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Chefe da ONU para migrações visita Moçambique e confere resposta humanitária

Os combates entre grupos armados não-estatais e forças do governo de Moçambique na província de Cabo Delgado, no norte do país, já levaram ao deslocamento de mais de 732 mil pessoas na região.

Nesta terça-feira, a Organização Internacional para Migrações informou que precisa de US$ 58 milhões para apoiar quem foge da violência. A OIM diz que o montante inclui US$ 21,7 milhões para a resposta de necessidades urgentes de salvamento.

Uma mulher deslocada no norte de Moçambique recebe ajuda alimentar.

PMA/Grant Lee Neuenburg

Uma mulher deslocada no norte de Moçambique recebe ajuda alimentar.

Resiliência

Esta semana, o diretor-geral da OIM, António Vitorino, visita Moçambique onde está vendo de perto a crise. Ele utiliza o périplo para avaliar ações de apoio e a resposta humanitária devido à insegurança, bem como as intervenções da agência, na recuperação, resiliência comunitária e construção da paz.  

Para Vitorino, é necessário expandir, rapidamente, a assistência e apoio a centenas de milhares de indivíduos deslocados pela contínua insegurança em Cabo Delgado.

Ele visitou o distrito de Metuge, que acolhe mais de 125 mil pessoas desde finais de 2017, com o início da ação de grupos armados não-estatais.

Família deslocada em Palma, província de Cabo Delgado, Moçambique

© PMA/Grant Lee Neuenburg

Família deslocada em Palma, província de Cabo Delgado, Moçambique

Abrigo

António Vitorino afirma que a necessidade é mais urgente do que nunca, considerando o contexto em rápida mudança nos distritos do norte de Cabo Delgado.

De acordo com a Matriz de Monitoria de Deslocamentos da OIM, as famílias continuam procurando abrigo, assistência humanitária e meios de apoio. 

Mais de 9,2 mil pessoas deslocadas continuam à procura de abrigo, metade das quais sofreram deslocamentos múltiplos.

Entre janeiro e julho, a OIM Moçambique prestou assistência a mais de 600 mil pessoas em Cabo Delgado, incluindo para a construção de abrigos ou apoio à reconstrução, abrigos de emergência e artigos não-alimentares ou domésticos

De Maputo para ONU News, Ouri Pota
 

Código vermelho para a Humanidade

Vagas de calor e precipitação intensa, secas agrícolas e ecológicas, maior frequência de ciclones tropicais, bem como a redução do gelo marinho do Ártico são as principais consequências do aumento exponencial da temperatura do planeta Terra.

Ação Humana

 A atividade humana tem vindo a acelerar o aquecimento global a uma velocidade nunca antes vista. Se as alterações climáticas continuarem a este ritmo, é possível que a temperatura média global do planeta aumente 1.5ºC até 2030 e caso as atuais emissões de gases de efeito de estufa dupliquem, a subida do nível médio das águas do mar pode chegar aos 1,8 metros.

O 6.º relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) veio confirmar que as emissões de gases com efeitos de estufa, consequência da atividade humana, são responsáveis por aproximadamente 1,1°C do aquecimento global e conclui que, em média, nos próximos 20 anos, a temperatura deverá atingir ou exceder mais 1,5°C.

Em 2019, as concentrações de CO2 na atmosfera foram superiores às registadas nos últimos 2 milhões de anos e as concentrações de metano e de óxido nitroso atingiram níveis superiores aqueles registados nos últimos 800.000 anos.

Segundo o relatório, as temperaturas durante esta década (2011-2020) excederam as do último período mais quente registado que ocorreu há 6.500 anos.

Em cidades mais populosas, fenómenos como calor extremo e inundações fortes podem piorar podendo resultar numa maior duração das estações quentes que consequentemente destruirão os setores da agricultura e da saúde.

Numa perspetiva da ciência, o documento explica que limitar o aquecimento global induzido pelo homem a um nível específico requer a limitação das emissões de dióxido de carbono, atingindo pelo menos zero emissões líquidas, juntamente com a redução de outros gases com efeito de estufa.

Código vermelho

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, considera que o relatório é “um código vermelho para a humanidade”, com uma evidência irrefutável: as emissões de gases a partir da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento estão a sufocar o planeta e a colocar biliões de pessoas em risco.

