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Covid-19 ditou queda de 70% em chegadas de turistas internacionais  

As chegadas de turistas internacionais despencaram em 70% durante os primeiros oito meses de 2020 devido à pandemia do coronavírus

A Organização Mundial do Turismo, OMT, anunciou que o pico da temporada de verão no Hemisfério Norte foi afetado pelas restrições de viagens. Nesse período, as chegadas de turistas caíram 81% em julho e 79% em agosto. 

Receita 

Entre janeiro e agosto houve 700 milhões de visitantes a menos que no mesmo período do ano passado. A situação levou a uma perda de US$ 730 bilhões, mais de oito vezes acima da queda registrada após a crise econômica de 2009. 

Para o diretor da OMT, Zurab Pololikashvili, este declínio sem precedentes está tendo consequências sociais e econômicas dramáticas arriscando milhões de empregos e empresas. 

ONU

A OMT destaca 2009 como o último ano em que as chegadas de turistas internacionais registraram uma queda.

A região da Ásia e do Pacífico, a primeira a ser atingida pela pandemia, também foi marcada pelo maior declínio nas chegadas ao atingir 79%. 

A seguir estão África e Oriente Médio com quedas de 69% cada. Já a diminuição de visitantes internacionais na Europa foi de 68%. Nas Américas, a redução esteve em torno de 65%. 

Recuperação 

A OMT realça que embora a queda na Europa tenha sido menos forte do que em outras regiões no verão, com 69% em agosto, as novas restrições de viagens para combater a segunda onda de infecções limitaram a recuperação. 

Pelas previsões da agência, em 2020 as chegadas globais de turistas internacionais cairão 70%. A recuperação deve ocorrer somente no fim de 2021. 

Mas pelo menos um quinto dos especialistas ouvidos pela OMT esperam a retomada para daqui a dois anos. 

Em 2019, a agência registrou um aumento de 4% de chegadas de turismo internacional que totalizaram 1,5 bilhão. A França foi o país mais visitado, seguida da Espanha e dos Estados Unidos. 

A OMT destaca 2009 como o último ano em que as chegadas de turistas internacionais registraram uma queda. A redução de 4% foi provocada pela crise econômica global. 

PMA/Reprodução

Novas restrições de viagens para combater a segunda onda de infecções limitaram a recuperação.

Novas restrições de viagens para combater a segunda onda de infecções limitaram a recuperação., by PMA/Reprodução

Museu do Dinheiro em Lisboa apresenta moeda que comemora 75 anos da ONU 

Exposição “Construindo o Nosso Futuro Juntos” apresenta momentos da história da organização fundada em 24 de outubro de 1945; designer e ilustrador André Letria concebeu moeda que já circula pela Zona Euro.

ONU alerta sobre desnutrição infantil aguda sem precedentes no Iêmen 

 Agências das Nações Unidas alertaram esta terça-feira que as crianças iemenitas sofrem desnutrição infantil aguda sem precedentes. A já chamada pior crise humanitária do mundo avança e o financiamento está muito aquém do necessário. 

Uma em cada quatro crianças tem desnutrição aguda em algumas áreas do país que sofrem os efeitos do conflito e do colapso econômico.  

Taxas  

Este ano, a desnutrição atinge 587.573 menores no sul, segundo a análise da Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar, IPC.  

O índice que atualizou o estado da insegurança alimentar na região revelou ainda que cerca de 100 mil crianças correm risco de morte e precisam de tratamento urgente. 

Mãe e filhos deslocados na cidade de Hodeida, no Iêmen, onde a Covid-19 já é uma preocupação, by Unfpa

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, o Programa Alimentar Mundial, PMA, e o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, publicarem o comunicado com base na gravidade do caso. 

O Unicef realça que as taxas de desnutrição aguda entre menores abaixo de cinco anos são as mais altas já registradas em partes do sul do Iêmen. A análise revela um aumento de cerca de 10% ocorrido desde janeiro deste ano. 

Desnutrição  

A avaliação foi feita nas áreas do sul do Iêmen, mas aguarda-se que estudo em curso nas áreas do norte revele tendências igualmente preocupantes. 

O Unicef aponta ainda que o aumento significativo da desnutrição no sul foi de 15,5% em crianças. Com esta condição, a criança tem 10 vezes mais chance de morrer de cólera, diarreia, malária ou infecções respiratórias agudas já comuns no Iêmen. 

A previsão do IPC mostra que até o final de 2020, o Iêmen enfrentará insegurança alimentar grave. O PMA chama a atenção para o fato de este número corresponder a 40% da população nas áreas analisadas, ou cerca de 3,2 milhões de pessoas. 

Para a agência, essas previsões ainda estariam subestimadas, sendo “altamente provável que a situação seja pior do que o inicialmente projetado, pois as condições continuam a piorar além dos níveis previstos.” 

Um dos motivos para isso é que no momento em que os dados foram recolhidos presumia-se que os preços dos alimentos estabilizassem, mas esse não foi o caso. Os aumentos foram em média de 140% acima do período anterior ao conflito.  

Custos 

Para os mais vulneráveis, mesmo um pequeno acréscimo nesses custos “é absolutamente arrasador. 

Crianças estão entre as maiores vítimas do conflito no Iêmen, by Unicef/Ahmed Abdulhaleem

A situação é pior do que em 2018, quando o PMA expandiu a assistência em mais de 50%. Nesse processo, foi evitada a fome. O receio é que agora os ganhos alcançados em 2018-2019 sejam perdidos à medida que o conflito piora e o declínio econômico continua. 

O PMA realça que algumas famílias foram deslocadas pela terceira ou até quarta vez. Cada vez que uma família é enfrenta essa situação, a capacidade de lidar com a crise diminui e é pouco provável que se recupere. 

