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Campeã brasileira e ativista ambiental lança campanha global por ação climática

ONU News (ON): De Chamonix, nos Alpes Franceses, Fernanda Maciel começa a conversa com a ONU News contando a origem da inspiração para apoiar a iniciativa global, após ter sido a primeira mulher a escalar o Aconcágua, a montanha mais alta das Américas.

Fernanda Maciel (FM): Eu sou brasileira e moro na Europa já há 12 anos. Sou advogada e me enfoquei no ambiental. Trabalhei como advogada para o meu estado de Minas Gerais, no Brasil. É um grande estado. São 20 milhões de habitantes. Eu trabalhava para a Fundação Estadual do Meio Ambiente e era chefe do setor de Autos de Infração. Em tudo o que as indústrias ou as minerações no meu estado fizessem de irregular, em relação às leis ambientais, era o meu setor que autuava e colocava a infração. Eu controlava todos esses processos. Eu também sempre fui atleta, amante da montanha e da natureza. Por isso, como advogada, escolhi a área ambiental e trabalhar para o meu estado.

Como esportista, como atleta, eu foquei minha carreira em correr nas montanhas. E eu me via com muito mais contato com a natureza sendo corredora, mais do que como advogada, no final. Eu fui escolhendo o meu caminho para estar mais ligada à natureza para inspirar as pessoas. Mais ainda com a minha figura de esportista, como amante das montanhas, do que como advogada ambiental. Hoje eu estou super feliz, super motivada por estar fazendo parte dessa campanha. Porque tem tudo a ver com a minha pessoa e com o meu sonho: poder mostrar que a corrida, e estar em movimento, é super especial para a gente estar de cara com esse grande problema mundial que é a crise climática. Há 20 anos, estudava sobre o El Niño, esse fenômeno climático. E continuo estudando e vendo isso. Eu tenho a oportunidade de, como atleta, estar correndo em todos os países e todos os continentes. Já competi na floresta amazônica: uma corrida de 50 km, no meio da floresta. Foi incrível. Mas eu consegui ver ali, com meus próprios olhos, parte da floresta ainda intocável, densa e super maravilhosa. Em parte dela passei por uma área que era seca, sem nenhuma árvore. Eu via essa mudança no meio da floresta, aquela coisa úmida, e de repente estava nesse lugar aberto e seco. Eu vejo com meus olhos essas diferenças. Hoje, eu moro em Chamonix, aqui na França, nos Alpes, em montanhas, por conta do meu esporte. É um lugar mais próximo às montanhas mais altas. Aqui, eu corro em glaciares. Na frente da minha casa tem dois glaciares, por exemplo, e é onde eu corro e treino diariamente. O Mar de Glace, por exemplo, é o glaciar mais largo da França. São 12 km de longitude. É um glaciar que está perdendo os metros. A cada ano se perdem 40 metros. Ou seja, a previsão daqui a 20 anos a gente vai perder um quilômetro e meio desse glaciar. Então, eu vejo isso. Comecei a correr aqui há 11 anos e, hoje em 2021, eu vejo o glaciar que se está perdendo e nesses lugares críticos o que está acontecendo. Então, essa campanha que as Nações Unidas estão realizando é incrível, porque nos toca no coração. Chega próximo ao indivíduo. Uma coisa é a gente estar vendo na televisão governantes lutando, passando a palavra e toda a população se manifestando. Mas quando chega uma campanha em que nós temos que correr 100 minutos, caminhar 100 minutos ou andar de bicicleta 100 minutos. Essa parte dessa campanha está requerendo ou insistindo que a gente se movimente sem estar com o carro e de uma forma limpa. Eu acho que começa pelo estilo de vida. Para mim é super fácil. é uma hora e meia correndo e acabou. Mas para as pessoas normais é difícil estar movimentando 100 minutos, ir até ao escritório e voltar ou ao supermercado a pé. Mas vai mudando esse estilo de vida: menos é mais. Às vezes, nessa campanha não só se estará abrindo nossos olhos, para ter esse alerta para os grandes políticos e países, mas também para gente individual, dentro de casa. Vamos nos movimentar um pouco. Deixar o carro. Vamos fazer a bicicleta. Vamos deixar de fazer alguma viagem de avião por conta dessa taxa de carbono porque são pequenos detalhes. Vamos reciclar ou ensinar o filho a reciclar. Que legal. Eu já participei de tantos projetos de reciclagem e era tão difícil tocar isso com as pessoas mais velhas. Porque é cultural. 

ON: Algo muito importante é que, nesta campanha, o mundo vai estar mobilizando as lideranças para apoiar os menos favorecidos. Você que tem contato com eles, os menos favorecidos, sabe exatamente onde este conjunto de mudança do clima impacta esse grupo?

FM: Nos menos favorecidos tanto nas favelas na nossa Mata Atlântica, no Brasil, é que quando temos uma chuva ou tempestade ela destrói essas casas dos menos favorecidos. Destrói. São milhões de pessoas, não só no meu país. A gente tem visto agora, em vários lugares como na África do Sul, que são desarraigados. São deslocados por uma chuva dessas, uma tempestade ou uma seca. O norte do meu país é super seco e não tem água. As pessoas são deslocadas e não têm esse subsídio. A mesma coisa em Manaus, próximo da floresta. Os índios quando se vai desmatando a floresta e não têm mais casa. Eu acho que esses países todos que vão poder ser tocados a poder dar ajuda à minoria é essencial, porque a gente tem que pensar como um todo mesmo. Isso é o que a campanha está solicitando. 

ON: É um minuto de atividade para cada bilhão de dólares necessário (dos 100 bilhões por ano) até 2030. Acha isto possível? Como vai chegar esta mensagem a cada vez mais gente: aos jovens do Brasil, da Europa ou mundo onde você está e esteve vendo que há necessidade?