O chefe da ONU afirma ainda que o relatório “deve soar como uma sentença de morte para os combustíveis fósseis, antes que destruam o planeta” e exige uma ação imediata para a limitação do aquecimento da temperatura global a 1.5 °C.

Guterres acrescenta que as “soluções são claras”, sendo possível ter “economias verdes e inclusivas”. Todos os governos, especialmente o G-20, precisam de reforçar os compromissos climáticos antes da COP-26, marcada para novembro, em Glasgow.

 A região do Mediterrâneo

O relatório prevê que as temperaturas em todo o Mediterrâneo irão aumentar mais rapidamente do que a média global, ameaçando a agricultura, pesca e turismo da região. Acresce que dezenas de milhões de habitantes enfrentarão um maior risco de escassez de água potável, inundações e calor extremo.

Prevê-se, também, que a área ardida de florestas no sul da Europa aumentará até 87% se a temperatura média da superfície terrestre aquecer até mais 2.ºC.

Embora não se preveja que seja a região do mundo mais afetada pelo aumento das temperaturas, o relatório do IPCC identifica o Mediterrâneo como o “hotspot das alterações climáticas”.

Enchentes e deslizamentos ameaçam Haiti dias após terremoto que matou 1,3 mil

O Fundo de Respostas de Emergência da ONU desembolsou US$ 8 milhões para socorrer os sobreviventes do terremoto no Haiti. Um helicóptero do Programa Mundial de Alimentos, PMA, está distribuindo auxílio aos haitianos.

O Unicef também informou que está entregando insumos para os hospitais de Les Cayes e Jeremie, que estão tratando grande parte dos feridos

Minujusth/Logan Abassi

O Unicef também informou que está entregando insumos para os hospitais de Les Cayes e Jeremie, que estão tratando grande parte dos feridos

Hospitais

O epicentro do tremor de 7.2 na escala Richter atingiu o oeste do país e matou pelo menos 1,3 mil pessoas. A ONU informou que está preocupada com a piora da situação humanitária por causa da tempestade tropical Grace, que se aproxima do país caribenho nesta segunda-feira, atravessando a área afetada, e causando chuvas e deslizamentos de terra.

O Unicef também informou que está entregando insumos para os hospitais de Les Cayes e Jeremie, que estão tratando grande parte dos feridos.

O porta-voz do secretário-geral, Stephane Dujarric, contou que um funcionário da organização morreu no terremoto. A Organização Internacional para Migrações, OIM, também está tentando encontrar locais seguros para abrigar milhares de pessoas que ficaram desalojadas pelo terremoto.

Antes do terremoto, equipe do Unicef visita família em Dame-Marie, no Haiti

Foto: UNICEF/Haiti

Antes do terremoto, equipe do Unicef visita família em Dame-Marie, no Haiti

Casas

Mais de 13,6 mil casas foram destruídas ou severamente danificadas. Com o terremoto, mais de 700 mil edifícios foram derrubados incluindo escolas e hospitais.

Três dias após o terremoto, as equipes humanitárias ainda não conseguiram chegar a muitas áreas, principalmente no departamento de Nippes. Com a destruição de estradas e pontes, é impossível alcançar os que precisam de socorro.

A chefe do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, Henrietta Fore, disse que muitos precisam de água potável e serviços de saúde. Muitas crianças foram separadas das famílias no meio do caos e precisam de proteção.

Exposição virtual: Humanos na crise climática – Não podemos deixar ninguém para trás 

À medida que os países ricos continuam a emitir gases de efeito estufa com níveis de concentração recorde, as condições climáticas extremas estão a dizimar cada vez mais partes do mundo. 

O tempo está a esgotar-se para milhões de pessoas que já estão a perder a vida, as casas e os meios de subsistência devido às alterações climáticas. Estas pessoas foram as que menos contribuíram para a emergência climática global, embora sejam as mais atingidas. 


Abdus e o seu neto numa jangada feita de bananeiras diante da sua casa submersa em Char Bara Dhul, no norte de Bangladesh. A família dorme num barco enquanto espera que a água baixe. Foto PMA / Sayed Asif Mahmud

Os danos relacionados com o clima estão a acontecer a uma escala que as organizações e  os trabalhadores humanitários não conseguem controlar. 

É necessário pressionar os líderes mundiais a tomarem medidas climáticas significativas para aqueles que mais precisam, comprometendo-se dar prioridade às pessoas vulneráveis durante as negociações da cimeira do clima da ONU (COP26) em novembro. 