A coordenadora humanitária da ONU para o Iêmen, Lise Grande, disse que a ONU já vem alertando desde julho que o Iêmen está à beira de uma crise de segurança alimentar catastrófica. 

Geração  

De acordo com a chefe humanitária no país árabe, se a guerra não acabar agora “estará iminente uma situação irreversível e o risco de se perder uma geração inteira de crianças pequenas do Iêmen”. 

O financiamento ao plano de resposta humanitária para 2020 foi de 42% dos US$ 3,2 bilhões necessários. Cerca de 80% da população precisa de alguma forma de assistência humanitária e proteção, incluindo aproximadamente 12,2 milhões de crianças. 

Cerca de 69% dos 333 distritos correm o risco de passar fome. A ONU realçou que continua em ação no terreno respondendo às necessidades mais urgentes, apesar do ambiente operacional difícil.   

Ocha/Giles Clarke

Guterres disse que o Iêmen é a primeira prova da necessidade de um cessar-fogo.

Mundo fechou semana com recorde de novos casos de Covid-19 

Na semana passada, foi relatado o maior número de casos de Covid-19 em todo o mundo. No Hemisfério Norte, muitos países estão vendo um aumento preocupante de casos e hospitalizações. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, cerca de 2,9 milhões de casos foram confirmados na semana passada e quase 37 mil pessoas perderam a vida.  Desde o início da pandemia, já foram infetadas quase 43 milhões, com cerca de 1,15 milhão de mortes. 

Diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, falou a jornalistas em Genebra, OMS/Christopher Black

Aumento 

Falando a jornalistas, em Genebra, o diretor-geral da agência, Tedros Ghebreyesus, disse que “unidades de terapia intensiva estão ficando lotadas em alguns lugares, especialmente na Europa e na América do Norte.” 

Segundo ele, no fim de semana, vários líderes avaliaram criticamente sua situação e tomaram medidas para limitar a propagação do vírus. 

O chefe da OMS disse que a agência compreende a fadiga que as pessoas estão sentindo, trabalhando em casa, com as crianças tendo escola remota, não podendo comemorar datas importantes com amigos e familiares. 

Tedros disse que tudo isso “é difícil e o cansaço é real”, mas as pessoas não podem e não devem desistir. 

Para ele, “os líderes devem equilibrar a perturbação de vidas e meios de subsistência com a necessidade de proteger os profissionais de saúde e os sistemas de saúde.” 

Esforços 

Em março, os profissionais de saúde eram aplaudidos pelo sacrifício pessoal que estavam fazendo para salvar vidas. Agora, Tedros lembra que muitos “ainda estão na linha de frente, enfrentando uma nova onda de pacientes.” 

Professores e alunos, de máscara, em escola reaberta no Cambodja, Unicef/Chansereypich Seng

Para ele, todos têm de fazer sua parte para evitar novos bloqueios. 

Tedros afirmou que é possível manter as crianças na escola, os negócios abertos e preservar meios de subsistência, mas “todos devem fazer trocas, compromissos e sacrifícios.” 

Para indivíduos, famílias e comunidades, isso significa ficar em casa, especialmente quando exposto a um caso, e continuar mantendo distância física, usando máscara, lavando as mãos, evitando multidões e encontrando amigos e familiares na rua. 

Segundo o chefe da OMS, muitos países e cidades seguiram a ciência, suprimiram o vírus e minimizaram as mortes, de Dakar a Melbourne, de Milão a Islamabad, de Nova Iorque a Pequim. 

Por outro lado, “onde houve divisão política a nível nacional e desrespeito flagrante pela ciência e pelos profissionais de saúde, a confusão se espalhou e os casos e mortes aumentaram.” 

Tedros terminou pedindo que o mundo “pare com a politização da Covid-19”, porque “uma pandemia não é um futebol político.” 

Portugal ilumina-se de azul para celebrar o 75º aniversário da ONU

No passado sábado, dia 24 de outubro, cerca de 50 municípios portugueses participaram, de forma simbólica, no 75º aniversário das Nações Unidas. A iniciativa “Europe Turns UN Blue” iluminou a azul dezenas de edifícios e monumentos espalhados pelo país, evidenciando o apoio dos municípios portugueses aos valores e ideais da ONU.

A campanha europeia contou com a participação de mais de 250 monumentos, em mais de 20 países da Europa Ocidental. O edifício sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, o Castelo de Dublin, o Palácio de Cibeles, em Madrid, e o Palácio da Paz, em Haia, estiveram entre os muitos edifícios que se vestiram de azul no Dia das Nações Unidas.

Palácio da Bolsa, no Porto

Em Portugal, foram cerca de 60 os edifícios, monumentos, Paços do Concelho, centros culturais, entre outros, que se iluminaram com a cor oficial das Nações Unidas, ajudando a passar uma mensagem de união entre os povos e a promover uma linguagem de paz universal assente no desenvolvimento sustentável e no respeito pelos direitos humanos.

Arco da Rua Augusta, em Lisboa

Poderá ver a galeria de fotos que compila todos os monumentos que, de Norte a Sul de Portugal Continental e na Região Autónoma dos Açores, se cobriram de azul, em homenagem às Nações Unidas.