FM: Olha, eu não gosto de ser negativa. Uma grande mudança já está acontecendo. Essas campanhas são super necessárias para mobilizar mesmo. Porque fica uma coisa muito fria para os grandes e não nos toca. Eu acho possível que esse tipo de campanhas nos toca mais. Continuando a fazê-las para toda a população eu penso que sim. Mudando todo estilo de vida e pressionando às autoridades, sim, é possível. Claro que em 2030 não vai estar tudo solucionado. Mas uma grande parte já vai ser feita. Eu considero que esse caminho aí vai ser alinhado para a gente puder, se Deus quiser, continuar correndo em montanha, podendo respirar ar puro na floresta e também no meio da cidade grande.

A ultramaratonista brasileira Fernanda Maciel participa da campanha #TheHumanRace

Jordi Saragossa

A ultramaratonista brasileira Fernanda Maciel participa da campanha #TheHumanRace

ON: É mesmo essa sua inspiração e atividade todos os dias: correr respirando ar puro. Mas o que você quer dizer para as mulheres? Como uma que chegou a lugares onde muito poucas chegaram? Aconcágua, na Argentina, foi um exemplo disse. Lá no cume do monte onde você chegou. Elas terão algum lugar especial nessa iniciativa?

FM: As mulheres, acho que, muitas vezes, nós somos mais esquecidas, né? Infelizmente. Então, às vezes na hora de deslocar, no fato de ter um tsunami, ou uma atividade que seja mais precária, né, acaba que o homem por ser mais forte ou por ser homem mesmo acaba tendo mais possibilidade. Eu tento, eu faço… Eu tenho um projeto que é socioambiental e esportivo. Por exemplo no caso da Aconcágua, foi o início do … Eu corro as montanhas mais altas do mundo, então eu tenho o recorde mundial por conseguir ser a primeira mulher a correr as montanhas altas do mundo. Então, este projeto mesmo de subir e descer correndo a Aconcágua, que é a montanha mais alta das Américas, eu fiz esse projeto com este challenge (desafio) de corrida que era quase impossível pra mim, mas também um challenge socioambiental. Eu fui lá para ver com meus olhos que no campo base que está a 4.320 metros de altura, ali existem 22 mil quilos de lixo que são deixados ali. Então o que acontece? Os visitantes, os próprios escaladores, os trekkings, eles sobem com alimentos e com tudo, com mochila… só com resto de alimentos e de plástico que eles vão deixando ali, isso gera, 22 mil quilos, entendeu, em um ano. Então, esse meu projeto de subir e descer correndo ali é um simples exemplo, que eu fui para fazer isso: para ser a primeira mulher no mundo a conseguir a correr e também verificar que, poxa, se você traz à montanha o seu lixo, você tem que trazer ele de volta pra casa porque é muito difícil organizar vários helicópteros para subir a 4.300 metros e para retirar esse lixo dali. Poxa, se você gosta da montanha, não vai poluir. Isso é simples, entendeu? Então é consciência humana. Então, eu espero que essa campanha traga as pessoas mais próximas à natureza, mais próximas ao esporte, mais próximas ao movimento e veja também que as mulheres também estão super engajadas no movimento de corrida, as mulheres estão, é um sexo frágil, mas não, é igual, entendeu? Então, eu acho que esta parte da campanha que quer ajudar aos menos favorecidos e incluir a mulher nisso é super válido e um super importante ponto a ser também mencionado.

ON: E agora a terminar, vamos falar dos jovens na era das redes sociais, da tecnologia, da informação. Como acha que essa mensagem vai chegar aos jovens e pode ser multiplicada por esse grupo que também está cheio de adrenalina para correr como a Fernanda Maciel faz, e como talvez gostaria de inspirar a outros jovens, também?

FM: Isso. Eu acho que… como exemplo, né? Quando eu tentei colocar o projeto de reciclagem no meu estado, no Brasil, eu vi que tocar as pessoas mais velhas era mais difícil. Então tocar as pessoas mais jovens é mais fácil. E tendo campanhas como essa, é perfeito, é totalmente engajador, é totalmente conectado. E porque os jovens são quem vai fazer a diferença em 2030, em 2050, entendeu? Então, hoje o jovem é super energético. Eles querem estar movimentando mais. Então, vamos focá-los para movimentar mais e abrir os olhos agora para essa ação, né?, de crise climática. E ajudar as pessoas menos favorecidas. Eu acho que isso tudo tem a ver com essa campanha.E são os jovens mesmo que a gente tem que estar tocando.

Quando eu tentei colocar o projeto de reciclagem no meu estado, no Brasil, eu vi que tocar as pessoas mais velhas era mais difícil. Então tocar as pessoas mais jovens é mais fácil. E tendo campanhas como essa, é perfeito, é totalmente engajador, é totalmente conectado.

ON: Ultramaratonista brasileira, que conseguiu chegar ao ponto culminante do Aconcágua, na Argentina, que chega lá no topo. Alguma coisa a mais para concluir a nossa conversa. Especialmente falando de ação para proteger o clima?

FM: Eu acho que é compartilhar, entendeu? Começa desde casa. Talvez os nossos avós não tenham nos ensinado isso. Mas hoje, nós podemos ensinar os nossos filhos a exigir, entendeu? A ter uma consciência ambiental, a ser educado com o meio ambiente. A coisa é simples: a reciclar o lixo, a ir de bicicleta para a escola, são mínimos detalhes que você pode ensinar dentro de casa. Acho que essa é a mensagem. E sempre exigir seus direitos, entendeu? É nosso direito de exigir aos grandes a parar de destruir, a parar de ter essa ganância. Como eu disse, menos é mais. Então vamos tentar focar isso e exigir que isso seja mais para a nossa natureza.

ON: Vai participar da COP-26 e mostrar lá que tem também voz?

FM: Isso. Com certeza. Aqui, eu participo, aqui na França de uma ONG (Protect our Winter) que protege sempre os glaciares e estou em contato com todas as leis que podemos ter ação aqui em Paris. Então, de todas as formas, eu tento participar de projetos pequenos lincados ao meio ambiente e projetos maiores também lincados às leis, e essa participação mais profunda.
 

Neve no Sul do Brasil impulsiona alta no preço global do açúcar

O preço das principais commodities alimentares do mundo caiu em julho, pelo segundo mês consecutivo, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO. 

