As Nações Unidas marcam este 2 de outubro o Dia Internacional da Não-Violência. Se fosse vivo, o dirigente do movimento pela independência indiano, Mahatma Gandhi, completaria 152 anos.
Para o secretário-geral, o pioneiro da filosofia e da estratégia da não-violência é “um dos gigantes do século 20, um ícone global da paz e defensor dos mais vulneráveis”, cuja visão engloba as metas da organização.
Verdade
Entre as frases mais famosas do líder indiano está a descrição da pobreza como “a pior forma de violência.” Ele também defendeu que a não-violência é uma arma forte, que se combinada à verdade, “são inseparáveis e se pressupõem uma à outra.”
Foto ONU
Escultura da Não Violência, de Carl Fredrik Reuterswärd, na sede da ONU em Nova Iorque
Mahatma Gandhi disse que a humanidade nunca será forte o suficiente para ser totalmente não-violenta em pensamentos, palavras e ações. Mas deve “manter a não-violência como nosso objetivo e fazer um forte progresso nesse sentido”.
Para a ONU, Mahatma Gandhi transcende os limites da raça, religião e em nível de Estado ou nação.
O legado do também filósofo é celebrado “não apenas por sua adesão apaixonada à prática da não-violência e do humanismo supremo, mas como a referência sobre a qual homens e mulheres são testados”.
As áreas em que o pensamento se pode aplicar envolvem a vida pública, ideias políticas e governamentais, além das esperanças e dos desejos para o planeta.
Educação e conscientização
Foi uma resolução aprovada na Assembleia Geral em 15 de junho de 2007 que estabeleceu a comemoração da data. O objetivo principal é “divulgar a mensagem da não-violência, inclusive por meio da educação e da conscientização pública”.
O órgão reafirmou “a relevância universal do princípio da não-violência” e ainda o desejo “de se assegurar uma cultura de paz, tolerância e compreensão”.
Ao falar esta sexta-feira a jornalistas após a semana de alto nível da Assembleia Geral da ONU, o presidente do órgão, Abdulla Shahid, destacou que é preciso atuar com rapidez para superar o desequilíbrio de poder entre homens e mulheres.
Abdulla Shahid disse que vem reorganizando o Conselho Consultivo da Assembleia Geral para a Igualdade de Gênero. Para ele, “sem medidas para contornar essa maré”, levariam mais de 135,6 anos para fechar essa lacuna.
Lacuna
O Conselho para a Igualdade de Gênero reunirá uma “ampla combinação de conhecimentos” dos Estados-Membros, do sistema das Nações Unidas, do setor privado, do órgão da ONU sobre o Tratado, da sociedade civil e dos parlamentos.
ONU/Cia Pak
Na semana de alto nível, Shahid reuniu chefes de Estado e de governo de sexo feminino para abordar como promover a igualdade de género
A ideia é garantir que haja uma perspectiva “verdadeiramente inclusiva” em favor de uma abordagem em várias frentes. A meta seria fazer avançar a igualdade de gênero na 76ª sessão da Assembleia Geral, que se estende até setembro de 2022.
Shahid disse que este conselho servirá como um mecanismo para ajudar a aliar uma perspectiva de gênero em todas as iniciativas e mandatos para o atual período de trabalhos. A composição, que agora está em finalização, será anunciada em breve.
Chefes de Estado
Ele destacou que foram apenas 18 as mulheres, representando 9,2%, entre os 194 oradores dos debates de alto nível. Pelo menos 100 discursos foram apresentados por chefes de Estado e 52 por chefes de governo. Entre eles, estiveram três vice-presidentes e 34 ministros.
Foto: UN Photo/Cia Pak
Ministra dos Negócios Estrangeiros de São Tomé e Princípe, Edite Ramos da Costa Ten Jua.
Numa sessão realizada em tempo de recuperação da pandemia, 93 participantes foram vacinados. Outros 843 realizaram testes gratuitos para detestar o vírus Covid-19 que foram oferecidos por unidades móveis.
Na edição deste ano, a Guiné-Bissau teve o discurso mais curto com cinco minutos. O mais longo foi o da Papua Nova Guiné, com 46 minutos.