O Centro Regional de Informação das Nações Unidas agradece a todos os municípios que amavelmente se juntaram a esta iniciativa: Abrantes, Alvaiázere, Angra do Heroísmo, Arouca, Arruda dos Vinhos, Benavente, Bragança, Cantanhede, Cartaxo, Castanheira de Pêra, Celorico da Beira, Chamusca, Chaves, Crato, Fafe, Figueira da Foz, Gois, Grândola, Guarda, Lisboa, Loulé, Loures, Lousã, Marco de Canaveses, Miranda do Corvo, Monsaraz, Montemor-o-Velho, Nordeste, Odivelas, Palmela, Penafiel, Pombal, Ponta Delgada, Porto, Porto de Mós, Póvoa do Varzim, Santa Marta de Penaguião, Santarém, Santo Tirso, Sintra, Tabuaço, Torre de Moncorvo, Torres Novas, Vagos, Valongo, Vila Nova de Famalicão e Vila Nova de Poiares.

Paços do Concelho de Vila Nova de Poiares

Pode também ver a galeria com todos os monumentos europeus que aderiram a esta iniciativa, promovida pelo Centro de Informação Regional da ONU para a Europa Ocidental (UNRIC), e que contou com o apoio do Governo de Portugal e da Associação Nacional de Municípios de Portugal, e foi ainda apadrinhada pelo subsecretário-geral da ONU Fabrizio Hochschild, conselheiro especial do secretário-geral para as Comemorações dos 75 anos das Nações Unidas.

A lista exaustiva de edifícios e países que aderiram a este movimento pode ser consultada aqui.

Paços do Concelho de Chaves

75º Aniversário da ONU

O aniversário da Organização tem lugar num período de pandemia mundial, ao mesmo tempo que se enfrentam desafios globais urgentes como a crise climática, as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os conflitos armados e a defesa e proteção da dignidade humana e dos direitos humanos. Neste contexto, o secretário-geral das Nações Unidas lembra que a missão da organização é “agora mais crucial do que nunca”.

António Guterres sublinha que “enfrentamos desafios colossais” e que “com solidariedade e cooperação globais, podemos superá-los”. Numa mensagem especial sobre esta data simbólica, o líder da ONU apelou ainda “a todos, em todo o lado, que se unam.

Castelo de Bragança

Campanha da ONU destaca cientistas que trabalham em vacina contra Covid-19  

Cientistas brasileiros e estrangeiros que estão na corrida pela vacina para pôr fim à pandemia vão falar sobre suas pesquisas em perfis na rede social TikTok. 

A ação das Nações Unidas envolve profissionais de vários países do mundo e de instituições acadêmicas como Universidade de São Paulo, USP, Harvard, Imperial College London e Wits University.  

Objetivo 

O objetivo é atualizar e aproximar o público do trabalho que vem sendo realizado na pesquisa pelas vacinas. Acesse o site oficial aqui. 

A iniciativa, chamada no Brasil de #EquipeHalo, irá revelar o cotidiano dos cientistas, chamados de “guias”, que trabalham com as pesquisas pelas vacinas em países como Reino Unido, Estados Unidos, África do Sul, Índia e Brasil. 

De forma voluntária, eles irão contar suas histórias e postar vídeos que destacam a seriedade e o empenho de todos em conter a pandemia, além de responder perguntas do público e esclarecer sobre boatos e informações incorretas.  

Os cientistas pretendem destacar a natureza global do trabalho e reconhecer a contribuição de milhares de pessoas ao redor do mundo. 

Brasil  

No Brasil, a iniciativa começa com três guias: os pesquisadores Gustavo Cabral de Miranda e Natalia Pasternak e o biofísico Rômulo Neris. Novos nomes serão anunciados em breve.  

Gustavo de Miranda lidera a pesquisa de desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus, assim como vacinas para chikungunya e zika vírus, no Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.  

Natalia Pasternak atua como pesquisadora visitante do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, no Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas, LDV, e diretora-presidente do Instituto Questão de Ciência. 

Já Rômulo Neris tem como foco de sua pesquisa de doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro a forma como o sistema imune reage ao novo coronavírus.  

Em comunicado, Natalia Pasternak disse que “a informação científica de qualidade precisa circular nas redes sociais de forma fácil, acessível e didática.” 

Os cientistas pretendem destacar a natureza global do trabalho e reconhecer a contribuição de milhares de pessoas ao redor do mundo

A especialista contou que “o sentimento antivacinas no Brasil e no mundo está crescendo, e não deve ser subestimado.” Ela disse ainda participar de uma iniciativa global, representando o Brasil, “é uma honra e uma ótima oportunidade para divulgar ciência neste mar de desinformação.” 

Confiança 

A subsecretária-geral da ONU para Comunicações Globais, Melissa Fleming, disse que a desinformação minou a confiança do público nas vacinas, mas a iniciativa “pretende recuperar essa confiança.” 

Sobre os cientistas participantes, Fleming disse que “são pessoas incríveis fazendo a ciência ser parte de uma colaboração global.” Para ela, deve se “comemorar o fato destes profissionais ajudarem a colocar um fim nesta terrível pandemia.” 

Plataforma 

O TikTok foi escolhido pois permite aos pesquisadores contar histórias sérias de uma forma criativa e envolvente, mas os vídeos também podem ser acompanhados no Twitter. 

O projeto conta com apoio do Verificado, uma iniciativa da ONU contra a desinformação, o Vaccine Confidence Project e a Aliança Global das Vacinas – Gavi. 

Em comunicado, o chefe do TikTok  para a Europa, Matthew Harris, disse que a iniciativa “pode ajudar esses heróis do dia a dia a educar e alcançar o público de uma forma envolvente, ao mesmo tempo em que auxilia a comunidade a se manter segura e informada durante esses tempos desafiadores.” 

Promoção tecnológica é foco do Dia Mundial da Informação sobre o Desenvolvimento 

Neste 24 de outubro, as Nações Unidas marcam o Dia Mundial da Informação sobre o Desenvolvimento chamando a atenção para questões que favorecem o progresso e para a necessidade de reforçar a cooperação internacional. 