Nesta quinta-feira, a agência divulgou em Roma o seu Índice de Preço dos Alimentos, que registrou 123 pontos no mês passado, ficando 1,2% menor que os níveis de junho. Mas na comparação com julho de 2020, o índice subiu 31%.  

O Brasil é o maior exportador de açúcar

Ocha/ Danielle Parry

O Brasil é o maior exportador de açúcar

Frio no Brasil  

Segundo a FAO, houve declínio nas cotações dos cereais, das oleaginosas e dos laticínios. Por outro lado, o Índice da FAO de Preço do Açúcar subiu 1,7% em julho, influenciado pelos preços do petróleo e pela recente nevasca no Sul do Brasil.  

A FAO explica que a neve gerou incertezas sobre qual impacto a frente fria terá sobre a produção brasileira de açúcar, uma vez que o país é o maior exportador mundial do produto. 

Em relação aos cereais, a baixa de 3% do índice está associada às perspectivas de aumento da produção de milho nos Estados Unidos, apesar de haver preocupações sobre as condições das plantações no Brasil.  

Criadores de frango na Ásia

FAO/Giulo Napolitano

Criadores de frango na Ásia

Leite, Frango e Carne  

O preço internacional do arroz atingiu um valor mínimo em dois anos, devido ao câmbio e ao ritmo mais lento de vendas do produto, o que foi causado pelo aumento dos fretes e desafios de logística.  

Sobre os laticínios, a FAO registrou queda de 2,8% no mês passado, com diminuição das atividades no Hemisfério Norte, por ser época de férias de verão. As principais quedas foram nos preços do leite em pó desnatado, da manteiga, do leite em pó integral e do queijo.  

A agência registrou, no entanto, alta no preço das carnes, principalmente o da carne de frango, que no mês passado sofreu aumento das importações no leste da Ásia e produção mais limitada em algumas regiões.  

A carne vermelha também ficou mais cara, com grande demanda de importações da China e menor estoque nas principais regiões produtoras.  

Covid-19: OMS pede a nações ricas que adiem até setembro doses de reforço da vacina

A Organização Mundial da Saúde, OMS, pediu esta quarta-feira, em Genebra, que os países ricos tenham uma moratória nas vacinações de reforço contra o coronavírus até o final de setembro. 

O argumento da agência da ONU é que se deve manter o foco na entrega de vacinas para ajudar os países menos desenvolvidos a imunizar pelo menos 10% de suas populações, reduzindo as disparidades de vacinação no mundo. 

Variante Delta  

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, justifica o pedido de interrupção de pelo menos dois meses afirmando que é preciso fazer “uma reversão urgente da maioria das vacinas indo dos países de alta renda a nações de baixa renda”. 

Cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Pandemia de Covid-19 fez aumentar ainda mais a lacuna entre países ricos e pobres

ONU News/Daniel Dickinson

Cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Pandemia de Covid-19 fez aumentar ainda mais a lacuna entre países ricos e pobres

O chefe da agência disse compreender a preocupação de todos os governos em proteger seus povos da variante Delta.  

Mas argumentou que não se pode e nem se deve “aceitar países que já usaram a maior parte do suprimento global de vacinas, aplicando ainda mais doses enquanto as pessoas mais vulneráveis ​​seguem desprotegidas.” 

Pessoas vulneráveis  

Das mais de 4 bilhões de doses já administradas no globo, mais de 80% foram em países de rendas alta e média alta.   

Nas economias de alta renda foram dadas “quase 100 doses para cada 100 pessoas”. Já os países de baixa renda “administraram 1,5 dose para cada 100 pessoas devido à falta de abastecimento.” 

Mulher recebe a vacina contra a Covid-19 na RD Congo

© UNICEF/Arlette Bashizi

Mulher recebe a vacina contra a Covid-19 na RD Congo

Nações africanas conseguiram aplicar cinco doses por 100 habitantes, em comparação com as 88 doses para 100 pessoas da Europa e 85 da América do Norte. 

Exposição à transmissão  

A preocupação da OMS é com o aumento de mortes registradas em nações africanas nos últimos meses, em cenário onde profissionais de saúde e idosos ou pessoas vulneráveis ​​permaneceram totalmente desprotegidos. 

A urgência de vacinar mais pessoas é justificada pela rápida expansão da variante Delta, considerada a mais contagiosa em circulação e com potencial de causar doenças mais graves. 

Tedros considera inaceitável que milhões de pessoas não vacinadas ainda não puderam ficar em casa para que possam trabalhar, ficando expostas à transmissão, enquanto outras em países mais ricos são elegíveis para aplicar injeções de reforço. 

Ataques mataram mais de 700 profissionais da área da saúde nos últimos anos

Mais de 700 profissionais do setor da saúde e pacientes morreram nos últimos três anos em mais de 2,7 mil ataques violentos que aconteceram em diversos países. A maioria ocorreu no Afeganistão, na Síria e em Mianmar. 

A Organização Mundial da Saúde, OMS, divulgou esta terça-feira, em Genebra, o resultado da análise sobre ataques a hospitais, centros de saúde e ambulâncias. Segundo o diretor de Intervenções de Emergências de Saúde, a violência fez com que “milhões de pessoas ficassem sem receber cuidados de saúde necessários”. 

Hospital Kafr Nubl e ambulância em ruínas, depois de ataque no início de maio de 2019.

Unicef/Khalil Ashawi

Hospital Kafr Nubl e ambulância em ruínas, depois de ataque no início de maio de 2019.

Saúde Mental  

Altaf Musani expressou grande preocupação com a destruição de centenas de postos de saúde e com as mortes de médicos e enfermeiros. Segundo ele, um entre seis incidentes causou a morte de um paciente ou de um profissional do setor em 2020.  

No relatório, a OMS alerta para o impacto desses ataques na saúde mental das pessoas, especialmente no contexto atual da pandemia de Covid-19. Musani explica que muitos profissionais reportaram não ter vontade de retornar ao trabalho e muitos pacientes temem em buscar ajuda nos centros de saúde.  