Na semana de alto nível, Shahid reuniu chefes de Estado e de governo de sexo feminino para abordar como promover a igualdade de género. Antes de fazer o juramento, o contacto nesse sentido foi com mulheres representantes permanentes na ONU.
ONU/Evan Schneider
Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló se dirigiu aos líderes internacionais em cinco minutos
As Nações Unidas celebram os 20 anos da Declaração de Durban contra o Racismo e a ONU News apresenta uma série especial; depoimentos e histórias de várias partes do mundo ilustram a luta contra o racismo, a discriminação racial, o estigma e a xenofobia. Neste episódio, acompanhe o percurso do jornalista João Rosário.
Nesta quinta-feira, começou a última reunião ministerial antes da Cúpula do Clima, COP-26. O evento em Milão, na Itália, conta com a participação de representantes de 40 países, e é considerado a última oportunidade de encontros multilaterais formais.
Durante a pré-COP, como é conhecida a reunião, ministros devem discutir aspectos políticos centrais das negociações que serão abordadas em novembro em Glasgow, na Escócia.
Unsplash/Adam Marikar
Relatório é crítico para a COP-26 que ocorre em Glasgow, na Escócia, em novembro
Ministros
No primeiro dia, a abertura foi feita pelo Ministério italiano de Transição Ecológica e representantes da ONU. A agenda segue com discussões sobre proteção das comunidades e habitats naturais, finanças sustentáveis e transparência.
Uma sessão plenária sobre o “pacote COP-26” será realizada no fechamento do encontro que será marcado pela aprovação das observações finais.
Pressão
Falando da relevância do evento, o secretário-geral da ONU voltou a reforçar que ações robustas precisam ser implementadas. Ele lembrou que o financiamento solicitado para mitigar as mudanças climáticas ainda não foi alcançado.
De acordo com António Guterres, faltam 20% do valor do orçamento previsto de US$ 100 bilhões. Ele afirma que a participação de economias desenvolvidas é fundamental, já que estas são responsáveis por cerca de 80% das emissões.
Além disso, o líder das Nações Unidas agradeceu os esforçou de diversas nações, mas destacou que com os compromissos atuais, a elevação da temperatura pode chegar em 2,7 graus Celsius e ter consequências catastróficas.
Jano Té é o primeiro jovem da Guiné-Bissau escolhido para participar do #Youth4Climate no @PreCop26ITA. No encontro, realizado entre 28 e 30 de Setembro, em Milão, Itália, Jano e outros jovens terão a chance de apresentar propostas concretas sobre a agenda climática. pic.twitter.com/xLK4aarB94
Ao citar o Acordo de Paris, Guterres afirma que o mundo está longe de atingir as ambições traçadas. O chefe das Nações Unidas falou sobre os avanços alcançados em algumas áreas, citando o recente compromisso da China em acabar com o financiamento internacional de usinas a carvão.
No entanto, o secretário-geral pediu que mais partes concordem com o banimento do carvão como fonte de energia fazendo a transição para meios renováveis.
Guterres lembrou que os integrantes da pré-Cúpula do Clima possuem grande poder para “salvar ou condenar o futuro da humanidade”.
Jovens
Às vésperas do encontro de ministros, a presidência da Cúpula do Clima organizou um evento dedicado aos jovens, entre os dias 28 e 30 de setembro. Cerca de 400 participantes, entre 15 e 29 anos, foram convidados ao evento.
A seleção foi baseada no ativismo sobre assuntos climáticos e desenvolvimento sustentável. Entre os países lusófonos, Jano Té foi o primeiro cidadão da Guiné-Bissau a participar.
Na ocasião, o secretário-geral da ONU encorajou a participação do grupo, reforçando que é “necessário que a juventude de todos os lugares siga ampliando suas vozes”.
Guterres afirmou que os “jovens estão na vanguarda, apresentando soluções positivas, defendendo a justiça climática e pressionando líderes a prestarem contas”.