No Acordo de Paris, os países ricos comprometeram-se a providenciar 100 mil milhões de dólares por ano para ajudar os países mais pobres a enfrentarem as alterações climáticas através de ações de mitigação e de adaptação. No entanto, os países ricos estão a ficar para trás nos seus compromissos. A solidariedade perante a crise climática começa com os países desenvolvidos a cumprirem a sua promessa de ajudar as comunidades mais vulneráveis a adaptarem-se e a mitigar os efeitos das alterações climáticas. 

Nesta exposição virtual mostramos histórias de pessoas diretamente afetadas pelas alterações climáticas em África, na Ásia e na América Central. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, lembra que a “a emergência climática é uma corrida que estamos a perder, mas é uma corrida que podemos vencer”. Nesta corrida contra a crise climática, não podemos deixar ninguém para trás 

Guterres apela ao Talebã para proteger vidas e direitos de mulheres e meninas

O secretário-geral das Nações Unidas está acompanhando, com muita preocupação, a situação no Afeganistão. Neste domingo, António Guterres divulgou um comunicado, onde faz um “apelo ao Talebã e a todas as partes, para exercerem contenção máxima para proteger vidas e garantir que as necessidades humanitárias sejam atendidas.”

O chefe da ONU participará de uma reunião do Conselho de Segurança sobre o Afeganistão, marcada para as 10h de segunda-feira, hora local em Nova Iorque. 

Menina de 12 anos segura a irmã em campo para deslocados internos em Herat, no Afeganistão

Unicef/Husseini

Menina de 12 anos segura a irmã em campo para deslocados internos em Herat, no Afeganistão

Direitos das Mulheres 

Guterres lembra que o conflito já forçou dezenas de milhares de pessoas a abandonarem suas casas e há relatos de “sérios abusos de direitos humanos e de violações nas comunidades mais afetadas” pela violência.

O secretário-geral da ONU “está especialmente preocupado com o futuro das mulheres e das meninas” e lembra ser preciso proteger os direitos delas, que foram duramente conquistados.  

António Guterres quer o fim de todos os abusos e pede ao Talebã, e a todos os outros lados, para “garantir que a lei humanitária internacional e os direitos e liberdades de todas as pessoas sejam respeitados e protegidos.”

Prédio em Cabul após ataque reivindicado pelo Talebã há dois anos

Unama/Fardin Waezi

Prédio em Cabul após ataque reivindicado pelo Talebã há dois anos

Acesso humanitário 

Segundo o chefe das Nações Unidas, a necessidade de assistência humanitária aumenta, ao mesmo tempo em que o ambiente se torna mais restrito com a escalada do conflito. Guterres faz um apelo a todos os lados para garantir que os trabalhadores humanitários tenham acesso desimpedido para entregar serviços essenciais aos afegãos. 

Na nota, ele destaca que as Nações Unidas continuam determinadas em “contribuir para a paz, para a promoção dos direitos humanos, especialmente das mulheres e das meninas, e para fornecer ajuda humanitária vital e apoio crítico e todos os civis que precisam de assistência.”
 

OMS divulga kit de inclusão para pessoas com demência

A Organização Mundial da Saúde, OMS, criou um guia sobre sociedades inclusivas para pessoas que vivem com demência.

A iniciativa, divulgada em 6 de agosto, ajuda a preparar profissionais da área, promover ambientes apropriados para quem vive nessa situação e a aumentar a conscientização e compreensão.

OMS afirma que mais de 50 milhões de pessoas em todo globo sofrem de demência. Na foto, mulher de 69 anos caminha por uma vila no Nepal

Unicef/Preena Shrestha

OMS afirma que mais de 50 milhões de pessoas em todo globo sofrem de demência. Na foto, mulher de 69 anos caminha por uma vila no Nepal

Plano Global

Este ano, a ONU iniciou a Década do Envelhecimento Saudável, que vai até 2030. Com o kit, a OMS apresenta módulos que podem ser usados separadamente e adaptados de acordo com as necessidades dos usuários.

A compreensão da demência e ambientes favoráveis a quem vive com essa condição são algumas das áreas de ação do Plano Global sobre a Resposta Pública à Demência 2017-2025. 