Em 1972, a Assembleia Geral adotou a resolução 3038 instituindo a data de forma a fazer coincidir com o Dia das Nações Unidas. A celebração lembra ainda a criação da Estratégia de Desenvolvimento Internacional para a Segunda Década da ONU para o Desenvolvimento em 1970. 

Vantagens 

Este ano, a organização realça que as tecnologias da informação e comunicação podem fornecer novas soluções para os desafios de desenvolvimento, em especial no contexto da globalização. 

Estas tecnologias apresentam vantagens como a promoção do crescimento econômico, a competitividade, o acesso à informação e ao conhecimento, além da erradicação da pobreza e incentivo à inclusão social.  

Por isso, a Assembleia Geral defende uma maior divulgação da informação e mobilização da opinião pública, em particular entre os jovens. A expetativa é que haja “uma maior consciência dos problemas do desenvolvimento, promovendo esforços no âmbito da cooperação internacional para o desenvolvimento.” 

O resultado dessa promoção seria agilizar a integração de todos os países na economia global, especialmente as economias em desenvolvimento. 

Exclusão  

Essas nações enfrentam dificuldades para atingir a meta, aliadas à exclusão digital no acesso à informação a ferramentas de tecnologia de comunicação e conectividade de banda larga que reflete diferentes níveis de desenvolvimento. 

Nesse cenário, diferentes ramos econômicos e ações sociais ficam afetados em áreas como funcionamento do governo, negócios, saúde e educação.  

A Assembleia Geral aponta ainda para a questão das diferenças entre sexos como parte do fosso digital. O órgão incentiva todas as partes a garantirem a plena participação feminina na sociedade da informação e no acesso a novas tecnologias. 

De acordo com a resolução, as promessas feitas nos domínios de ciência e tecnologia para o desenvolvimento, incluindo tecnologias de informação e comunicação, continuam por cumprir. Umas das sugestões é que estas tecnologias sejam aproveitadas de forma eficaz para o fim do fosso digital. 

Foto: ITU/G. Anderson

Assembleia Geral defende uma maior divulgação da informação e mobilização da opinião pública.

ONU75: Nações Unidas e os métodos da prevenção e mediação de conflitos  

Na véspera da celebração dos 75 anos, a ONU anunciou que as partes em conflito da Líbia assinaram um acordo de cessar-fogo permanente.  

O entendimento alcançado entre os líderes militares do governo e das forças da oposição lideradas pelo general Khalifa Haftar é o caso mais recente deste tipo de desfecho. As negociações tiveram o envolvimento da organização e de parceiros, em Genebra.  

Reconciliação 

O secretário-geral António Guterres disse que o acordo prevê que a fase seguinte trate de “implementação, implementação, implementação”. No centro dessa etapa, estarão temas como a circulação de pessoas, a questão de mercenários, a criação de futuras instituições nacionais, os aspetos de reconciliação e outros. 

O líder da ONU vê o acordo líbio como uma inspiração para mobilizar todos os esforços para apoiar processos de mediação ainda em curso. A meta é o fim de conflitos ativos no Iêmen, no Afeganistão, na Armênia e no Azerbaijão. Guterres destacou que para o fim desses conflitos não há solução militar, mas política.  

A ONU News abordou com especialistas das Nações Unidas o uso dos métodos de prevenção e mediação para reaproximar partes em conflito. As experiências reveladas na conversa destacam elementos principais e facetas desses processos. 

A Organização das Nações Unidas foi fundada em 1945 em um mundo que recuperava da Segunda Guerra Mundial. Na época, a paz e o desenvolvimento foram destacados como fundamentos para o trabalho da organização. 

ONU

Conferência de São Francisco foi realizada em 1945

Tempo 

A ONU recorreu a mecanismos de mediação e prevenção para lidar com cenários de confronto ao longo da história, em diversas situações.  

A Carta das Nações Unidas prevê no artigo 33 que “as partes em uma controvérsia cuja continuidade possa colocar em risco a manutenção da paz e da segurança internacionais devem tentar encontrar uma solução, em primeiro lugar, por meio de negociação, investigação, mediação, conciliação, arbitragem, solução judicial, recurso a organizações ou acordos regionais ou outros meios pacíficos de sua escolha.” 

O documento que fundou a organização também prevê que o secretário-geral, o Conselho de Segurança e a Assembleia Geral atuem para a solução pacífica de conflitos. As resoluções da ONU e as experiências em vários processos também têm contribuído para a consolidação e manutenção da paz. 

Prevenção de conflitos 

De acordo com o Departamento de Assuntos Políticos e Consolidação da Paz, a prevenção de conflitos envolve pessoas que atuam em três áreas pilares da ONU: paz e segurança, desenvolvimento e direitos humanos. 

A abordagem da ONU para prevenir conflitos evoluiu ao longo do tempo, adaptando-se à realidade do mundo em constante mudança

Na experiência do órgão ligado ao secretariado, embora cada um desses fundamentos funcione de maneira diferente, a interconexão e o trabalho conjunto permitem abordar as causas imediatas e mais profundas de conflitos violentos. 

Essa tarefa frequentemente requer participação nos níveis local, nacional, regional e internacional de comunidades, da sociedade civil, dos governos, de organizações regionais e sub-regionais e outras instituições internacionais. 

A abordagem da ONU para prevenir conflitos evoluiu ao longo do tempo, adaptando-se à realidade do mundo em constante mudança. Por exemplo, em 2016 houve resoluções sobre manutenção da paz, prevendo uma série de ações para prevenir a eclosão, escalada, continuação e recorrência do conflito. Exemplos disso são as resoluções 70/262 da Assembleia Geral e 2282/2016 do Conselho de Segurança. 