OMS fez um balanço da situação humanitária na Líbia e denunciou ainda que 12 ambulâncias foram atacadas

Ocha/Giles Clarke

OMS fez um balanço da situação humanitária na Líbia e denunciou ainda que 12 ambulâncias foram atacadas

Efeito Cascata  

O representante da OMS cita o “efeito cascata” que um único incidente do tipo pode causar, com consequências a longo prazo para os sistemas de saúde. Musani pede a todos os lados em conflito para garantir segurança nos serviços de saúde, sem vioência, ameaças ou medos.  

Ele destaca que “um ataque já é bastante”. A OMS lembra que enquanto o mundo luta para combater a Covid-19, é mais importante do que nunca proteger o sistema de saúde, principalmente nos locais mais vulneráveis.  

Com apoio de Cafu, OMS e Fifa lançam campanha pela saúde mental

A Organização Mundial da Saúde, OMS, e a Federação Internacional de Futebol, Fifa, estão lançando a campanha #ReachOut, ou “Estenda a Mão”. O objetivo é estimular as pessoas que estão sofrendo de depressão ou ansiedade, para que procurem ajuda.

A campanha de conscientização sobre saúde mental conta com a participação de várias personalidades do futebol, incluindo o ex-jogador Cafu, que foi Pentacampeão do Mundo pelo Brasil, em 2002, e Aline Pellegrino, ex-zagueira da Seleção Brasileira. 

Diretor geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, e o presidente da Fifa, Gianni Infantino.

OMS

Diretor geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, e o presidente da Fifa, Gianni Infantino.

Jogadores deprimidos 

A depressão afeta mais de 260 milhões de pessoas no mundo, sendo que metade dos casos começa por volta dos 14 anos de idade. Segundo a OMS, o suicídio é a quarta causa de morte entre jovens dos 15 aos 29 anos. 

A Fifa destaca que entre os jogadores de futebol, 23% sofrem de insônia, 9% têm depressão e 7% ansiedade. Mas os números aumentam entre jogadores aposentados, com 28% confirmando que têm problemas para dormir e 13% afirmando estarem depressivos.

Jogadores de futebol celebram vitória em campo de refugiados Zam Zam, no Darfur Norte.

Foto ONU/Albert González Farran

Jogadores de futebol celebram vitória em campo de refugiados Zam Zam, no Darfur Norte.

Salvar Vidas 

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, declarou que a campanha com a OMS “é muito importante para aumentar a conscientização sobre a saúde mental e para estimular um diálogo que pode salvar vidas”.

Segundo Infantino, a entidade está focada em fazer com que o futebol trabalhe em prol da sociedade. Ele lembra que conversar com família, amigos ou profissionais de saúde pode ser essencial nos casos de depressão e ansiedade. 

A OMS lembra que a pandemia de Covid-19 criou uma série de situações que afetaram as pessoas no mundo todo, como isolamento social, trabalhar de casa, escolas fechadas e aumento do desemprego. O desafio foi ainda maior para pessoas que já tinham alguma condição de saúde mental.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde declarou ser “mais importante do que nunca continuar dando atenção para a nossa saúde física e mental”. Tedros Ghebreyesus afirma que a “OMS está contente em apoiar a campanha #ReachOut com a Fifa e ajudando as pessoas a falarem sobre como anda sua saúde mental”. 

Além dos brasileiros Aline e Cafu, outras “lendas da Fifa” estrelam a campanha, como o ex-goleiro da Seleção da Itália, Walter Zenga, e Laura Georges, zagueira do Bayern de Munique e ex-jogadora da seleção francesa de futebol. 
 

Especialista da ONU pede ação para o fim de ataques online contra povos Roma

Apelo é feito aos governos durante a observação de 2 de agosto, Dia em Memória ao Holocausto Cigano; tragédia ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, quando 3 mil pessoas foram assassinadas nas câmaras de gás; relator de direitos humanos condena intolerância e crimes de ódio nas redes sociais.    

Cartoonista português vence concurso internacional sobre trabalho forçado promovido pela OIT

Três cartoonistas de Portugal, do Uzbequistão e da Turquia venceram um concurso internacional de cartoon que pretende sensibilizar para a problemática da escravatura moderna. 

Para assinalar o Dia Mundial contra o Tráfico de Seres Humanos, a Organização Internacional do Trabalho e a ONG Recursos Humanos sem Fronteiras promoveram este concurso internacional de cartoon sobre trabalho forçado. Os vencedores foram selecionados por um painel de juízes e pelo público, entre 460 participações de cartoonistas de 65 países, que responderam ao desafio “E se o seu lápis fosse uma ferramenta contra o trabalho forçado?   

O concurso foi organizado pela OIT e pela ONG Recursos Humanos Sem Fronteiras (RHSF), em parceria com a Associação Cartooning for Peace. O concurso originou cartoons muito diferentes, com mensagens poderosas encorajando a reflexão.  

“O trabalho forçado é um assunto complexo”, afirmou Philippe Vanhuynegem, Responsável do Departamento Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho da OIT, “algumas imagens estereotipadas, tais como correntes e bolas, são frequentemente utilizadas para representar a escravatura moderna. Contudo, atualmente, os mecanismos através dos quais uma pessoa pode ser coagida a trabalhar podem ser muito mais subtis, através do engano, confisco de passaportes, retenção de salários, manipulação de dívidas. Estas caricaturas desafiam as perceções do trabalho forçado”. 

O painel de juízes era composto por especialistas da parceria Aliança 8.7 contra o trabalho forçado e o trabalho infantil, ativistas e antigas vítimas de exploração, bem como por representantes da Confederação Sindical Internacional, da Organização Internacional dos Empregadores, da Rede Mundial de Empresas sobre Trabalho Forçado da OIT, do Departamento do Trabalho dos EUA, da OIT e da RHSF.  

O painel foi unânime em atribuir o primeiro lugar ao cartoonista português Vasco Gargalo. 

“Desenhar é a minha maneira de expressar a minha opinião e de fazer as pessoas refletirem sobre questões sociais e políticas. O trabalho forçado e o trabalho infantil fazem parte da minha agenda, uma vez que vivemos num mundo tão injusto e estas questões são muitas vezes invisíveis”, afirmou Vasco Gargalo. 

