiveram aumento graças a melhores perspectivas com o início das colheitas em alguns países, balanceando os impactos das interrupções portuárias após os furacões nos Estados Unidos.
Óleos vegetais, produtos derivados de leite e açúcar também estão em alta. De acordo com a FAO, o preço da carne permaneceu estável em comparação com agosto, mas subiu em 26% nos últimos 12 meses.
Cereais
A produção mundial de cereais em 2021 deve atingir um novo recorde e chegar na casa de 2,8 bilhões de toneladas. O aumento de 1,1% não será capaz de suprir a necessidade global, de acordo com as estimativas da FAO.
O consumo de cerais deve ser 1,8% maior que a disponibilidade da safra, liderado por um aumento no uso de trigo para ração animal, tendência impulsionada pelos altos preços em outros grãos.
Assim, é esperada uma retração nos estoques de cereais. Entretanto, de acordo com a agência da ONU, o nível ainda é seguro.
A alta comissária para os Direitos Humanos expressou alarme com os recentes ataques contra membros dos povos Yanomami e Munduruku do Brasil por mineiros ilegais na Amazônia.
Discursando esta sexta-feira, em Genebra, Michelle Bachelet citou tentativas de legalizar a entrada de empresas em territórios indígenas e limitar a demarcação dessas terras no fim de mais uma sessão do Conselho de Direitos Humanos.
Foto: UNDP
Bachelet está preocupada com votação do marco temporal
Garimpeiros
As tensões envolvendo os garimpeiros ilegais na região amazônica foram divulgadas em julho por agências de notícias.
Bachelet destacou a apreciação de projeto de lei sobre o tema na Câmara dos Deputados no Brasil.
O apelo dirigido às autoridades brasileiras é que revertam políticas que afetam negativamente os povos indígenas e não se retirem da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho sobre Povos Indígenas e Tribais.
Outra razão da preocupação do escritório de Direitos Humanos é o novo projeto de legislação antiterrorismo no Brasil.
De acordo com Bachelet, a proposta “inclui disposições excessivamente vagas e amplas que apresentam riscos de abuso, especialmente contra ativistas sociais e defensores dos direitos humanos”.
Foto: ONU News/Daniel Johnson
Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para os Direitos Humanos
Situação haitiana
O Haiti foi outra nação das Américas mencionada no discurso da chefe de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Bachelet pediu foco dos envolvidos para garantir a resiliência do país caribenho, com o progresso sustentável nos direitos econômicos e sociais e atenção especial às mulheres e meninas.
A alta comissária destacou o assassinato do presidente Juvenal Moise, em julho passado.
Para ela, o incidente é um exemplo da crescente insegurança do país. Sua maior preocupação em relação ao Haiti é com ataques contínuos contra funcionários judiciais e defensores dos direitos humanos.
As Nações Unidas querem que as autoridades da Etiópia permitam a continuação do seu trabalho humanitário, após a recente declaração de sete funcionários da organização como persona non grata e sua expulsão do país.
Na sessão mais recente do Conselho de Segurança sobre o tema, o secretário-geral António Guterres disse que com o desenrolar da crise em Tigray as necessidades têm aumentado.
Cópia
No discurso feito na quarta-feira, o chefe da ONU destacou que de todos os esforços devem ser focados em salvar vidas e evitar que aconteça uma grande tragédia humana.
Na reunião, Guterres pediu o Direito de Resposta formal ao embaixador Taye Atske Selassie Amde. O diplomata alegou que dados sobre a fome teriam sido usados como arma de guerra, provocando mortes ou ações a favor da Frente de Libertação do Povo Tigray.
PMA/Claire Nevill
Alimentos doados pelo PMA são descarregados de um caminhão em Zelazle, no norte de Tigray.
O secretário-geral pediu que caso houvesse qualquer documento escrito fornecido pelo governo etíope “a qualquer instituição da ONU sobre qualquer um dos funcionários expulsos gostaria de receber uma cópia”. O líder das Nações Unidas defende que não teve “nenhum conhecimento da existência deles. ”
O secretário-geral pediu ainda que o embaixador fornecesse tais provas, declarando que por duas vezes pediu ao primeiro-ministro que expressasse qualquer preocupação sobre a “imparcialidade” do pessoal da ONU, sem resposta.
Direito internacional
Para o secretário-geral, a Etiópia está violando o direito internacional e não tem o direito de expulsar os sete funcionários do país.