Um painel independente à Organização Mundial da Saúde, OMS, identificou mais de 80 alegações de abuso sexual durante o surto de ebola na República Democrática do Congo. Pelo menos 20 funcionários da agência estariam envolvidos.
O diretor-geral da OMS declarou que o lançamento do relatório representa um “dia sombrio”. Segundo Tedros Ghebreyesus, a descoberta é ainda uma “traição aos colegas que se colocam em perigo para servir aos outros”.
A Investigação Independente sobre o 10° surto de ebola na RD Congo começou nas províncias do Kivu do Norte e Itúri em outubro do ano passado. O fim da epidemia foi declarado em 25 de junho de 2020, depois de dois anos de casos em zona de conflito.
O surto que causou 2,3 mil mortes, é considerado o segundo maior já registrado do vírus fatal e altamente transmissível.
Abortos Forçados
Um dos integrantes do painel independente, Malick Coulibaly, explicou que a equipe entrevistou dezenas de mulheres que receberam propostas de trabalho em troca de sexo. Foram também colhidos os depoimentos de vítimas de estrupros, com nove casos identificados.
As mulheres contaram que os abusadores não utilizaram nenhum método anticoncepcional, e algumas ficaram grávidas. Coulibaly disse ainda que elas foram forçadas por esses homens a realizar um aborto.
Perpetradores
ONU/Evan Schneider
Tedros Ghebreyesus é diretor-geral da OMS
A equipe identificou 83 possíveis envolvidos, entre congoleses e estrangeiros. Em 21 casos, foi possível ter a certeza de que os responsáveis pelos abusos eram funcionários da OMS. A maioria eram congoleses contratados temporariamente.
Eles são acusados de tirar vantagem da função para obter favores sexuais. A diretora da OMS na África, Matshidiso Moeti, declarou que a agência ficou “horrorizada e de coração partido” com os resultados do inquérito.
O chefe da OMS garantiu que haverá consequências sérias para os perpetradores e que seus supervisores também serão responsabilizados pela falta de ação.
Tedros Ghebreyesus se desculpou com as vítimas e disse estar consciente do trabalho que deverá ser feito para a população voltar a confiar na agência.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, divulgou nesta terça-feira um relatório para encorajar a criação de uma plataforma global com o objetivo de acelerar a retomada justa do trabalho e proteção social pós-pandemia de Covid-19.
O chefe da ONU apresentou o Documento Político na reunião de alto nível sobre trabalho e proteção social para a erradicação da pobreza. O encontro teve a presença virtual de líderes mundiais e representantes de entidades internacionais, instituições financeiras, sociedade, setor privado e acadêmicos.
OIT/Minette Rimando.
A ONU Mulheres calcula que até o fim deste ano, os homens terão recuperado os seus postos de trabalho, mas haverá ainda 13 milhões de desempregadas
Números
Com investimento e implementação das metas do plano, o chefe da ONU espera que sejam criados cerca de 400 milhões de empregos. Além disso, a iniciativa pretende ampliar a ajuda social aos atuais 4 bilhões de pessoas sem cobertura.
Guterres ressaltou as consequências da pandemia que impactou sobretudo os países de baixo e médio rendimento. Ele afirmou que é preciso agir para evitar que as desigualdades cresçam ainda mais.
Segundo Guterres, a “solidariedade global tem sido completamente inadequada”.
O documento enfatiza que são necessários cerca de US$ 900 bilhões em estímulos fiscais para responder de forma imediata à crise e apoiar uma transição sustentável.
De acordo com o chefe das Nações Unidas, será preciso aplicar outros US$ 1,2 trilhão anuais para a proteção social em países em desenvolvimento.
Recuperação
Ao citar o atraso no acesso às vacinas em países de baixa renda, Guterres afirmou que a diferença no investimento para a retomada econômica entre regiões é muito grande.
O secretário-geral afirma que Estados desenvolvidos são capazes de usar cerca de 28% do Produto Interno Bruno para essas ações. Já para as economias de rendimentos médio e baixo esse número fica entre 2 e 6,5%.
O líder da ONU afirma que essa é “uma pequena porção em um valor muito menor”.
