Uma verba do Programa Conjunto da ONU sobre HIV/Sida, Unaids, concedida durante a pandemia, aprovou projetos de empreendedores no Brasil.
Os selecionados são o Movimento Nacional das Cidadãs Positivas, Mncp, a Associação Social Anglicana de Solidariedade do Cerrado e o Grupo de Trabalhos em Prevenção Posithivo.
Costura
Membros do Mncp já vêm atuando para enfrentar os desafios gerados pelas medidas de isolamento social e os impactos econômicos e sociais causados no Brasil.
Rovena Rosa/Agência Brasil
Rua Augusta, em Bela Vista, na cidade de São Paulo
A coordenadora executiva, Jacqueline Côrtes, disse que os mais carentes buscam especialmente ajuda em alimentos. São pobres que vivem com HIV, sem trabalho formal ou desempregados durante a pandemia.
O Fundo de Solidariedade pretende capacitar e financiar mais de 35 mulheres soropositivas no Brasil. Elas devem atuar na confecção e venda de bonecas de pano.
Além de apoiar essas iniciativas, o Fundo incentivará o empoderamento econômico e o empreendedorismo feminino através de cursos online e treinamento vocacional.
Nos próximos meses, a iniciativa agora implementada em países como Brasil, Gana, Índia, Madagáscar e Uganda chegará a outros cantos do mundo. A meta é arrecadar mais US$ 3 milhões e US$ 5 milhões para o período entre 2021 e 2022.
Trabalho
O Fundo de Solidariedade foi lançado com US$ 250 mil para apoiar empreendimentos sociais liderados por soropositivos e membros das populações que merecem maior acompanhamento.
Trabalhadores de sexo, pessoas trans, usuários de drogas e homossexuais também estão contemplados na lista que inclui jovens mulheres de comunidades mais afetadas pelo vírus ou estejam enfrentando dificuldades especiais na pandemia.
Fundo de Solidariedade pretende capacitar e financiar dezenas de mulheres soropositivas no Brasil
As propostas de empreendedores sociais receberão a verba inicial em cinco países. O valor deve ajudar a “capacitá-los a a expandir iniciativas de negócios existentes ou desenvolver novos que possam gerar um valor econômico e impacto social para suas comunidades”.
A seleção envolveu o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, e parceiros, incluindo representantes da comunidade, setor público e privado nacionais.
Eles analisaram e avaliaram o alto potencial dos empreendimentos sociais.
Oportunidade
O Unaids destaca que os 25 beneficiários demonstraram “compromisso com o desenvolvimento de soluções sustentáveis para lidar com as barreiras socioeconômicas enfrentadas pelas populações de maior risco de HIV”.
Para o diretor do Escritório de Inovação do Unaids, a fase piloto permitirá testar modelos inovadores, proporcionando às comunidades-chave uma oportunidade de abordar adequadamente o impacto imediato da pandemia.
Pradeep Kakkattil disse ainda que devem desenvolvidas atividades para gerar renda de uma forma sustentável.
O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou os ataques terroristas nos arredores do aeroporto de Cabul, no Afeganistão, que causaram pelo menos 72 mortos e deixaram cerca de 140 pessoas feridas. O chefe máximo da organização, convoca reunião do Conselho de Segurança, para segunda-feira, com o intuito de discutir a situação do país, após os atentados.
As agências da ONU a operar no terreno também se manifestaram. O Programa Alimentar Mundial (PAM) relembra que um em cada três afegãos passam fome e 2 milhões de crianças desnutridas precisam urgentemente de tratamento. Por sua vez a Organização Internacional das Migrações (OIM) afirma que 5.5 milhões de afegãos saíram das suas casas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou os ataques terroristas nos arredores do aeroporto de Cabul e expressa o seu apoio aos feridos e às famílias das vítimas. Segundo porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, “o chefe máximo da ONU condena ataque terrorista que matou e feriu diversos civis”. Dujarric sublinhou que era responsabilidade das autoridades proteger os civis e as infraestruturas civis, incluindo o aeroporto. De acordo com relatos da comunicação social, homens-bomba atingiram os portões do aeroporto com, pelo menos, duas explosões.
O porta-voz acrescenta que a ONU está a fazer a contagem de funcionários, mas até agora, não há nenhuma indicação de perdas de pessoal da Organização, embora alguns funcionários estivessem perto do aeroporto.
Conselho de Segurança na segunda-feira
António Guterres convocou uma reunião do Conselho de Segurança para a próxima segunda-feira para discutir situação do país, após os atentados. O porta-voz da ONU assegurou que António Guterres está a “seguir de perto a situação em Cabul” e acrescenta que o incidente realça a volatilidade da situação no Afeganistão, mas também fortalece a determinação da ONU em apoiar o povo afegão.
Ajuda alimentar
Este conflito aliado à seca extrema e pandemia têm deixado o povo afegão à beira de uma catástrofe humanitária. O PAM relatou que um em cada três afegãos, ou 14 milhões de pessoas, passam fome e dois milhões de crianças desnutridas precisam urgentemente de tratamento. Com as vias aéreas cortadas, o PAM está a trabalhar na possibilidade de fazer chegar alimentos por via terrestre, o que está a ser cada vez mais difícil.
Pessoas deslocadas internamente
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) lançou um apelo urgente de 24 milhões de dólares para ajudar as centenas de milhares de pessoas deslocadas dentro do país. Atualmente, cerca de 5,5 milhões de afegãos estão deslocados internamente, sendo que mais de 550 mil passou a integrar as estatísticas, em 2021. Deste número, quase metade abandonou suas casas com o avanço dos Talibãs a partir de julho.
Segundo o chefe da Missão da OIM no Afeganistão, Stuart Simpson, a agência está a trabalhar para aumentar as operações e atender às necessidades mais urgentes.
Mais de 140 milhões de menores perderam o primeiro dia de aula, este ano, devido à pandemia em todo o mundo.