Mesmo com a medida, a ONU disse estar pronta para cooperar com o Governo da Etiópia em qualquer situação “caso sinta que qualquer membro da ONU não está se comportando com total imparcialidade, com total independência, como prescrevem o direito humanitário e os princípios humanitários.”
A reunião aconteceu uma semana após as autoridades de Addis Abeba terem expulsado o grupo de altos funcionários. Para o chefe da organização, essa “medida sem precedentes é profundamente preocupante, porque se relaciona com o cerne das relações entre a ONU e os Estados-membros”.
ONU/Manuel Elias
Conselho de Segurança debateu crise na Etiópia na quarta-feira
Após a decisão, as Nações Unidas enviaram uma nota ao governo etíope ressaltando que “declarar um funcionário persona non grata e exigir que ele deixasse o território é inconsistente com as obrigações de um país nos termos da Carta da ONU.”
Medidas
A correspondência diplomática explicava que se um governo tiver quaisquer questões específicas relativas a indivíduos, a ONU deveria ser informada para que o secretário-geral pudesse tomar medidas quando necessário.
Guterres destacou que “existe um procedimento formal adequado – e esse procedimento não foi seguido”.
As Nações Unidas prometem atuar com o governo e parceiros em apoio a milhões que precisam de assistência. O pedido feito às autoridades etíopes é que permitam uma atuação sem obstáculos e facilitem e deixem que o trabalho aconteça “com a urgência que esta situação exige.”,
António Guterres realçou a magnitude da crise no norte da Etiópia, após quase um ano de combates entre as tropas federais e as regionais da região em Tigray. A região do extremo norte tem cerca de 400 mil necessitados.
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento afirma que índice de pobreza demonstra desigualdades acentuadas entre grupos étnicos; pesquisa também observa que mulheres são mais vulneráveis; Angola e Moçambique possuem mais da metade da população passando por dificuldades.
Relatório da Comissão Econômica da ONU mostra dificuldades que jovens e idosos estão enfrentando para encontrar habitação, principalmente nas grandes cidades, com preços dos alugueis disparando.
Milhões de pessoas em todo o mundo acedem ao Google para obter informações sobre alterações climáticas e sustentabilidade. A partir do final de outubro, quando os usuários pesquisarem “alterações climáticas”, poderão encontrar informações confiáveis fornecidas pelas Nações Unidas. Além dos resultados da pesquisa orgânica, o Google apresentará anúncios em texto e visuais curtos e fáceis de entender sobre as causas e os efeitos das alterações climáticas, bem como ações individuais que as pessoas podem realizar para ajudar a enfrentar a crise climática.
A subsecretária-geral das Nações Unidas para Comunicações Globais, Melissa Fleming, afirmou que a ONU está muito feliz “em trabalhar com o Google para garantir que conteúdo factual e confiável sobre o clima esteja disponível para um público global tão amplo quanto possível”.
A subsecretária-geral das Nações Unidas para as Comunicações Globais, Melissa Fleming, afirmou que a ONU está muito feliz “em trabalhar com o Google para garantir que conteúdo factual e confiável sobre o clima esteja disponível para um público global tão amplo quanto possível”.
A responsável máxima da Comunicação da ONU lembra que “a desinformação está tão difundida atualmente que ameaça o progresso e a compreensão em muitas questões críticas, incluindo o clima”, por isso, “a necessidade de informações precisas e baseadas na ciência sobre um assunto como as alterações climáticas nunca foi tão grande”.
No seu mais recente relatório, “A Nossa Agenda Comum”, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou ao combate da “infodemia” da desinformação que assola o mundo e propôs a introdução de um código de conduta global que promova a integridade da informação pública, dos factos e da ciência no discurso público.
Para o Google, os recursos de pesquisa são parte de um esforço maior para criar produtos e ferramentas que capacitem as pessoas a melhor compreender e limitar seu impacto ambiental pessoal.
O conteúdo irá para o ar na Pesquisa Google em inglês, francês e espanhol este mês eserá expandido a outros idiomas mais tarde.
A Organização Mundial da Saúde, OMS, anunciou nesta quarta-feira que novos casos de infecção de Covid-19 caíram em todo mundo. Globalmente, o declínio foi de 9%. O número de mortes ficou no mesmo patamar registrado anteriormente.
A Organização Pan-Americana da Saúde, braço da agência nas Américas, registrou uma queda de 12% em novos casos. A região teve 1,2 milhões recém- infectados e 24 mil óbitos relacionadas com Covid-19.