O público teve também a oportunidade de votar através da página Instagram da OIT.  Selecionaram uma banda desenhada de Kaan Saatci da Turquia como a sua favorita.   

Os melhores cartoons serão apresentados numa exposição itinerante e numa publicação a ser lançada no Outono de 2021. Esta iniciativa ocorre num momento em que os riscos de ficar preso em trabalho forçado aumentaram devido ao impacto socioeconómico da crise da Covid-19.

“Mais do que nunca, é necessária uma ação urgente para eliminar o trabalho forçado. Os cartoons podem abrir os olhos do público, combater a indiferença e, por fim, levar as pessoas a agir”, afirmou Martine Combemale, Presidente e Fundadora da RHSF. Esperamos que eles façam as pessoas compreender que o trabalho forçado está à nossa volta, através dos bens e serviços que consumimos, porque pode acontecer na nossa comunidade, na nossa vizinhança.   

A OIT estima que 25 milhões de homens, mulheres e crianças estão presos em trabalho forçado: 16 milhões de pessoas são exploradas no setor privado, incluindo na construção civil, agricultura ou no trabalho doméstico; 4,8 milhões são vítimas de exploração sexual forçada e 4 milhões estão em trabalho forçado imposto pelo Estado.  

Como 2021 foi designado Ano Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil, um número significativo de cartoons também destacaram a situação das crianças obrigadas a trabalhar.  

Veja aqui todas as caricaturas distinguidas.  

OIT – Lisboa

Semana Mundial da Amamentação destaca que responsabilidade é partilhada 

Os primeiros sete dias de agosto marcam a Semana Mundial da Amamentação. Todos os anos, autoridades de saúde realizam atividades nacionais e internacionais para aumentar a consciência sobre o processo. 

As comemorações são inspiradas na aprovação da Declaração Innocenti, visando proteger, promover e apoiar a amamentação. O documento adotado na cidade italiana de Florença, em 1990, foi mais tarde endossado por agências da ONU. 

Responsabilidade  

O processo definiu metas ambiciosas para a ação internacional promovendo o aleitamento. Participaram formuladores de políticas e entidades como o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, e a Organização Mundial da Saúde, OMS. 

Ato de amamentar também ajuda a economizar custos para famílias

Unicef//Ilvy Njiokiktjien VII Photo

Ato de amamentar também ajuda a economizar custos para famílias

As atividades realizadas na Semana Mundial da Amamentação pretendem incentivar o aleitamento materno e promover a melhora da saúde dos bebês em todo o mundo. A meta é realçar que o ato de amamentar é a melhor fonte de nutrientes na primeira infância. 

Aumento  

O tema da Semana Mundial da Amamentação em 2021 é “Proteger o Aleitamento Materno: Uma Responsabilidade Compartilhada”. 

Em relatório publicado este ano, a OMS estima que nas últimas quatro décadas houve um aumento de 50% no aleitamento materno exclusivo.  

Declaração Innocenti definiu metas ambiciosas para a ação internacional promovendo o aleitamento

Unicef/UN0156352/Dubourthoumieu

Declaração Innocenti definiu metas ambiciosas para a ação internacional promovendo o aleitamento

O resultado da medida são 900 milhões de bebês se beneficiando com o aumento da sobrevivência, o crescimento e o desenvolvimento, graças à amamentação exclusiva. 

As vantagens do aleitamento vão desde a nutrição, a saúde e o bem-estar de uma criança ao longo da vida. O ato ajuda a reduzir alergias, eczema e asma, além de cânceres infantis, incluindo leucemia e linfomas.  

Custos  

O método também ajuda a economizar custos para famílias, unidades de saúde e governos ao proteger as crianças de infecções e salvar vidas. Além disso, consolida o vínculo emocional entre mães e bebês e tem um efeito positivo na saúde mental. 

Para as mães, o aleitamento reduz o risco de doenças como diabetes ou cânceres de mama e ovário.

Vídeo de aquivo: 

Moçambique fecha julho com quase 40% de vacinas da Covax já recebidas

Quase 40% das vacinas contra a Covid-19 do mecanismo Covax já chegaram a Moçambique. 

O país deverá inocular cerca de 300 mil pessoas com o novo lote da vacina recebido esta semana da fabricante Johnson & Johnson. 

Quase 40% das vacinas contra a Covid-19 do mecanismo Covax já chegaram a Moçambique

©UnicefMoçambique/2021/Cremildo Assane

Quase 40% das vacinas contra a Covid-19 do mecanismo Covax já chegaram a Moçambique

Terceira onda

Até o final do ano, as autoridades moçambicanas esperam ter mais de 2 milhões de vacinas disponíveis como parte da iniciativa criada pela Organização Mundial da Saúde, OMS, para a distribuição equitativa do produto.

O novo carregamento de imunizantes chegou numa altura em que os números da terceira onda preocupam o governo moçambicano. Neste momento, o país soma mais de 28 mil casos ativos e pelo menos 1,360 óbitos devido à pandemia. 

A representante interina do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, em Moçambique destacou as etapas de entrega do produto. Katarina Johansson  falava na recepção do carregamento de imunizantes financiado pelos Estados Unidos.

“Estas vacinas vêm adicionar-se às anteriores 384 mil doses recebidas em março do corrente ano e 108 mil doses recebidas no início deste mês, totalizando 794.400. Ou seja, 38% das doses que o país vai receber através da iniciativa Covax.”

Recepção da chegada em Moçambique do carregamento de imunizantes financiado pelos Estados Unidos

©Unicef Moçambique/2021/Cremildo Assane

Recepção da chegada em Moçambique do carregamento de imunizantes financiado pelos Estados Unidos

Logística

A responsável destacou características do produto da Janssen nas operações de distribuição. A agência presta assistência à logística do processo coordenado pelo governo moçambicano.

“A vacina Janssen da Johnson & Johnson tem uma particularidade de ser administrada em dose única, o que facilitará a racionalização de recursos operacionais no processo de implementação.”