Uma análise do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, chama a atenção para os problemas causados pelo fechamento prolongado de instituições de ensino, especialmente para alunos em estágios de desenvolvimento considerados críticos.
Sofrimento
A publicação revela que muitas crianças sentirão o efeito da situação em áreas além do aprendizado. Desgaste mental, perda de vacinação e alto risco de abandono escolar são algumas das consequências.
Quanto maior o adiamento para a estreia escolar, menor a probabilidade de ingressarem no sistema educacional por ficarem mais expostos à violência e práticas como trabalho e casamento infantis.
Unicef/Chris Farber/Unicef via Getty Images
Instalação do Unicef, na sede da ONU em Nova Iorque, alerta para fechamento de escolas em todo o mundo
O Unicef diz que mesmo com ampliação do ensino a distância, pelo menos 29% dos alunos do ensino fundamental não foram alcançados.
A agência apela os governos a reabrir escolas o mais rápido possível para a aprendizagem no formato presencial.
Escolas fechadas
No ano passado, uma média de 79 dias de ensino foram perdidos no mundo devido ao fechamento das escolas. Para cerca de 168 milhões, as escolas ficaram fechadas durante 2020 inteiro.
Vários deles estão no segundo ano consecutivo de ausência num período em se “estabelecem os fundamentos para o futuro aprendizado, com introduções à leitura, escrita e matemática”.
Fora dos bancos escolares, a criança sofre uma “perda da independência, da capacidade de se adaptar a novas rotinas e de desenvolver relacionamentos significativos com professores e alunos”.
Bem-estar
O estudo recomenda que docentes identifiquem e abordem atrasos de aprendizagem, além de problemas de saúde mental e abusos que podem afetar negativamente o bem-estar infantil.
Muitas crianças terão desgaste mental, perda de vacinação e alto risco de abandono escolar
A diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, conta que o primeiro dia de aula é um momento marcante na vida de uma criança, iniciando-a em um caminho de mudança de vida de aprendizado e crescimento pessoal.
Para Fore, mesmo que as aulas estejam sendo retomadas em muitas partes do mundo, milhões de alunos da primeira série ainda aguardam para ver o interior de uma sala de aula há mais de um ano.
Outros milhões podem não ter a oportunidade durante este ano letivo. Para os mais vulneráveis, aumenta o risco de “nunca entrarem em uma sala de aula na vida”.
A crise humanitária no Afeganistão afeta 18 milhões de pessoas – metade da população do país.
Várias agências da Organização das Nações Unidas (ONU) alertam para a escassez de alimentos já em setembro. Com as restrições no aeroporto de Cabul, primeiros socorros, como equipamento cirúrgico e alimentos, ficam sem chegar ao destino.
Agências pedem a criação imediata de uma “ponte aérea humanitária”.
lefr Rahima
As agências da ONU exigem a criação de uma “ponte aérea humanitária” para atender às necessidades do povo afegão. Apesar de um “sentimento de medo”, reiteraram o seu compromisso e informam que continuam a ter acesso à população mais vulnerável em todo o país.
As necessidades humanitárias não podem ser deixadas para trás
Assistência vital
O ACNUR, Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, está preocupado com as necessidades humanitárias no Afeganistão e pede apoio para assegurar que todos aqueles que necessitam de assistência não sejam esquecidos – segundo a agência, é urgente prestar assistência ao povo afegão, incluindo aos cerca de meio milhão de desalojados, 80% dos quais são mulheres e crianças.
Com 550.000 pessoas deslocadas dentro do Afeganistão, só este ano, a ACNUR emitiu um pedido de financiamento urgente de 62,8 milhões de dólares para lidar com as necessidades imediatas. As necessidades globais para a situação no país são de 351 milhões de dólares, com níveis de financiamento atualmente nos 43%.
Se quiser ajudar o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados pode fazê-lo aqui.
Desafio alimentar
O Programa Alimentar Mundial (PAM) afirmou que as operações têm continuado em todo o Afeganistão. Só na semana passada, o PAM chegou a 80.000 pessoas com cerca de 600 toneladas de produtos alimentares que fizeram chegar às populações através de travessias humanitárias, do Uzbequistão, Paquistão e Turquemenistão, embora apenas 50% dos fornecimentos chegassem.
No entanto, a escassez é iminente. O diretor adjunto do PAM no Afeganistão, Andrew Patterson, adverte para a chegada do inverno e a possibilidade de queda de neve que irá impossibilitar a distribuição de alimentos. São necessárias mais de 54.000 toneladas de alimentos para o povo afegão até ao final de dezembro o equivalente a 200 milhões de dólares para comprar alimentos para 20 milhões de pessoas – que estão previstas precisar deles.
Proteção da saúde
O diretor regional da Organização Mundial de Saúde, Richard Brennan, explicou que a agência não consegue enviar as cerca de 500 toneladas de material médico previstas para a população, devido a restrições no aeroporto de Cabul.
Direitos das mulheres
Esta crise humanitária tem vindo a colocar no centro a questão dos direitos das mulheres. A diretora executiva da UNICEF, Henrietta Fore, prevê que as necessidades humanitárias das mulheres e crianças irão aumentar nos próximos meses, devido à seca, consequente escassez de água e a pandemia. Segundo a diretora, a UNICEF está a aumentar os seus programas e espera expandir operações para áreas que anteriormente não podiam ser alcançadas.
Se quiser ajudar o trabalho humanitário da UNICEF, pode fazê-lo aqui.
Por sua vez, o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, sublinhou a importância dos direitos das mulheres realçando que o futuro do Afeganistão depende da criação de um ambiente inclusivo e propício onde todas as pessoas, incluindo mulheres e meninas, possam prosperar através da sua participação plena, igual e significativa.
Sessão Especial sobre o Afeganistão no Conselho de Direitos Humanos
A Alta-Comissária para os Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, afirmou que tem vindo a receber inúmeros relatos de violações graves cometidas pelos Taliban no Afeganistão, incluindo execuções sumárias de civis, restrições à liberdade das mulheres e protestos.