O secretário-geral, António Guterres, sugeriu uma visão abrangente do apoio das Nações Unidas para evitar a eclosão de crises que podem causar a perda de vidas e minar as instituições e as capacidades para alcançar a paz e o desenvolvimento.  

Nesta perspetiva, a ONU desempenha um papel essencial no apoio aos Estados-membros para prevenir conflitos violentos. 

Governo da Suécia /Ninni Andersson

Nações Unidas ajudaram a negociar acordo de cessar-fogo em Hodeida, no Iêmen

Atuando em várias etapas de um conflito, a organização aborda questões que representam riscos de crise de longo prazo promovendo o diálogo com as partes onde há iminência da violência e apoiando a negociação para o fim destas situações. 

A ação da organização também acontece em confrontos ativos, bem como na ajuda aos países para que alcancem a reconciliação e a consolidação da resiliência e inclusão.  

Esses processos podem envolver, além da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança, a Comissão de Consolidação da Paz e o Conselho de Direitos Humanos. Juntas, estas entidades assessoram, dirigem e apoiam a ação da ONU para prevenir conflitos e manter a paz. 

Elementos principais 

Especialistas das Nações Unidas destacam que a prevenção de conflitos depende basicamente de cinco elementos: 

A Carta das Nações Unidas atribui ao secretário-geral, ao Conselho de Segurança e à Assembleia Geral a tarefa de mediação para evitar conflitos

  1. Detectar o pulsar político e social, estar próximo do terreno e entender bem a situação. Para isso, a ONU conta com mais de 35 missões políticas especiais no mundo. Conhecer bem os atores políticos, funcionários do governo e todas as partes da sociedade. Os especialistas acreditam que seguir o caminho da política exige esse conhecimento. As Nações Unidas monitoram os 193 Estados-membros, mantêm contato com esses atores e analisam cenários para apoiar o compromisso político de todos os envolvidos.
  2. Incluir diversas vozes na sociedade, como mulheres e meninas, em consultas e processos. 
  3. Criar alianças com organizações regionais e instituições financeiras internacionais associando o trabalho político de curto prazo aos esforços de construção da paz e desenvolvimento de longo prazo. 
  4. Contar com a vontade política de todos os atores para prevenir conflitos é o fator primordial em qualquer processo. 
  5. De acordo com a organização, quando esses elementos estão presentes, a prevenção funciona. Quando os esforços de prevenção falham, os efeitos são geralmente catastróficos. 

O impacto da prevenção insuficiente ou inexistente, em alguns casos, resultou em violência, disputas eleitorais, protestos populares e transições políticas no ano passado. 

A ONU destaca haver muito trabalho a ser feito e realça estar determinada a continuar a apoiar atores nacionais e cidadãos de todo o mundo para ajudar a prevenir conflitos. 

Mediação e diplomacia pela paz 

A Carta das Nações Unidas atribui ao secretário-geral, ao Conselho de Segurança e à Assembleia Geral a tarefa de mediação para evitar conflitos. 

O Departamento de Assuntos Políticos e Consolidação da Paz, Dppa, aponta que este método está em constante evolução como “um reflexo do mundo em que se aplica e responde a ela”. 

A atuação do secretário-geral inclui os bons ofícios, a mediação, a facilitação, os processos de diálogo e a arbitragem. Neles, o chefe da ONU pode intervir diretamente ou nomear representantes especiais e enviados para exercer a mediação em seu nome.  

Foto ONU/Violaine Martin

Acordo na Líbia é o mais recente sucesso dos esforços de mediação da ONU

Esses representantes participam de conversações de paz ou na diplomacia de crise, como supervisores de missões de paz ou políticas. Os mandatos podem incluir prestar ajuda aos países e às regiões na solução pacífica de conflitos e tensões de alguma espécie. 

Bons ofícios 

O conceito de bons ofícios é amplo, mas, em geral, realça a assistência de uma terceira parte a partes envolvidas num conflito ajudando na busca de uma solução para a crise.  

A assistência pode envolver o aconselhamento às partes em conflito, aos governos ou fazer chegar mensagens tentando estabelecer contato ou confiança entre esses grupos sem um envolvimento direto no processo. 

Os procedimentos de bons ofícios podem ser exercidos fornecendo percepções sobre os diferentes aspectos do processo de paz, obtidos com a experiência do mediador. 

Na ONU, os bons ofícios são uma função que deriva do papel, do prestígio e da credibilidade do secretário-geral. Essa atuação serve em grande parte como base para a mediação. 

Mediador  

O fundamento da mediação é o consentimento das partes em conflito. Caso contrário, esta não pode ocorrer. Os envolvidos devem concordar que um terceiro ator esteja no processo. 

Unfil/ Pasqual Gorriz

Boinas-azuis espanhois em patrulha em Kafar Kela, no sul do Líbano

A mediação pressupõe imparcialidade e que as partes assumam propriedade do processo que envolve “uma negociação nacional”. 

O mediador deve tentar tornar o processo inclusivo com participação de todos os cidadãos, mulheres e homens afetados. Outro requisito básico é o respeito ao direito internacional e aos diversos marcos regulatórios, especialmente aqueles que dizem respeito aos direitos humanos. 

O objetivo dos mediadores deve ser sempre alcançar uma paz justa, inclusiva e sustentável. 

Guerra Fria 

A ONU realça que as mudanças na sequência da Guerra Fria destacaram a necessidade de processos de mediação. Desde então, houve mais negociações mediadas por outros órgãos diferentes da ONU, embora a organização mantenha um papel de liderança na esfera da prevenção de conflitos. 