Opas Colômbia/Karen González Abr
Comunidade indígena na Colômbia em campanha de vacinação contra Covid-19
Américas
A diretora-geral da Opas, Clarisse Etienne, destacou que embora o continente acompanhe a tendência de queda, ainda há focos da doença em alguns países.
Ela citou Chile, Cuba e Bermudas e enfatizou Barbados, onde o número de infecções subiu em 75% na semana passada. México e Canadá também tiveram mais casos nos últimos dias.
Destacando as diferenças na região, Etienne trouxe a lacuna de vacinação como uma questão importante. Ela afirmou que apenas 37% da população da América Latina e Caribe estão completamente imunizadas.
Vacinação
De acordo com a representante da Opas, em países como Jamaica, Nicarágua e Haiti, o nível de imunização segue abaixo dos 10%.
Ela afirmou que apenas sete nações das Américas alcançaram a meta de imunizar ao menos 70% de sua população.
Os Estados Unidos e o Brasil registraram o maior número de doses aplicadas, mas seguem abaixo da marca, proporcionalmente à quantidade de habitantes.
Unicef/Fouad Choufany
Covid-19 expôs a grande injustiça da falta de compensação pelo trabalho de criar filhos e tomar conta de outras pessoas
Parcerias
Etienne reforçou a necessidade de empenho conjunto para ações que diminuam a diferença. Nesse sentido, anunciou um acordo entre a Opas em três produtores de imunizantes autorizados: Sinovac, Sinopharm e AstraZeneca.
Ela explicou que os países-membros da Opas podem utilizar as vacinas como alternativa pela compra direta por meio do Fundo Rotativo.
Ao citar a chegada de 875 mil doses aos países da América Latina, Etienne destacou que a quantidade não é suficiente para proteger a todos e pediu doações de países com imunizantes excedentes.
Por ocasião do Dia Mundial do Professor, neste 5 de outubro, o fundo “Educação Não Pode Esperar” anunciou que cerca de 4,6 milhões de crianças e adolescentes foram alcançados com educação de qualidade em mais de 30 crises humanitárias em todo o mundo.
Cerca de 48% desse total são meninas, de acordo com a iniciativa global das Nações Unidas que promove a educação em emergências e crises prolongadas.
Brasil e Moçambique
O Relatório de Resultados Anuais “Vencendo a corrida humana” enfatiza a importância de se investir no corpo docente para apoiar e promover os resultados de aprendizagem de qualidade para alunos afetados pela crise de saúde.
Em nível global, a iniciativa recrutou e apoiou financeiramente mais de 150 mil professores, incluindo 41 mil mulheres.
Unicef/Daniel Timme
Adolescentes estudam em uma escola na região afetada pelo conflito de Cabo Delgado, em Moçambique
Brasil e Moçambique são os únicos países de língua portuguesa onde a iniciativa apoiou ações locais realizadas por outras entidades.
Em território brasileiro, o destaque é para a situação gerada pela entrada de refugiados, tal como nos vizinhos Colômbia, Equador e Peru. Com este cenário aumentou a necessidade de apoio a atividades de educação.
Em todo o Brasil, foram apoiados 11.890 refugiados, sendo que 48% são meninas. Pelo menos 9,3 mil professores e outros profissionais do setor foram capacitados para servir em contextos de emergência e a crianças indígenas.
Ensino
Em Moçambique, a iniciativa global apoiou aulas pela TV e rádio durante o fechamento de escolas na pandemia. No país africano, foram reabilitadas salas de aulas beneficiando cerca de 15.510 alunos.
Na emergência pós-ciclone, materiais de ensino e aprendizagem chegaram a mais de 142 mil estudantes moçambicanos.
Em todo o mundo, o fundo entregou materiais de aprendizagem a mais de 2,6 milhões de crianças e adolescentes afetados por emergências e crises prolongadas.
Acnur/Reynesson Damasceno
Apelo aos líderes mundiais é que acelerem e garantam um financiamento adequado para a educação dedicada a todas as meninas
Em tempo de pandemia, cerca de 29,2 milhões de menores em situação de fragilidade e 310 mil professores vivendo em situações de crise e emergência receberam auxílio. Foram apoiadas soluções de ensino a distância, divulgadas mensagens e “produtos integrados para garantir a educação continuada e proteger a saúde e o bem-estar de crianças, professores e suas comunidades durante a crise”.