Esta sessão de emergência, realizada a pedido do Paquistão e da Organização de Cooperação Islâmica (OCI), teve como intuito a análise da situação de crise do país e a possibilidade de criação de um mecanismo próprio para o acompanhamento da evolução da situação de direitos humanos no Afeganistão, numa referência à possibilidade do conselho nomear uma comissão de inquérito, um relator especial ou uma missão de averiguação sobre a situação do país.
Bachelet considera que a forma como as mulheres são tratadas pelos Talibans é um assunto que se encontra na “linha vermelha”, realçando o tratamento discriminatório que as mulheres e meninas sofrem e a falta de respeito pelos seus direitos à liberdade, liberdade de movimento, educação, expressão e emprego.
G7 sobre o Afeganistão
Os líderes do G7 exigiram aos talibãs que deixem sair afegãos após a retirada das tropas ocidentais do país a 31 de agosto. O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com relatos de “assédio” e “intimidações” a trabalhadores humanitários no país e comprometeu-se a zelar pela sua segurança.
O número de adultos entre 30 e 79 anos com hipertensão duplicou de 650 milhões em 1990 para 1,28 bilhão em 2019. E entre estes pacientes, 720 milhões não estão recebendo tratamento.
Estes são os principais dados revelados pela primeira análise mundial abrangente sobre as tendencias de prevalência, detecção, tratamento e controle da hipertensão. O estudo foi produzido pela Organização Mundial da Saúde, OMS, e pelo Imperial College de Londres e foi publicado pela revista especializada The Lancet.
Foto: Unsplash/Mufid Majnun
1,2 bilhão de pessoas no mundo têm hipertensão
Fácil de detectar e tratar
A OMS destaca que a hipertensão aumenta de forma considerável o risco de enfermidades cardíacas e de doenças cerebrais e renais, além de ser uma das principais causas de morte no mundo.
Mas a agência lembra que o problema é fácil de ser detectado, medindo a pressão arterial em casa ou num centro de saúde. No caso de pressão alta, o tratamento é eficaz com medicamento de baixo custo.
Moçambique, Portugal e São Tomé
Alguns países de língua portuguesa são destacados no estudo. São Tomé e Príncipe é a quinta nação do mundo com a maior prevalência de hipertensão entre mulheres.
Já Portugal é o oitavo com a maior taxa de tratamento de mulheres hipertensas. Por outro lado, Moçambique é o terceiro país do mundo com o menor índice de tratamento entre homens e o nono em relação às mulheres.
Canadá, Peru e Suíça são os países com menos casos de hipertensão, enquanto República Dominicana, Jamaica e Paraguai têm as maiores taxas mundiais.
Foto: Opas
A OMS destaca que a pressão alta é uma assassina silenciosa
Novas diretrizes
Segundo a OMS, 580 milhões de pessoas que participaram do estudo não sabiam que eram hipertensas pois nunca haviam sido diagnosticadas.
A agencia também está lançando uma nova diretriz para o tratamento da hipertensão em adultos.
São recomendações para ajudar os países a melhorar o tratamento da condição.
A OMS destaca que são as primeiras orientações do tipo em 20 anos, incluindo qual tipo de medicamento e com que frequência utilizar; qual o nível indicado para começar a tomar remédios e qual a frequência com que se deve fazer seguimentos de controle dos níveis da pressão arterial.
Neste artigo de opinião para a ONU News, Marco Teixeira e Alexandra Fernandes do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, abordam a cooperação da agência da ONU com o governo do país de língua portuguesa na África.
As Nações Unidas alertam que mais de 650.000 pessoas precisam de ajuda humanitária no Haiti. Estima-se que mais de 52.000 casas tenham sido destruídas e pelo menos 77.000 foram danificadas nas três regiões mais afetadas, deixando milhares de pessoas sem abrigo. O terramoto derrubou prédios, casas, danificou infraestruturas e estradas, forçando muitos haitianos a abandonarem as suas residências com receio que estas desabem.
O sismo de magnitude 7,2 que atingiu o Haiti a 14 de agosto vitimou 2.207 pessoas, fez mais de12.200 feridos e 340 desaparecidos. As novas necessidades de financiamento relacionadas com o abalo somam-se às de uma crise humanitária pré-existente no país. A 23 de agosto, de acordo com os Serviços de Rastreamento Financeiro (FTS), o Plano de Resposta Humanitária (HRP) estava somente 16% financiado.
De acordo com a Direção Geral de Proteção Civil do Haiti (DGPC), mais de 820.000 pessoas foram afetadas nas regiões de Sud, Grand’Anse e Nippes.
Tempestade tropical
Esta crise não poderia ter surgido em pior altura. A 17 de agosto, a tempestade tropical Grace inundou o sul do país. A mesma região que sofreu o impacto do abalo dias depois. O Haiti está ainda a recuperar do assassinato do seu presidente Jovenel Moïse, a 7 de julho, que exacerbou a violência de gangues no país. Uma situação que levou à migração interna de cerca de 19.000 pessoas no sul do país, agravando enormemente a já precária situação humanitária.
Segundo a ONU, cerca de 4,4 milhões de pessoas, ou quase 40% da população, enfrentam insegurança alimentar aguda, incluindo 1,1 milhão em níveis de emergência e 3,1 milhões de pessoas em níveis de crise. Estima-se que 217.000 crianças sofrem de desnutrição aguda. O sistema de saúde do país já anteriormente frágil, está sobrecarregado pela luta contra a pandemia da covid-19.