A ONU acredita que com um melhor entendimento, as comunidades que abrigam essas pessoas podem ajudá-las a viver de forma segura, digna e com razão de ser.

OMS afirma que mais de 50 milhões de pessoas em todo globo sofrem de demência

Pnud/Vladimir Valishvili

OMS afirma que mais de 50 milhões de pessoas em todo globo sofrem de demência

Tarefas cotidianas

A OMS afirma que mais de 50 milhões de pessoas em todo globo sofrem de demência. E a cada ano, surgem 10 milhões de novos casos.

Os sinais da síndrome são: perda de memória, dificuldade de pensamento e comportamento e para efetuar tarefas cotidianas.

A doença de Alzheimer é a forma mais comum da demência e contribui de 60% a 70% dos casos.
Dados da OMS indicam que em todo o mundo, a população está envelhecendo mais rapidamente. 

Existem mais de 1 bilhão de pessoas acima de 60 anos. A maioria vive em países de rendas baixa e média. 
Muitos não têm acesso a serviços básicos e enfrentam várias barreiras para a participação plena na sociedade.
 

ONU alerta que “Afeganistão está saindo do controle” 

O secretário-geral destacou que o Afeganistão está saindo de controle, falando esta sexta-feira a jornalistas sobre a situação atual no país onde áreas urbanas são alvos de combates entre o Talebã e as forças de segurança. 

António Guterres disse que este é o momento para acabar com a ofensiva, para começar negociações a sério e para evitar uma guerra prolongada ou isolamento do Afeganistão. 

Deslocados 

Guterres apontou que, somente no último mês, mais de mil pessoas foram mortas ou ficaram feridas em ataques indiscriminados contra civis, principalmente nas províncias de Helmand, Kandahar e Herat. 

Pelo menos 241 mil deslocados foram gerados pelos combates, que causam danos avultados e aumentam as necessidades humanitárias. Houve um recuo em termos de direitos das mulheres, do acesso de menores às escolas e faltam de artigos básicos para os afegãos. 

ONU defende que situação afegã preocupa porque civis estão arcando com o impacto da violência.

Unama/Fardin Waezi

ONU defende que situação afegã preocupa porque civis estão arcando com o impacto da violência.

Guterres reiterou que tomar o poder por meio da força militar é uma proposta perdida. Para ele, tal situação só pode levar a uma guerra civil prolongada ou ao isolamento completo do Afeganistão. 

O apelo feito ao Talebã é que pare imediatamente com a ofensiva, negocie de boa-fé no interesse do Afeganistão e de seu povo. Ele disse esperar que as discussões em Doha, no Catar, restaurem o caminho para uma solução negociada para o conflito. 

Paz 

O processo que envolve o Afeganistão e o Talebã tem o apoio da região e da comunidade internacional. Para o líder da ONU, somente um acordo político negociado liderado pelos afegãos pode garantir a paz. 

O chefe da organização realçou que hospitais estão lotados e faltam alimentos e insumos médicos. Guterres destacou ainda a destruição de estradas, pontes, escolas, clínicas e outras infraestruturas críticas. 

As últimas quatro semanas tiveram um aumento muito significativo de mortes infantis 

Unama/Mujeeb Rahman Hotaki

As últimas quatro semanas tiveram um aumento muito significativo de mortes infantis 

Antes, a subsecretária-geral para os Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo disse que a situação afegã é profundamente preocupante porque “mais uma vez, os civis estão arcando com o impacto da violência”. 

A chefe dos Assuntos Políticos destacou que está clara na história recente do país que a paz e desenvolvimento duráveis não serão alcançados militarmente e a ONU está pronta a para contribuir para um acordo negociado. 

Três crises 

No terreno, a ONU News conversou com Mustapha Ben Messaoud, que lidera as Operações e Emergências no Fundo da ONU para a Infância, Unicef. Ele disse que o país está sendo atingido com força pelo conflito. 

A agência tem como prioridade atuar elo fim de graves violações contra crianças, após se atingir mais de 500 mortes desde o início do ano. As últimas quatro semanas tiveram um aumento muito significativo destas mortes. 

Deslocados pela insegurança no Afeganistão abrigados em um acampamento na província ocidental de Herat

OIM/Muse Mohammed

Deslocados pela insegurança no Afeganistão abrigados em um acampamento na província ocidental de Herat

Metade dos menores com menos de cinco anos sofre de desnutrição aguda grave e passam fome extrema, a ponto de ficarem doentes. Acampamentos foram montados sem acesso a água potável e higiene o que coloca os habitantes em risco de cólera e outras doenças. 