A Guerra Fria impulsionou a atuação da ONU na consolidação da paz. Diversos conflitos armados culminaram com a negociação de acordos políticos, muitas vezes mediados e executados com forte envolvimento das Nações Unidas. 

A organização está atualmente envolvida em negociações de diplomacia preventiva que ocorrem com a mediação de organizações regionais ou não governamentais, governos imparciais e outros atores nacionais e internacionais.   

Em diferentes ocasiões, as Nações Unidas podem integrar os mediadores desses processos. 

Ocha/Yaye Nabo Séne

Menina da República Centro-Africana segura cartaz com o mote nacional, que significa que todas as pessoas são iguais

“O futuro que queremos, as Nações Unidas de que precisamos”: ONU celebra 75º aniversário

Há 75 anos, firmava-se a Carta das Nações Unidas. O documento fundamental da ONU marcaria o percurso global da História da Humanidade, comprometendo governos mundiais em torno da promoção da paz, do multilateralismo e dos direitos humanos, visando a cooperação e o desenvolvimento sustentável.

 

Em 2020, a ONU celebra o seu 75º aniversário num momento complexo, agravado por uma crise de saúde global com profundas consequências sociais e económicas. Nas palavras de António Guterres, secretário-geral da ONU, os desígnios das Nações Unidas mantêm-se “tão verdadeiros como então”, no contexto histórico que levou à sua constituição. A solidariedade, a ajuda humanitária, a paz entre as nações, os direitos humanos, a ação climática, o direito internacional e a Agenda 2030 afirmam-se, hoje, enquanto prioridades globais. O secretário-geral da ONU apelou ao cessar-fogo global neste contexto em que devemos focar-nos na “verdadeira batalha das nossas vidas”.

No evento comemorativo oficial, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma nova declaração sobre cooperação internacional, no sentido de “reafirmar o compromisso coletivo com o multilateralismo” – um dos principais motes do seu 75º aniversário. No documento resultante da discussão, ficou expresso o consenso em torno de que “nenhuma outra organização global dá esperança a tantas pessoas”.

 

Este ano, mais de um milhão de pessoas participou numa ação de diálogo mundial promovida pela ONU, assente num inquérito sobre o futuro da organização e os seus principais desafios. Sairemos mais fortes e preparados para trabalharmos juntos? Para que assim seja, é fundamental promover o diálogo global sobre como construir um futuro melhor para todos.

O futuro que queremos, as Nações Unidas de que precisamos.

ONU75: Europa ilumina símbolos icônicos com “azul da cor das Nações Unidas”   

Cor oficial da organização cobrirá centenas de marcos e prédios em todo o continente; Portugal terá mais de 30 participações na iniciativa em homenagem ao aniversário da maior entidade multilateral do mundo.

Encontro global endossa prioridades de educação pós-pandemia 

Cerca de 11 chefes de Estado e 64 ministros da Educação de 97 países participam esta quinta-feira em um encontro sobre educação organizado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco. 

Realizado em parceria com os governos do Gana, da Noruega e do Reino Unido, o objetivo era definir prioridades durante a recuperação da pandemia de Covid-19 e garantir financiamento para o setor. 

Pandemia 

Chefe da Unesco discursando no encontro sobre educação global, Unesco/Christelle ALIX

Participaram no encontro o secretário-geral, António Guterres, a subsecretária-geral, Amina Mohammed, e personalidades como a atriz Angelina Jolie e o economista Jeffrey Sachs.  

Na abertura da reunião, o chefe da ONU destacou o impacto da Covid-19, dizendo que “o mundo está em risco de uma catástrofe geracional.” 

A pandemia teve um impacto desproporcional nas crianças e jovens mais vulneráveis ​​e marginalizados, destacou o secretário-geral. Centenas de milhões de pessoas perderam a educação e milhões podem nunca continuar sua jornada de aprendizado. 

António Guterres disse que “o progresso alcançado, especialmente para meninas e mulheres jovens, está ameaçado.” Segundo dados da ONU, cerca de 11 milhões de alunas podem não regressar à escola depois da pandemia. 

Segundo ele, é preciso apoiar a recuperação da aprendizagem em países de baixa e média rendas e incluir a educação em todos os pacotes de estímulo. 

Investimento 

O financiamento para a recuperação é um dos grandes temas do encontro. Antes da crise, os países de rendas baixa e média já enfrentavam um déficit de financiamento da educação de US$ 1,5 trilhão por ano. Agora, o valor aumentou. 

Antes da crise, os países de rendas baixa e média já enfrentavam um déficit de financiamento da educação de US$ 1,5 trilhão por ano

Guterres disse que o mundo terá “sucesso investindo naqueles que têm maior risco de ficar para trás, em professores treinados e respeitados, e em escolas que são seguras.” 

Ele destacou ainda a importância de investimentos em conectividade e tecnologias digitais para reimaginar a educação e o reconhecimento de que “a educação é um bem comum global.’ 

Para o secretário-geral, “o financiamento e a vontade política são essenciais.” 

Crise 

Em meados de julho, mais de 160 países tinham suas escolas fechadas. A medida afetava mais de 1 bilhão de estudantes em todo o mundo. 

Pelo menos 40 milhões de alunos, em todo o globo, ficaram sem acesso ao pré-escolar, um período vital para o desenvolvimento infantil. 

Em seu discurso, a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, realçou “a maior interrupção da educação da história” e homenageou “todos os professores do mundo, que correm riscos para educar nossas crianças.” 

Alunas regressam à escola na Mauritânia depois de meses com escolas fechadas, Unicef/Raphael Pouget

Declaração 

No final do encontro, os Estados-membros adotaram uma declaração com base em um documento político publicado pelo secretário-geral em agosto.  