OIT
Segundo a OIT, apenas 43,2% das mulheres estarão empregadas este ano, na comparação com 68,6% dos homens
Consequências
Guterres destaca que, enquanto a renda dos mais ricos cresceu em US$ 3,9 bilhões nos primeiros meses da pandemia, o número de pessoas em extrema pobreza teve a primeira alta após 21 anos.
A estimativa é que um número entre 119 e 224 milhões de pessoas estejam agora no grupo dos mais pobres.
O documento publicado pelo secretário-geral mostra que a estimativa é que o mercado encolheu em pelo menos 75 milhões de ofertas de trabalho. Para o próximo ano, a queda deve ser em 23 milhões de oportunidades de emprego.
Recomendações
As recomendações para o alcance das metas apresentadas pelo secretário-geral incluem estratégias integradas e inclusivas, abraçando trabalhadores informais e expandindo o investimento em proteção social.
As sugestões também passam pela colaboração com o setor privado e mobilização de investimentos.
Guterres reforça que todas as iniciativas devem estar alinhadas com o Acordo de Paris, uma vez que os países menos desenvolvidos também são grandes afetados com os desastres climáticos.
O promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional, TPI, pediu autorização urgente aos juízes do órgão para retomar as investigações de crimes de guerra e contra a humanidade cometidos no Afeganistão.
O argumento de Karim Khan é que no país sob os novos governantes Talibãs “não há mais a perspectiva de investigações domésticas genuínas e eficazes”.
Investigação
O pedido, feito esta segunda-feira, vem na sequência de uma investigação feita pela antiga promotora Fatou Bensouda que teve o aval dos juízes de março de 2020.
A apuração cobriria crimes supostamente cometidos por forças do governo afegão, pelo Talibã, por tropas americanas e agentes de inteligência dos Estados Unidos desde 2002.
ICC- CPI
Sede do Tribunal Pena Internacional, TPI, em Haia.
No ano passado, a investigação foi adiada depois de um pedido das autoridades afegãs para assumir o caso.
Khan revelou que o plano é se concentrar nos crimes cometidos pelo Talibã e pela afiliada afegã do grupo do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil. Ele acrescentou que irá “desvalorizar” outros aspectos da investigação.
Casos
O promotor aponta “a gravidade, escala e natureza contínua dos supostos crimes cometidos pelo Talibã e pelo Estado Islâmico”, que incluem alegados ataques indiscriminados a civis, execuções extrajudiciais dirigidas, perseguição de mulheres e meninas.
Entre as alegações estão crimes contra crianças e outros que afetam a população civil em geral, que exigem recursos adequados do escritório, pois a meta é “construir casos credíveis que possam ser provados além de qualquer dúvida razoável no tribunal”.
O promotor mencionou ainda os ataques ocorridos a 26 de agosto perto do aeroporto de Cabul durante as saídas em massa na sequência da tomada do poder pelo Talibã. Nesses atos morreram dezenas de afegãos e pelo menos 13 soldados americanos.
Khan realça ainda que seu escritório continuará atento às suas “responsabilidades de preservação de provas, na medida em que surgirem, e promoverá esforços de responsabilização dentro da estrutura do princípio de complementaridade.”
As Nações Unidas marcam o Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares em 26 de setembro.
Sobre a data, o secretário-geral, António Guterres, afirma que esforços para o impulsionar o desenvolvimento e o combate a pandemia de Covid-19 não podem ser ofuscados pelos conflitos nucleares.
ONU/Violaine Martin
Para António Guterres, é preciso um multilateralismo renovado para enfrentar os desafios
Riscos
Em mensagem, o chefe da ONU reforça que vivemos o momento de maior risco nuclear dos últimos quarenta anos. Ele afirma que ainda há mais de 14 mil armas nucleares no mundo.
Embora o número venha diminuindo nas últimas décadas, Guterres diz que diversos países estão aumentando o poder bélico qualitativamente. O secretário-geral menciona sinais preocupantes de uma “nova corrida armamentista”.
Foto ONU/P.
Equipe da ONU realiza inspeções destinadas a descartar a capacidade de armas químicas, biológicas e nucleares do Iraque. (1991)
Histórico
As Nações Unidas têm o desarmamento nuclear como um de seus objetivos mais antigos.