Sob a liderança do Governo, parceiros humanitários nacionais e internacionais estão a aumentar os esforços de resposta multissetoriais em todas as áreas afetadas pelo terramoto. Organizações Não Governamentais (ONGs) internacionais e agências da ONU, em parceria com ONGs locais, continuam a trabalhar para salvar vidas. Estas ativaram mecanismos de resposta a emergências, incluindo missões de busca e resgate. O governo e os parceiros da ONU estão a reforçar a resposta ao desastre natural, fazendo avaliações das necessidades e danos pós-impacto e ativando mecanismos de resposta rápida. O mecanismo de resposta global de Avaliação e Coordenação de Desastres da ONU (UNODC) foi ativado para apoiar a resposta. Porém, toda a ajuda é pouca.
As tensões no terreno estão a aumentar à medida que a ajuda chega às comunidades mais afetadas, enquanto o governo procura aumentar a frequência de escoltas humanitárias e intensificar as medidas de segurança. Apesar da negociação de um corredor humanitário, as restrições de acesso e a insegurança continuam a ser um dos principais desafios para os parceiros humanitários. Sem um acesso seguro e protegido a estas comunidades, milhares de pessoas irão morrer.
O objetivo imediato da resposta humanitária é o de salvar vidas, porém é necessária uma ampliação paralela da ação de desenvolvimento para reduzir os riscos e vulnerabilidades a longo prazo. As necessidades humanitárias no Haiti estão associadas a grandes défices de desenvolvimento. A resposta humanitária por si só não é suficiente para reduzir as necessidades e vulnerabilidades crónicas do país. Todos os doadores devem continuar a investir na minimização dos défices estruturais, fragilidades e crises recorrentes no Haiti.
Começam nesta terça-feira os Jogos Paralímpicos de Tóquio, pela primeira vez com a participação da Equipe Paralímpica de Refugiados. Os seis atletas, acolhidos por quatro países, competem em cinco modalidades esportivas.
A síria Alia Issa, que vive na Grécia, faz arremesso de dardo é a única mulher do grupo. O nadador sírio Ibrahim Al Hussein, refugiado também na Grécia, vai tentar uma medalha na equipe de natação ao lado de Abbas Karimi, do Afeganistão, acolhido pelos Estados Unidos.
No taekwondo, a Equipe Paralímpica conta com o talento de Parfait Hakizimana, que nasceu no Burundi e agora vive em um acampamento para refugiados em Ruanda
Canoagem e taekwondo
No taekwondo, a Equipe Paralímpica conta com o talento de Parfait Hakizimana, que nasceu no Burundi e agora vive em um acampamento para refugiados em Ruanda.
Outro atleta sírio também está em Tóquio: Anas Al Khalifa, que faz canoagem e mora na Alemanha. Completando a equipe está o iraniano Shahrad Nasajpour, do arremesso de disco, refugiado nos Estados Unidos.
A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, acredita que a participação dos seis atletas em Tóquio vai ajudar a “desafiar o estigma e as percepções negativas dos deslocados, incluindo os que vivem com algum tipo de deficiência.”
Unsplash/Erik Zünder
Os Jogos Paralímpicos de Tóquio começam nesta terça-feira
Momento histórico
Ao enviar votos de boa sorte à equipe, o Acnur lembra que a participação nas Paralimpíadas traz uma mensagem de esperança aos 82 milhões de refugiados e de deslocados no mundo.
O Alto Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, declarou que “presença deles no palco dos Jogos Paralímpicos marca um momento histórico de representatividade para mais de 12 milhões de deslocados no mundo que vivem com alguma deficiência.”
ONU/Mark Garten
Grandi destacou ainda que os refugiados que têm deficiência correm maior risco de sofrer “discriminação, violência e exploração
Agentes para mudança positiva
Grandi destacou ainda que os refugiados que têm deficiência correm maior risco de sofrer “discriminação, violência e exploração. Apesar dos desafios, o chefe do Acnur afirma que esses refugiados “são agentes para uma mudança positiva e líderes de suas comunidades, incluindo no campo dos esportes para pessoas com deficiência”.
Filippo Grandi garantiu que estará, com muito orgulho, torcendo pela Equipe Paralímpica de Refugiados, “que inspira o mundo com sua perseverança e talento”.
Segundo o Acnur, o presidente do Comitê Paralímpico Internacional, Andrew Parsons, declarou que “a Equipe Paralímpica de Refugiados é a equipe esportiva mais corajosa do mundo”.
Os jogos na capital japonesa começam esta terça-feira e seguem até o dia 5 de setembro.
As Nações Unidas comemoram neste 23 de agosto o Dia Internacional em Memória do Tráfico de Escravos e sua Abolição.
A data lembra a revolta dos escravos em Santo Domingo, na madrugada de 22 para 23 de agosto de 1791 que deu início a movimentos de erradicação da escravatura pelo mundo e do tráfico transatlântico de seres humanos.
Unesco
Dia Internacional em Memória do Tráfico de Escravos e sua Abolição
Meninas e mulheres
Santo Domingo equivale hoje aos territórios do Haiti e da República Dominicana juntos. Neste Dia Internacional, a ONU alerta ainda para formas contemporâneas de escravidão.
Numa mensagem, no ano passado, o secretário-geral António Guterres, lembrou que mais de 40 milhões de pessoas seguem sendo vítimas desse crime. E 71% deste total são meninas e mulheres.
Trabalhos forçados, trabalho infantil, servidão doméstica, casamentos forçados, jugos por dívida e tráfico de pessoas são algumas formas de escravidão moderna. Para Guterres, nenhuma delas pode ser aceita em pleno século 21.
Foto: ONU/Manuel Elias
Diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay
Consequências
A organização lembra que a tragédia da escravatura deve oferecer uma oportunidade a todos de refletirem sobre as causas históricas, os métodos e consequências para as vítimas.
A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, pediu a governos em todo o mundo para organizarem eventos que incluam toda a população numa grande aula de história com debates especialmente entre jovens, artistas e intelectuais.
Ela afirma que nesse dia, a Unesco presta tributo à memória de homens e mulheres, que se revoltaram em Santo Domingo, abrindo caminho para o fim da escravidão e de uma prática desumana.
Em janeiro deste ano, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução condenando crimes contra sítios religiosos. No texto, os 193 países-membros pediram mais esforços para a promoção de uma cultura de tolerância e paz em todos os níveis.