A declaração aponta áreas como financiamento, inclusão, professores, reabertura segura, conectividade e coordenação como prioridades de ação.  

Encerrando o encontro, a subsecretária-geral, Amina Mohammed, disse que vários ingredientes essenciais agora são necessários para dar vida a esta declaração. Primeiro, vontade política. Depois, inovação. 

Para Amina Mohammed, voltar ao normal “significaria ignorar as profundas mudanças acontecendo no setor de tecnologia e nos mercados de trabalho em todo o mundo.” 

Declaração requer capacitar milhões de professores, especialmente na África e aumentar urgentemente parcerias para conectar todas as escolas, professores e alunos à internet

Além disso, “significaria aceitar o fato inaceitável de que, mesmo antes da Covid-19, cerca de 250 milhões de crianças estavam fora da escola e mais da metade das crianças em idade escolar em todo o mundo não tinham habilidades básicas de leitura.” 

Para ela, a implementação da declaração requer capacitar milhões de professores, especialmente na África e aumentar urgentemente parcerias para conectar todas as escolas, professores e alunos à internet. 

Também se devem aproveitar todas as oportunidades para que os sistemas educacionais sejam mais abertos, flexíveis e criativos, para que os jovens “possam prosperar em um mundo complexo e em rápida mudança.” 

Em terceiro e último lugar, a vice-chefe da ONU disse que o mundo precisa de colaboração multilateral eficaz, marcada “por maior solidariedade para com os países mais vulneráveis.” 

ONU celebra 75 anos com exposição no Museu do Dinheiro e moeda comemorativa

Está inaugurada a exposição “Construindo o Nosso Futuro Juntos” no Museu do Dinheiro. Promovida pelo Centro Regional de Informação para a Europa Ocidental (UNRIC), em parceria com a Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) e o Banco de Portugal, a exposição temporária é um convite à celebração do 75.º aniversário da Organização das Nações Unidas.

A exposição é de entrada livre, estará patente até 24 de janeiro de 2021 e aborda a história da ONU, dando a conhecer o contexto da moeda comemorativa dos 75 anos das Nações Unidas – emitida por Portugal e que está já em circulação por toda a Zona Euro.

Desenhada pelo designer e ilustrador André Letria, a moeda foi cunhada pela Imprensa Nacional/Casa da Moeda, em parceria com o Banco de Portugal e o Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental (UNRIC).

Na exposição, poderá ainda encontrar a moeda de 200 escudos, emitida em 1985, por ocasião do 50.º aniversário das Nações Unidas e saber um pouco mais sobre a história e o trabalho da Organização.

Junte-se às comemorações! Visite a exposição e se encontrar a moeda na sua carteira, publique uma fotografia nas redes sociais, referenciando as instituições que a promovem: @ONU_Portugal, @casadamoeda e @bancodeportugal.

ONU destaca avanços para a paz na Líbia

Depois de dois dias de negociações, as partes em confronto na Líbia chegaram a um acordo sobre abertura de rotas terrestres e aéreas. O novo entendimento destaca ainda a importância de evitar uma escalada militar. 

A representante especial do secretário-geral e chefe da Missão de Apoio da ONU à Líbia, Stephanie Williams, disse que as conversas “foram marcadas por um alto grau de patriotismo e profissionalismo e uma insistência na manutenção da unidade e soberania da Líbia.”  

Representante especial interina para a Líbia, Stephanie Williams, Foto ONU/Eskinder Debebe

Acordo 

Os encontros acontecem em Genebra e reúnem representantes da Comissão Conjunta Militar, conhecida como 5+5. Segundo Williams, o acordo inclui várias questões que “afetam diretamente a vida e o bem-estar do povo líbio.” 

Primeiro, o entendimento prevê a abertura das rotas terrestres que ligam todas as regiões e cidades da Líbia. 

As condições socioeconômicas pioraram em toda a Líbia, mas são especialmente terríveis no sul do país. A região foi marginalizada e privada de serviços básicos, como entrega de combustível e dinheiro.  

Os 5 + 5 também decidiram reabrir as rotas aéreas em toda a Líbia, principalmente voos para Sebha, que é a capital administrativa da região sul, o mais rapidamente possível. 

As partes destacaram a necessidade de acabar com o “uso de retórica inflamada e interromper o uso de discurso de ódio”. O pedido feito às autoridades judiciais é que tomem as medidas necessárias para responsabilizar os canais e as plataformas que têm promovido o discurso de ódio e incitado à violência. 

Os dois lados também concordaram em apoiar e continuar o atual estado de calma nas linhas de frente e evitar qualquer escalada militar. As partes devem ainda apoiar os esforços para a troca de detidos, especialmente aqueles realizados pelos conselhos de anciãos. 

Petróleo 

Com relação à questão da retomada total da produção petrolífera, os dois lados concordaram em trabalhar com um representante da Corporação Nacional de Petróleo para reestruturar as instalações. O objetivo é garantir o aumento e a continuação do escoamento do petróleo da Líbia. 

Esta quarta-feira, o foco das duas partes é abordar a questão da região central da Líbia, abrindo caminho para um acordo de cessar-fogo. 

Encontro dos 5+5 em Genebra, Foto ONU / Violaine Martin

A chefe da Unsmil diz que as conversações ocorrem “em um cenário de muitos desenvolvimentos positivos, incluindo a continuação da calma nas linhas de frente e a retomada de metade da produção de petróleo do país.” 

A operação política da ONU destaca ainda um “aumento da fluidez social e política entre os líbios”. Um exemplo disso foi a visita feita no fim de semana a Misrata por anciãos orientais para discutir uma troca de detidos. 