A organização foi palco de importantes avanços para a eliminação das armas desde a primeira resolução da Assembleia Geral.
O secretário-geral da ONU destaca que sessenta e seis anos depois, ainda não foi possível concluir o desarmamento.
Assim, Guterres afirma que esse não é um desafio superado, porém avalia que novos avanços vêm sendo implementados.
Aiea/Dean Calma
Mais de 140 países adotaram uma declaração para melhorar a segurança nuclear.
Ações
Ao citar o que chamou de ‘sinais de esperança’, ele mencionou a extensão do acordo entre Rússia e Estados Unidos, o novo Start, e o Tratado sobre a Não-proliferação de Armas Nucleares.
O líder das Nações Unidas lembra que é responsabilidade dos Estados-membros seguir construindo em cima desses avanços.
Os documentos, segundo Guterres, abrem uma ‘janela de oportunidades’ para todos os países tomarem iniciativas tangíveis para prevenir o uso e eliminar essas armas de ‘uma vez por todas’.
Agenda
Um encontro de alto-nível foi agendado, no dia 28 de setembro, para debater a ameaça e a necessidade de sua eliminação.
Estados-membros devem debater a ameaça e a necessidade de sua eliminação.
Em convite, o ex-presidente da Assembleia Geral, Volkan Bozkir, encorajou a participação de representantes de todo o mundo.
A reunião acontece um dia após o fechamento dos debates gerais da Assembleia Geral, que neste ano trouxe mais de 100 chefes de Estado e de governo à sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.
A Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, anunciou esta semana ter escolhido dois centros, um na Argentina e outro no Brasil, para o desenvolvimento e produção de vacinas de mRNA.
A meta é ampliar o combate à Covid-19 na América Latina e a outros desafios futuros ligados a doenças infecciosas. O Instituto de Tecnologia Bio-Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz, foi o centro selecionado no Brasil.
Inovação
Opas/Karina Zambrana
Funcionária de saúde prepara vacina contra Covid-19 no Brasil
A Opas destaca que a Fiocruz “tem uma longa tradição na fabricação de vacinas e tem feito avanços promissores no desenvolvimento de uma vacina de mRNA inovadora” para combater o coronavírus.
Na Argentina, a Opas escolheu uma biofarmacêutica do setor privado, a Sinergium Biotech, pela experiência na produção e desenvolvimento de vacinas e de medicamentos com biotecnologia.
Casos e mortes
FMI/Jeff Moore
Um homem caminha com máscara para se proteger do coronavírus
Ao fazer o anúncio, o diretor-assistente da Opas, Jarbas Barbosa, declarou que existe muito trabalho pela frente, mas que a agência tem a “convicção de que esse esforço resultará num acesso às vacinas nas Américas que é oportuno e justo, uma vez que a região é uma das mais afetadas pela pandemia.
A Opas revela que já foram registrados mais de 88 milhões de casos de Covid-19 nas Américas, sendo que 2,1 milhões de pacientes morreram. A distribuição do imunizante continua sendo desigual, com poucos países alcançando a meta de vacinar, ainda neste ano, 40% da população.
As Nações Unidas realizaram esta sexta-feira o Diálogo de Alto Nível sobre Energia. O evento convocado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, é o primeiro a juntar líderes para debater as questões energéticas em mais de 40 anos.
De acordo com o líder das Nações Unidas, 760 milhões de pessoas não possuem acesso à eletricidade. Guterres também citou que 2,6 bilhões não tem energia limpa para cozinhar.
Foto: ONU/Mark Garten
Chefe da ONU defende investimentos em energias renováveis
Emissões
O secretário-geral lembrou que a forma como se produz e utiliza o recurso é a principal causa da crise climática. Guterres informou ainda que meios energéticos respondem por 75% do total das emissões de gases de efeito estufa.
Entre as prioridades para o tema estão diminuir as diferenças de acesso à energia, descarbonizar os sistemas energéticos, mobilizar financiamento e promover transferência tecnológica e, finalmente, assegurar que ninguém seja esquecido na corrida por um futuro sem emissões.