Mas a Covid-19 também aumentou os riscos para os grupos mais vulneráveis, particularmente meninas, crianças e adolescentes com deficiência.
Conflitos armados
O enviado da ONU para Educação Global, Gordon Brown, destaca o drama de milhões de menores marginalizados e já afetados por conflitos armados, deslocamento forçado, desastres devido a mudanças do clima e crises prolongadas.
Para Brown, a Covid-19 foi uma “crise dentro de outra crise já em curso”, na qual a educação de uma geração inteira enfrenta perdas irreversíveis em emergências e crises prolongadas.
Unmiss
Movimentação forçada de pessoas também afeta estabilidade da comunidade e acesso de menores às escolas
Os desafios incluem cerca de 20 milhões de meninas deslocadas, principalmente adolescentes, vivendo em risco. Para ele, a nova publicação ilustra “como se pode resistir às ameaças e permanecer mais firmes para vencer a corrida humana”.
O apelo aos líderes mundiais é que acelerem e garantam um financiamento adequado para a educação dedicada a todas as meninas, crianças e adolescentes apoiados pela “missão coletiva” de educá-los.
Foi um setembro inesquecível, crucial para os compromissos com a ação climática. Da semana da Assembleia Geral das Nações Unidas até à reunião final pré-COP, o mês passado foi um momento importante para ganhar balanço antes da decisiva Conferência do Clima da ONU, COP26, que terá lugar no início de novembro.
1 – Milhares de milhões para a energia limpa
Mais de 400 mil milhões de dólares em novos financiamentos e investimentos foram garantidos por governos e pelo setor privado durante o Diálogo de Alto Nível sobre Energia das Nações Unidas, a primeira reunião de líderes sobre energia, no âmbito da Assembleia Geral da ONU, em 40 anos.
Mais de 35 países, desde Estados insulares a grandes economias emergentes e industrializadas, assumiram novos compromissos energéticos significativos, que terão a forma de “Pactos”.
Por exemplo, o “No New Coal Compact” inclui Sri Lanka, Chile, Dinamarca, França, Alemanha, Reino Unido e Montenegro.
Os países envolvidos neste pacto comprometeram-se a parar imediatamente a emissão de novas licenças para projetos de geração de energia a carvão e cessar novas construções de geração de energia a carvão, a partir do final de 2021.
Várias novas iniciativas de parceria foram anunciadas durante o evento, com o objetivo de fornecer e melhorar o acesso a eletricidade confiável, para mais de mil milhões de pessoas.
Saiba mais sobre estes compromissos: importantes aqui.
2 – Estados Unidos e China impulsionam ação climática
As duas maiores economias do mundo comprometeram-se com uma ação climática mais ambiciosa durante a semana de alto nível da Assembleia Geral.
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que o país aumentaria significativamente o seu financiamento climático internacional para aproximadamente 11,4 mil milhões de dólares por ano.
Enquanto isso, o presidente Xi Jinping da China disse que acabará com todo o financiamento de centrais termoelétricas a carvão e redirecionará esse apoio à geração de energia verde e de baixo carbono.
Embora os anúncios tenham sido muito bem-vindos, o secretário-geral da ONU sinalizou que ainda há “um longo caminho a percorrer” para fazer da Conferência do Clima da ONU (COP26) em Glasgow um sucesso que garanta “um ponto de viragem nos nossos esforços coletivos para lidar com o clima crise”.
A Semana do Clima em África estimulou a ação regional
Pessoas de toda a África reuniram-se virtualmente durante vários dias para destacar a ação climática, explorar possibilidades e apresentar soluções ambiciosas.
Mais de 1.600 participantes juntaram-se ativamente neste encontro virtual, com o governo anfitrião do Uganda a reunir governos com líderes do setor privado, académicos e outras partes interessadas importantes.
Janet Rogan, embaixadora regional da COP26 para a África e o Médio Oriente destaca que a reunião permitiu que muitas partes interessadas construíssem novas parcerias e fortalecessem as já existentes. “Só trabalhando juntos podemos realmente ajudar a cumprir a ambição do Acordo de Paris, ao mesmo tempo que estamos cientes das oportunidades e desafios únicos que isso representa para a região”, acrescenta.
Agências da ONU que estiveram envolvidas:
O Banco Mundial examinou abordagens de toda a economia para uma recuperação sustentável e verde
A Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) publicou o seu primeiro balanço das florestas e paisagens da África, revelando que até 65 por cento das terras produtivas estão degradadas, enquanto a desertificação afeta 45 por cento da área terrestre daquele continente.