Messaoud ressaltou que o Afeganistão enfrenta outras crises como a terceira onda de Covid-19 matando cerca de 100 pessoas por dia e a seca que levou as autoridades a declarar emergência em junho. 

Calor extremo na Europa irá continuar independentemente do nível de emissões

Ipcc prevê, com bastante confiança, que tendência de temperaturas altas seguirá em todas as regiões do continente; frequência do frio e de dias gelados será cada vez menor; semana tem sido de onda de calor em vários países. 

Especialistas querem moratória global na venda de tecnologia de vigilância

Um grupo de relatores* da ONU para os Direitos Humanos está pedindo uma moratória global na venda e na transferência de tecnologia de vigilância. Os especialistas sugerem a medida até haver garantias de que o setor cumpre com padrões internacionais de direitos humanos.  

Segundo os relatores, “é muito perigoso e irresponsável” permitir que este tipo de tecnologia opere numa “zona sem direitos humanos”.  

Relatores denunciam intimidações com vigilância online

Banco Mundial/Simone D. McCourtie

Relatores denunciam intimidações com vigilância online

Intimidações  

A preocupação do grupo está ligada com o uso de equipamentos altamente sofisticados para “monitorar, intimidar e silenciar defensores de direitos humanos, jornalistas e opositores políticos”. 

Num comunicado divulgado esta quinta-feira, 12 de agosto, os relatores explicam que essas práticas violam os “direitos à liberdade de expressão, à privacidade, à liberdade e podem colocar em perigo as vidas de centenas de pessoas, além de minar a democracia, a paz, a segurança e a cooperação internacional”. 

Relatores de direitos humanos defendem moratória globbal

ITU/A.Mhadhbi

Relatores de direitos humanos defendem moratória globbal

Pegasus  

Em 18 de julho, a Anistia Internacional e a ONG Forbidden Stories ou Histórias Proibidas publicaram um relatório expondo a vigilância a celulares de centenas de jornalistas, líderes políticos e defensores de direitos, usando o software espião Pegasus, desenvolvido pela empresa israelense NSO Group.  

Para os relatores da ONU, a empresa precisa divulgar publicamente se conduziu, ou não, as devidas diligências de direitos humanos, de acordo com os Princípios da ONU sobre Negócios e Direitos Humanos.   

Os especialistas pedem também a Israel para divulgar se o país avaliou as transações de exportação feitas pelo NSO Group, uma vez que “é obrigação dos  

Estados garantir que essas empresas não vendam nem transferam tecnologia a países ou entidades que pretendem usar os dados para violar os direitos humanos”.   

*Especialistas de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário pelo seu trabalho.  

O comunicado foi firmado por: Irene Khan, relatora especial da ONU para a promoção e proteção do direito à Liberdade de expressão; Mary Lawlor, relatora especial para a situação dos defensores de direitos humanos; Mr. Clement Nyaletsossi Voulé, relator especial para os direitos à manifestação pacífica; além do Grupo de Trabalho da ONU sobre a questão de direitos humanos e corporações transnacionais e empresas de negócios.    

 
 

OMS analisa três anti-inflamatórios para possível tratamento da Covid-19 

Nesta quarta-feira, a Organização Mundial da Saúde, OMS, anunciou que realizará um ensaio clínico com três medicamentos anti-inflamatórios, que poderão ser usados para tratar a Covid-19. 

Testes em 52 países vão examinar artesunato, imatinibe e infliximabe. Os três medicamentos foram selecionados por um painel de especialistas independentes pelo potencial de reduzir o risco de morte em pacientes hospitalizados. 

Sistema imunológico  

O artesunato é usado para tratar malária grave. Já o imatinibe é aplicado no tratamento de certos tipos de câncer, enquanto o infliximabe serve para doenças do sistema imunológico, como a de Crohn e artrite reumatoide. 

Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tedros Ghebreyesus.

ONU/ Elma Okic

Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tedros Ghebreyesus.

No fim de setembro, a OMS divulgará os resultados de um estudo de solidariedade realizado no ano passado que detectou pouco ou nenhum efeito dos medicamentos remdesivir, hidroxicloroquina, lopinavir/ritonavir e interferon. 