Das várias medidas de prevenção de saúde pública adotadas por governos e autoridades sanitárias, a imunização contra a Covid-19 é considerada eficaz na prevenção de doença grave e mortes. 

A representante da agência da ONU reiterou que continuará o auxílio para que avance a imunização contra o coronavírus em terras moçambicanas.

Moçambique havia recebido o primeiro lote com cerca de 384 mil doses de vacinas da AstraZeneca, como parte da iniciativa Covax

UNICEF

Moçambique havia recebido o primeiro lote com cerca de 384 mil doses de vacinas da AstraZeneca, como parte da iniciativa Covax

Campanha nacional 

“O Unicef continuará a dar o seu apoio ao governo de moçambicano em coordenação com OMS, Gavi, Banco Mundial e outros parceiros para aumentar o acesso equitativo da vacinação contra a Covid-19 no país, para alcançarmos a meta de mais de 2 milhões de vacinas a serem recebidas até o final do ano no âmbito da iniciativa Covax.”

No balanço das duas primeiras fases, cerca de 318 mil pessoas foram imunizadas em todo país. O Ministério de Saúde de Moçambique iniciou a Campanha Nacional de Vacinação em março.

Em nível global, autoridades sanitárias defendem que a vacina contra a Covid -19 protege e salva vidas. As iniciativas de imunização nos países beneficiam os sistemas de saúde e contribuem para a retoma da atividade econômica.

De Maputo para ONU News, Ouri Pota.
 

Angola e Moçambique em lista dos pontos de maior atenção por falta de alimentos 

Angola e Moçambique estão entre 23 pontos de fome identificados em novo relatório de agências humanitárias.  

O documento da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, e do Programa Mundial de Alimentos, PMA, alerta sobre um aumento da insegurança alimentar aguda no período entre agosto e novembro deste ano.

Angola 

A publicação lançada esta sexta-feira, em Roma, revela que o mais preocupante é que a insegurança alimentar continua “crescendo em escala e gravidade” devido a conflitos, às repercussões econômicas da Covid-19 e à crise climática. 

Cerca de 1,4 milhão de pessoas devem enfrentar insegurança alimentar no norte de Moçambique

Acnur Moçambique

Cerca de 1,4 milhão de pessoas devem enfrentar insegurança alimentar no norte de Moçambique

A previsão é que esses fatores elevem os níveis de insegurança alimentar aguda nos 23 focos de fome nos próximos quatro meses, com destaque para os conflitos. Etiópia e Madagascar são os mais novos focos de fome com “maior alerta” no mundo, de acordo com o relatório. 

Em relação a Angola, a seca e os desafios macroeconômicos são os principais fatores de insegurança alimentar. Este ano começou com 3,8 milhões de angolanos sem comida suficiente, o que levou 62% das famílias a recorrer a estratégias de crise para enfrentar a emergência.  

Temperaturas 

O documento destaca a urgência na assistência às vítimas que tentam lidar com choques múltiplos, uma situação que deve agravar de forma acentuada nos próximos meses em áreas afetadas pela seca no sul. 

As províncias do Cunene, Cuanza Sul, Cuando Cubango, Benguela, Huambo, Namibe e Huíla devem enfrentar uma longa temporada de fome. A chuva sazonal está mais de 30% abaixo da média e as temperaturas anormais causaram a pior seca em 40 anos. 

Em Moçambique, cerca de 1,4 milhão de pessoas devem enfrentar insegurança alimentar no extremo norte. A situação deve agravar, refletindo o aumento da violência, do deslocamento e dos eventos naturais recorrentes. 

Uma mãe espera receber comida para seu filho em área do sul de Madagascar afetada pela seca.

PMA/Fenoarisoa Ralaiharinony

Uma mãe espera receber comida para seu filho em área do sul de Madagascar afetada pela seca.

O conflito em Cabo Delgado combinado com déficits de chuva, tanto na região como na vizinha província de Nampula, criou perturbações em atividades agrícolas. A situação melhorou em parte durante o primeiro trimestre de 2021, mas a produção agrícola anual estará abaixo da média. 

Tropas da Sadc  

Cabo Delgado teve um deslocamento de mais de 732 mil deslocados até o final de abril. Com o anúncio de envio para Moçambique de tropas da Comunidade de Desenvolvimento de Africa Austral, Sadc, e do Ruanda, crescem as previsões de um risco de uma nova escalada de violência nos próximos meses que pode exacerbar as necessidades humanitárias.  

Em nível nacional, a insegurança alimentar aguda entre abril e setembro deve baixar em áreas rurais, à medida que as famílias têm acesso aos alimentos com a produção e os preços dos alimentos mais estáveis.  

No entanto, cerca de 17 milhões de moçambicanos em áreas rurais e urbanas devem enfrentar altos níveis de insegurança alimentar aguda.

O relatório ressalta que esforços para combater o aumento global da insegurança alimentar aguda estão sendo atrasados em vários países por conflitos e bloqueios que cortaram a ajuda que salvava vidas às famílias à beira da fome. 

Obstáculos 

O documento também aponta obstáculos como aspetos burocráticos e  falta de financiamento. Estes fatores atrasam os esforços para fornecer ajuda alimentar de emergência e permitir que agricultores plantem em escala e no momento certos. 

Em 2020, a FAO e o PMA alertaram que 41 milhões de pessoas corriam o risco de ser empurradas para a fome, a menos que recebessem comida imediata e auxílio para subsistência. 

Milhares de etíopes da região de Tigray fugiram para o Sudão e muitos estão vivendo no acampamento Um Rakuba

Acnur/Ahmed Kwarte

Milhares de etíopes da região de Tigray fugiram para o Sudão e muitos estão vivendo no acampamento Um Rakuba

De acordo com o Relatório Global sobre Crise Alimentar, divulgado em maio  desse ano, cerca de 155 milhões de pessoas enfrentavam insegurança alimentar aguda em crises ou piores níveis em 55 países. 

O aumento desde o período anterior foi de mais de 20 milhões de pessoas, numa tendência que deve piorar em 2021. 