África contribuiu pouco para as alterações climáticas, gerando apenas uma pequena fração das emissões globais. No entanto, pode ser a região mais vulnerável do mundo que já sofre com secas, inundações e invasões destrutivas de gafanhotos, entre outros.
Anfitrião da COP, Reino Unido, pede aos países que “garantam financiamento”
Logo no início da Assembleia Geral, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, convocou uma reunião de emergência para pressionar os países a tomarem mais medidas de financiamento do clima e outras medidas antes da COP26 da ONU.
Os líderes mundiais abordaram as lacunas que permanecem nas ações necessárias dos governos nacionais, especialmente as potências industrializadas do G20, sobre mitigação, financiamento e adaptação.
O primeiro-ministro do Reino Unido advertiu que “a história julgará” as nações mais ricas do mundo se elas não cumprirem a sua promessa de disponibilizar 100 mil milhões de dólares em ajuda climática, por ano, antes da COP26.
O líder do governo britânico também garantiu que o seu país “liderará pelo exemplo, mantendo o meio ambiente na agenda global e servindo como plataforma de lançamento para uma revolução industrial verde global”.
Líderes mundiais comprometidos com reforma dos Sistemas Alimentares
Os sistemas alimentares causam até um terço das emissões de gases de efeito estufa, até 80% da perda de biodiversidade e usam até 70% das reservas de água doce.
No entanto, sistemas sustentáveis de produção de alimentos devem ser reconhecidos como uma solução essencial para estes desafios.
A 23 de setembro, a primeira Cimeira dos Sistemas Alimentares da ONU reuniu líderes mundiais para promover ações nacionais e regionais que transformem a forma como produzimos, consumimos e descartamos os nossos alimentos.
Seguindo o último relatório do IPCC, que lançou o alerta vermelho, a administração dos Estados Unidos, um dos maiores produtores agrícolas do mundo, prometeu disponibilizar 10 mil milhões de dólares em cinco anos para enfrentar as alterações climáticas e ajudar a alimentar os mais vulneráveis sem esgotar os recursos naturais.
A Cimeira, convocada pelo secretário-geral da ONU em 2019 para acelerar o progresso global, alavancando a importância dos sistemas alimentares, apresentou outros compromissos de mais de 85 chefes de Estado em todo o mundo.
Muitos países anunciaram iniciativas nacionais para garantir que os seus sistemas alimentares atendam não apenas as necessidades nutricionais das suas populações, mas também as metas relacionadas com as alterações climáticas, a biodiversidade e os meios de subsistência dignos para todos. Organizações empresariais e da sociedade civil também fizeram promessas importantes.
Dos 43 milhões de habitantes do Sudão, 7.1 milhões estão em situação de insegurança alimentar. Na foto, dois homens preparam bandejas com comida na Escola Al Tijane em El Fasher para o iftar, a refeição da noite que quebra o jejum muçulmano durante o mês do Ramadão. A UNAMID patrocinou o evento que reuniu cerca de 500 pessoas. UN Photo/Albert González Farran.
Chega de ‘blá,blá,blá’
Perto de 400 ativistas de 15 aos 29 anos de 186 países reuniram-se em Milão, em Itália, há poucos dias, para apelar a uma aceleração da ação climática. A poucas semanas da COP26, eles destacaram a liderança jovem e pressionaram por uma sociedade muito mais consciente do clima.
Greta Thunberg, juntamente com a ambientalista ugandense Vanessa Nakate, estavam entre os palestrantes no evento Youth4Climate, promovido pelo governo de Itália e o Banco Mundial.
“Reconstrua melhor. Blá blá blá. Economia verde. Blá blá blá. Emissões zero em 2050. Blah, blah, blah. Isso é tudo o que ouvimos dos nossos chamados líderes. Palavras que parecem ótimas, mas até agora não levaram à ação. As nossas esperanças e ambições afogam-se nas suas promessas vazias , lembrou Greta Thunberg.
“Basta de conferências vazias, é hora de mostrar o dinheiro”, acrescentou Nakate, 24, referindo-se aos 100 mil milhões de dólares de ajuda climática anual prometida pelas economias mais ricas para ajudar os países em desenvolvimento vulneráveis ao impacto das alterações climáticas.