Num Plano de Ação, divulgado em 2019 logo após o ataque a uma mesquita na Nova Zelândia e a igrejas cristãs na África e no Sri Lanka, e a uma sinagoga nos Estados Unidos, a ONU citou versos da Bíblia, da Torá, do Corão e outros livros sagrados, além de líderes religiosos.
Unama / Jawad Jalail
Mesquita de Mazar-e Sharif, no Afeganistão
Fé
Nos últimos anos, esses ataques a locais sagrados aumentaram. E mesmo durante a pandemia, pessoas continuaram morrendo somente por causa da fé que professam.
Neste 22 de agosto, a ONU marca o Dia Internacional em Homenagem às Vítimas de Atos de Violência baseada em Religião ou Credo.
A ONU lembra que a liberdade de religião, opinião e expressão, o direito à reunião pacífica e à liberdade de associação são interdependentes, interrelacionados e se fortalecem mutuamente. Esses direitos também estão previstos nos Artigos: 18, 19 e 20 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
ICC-CPI/Pete Muller
A religião tem sido um apoio inestimável para muitos sobreviventes do conflito no norte de Uganda
Terrorismo
O Dia Internacional foi criado pela Assembleia Geral em 2019. De lá para cá, os atos de intolerância e violência baseada em religião ou credo de indivíduos e comunidades religiosas continuaram ocorrendo.
Na resolução 73/296, os países-membros da ONU reafirmam sua condenação desses crimes e práticas de terrorismo e extremismo violento seja qual for a motivação.
O Dia Internacional em Homenagem às Vítimas de Violência baseada em Religião ou Credo ocorre um dia após a data que presta tributo às vítimas de terrorismo, em 21 de agosto.
A ONU lembra que toda pessoa tem o direito de praticar sua religião de forma livre e segura.
As Nações Unidas comemoram, neste 21 de agosto, o Dia Internacional em Memória e Tributo às Vítimas de Terrorismo. Este é o quarto ano em que a ONU organiza eventos para lembrar as pessoas que perderam a vida ou perderam parentes e amigos, além daqueles que ficaram feridos em atos de terrorismo pelo mundo.
Apoio
Com a pandemia desde o ano passado, os eventos são realizados pela internet. Desta vez, o tema é “Conexões” para destacar a importância do contato social e emocional em épocas de confinamento.
Por causa da Covid-19, muitas vítimas do terrorismo sofrem com falta de recursos e ações que defendam seus direitos e promovam apoio. Muitas pessoas ficaram afastadas da família, dos amigos e comunidades.
Segundo a ONU, os atos de terrorismo seguem propagando uma série de ideologias de ódio que continuam ferindo, prejudicando e matando milhares de pessoas inocentes todos os anos.
A organização afirma que muitos países mantiveram o apoio às vítimas.
Minusma/Gema Cortes
Segundo a ONU, os atos de terrorismo seguem propagando uma série de ideologias de ódio que continuam ferindo, prejudicando e matando milhares de pessoas inocentes todos os anos
Maratona de Boston
Num dos eventos este ano, que contou com a participação do secretário-geral António Guterres, e do chefe do Escritório de Contraterrorismo, Vladimir Voronkov, sobreviventes desses atentados se reuniram com autoridades e os co-presidentes do Grupo de Amigos das Vítimas de Terrorismo. Como este 21 cai num sábado, as comemorações foram antecipadas para a véspera.
Participaram os embaixadores da Espanha e do Afeganistão na ONU e duas vítimas: uma do Quênia e outra da Noruega. O Escritório também preparou a exibição do curta-metragem “Sobrevivendo ao Terrorismo: o Poder das Conexões”, que retrata as vítimas e os que sobreviveram ao redor do mundo.
A discussão interativa teve sobreviventes do terrorismo em países como Iraque, Marrocos, Canadá e Reino Unido e foi moderada por Amy O’Neill vítima do ataque terrorista contra os participantes da Maratona de Boston, em 2013.
Minusma/ Harandane Dicko
Covid-19 destacou vulnerabilidades “a formas novas e emergentes de terrorismo”.
Terapia
O filme foi seguido de um debate sobre o impacto da pandemia na vida deles e formas de fortalecimento da comunidade internacional em apoio às vítimas. Para a ONU, as vítimas continuam com dificuldade de serem ouvidas e receberem o apoio do qual precisam. Ainda para se recuperarem, elas precisam de apoio físico e emocional, terapia e outros recursos para se reerguerem do trauma de ser atacado desta forma.
A data foi estabelecida pela Assembleia Geral em 2017. As ações são resultado da Estratégia Global de Contraterrorismo, aprovada em 2006. O evento sobre o Dia Internacional em Memória e Tributo às Vítimas do Terrorismo pode ser visto na TV Web das Nações Unidas.
Governo Federal / Guido Bergmann
Secretário-geral lembrou que os países-membros têm, pela resolução aprovada pela Assembleia Geral, um incentivo para apoiar e assistir quem sobrevive ao ataque terrorista
11 de setembro
Ao discursar, no evento de sexta-feira, na sede da ONU, o secretário-geral António Guterres lembrou os atentados de 11 de setembro contra os Estados Unidos, que farão 20 anos no próximo mês. Quase 3 mil pessoas foram assassinadas na destruição das torres gêmeas do World Trade Center em Nova Iorque.
O secretário-geral disse que o ataque foi motivo de horror e revolta em todo o mundo. Desde então, milhares de pessoas foram mortas ou feridas, famílias destruídas e sociedades destroçadas com o avanço do terrorismo.
O chefe da ONU citou causas como extremismo político e religioso, xenofobia, racismo e outras razões para o terrorismo. Às vítimas desses ataques hediondos, Guterres expressou solidariedade e disse que elas não estão sós.