O chefe da ONU defende o início imediato da pauta energética, que faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e que não se pode esperar outras quatro décadas.
Foto: UNDP/Karin Schermbucker
Técnico verifica paineis de energia solar
Recuperação
No evento, o presidente da Assembleia Geral, Abdullah Shahid, também destacou a importância do setor energético para recuperação da pandemia e para apoiar os esforços com vista a frear as mudanças climáticas.
Em seu discurso, Shahid reforçou o número de pessoas sem acesso à energia e fez apelo para que o investimento em energia renovável siga crescendo.
O líder apontou que os auxílios aos países em desenvolvimento chegaram a US$ 21,4 bilhões em 2017. A quantia representa o dobro do montante de 2010. No entanto, ele estima que apenas uma porção pequena chegou aos países mais pobres e isolados.
Sobre os valores arrecadados para melhorar os métodos de cozinha, o presidente da Assembleia Geral alertou que apenas US$32 milhões foram disponibilizados. O valor solicitado é de US$ 4,4 bilhões.
A pandemia de Covid-19 prejudicou vários esforços para o alcance da Agenda 2030 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Em um novo relatório, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, revela que entre 83 milhões a 132 milhões de pessoas foram empurradas para a fome crônica em 2020.
O documento da agência foi divulgado para coincidir com a Conferência da ONU sobre Sistemas Alimentares, que acontece nesta quinta-feira, em Nova Iorque.
Situação alarmante
FAO/Junior D. Kannah
África abriga uma em cada cinco pessoas que enfrentaram fome em 2020
O evento de alto nível busca chamar a atenção global para a urgência de uma reforma na produção e distribuição de alimentos e também para a importância de se erradicar a fome e reduzir doenças relacionadas à má alimentação.
O chefe de Estatísticas da FAO, Pietro Gennari, declarou que a situação é “alarmante” e que agora, ficou mais difícil alcançar a Agenda 2030.
Praticamente 14% dos alimentos são perdidos ao longo da cadeia de abastecimento, isso antes de mesmo de chegar aos consumidores. Produtores de pequena escala continuam na desvantagem: as mulheres dos países em desenvolvimento ganham menos do que os homens, mesmo quando produzem mais.
Alta no preço dos alimentos
Pnud Bangladesh
Mulheres em Bangladesh participam da agricultura resiliente ao clima.
A pandemia de Covid e as medidas de confinamento para conter a transmissão do vírus tiveram também um impacto na volatilidade dos preços dos alimentos, que aumentaram.
O relatório destaca ainda que a escassez de água é muito alta em várias regiões do mundo, o que também ameaça os progressos para o desenvolvimento sustentável.
Mas o documento relaciona alguns avanços do setor: implementação de decisões para combater a pesca ilegal, manejo sustentável de florestas, políticas para eliminar o subsídio das exportações agrícolas e investimentos para ampliar a produtividade em países em desenvolvimento.
A agência recomenda aos países uma séria de medidas, incluindo aumentar o investimento na agricultura, apoiar pequenos produtores e adotar medidas para conter a alta no preço dos alimentos.
Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República Portuguesa, discursa na 76ª sessão das Assembleia Geral da ONU. Foto ONU/ Cia Pak
O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, discursou na cerimónia de abertura da 76.ª sessão Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) tendo-se centrado na defesa do multilateralismo como “única arma global” para os problemas da Humanidade. Além disso pediu confiança à Organização das Nações Unidas (ONU) para um mandato de Portugal no Conselho de Segurança como membro não permanente.
O presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, iniciou a sua intervenção na 76.ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) evidenciando que “a pandemia, a crise económica e social dela emergente e a recente evolução no Afeganistão” demonstram que “a governação de um mundo multipolar exige compromisso e cooperação entre as nações” deixando claro que o multilateralismo “exige respostas conjuntas”.
O presidente salientou, ainda, a necessidade de “ampliar, aprofundar e acelerar as reformas das Nações Unidas – na gestão, na paz e segurança e no sistema de desenvolvimento”.