A análise foi feita com13 mil pacientes em 500 hospitais de 30 países. 

300 milhões   

Com mais de 203 milhões de casos confirmados da Covid-19, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que o mundo pode chegar a 300 milhões de contaminações já no início do próximo ano.  

A situação poderia, no entanto, mudar com vontade política e de cidadãos, mas segundo Tedros, “o mundo não está agindo nesse sentido.” 

Até o momento a Covid-19 causou um total de 4.303.515 mortes.  

De acordo com a agência, mais de 4.033.274.676 doses de vacina já foram administradas.    

Unece: objetivos internacionais sobre clima não serão alcançados sem energia nuclear

Comissão Econômica da ONU para a Europa destaca que alternativa energética evitou emissões de 74 gigatoneladas de dióxido de carbono; em 11 países da região, energia nuclear já fornece 30% da geração elétrica. 

Mundo registra mais de 200 milhões de casos de Covid-19

O total de casos registrados de Covid-19 ultrapassou os 200 milhões. Com o marco, o secretário-geral das Nações Unidas aproveitou para pedir a todas as pessoas para não baixarem a guarda em face a novas variantes do coronavírus. 

Nesta terça-feira, António Guterres destacou também que a distribuição desigual de vacinas é “inaceitável”. Enquanto alguns países desenvolvidos já têm 70% da população coberta, outras regiões do mundo sofrem.  Na África, o índice é menor do que 2%. 

Funcionária de saúde prepara vacina contra Covid-19 no Brasil

Opas/Karina Zambrana

Funcionária de saúde prepara vacina contra Covid-19 no Brasil

Brasil  

O chefe da ONU lembrou a importância de todos manterem os esforços para se protegerem, preservar entes queridos e todos ao redor. Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, o coronavírus já matou mais de 4,2 milhões.  

O Brasil é o segundo país com mais óbitos por Covid, mais de 562 mil, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, que ultrapassou 611 mil mortes.  

A agência da ONU continua lembrando a importância da vigilância, dos testes de Covid-19 e de ampliar a vacinação.  

A diretora-assistente da OMS para Acesso a Medicamentos e Vacinas, explicou, em Genebra, que a agência tem a expectativa de solucionar o problema da distribuição de vacinas até o fim deste ano. 

Mariângela Simão é diretora-geral assistente para Acesso a Medicamentos, Vacinas e Produtos Farmacêuticos da OMS

UNAIDS

Mariângela Simão é diretora-geral assistente para Acesso a Medicamentos, Vacinas e Produtos Farmacêuticos da OMS

Terceira dose 

Mariângela Simão destacou que a OMS está trabalhando para ampliar a produção de vacinas a nível local e garantir que mais países tenham a tecnologia necessária para fabricar os imunizantes. 

Segundo a médica brasileira, não existe ainda nenhuma comprovação científica de que uma terceira dose da vacina é necessária para a imunidade.  

Mariângela Simão lembra que os países de renda alta que começarem a aplicar a terceira dose estarão tirando a chance de pessoas vulneráveis receberem a primeira dose em nações onde os planos de imunização estão mais atrasados.  

Para ela, este é o dilema ético do momento.  

Ataques piratas no mundo aumentaram cerca de 20% no início da pandemia  

O Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou esta segunda-feira um debate aberto de alto nível sob o tema “Melhoria da Segurança Marítima: Um caso para cooperação internacional.” 

O secretário-geral foi representado por sua chefe de Gabinete, a embaixadora Maria Luíza Ribeiro Viotti. Ela destacou que está acontecendo um tumulto “em níveis alarmantes” da segurança marítima global. 

Tráfego  

Ela disse que apesar da queda no tráfego marítimo devido à pandemia, o primeiro semestre de 2020 teve um aumento de quase 20% de atos de pirataria e assaltos à mão armada contra navios em relação ao período anterior. 

Ribeiro Viotti declarou que uma das áreas de maior atenção é a Ásia, onde a taxa de incidentes quase dobrou. A África Ocidental, o Estreito de Málaca e Cingapura e o Mar da China Meridional tiveram uma alta de atos de pirataria e assaltos a navios. 

Suspeitos de pirataria se rendem durante operação se segurança

US Navy/Jason R Zalasky

Suspeitos de pirataria se rendem durante operação se segurança

A ONU ressalta ainda que os níveis de insegurança sem precedentes são agora particularmente preocupantes no Golfo da Guiné, ao lado de Golfo Pérsico e no Mar da Arábia. 