Unodc
Ainda que a luta contra o terrorismo tenha obtido sucessos importantes, a ameaça terrorista permanece e se diversifica
Congresso Global em 2022
O secretário-geral lembrou que os países-membros têm, pela resolução aprovada pela Assembleia Geral, um incentivo para apoiar e assistir quem sobrevive ao ataque terrorista especialmente àqueles que também são vítimas de violência sexual e baseada em gênero.
Para Guterres, lembrar significa honrar aos que perderam suas vidas e também compreender a responsabilidade de evitar que esses atentados se repitam causando mais mortes.
Em 2022, a ONU organizará o primeiro Congresso Global de Vítimas do Terrorismo.
As crianças na República Centro-Africana, no Chade e na Nigéria estão entre as que correm mais riscos devido às alterações climáticas, de acordo com o primeiro Índice de risco climático da UNICEF focado nas crianças.
por UNICEF Portugal
Os jovens que vivem na República Centro-Africana, no Chade, na Nigéria, na Guiné e na Guiné-Bissau são os que correm mais riscos devido aos impactos das alterações climáticas, que ameaçam a sua saúde, educação e protecção, e os expõem a doenças mortais, de acordo com um relatório da UNICEF lançado hoje.
‘The Climate Crisis Is a Child Rights Crisis: Introducing the Children’s Climate Risk Index’ (‘A crise climática é uma crise dos Direitos da Criança: Apresentando o Índice de Risco Climático das Crianças’) é a primeira análise abrangente sobre risco climático na perspectiva de uma criança. O Índice classifica os países com base na exposição das crianças a choques climáticos e ambientais, como ciclones e ondas de calor, bem como sua vulnerabilidade a esses choques, com base no acesso a serviços essenciais.
Lançado em colaboração com a Fridays for Future no terceiro aniversário do movimento de greve climática global liderado por jovens, o relatório constata que aproximadamente mil milhões de crianças – quase metade dos 2,2 mil milhões de crianças do mundo – vivem num dos 33 países classificados como “de risco extremamente elevado”. Estas crianças enfrentam uma combinação mortal de exposição a múltiplos choques climáticos e ambientais de alta vulnerabilidade devido à inexistência de serviços essenciais adequados, como água e saneamento, saúde e educação. Os dados reflectem o número de crianças afectadas actualmente, mas os números provavelmente irão agravar-se à medida que os impactos das mudanças climáticas se aceleram.
Portugal encontra-se numa posição de baixo risco no Índice apresentado no relatórioque cruza os riscos de choques ambientais e a vulnerabilidade infantil, colocando-se na 135.ª posição de um total de 164, onde o país com a melhor posição é a Islândia.
Beatriz Imperatori, Directora Executiva da UNICEF Portugal considera que “o Governo e os poderes públicos em Portugal devem continuar a apostar no reforço do investimento na Educação Ambiental – que integra o currículo da educação para a cidadania ao longo dos doze anos de ensino obrigatório – tendo em vista formar cidadãos informados capazes de contribuírem para o futuro sustentável do planeta e para o combate às alterações climáticas, um desafio global que a todos convoca.”
“Pela primeira vez, temos um quadro completo sobre onde e como as crianças são vulneráveis às alterações climáticas, e esse quadro é quase inimaginavelmente terrível. Choques climáticos e ambientais minam todo o espectro dos direitos das crianças, desde o acesso a ar puro, alimentos e água potável; à educação, habitação, liberdade de exploração e até mesmo ao direito de sobreviver. Praticamente nenhuma criança não será afectada”, disse Henrietta Fore, Directora Executiva da UNICEF. “Durante três anos, as crianças levantaram as suas vozes em todo o mundo para exigir acções. A UNICEF apoia os seus apelos pela mudança com uma mensagem indiscutível – a crise climática é uma crise dos direitos da criança.”
O Índice de Risco Climático Infantil (CCRI) revela:
• 240 milhões de crianças estão altamente expostas a inundações costeiras;
• 330 milhões de crianças estão altamente expostas a inundações ribeirinhas;
• 400 milhões de crianças estão altamente expostas a ciclones;
• 600 milhões de crianças estão altamente expostas a doenças transmitidas por vectores;
• 815 milhões de crianças estão altamente expostas à poluição por chumbo;
• 820 milhões de crianças estão altamente expostas a ondas de calor;
• 920 milhões de crianças estão altamente expostas à escassez de água;
• mil milhões de crianças estão altamente expostas a níveis extremamente altos de poluição do ar.[1]
Embora quase todas as crianças em todo o mundo estejam em risco de vir a ser atingidas por pelo menos um desses perigos climáticos e ambientais, os dados revelam que os países mais afectados enfrentam choques múltiplos, frequentemente sobrepostos, que ameaçam o progresso do desenvolvimento, bem como aprofundar as privações infantis.
Cerca de 850 milhões de crianças – 1 em cada 3 em todo o mundo – vivem em áreas onde pelo menos quatro desses choques climáticos e ambientais se sobrepõem. Cerca de 330 milhões de crianças – 1 em 7 em todo o mundo – vivem em áreas afectadas por pelo menos cinco grandes choques.
O relatório também revela um contraponto entre onde as emissões de gases de efeito de estufa são geradas e onde as crianças estão a sofrer os impactos climáticos mais significativos. Os 33 países de “risco extremamente elevado” emitem colectivamente apenas 9 por cento das emissões globais de CO2. Por outro lado, os dez países com as emissões conjuntas mais elevadas respondem por quase 70 por cento das emissões globais. Apenas um desses países é classificado como de “risco extremamente elevado” no Índice.
“As alterações climáticas são profundamente injustas. Embora nenhuma criança seja responsável pelo aumento das temperaturas globais, eles sofrerão as consequências mais graves. As crianças dos países menos responsáveis serão as que mais irão sofrer”, disse Fore. “Mas ainda há tempo de agir. Melhorar o acesso das crianças a serviços essenciais, como água e saneamento, saúde e educação, pode aumentar significativamente sua capacidade de sobreviver a aos perigos climáticos. A UNICEF exorta governos e empresas a ouvirem as crianças e priorizar acções que as protejam desses impactos, enquanto aceleram o trabalho para reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito de estufa.”