“O que queremos? Queremos justiça climática agora”, destacou Thunberg, conhecida por inspirar uma série de greves climáticas de jovens em todo o mundo desde 2018.
A reunião de três dias foi finalizada com um documento conjunto apresentado nas reuniões de negociação durante o evento de preparação da COP26, o Pré-COP.
O chefe da ONU, António Guterres, agradeceu aos jovens por contribuírem com ideias e soluções antes da Conferência do Clima da ONU.
“Os jovens estão na vanguarda na apresentação de soluções positivas, defendendo a justiça climática e cobrando responsabilidades aos líderes. Precisamos de jovens em todos os lugares para continuar a levantar as suas vozes”, afirmou Guterres.
Próximos compromissos: a Pré-COP
Cada Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP) é precedida por uma reunião preparatória realizada cerca de um mês antes, chamada de Pré-COP. A reunião constituiu a última oportunidade formal e multilateral para os ministros moldarem as negociações ao pormenor antes da reunião em Glasgow em novembro.
O evento, este ano teve lugar em Milão, reuniu ministros do Clima e da Energia de um grupo selecionado de países para discutir e trocar opiniões sobre alguns aspetos políticos-chave das negociações e aprofundar alguns dos principais temas que serão tratados na COP26.
A reunião aconteceu algumas semanas depois de ter sido publicado um relatório da ONU sobre Alterações Climáticas que identificava a necessidade das nações de redobrarem urgentemente os seus esforços climáticos se quiserem evitar o aumento da temperatura global além da meta do Acordo de Paris de 2C – idealmente 1,5C – até ao final do século.
A UNICEF adverte no seu novo relatório sobre saúde mental, para o facto de que as crianças e jovens irão sentir o impacto da covid na sua saúde mental e no seu bem-estar durante muitos anos.
De acordo com as últimas estimativas disponíveis, calcula-se que, a nível mundial, mais de um em cada sete adolescentes com idades compreendidas entre os 10 e os 19 anos vivam com um distúrbio mental diagnosticado. Quase 46 mil adolescentes morrem anualmente de suicídio, uma das cinco causas principais causas de morte para o seu grupo etário. Apesar desta realidade, persistem grandes lacunas entre as necessidades de investimento na saúde mental e o financiamento do seu tratamento. O relatório mostra que, a nível global, apenas 2% dos orçamentos públicos da área da saúde são atribuídos a despesas com a saúde mental.
“Os últimos 18 meses têm sido muito, muito longos para todos nós – especialmente para as crianças. Com os confinamentos e todas as restrições relacionadas com a pandemia, as crianças perderam anos fundamentais das suas vidas longe da família, dos amigos, das escolas, das brincadeiras – elementos-chave da própria infância”, disse a Directora Executiva da UNICEF Henrietta Fore. “O impacto é significativo, e é apenas a ponta do iceberg”. Mesmo antes da pandemia, demasiadas crianças eram sobrecarregadas com o peso de problemas de saúde mental não resolvidos. Os governos estão a investir muito pouco para fazer face a estas necessidades críticas. Não está a ser dada a devida importância à relação entre a saúde mental e os resultados da vida futura”.
Beatriz Imperatori, diretora executiva da UNICEF Portugal, afirma que “É evidente que a pandemia veio trazer desafios tremendos, que obrigaram todas as pessoas, em particular, crianças e jovens a desenvolverem capacidades extraordinárias para se adaptar ao novo dia-a-dia. A alteração drástica das rotinas, dos hábitos – que inclui as aulas presenciais, o convívio com os amigos e familiares e, também, os desafios socioeconómicos e emocionais das famílias – veio trazer mudanças consideráveis. Mas, a saúde mental, já era um desafio anterior à pandemia que veio adensar-se com esta realidade. É necessário que as autoridades estejam atentas e que ajam ativamente, que se envolvam e comprometam, com as soluções necessárias para melhorar a qualidade da saúde mental das nossas crianças e jovens. É necessária uma maior atenção sobre este tema e um maior investimento.”
A saúde mental das crianças durante a pandemia
De facto, a pandemia tem tido o seu preço. De acordo com os primeiros resultados de um inquérito internacional a crianças e adultos em 21 países conduzido pela UNICEF e a Gallup – que está previsto no relatório “A Situação Mundial da Infância” – uma média de um em cada cinco jovens inquiridos, com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos, diz sentir-se frequentemente deprimido ou com pouco interesse em fazer as coisas.