Na região africana do Sahel,a insegurança marítima marcada pela ameaça terrorista piorou. 

Rotas  

Os desafios à navegação marítima vão desde fronteiras e rotas de navegação fora dos parâmetros do direito internacional e práticas que esgotam os recursos naturais, como a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada. 

A ONU aponta ainda que acontecem ataques armados e crimes marítimos como pirataria, roubo ou atos terroristas, com destaque para o uso de minas de lapa, que se ativam em contato com barcos e drones.  

A chefe de gabinete de Guterres citou ameaças crescentes e interligadas que exigem uma resposta global e integrada.  

Pirataria quase dobrou na Ásia no primeiro semestre do ano passado

Foto/UE

Pirataria quase dobrou na Ásia no primeiro semestre do ano passado

A sugestão é que além de se abordar diretamente estes fatores se lide com causas profundas como a pobreza, a falta de meios de subsistência alternativos, a insegurança e as frágeis estruturas de governança.  

Pesca e extração 

As Nações Unidas realçam ainda que a abordagem a esses crimes deve juntar as partes envolvidas nos espaços marítimos, entre governos, grupos regionais, companhias de navegação e indústrias de pesca e extração. 

Outros participantes seriam atores ligados à proteção de espaços marítimos de ameaças como a pirataria, os roubos, o terrorismo e o crime transnacional, incluindo o tráfico de drogas e o contrabando de migrantes.  

As comunidades costeiras e as mais afetadas pelos desafios da segurança marítima também seriam envolvidas nessas iniciativas. 

No evento, a diretora executiva do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, disse que o mundo depende de oceanos seguros para garantir recursos para sobrevivência, postos de empregos e 80% do comércio.  

Ghada Waly ressaltou quatro ações necessárias para deter o crime no mar: implementar uma estrutura internacional, desenvolver capacidades, parcerias e prevenção do crime centrada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 

Brasil, Portugal e Moçambique elogiados por acolhimento de refugiados 

Medidas de restrição nas fronteiras durante a pandemia levaram a uma queda de cerca de 35% do total de refugiados acolhidos no mundo. A quantidade baixou de 64 mil em 2019 para 22,8 mil no ano passado. 

A situação continua marcada por dificuldades no reassentamento de pessoas vulneráveis, segundo um novo relatório da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, e do Banco Mundial. 

Brasil 

O documento do Comitê Executivo do Programa do Alto Comissário examina as tendências observadas na proteção internacional entre julho de 2020 ao mesmo período deste ano. 

Em 2021, a queda permanece. Um total de 4,5 mil pessoas foi reassentado no primeiro trimestre.  

Funcionária do Acnur recebe refugiados reassentados originalmente da Síria e do Sudão do Sul no aeroporto de Lisboa, em Portugal

© Acnur/José Ventura

Funcionária do Acnur recebe refugiados reassentados originalmente da Síria e do Sudão do Sul no aeroporto de Lisboa, em Portugal

O relatório ressalta haver 57 países que ainda negam acesso a estrangeiros, e outros 73 com acolhimento restrito. 

Brasil e México contaram com relocação interna voluntária de quase 70 mil refugiados e candidatos a asilo.  

O tipo de iniciativas facilitou o acesso dos beneficiários a empregos estáveis, alojamento e serviços de saúde com sua contratação por entidades do setor privado. O estudo ressalta estas situações como exemplos para conectar os refugiados a oportunidades de emprego além-fronteiras e para criar trabalho. 

Portugal e Moçambique 

As autoridades do Brasil, de Portugal e de Moçambique e de Estados-membros da União Europeia foram elogiadas por ampliar a validade de documentos de identidade para requerentes de asilo ou concessão de residência. 

Ainda em 2020, Brasil e Moçambique foram as únicas nações de língua portuguesa participantes na iniciativa “Safe from the Start”, patrocinada pelos Estados Unidos, de apoio a operações em favor da segurança de pessoas em busca de abrigo.  

Vídeo de arquivo:

Essas ações também ocorreram em áreas de países como Burquina Fasso, Burundi, Camarões, Djibouti, Mali, Sudão e Iêmen e em diversas regiões africanas. 