Sem a acção urgente necessária para reduzir as emissões de gases de efeito de estufa, as crianças continuarão a sofrer. Em comparação com os adultos, as crianças precisam de mais comida e água por cada unidade de peso corporal, têm menos probabilidades de sobreviver a eventos climáticos extremos e são mais susceptíveis a produtos químicos tóxicos, mudanças de temperatura e doenças, entre outros factores.
“Os movimentos de jovens activistas pelo clima vão continuar a crescer e a lutar pelo que é certo porque não temos outra escolha”, disseram Farzana Faruk Jhumu (Bangladesh), Eric Njuguna (Quénia), Adriana Calderón (México) e Greta Thunberg (Suécia) da Fridays for Future, responsável pelo prefácio do relatório. “Devemos reconhecer em que ponto estamos, tratar as alterações climáticas como uma crise e agir com a urgência necessária para garantir que as crianças de hoje herdem um planeta habitável.”
A UNICEF apela governos, empresas e actores relevantes a:
1. Aumentar o investimento destinado à adaptação ao clima e à resiliência, nomeadamente através de serviços essenciais para as crianças. Para proteger as crianças, as comunidades e os mais vulneráveis dos piores impactos das alterações climáticas, os serviços essenciais devem ser adaptados, incluindo água, saneamento e sistemas de higiene, saúde e educação.
2. Reduzir as emissões de gases de efeito de estufa. Para evitar os piores impactos da crise climática, é necessária uma acção abrangente e urgente. Os países devem diminuir as suas emissões em pelo menos 45% (em comparação com os níveis de 2010) até 2030 para que o aquecimento não ultrapasse os 1,5º C.
3. Capacitar as crianças através de educação climática e competências verdes, essenciais para sua adaptação e preparação para os efeitos das alterações climáticas. Crianças e jovens enfrentarão todas as consequências devastadoras da crise climática e da insegurança hídrica, embora sejam os menos responsáveis. Temos um dever para com todos os jovens e as gerações futuras.
4. Incluir os jovens em todas as negociações e decisões sobre o clima a nível nacional, regional e internacional, incluindo na COP26. As crianças e os jovens devem ser incluídos em todas as tomadas de decisão relacionadas com o clima.
5. Assegurar que a recuperação da pandemia da COVID-19 seja verde, com baixo teor de carbono e inclusiva, de modo a que a capacidade das gerações futuras para enfrentar e responder à crise climática não fique comprometida.
As Nações Unidas lançaram um apelo para um cessar-fogo imediato na Etiópia e o início de um diálogo político, liderado pelos etíopes, que possa levar ao fim da violência no país africano.
O apelo do secretário-geral, António Guterres, também inclui a restauração do acesso irrestrito para passagem de ajuda humanitária e o restabelecimento de todos os serviços básicos nas áreas afetadas pelos combates.
Milhões de pessoas precisam de assistência e proteção de emergência com a crise no norte da Etiópia
Tigray
Os confrontos entre tropas do Governo da Etiópia e forças regionais de Tigray, no norte do país, levou a “condições infernais”, segundo o chefe da ONU. Ele disse que não existe solução militar para o conflito e que a situação na Etiópia afeta toda a região.
Para Guterres, os etíopes já sofreram demais. Milhões de pessoas precisam de ajuda após a infraestrutura ter sido destruída nos confrontos.
O apelo do chefe da ONU ocorre no Dia Mundial Humanitário, neste 19 de agosto, quando ele também lembrou do sofrimento de civis no Afeganistão, após a tomada de poder pelo Talebã, no domingo.
Os confrontos entre tropas do Governo da Etiópia e forças regionais de Tigray, no norte do país, levou a “condições infernais”, segundo o chefe da ONU
Direitos humanos
António Guterres afirmou que a ONU continuará ao lado do povo afegão trabalhando por paz, direitos humanos e oportunidades para todos.
Sobre o Haiti, atingido por um terremoto no sábado, que afetou mais de 1,2 milhão de pessoas, Guterres anunciou que está enviando sua vice-secretária-geral à ilha caribenha para analisar formas de aumentar o apoio aos sobreviventes do sismo. Metade das vítimas do tremor de 7.2 na escala Richter são crianças.
Guterres anunciou que está enviando sua vice-secretária-geral ao Haiti para analisar formas de aumentar o apoio aos sobreviventes do sismo
Isil ou Daesh
O secretário-geral conversou com a imprensa em frente ao Conselho de Segurança, que momentos antes emitiu uma declaração separada sobre o relatório do secretário-geral ao Conselho a respeito da presença do grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, também conhecido como Daesh.
Na nota, os 15 países-membros manifestaram preocupação com as ameaças do Isil na internet e fora dela e como o grupo continua recrutando para suas fileiras.O Conselho citou a ameaça do grupo terrorista à paz e segurança internacionais e o atentado de 19 de julho em Bagdá.
A atuação do Isil na África também preocupa ao órgão que destacou a importância de medidas de contraterrorismo para conter o grupo.
Unicef/Gilbertson V
A atuação do Isil na África também preocupa ao órgão que destacou a importância de medidas de contraterrorismo para conter o grupo
Coroa de flores
A reunião ocorreu neste 19 de agosto, Dia Mundial dos Trabalhadores Humanitários, e horas após o chefe da ONU, António Guterres, depositar uma coroa de flores em tributo aos funcionários da organização mortos no ataque à sede da ONU em Bagdá, em 19 de agosto de 2003.
No ataque, foram assassinados 22 trabalhadores da ONU incluindo o brasileiro Sergio Vieira de Mello, que era o alto comissário de Direitos Humanos, e estava em missão no Iraque para chefiar a Missão.