À medida que a COVID-19 se aproxima do seu terceiro ano, o impacto na saúde mental e bem-estar das crianças e dos jovens continua a ter um peso muito elevado. De acordo com os últimos dados disponíveis da UNICEF, globalmente, pelo menos um em cada sete crianças foi diretamente afetada pelos confinamentos, enquanto mais de 1,6 mil milhões de crianças sofreram alguma perda ao nível da educação. A perturbação das rotinas, da educação, do lazer, assim como a preocupação com o rendimento familiar e a saúde, está a deixar muitos jovens com medo, revoltados e preocupados com o seu futuro. Por exemplo, um inquérito similar realizado na China no início de 2020 e citado n’ “A Situação Mundial da Infância”, indica que cerca de um terço dos inquiridos revela sentir-se assustado ou ansioso.
Custo para a sociedade
As perturbações mentais diagnosticadas, incluindo Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), ansiedade, autismo, transtorno bipolar, transtorno de conduta, depressão, distúrbios alimentares, incapacidade intelectual, e esquizofrenia, podem prejudicar significativamente a saúde, a educação, a evolução da vida e da capacidade de sobrevivência das crianças e dos jovens.
Embora o impacto na vida das crianças seja incalculável, uma nova análise da London School of Economics no relatório avalia que a contribuição perdida para as economias, devido a perturbações mentais que levam à deficiência ou à morte entre os jovens, possa ascender a quase 390 mil milhões de dólares por ano.
Fatores de proteção
O relatório observa que a combinação entre genética, experiência e fatores ambientais desde a primeira infância, incluindo a parentalidade, escolaridade, qualidade das relações, exposição à violência ou abuso, discriminação, pobreza, crises humanitárias, e emergências de saúde como a COVID-19, afetam a saúde mental das crianças ao longo da sua vida.
Embora fatores protetores, tais como cuidadores afetuosos, ambientes escolares seguros, e relações positivas entre pares possam ajudar a reduzir o risco de perturbações mentais, o relatório adverte para que barreiras significativas, incluindo o estigma e a falta de financiamento, estão a impedir que demasiadas crianças experimentem uma saúde mental saudável ou tenham acesso ao apoio de que necessitam.
“A Situação Mundial da Infância 2021” apela aos governos, e aos parceiros dos sectores público e privado, para que se comprometam, comuniquem e atuem para promover a saúde mental de todas as crianças, adolescentes e prestadores de cuidados, a proteger aqueles que necessitam de ajuda, e a cuidar dos mais vulneráveis, incluindo:
– O investimento urgente na saúde mental das crianças e adolescentes em todos os sectores, e não apenas na saúde, com vista a apoiar uma abordagem de toda a sociedade à prevenção, promoção e cuidados.
– A integração e ampliação das intervenções baseadas em evidências em todos os sectores da saúde, educação e proteção social, incluindo programas parentais que promovam a capacidade de resposta, a prestação de cuidados e o apoio à saúde mental de pais e cuidadores; e assegurar que as escolas apoiam a saúde mental através de serviços de qualidade e relações positivas.
– A quebra o silêncio em torno da doença mental, adotando uma abordagem que anule o estigma e que promova uma melhor compreensão da saúde mental e uma maior consideração pelas experiências das crianças e dos jovens.
“A saúde mental é uma parte da saúde física – não nos podemos dar ao luxo de continuar a vê-la como se assim não fosse”, afirma Henrietta Fore. “Durante demasiado tempo, tanto nos países ricos como nos pobres, temos visto muito pouca compreensão e muito pouco investimento num elemento crítico para maximizar o potencial de cada criança. Isto precisa de mudar”.
A chefe da Missão da ONU para Apoio à Justiça no Haiti, Binuh, disse que a situação do país “só pode ser caracterizada como desoladora”. Helen La Lime pediu ao mundo que assegure que o Haiti não se torne uma crise esquecida, pedindo apoio à emergência.
Falando em sessão do Conselho de Segurança, Helen La Lime lembrou que um mês depois do assassinato do presidente Jovenel Moise, ocorrido em 7 de julho, o país foi atingido pelo terremoto que afetou mais de 800 mil pessoas no sudoeste. A combinação dos eventos ditou o adiamento de eleições nacionais e locais.
Garantias
Em relação às investigações do assassinato do chefe de Estado haitiano, ela disse que deve ser levantado o “manto de impunidade que há muito tempo envolve o Haiti”.