O impacto socioeconômico da Covid-19 afetou quase todos os aspectos da vida dos refugiados e pessoas forçadas a se deslocar, especialmente as que estejam vivendo fora dos acampamentos. 

Perda de emprego 

Dados de oito países de acolhimento de refugiados antes da Covid-19 destacam que o grupo teve até 60% de probabilidade de trabalhar em setores altamente suscetíveis a pandemia do que os nascidos naqueles países.  

As áreas em destaque foram as de alojamento, serviços alimentares, fábricas e varejo. 

Um dos maiores exemplos dessa situação é o do acampamento de  Kalobeyei, no Quênia.  

Pesquisadores também observaram que o desemprego entre os refugiados caiu cerca de 75% em comparação aos níveis pré-pandêmicos. Um prejuízo três vezes mais alto que dos empregos nacionais. 

Tanto para refugiados como para comunidades anfitriãs, as perdas foram de igual intensidade em lugares como Iêmen, onde o acesso a cuidados de saúde para todos não evoluiu dos níveis anteriores à pandemia devido ao conflito.  

Funcionária de sáude prepara vacina em assentamento de refugiados rohingya em Bangladesh

Unicef/Patrick Brown

Funcionária de sáude prepara vacina em assentamento de refugiados rohingya em Bangladesh

Maratonista eritreu fecha participação do time de refugiados em Tóquio 2020 

A participação do refugiado Tachlowini Gabriyesos em maratona encerra este sábado a presença do time de refugiados nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. * 

O eritreu, de 23 anos, foi um dos porta-bandeiras da Equipe Olímpica de Refugiados, com a nadadora síria Yusra Mardini.  

Rio 2016 

A lista de 29 integrantes foi compilada pelo Comitê Olímpico Internacional apoiado pela Agência da ONU para Refugiados, Acnur. A primeira delegação deste tipo competiu nos Jogos Olímpicos Rio 2016, no Brasil. 

As mais recentes apresentações da delegação aconteceram desde a quinta-feira com o karateca sírio Wael Shueb. Na mesma modalidade, o iraniano Hamoon Derafshipour esteve a um passo de se classificar para as semifinais da categoria de kumite masculino, ao competir no grupo de menos de 67 quilos. 

Dorian Keletela, membro da equipe olímpica de refugiados de Tóquio 2020, Sprinter, originalmente do Congo, treina no Centro de Treinamento Nacional de Portugal.

© Acnur/Ricardo S. Alves

Dorian Keletela, membro da equipe olímpica de refugiados de Tóquio 2020, Sprinter, originalmente do Congo, treina no Centro de Treinamento Nacional de Portugal.

Agora com as esperanças dos refugiados voltadas para a performance de Tachlowini Gabriyesos, o Acnur ressalta que o jovem atleta “nunca abandonou a paixão pela corrida”, desde que deixou a Eritreia com 12 anos.  

Resistência 

As jornadas por grandes distâncias começaram quando ele foi forçado a deixar seu país de origem devido aos conflitos. Tachlowini percorreu os desertos entre o Sudão e o Egito, a pé, até chegar a Israel onde treina diariamente em Tel Aviv. 

A agência destaca o corredor de médias e longas distâncias pela “resiliência, ao ter enfrentado diversos obstáculos com resistência física, força mental e uma visão positiva”. 

Corredora Anlelina Nadai, do Sudão do Sul, treina em Nairobi. Ela faz parte da Equipe Olímpica de Refugiados

© UNHCR/Benjamin Loyseau

Corredora Anlelina Nadai, do Sudão do Sul, treina em Nairobi. Ela faz parte da Equipe Olímpica de Refugiados

Em 2019, ele foi um dos seis escolhidos para a Equipe de Refugiados no Campeonato Mundial de Atletismo de Doha 2019. Numa escala em Istambul, Tachlowini perdeu a oportunidade de competir, após ter ficado num aeroporto da cidade turca durante 27 horas por problemas com o visto. 

Crise global 

No ano seguinte, Tachlowini foi mais uma vez impedido de viajar para a Polônia para participar da meia-maratona mundial em Gdynia. 

Em 2021, o total de 29 atletas fez parte da Equipe Olímpica de Refugiados. Ela foi criada para destacar a crise global de pessoas buscando abrigo. A ONU estima haver 82,4 milhões de cidadãos forçados a se deslocar em todo o mundo. 

*Com informações do Acnur.