Guterres lembrou que o trabalho humanitário é perigoso, e que os ataques a esses profissionais têm aumentado nos últimos 20 anos. Somente de janeiro até agora, 72 trabalhadores humanitários foram mortos em serviço.
O porta-voz das Nações Unidas confirmou que funcionários da organização deixaram o Afeganistão, nesta quarta-feira, e foram realocados para o Cazaquistão, de onde vão continuar trabalhando de forma remota.
Em Nova Iorque, Stephane Dujarric explicou não se tratar de evacuação de pessoal, garantindo que o grupo voltará para Cabul, capital afegã, assim que a situação permitir.
Compromisso
Ele agradeceu ao governo do Cazaquistão por oferecer um escritório temporário para a Missão de Assistência da ONU no Afeganistão.
Dujarric lembrou que a organização continua comprometida em ajudar o povo afegão nesta hora em que mais precisa.
Foto ONU: Manuel Elias
O porta-voz do secretário-geral da ONU, Stephane Dujarric.
Ele contou que a medida é temporária, com a intenção de permitir que a ONU continue entregando ajuda no país com “o mínimo de interrupção e ao mesmo tempo, reduzir os riscos aos funcionários.”
Stephane Dujarric explicou que mesmo de forma remota, o grupo continuará trabalhando com as equipes da ONU que seguem no Afeganistão.
Segundo o porta-voz, a maioria dos funcionários que trabalham com ajuda humanitária continua no Afeganistão fornecendo assistência vital a milhões de pessoas.
Secretário-geral da ONU dirige-se ao Conselho de Segurança sobre a situação no Afeganistão. UN Photo/Evan Schneider
Após a queda de Cabul, as Nações Unidas reiteraram o seu compromisso de continuarem no Afeganistão a dar apoio a milhões de afegãos e de trabalhar para restaurar a paz e a estabilidade do país, promovendo os direitos e a dignidade de todos os cidadãos, bem como providenciar ajuda humanitária.
A Organização está particularmente preocupada com as violações dos direitos humanos e o futuro das mulheres e meninas do país..
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que cerca de 18 milhões de mulheres e meninas necessitam de ajuda humanitária num país em que uma em cada três crianças corre o risco de subnutrição este ano.
Segundo o representante adjunto do secretário-geral no Afeganistão, Ramiz Alakbarov, “embora alguns funcionários da ONU cujo trabalho não depende da localização tenham sido temporariamente deslocados, a maioria do pessoal humanitário continua no terreno para apoiar a resposta humanitária em linha com os princípios de humanidade, neutralidade, imparcialidade e independência.”
O responsável assegurou ainda que a comunidade humanitária – tanto a ONU como as organizações não governamentais – continua comprometida em ajudar as pessoas no Afeganistão. Embora a situação seja altamente complexa, as agências humanitárias estão empenhadas em apoiar as pessoas vulneráveis no Afeganistão que precisam de nós mais do que nunca”, acrescentou.
Enquanto isso, o escritório da ONU para os Assuntos Humanitários (OCHA) relata que colocou equipas nos arredores de Cabul para avaliar as necessidades da população, lembrando que serão necessários mais recursos. A agência da ONU e os seus parceiros lançaram este ano um apelo de 1.300 milhões de dólares para o país, mas até ao momento foi garantido apenas 40% deste montante.
Refugiados e pessoas deslocadas internamente
A Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) divulgou um aviso de não retorno para o Afeganistão, pedindo uma proibição do retorno forçado de cidadãos afegãos, incluindo requerentes de asilo que tiveram os seus pedidos rejeitados.
A agência aplaudiu as recentes ações tomadas por vários Estados para interromper temporariamente as deportações dos requerentes de asilo que ainda não foram aprovados.
De acordo com o ACNUR, até ao momento o número de pessoas que deixaram o Afeganistão em busca de proteção nos países vizinhos é baixo. Em conferência de imprensa, em Genebra, a porta-voz do ACNUR, Shabia Mantoo explicou que “temos agora 550.000 pessoas deslocadas dentro do país, portanto ainda estão dentro do Afeganistão”. Segundo Mantoo “a maioria dos refugiados fugiu nas últimas semanas e 80% são mulheres e crianças.”
Foto: UNAMA
Apelo à contenção
Enquanto cidadãos afegãos desesperados tentavam escapar dos Talibã na última segunda-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu unidade internacional para com o Afeganistão.
Durante a sessão de emergência sobre a situação daquele país, o secretário-geral da ONU apelou ao Conselho de Segurança para que se unisse e garantisse o respeito pelos direitos humano, bem como a prestação de ajuda humanitária para que o país não se torne novamente numa plataforma para o terrorismo. Para Guterres estes dias “serão fundamentais” e apelou a “todas as partes, especialmente os Talibã, a exercerem a máxima contenção para proteger vidas e garantir que as necessidades humanitárias possam ser satisfeitas”.
Após o encontro, o Conselho de Segurança emitiu uma declaração pedindo o fim das hostilidades e o estabelecimento “por meio de negociações inclusivas” de um novo governo no Afeganistão que seja unido, inclusivo e representativo, com a participação de mulheres.
UN Photo
Respeito pelos direitos humanos, nomeadamente dos direitos das mulheres
O secretário-geral destacou a necessidade de proteger os civis e da necessidade de assistência humanitária, apelando aos Estado-membros que recebam refugiados afegãos e interrompam qualquer deportação.
O líder da ONU apelou à comunidade internacional para “falar a uma só voz” defendendo os direitos humanos e manifestou particular preocupação com o aumento das violações de direitos humanos contra mulheres e meninas: “é essencial que os direitos conquistados com tanto sacrifício pelas mulheres e meninas afegãs sejam protegidos”, enfatizou.
Os embaixadores dos 15 países que compõem o Conselho de Segurança expressaram uma profunda preocupação com o número de violações graves relatadas do direito internacional dos direitos humanos e abusos dos direitos humanos, e enfatizaram a “necessidade urgente e imperativa” de levar os responsáveis à justiça.