António Guterres abriu a 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU. Foto ONU/ Cia Park
Marcelo Rebelo de Sousa, considera que “a reforma do Conselho de Segurança” é essencial para que a ONU se modernize e responda de forma clara ao mundo do século XXI. Nesse contexto, defendeu a presença “africana, do Brasil e da Índia” como membros permanentes argumentando que “resistir às reformas e negar recursos significa, na prática, enfraquecer o multilateralismo e criar situações de crise, com prejuízo para todos”.
No que respeita a Portugal, o presidente afirmou que o país estará sempre do lado da resolução das crises, do multilateralismo, empenhado na “reforma da Organização Mundial de Saúde (OMS), no Tratado Internacional sobre Pandemias, na garantia das vacinas como bem público global”. Acrescentou o compromisso do país para com a “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e ao Pacto Global das Migrações das Nações Unidas”.
Na restante intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa felicitou o secretário-geral da organização, António Guterres, “pelo exemplar primeiro mandato” e reiterou o seu apoio “incondicional em todas as prioridades” escolhidas pelo chefe da organização.
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde
O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Martin Griffiths, está liberando US$ 45 milhões para o setor de saúde do Afeganistão. O anúncio foi feito esta quarta-feira.
Segundo Griffiths, a verba será utilizada para a compra de medicamentos, equipamentos médicos e para combustível, que está em falta no país. Ele lamentou ainda o fato de muitos trabalhadores do setor estarem sem receber salários.
Catástrofe iminente
ONU/Evan Schneider
Diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus.
Também esta quarta-feira, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, fez declarações ao fim de uma visita à capital do Afeganistão. Em Cabul, Tedros Ghebreyesus revelou que teve encontros com líderes do Talibã, trabalhadores de saúde, pacientes e funcionários da OMS.
Segundo Tedros, o sistema de saúde afegão “está à beira do colapso” e sem ação urgente, o “país enfrenta uma iminente catástrofe humanitária”.
O chefe da OMS explicou que a visita ao Afeganistão serviu para ver de perto quais as principais necessidades da população e definir maneiras de aumentar, com urgência, a resposta ao sistema de saúde.
Uma criança caminha por um campo temporário montado em Cabul depois que sua família foi deslocada devido à insegurança em todo o Afeganistão
Tedros afirmou que “com base nos princípios da ONU de neutralidade e indepedência”, foi possível ter um “diálogo construtivo sobre diferenças e para encontrar soluções para que a agência possa continuar ajudando milhões de afegãos inocentes, afetados por décadas de conflito”.
O maior projeto de saúde do país, Sehetmandi, está funcionando com apenas 17% da capacidade. Tedros Ghebreyesus afirmou que já há impactos negativos nos esforços para combater a pólio, tratar de pacientes em situação de emergência ou com Covid-19.
A situação é tão grave que o chefe da OMS afirmou que muitos profissionais de saúde do Afeganistão acabam tendo que tomar a difícil decisão sobre salvar pacientes ou deixar morrer.
As taxas de vacinação contra a Covid-19 também estão em declínio e existem 1,8 milhão de doses no país que continuam sem ser usadas. Além disso, o Afeganistão é uma das duas nações do mundo onde a pólio continua endêmica e por isso é importante continuar o trabalho para se erradicar a doença.
A OMS e parceiros já estão prontos para uma campanha de vacinação porta-a-porta contra a pólio e também contra o sarampo e a Covid-19.
“O mundo tem de acordar numa altura em que vivemos à beira do abismo.” Foi com estas palavras que o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, iniciou o seu discurso que marcou a abertura da semana de Alto Nível da 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU.
Guterres insistiu na ideia de que nunca o mundo esteve tão ameaçado ou dividido, num período em que vive agora múltiplas crises como a pandemia da covid-19, as alterações climáticas, bem como a dramática situação de países como o Afeganistão, a Etiópia e o Iémen.
O líder da ONU lembrou também que “uma onda de desconfiança e de desinformação está a polarizar as pessoas e a paralisar as sociedades” e que os direitos humanos e a ciência estão sob ataque.