O relatório ressalta que conflitos, extremos climáticos e choques econômicos, muitas vezes relacionados às consequências econômicas da Covid-19, provavelmente continuarão sendo os principais causadores da insegurança alimentar aguda entre agosto a novembro de 2021.  

Colapso  

As ameaças transfronteiriças também agravam em algumas regiões. Em particular estão ainda as infestações de gafanhotos do deserto no Chifre da África e de gafanhotos migratórios na África Austral. 

As restrições de acesso humanitário são outra causa de preocupação por dificultarem os esforços para conter as crises alimentares e prevenir a fome, a morte e um colapso total dos meios de subsistência, aumentando o risco de fome. 

*Os 23 focos de fome são: Afeganistão, Angola, República Centro-Africana, América Central – Guatemala, Honduras, Nicarágua, Sahel Central – Burquina Fasso, Mali e Níger, Chade, Colômbia, República Democrática do Congo, Coreia do Norte, Etiópia, Haiti, Quênia, Líbano, Madagáscar, Mianmar, Moçambique, Nigéria, Serra Leoa e Libéria, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Síria e Iêmen. 

Nuvem de gafanhotos em Kipsing, no Quénia

FAO/Sven Torfinn

Nuvem de gafanhotos em Kipsing, no Quénia

Comissão Econômica para a Europa promove inclusão digital de idosos

Este será o tema, este ano, do Dia Internacional das Pessoas Idosas, celebrado em outubro; com a aceleração do uso de tecnologia durante a pandemia, ficaram ainda mais evidenciadas as desigualdades na área e que impediram muitos idosos a agendar a própria vacinação contra a Covid-19.

Vozes das vítimas têm papel central no combate ao tráfico humano

No Dia Mundial de Combate ao Tráfico Humano, Nações Unidas destacam o poder dessas histórias para prevenir mais casos e levar criminosos à justiça; secretário-geral António Guterres lembra que crianças representam um terço das vítimas, em sua maioria traficadas para o trabalho escravo.

Sem integração socioeconômica, migrantes da Venezuela sofrem com desemprego

Os venezuelanos que migraram ou pediram refúgio para os países vizinhos estão sofrendo com a falta de integração socioeconômica, um reflexo da pandemia de Covid-19. 

Nesta quinta-feira, a Organização Internacional para Migrações, OIM, divulgou os resultados de uma pesquisa feita em parceria com a Matriz de Rastreio de Deslocamentos e com o Instituto de Política Migratória.  

Mais de 5,6 milhões de venezuelanos deixaram seu país, a maioria deles para países da América Latina e Caribe

Acnur/Ilaria Rapido Ragozzino

Mais de 5,6 milhões de venezuelanos deixaram seu país, a maioria deles para países da América Latina e Caribe

Brasil  

Foram analisados fatores como inclusão econômica, coesão social e acesso à educação e a cuidados de saúde, durante três períodos entre os anos de 2017 e 2021.  

O relatório explora a progressão socioeconômica de refugiados e de migrantes da Venezuela que agora vivem no Brasil, no Chile, na Colômbia, no Equador e no Peru. Juntos, esses países abrigam mais de 70% entre 5,6 milhões de pessoas que deixaram a Venezuela desde 2015.  

A principal conclusão do estudo é que os venezuelanos enfrentam o desemprego a taxas mais altas do que a população dos países hospedeiros, sendo que muitos ficaram sem trabalho durante a pandemia. 

Migrantes cruzando a fronteira da Venezuela para Cúcuta, na Colômbia

Unicef/Santiago Arcos

Migrantes cruzando a fronteira da Venezuela para Cúcuta, na Colômbia

Queda na Renda  

A OIM destaca ainda um outro impacto da crise para esses migrantes e refugiados: venezuelanos que vivem na Colômbia, no Equador e no Peru confirmaram uma diminuição de 50% da renda desde março de 2020.  

Mas ainda assim, a maioria tem a intenção de continuar vivendo como migrantes ou refugiados, por isso a OIM destaca que os governos dos países de acolhimento precisam implementar políticas de integração de longo prazo.  

O enviado especial da OIM para a Situação na Venezuela, Diego Beltrand, afirma serem necessários US$ 256 milhões para apoiar a integração socioeconômica dos migrantes venezuelanos.  

Refugiados venezuelanos no Equador que são apoiados pelo Acnur durante a pandemia

© Acnur/Ilaria Rapido Ragozzino

Refugiados venezuelanos no Equador que são apoiados pelo Acnur durante a pandemia

Educação  

O levantamento mostra ainda que nos cinco países de acolhimento, os venezuelanos trabalham mais horas e ganham menos do que os colegas. Com a informalidade ou o trabalho independente, eles ficam mais vulneráveis à condições de trabalho exploratórias e à pobreza.  

Para os cidadãos venezuelanos que têm ensino superior, o desafio é outro: apenas 10% dos que estão no Chile, na Colômbia e na Venezuela conseguiram ter o diploma reconhecido.  

Apesar do sistema universal de saúde existir no Brasil e no Chile, persistem as barreiras ao acesso e à informação. Outros desafios são a discriminação e o medo de deportação.  

Com a crise política na Venezuela, as entidades que fizeram o levantamento calculam que a migração irá continuar e por isso, pedem mais apoio dos governos regionais e da comunidade internacional.  

Pacto para proteger refugiados completa 70 anos em meio a apelos por cooperação

  Neste 28 de julho, celebra-se o 70º aniversário da Convenção dos Refugiados de 1951. O tratado internacional estabelece os direitos das pessoas forçadas a fugir da perseguição em seus países e orienta várias políticas nacionais e internacionais. 

As Nações Unidas calculam que até o final de 2020, 82 milhões de pessoas no mundo haviam sido forçadas a deixar suas casas. Entre elas, estão 26 milhões de refugiados que abandonaram a nação de origem.  

Termos  

As Nações Unidas publicaram o Estatuto do Acnur em 14 de dezembro de 1950 no rescaldo da Segunda Guerra Mundial. O documento estabeleceu os termos do tipo de operações e instruiu 26 Estados a se reunirem em Genebra para finalizar o texto do tratado, uma ação que aconteceu em julho do ano seguinte. 