Encontro 

A Unsmil termina a preparação para o lançamento do Fórum de Diálogo Político da Líbia, a ocorrer em Túnis em 9 de novembro.  

Na preparação dessas conversações, a missão realizou uma série de consultas “com uma ampla gama de partes interessadas, incluindo jovens líbios”.  

Stephanie Williams disse ainda que “à luz dessa esperança emergente e desses desenvolvimentos positivos” este é o momento de reiterar o apelo do secretário-geral por um cessar-fogo global. A representante pede que as duas partes “resolvam todas as questões pendentes e estabeleçam um acordo de cessar-fogo duradouro.” 

Portugal emite moeda corrente comemorativa do 75º aniversário da ONU  

O Centro Regional de Informação para a Europa Ocidental (UNRIC) desenvolveu, em parceria com a Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) e o Banco de Portugal, uma moeda corrente alusiva às comemorações dos 75 anos da Organização das Nações Unidas (ONU).

À data de hoje, já circulam pelos 19 países da Zona Euro 500 mil exemplares da moeda de pagamento corrente com o valor de 2 Euros. Portugal é, assim, o único Estado-membro da ONU a assinalar esta ocasião com uma moeda corrente comemorativa.

Lançada com o objetivo de assinalar o 75º aniversário de um marco incontornável da história da Humanidade, a iniciativa pretende também reafirmar os princípios fundamentais da ONU no contexto atual.

A moeda é assinada por André Letria, um dos mais prestigiados e premiados ilustradores portugueses.

Junte-se a nós nesta celebração! Se encontrar a moeda na sua carteira, publique uma fotografia nas redes sociais, referenciando as instituições que a promovem: @ONU_Portugal, @casadamoeda e @bancodeportugal.

Para além dos 500 mil exemplares em circulação, serão ainda emitidos dois tipos de moedas para colecionadores: 5 mil exemplares com acabamento especial proof e 5 mil moedas com acabamento especial BNC.

Esta moeda comemorativa é emitida à semelhança do que havia sido feito em 1985, quando Portugal emitiu uma moeda comemorativa de 200 Escudos, por ocasião do 50.º aniversário das Nações Unidas.

Golfo Pérsico: desafios não devem impedir “confiança e melhores perspetivas de diálogo” 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse ao Conselho de Segurança que a “imensidade” dos desafios que se avizinham no Golfo Pérsico não deve impedir a criação de um clima de confiança e melhorar as perspetivas de diálogo regional. 

Nesta terça-feira, os 15 Estados-membros do órgão realizaram uma sessão sob o tema Manutenção da paz e segurança regionais: uma revisão abrangente da situação do Golfo Pérsico. 

Padrões de vida  

Chefe da ONU pediu mais diálogo entre membros do Conselho de Cooperação do Golfo., by Foto: OMI

Para o chefe da ONU, as razões para se intensificarem os esforços coletivos compreendem ultrapassar as rivalidades, reconhecer fatores de união e dar prioridade aos interesses dos povos da região “em suas aspirações por liberdades, oportunidades, melhores padrões de vida e paz.” 

Guterres considera importante que se reflita de forma mais profunda sobre como a comunidade internacional, especialmente o Conselho de Segurança, poderá trabalhar a uma só voz “para promover a paz e a segurança nesta parte vital do mundo”. 

Uma das razões de “extrema preocupação” é a situação no Iêmen, um conflito que segundo ele se regionalizou com o tempo. Para o chefe da ONU, nos seis anos de guerra foram arrasadas as vidas de milhões de iemenitas e minados os esforços para fortalecer a confiança na região.  

Guterres disse que apesar do apelo do cessar-fogo para combater a pandemia, também endossado pelo Conselho de Segurança, é preciso fazer mais esforços nesse sentido. Para ele, o Iêmen é a primeira prova da necessidade de um cessar-fogo imediato. 

Processo Político 

Ele disse que as Nações Unidas continuam mediando as negociações entre as partes iemenitas sobre a Declaração Conjunta, que preveem um cessar-fogo nacional, medidas econômicas e humanitárias e a retomada do processo político.  

Para o chefe da ONU, as tensões aumentaram para “altos níveis” no Golfo. , by Foto: ONU/Mark Garten

Em meio à Covid-19, Guterres disse ter ficado “animado” com o apoio dado pelos países do Golfo ao pedido de cessar-fogo global que lançou este ano e com o envio da ajuda humanitária aos países afetados.  

O secretário-geral desencorajou que se tomem “quaisquer sanções que possam afetar o acesso à ajuda humanitária e médica essencial” em meio à pandemia.  

Após recordar que o problema não respeita fronteiras, Guterres pediu que perante as diferenças, a humanidade comum possa compelir a enfrentar este desafio “em espírito de solidariedade”. 

Na análise mais ampla sobre o Golfo Pérsico, Guterres disse estar claro “que as tensões estão aumentando”. Ele mencionou que desde maio de 2019 houve vários incidentes de segurança que fizeram subir as tensões “a novos níveis”, aumentando as preocupações com um conflito maior. 

Diálogo 

No longo prazo, o secretário-geral sugeriu “uma nova arquitetura de segurança regional para tratar das preocupações legítimas de segurança de todas as partes interessadas.” 

Guterres encorajou ainda que seja dado apoio total a esforços similares ao que foi lançado pelo Kuwait para promover o diálogo e resolver as tensões entre os membros do Conselho de Cooperação do Golfo. 

Guterres disse que apelo do cessar-fogo, também endossado pelo Conselho de Segurança, precisa de mais esforços., by ONU/ Loey Felipe