COVID-19
O secretário-geral lamentou a falta de solidariedade em pleno período de pandemia, evocando as imagens de vacinas no lixo que acabaram por não serem utilizadas – “por um lado, vemos as vacinas desenvolvidas em tempo recorde – uma vitória da ciência (…) por outro lado, vemos esse triunfo desfeito pela tragédia da falta de vontade política, do egoísmo e da desconfiança.” Guterres alertou que enquanto maioria dos países ricos já foi vacinada, “mais de 90 por cento dos africanos ainda esperam pela primeira dose”, uma situação que o secretário-geral apelida de “obscena”.
CLIMA
Outro tópico que mereceu grande atenção durante a intervenção do líder da ONU foi a crise climática. Guterres enfatizou o código vermelho que o recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas evidenciou com “sinais de alerta em todos os continentes e regiões. Temperaturas escaldantes. Perda de biodiversidade chocante. Ar, água e espaços naturais poluídos.”
António Guterres discursa na 76ª sessão da Assembleia Geral da ONU. Foto ONU/ Cia Park
No entanto, Guterres lembrou que os cientistas do clima garantem que “não é tarde demais para manter viva a meta de 1,5 grau do Acordo de Paris sobre o clima”, mas enfatizou que é necessário atuar rapidamente.
Para tal, é necessário “um corte de 45% nas emissões até 2030” mas, um relatório recente da ONU deixou claro que, com os atuais compromissos climáticos nacionais, as emissões aumentarão 16% até 2030.” Com este cenário, o aumento da temperatura global será de “pelo menos 2,7 graus acima dos níveis pré-industriais” alertou o secretário-geral, por isso, “a poucas semanas da COP estamos aparentemente a anos-luz de alcançar as nossas metas”, enfatizou.
MULTILATERALISMO
O diplomata português continuou a sua intervenção abordando os desafios que o sistema multilateral enfrenta para resolver as grandes questões que afetam a humanidade. Guterres lembrou que “a humanidade é capaz de grandes feitos quando trabalha em conjunto” mas enfatizou ainda que “o sistema multilateral de hoje é muito limitado nos instrumentos e capacidades em relação ao que é necessário para uma governação eficaz da gestão de bens públicos globais.”
Com o objetivo de “garantir uma ONU adequada para uma nova era”, o secretário-geral apresentou a “Nossa Agenda Comum”, um documento que oferece uma análise de 360 graus do estado do mundo, com 90 recomendações específicas que enfrentam os desafios de hoje e fortalecem o multilateralismo de amanhã. Para tal, Guterres elencou as 6 áreas de atuação que identificou como prioritárias.
PRIORIDADES
Para muitas pessoas ao redor do mundo, a paz e a estabi
lidade continuam a ser um sonho distante e Guterres lembrou a situação que vive atualmente o Afeganistão, onde “devemos aumentar a assistência humanitária e defender os direitos humanos, especialmente de mulheres e meninas”.
O líder da ONU mencionou ainda a necessidade de na Etiópia “apelar a todas as partes para que cessem imediatamente as hostilidades” e que no Mianmar a ONU “reafirma o seu apoio inabalável ao povo” na sua busca pela democracia, paz, direitos humanos e Estado de Direito.
Em muitos outros lugares, como o Iémen, a Líbia, a Síria, Israel, Palestina é necessário “superar impasses e lutar pela paz.”
António Guterres insistiu na ideia de reforçar a confiança entre o norte e o sul para combater as alterações climáticas “fazendo tudo o que podemos agora para criar as condições para o sucesso em Glasgow”, para que haja “mais ambição de todos os países em três áreas principais – mitigação, financiamento e adaptação.”
Guterres explicou ainda como é necessário reduzir as desigualdades económicas, sociais, de género, de acesso ao mundo digital, mas também entre gerações. O secretário-geral sublinhou que “os jovens herdarão as consequências de nossas decisões – boas e más – (…) e que, por isso, “precisam de um lugar à mesa.” Para que a juventude tenha um papel mais importante, Guterres lembrou que vai “nomear um Enviado Especial para as Gerações Futuras e criar o Escritório da Juventude das Nações Unidas.”