Congoleses no acampamento em Lóvua, Angola.

Foto: Acnur/ Omotola Akindipe

Congoleses no acampamento em Lóvua, Angola.

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur, considera “mais urgente que nunca” que os países fechem “um novo compromisso com o espírito e os princípios fundamentais do tratado”. 

Para o alto comissário para Refugiados, Filippo Grandi, o pacto continua protegendo os direitos dos refugiados em todo o mundo. Ele destaca que graças ao documento, milhões de vidas foram salvas, sendo “crucial que a comunidade internacional defenda seus princípios”. 

Uma preocupação do chefe da agência da ONU é com “as recentes tentativas de alguns governos de ignorar ou contornar os princípios da Convenção”.  

Salvaguardas  

Essas ações vão desde expulsões e repulsões de refugiados e requerentes de asilo nas fronteiras terrestres e marítimas, até as propostas de “transferi-los à força para terceiros Estados para processamento sem salvaguardas de proteção adequadas.” 

Grandi realça que o documento é um componente crucial do Direito Internacional Humanitário e “continua tão relevante agora quanto quando foi redigido e acordado”. 

Alto comissário Filippo Grandi no Acampamento de Refugiados de Nyarugusu, na Tanzânia

Acnur/Georgina Goodwin

Alto comissário Filippo Grandi no Acampamento de Refugiados de Nyarugusu, na Tanzânia

O chefe do Acnur disse que a linguagem da Convenção é clara quanto aos direitos dos refugiados e permanece aplicável “no contexto de desafios e emergências contemporâneas e sem precedentes”, como a pandemia Covid-19. 

Cooperação  

Filippo Grandi sublinhou que tanto a Convenção de Refugiados de 1951 quanto o mais recente Pacto Global sobre Refugiados exigem cooperação internacional para encontrar soluções para os refugiados. 

Ele enfatizou que comunidade internacional precisa defender os princípios-chave da proteção dos refugiados, como está estabelecido no pacto, incluindo o direito de quem foge da perseguição não ser enviado de volta aos riscos ou ao perigo que os tenha feito deixar seus países. 

5,3 bilhões de pessoas estão protegidas com pelo menos uma medida anti-tabaco

Muitos países estão progredindo na luta contra o tabaco, mas um levantamento da Organização Mundial da Saúde, OMS, mostra que várias nações estão falhando na regulamentação de novos produtos com nicotina.

Ao apresentar o relatório esta terça-feira, em Genebra, a OMS destaca que 5,3 bilhões de pessoas no mundo estão cobertas com pelo menos uma medida anti-tabaco. 

1 bilhão de pessoas no mundo são fumantes e o tabaco mata 8 milhões de pessoas por ano

© Unicef/Shehzad Noorani

1 bilhão de pessoas no mundo são fumantes e o tabaco mata 8 milhões de pessoas por ano

Seis Medidas 

Este total é quatro vezes maior do que os números de 2007. Ainda assim, 1 bilhão de pessoas no mundo são fumantes e o tabaco mata 8 milhões de pessoas por ano. 

A agência tem seis medidas de controle: monitorar o uso dos cigarros; proteger as pessoas do fumo; oferecer opções para que deixem de fumar; alertar sobre os perigos do cigarro; proibir a publicidade desses produtos e aumentar os impostos.

Mais da metade das nações e metade da população mundial está coberta por pelo menos duas dessas medidas, o maior nível alcançado até hoje. 

OMS destaca que 5,3 bilhões de pessoas no mundo estão cobertas com pelo menos uma medida anti-tabaco

OMS

OMS destaca que 5,3 bilhões de pessoas no mundo estão cobertas com pelo menos uma medida anti-tabaco

Portugal 

A OMS destaca que Portugal está entre os seis países que subiram para o grupo de melhores práticas por cobrar impostos que representam pelo menos 75% do valor de venda ao varejo. 

O relatório mostra ainda que mais da metade dos habitantes do planeta está exposta a maços de cigarro que trazem impressas fotografias fortes com avisos sobre os riscos para a saúde.

Ao mesmo tempo, algumas medidas, como aumentar os impostos sobre o tabaco, avançam de forma mais lenta, segundo a OMS. Além disso, 49 países continuam sem nenhuma medida de controle. A maioria são nações de rendas baixa ou média.

49 países continuam sem nenhuma medida de controle

Unsplash/Mathew MacQuarrie

49 países continuam sem nenhuma medida de controle

E-Cigarros 

Esta é a primeira vez que a OMS inclui no relatório dados sobre cigarros eletrônicos, que geralmente tem como público-alvo crianças e adolescentes. A agência alerta para as informações falsas sobre esses produtos, feitos com uma variedade de sabores que se tornam apelativos aos jovens. 

A OMS faz um alerta: os menores de idade que usam cigarros eletrônicos têm até três vezes mais chances de continuarem fumando na vida adulta. A agência pede aos governos para implementarem regulamentações e assim, prevenir que estes produtos ganhem novos adeptos. 

De acordo com a OMS, a epidemia do tabaco é uma das maiores ameaças à saúde pública que o mundo já enfrentou

OMS/Marcelo Moreno

De acordo com a OMS, a epidemia do tabaco é uma das maiores ameaças à saúde pública que o mundo já enfrentou

“Marketing Agressivo”

O diretor-geral da OMS lembra que a nicotina é altamente viciante. Tedros Ghebreyesus destaca que os produtos eletrônicos também são perigosos e, por isso, precisam de regulamentação. 

Atualmente, cigarros e outros produtos eletrônicos com nicotina estão proibidos em 32 países. A OMS explica que outras 79 nações têm pelo menos uma medida contra os “e-cigarros”, mas 84 países ainda não implementaram alguma restrição. 

O embaixador global da OMS para Doenças Crônicas, Michael Bloomberg, criticou a indústria do tabaco pelas campanhas “agressivas de marketing para cigarros eletrônicos e pelo lobby que fazem com os governos”. 

Segundo Bloomberg, o objetivo é simples: “viciar mais uma geração em nicotina”, algo que o mundo “não pode deixar acontecer”.