Para que a justiça prevaleça nesse e em vários casos emblemáticos, La Lime pediu que os intervenientes trabalhem de “forma independente, em ambiente tranquilo e com garantia de proteção na identificação e no processamento dos responsáveis.”
Ocha/Matteo Minasi
Um trabalhador ajuda humanitário da ONU planeja as necessidades das pessoas afetadas pelo terremoto de magnitude 7,2 no Haiti
Ainda em relação ao sistema judicial haitiano, a enviada contou que 82% dos reclusos do país não foram julgados, uma das mais altas taxas no mundo.
Quanto à questão humanitária causada pelo terremoto de 14 de agosto, a representante disse que a complexidade requer maior cooperação para sustentar e aumentar as capacidades e promover medidas de saúde e sociais na pandemia.
Unicef
O informe coincidiu com uma nota do Fundo da ONU para a Infância, Unicef, destacando que cerca de 70% das escolas do sudoeste ainda estão danificadas ou destruídas.
Como parte da campanha de volta às aulas, a agência chama a atenção para os cerca de 300 mil menores de idade começando gradualmente a retomar aos centros de ensino nos três departamentos afetados pelo sismo.
Em momento de vacinação, o país somente teve 60 mil unidades administradas até o momento em menos 1% da população elegível.
O informe ao Conselho de Segurança sublinha que o mundo precisa apoiar a emergência para as vítimas do tremor, com US$ 187,3 milhões, além da resposta humanitária até 2022, que está calculada em US$ 235,6 milhões.
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, divulgou a edição 2021 da Revista da Restauração Florestal e Paisagística da África. O lançamento ocorreu durante a Semana Climática, que coincidiu também com a Década do Ecossistema das Nações Unidas.
Barreiras
ONU
De acordo com a ONU, entre 1983 e 2013, 20% das terras do planeta foram degradadas.
A Revista recomenda mais ações para aproveitar a oportunidade do continente em devolver a terra à produção sustentável, a proteção da biodiversidade e dos meios de subsistência na luta contra as alterações climáticas.
O Representante Regional da FAO para a África, Abebe Haile-Gabriel, declarou que o crescente desaparecimento das floresta custam para África uma perda anual de 3% do PIB. Segundo ele, 60% dos Africanos dependem das terras e florestas.
O especialista declarou que “as paisagens florestais degradadas intensificam os efeitos da mudança climática e são uma barreira à construção de comunidades prosperas e resilientes”.
Avaliação Sombria
FAO/Giulio Napolitano
Duas em cada cinco pessoas já sentem os efeitos da degradação das terras.
A revista indica que mais de 65% da terra produtiva está degradada e a desertificação afeta 45% do território africano. Isto num momento em que a tendência geral desce, com 4 milhões de hectares florestais desaparecendo a cada ano.
As terras secas são cada vez mais vulneráveis às alterações climáticas e o seu restabelecimento é uma prioridade para a adaptação e construção de sistemas alimentares resilientes e sustentáveis.
Os projetos analisados pela FAO têm uma forte dimensão da mudança climática, que não só visam sequestrar o carbono, mas também criar emprego e reduzir a vulnerabilidade das pessoas rurais à insegurança alimentar.
Produção Sustentável
Foto: Unicef/Kamuran Feyizoglu
A agricultura familiar é a forma predominante de produção de alimentos nos países desenvolvidos e em desenvolvimento
Para a especialista florestal sénior da FAO, Nora Berrahmouni, estender-se muito além do plantio de árvores, restauração de florestas e paisagens perdidas é de grande benefício à produção alimentar sustentável, construção de resiliência e redução de riscos de desastres.
Berrahmouni, que é também uma das autoras do estudo, aconselhou os países africanos e parceiros a aumentar os esforços na restauração florestal e de paisagem como solução viável ao aquecimento global.
Ela acrescentou que embora seja um processo de longo prazo, é uma solução sustentável e voltada ao futuro.
Terra seca
O continente tem 1 bilhão de hectares de terra seca, dos quais 393 milhões precisam de renovação nas Grandes Áreas Verdes da África.
A parceria AFR100 comprometeu 31 governos africanos a restaurar 100 milhões de hectares até 2030, e o desafio foi superado.
Estima-se que a África tenha 132 milhões de hectares adicionais de terras aráveis degradadas, que combinado às mudanças climáticas, tornam milhões mais vulneráveis.
O relatório identifica propriedade local, apoio político de alto nível e acesso às finanças como cruciais ao sucesso.